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domingo, 10 de abril de 2016

A feia natureza da fotografia

Seja por motivos bons, seja por motivos ruins, sempre me lembro de um dos versos da canção “Ebony and ivory”, sucesso de Paul McCartney, com a participação de Stevie Wonder: “As pessoas são as mesmas aonde quer que você vá”. Há pouco, terminei de ler matéria intitulada “The ugly side of wildlife photography”. Por motivos ruins, eu me lembrei do trecho de “Ebony and ivory”. 

Na matéria, o autor, Ananda Banerjee, relata que a popularização da fotografia digital, as facilidades proporcionadas pela tecnologia e o barateamento dos equipamentos fotográficos fizeram com que o número de fotógrafos de natureza aumentasse muito. Com isso, áreas de proteção ambiental têm sido invadidas por grupos de fotógrafos profissionais e amadores; o problema é que tanto estes quanto aqueles estão prejudicando o ambiente dos bichos.

Como exemplo, Banerjee menciona que ninhos são destruídos por fotógrafos. Segundo ele, há espécies de aves que, ao fazer o ninho, inserem galhos ou folhagens em torno dele, a fim de se resguardarem de predadores. Ainda de acordo com a matéria, há fotógrafos que, para conseguirem o registro, afastam a proteção em torno do ninho, fotografam à vontade e largam o ninho desguarnecido. Para piorar, ainda segundo Banerjee, há fotógrafo que destrói os ovos ou mata os filhotes que estejam no ninho, para que ninguém mais tenha a possibilidade de registrar o que ele conseguiu. 

O texto de Banerjee menciona ainda que tigres têm sido acuados por fotógrafos inescrupulosos, que acabam se aproximando demais do espaço que é dos animais, causando incômodo e estresse nos felinos. Não raro, os tigres reagem; no corpo da matéria, há dois vídeos que mostram a reação de tigres diante da invasão dos humanos. Para conferir o texto (em inglês), o “link” é este

quarta-feira, 15 de maio de 2013

FAZER BEM

Um dia desses escutei uma entrevista que Paul McCartney concedeu, via telefone, para uma rádio de Belo Horizonte. O início do diálogo foi mais ou menos assim:

— Hello, Paul; how are you?
— Hi, I’m terrific.
— I’m terrific too, specially talking to you.

A conversa prosseguiu; Paul falou sobre a turnê que está realizando e sobre sua carreira. De cara, o que me chamou a atenção foi o impecável inglês do locutor.

Essa história é pretexto para que eu fale do privilégio que é presenciar algo benfeito. Assim que o locutor emitiu as primeiras palavras, logo me ocorreu o longo caminho percorrido por ele para que ele chegasse a tamanha excelência ao lidar com uma língua estrangeira, tenha o profissional morado no exterior, estudado no Brasil ou as duas coisas.

Fazer bem demanda esforço, leva tempo, dá trabalho. O regozijo de valorizar detalhes é compensador porque, assim, temos a experiência de saber valorizar e reconhecer a excelência alheia: ter a oportunidade de apreciar a maestria do outro engrandece a alma; estar diante de seu talento enobrece; presenciá-lo, escutá-lo ou decodificá-lo edifica. Quando o talento alheio incomoda, isso pode ser indício de ressentimento ou de inveja. 

A importância dada aos detalhes pode ser encarada como preciosismo por muitos. Esses desavisados às vezes se expressam com mais vigor do que aqueles que percebem as mais de dez mil sutilezas que compõem um trabalho refinado. Mas isso não significa que não haja gente escutando; não quer dizer que não haja gente prestando atenção; não significa que você não tenha, sem saber, feito alguém ascender.

De resto, ainda que você nunca tenha recebido notícia de que seu trabalho tenha feito alguém melhor, isso não é motivo para que você deixe de fazer o que faz; não é razão para que você abandone a busca pelo esmero. Primeiro, porque você pode, por diversas vezes, ter deixado de manifestar o quanto o trabalho de alguém enlevou você; segundo, porque não há como sabermos de que modo nem quando nosso trabalho chega ao outro. Esse outro pode estar a seu lado ou distante, seja no tempo, seja no espaço.

