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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Atlético (quase) campeão

Quando o Atlético/MG contratou o Hulk, pensei: “Estão jogando dinheiro fora”. Não jogaram. O jogador é um dos destaques do time, que é cheio de destaques. No que diz respeito ao futebol em campo, as decisões têm sido acertadas. Não sei dizer sobre as finanças e os negócios do clube. Será que amanhã o Atlético será o Cruzeiro de hoje? Não sei. Torço para que não seja, pois esse seria um fiasco não somente para o futebol mineiro, mas para o futebol nacional. Quanto maior o número de times fortes, melhor para o esporte.

Da década de 70 para cá, a única vez em que o Atlético venceu o campeonato brasileiro foi em 1971. Uma das consequências disso é que a maioria da torcida atleticana nunca testemunhou o alvinegro conquistar esse título. O torcedor do time só não se sentirá plenamente satisfeito porque o Atlético não venceu o Flamengo há dias, lá no Maracanã, e porque o Cruzeiro, em tese, assim parece, não vai cair para a série C. Isso não quer dizer que parte da torcida atleticana não se regozije com a continuidade do Cruzeiro na série B. O futebol é como a vida, é a vida em movimento; assim como há na vida, no futebol há Schadenfreude.

De fato, o Atlético não é o campeão brasileiro deste ano. Tem tudo para ser, mas não é. Há jornalistas que andam dizendo que essa recusa em confirmar o time como o campeão brasileiro deste ano é coisa de mineiro, que seria, por natureza, ressabiado, comedido, desconfiado. Nada disso. Boa parte do que dizem sobre o mineiro e sobre o que é a mineiridade é um mito ou um estereótipo. Nem este nem aquele se sustentam diante do que há em meio às montanhas do estado. (Não mineiros dirão que escrever assim é coisa de mineiro.)

O torcedor atleticano não bate o martelo, declarando o time como campeão brasileiro, simplesmente porque esse torcedor seria muito burro se assim declarasse. Uma coisa é o time ser favorito para a conquista do torneio, uma coisa é ter uma das melhores equipes do Brasil, uma coisa é conquistar pontos mesmo quando a equipe não joga bem; outra coisa é não mais poder ser alcançado por nenhum dos adversários. O galo não conta com o ovo da galinha, no que está certo. Seria no mínimo precipitado já se declarar o campeão da peleja.

O efeito psicológico sobre o time, caso o título não venha, pode ser devastador. Em anos anteriores, depois de 1971, o clube esteve com as mãos perto da taça de campeão. Não é novidade disputarem esse título. A novidade é que desde 2003, quando a disputa do torneio passou a ser por pontos corridos, nunca foi tão grande a possibilidade de o Atlético ser o primeiro colocado.

Torcedores imbecis, há deles em todos os times do mundo, assim como há, em todos os times do mundo, torcedores inteligentes. Dito isso, reconheça-se que a torcida do Atlético merece o título que está muito perto de ser conquistado. O Cuca, que não prima por jogos de palavras, disse, todavia, antes da partida de ontem, contra o Corinthians, que era para o torcedor ir para o Mineirão não para torcer, mas para trabalhar.

A torcida foi e trabalhou; a torcida do Atlético trabalha muito. Neste 2021, sendo o time campeão brasileiro, o grito vitorioso, suspeito, embora sem saber se o torcedor atleticano concorda comigo, será mais catártico do que o grito de quando a equipe ganhou a Libertadores. 

sábado, 20 de abril de 2019

Cruzeiro é campeão mineiro

No dia dez de abril, o Atlético/MG, jogando fora de casa pela Libertadores, tomou quatro gols; no mesmo dia, o Cruzeiro, em casa, também jogando pela Libertadores, fez quatro gols. Depois disso, no Atlético, Levir Culpi foi demitido. O próximo compromisso dos times seria a decisão do campeonato mineiro. O momento do Atlético, complicado na Libertadores, deixou otimistas alguns cruzeirenses e deixou apreensivos alguns atleticanos para a decisão do mineiro.

O primeiro jogo da final foi no domingo passado. Embora o Atlético tenha perdido por dois a um lá no Mineirão, o time já não foi a bagunça que vinha sendo com o Levir Culpi. Sob o comando de Rodrigo Santana, técnico que entrou no lugar de Levir, o Atlético já deu mostras, na primeira partida da decisão do campeonato mineiro, de que o time havia, por assim dizer, renovado-se.

