Hoje pela manhã, aqui em Patos de Minas, ocorreu manifestação contra Bolsonaro.
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sábado, 29 de setembro de 2018
Contra Bolsonaro
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Uma curiosidade
Frases de Bolsonaro:
• “Espero que saia; infartada, com câncer, de qualquer jeito” (referindo-se a Dilma).
• “O erro da ditadura foi torturar e não matar”.
• “Eu sou favorável à tortura”.
• “Eu acho que essa polícia militar do Brasil tinha que matar é mais”.
• “Vamos fuzilar a petralhada”.
• “Ustra é um herói”.
• “Através do voto você não vai mudar nada nesse país. Só vai mudar no dia em que partimos para uma guerra civil”.
• “Eu sonego tudo o que for possível”.
• “Só não te estupro porque você não merece”.
O que Bolsonaro teria dito tivesse não ele (mas outro presidenciável) passado pelo que passou ontem em Juiz de Fora?
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quinta-feira, 15 de março de 2018
Não voto
Em conversa que mantenho com amigos, tenho me deparado com aqueles que têm a opinião de que quando os debates políticos na corrida presidencial se iniciarem, Bolsonaro vai se “queimar”; alguns internautas têm manifestado pensamento similar em redes sociais. Os que afirmam isso levam em conta que o total despreparo e a ignorância dele são o que, por fim, farão com que os apoiadores dele de agora se deem conta no futuro do que já é patente — a... obtusidade (é um eufemismo) de Bolsonaro.
Muito infelizmente, temo que o “diagnóstico” dos amigos e de alguns em redes sociais não esteja correto. Ainda que Bolsonaro confirme, reconfirme e dê inúmeras provas do quanto é um bufão retrógrado e simplista, isso não vai afugentar os apoiadores dele. Acredito mesmo que quanto mais bobo e truculento ele for, não somente não vai perder os apoiadores que tem, como vai arregimentar outros.
Há os que defendem ditadura militar; os ingênuos que acreditam que Bolsonaro é paradigma de honestidade se exultam ao apoiá-lo; preconceituosos de todos os matizes veem nele o candidato ideal. Quanto mais bronco, anacronicamente conservador e beligerante Bolsonaro for, mais haverá exultação entre ingênuos, machistas, homofóbicos, armamentistas, misóginos, eugenistas, racistas, xenófobos, belicistas...
Até a data das eleições, vislumbro alguma muito remota possibilidade de mudança entre o grupo dos ingênuos; os demais, que, lamentavelmente, são muitos, estão com Bolsonaro não apesar das declarações toscas dele, mas por causa delas. Pode ser que os marqueteiros da campanha dele sugiram “burilar” ou “suavizar” a imagem pública dele. Mas abandonar pautas intolerantes, ele não vai. Isso seria perder boa parte dos eleitores que ele tem.
Recentemente, assisti a uma entrevista com Malala Yousafzai no programa O Próximo Convidado com David Letterman, exibido pela Netflix. Num determinado momento, ele pergunta para Malala a opinião dela sobre Donald Trump. Ela devolve a pergunta para ele, que responde: “Eu sinto que, pessoalmente — não politicamente, mas pessoalmente —, ele não está apto a me representar”. Letterman conclui: “Não acredito que ele esteja apto a representar ninguém neste espaço” (o programa é gravado no que parece ser um teatro; há plateia).
A resposta do apresentador acabou me remetendo a Bolsonaro, por ser algo que eu responderia se alguém me perguntasse o que acho do pré-candidato à presidência. Politicamente, estou longe do espectro ditatorial defendido por ele; no plano pessoal, ele é o tipo de gente que eu não chamaria para tomar uma cerveja aqui em casa. Se em algum dia nos conhecêssemos (sei que isso não vai ocorrer), estou ciente de que a recíproca valeria. Sou o tipo de pessoa de que ele não faria a menor questão. Além do mais, ele não precisa de mim, em nenhum aspecto.
É comum os defensores alegarem a honestidade dele, sem nem saberem se ela existe de fato. As notícias de nebuloso enriquecimento dele e dos filhos dele, veiculadas em janeiro deste ano, não se desdobraram (o que já era esperado). “Historicamente, apenas o tema da corrupção, no Brasil, propicia a manipulação perfeita do público cativo: aquela que não toca nem de perto no acordo das elites nem nos seus privilégios e permite focar todo o fogo no inimigo de classe da ocasião. Trata-se de um tema que não oferece nenhuma reflexão e compreensão real do mundo, mas que possibilita todo tipo de distorção, seletividade e manipulação emotiva de um público cativo” [1]. Muitos dos “paladinos” da honestidade não passam de cativos.
É muita ingenuidade acreditar que basta a truculência de alguém para se acabar com a corrupção no Brasil, que é institucional e praticada em todas as esferas. No mais, alegar que um simpatizante de torturadores dizimaria a corrupção por ter sido militar é supor que não houve corrupção durante a ditadura. Pensar assim é revelar ignorância histórica.
É muita ingenuidade acreditar que basta a truculência de alguém para se acabar com a corrupção no Brasil, que é institucional e praticada em todas as esferas. No mais, alegar que um simpatizante de torturadores dizimaria a corrupção por ter sido militar é supor que não houve corrupção durante a ditadura. Pensar assim é revelar ignorância histórica.