Não há como sabermos nem quando nem como nosso trabalho vai reverberar no outro. Tanto é assim que o locutor lá de Belo Horizonte nem suspeita de que o inglês dele foi uma das inspirações para que eu escrevesse este texto. O que importa é a busca pela excelência, não a preocupação com as consequências disso. Se por um lado o reconhecimento é sempre bom, por outro, não deve ser o motivo condutor das realizações. 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

CONTO 62

Diante do palco em que Paul McCartney estaria em instantes, João Paulo acabou se lembrando do Bruno Gouveia, do Biquíni Cavadão: certa vez Bruno disse em entrevista que ele e a esposa, antes de se conhecerem, estiveram no primeiro show que Paul fez no Brasil. Num devaneio, João Paulo imaginou se sua futura esposa estaria em meio às cinquenta e três mil pessoas que assistiriam ao show, prestes a começar. João Paulo casar-se-ia com Naiara, que curte MPB. E não estava no show do Paul.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

POR QUE ME TORNEI UM IMBECIL

Tornei-me um imbecil porque tenho perdido a capacidade de me emocionar. O ápice disso foi no sábado, quatro de maio. Eu estava a poucos passos de um artista que faz parte de minha vida desde a infância. Quando Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles, em março de 1970, eu não havia nascido ainda (eu nasceria em outubro daquele ano). Mas ele faz parte do lado musical da minha vida.

Ainda é nítido na lembrança eu pedir para meu pai colocar uma das músicas da carreira solo de McCartney. Como eu não sabia falar o nome dela, eu falava mais ou menos assim: “Pai, coloca aquela do ‘rô’, ‘rê’, ‘rô’”. Sim, eu me referia a “Mrs. Vanderbilt”. Ela foi uma das faixas executadas no show realizado por McCartney no Mineirão, em Belo Horizonte.

Também me lembro de um baile a que fui no Ponte de Terra, em Carmo do Paranaíba, na segunda metade da década de 80. O Evandro Fontes, que na época era locutor de rádio por lá, foi quem me convidara para a festa, que contaria com show da banda de baile Phendas. Ao fazer a abertura do evento, o Evandro disse que tocaria uma música; achei estranho, pois não havia nenhum instrumento com ele. Foi quando então retirou uma gaita do paletó e tocou “Let it be”, que, claro, também fez parte do repertório do show em BH.

Lembro-me também de ter escrito à mão, ainda adolescente, várias letras dos Beatles em folhas de caderno. Dentre elas, “Get back”, que McCartney também cantou no Mineirão... Quando ele cantou “Your mother should know”, lembrei-me do Pedro Paulo Niffinegger Silva, um amigo que certa vez me disse que gosta dessa canção.

Lembro-me de meu pai comentar comigo, enquanto ele me levava de bicicleta a algum lugar, quantas vezes o “na na na... Hey, Jude” é repetido na gravação original (ele disse que contara). Obviamente, a canção foi executada durante o show.

Eu poderia escrever todo um texto sobre minhas várias lembranças com o universo dos Beatles. Mas esta crônica é sobre minha incapacidade de ter me emocionado durante o show de McCartney em BH. Eu deveria ter pulado, gritado e chorado, exatamente tal qual fez a adolescente que estava a meu lado, que cantou to-das as letras.

Para não dizer que passei incólume pelo show, fiquei emocionado não devido a uma canção, mas quando ele disse pela primeira vez “trem bão, sô” (ele voltaria a repetir a expressão posteriormente).  Além da emoção que senti, foi engraçado olhar para a cara que ele fez ao dizer a expressão, bem como escutá-la cheia de sotaque.

É estranho: essa minha tola apatia esteve comigo mesmo antes de eu entrar no Mineirão: não houve expectativa, eu não estava vibrante como deveria estar. Terminado o espetáculo, saí sem compartilhar do óbvio entusiasmo no ambiente. Se o show tivesse sido um fiasco, eu teria razão para a indiferença.

