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sexta-feira, 10 de junho de 2011

OUVIDO RUIM

Há sítios dedicados a divulgar canções cujas letras foram escutadas incorretamente. É o caso, por exemplo, do kissthisguy.com, que apresenta canções em inglês. O assunto é divertido.

Dos meus enganos, cito os seguintes:

O que eu cantava:

We’re never gonna survive
Oh yes, we’re a little crazy

A versão correta:

We’re never gonna survive
Unless we’re a little crazy

O nome da canção é “Crazy”, gravada primeiramente pelo Seal. Mesmo gostando da música, eu julgava o trecho incorretamente cantado por mim muito careta: em minha versão, ele estaria cantando nós nunca vamos sobreviver / Sim, somos um pouco loucos. Na verdade, diz a letra: “Nós nunca vamos sobreviver / A menos que sejamos um pouco loucos”.
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O que eu cantava:

Maxwell, jump

A versão correta:

Might as well jump

Em minha versão para Jump, do Van Halen, a letra diria Maxwell, pule. Já a expressão might as well é usada quando a pessoa faz alguma coisa por não haver outra melhor a ser feita. Se num restaurante trazem sua refeição e você percebe que não é o que você queria, você pode dizer algo como “estou atrasado; é melhor eu comer esta refeição mesmo”. Might as well seria algo como é melhor – desde que não haja outra alternativa mais indicada. Nesse sentido, a tradução de “might as well jump” seria algo como “é melhor pular” (subentende-se que não há coisa melhor a ser feita). A troca de “might as well jump” por Maxwell, jump é um tanto comum.
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O que eu cantava:

É você / Que é malpassado / E que não vê / Que o novo sempre vem

A versão correta:

É você / Que ama o passado / E que não vê / Que o novo sempre vem

A composição é do Belchior. Tanto na interpretação dele quanto na da Elis Regina, eu escutava... mal o que é cantado. Eu chegava a arriscar possíveis interpretações para a expressão ser malpassado, crente de que eu cantava corretamente a letra. Aliás, nessa canção, há outra parte em que aprontei bagunça:

O que eu cantava:

Tá em casa / Guardado por Deus / Contando fio dental

A versão correta:

Tá em casa / Guardado por Deus / Contando vil metal

Do mesmo modo que eu buscava uma interpretação para ser malpassado, eu fazia o mesmo com a expressão contar fio dental. Cheguei mesmo a cogitar que talvez as expressões fossem típicas da região em que Belchior nascera.
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O que eu cantava:

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, / De Van Gogh e dos Mutantes, / De Caetano e de Rambôôô

A versão correta:

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, / De Van Gogh e dos Mutantes, / De Caetano e de Rimbaud

Quando “Eduardo e Monica” estourou nas rádios, eu era adolescente. Eu pensava que o Renato Russo pronunciava Rambo com “o” fechado por causa da melodia e por soar melhor estilisticamente, embora achasse estranha a preferência da Monica, toda descolada, pelo personagem interpretado pelo Stallone.
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Sinta-se à vontade para enviar a letra ou letras que você escutava incorretamente, apontando o erro e a versão correta.

domingo, 24 de maio de 2009

AMOR E DOR

Certa vez, numa entrevista, Renato Russo disse que “Eduardo e Monica” é uma canção de amor, mas não uma canção de amor que rima amor com dor e paixão com coração.

Das histórias de amor que andam contando por aí, não consigo imaginar uma tão atípica quanto a de “Despedida em Las Vegas” (“Leaving Las Vegas”, EUA, 1995), do diretor Mike Figgis.

No filme, Ben (Nicolas Cage) e Sera (Elisabeth Shue) se encontram em Las Vegas. Ben havia sido despedido de seu emprego como roteirista de cinema devido ao alcoolismo. Decide então ir para Las Vegas e beber até morrer, promessa que cumpre a rigor. O filme é baseado no romance “Leaving Las Vegas”, do escritor John O’Brien.

Ben, alcoólatra empedernido; Sera, prostituta. Numa das noitadas dele, acabam se encontrando. O amor surge e une as duas trágicas existências. À medida que o filme prossegue, Sera relata a alguém que nunca aparece (um analista? um amigo?) a história vivida com Ben.

“Despedida em Las Vegas” é uma história com dor, paixão, amor e coração. Mas uma história de rimas preciosas. Uma história tão inusitada quanto o próprio amor pode ser.