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quinta-feira, 24 de maio de 2018

O petróleo não é nosso

Os discípulos dessa corporação uníssona chamada grande mídia nunca vão admitir dados de que não houve quebradeira no Brasil depois do governo de FHC e antes do governo de Temer. Nesse viés, nunca vão admitir que o problema dos preços dos combustíveis não é herança do governo petista. Isso não quer dizer o governo do PT não tenha errado — Belo Monte é exemplo de erro grave pelo etnocídio que tem causado. Negar que houve corrupção no governo petista seria burrice, assim como é burrice alegar que a corrupção foi inventada pelo PT ou alegar que não houve corrupção durante a ditadura militar ou negar que não houve corrupção no blindado governo FHC (neste caso, a leitura de A Privataria Tucana esclarece muito).

Como eu já disse, nunca tive ilusão nem pretensão de mudar o pensamento de alguém quando escrevo; isso seria luta mais vã do que as outras lutas vãs com que me envolvo (“lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã”). Sei que os crédulos vão continuar acreditando nas grandes corporações de comunicação, vão continuar dizendo que os governos Lula e de Dilma quebraram o Brasil. Nunca tive a intenção de mudar a ideia de quem pensa assim, pois quem assim pensa não vai mudar de ideia por uma série de questões, que podem até dizer respeito a coisas que não são estritamente da política, como, por exemplo, a falta de um mindinho ou o vestido de alguém.

O assunto em voga é a falta de combustíveis nos postos de gasolina. Por todo o Brasil, donos de postos já deram prova do quanto o brasileiro é “solidário”: ontem, houve “cidadão de bem” que chegou a vender gasolina por R$ 9,99 (https://bit.ly/2x9XCR6). Isso é muito revelador do quanto estamos distantes de construir para nós um país para todos.

Sobre esse problema, recorri a um estudante de economia, que me pediu para ficar no anonimato. Segundo ele, há uma teoria em economia chamada de “questão da utilidade marginal”. Segundo o economista, “a questão da utilidade marginal na hora de determinar os preços é uma teoria econômica que diz que o preço de um bem reflete não o seu custo, mas, sim, o quanto ele é útil naquele momento. Por exemplo: se você está no deserto do Saara e encontra um vendedor de água, na primeira garrafa você está disposto a pagar o preço que ele quiser cobrar porque o bem é extremamente útil pra você naquele momento; na segunda garrafa você já está disposto a pagar um pouco menos, porque já é menos útil pra você, até que chega um momento em que a água é um estorvo e você não está disposto a pagar mais nada, ou até está disposto a pagar para não ter o bem. Essa é uma teoria importante na questão da formação dos preços, que acaba refletindo na questão da lei da oferta e da demanda, e acho que se aplica bem nesses momentos de crise com bens muito úteis, como a gasolina, por exemplo”.

A própria economia admite ainda haver fatores não racionais que devem ser levados em conta: “Ninguém age o tempo todo de forma racional. Inúmeras vezes, agimos por impulso, sem medir as consequências de nossos atos. Outras tantas vezes, agimos por mero hábito, por condicionamento social, porque ‘é assim que sempre se fez’. E, normalmente, mesmo quando procuramos ser racionais, não deixamos de ser influenciados pela cultura e por nossas pulsões (tantas vezes, inconscientes) avessas à racionalização. (...) De forma que o ‘homem econômico racional’ tem que ser tomado como uma construção ideal, e não como uma representação realista da ação humana. O que não significa — insistamos — que esta representação seja inútil”. [1]

É preciso ter em mente que a utilidade marginal ou o argumento de que não somos racionais o tempo todo não são salvo-conduto para os donos de postos de gasolina cobrarem os preços que bem entenderem. Esse ato pode ser ilegal, os postos podem ser denunciados. Sabemos que denúncias desse tipo não dão em nada no Brasil, mas nem por isso temos de aceitar que os postos cobrem dos consumidores o que bem quiserem.