Aos cinco minutos da decisão de hoje, Ricardo Oliveira acertou o travessão do Cruzeiro; aos onze, Ígor Rabelo, em lance contra o próprio gol, acertou o travessão do goleiro Vítor. Aos vinte e nove, o Atlético, merecidamente, já que vinha jogando melhor, marcou: após defesa de Fábio em chute de Ricardo Oliveira, Elias, de cabeça, fez o gol.

Após o intervalo, o Atlético continuou jogando melhor. Percebi no Cruzeiro uma certa apatia, como se o time não estivesse com vontade de jogar, como se demonstrasse pouco interesse pela partida. Mesmo assim, aos trinta e quatro, Fred, cobrando pênalti, que foi marcado após análise de vídeo pelo árbitro, marcou. A Raposa segue invicta na temporada.

Fosse eu torcedor do Atlético, estaria otimista quanto ao futuro, a despeito da situação ruim do time na Libertadores. A equipe errou feio ao demitir Thiago Larghi e ao contratar Levir Culpi. Agora, tenta corrigir a lambança, investindo em Rodrigo Santana, que é promissor. Do lado do Cruzeiro, o torcedor, embora campeão hoje, se for sincero, saberá que o time tem de jogar melhor do que o que jogou hoje se quiser ir longe na Libertadores ou se quiser fazer um belo campeonato brasileiro. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Nosso futebolzinho

Deve-se olhar para as eliminações de Atlético e de Palmeiras na Libertadores, ontem, num panorama maior. Num menor, nenhuma das duas equipes é forte. Tanto é assim que foram eliminadas por times pequenos. No panorama maior, Atlético e Palmeiras são reflexo do ruim futebol brasileiro.

O Corinthians tem sido exceção caso o comparemos com as demais equipes do Brasil. A seleção, treinada por Tite, passou a ter bons resultados nas eliminatórias para a Copa do ano que vem. Todavia, Corinthians e seleção brasileira não são o bastante para que não se enxergue o amadorismo de nosso futebol, que, ademais, é reflexo do que somos.

Basta acompanhar qualquer uma das rodadas do campeonato nacional para se perceber em campo o horrendo jeitinho brasileiro, a falta de criatividade e a ausência de ousadia. O mundo inteiro já percebeu que talento, por si, não é o bastante. O que o futebol daqui tem é só um pouco de talento.

O esquemão CBF/Globo está falido há tempos. A derrota para a Alemanha na Copa de 2014 evidenciou essa falência. Como é fácil perceber, o futebol nos gramados é tão incompetente e não profissional quanto as maracutaias de cartolas e de empresários. Não é ficando de joelhos que se resolve uma estrutura viciada e vergonhosa. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Corinthians vence mais uma

Eficácia. Essa é a palavra que define o time do Corinthians, que parece ter decidido que nunca mais vai perder. Ainda que não apresente um futebol que possa ser chamado de bonito, a absurda eficiência do time paulistano fez mais uma vítima há pouco, no Mineirão — o Atlético/MG.

Rodada após rodada, jogo após jogo, há meses todos estão se perguntando quando o Corinthians vai perder; o time não perde. Hoje, no Mineirão, a despeito do incentivo da aguerrida torcida atleticana, o líder do campeonato venceu mais uma vez, mesmo tendo chutado menos a gol, o que comprova a capacidade de decisão do time e a excelente fase do goleiro Cássio.

A eficácia do Corinthians está ligada ao entrosamento e à disciplina tática. Jogando com calma, ciente de suas deficiências e consciente de seus pontos fortes, o time, treinado por Fábio Carille, tem tudo para ser o campeão do torneio. A última rodada do primeiro turno será no fim de semana; é cedo para vaticinar que o campeonato já é do Corinthians. Todavia, se a equipe mantiver o equilíbrio fatal que tem mostrado até aqui, dificilmente não será o campeão brasileiro deste ano.

Segundo o divulgado pelo Premiere, durante a transmissão da partida, o Atlético/MG teria tomado a decisão de jogar no Mineirão em busca de “mudança de ares”. O Corinthians não deu a mínima para os ares da Pampulha, fazendo com que o time de BH perdesse mais uma em casa. 

domingo, 2 de julho de 2017

Atlético vence o Cruzeiro no Independência

Sempre digo que uma partida de futebol é uma bela metáfora do que é a vida, por mais sem graça que seja a partida. Mesmo em casos assim, qualquer jogo de futebol é um microcosmo do que é a vida, das circunstâncias dela. Reflexo da vida, futebol é movimento, imprevisibilidade, feiura, beleza, emoção.

