Narrador do Sportv, após o terceiro gol do Neymar contra o Cruzeiro, no Independência, há pouco, disse que os cruzeirenses, gritando o nome do jogador, estavam o reverenciando. Discordo. Boa parte dos torcedores não passam de apaixonados bobos; pouquíssimos teriam a nobreza para reverenciar o rival. Não estavam reverenciando Neymar. Estavam, sim, à maneira do namorado que quer causar ciúme na namorada, tentando ferir o brio dos jogadores do Cruzeiro. Tentativa boba, infrutífera e inútil, pois os jogadores não têm paixão pelo time.
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sábado, 3 de novembro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
ATLÉTICO/MG X FLUMINENSE
Primeiro tempo
São vários os paralelos entre o futebol e a vida. Assistir a uma partida de futebol é como assistir ao desfile do espetáculo da vida. Assim como na vida, no futebol, nem sempre as expectativas se confirmam.
A expectativa era a de que Atlético/MG e Fluminense fizessem um jogão. O time carioca iniciou a partida realizando um jogo cadenciado, investindo na posse de bola. O Atlético, quando a tinha, partia logo para o ataque.
Não era de se esperar que fosse diferente. O Fluminense está com as duas mãos no título. A ameaça maior à conquista é justamente o Atlético, que ainda pode ser campeão. Num cenário assim, natural que o time mineiro, jogando em casa, tomasse a iniciativa.
Aos catorze minutos do primeiro tempo um impedimento foi marcado contra o Atlético. A TV não repetiu o lance. Inevitavelmente, fiquei com a pulga atrás da orelha, devido às conversas de que o Fluminense estaria sendo favorecido pela arbitragem.
Por que o lance do impedimento não foi repetido? Para se poupar a arbitragem (Jaílson Macedo Freitas foi o juiz)? Por causa de acordo entre CBF e Globo? Ou seria por causa de um outro ajuste espúrio?... Sei que isso está soando a teoria da conspiração, mas é que desconfio de tudo o que leva a chancela da Globo, não importa o meio.
Para piorar, aos vinte minutos, Ronaldinho cobrou falta e marcou. De acordo com o juiz, Leonardo Silva empurrou a barreira, o que de fato ocorreu. Não vale aqui o argumento de que ninguém marcaria uma falta assim. Ademais, a cobrança foi tão bem feita que, ainda que a falta não tivesse ocorrido, Cavalieri, o excelente goleiro do Fluminense, não alcançaria a bola.
A torcida protestou, gritando “vergonha, vergonha!”. Contudo, o ocorrido não afetou o desempenho do Atlético, que era muito superior à atuação do Fluminense. Aliás, foi uma superioridade acachapante diante de um acuado Fluminense. O Atlético teve chance aos oito, aos quinze, aos vinte e sete, aos trinta e aos quarenta e três.
Aos quarenta e quatro, o início das bolas na trave. Primeiro, com Bernard; aos quarenta e cinco, foi a vez de Jô. Chute mesmo, o Fluminense daria um, aos quarenta e nove, em cobrança de falta. Contudo, a rigor, o bombardeio do Atlético foi inócuo no primeiro tempo.
Segundo tempo
O Fluminense melhorou no segundo tempo. Aos dez minutos, Wellington Nem marca, após passe de Fred. Aos catorze, Vítor, o goleiro do Atlético, realiza defesa. Reagindo, o Atlético acertaria a trave novamente. Pressionando, empata aos vinte e três, em chute forte de Jô. Aos trinta e seis, o próprio Jô desempataria, escorando cruzamento de Bernard.
Mas o Fluminense tem Fred. O cara é o artilheiro do campeonato. Embora apagado até o fim da partida, ele empataria novamente o jogo, quase aos quarenta minutos. Levando-se em conta a tabela do torneio, o empate teria sido um baita resultado para o Flu.
Falar de senso de justiça ou de justeza no futebol é algo muito complicado. Mais complicado ainda se levarmos em conta as maracutaias que há em toda parte. Contudo, considerando-se o massacre realizado pelo Atlético, as bolas na trave que acertou e a superioridade apresentada o tempo todo, a vitória atleticana refletiria de modo mais “correto” o que foi o jogo.