Quando nasci, em 1970, a ditadura militar estava expulsando, torturando ou matando quem dela discordava (por isso mesmo há quem queira a volta do regime militar). O aumento do preço dos combustíveis era anunciado previamente, o que fazia com que os consumidores pegassem os veículos e corressem para os postos de gasolina para encher os tanques antes que o aumento entrasse em vigor. Ontem, indo para o trabalho, pude conferir as filas nos postos da avenida JK, aqui em Patos de Minas, em cena muito parecida com a que eu presenciava com frequência quando menino; à noite, no centro da cidade, mais filas para abastecimento. Tomo a liberdade de tirar a vírgula do “slogan” do Elsinho Mouco, modificando os números dele: o Brasil voltou quarenta anos em dois.

Aproveito para reiterar alguns números, que são públicos, embora escondidos da grande mídia — em especial os dados contidos nos dois primeiros links. O primeiro deles tem uma série de registros que fazem comparação entre os governos FHC e Lula/Dilma; o segundo é sobre o que há embutido no valor dos combustíveis; o terceiro é um contraponto aos dois primeiros.

https://bit.ly/2IHsA4w

https://bit.ly/2xbxKEu

https://bit.ly/2s4UT6o
___________

[1] Paiva, Carlos Águedo Nagel. Noções de economia / Carlos Águedo Nagel Paiva, André Moreira Cunha. Brasília. Fundação Alexandre de Gusmão. 2008. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

... Assim falou Temer...

Michel Temer, presidente do Brasil, disse que havia restringido, em entrevista a Roberto D’Ávila, as viagens de Dilma Rousseff com aviões da Força Aérea Brasileira porque ela poderia usar o benefício “para fazer campanha denunciando o golpe”. Não estou usando a palavra “golpe”; ele, Temer, usou o termo. Na mesma entrevista, o presidente do Brasil elogiou Eduardo Cunha, dizendo que ele, Cunha, é um “batalhador no campo político e no campo jurídico”. Não elogiei Cunha; ele, Temer, elogiou. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Das reações contra Dilma

De alguns anos para cá, as redes sociais e os comentários deixados em “sites” de notícias mostraram o quão despreparado o brasileiro está para o debate, seja ele qual for. Confirmou-se o tamanho gigante desse despreparo também na questão política, pois o que deixa de ser debatido é, precisamente, a política.

O teor desta postagem não é, em sentido estrito, político. Se fosse para adjetivar esse teor, eu diria que ele é sociológico; ou, talvez, psicológico. Mas não me importa agora adjetivar com exatidão o que escrevo. Este parágrafo aqui está como tentativa de esclarecer que esta postagem, em vez de se deter sobre questões políticas, parte do princípio simples de que antes de haver um profissional, há um ser humano. Qualquer um deve, antes de tudo, ser respeitado por isso. Sei que digo truísmos, mas os digo porque coisas básicas estão ausentes.

As redes sociais mostraram que muitos, ao se referirem a Dilma, deixaram de lado questões políticas e se detiveram em questões pessoais. Já quando da posse para o segundo mandato, escolheram falar mal do... vestido dela. À medida que o tempo ia passando, houve de tudo: disseram que ela é como é por falta de sexo; no dia internacional da mulher, mulheres postaram textos do tipo “feliz dia das mulheres para nós — menos para a Dilma, que não merece” (curiosamente, muitas delas não se rebelam contra o que um Bolsonaro diz sobre as mulheres); ela foi xingada de todas as ofensas que são dirigidas contra o sexo feminino; inseriram a imagem dela sendo queimada em fogueira...

Nos estádios, entoaram para ela “vai tomar no c*”; em adesivos de carro, pegaram a imagem dela e a colocaram, com as pernas abertas, no lugar em que a bomba é colocada no veículo quando se abastece. Foi uma constelação de indelicadezas, futilidades, falta de educação, grosserias, preconceitos, machismo, misoginia e ódio. Uma parte do Brasil mostrou a cara que tem. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

ENQUANTO ISSO, EM PATOS DE MINAS...

A atleticana Dilma venceu o cruzeirense Aécio em Patos de Minas nos dois turnos das eleições. No primeiro turno, ela obtivera 34.225; ele, 31.834. Na votação de ontem, o patense votou assim, segundo o divulgado pelo Patos Hoje: Dilma obteve 40.254 votos; Aécio, 39.149.