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[1] SOUZA, Jessé. A radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado. Rio de Janeiro. Leya. 2016. Pp. 88 e 89.
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terça-feira, 20 de junho de 2017
Ingenuidades
Caetano Veloso, em “Podres Poderes”, que é de 1984, escreveu: “Será que nunca faremos senão confirmar / A incompetência da América católica / Que sempre precisará de ridículos tiranos?”. A história da América Latina sempre foi marcada pela figura do (ridículo) tirano. Não raro, essa figura está ligada a outra, a do salvador da pátria. Quando há crise, o solo se torna propício ou para o tirano ou para o salvador da pátria. A mesma pessoa pode encarnar os dois.
Há alguns dias, tendo eu acabado de almoçar num restaurante local, no momento em que estava pagando a conta, um outro freguês, conhecido meu, que também estava na fila para o pagamento, iniciou conversa comigo. O assunto era o momento político do Brasil. Depois de meu conhecido ter culpado tanto o PSDB quanto o PT pelo conturbado cenário institucional por que passa o país, ele disse que somente Jair Bolsonaro para dar jeito na barafunda. Segundo meu interlocutor, Bolsonaro faria o Brasil assumir um caminho honesto e ético.
Por ora, minha intenção não é discutir a boçalidade de Bolsonaro. O episódio em que ele elogiou Carlos Alberto Brilhante Ustra ou o em que ele disse que o erro da ditadura foi “torturar e não matar” (embora ela tenha matado muito) são reveladores do que Bolsonaro pensa. O que é preocupante é saber que ainda há pessoas que acreditam em salvadores de pátrias. Acreditam que basta a vontade de algum político ou de algum ditador para se acabar com a corrupção no Brasil.
Essa ingenuidade é alarmante. Repito: não somente por se tratar de alguém crer num sujeito tão tosco quanto Bolsonaro, mas por se acreditar que alguém, seja quem for, tem poder para eliminar, em um ou dois mandatos, a entranhada corrupção brasileira. Não raro, essa perigosa ingenuidade leva pessoas a defenderem a ditadura militar como solução contra corruptos. Há quem, mesmo ciente de que houve corrupção durante os governos militares, defenda ditadura, mas há quem de fato acredite que o Brasil não teve corrupção durante a vigência do golpe militar de 1964.
Num cenário sombrio, por mais ditador que fosse um tirano, não são os cruéis caprichos dele que teriam o poder de dizimar a corrupção. Não somente por estar ela tão onipresente nas instituições, nas esferas federais, estaduais e municipais, mas por haver, além da corrupção institucional, a corrupção do dia a dia. “Enquanto os homens exercem seus podres poderes / Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos”.
terça-feira, 19 de abril de 2016
A vinda dos macacos
A capacidade da linguagem é um dos ingredientes que nos humanizam. O “internetês” pode evidenciar o que uma pessoa é capaz de postar quando é a favor de um torturador. Recentemente, reli “O planeta dos macacos”, do Pierre Boulle. No livro, a “tese” para a ascensão dos macacos e a derrocada dos humanos é a “preguiça mental” (expressão usada por Boulle) do homem e a habilidade adquirida pelos símios, a princípio, por imitação, de capacidades intelectuais.
Pode-se extrair daí a ideia de que quando o requinte da linguagem é deixado de lado, tornamo-nos bestas. Uma besta, diante de um teclado, incapaz de formular uma linguagem que faça sentido, apela para a agressão, os gritos, os palavrões gratuitos. A incapacidade de se mostrar humano ou de se condoer com o drama do outro (não importa a ideologia desse outro), faz com que um ser humano passe a louvar gente como Bolsonaro ou como Ustra.
A linguagem, por si mesma, é preciso lembrar, não garante a humanização. Em contrapartida, não há humanização que não passe pela linguagem. Depois que a bestialidade começa a se instalar, é muito difícil ao homem assumir o compromisso de mergulhar na dura tarefa de requintar sua linguagem e seu pensamento. O caminho da bestialidade é fácil. Nem todo caminho fácil é ideal.
Uma vez seduzidos pelo fácil discurso da bestialidade, é fácil, por intermédio de redes sociais, achar quem reverbere a falta de capacidade, seja de compaixão por um ser humano, seja de escrever algo que não sejam interjeições, onomatopeias e palavrões. É o correspondente da vociferação de uma fera produzido num teclado manejado por quem optou por ignorar que a linguagem seria caminho para possível humanização.
Num estado de coisas assim, o ser, que já perdeu a capacidade de perceber que não é preciso gritar para soar contundente, que não entende que o comedimento pode ser incisivo, caminha a passos largos para deixar de ser humano. Passa, então, a se gabar por adorar Bolsonaros ou Ustras. Os macacos estão vindo aí.
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A título de curiosidade: o que me inspirou a escrever esta postagem foi o formidável comentário do Ricardo Boechat sobre a performance do Bolsonaro ao reverenciar Ustra.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Ovações
Ovacionar Ustra?!
Ovacionar quem ovaciona Ustra?!
Uma ova!
Cusparadas
Mais errado do que o gesto de Jean Wyllys, que cuspiu em Bolsonaro, é o gesto de Bolsonaro e asseclas, que cospem na democracia.
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