Aos quarenta e sete minutos, num jogo previsto para terminar aos quarenta e oito, Leonardo Silva faz o terceiro gol do time mineiro, depois de cruzamento de Ronaldinho. O Independência “desabou”. O resultado fez com que o Atlético fique a seis pontos do líder do campeonato.
O futebol é como a vida, que nem sempre premia quem merece. Além do mais, critérios de merecimento são amplamente discutíveis — no futebol e na vida. Assim, terminada a partida, o Atlético é o vencedor. Se os critérios fossem os meus, eu diria que o resultado foi merecido. Por fim, numa partida assim (foi um jogaço) ganham aqueles que gostam de futebol.
domingo, 26 de agosto de 2012
CRUZEIRO X ATLÉTICO
O Cruzeiro, cheio de desfalques; o Atlético/MG, líder do campeonato e com o time completo. Diante disso, o torcedor preto-e-branco tinha grandes motivos para estar otimista. Como era de se esperar, o começo do jogo foi truncado, lento, estudado, amarrado, com diversas faltas.
Aos doze minutos do primeiro tempo, Fabinho se machuca. O que tinha cara de ser mais um problema para
o desfalcado Cruzeiro, torna-se solução. Aos 16 minutos, Wallyson, que substituíra Fabinho, marca o gol do Cruzeiro.
O Atlético, cobrando faltas na intermediária, insistia em cruzar a bola na área, por intermédio de Ronaldinho. O Cruzeiro, marcando forte, rechaçava as tentativas do oponente. Num primeiro tempo sem grandes chances, Danilinho, livre de marcação dentro da área, perde chance de gol, cabeceando para fora, aos quarenta e dois minutos.
Cinco minutos depois, aos quarenta e sete minutos, o Atlético, que tanto insistira em cruzamentos na área, é recompensado: após cobrança de escanteio, Leonardo Silva, depois de desvio na primeira trave, acerta um belo chute, no alto, no canto direito de Fábio.
No segundo tempo, Leandro Guerreiro e Bernard, após entrevero entre os dois, são expulsos. Vale lembrar que o primeiro cartão de Guerreiro foi tomado, no primeiro tempo, após reclamação acintosa.
No Cruzeiro, Everton sai, machucado; entra Marcelo Oliveira. No Atlético, Danilinho sai; entra Guilherme. Aos 40, Borges quase empata. Aos 42 minutos, Pierre é expulso, após falta em Montillo.
Contudo, aos 44 minutos, Ronaldinho fez um golaço. Arrancou desde o meio de campo, percebendo que a defesa do Cruzeiro estava aberta. Foi avançando, entrou na área e tocou, com muita categoria, no canto esquerdo de Fábio.
Após o gol, Ronaldinho sai; entra Serginho. O Cruzeiro, com um a mais em campo, pressiona, sem êxito. O gol somente viria aos cinquenta e seis minutos, com Matheus empurrando para as redes cruzamento vindo da esquerda.
Os atleticanos reclamaram de falta de Montillo momentos antes do empate cruzeirense. Tivesse sido marcada, pode ser que o Cruzeiro não tivesse empatado. No momento do gol, o Atlético estava com oito jogadores, pois Júnior César estava recebendo atendimento.
No todo, um jogo feio, pouco criativo e muito truncado. O Cruzeiro comemorou muito o empate, talvez ciente de que o adversário tem uma equipe superior. Já no Atlético, não creio que o placar baixe o moral da equipe para a sequência do torneio.
O jogo entre os dois, na última rodada, promete. Dependendo do que virá, pode ser que o segundo turno faça com que a torcida do Atlético celebre o título de seu time em jogo contra o Cruzeiro ou com que o time azul estrague a festa do título atleticano.
A nota ruim é que alguns torcedores imbecis jogaram objetos no gramado; o próprio árbitro chegou a ser atingido por um copo d’água. A imprensa tem falado em punição. Que ela ocorra. Que seja exemplar e inexorável, embora eu não creia na firmeza do necessário castigo.
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