Apesar da vitória de Dilma aqui em Patos de Minas no primeiro turno, pensei que ela não ganharia na cidade no segundo. Pimentel já obtivera a maioria dos votos dos patenses na eleição para governador. O que não há como saber é se isso é circunstancial ou se é sinal de mudança no modo local de votar, uma vez que o PT geralmente não vencia por aqui. 

domingo, 26 de outubro de 2014

DILMA REELEITA

Globo, Veja, Jovem Pan, Uol, jornal Estado de Minas, jornal Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Tim... Ainda não conseguiram. Dilma (cujo nome uso como metonímia) ganhou a eleição contra todos eles. Isso é ótimo, não somente pela vitória da presidente em si, mas também por ser mais uma prova (a exemplo do que ocorreu em 2010) de que, embora sejam muito poderosos, esses meios de comunicação não tiveram, nem em 2010 nem em 2014, o poder avassalador que já tiveram (esse poderio pode ser recuperado).

Como já previsto antes de a campanha política começar, foram eleições que transformaram redes sociais em guerra virtual. O clima de intolerância e de ranço, que até então era velado ou era menos expressivo, deu as caras na internet e nas ruas, provando que milhões não querem debater, mas reproduzir e continuar exercendo preconceitos seculares.

Detratores do PT, seja por má-fé, seja por ignorância, têm os argumentos: quando não é a corrupção, que existe nos dois partidos, vêm com aquela história de implantação de ditadura, de comunismo, de Cuba. Enquanto seguem com essa monocórdica balela, o governo petista é eleito democraticamente pela quarta vez.

Se comparado com o de 2010, o clima de recrudescimento aumentou neste 2014. Imprensa e meios de comunicação interesseiros e rancorosos estão mais vorazes do que nunca. Proclamada a vitória da petista, já começaram os ataques. Há várias empresas de “informação” semelhantes às que mencionei acima. Fiquemos atentos a elas todas e continuemos buscando outras possibilidades de informação.

A internet trouxe mais opções quando se tem o interesse em saber o que tem ocorrido. Qualquer pessoa pode informar ou opinar (o que é ótimo). Isso deixa a veiculação de conteúdos muito pulverizada. Parece-me que justamente essa pulverização é que faz com que Globos, Vejas e que tais ainda sejam influentes: não há como o cidadão, considerado individualmente, ser mais poderoso do que as tentáculos das empresas que citei.

Mas o Brasil não é feito só de Globos, Vejas e congêneres. Existem Fórum, Carta Capital, Pragmatismo Político, Dilma Bolada, Jeferson Monteiro, Luis Nassif, Viomundo, Cynara Menezes, Pablo Villaça... São cidadãos e empresas que simbolizam um Brasil que é bonito, corajoso, lúcido, talentoso, inteligente e bem-humorado. 

Não se incomodam em ver negros na universidade, não se incomodam quando o jardineiro compra um bom carro, não se incomodam quando a empregada doméstica usa um sapato que tem o mesmo preço do sapato usado pela patroa. Não estão a serviço dos próprios umbigos. São a favor do Brasil. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O RICO

Eleitores têm dito que não votam no Aécio por ele ter vindo de família rica, por ele supostamente ter dito que, quando jovem, nunca arrumou a própria cama, que tinha duas empregadas domésticas. Dizem não votar nele por ele ser um dândi que gosta das noites cariocas...

Não voto em Aécio. Não pelas razões acima. Eu não deixaria de votar na Dilma se ela tivesse vindo de família rica. Não é o fato de Aécio ter vindo de família rica o que o torna impalatável para mim. Relevem a obviedade: há ricos legais e há pobres insuportáveis; há ricos insuportáveis e há pobres legais.

Ainda que Aécio não tenha construído aeroporto(s) para a família, ainda que Aécio não se envolva com cocaína, ainda que Aécio seja um trabalhador que tenha aumentado com honestidade, garra, pujança, sagacidade, coragem, impetuosidade, ousadia e inteligência o patrimônio dele e da família, não voto nele.

A herança financeira que Aécio recebeu não é da nossa... conta. Já a herança política dele é. A herança político-ideológica dele é da nossa conta pela simples razão de que a política está ligada à comunidade, não ao dinheiro acumulado pela família de um candidato (a não ser que esse ganho financeiro tenha sido conseguido mediante dano a dinheiro público).

Aécio Cunha, pai de Aécio Neves, era da Arena, partido que apoiava a ditadura militar. Neves, ao se referir ao golpe militar de 64, chama-o de “revolução” (Dilma o chama de... golpe). Militares que apoiam a ditadura militar estão com Aécio e criticaram Dilma. Essas questões, sim, dizem respeito a todos, pois são questões do País, são questões não particulares.