Há pouco, no Independência, em Belo Horizonte, Atlético e Cruzeiro realizaram um bom jogo de futebol, principalmente no primeiro tempo. A primeira metade da primeira metade da partida foi dominada pelo Cruzeiro; pouco a pouco, o Atlético caiu nos eixos, a ponto de terminar o primeiro tempo já em vantagem, mesmo tendo começado perdendo.

O destaque do jogo foi Casares, não só pelo belo gol marcado em cobrança de falta. Já Fred fez o que desde tempos sabe fazer muito bem: gols (fez dois hoje). O de cabeça, após receber cruzamento de Casares.

Foi um típico atlético versus Cruzeiro. Houve momentos truncados, discussões, provocações. Mesmo o segundo tempo não tendo sido tão bom quanto o primeiro, o jogo, no todo, foi muito bom. A despeito dos três gols que levou, dos quais não teve culpa, Fábio, mais uma vez, teve bela atuação.

Com a vitória, o Atlético não somente ultrapassou o Cruzeiro na tabela, mas galgou vários degraus em relação à posição em que estava antes do início da rodada. Da parte do Cruzeiro, o técnico Mano Menezes precisa dar um jeito na zaga, que continua levando muitos gols. Foi assim no jogo do meio da semana contra o Palmeiras, foi assim hoje; tem sido assim.

É curioso: mesmo não tendo obtido sucesso, o Cruzeiro tem sido coprotagonista de belas partidas. Recentemente, foi assim contra o Grêmio (pelo campeonato brasileiro) e contra o Palmeiras (pela Copa do Brasil); hoje, foi assim contra o Atlético. É claro que o torcedor cruzeirense trocaria os empates contra aqueles e a derrota contra este por vitórias, ainda que em partidas ruins. Mas esse é outro dado não somente do futebol, mas da vida: um belo todo nem sempre implica vitória. Por outro lado, se o time não ganha em partidas assim, ganha quem gosta de futebol. 

sábado, 26 de novembro de 2016

Dupla celebração?

Há gremistas que poderão celebrar duplamente nos dias que virão. É que na quarta-feira o tricolor do sul pode ser o campeão da Copa do Brasil. Mas, para alguns gremistas, uma comemoração já pode ocorrer neste fim de semana — o rebaixamento do Inter. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Grêmio derrota o Atlético/MG

Em jogo terminado há pouco no Mineirão, o Grêmio, que jogou melhor do que o Atlético, venceu por três a um. Num estranho regulamento, não há na final da Copa do Brasil o que chamam de gol qualificado (nas demais fases do torneio esse gol é levado em conta). Na prática, isso significa que o Atlético precisa de ganhar por uma diferença de dois gols, independentemente do placar, para levar a partida para os pênaltis, no jogo da semana que vem.

O time gaúcho foi melhor em grande parte do jogo. Ainda no primeiro tempo, poderia ter feito dois ou três gols. No segundo, depois de ter jogador expulso, recuou demais; o Atlético começou a pressionar. Todavia, uma pressão feita muito mais na garra do que na técnica ou no esquema tático. Obviamente, a garra é um elemento crucial também no futebol, mas somente ela não é capaz de ganhar uma partida.

Os talentos individuais do Atlético não brilharam. O esquema tático do time foi inócuo. O jogo estava fácil para o Grêmio até o momento em que ele ficou com um jogador a menos. Fiquei até com a impressão de que houve um certo comodismo ou uma certa apatia do time gaúcho. Dada a fragilidade do Atlético, havia a sensação de que se o time do sul tivesse sido mais aguerrido, o placar poderia ter sido mais amplo.

Irresponsabilidade dizer que o Grêmio já é o campeão da Copa do Brasil. Não é delírio o torcedor atleticano conceber o Atlético ser campeão no Rio Grande do Sul, desde que a equipe jogue bem melhor do que o que jogou hoje. Por outro lado, não se pode deixar de afirmar que a equipe gaúcha deu um grande passo na partida terminada há pouco lá no Mineirão. Ganhando mesmo a competição, será pentacampeão do torneio. 

domingo, 18 de setembro de 2016

Empate no Mineirão

Antes de a partida entre Cruzeiro e Atlético começar, o Galo era o favorito, por ter um melhor time, o que se reflete nas atuais posições dos times na tabela do campeonato. Esse favoritismo se confirmou no primeiro tempo, a despeito de Arrascaeta e de Ábila terem perdido cada um deles um gol.

