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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Assistir para escrever

Já escrevi que valeu a pena aprender inglês, pois assim posso ler a revista The New Yorker, que publicou recentemente texto sobre Caetano Veloso. Se você também é fã do periódico, não deixe de assistir ao filme A crônica francesa, do diretor Wes Anderson. Além de brincadeiras, piscadelas e alusões quanto ao universo da brilhante revista, o trabalho é uma bela reflexão, dentre outras, sobre o ato de escrever. 

sábado, 21 de janeiro de 2017

Raduan Nassar na revista The New Yorker

A sempre imprescindível revista The New Yorker publicou em seu site matéria sobre Raduan Nassar, autor de “Lavoura arcaica”, “Um copo de cólera” e “Menina a caminho”. Quando se fala no escritor, é inevitável que se fale sobre as curtas e geniais obras-primas “Lavoura arcaica” e “Um copo de cólera”, bem como é inevitável que se fale da decisão de Nassar de não mais escrever.

A New Yorker não é exceção. Ao mesmo tempo em que Alejandro Chacoff, autor da matéria, elogia o texto denso e enxuto do escritor, o artigo joga luz sobre o que Nassar tem feito depois de abandonar a carreira literária — vem se dedicando a atividades agrárias, cuidando de fazenda que tem no interior de São Paulo.

A questão política também é abordada no texto da New Yorker. Mencionam o fato de Raduan Nassar ser contra o golpe de Temer e o fato de ele recentemente ter doado terreno para a Universidade de São Carlos. Esse episódio levou a uma rara aparição pública do escritor. A matéria da revista pode ser conferida neste link

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A eleição de Trump e a mídia

Nos EUA, um dos líderes da Ku Klux Klan escreveu, após declarada a vitória de Trump: “This is one of the most exciting nights of my life”. Naftali Bennett, ministro da educação de Israel e importante figura de coalizão do país na questão com a Palestina, disse que a eleição de Trump é uma oportunidade de Israel se retrair quanto à noção de um Estado palestino. Texto de David Remnick, publicado na revista The New Yorker, afirma que a vitória de Trump é uma tragédia para a Constituição deles e um triunfo do autoritarismo, da misoginia e do racismo. O texto de Remnick aponta que o problema de Trump é o outro, que pode ser afro-americano, hispânico, mulher, judeu ou muçulmano.

Muitos ainda têm se perguntado como alguém tão obtuso obteve tantos votos. A questão é que ele foi eleito precisamente por ser xenófobo, machista, petulante, inconsequente, vulgar e dado a bravatas. Muitos eleitores disseram ter votado em Trump por ele não ser um político “típico”, e, por isso, estaria apto a livrar a política dos que fizeram com que ela se tornasse o que é hoje. Tais eleitores são ingênuos; contudo, Trump foi eleito em função dos preconceitos que ele já demonstrou ter, não em função de eliminar da política os maus políticos (como se isso fosse possível).

Ignacio Ramonet, num brilhante texto publicado no desinformemonos.org, escreveu sobre Trump: “Apela a los instintos, a las tripas, no a lo cerebral, ni a la razón. Habla para esa parte del pueblo estadounidense entre la cual ha empezado a cundir el desánimo y el descontento. Se dirige a la gente que está cansada de la vieja política, de la ‘casta’. Y promete inyectar honestidad en el sistema; renovar nombres, rostros y actitudes”.

Se parte do eleitor de Trump está cansado da “velha” política, não nos esqueçamos jamais de que uma grande quantidade dos votos que ele obteve foi dada por quem está interessado não em banir essa “velha” política, mas em intensificar antigos preconceitos. Em janeiro deste ano, Trump declarou: “Eu poderia ficar no meio da Quinta Avenida e dar um tiro em alguém e eu não perderia nenhum eleitor”. Ele conhece muito bem o perfil de parte dos que votaram nele.

Nos EUA, diferentemente do que ocorre por aqui, boa parcela dos grandes meios de comunicação deixa claro para o eleitorado que candidato estão apoiando. Tomar partido é uma coisa; ser tendencioso é outra. O tendencioso amplifica os defeitos do que se opõe a ele, escondendo as qualidades que essa oposição possa ter, ao mesmo tempo em que esconde os defeitos daquilo que defende, amplificando as qualidades das ideias por que luta. Nessa estratégia, o tendencioso, não raro, mente, seja quanto àquilo que defende seja quanto ao que ataca. Tomar partido é deixar claro, com honestidade, com discernimento e com discurso civilizado o que se pensa, o que é defendido, não somente no terreno político.

No Brasil, os poderosos meios de comunicação são tendenciosos; nos EUA, nesta eleição, como nunca, a mídia tomou partido, o que acabou fazendo com que houvesse rusgas entre Trump e ela. Na cobertura da campanha política, The Washington Post, Politico e Huffington Post tiveram suas credenciais retiradas pelo magnata, segundo informa Ignacio Ramonet. Ainda segundo Ramonet, até a Fox, pró-Trump, foi atacada por ele. A mídia dos EUA não pode ser acusada de ter orquestrado em uníssono a eleição do preconceituoso e arrogante Donald Trump. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Mais uma sobre Bob Dylan

Desculpem-me por voltar ao Bob Dylan. A rigor, eu deveria ter escrito tudo numa só postagem. Todavia, deixei me levar pelo entusiasmo assim que li o anúncio de que ele é o Nobel de 2016. A indicação dele já vem de alguns anos (um dos intelectuais da Fundação Nobel já havia se declarado a favor de se conceder o prêmio ao compositor americano).