Não consigo votar num candidato que tenha uma proposta neoliberal. O meu “não” a Aécio não é por ele ser rico. Se no lugar dele houvesse um candidato pobre (ou que tivesse sido pobre) que defendesse os princípios do neoliberalismo, ele não teria meu voto; não por questões financeiras, mas “simplesmente” por ser neoliberal.

Em postagens anteriores, já dei justificativas para meu voto. Elas são o oposto do que a política neoliberal fez com o Brasil da década de 90; não preciso repeti-las, pois, nesse caso, um lado da moeda permite que se deduza o outro. Este texto é uma justificativa para o não voto em Aécio, sem deixar de ser, ao mesmo tempo, mais uma para o voto em Dilma. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ALGUMAS RAZÕES PELAS QUAIS VOTO EM DILMA

(Os dados abaixo foram extraídos de um texto escrito por Pablo Villaça.)

 • PIB (em bilhões de reais)
2002 — 1.477
2013 — 4.837
Fonte: Ipea

• Falências requeridas
2002 — 19.891
2013 — 1.758
Fonte: Ipea

• Inflação
2002 — 12,53%
2013 — 5,91%
Fonte: Ipea

• Desemprego (percentual) no mês dezembro
2002 — 10,5
2013 — 4,3
Fonte: Ipea

• Salário mínimo (em reais)
2002 — 364,84
2014 — 724,00
Fonte: Ipea

• Taxa de pobreza (percentual)
2002 — 34%
2012 — 15%
Fonte: Ipea

• IDH
2000 — 0,669 
2005 — 0,699
2012 — 0,730
Fonte: jornal O Estado de São Paulo

• Gastos públicos com saúde (em reais)
2002 — 28 bilhões
2013 — 106 bilhões
Fonte: orçamento federal

• Gastos públicos com educação (em reais)
2002 — 17 bilhões
2013 — 94 bilhões
Fonte: orçamento federal

• Entre 1994 e 2002, houve 48 operações da Polícia Federal; entre 2003 e 2012, houve 1.273 operações.

(A seguir, mais alguns motivos pelos quais voto em Dilma; as razões abaixo não foram extraídas do texto de Pablo Villaça.)

• “O brasileiro vai melhor do que antes, há mais empregos, seu salário melhorou, as políticas sociais melhoraram. O motor da economia é, e sempre foi, o mercado interno. A novidade não está no andar de cima, com seu consumo de elite. A novidade está no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa (...), gerando emprego”.
Fonte: Silvio Caccia Bava, em editorial do Le Monde Diplomatique de julho de 2014.

• “O aumento de renda nos estratos mais pobres melhora radicalmente o progresso social em geral. Em outras palavras, o dinheiro que vai para a base da sociedade é muito mais produtivo em relação aos resultados para a sociedade, o que bate plenamente com as pesquisas do Ipea sobre a produtividade dos recursos”.
Fonte: Ladislau Dowbor, em texto no Le Monde Diplomatique de julho de 2014.

• Pela redução em 50% do número de pessoas que sofrem fome.
Fonte: UOL — 16/09/2014

• Pela continuidade do Mais Médicos.

• Pela continuidade das cotas em universidades.

• Pela continuidade do Bolsa Família.

• Pela continuidade do Ciência sem Fronteiras.

• Pelo fato de o Brasil, há doze anos, não mais pedir socorro ao FMI.

• Pelo não abandono do pré-sal.

• Pelo Marco Civil da Internet.

• Por acreditar que, com Dilma, não haverá fundamentalismo religioso no poder. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AS APARÊNCIAS CEDEM

Marina Silva havia declarado que não aceitaria grana de “companhias da indústria bélica, do tabaco, de bebidas alcoólicas e de agrotóxicos nessas eleições”, de acordo com o Pragmatismo Político. Já Márcio França, coordenador financeiro da campanha de Marina, foi prático: “Não tem problema algum se a doação for legal. Pode vir dinheiro da indústria de armas, de bebidas, do que for”. A Ambev, por exemplo, ajuda a financiar tanto a campanha de Dilma quanto a de Aécio. Não será surpresa se, depois da declaração de França, a empresa ajudar a financiar também a de Marina.