Em boa parte da primeira etapa, o jogo foi lento, com as duas equipes se respeitando demais, temendo assim correr riscos. Num dos raros momentos em que essa monotonia foi quebrada, Otero, num belo chute de fora da área, acertou o travessão do goleiro Rafael, que estava um pouco adiantado.

Em outro raro momento de lance incisivo, aos trinta minutos, em jogada rápida pela direita, Fabio Santos cruzou; Clayton cabeceou, abrindo o placar, validando o favoritismo do Atlético até aquele momento.

A segunda metade do jogo começou mais dinâmica do que a primeira. A Raposa, movida pela necessidade, tentava se insinuar, embora tenha sido Júnior Urso a ter, aos oito minutos, chance de marcar. Pelo Cruzeiro, Ábila, aos vinte e um, acertou a trave. Por fim, aos trinta, Robinho, do Cruzeiro, depois de cruzamento de Elber, empatou o jogo.

No todo, um jogo sem graça. Além do mais, o empate foi ruim para as duas equipes, pois o Atlético, que postula o título, não encosta de vez no Flamengo, e o Cruzeiro, por sua vez, segue ainda perto da zona de rebaixamento. 

domingo, 12 de junho de 2016

Cruzeiro derrota o Atlético

Atlético e Cruzeiro fizeram um jogo à altura da grandeza dos dois. Uma partida que daria uma média de gol a cada dezoito minutos. O Atlético começa vencendo, o Cruzeiro vira, o Atlético empata, o Cruzeiro faz. Não é pouco para um clássico, que geralmente se caracteriza por ser um jogo truncado, não raro sem graça. Não foi o que ocorreu há pouco no Independência.

O dado ruim da partida foram as expulsões, de modo que o Atlético terminou com dez jogadores; o Cruzeiro, com oito. Mesmo quando o Cruzeiro tinha nove em campo e o Atlético tinha dez, a partida já havia assumido feição de ataque contra defesa. Todo recuado, o Cruzeiro não conseguiu partir para o contra-ataque; mesmo na pressão, o Atlético não conseguiu ser eficaz. Pelo Atlético, Marcos Rocha foi expulso; pelo Cruzeiro, Bryan, Lucas e Lucas Romero (este, aos quarenta e sete do segundo tempo).

Fred logo deu provas de que é sempre um excelente investimento, fazendo um dos gols do Atlético, mesmo ainda não tendo se entrosado com o time. Do lado cruzeirense, o destaque foi Arrascaeta, que, mesmo não tendo feito gol, fez uma ótima partida, principalmente na jogada que realizou quando a Raposa conseguiu fazer o segundo gol.

As duas equipes não estão bem colocadas no campeonato. O torcedor cruzeirense mais exaltado, pelo menos por hoje, não vai se importar com isso; afinal, o Cruzeiro derrotou o Atlético no Independência e ainda empurrou o Galo para a zona de rebaixamento. O jogo, embora tenha sido bom, não deve deixar apagar a luz de alerta nas duas equipes, que muito precisam melhorar para buscar pelo menos estar entre os quatro primeiros colocados no fim do torneio.

Rafael Carioca, aos treze do primeiro tempo, marcou para o Atlético. Alisson, aos dezoito do primeiro tempo, empatou para o Cruzeiro. Riascos, após bela jogada de Arrascaeta, virou para o Cruzeiro, aos três da segunda etapa; aos dez, Fred empatou a peleja. Aos dezessete, Bruno Rodrigo marcou o terceiro do Cruzeiro. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O jogo sujo dos torcedores

Considerada unicamente em si mesma, uma partida de futebol pode ser um dos mais emocionantes espetáculos que o homem é capaz de criar. Partidas desse naipe são raras, mas, quando ocorrem, deixam no coração marcas indeléveis. Se consideradas unicamente em si mesmas.

Quando se leva em conta os bastidores do que é uma grande produção, não raro depara-se com o que há de mesquinho, de corrupto ou de selvagem em nossa natureza. Com o futebol, não seria diferente. Se dentro das quatro linhas ele é mais um esporte, fora delas, há um tecido social, apaixonado e — não raro — tolo.