Pareço me esquecer de que existe algo chamado Youtube. Lendo matéria sobre o Bob Dylan publicada hoje no site da New Yorker, há um “link” para uma entrevista concedida por Dylan numa ocasião em que ele esteve em Roma. No bate-papo, de pouco mais de uma hora, o compositor, que se mostra um tanto amuado no início da entrevista, vai, ao poucos, parecendo ficar mais à vontade, chegando até a brincar com os jornalistas. Se quiser escutar, eis o “link”.

A primeira coisa que me chamou a atenção assim que comecei a conferir a entrevista é o quanto a voz de Bob Dylan é grave quando ele não está cantando, mas falando. Como cantor, seu timbre fanhoso e médio é conhecido. Quando ele conversa, o tom fanhoso está presente, mas ao se valer do chamado “vocal fry” ao conversar, Dylan confere um tom grave à voz, um tom que não vem à tona quando ele canta.

Para encerrar esta postagem, e para evitar que eu escreva outra somente sobre a história de que me lembrei agora, faço referência a algo bastante divulgado; acho até que o John Lennon chegou a falar sobre isso em alguma entrevista. A história dá conta de que quando os Beatles fumaram maconha pela primeira vez, estavam na companhia de Bob Dylan, que é quem teria apresentado a eles a Cannabis sativa. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O discurso de Michelle Obama

Assisti há pouco ao discurso da Michelle Obama durante a convenção nacional dos democratas. Já era minha intenção conferi-lo. Depois de ler elogioso texto de Sarah Larson, publicado na New Yorker, deixei de adiar e assisti ao discurso.

Trata-se de política, é claro, mas é incrível o quanto o discurso dela faz o obtuso Donald Trump soar mais estúpido do que o que ele já é por si. Michelle Obama acertou no tom, que passa pelo humor, pela incisividade e, como não poderia deixar de ser, pelos recentes eventos sociais nos EUA.

Logo no começo, num comentário que mistura leveza com cuidado de mãe, ela menciona o primeiro dia em que as filhas dela foram à escola depois de ela e de o marido estarem na Casa Branca. Segundo Michelle, havia utilitários pretos para levar as filhas dela ao colégio, guarda-costas armados; já dentro dos carros, as filhas encostaram os rostos contra o vidro do carro. A única coisa que ela diz ter conseguido pensar foi: “O que fizemos?”.

A partir daí, as filhas dela são o fio condutor a partir do qual Michelle Obama elenca as razões pelas quais apoia a candidatura de Hillary Clinton para presidente dos EUA. Com sobriedade, humor e contundência (“acordo todos os dias numa casa que foi construída por escravos”), Michelle provou que a arte do discurso ainda existe. 

domingo, 24 de abril de 2016

Da New Yorker para o Prince

Ah, essa The New Yorker... Magistral capa deles, em homenagem ao Prince. O autor é Bob Staake. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Cheiro de velho

Li há pouco uma brilhante matéria na edição eletrônica da revista The New Yorker. No texto, David Denby escreve sobre o envolvimento cada vez maior dos adolescentes com os telefones e a descrença cada vez maior deles quanto à leitura. Em trecho do artigo, Denby comenta que escutou uma estudante americana dizer de modo pejorativo: “Livros cheiram a velhos”.

Denby argumenta que não há como nem provar nem mensurar os benefícios da leitura. Mesmo assim, vale-se de um argumento prático para advogar a favor do ato de ler: “Um país que tivesse amplamente lido ‘Huckleberry Finn’ teria levado Donald J. Trump a sério por um segundo?”. Para conferir o texto, é só clicar aqui

domingo, 21 de junho de 2015

APONTAMENTO 264

Valeu a pena estudar inglês: a revista The New Yorker existe. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

PROCURA-SE UM PROFESSOR DE MOHAWK

Li um artigo na New Yorker sobre idiomas que estão desaparecendo. Um deles é o Mohawk, ainda falado nos EUA. Como ocorre com frequência em línguas antigas, há construções poéticas que são ditas de modo mais sucinto em outros idiomas.

Segundo a New Yorker, no Mohawk, o “eu”, por si, não se sustenta; a primeira pessoa do singular é sempre parte de uma relação. Assim, não diriam “eu estou doente”, mas, sim, “a doença veio até mim”. Ainda de acordo com a revista, no Mohawk, se um homem é pai de uma criança, ele empresta a ela a vida dele.

O próprio inglês tem uma construção bonita: se a pessoa morre e deixa, por exemplo, duas crianças, dizem “she is survived by two children”. Literalmente, “ela é sobrevivida por duas crianças”.

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O amigo Frederico Sousa, que é professor de latim, enviou-me e-mail comentando esta postagem. Abaixo, o que o Fred escreveu.

“Li agora há pouco seu texto sobre a língua Mohawk e sobre o ‘eu’. No latim também há estrutura semelhante. Os latinos usavam Ego habeo duos filios (eu tenho dois filhos), por exemplo, que é menos usual, diga-se. Utilizavam também, e muito, da estrutura Duo filii sunt mihi, que literalmente é ‘dois filhos existem para mim’, mas que se traduz por eu tenho dois filhos”. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

THE NEW PIAUÍ

O Orson Welles disse que "todo mundo é falsário de alguém". A palavra "falsário" foi usada na tradução que li da entrevista; no contexto, não me soou pejorativa. Além do mais, se ele usou a expressão "todo mundo", ele se incluiu.

As coisas também podem ser falsárias de outras. A Piauí é falsária da revista The New Yorker. O sonho da Piauí é ser a revista The New Yorker. A Piauí sonha alto; por isso mesmo, realiza muito.