Os que se dizem cansados da “velha política” e certa parcela da juventude têm visto em Marina uma espécie de terceira via, que, em tese, pavimentaria uma nova política. Contudo, a declaração do coordenador financeiro da candidata deixa claro que, para governar, Marina tem de, assim como qualquer outro candidato, ceder a muita coisa às quais disse que não cederia. Ela parece ser diferente da “velha política”. Só parece. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

HIPOCRISIA VENCE — DE NOVO — AS ELEIÇÕES

O Vladimir Safatle, da Folha de S.Paulo, publicou ontem um texto em que mencionou o conservadorismo das campanhas de Aécio, Dilma e Marina no que diz respeito a costumes. Safatle se referia a assuntos como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em sua coluna, o autor ainda faz referência a Gregorio Duvivier, que, em texto publicado anteontem, disse que nestas eleições há “pastor demais e maconha de menos”, referindo-se à falta de debate em torno de tópicos considerados polêmicos por conservadores. Duvivier, em seu artigo, sugere que “ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis” se unam, alegando que o lado de lá, o lado dos conservadores, está “bem juntinho”.

Tanto o texto de Safatle quanto o de Duvivier quase que inevitavelmente nos levam a refletir sobre a hipocrisia. O dicionário Aulete, em sua versão digital, tem a seguinte definição para “hipócrita”: “Que simula ter uma qualidade ou sentimento que não tem, ou finge ser verdadeira alguma coisa (sabendo que não o é)”. Safatle ilustra bem a questão: “Se a filha adolescente do deputado conservador engravidar sem querer ele será o primeiro a aparecer por lá [clínica de aborto]. O que é proibido no Brasil é reconhecer tal prática”.

Nem toda conservadora já abortou, nem todo conservador se enriquece às custas do dinheiro de ingênuos fiéis. Mas nem Aécio nem Dilma nem Marina conseguiriam se eleger sem o voto dos conservadores, o que mostra a obsolescência de nossa sociedade; não conseguiriam governar sem o voto de milhões de supostos paladinos dos bons costumes, o que mostra o tamanho da hipocrisia de nossa sociedade. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

UM OLHAR SOBRE O BRASIL RECENTE


A editora Geração tem feito um louvável trabalho de cidadania, publicando livros que desmascaram os engodos e preconceitos dos adeptos do neoliberalismo. É da Geração, por exemplo, o imprescindível “A privataria tucana”, escrito por Amaury Ribeiro Jr. O autor disseca a chamada Era das Privatizações, capitaneada por FHC e José Serra. Nem é preciso dizer que o livro não recebeu a devida atenção dos gigantes da mídia.

Prosseguindo em sua corajosa postura, a Geração também lançou “Dez anos que abalaram o Brasil. E o futuro?”, de 2013, escrito por João Sicsú, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A obra é uma radiografia de o quanto o Brasil melhorou desde o primeiro mandato de Lula. Sicsú é contundente não pelo tom incisivo, mas pelos dados acachapantes que apresenta. Olhando o passado, o autor arrisca um futuro.

Apesar das previsões que faz, o livro, conforme o que o próprio Sicsú escreve, é um registro histórico no sentido de que houve a preocupação maior em registrar os fatos, os dados, e não a versão interesseira destes, divulgada diariamente pelo que o autor chama de barões da mídia. Mesmo em não se confirmando as previsões de Sicsú, “Dez anos que abalaram o Brasil. E o futuro?” é um belo documento de um Brasil que deu certo, mas que é perversamente ignorado, todos os dias, pelos meios de comunicação poderosos.

O livro é escrito com didatismo e com incisiva simplicidade; não tergiversa ao discorrer sobre o preconceito com relação aos milhões de pobres que passaram a ser consumidores nos governos de Lula e de Dilma: “Os novos trabalhadores são socialmente discriminados. São olhados com desconfiança quando adentram os aeroportos com malas de baixa qualidade e com sacolas plásticas nas mãos. Os barões da comunicação estimulam a discriminação quando descrevem seus representantes como usuários de roupas vulgares, que não têm o bom gosto dos ricos”.