A prática não é só brasileira; sei que é sul-americana. Pode ser que ocorra do outro lado do Atlântico: quando um time vai jogar fora de casa, torcedores da equipe local atrapalham o sono do adversário, geralmente soltando fogos de artifício. Na madrugada que passou, foi assim lá em Belo Horizonte, onde torcedores do Atlético se dedicaram a atrapalhar o sono do time do São Paulo (os dois se enfrentam logo mais pela Libertadores). Nessas ocasiões, as torcidas geralmente se valem de gritarias e de fogos de artifício.

Há vídeos circulando no WhatsApp. Num deles, em meio a fogos que riscam o céu escuro, um torcedor diz: “Dorme, Bambi, filha da p... Quero ver cê jogar amanhã, Ganso”. Em outro vídeo, morador nas proximidades do hotel em que o time do São Paulo está abre a janela de seu apartamento e comenta que já passava da meia-noite e que os torcedores do Atlético é que estavam soltando foguetes perto do hotel. O morador arremata: “Tática de guerra”.

Embora desnecessário, devo dizer que esta postagem não é contra somente a torcida do Atlético. Se me valho dela, é somente por ser algo que ocorreu na madrugada que passou. O que fez a torcida do Galo lá em BH é só o gancho a partir do qual comento sobre a baixeza que é agir desse modo. Sei que isso não é prática nova, sei que a torcida do Atlético não é a única a se valer dela. Venha de onde vier, a atitude é condenável, não valendo aqui o “raciocínio”: “Se fazem com o time da gente lá, vamos fazer com o time deles aqui”. Bonito mesmo é derrotar o adversário quando ele está descansado, em plena forma, no auge.
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Aproveito a deixa e menciono, mais uma vez, dois textos que me são muito caros: um deles foi produzido para um comercial do Comitê Olímpico Internacional; a narração é de Robin Williams. O vídeo foi ao ar mundialmente em 2004. O outro texto é um poema do americano Walt Whitman, poeta que muito admiro. O contexto do poema de Whitman não é o esporte, mas pode ser transposto para o cenário esportivo, pois os versos declaram que uma derrota pode ser bela. A tradução do texto do comercial e do poema do Whitman é minha.
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Walt Whitman — Canção de mim mesmo 18

Com música forte eu venho, com minhas cornetas e meus tambores,
eu não toco marchas para os vitoriosos aceitos apenas, eu toco marchas para as pessoas dominadas e assassinadas.

Você ouviu que foi bom ganhar o dia?
Eu digo que também é bom cair, as batalhas são perdidas no mesmo espírito em que são ganhas.

Bato forte meu ritmo pelos mortos,
sopro pela embocadura o mais alto e contente por eles.

Vivas para aqueles que fracassaram!
E para aqueles cujos navios de guerra afundaram no mar!
E para aqueles mesmos que afundaram no mar!
E para todos os generais que perderam batalhas, e para todos os heróis derrotados!
E para os inumeráveis heróis desconhecidos, iguais aos maiores heróis conhecidos!
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Abaixo, texto do comercial produzido pelo Comitê Olímpico Internacional

Você é meu adversário, mas não é meu inimigo, pois sua resistência me dá força, sua garra me dá coragem, eu espírito me enobrece. E embora seu meu objetivo derrotar você, caso eu tenha êxito, eu não vou humilhar você. Em vez disso, eu honrarei você, pois, sem você, eu sou um homem menor.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

São Paulo derrota o Atlético

O primeiro jogo entre São Paulo e Atlético, por esta edição da Libertadores, terminou há pouco. O primeiro tempo foi muito feio, com muitas faltas, truncado, violento. O número excessivo de cartões amarelos ainda na primeira metade do primeiro tempo levava a crer que haveria jogadores expulsos. Não houve.

No segundo tempo, o São Paulo jogou melhor do que o Atlético. Isso resultou em gol. Chama a atenção o fato de que o São Paulo estava desacreditado no torneio. Nada está decidido, é verdade, pois o Atlético é forte em BH, a torcida deles vai incentivar muito. Mesmo assim, o time do Morumbi deu um grande passo para avançar no torneio.

Que a partida de quarta-feira que vem tenha mais futebol e menos faltas; que seja um jogo menos truncado, mais corrido. As duas equipes merecem isso, bem como os torcedores dos dois times, bem como quem gosta de futebol. 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

URT derrota o Atlético

A URT, time para o qual torço, empatou no Mineirão, jogando contra o Cruzeiro, na primeira rodada do campeonato mineiro. Tendo enfrentado há pouco o time reserva do Atlético/MG, o time patense derrotou o time de BH, mesmo com a equipe do Galo tendo criado mais oportunidades. O jogo foi no estádio do Mamoré, time de Patos de Minas que é o grande rival da URT.

