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quinta-feira, 15 de março de 2018

Marielle Franco

O mais recente capítulo da invasão no Rio de Janeiro foi escrito ontem. A morte de Marielle Franco escancara a inutilidade do que as autoridades estão fazendo lá. A truculência contra o cidadão “anônimo” já tem sido denunciada. Ontem, a fim de radicalizar o modo como lidam com quem se opõe contra a sacanagem que estão fazendo na cidade, mataram a vereadora.

Alguns dos que são a favor da invasão ou dos que não estão a fim de entender que ela é uma tacada populista e cruel contra as vítimas de sempre celebraram o assassinato de Marielle. Tristemente, isso não surpreende, pois tem sido assim em redes sociais. Também tristemente, a morte de civis num país que já sofreu tanto com intervenção militar não é novidade.

O que está claro é o que já se sabia de Marielle, ou seja, que ela era contra a presença do exército no Rio. Posso estar enganado quanto ao que vou escrever, mas sei como é o Brasil. Não acredito que os assassinos serão descobertos; e ainda que sejam, não serão punidos. Na hora de os invasores coagirem favelados e distribuírem gibis hipócritas e imbecis em ônibus, há empenho. Não haverá esse empenho nem por parte deles nem por parte de burocratas inúteis que estão em gabinetes em achar os assassinos da vereadora. Que eu esteja enganado. 

domingo, 4 de março de 2018

Os invasores estão de volta

Uma das coisas tristes sobre a invasão do exército no Rio de Janeiro é que isso não resolve nada. Estão lá, coagindo os de sempre, fichando-os, enquanto quem está em gabinetes ou em carros luxuosos seguem incólumes e felizes, cientes de que nem exércitos nem polícia vão mexer com eles.

A balela dos invasores é a de que a presença deles no Rio quer a segurança pública, mas já deixaram claro que não estão a fim de conversar (a pseudocoletiva em que as perguntas tiveram de ser lidas e tiveram de passar pelo crivo deles prova isso), o que não surpreende, pois o forte desse pessoal não é a arte do diálogo, mas apontar contra os próprios brasileiros aparatos de repressão, de tortura e de morte.

Alegam que é pela segurança, que é pela ordem, que é para zelar pelo "cidadão de bem" (adoram essa expressão). Muitas pessoas, por ingenuidade ou por burrice, defendem intervenção militar. O golpe de 64 mostrou o que ditadores e exército são capazes de fazer quando alegam que é para defender o país, o que são capazes de realizar quando se voltam contra os compatriotas. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

O traje do poder e da subserviência

A inutilidade e a sacanagem da invasão do exército no Rio acabaram fazendo com que eu voltasse a pensar no comportamento de instituições que valorizam demais o que chamam de disciplina, de amor à pátria ou de senso ordeiro. São ambientes em que a aparência conta mais do que o que é de fato disciplina ou amor ao país. Quem ama o país não tortura, não mata, não confabula golpes políticos. Em termos históricos, o golpe de 64 foi ontem. Agora, há outro em curso. Os tempos são outros, as estratégias são outras, mas o desejo de saquear, mais uma vez, o país para uns poucos é o mesmo.

A subserviência de alguns ante os poderosos ou o fervor que têm quanto a hierarquias caretas e tolamente mandonas mais se parecem com o mais desbragado masoquismo. Há algo de infantil no encanto que sentem ante um fardão, uma farda, um sinal de distinção qualquer, ou quando se entregam a pompas afetadas.

Mesmo os que detêm cargos de comando assumem discurso típico de vassalos quando diante de alguém em hierarquia superior. Eles e seus pares têm vocabulário que, dependendo da situação, pode ser típico de ditadores ou típico de servos. Quem berra brandindo um cassetete tem a capacidade de se ajoelhar em submissão. Isso não é digno de chacota porque pode ser perigoso, quando agem em consonância com o pensamento de que são donos do povo e melhores do que ele.

Quando se sentem superiores pelo que ostentam, pelo que vestem, não têm noção de que “o hábito não faz o monge”, a farda não faz o soldado, a condecoração não faz o doutor. Nem hábitos nem fardas nem condecorações fazem o homem. Enquanto isso, quem não tem insígnias se incha vestindo toga ou terno. 

"Rio quarenta graus"

Exército no Rio não é solução.
Solução seria prender quem
transporta drogas em avião.

Sem argumentos na epopeia:
o exército exibe suas armas;
tem o aval de tosca plateia.

Fizeram do Rio o seu quintal.
Peixes grandes nadam em paz.
Nos pequenos, descem o pau.

Para os engravatados, carreiras.
Para os pobres, intimidação.
Dos ricos, cocaína nas esteiras.

Metidos em fardas, nada novo:
querem para si e para os deles
o que não é deles e é do povo. 

domingo, 1 de março de 2015

terça-feira, 13 de dezembro de 2011