Trabalhos como o de Sicsú são históricos não somente por mostrar o que o governo petista fez de bom desde quando assumiu o poder, não somente por oferecer uma possibilidade outra que não seja a que é disseminada pelos conglomerados de mídia. O livro, ainda que essa não tenha sido a intenção do autor, é um tributo não somente ao PT, mas ao povão brasileiro. Um povão que teve sua chance, que tem aprendido que também são de seu direito as riquezas do país. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

FORA DE CAMPO

Em maio deste ano, a presidente Dilma Rousseff convidou jornalistas esportivos para um jantar. Eram eles: Juca Kfouri, Paulo Calçade, Renato Maurício Prado, Mauro Beting, Milton Leite, Tino Marcos, Paulo Sant'Anna, Téo José, Renata Fan e Paulo Vinícius Coelho. Segundo o que Coelho, o PVC, escreveu, Dilma queria escutar os jornalistas.

Posteriormente, a presidente também se reuniu com integrantes do Bom Senso F.C., grupo de jogadores que apresentam propostas de mudanças no modo como o futebol brasileiro é gerenciado pelos cartolas. Depois do fiasco do Brasil na Copa, nova reunião da presidente com o pessoal do Bom Senso deve ocorrer.

Sobre o jantar realizado em maio, PVC escreveu que houve um momento em que o jornalista Juca Kfouri perguntou para a presidente como seria sentar-se, na abertura da Copa, ao lado de José Maria Marin, o presidente da CBF. Marin, em discurso de 1975, elogiou o delegado Sérgio Paranhos Fleury, torturador de Dilma durante o regime militar.

Segundo PVC, a resposta da presidente para a pergunta de Kfouri foi esta: “‘Nós ganhamos! Eu posso contar a todos os meus familiares o que fiz e eles não podem. A verdade é que nós ganhamos!’”.

Aécio Neves, por sua vez, dá-se bem com o pessoal da CBF. O candidato a presidente do Brasil homenageou o manda-chuva da Confederação Brasileira de Futebol, segundo o que foi divulgado pelo blogue de Juca Kfouri no dia onze de julho. Ainda de acordo com o blogueiro, Aécio disse que o Brasil não precisa de uma “‘Futebras’” (não precisa mesmo). Mas não é essa a proposta do Bom Senso F.C.

Com Aécio homenageando um sujeito como o Marin e sendo amigo de baladas de Ricardo Teixeira, não precisa ser gênio para saber que o tucano, se eleito, não está disposto em ser interlocutor de um diálogo que proponha mudança na pasmaceira e no amadorismo do futebol brasileiro. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

PRESIDENTE DILMA NO FACE TO FACE

Clicando aqui, você confere o Face to Face realizado com a presidente Dilma, hoje pela manhã, via Facebook. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

INTELIGÊNCIA COMPARTILHADA

Já escrevi que não basta uma coisa ser ruim para que ela obtenha sucesso. Isso não quer dizer que tudo o que atinja o sucesso seja ruim, embora o usual seja a burrice ser propagada, divulgada e compartilhada.

Não é o caso da página Dilma Bolada, criada por Jeferson Monteiro. O espaço eletrônico mostra o ranço da direita, exibe as realizações da presidente e alerta para o jogo desonesto de boa parte da imprensa e dos meios de comunicação. Tudo isso, com um delicioso senso de humor. É muito engraçado imaginar a Dilma se valendo do “internetês”.

Dilma Bolada é a prova de que redes sociais podem também abrigar inteligência. Monteiro consegue tratar os temas mais controversos com graça, sem ao mesmo tempo deixar de chamar a atenção para o quanto são cabais. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

PUBLICAÇÕES

A Piauí de janeiro tem uma tradução, feita por Mario Sergio Conti, daquele famoso trecho do Proust — o episódio da madalena, um bolinho que o narrador toma com chá. A experiência faz com que ele resgate o passado e, por consequência, escreva o texto.

Também na Piauí, um hilariante diário fictício de Dilma Rousseff. André Lara Resende escreve sobre o otimismo. Há ainda uma breve matéria sobre um concurso de cartas de amor que foi realizado em Belo Horizonte.

O jornal Le Monde Diplomatique Brasil deste mês tem um editorial sobre a corrupção no Brasil; um marco. Há texto que pergunta se as chamadas “commodities” [bens em estado bruto, de origem agropecuária ou de extração mineral ou vegetal] são o novo sigilo fiscal dos suíços.