Em entrevista para o Premiere, no fim do jogo, o goleiro Victor, do Atlético, atribuiu a derrota à condição ruim do gramado, dizendo que uma equipe a qual tem Robinho merece jogar em campo melhor. Assisti ao jogo pela TV, de modo que não há como eu avaliar com acuidade a condição do gramado. À parte isso, a própria equipe do Premiere elogiou a drenagem do campo, que, segundo o que disse a turma do Premiere, tem drenagem que resistiu à chuva que caiu por lá, de acordo com o que disseram. Pelo que entendi, os jogadores se queixaram não da questão da drenagem, mas dos supostos desníveis do campo.

Não sei dizer até que ponto a queixa do goleiro Victor se justifica; no intervalo, Robinho, também em entrevista para o Premiere, queixara-se do gramado. O técnico Diego Aguirre, em entrevista coletiva depois de terminado o jogo, não sei se para ser politicamente correto, declarou que a condição do gramado não pode ser pretexto para a derrota. À parte essa questão, em cobrança de falta feita por Fabinho, aos vinte e cinco do segundo tempo, a bola desviou na barreira e acabou escorregando para o fundo da rede do goleiro do Atlético, que perdeu por um a zero.

Mesmo sem ter trazido a Patos o time titular, o Atlético é muito maior do que a URT. Um empate para a União Recreativa do Trabalhadores não seria um resultado ruim, consideradas as circunstâncias. Com a vitória, a equipe de Patos de Minas dá um grande passo para que fuja do rebaixamento, o que é, a princípio, a necessária atitude realista das equipes do interior. 

domingo, 1 de novembro de 2015

ATLÉTICO 0x3 CORINTHIANS

O Corinthians está entrosado, tem bons jogadores e bom treinador. Levando-se em conta a matemática, o time ainda não é o campeão do torneio. Mas tem tudo para ser. O único time que poderia ameaçá-lo era o Atlético.

A equipe mineira é mais aguerrida do que técnica. Não que o Atlético seja um time ruim, mas o Corinthians é melhor do que o Galo. No jogo de há pouco, a despeito da maior posse de bola do Atlético, a equipe de São Paulo teve paciência e soube ser letal.

Ainda que tivesse perdido o jogo, o Corinthians continuaria o favorito para a conquista do título. Depois da vitória de hoje, é muito difícil que isso não ocorra. 

domingo, 13 de setembro de 2015

CRUZEIRO E ATLÉTICO EMPATAM NO MINEIRÃO

Depois de um primeiro tempo chocho, Cruzeiro e Atlético fizeram um memorável segundo tempo há pouco, no Mineirão. Com Mena tendo sido expulso aos seis minutos da segunda etapa, a pressão do Atlético passou a ser grande, embora tenha sido o Cruzeiro, com Alisson e com Willian, a ter as grandes chances. Mesmo assim, a impressão que se tinha era a de que, devido à forte pressão que fazia, seria questão de tempo para que o Atlético marcasse. O que ocorreu, aos quarenta e três, por intermédio de Carlos.

Se o goleiro Victor falhara no gol do Cruzeiro, redimiu-se, defendendo o pênalti cobrado por Willian, que esteve ofuscado enquanto Luxemburgo comandou a Raposa recentemente. No duelo particular entre Cruzeiro e Atlético, dentro do campeonato brasileiro, a Raposa teve vantagem sobre o Galo, pois o Cruzeiro venceu no primeiro turno. Já os corintianos ficaram satisfeitos com o empate no Mineirão: o Corinthians está a cinco pontos do Atlético. 

sábado, 6 de junho de 2015

ATLÉTICO/MG 1 x 3 CRUZEIRO

Numa boa partida, o Cruzeiro derrotou o Atlético no Independência. Levando-se em conta as circunstâncias, a vitória cruzeirense é um feito. O Atlético está em melhor fase, vinha jogando melhor do que o Cruzeiro, que tem padecido depois do desmanche por que passou, terminada a temporada passada.

O Atlético era o favorito. Quando joga no Independência, é forte. Além do mais, não havia torcedor do Cruzeiro nem do Atlético que não tivesse em mente o dado de que o dono da casa estava a onze jogos sem perder para o Cruzeiro. Começada a partida, ainda que se argumente que Leonardo Silva estava impedido (estava mesmo) no lance que originaria o gol do Atlético, marcado por Luan, aos treze minutos do primeiro tempo, isso não anula o melhor momento vivido pelo Galo.