Deixei o local preocupado com meu crescente embotamento, por ser algo que vem se insinuando cada vez mais. Para os amigos que perguntaram, acabei dizendo que gostei, para não cortar o barato nem ter de explicar por que não gostei. Se eu tiver a oportunidade de conferir um show dos Rolling Stones, coisa que eu sempre quis, que eu seja ou esteja menos tolo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

DIA DE BONGÔ

Hoje (26/7/2008), comecei o dia surrando meu combalido e empoeirado bongô. Comecei a escutar algumas canções, entusiasmei-me e me desenferrujei.

Acompanhei as seguintes canções:

“Ventura highway” – America (Essa, preciso treinar.)
“A estrada” – Cidade Negra
“Hope of deliverance” – Paul McCartney
“À noite sonhei contigo” – Paula Toller
“When a man is wrong” – Seal (Essa, com a pandeirola.)
“Só pra te mostrar” – Daniela Mercury – participação de Herbert Vianna
“Misread” – Kings of Convenience (Nessa, embananei no meio.)
“All around the world” – Lisa Stansfield e Barry White (Essa, pensei que não ficaria legal, mas gostei.)
“Lady” – Mojo (Essa tem um andamento mais rápido; por eu estar fora de forma, passei apertado.)
“In your eyes” – Peter Gabriel
“Esse seu jeito sexy de ser” – Sempre Livre
“A horse with no name” – America (Essa, toquei duas vezes; a primeira, ficou muito ruim; a segunda, um pouco pior.)

Fiquei devendo nas duas do America que compuseram o repertório. Mas foi legal. De alma lavada, sigamos.

P.S.: Depois de lidar com alguns afazeres, voltei para o bongô e ainda batuquei ao som de duas canções do Zé Ramalho: “Garoto de aluguel” (versão acústica) e “Beira-mar”.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

SHOW DO CAPITAL INICIAL

O Capital Inicial fez um belo show, ontem (29/5/2008), em Patos de Minas. Em uma hora e meia, Dinho e trupe animaram o palco principal do Parque de Exposições.

Fui ao Parque por causa do show. Ainda assim, fui sem muita expectativa, meio que achando que assistiria a uma apresentação burocrática e muito parecida com o formato acústico a que o próprio Capital aderira, em 2000.

Contudo, foram espertos: para a garotada que conhece a banda desde o sucesso do acústico, canções como “Natasha” foram apresentadas, num arranjo muito parecido com o original; para os mais velhos (meu caso), canções como “Fátima” ou “Independência” não ficaram de fora do repertório. Fizeram “O passageiro”, versão da canção “The passenger”, do Iggy Pop. Essa já havia sido gravada pelo próprio Capital antes de o acústico ser lançado, mas, curiosamente, somente seria sucesso depois de relançada no Acústico MTV.

De gigantescos bonecos infláveis a chamas na frente do palco, além de um cuidadoso trabalho de iluminação, tudo contribuiu para o sucesso do espetáculo.

Renato Russo esteve presente, não somente no repertório de sucessos consagrados pelo Capital – caso de “Fátima”, por exemplo, que tem composição de Flávio Lemos (baixista do Capital) e Renato Russo. Do repertório do Legião, “Que país é este” e “Por enquanto” foram executadas. Uma outra cover possibilitou um outro belo momento do show – “Primeiros erros”, do Kiko Zambianchi, que estava no palco com o Capital há três anos, ocasião em que a banda esteve aqui.

Chamo algumas figuras do pop/rock de sobreviventes. Por sobreviventes, refiro-me àqueles que não se foram devido a uso excessivo de drogas ou que não morreram em decorrência da Aids. Gente como Roger Waters, Mick Jagger e Paul McCartney, para ficar em três exemplos. Sobreviveram à louca (e por vezes fatal) efervescência dos anos 60s e 70s. Gente fantástica como Hendrix ou Joplin, não. Tivemos por aqui os herdeiros musicais dessas décadas. Entre esses, há aqueles que não sobreviveram (caso de Cazuza ou Renato Russo) e aqueles que estão por aqui (Herbert Vianna, Lobão).

Não faço julgamento de valor ao usar o termo sobrevivente. Simplesmente acho bacana demais quando sobrevivem. E Dinho, do Capital, é um dos sobreviventes. Vida longa a ele.