A Alfa, também deste janeiro, tem um perfil de Nelson Piquet. Na edição, uma bela matéria e um belo ensaio fotográfico com a cantora Céu. Indico finalmente o texto sobre Daniel Day-Lewis.

domingo, 31 de julho de 2011

GOVERNO E CBF

É salutar e revelador saber como o mesmo fato é noticiado, manipulado e mostrado por diferentes fontes. Hoje, no sítio da CBF, há a manchete “Ricardo Teixeira e presidente Dilma Rousseff”. Abaixo da manchete e acima de uma foto, está escrito: “Presidente da CBF se reuniu com a presidente Dilma Rousseff antes do Sorteio Preliminar da Copa do Mundo de 2014”. No texto da notícia, diz ainda a CBF: “A presidente da República Dilma Rousseff tomou a iniciativa do encontro com o presidente da FIFA Joseph Blatter e o presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA Ricardo Teixeira”.

O UOL deu a seguinte manchete: “Com Ricardo Teixeira vetado, Dilma recebe celebridades e jogadores no camarote”. Na matéria, o portal escreveu: “De acordo com o estafe de Dilma Rousseff, a presidente teve um relacionamento apenas protocolar com Ricardo Teixeira no sorteio das eliminatórias da Copa de 2014. A informação é que o dirigente não foi recebido na área reservada a ela na Marina da Glória. E que, portanto, os dois não conversaram reservadamente nem se reuniram”.

sítio da presidência traz duas fotos por demais sintomáticas – e que confirmam o divulgado no UOL. Escreveu esse portal: “Por sua vez, o www.presidencia.gov.br mostra o mesmo momento apresentado pela confederação em duas fotos. Na imagem mais aberta, além do quarteto, aparecem várias autoridades. Fica claro se tratar de uma solenidade formal em que Blatter entregou uma flâmula da Fifa.

“Foi na chegada dela à marina. Há também a mesma foto com uma edição que corta Ricardo Teixeira”.

Abaixo, foto divulgada pela CBF:


A seguir, foto divulgada pela presidência:


Por fim, outra imagem divulgada pela presidência:


As fotos corroboram a ideia de que Ricardo Teixeira quis passar a impressão de que tudo está bem entre ele e o governo federal. Este, por sua vez, não quis associar a imagem de Rousseff à de Teixeira, ainda que dinheiro público, com o aval do governo, esteja sendo usado nas obras para a Copa.

Não que eu confie totalmente no UOL ou na página do governo, mas, nesse caso, a versão menos confiável me parece ser mesmo a Teixeira – o que, a rigor, não surpreende.

(Quanto aos créditos das fotos, o sítio da CBF, como pode ser verificado acima, atribui a autoria da foto a Ricardo Stuckert. Já a página da presidência atribui as imagens a Roberto Stuckert Filho. Não sei se houve um engano por parte da CBF ou se havia no evento dois fotógrafos com a mesma assinatura.)

Finalmente, vale o registro de que, segundo o blogue de Juca Kfouri, até o Jornal Nacional noticiou uma manifestação de 700 pessoas contra a administração de Ricardo Teixeira. Não assisti à matéria na Globo, mas se ela chegou a noticiar algo contra Teixeira, pode ser que o cacique da CBF fraqueje. Afinal, foi ele mesmo quem disse que só passaria a se preocupar com o dizem contra ele quando isso fosse noticiado no Jornal Nacional...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ELEIÇÕES 2010

Apesar dos poderosos Globo e Veja, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil. Com a eleição, Lula confirma sua força: seus índices de popularidade continuam altos e ele consegue eleger sua candidata. Como se não bastasse, é a primeira vez no Brasil que um presidente eleito pelo voto popular faz seu sucessor.

Em seu primeiro discurso após a confirmação de sua vitória, Dilma Rousseff disse que é desejo dela estender a mão para opositores políticos. Serra, em contrapartida, durante breve pronunciamento que fez após estar ciente do resultado da eleição, não abandonou o tom belicista da campanha.

O candidato do PSDB disse que não estava dando um adeus, mas um até-logo. Ainda não se sabe com certeza se com isso Serra queria dizer que é desejo seu disputar a presidência novamente. Mas ainda que seja, Aécio Neves já é apontado como forte candidato do partido nas próximas eleições para presidente.