Com um a zero para o Atlético, pensei que o recente tabu seria mantido: a configuração conduzia a mais uma vitória atleticana, embora o Cruzeiro estivesse mais aguerrido do que esteve em partidas que disputou recentemente. O time do Atlético, veloz e melhor taticamente, foi melhor no primeiro tempo, o que não impediu o Cruzeiro de empatar, aos quarenta e seis, com gol contra de Gemerson.

No intervalo, Wallison é substituído por Gabriel Xavier. Com trinta e um segundos de bola rolando no segundo tempo, Xavier desempata. Depois, deixaria o jogo, com dores na coxa; foi substituído por Alano. Aos vinte e seis, depois de cruzamento de Damião, Marquinhos pegou de primeira, marcando o terceiro gol do Cruzeiro. (Assistindo ao jogo, quando me dei conta de que ele chutaria de primeira, cheguei a dizer “não” em voz alta, considerando que ele erraria; com a bola na rede, meu não se transformou em “sim”.) No segundo tempo, melhor foi a Raposa, mesmo considerando-se as excelentes defesas do Fábio.

Fui contra a demissão de Marcelo Oliveira. Não sou a favor de Luxemburgo no Cruzeiro. É claro que me lembro daquele formidável time de 2003, que era treinado por ele, Luxemburgo; eu estava lá no Mineirão quando da partida contra o Paysandu (jogo que decretou o título do Cruzeiro). Sei reconhecer a importância que o técnico teve para o Cruzeiro, mas não o vejo como sendo ideal para o time neste momento.

Os defensores de Luxemburgo têm dados convincentes para me refutar: no meio de semana, o Cruzeiro derrotou o Flamengo; hoje, no Independência, a Raposa quebrou escrita recente, em que o elenco atleticano vinha saindo vitorioso. Obviamente, estou satisfeito com a vitória cruzeirense, conseguida há pouco. Ainda assim, não sinto firmeza no que Luxemburgo possa vir a fazer no Cruzeiro neste 2015. Que eu esteja errado. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

SOBRE MARCAS E MARCOS

Palmeiras e Atlético/MG fizeram o jogo de abertura do campeonato brasileiro deste ano. Faltando meia hora para o início da partida, Globo e CBF ordenaram que as placas que continham os dizeres “Allianz Parque” fossem parcialmente tapadas: esconderam o “Allianz”. A seguradora alemã pagou trezentos milhões de reais para ter o nome exibido no estádio e para nomeá-lo.

Paulo Nobre, o presidente do Palmeiras, justificou-se, dizendo que os letreiros do estádio, em virtude de acordo, não pertencem ao clube. Além do mais, a iniciativa contou com o apoio da CBF, patrocinada pela Seguros Unimed, concorrente da patrocinadora do Palmeiras. A iniciativa da Globo não se trata apenas de não fazer propaganda involuntária para a Allianz.

Isso me remete ao ano de 2001, quando o Vasco usou o logotipo do SBT na decisão de um torneio chamado Copa João Havelange. No dia trinta de dezembro de 2000, a decisão entre Vasco e São Caetano, em São Januário, foi interrompida devido à queda de alambrado. Cento e sessenta e oito pessoas ficaram feridas. Eurico Miranda, que era o presidente do Vasco na época (recentemente, ele voltou ao cargo), não gostou da cobertura que os meios de comunicação (em especial a Globo) deram para o caso.

Esperto que é, Eurico Miranda conseguiu disseminar na equipe a ideia de que o Vasco estaria sendo “perseguido” pela mídia. Mas ninguém poderia imaginar o que ele estava urdindo. Uma nova partida foi marcada para o dia dezoito de janeiro de 2001; o jogo foi disputado no Maracanã. Nessa data, com exibição da Globo, o Vasco entrou em campo com o logotipo do SBT estampado na camiseta. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

"WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS"

O time da Caldense conseguiu manter a fleuma que vinha tendo ao longo do campeonato até os vinte e cinco minutos do segundo tempo do jogo terminado há pouco. Com a ajuda da arbitragem, em gol no qual Jô estava impedido, o Atlético foi campeão. Ajuda semelhante teria havido se o rival da Caldense tivesse sido o Cruzeiro. 

domingo, 5 de abril de 2015

URT SE MANTÉM NA PRIMEIRA DIVISÃO; MAMORÉ CAI

Do mesmo modo que Atlético e Cruzeiro já se ressentiram do poder político exercido na CBF por times do Rio e de São Paulo, times do interior de Minas Gerais já se ressentiram do poder exercido pelo Galo e pela Raposa na Federação Mineira. Também por isso, achei bom que dois times do interior tenham se classificado para as semifinais do campeonato mineiro.

