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terça-feira, 2 de setembro de 2014

OS CROODS

Tenho certa ojeriza a atrações em que inserem rótulos como “diversão para toda a família”, “indicado para toda a família” ou “infantil e família”. Com muita frequência não passam de filmes, desenhos ou animações com excesso do que é politicamente correto, chegando a ter um pé na hipocrisia. Não é o caso de “Os Croods”, criação de 2013 da DreamWorks.

A animação é dirigida por Kirk De Micco e Chris Sanders, que também escreveram o roteiro, o qual conta ainda com a autoria de John Cleese. Os Croods são uma família; vivem sob a proteção do pai numa caverna. Ficam encrencados quando um terremoto destrói o lar que têm.

Grug, o patriarca, delega a si a missão única de manter vivos seus protegidos. Em nome disso, exerce vigília pesada, não permitindo que os integrantes da família se extraviem em caminhos desconhecidos, alegando que o mundo lá fora é farto em perigos. Por outro lado, Eep, sua filha, tem um aflorado instinto de curiosidade; está louca para pisar terras inéditas.

As crianças que conferirem a animação podem se divertir com as trapalhadas que os Croods aprontam (exatamente por isso eu me diverti muito). Já as metáforas, alusões e alegorias da animação convidam os adultos a reflexões que vão da filosofia à antropologia. É difícil achar essa mistura que diverte e que faz refletir; os diretores conseguiram isso.

Devido ao sucesso da animação, li que uma sequência está a caminho. As vozes originais também estariam confirmadas: Nicolas Cage é Grug; Emma Stone, Eep; e Ryan Reynolds, Guy. Enquanto a anunciada sequência não vem, divirta-se e visite-se assistindo aos Croods. É diversão para toda a família.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

"HISTÓRIAS CRUZADAS"

Preste atenção: pare de ler este texto a-go-ra e vá assistir a “Histórias cruzadas” [The help, 2011], do diretor Tate Taylor, que também é o autor do roteiro. O filme é baseado no livro “The help”, de Kathryn Stockett.

Emma Stone é Skeeter Phelan, uma jovem de vinte e poucos anos que sonha em ser escritora. Voltando da faculdade, a princípio descola emprego para redigir uma seção sobre dicas culinárias num pequeno jornal na pequena Jackson, Mississippi, no começo da década de 60.

É quando decide contar em livro a história dos negros, em especial das empregadas domésticas negras, da cidade em que vivia. Para sua história, Skeeter quer saber o que elas têm a dizer sobre o contexto de racismo insano e desumano com que conviviam no dia a dia.

A princípio, convence Aibileen Clark (Viola Davis) a contar sua história. Depois, Minny Jackson (Octavia Spencer) também decide relatar sua experiência a Skeeter. Mas a editora em potencial do livro quer mais depoimentos...

Tate Taylor fez um trabalho primoroso na direção e no roteiro. Além disso, os estupendos talentos de Viola Davis e de Octavia Spencer conferem ao filme interpretações que acertam no tom: elas não pecam pelo excesso (que poderia levar à pieguice) nem pela frieza (que poderia não dar a dimensão do quanto suas personagens sofrem).

Sem cair em maniqueísmos bobos, “Histórias cruzadas” aborda a nevrálgica questão do preconceito racial, com suas contradições e abusos. Ainda assim, a despeito da realidade barra-pesada que retrata, há espaço para a poesia e para o humor.

A gente fica melhor depois de assistir a algo como “Histórias cruzadas”. Reitero: se eu fosse você, abandonava de uma vez por todas e para sempre este texto e saía agora em disparada, triunfante, libertadora e catártica carreira em busca do filme. Enquanto isso, deixem-me correr atrás do livro de Kathryn Stockett.