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segunda-feira, 15 de maio de 2017

"A chegada"


“A chegada” lida, dentre outras coisas, com uma fascinante questão linguística, que é a de que o idioma que falamos molda o modo como pensamos. Denis Villeneuve, o diretor, explora de modo brilhante, levando-a a máximas consequências, essa questão. O roteiro é de Eric Heisserer. O filme é baseado no conto “Story of your life” escrito por Ted Chiang.

Louise Banks (Amy Adams) é a linguista contratada pelo governo americano para verter para o inglês o que extraterrestres, dispersos em doze pontos da Terra, estariam dizendo com a linguagem deles. Ela conta com a ajuda do físico Ian Donnelly (Jeremy Renner). No filme de Villeneuve, Ian não tem sua mente afetada pelo modo como os extraterrestes lidam com a linguagem, por se deter ele sobre problemas relacionados à ciência que domina.

É Louise que tem sua mente radicalmente alterada a partir do momento em que vai se dando conta de como funciona a linguagem dos alienígenas. Nesse sentido, “A chegada” leva a possibilidades ilimitadas a ideia de que o idioma que falamos (ou a língua estrangeira que decidimos aprender) muda o modo como pensamos e como percebemos o tempo.

Todavia, o enredo do filme não está ligado à ideia de superpoderes. Nada disso. À medida que Louise vai decifrando como funciona a linguagem dos extraterrestres, vamos tendo contato com um drama profundamente humano por que ela passa, que é a morte da filha quando esta ainda é adolescente, tendo sido vítima de câncer.

“A chegada” é um filme de ficção científica que tem a sensibilidade de compreender dramas e dores em essência humanos, de entender que as escolhas que fazemos atendem a ditames atemporais que podemos não saber explicar, que são poderosos demais, mas que, talvez, exatamente por isso, ou seja, por serem atemporais e poderosos demais, entregamo-nos a escolhas que em nenhum contexto deixaríamos de fazer. 

sábado, 10 de abril de 2010

QUE TERROR!

Não acompanhei a cerimônia do Oscar neste ano. Pensei que “Avatar” (de que não gostei) fosse levar os prêmios de melhor filme e  melhor direção. Fiquei surpreso quando eu soube que “Guerra ao terror” havia faturado nessas categorias.

Somente na semana passada é que assisti ao filme de Kathryn Bigelow. Acabei não gostando também. O personagem William James (interpretado por Jeremy Renner), aquele que desativava as bombas, acabou fazendo com que eu me lembrasse de Steven Hiller, interpretado por Will Smith em “Independence Day”.

James não tem o jeitão moleque e garotão de Hiller, mas ambos encarnam o poder bélico americano num ufanismo que, por fim, acaba não surpreendendo. Eu é que comecei a assistir a “Guerra ao terror” pensando que a abordagem seria, de fato, uma outra, em função de críticas que eu havia lido anteriormente.