Na sequência do torneio, Cruzeiro e Atlético vão se enfrentar, bem como Tombense e Caldense. Isso significa que já há uma equipe do interior garantida na decisão do campeonato. Também como consequência da rodada deste domingo, ou Cruzeiro ou Atlético não estará na final.

No futebol patense, a URT se mantém na primeira divisão do futebol de Minas Gerais; o Mamoré caiu para a segunda. Desse modo, Patos de Minas não terá seus dois times na primeira divisão do campeonato mineiro no ano que vem.

Os campeonatos estaduais, no todo, têm como característica a monotonia. Contudo, não foi o que ocorreu nesta última rodada do campeonato mineiro. Tanto foi assim que, só mencionando os times locais, antes do início dos jogos de hoje tanto URT quanto Mamoré tinham chances de permanecer na primeira divisão, bem como poderiam cair os dois. 

domingo, 8 de março de 2015

CRUZEIRO EMPATA COM ATLÉTICO NO PRIMEIRO CLÁSSICO DO ANO

Os primeiros vinte minutos do jogo foram trancados. Isso já era esperado. A partir daí, os espaços começaram a surgir e a partida se tornou mais dinâmica. A princípio, com o Cruzeiro ameaçando a meta do goleiro atleticano. Ainda assim, aos vinte e oito minutos, foi o goleiro Fábio quem realizou em segundos, duas grandes defesas, após cobrança de escanteio. Se o primeiro tempo não foi um primor, também não foi uma lástima.

Aos seis do segundo tempo foi a vez de o goleiro Victor fazer uma grande defesa. O placar sem gols se devia à atuação dos goleiros. Mas, numa dessas ironias da vida, foi devido a uma falha do goleiro Fábio, que tentou sair jogando com o pé, que Rafael Carioca fez um a zero para o Atlético, aos vinte e seis minutos. Poder-se-ia argumentar que não houve recuo. O goleiro, todavia, não poderia interpretar pelo árbitro. O erro do Fábio foi técnico, por não ter tido habilidade ao sair jogando com o pé.

Tive comigo que a partida terminaria com esse placar. Não por duvidar das improbabilidades do futebol, mas pela configuração que o jogo assumira, com o Atlético esfriando a partida. Aos trinta e sete, Leandro Damião, num gol truncado, empatou. Um minuto depois, a Raposa quase virou o jogo.

Falar em placar justo no futebol é algo melindroso, pois isso depende do critério que se adote. Ainda assim, levando-se em conta o que os times produziram, o placar não soa injusto, no sentido como o termo é usado no futebol. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ATLÉTICO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL

A honra de estar em campo. A honra de estar no estádio. A honra de assistir a um evento desses pela TV. A honra de torcer para o Atlético ou para o Cruzeiro. Era essa a sensação que eu tinha antes do início da partida entre as duas equipes, ontem, no Mineirão. Na prática, o que se viu foi um jogo bem menor do que as expectativas por ele nutridas.

Tais expectativas se justificavam: foi a primeira decisão de título nacional entre Cruzeiro e Atlético. A final da Copa do Brasil entre os dois times mineiros coroa a boa fase que os dois têm vivido desde o ano passado. Entretanto, quem não acompanha de perto o futebol e tenha, ainda que por curiosidade, assistido ao jogo de ontem, presenciou uma disputa sem graça, devido à atuação apática do Cruzeiro. Para o torcedor atleticano, isso é indiferente.

À parte o anticlímax em que a disputa de ontem acabou se tornando, o Atlético foi imensamente superior ao time do Cruzeiro, que quase não ameaçou a meta de Victor. Tivesse a atuação do Cruzeiro sido um pouco pior, o goleiro teria assistido de camarote à vitória atleticana. O título da Copa do Brasil ficou com o time que fez por merecê-la.

No ano que vem, Atlético e Cruzeiro, que, neste 2014, foram os dois campeões dos dois maiores torneios do futebol nacional, estarão na Libertadores. Numa Copa do Brasil com tempero mineiro, o Atlético, com raça e talento, cantou de galo, ontem, no Mineirão.