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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Breves notas de leitura

Leitura de ontem: Discografia legionária, de Chris Fuscaldo. Publicado pela editora Leya, o livro tem detalhes técnicos de todos os discos do Legião Urbana e de todos do Renato Russo em carreira solo. Para quem curte como se dão as coisas em estúdio, o livro pormenoriza, mencionando, dentre outras coisas, microfones usados em algumas gravações e a tecnologia utilizada em determinados registros.

(Para o fãs do Legião Urbana, também indico As quatro estações, de Mariano Marovatto. Nele, o autor detalha produção do quarto trabalho lançado pelos legionários. O livro faz parte da série O Livro do Disco, editada pela Cobogó (dessa série, também indico o dedicado a Unknown pleasures, do Joy Division). Nessa série, cada livro se debruça sobre um disco de determinado artista.)
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Leitura de hoje: O lago desconhecido: entre Proust e Freud, publicação da L&PM Editores. A autoria é de Jean-Yves Tadié; a tradução é de Julia da Rosa Simões. No ensaio, num instigante estudo comparativo entre dois dos pilares do século XX, Tadié, profundo estudioso de Proust, traça os paralelos e convergências entre arte e ciência a partir das produções de Proust e de Freud. Leitura que envolve e que inspira.
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Leituras a serem iniciadas: estou aqui com três livros que eu vinha paquerando já há algum tempo, três livros do Jessé Souza: A radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado, A tolice da inteligência brasileira: o como o país se deixa manipular pela elite e A elite do atraso: da escravidão à lava jato. Os três foram publicados pela editora Leya, que presta um belo serviço ao Brasil publicando o trabalho de Jessé Souza; em breve, resenha.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Renato Manfredini Júnior

Há exatos vinte anos, eu era professor numa escola particular local. Acabadas as aulas, fui direto para casa. Lá chegando, minha mãe me deu a notícia: “Lívio, o Junim [meu amigo de infância] ligou. Disse pra eu te falar que um tal de Renato Russo morreu”.

Nasci em 1970. Eu havia passado uma grande de minha juventude escutando Legião Urbana. Minha mãe, ainda que não quisesse, acabava escutando (mas ela nunca reclamou de eu escutar). Não me lembro, mas acho que eu não tinha computador nessa época. Sei que liguei para o Junim, que disse ter escutado num programa de TV sobre a morte do Renato Russo.

Então liguei na TV Cultura, que, na época, tinha um jornal que começava, se não estou enganado, às 12h. Deram a notícia sobre a morte do Renato Russo. Naquele mesmo dia, já havia sido divulgado que o vocalista morrera em decorrência da Aids.

Sempre fui ruim para guardar datas. Há pouco, li que vinte anos se passaram desde a morte do vocalista da Legião Urbana. Eu não suporia que tanto tempo já havia se passado. Enquanto digito este texto, escuto “Giz”.

Suponho que o legado de Renato Russo vai perdurar. Um dia desses, eu estava dando aula para uma turma de primeiro ano do ensino médio. Quando nasceram, Renato Russo já havia morrido. Durante a aula, pedi a eles que me dissessem o nome de uma canção cuja letra curtem. Dois deles mencionaram “‘Índios’”.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"Sobre a escrita", de Stephen King

Jamais li um livro de ficção do Stephen King. Em minha juventude, eu me senti compelido a conhecer o trabalho do autor, depois de conferir uma entrevista com o Renato Russo em que o vocalista da Legião disse que era fã dos trabalhos do escritor americano. Mas o desejo de ler King não foi adiante.

Há coisa de uns seis meses, li um texto na revista The New Yorker em que se elogiava “Sobre a escrita” [On writing]. Desde então, fiquei muito curioso para fazer a leitura, que terminei há pouco. O livro é indispensável para quem gosta de escrever ou para quem se interessa pela carpintaria literária.

A tradução é de Michel Teixeira; a obra foi publicada pela editora Suma de Letras, braço editorial da Objetiva. É um livro que comove e que diverte. Li boa parte dele na rodoviária de São Paulo, enquanto aguardava o ônibus para Patos de Minas. Houve trechos que me deixaram com vontade de gargalhar e trechos que me encheram os olhos d’água. Não me senti à vontade, em público, nem para o choro nem para a gargalhada.

Stephen King é sucesso de público, não de crítica, a qual não raro o desanca. Esqueça a crítica e leia “Sobre a escrita”. Se por um lado não se pode ensinar alguém como escrever, por outro, isso não quer dizer que não haja atitudes a serem seguidas por quem deseja se dedicar ao ofício. É sobre isso que King escreve em seu livro.

Ele mostra o que há de prática e de prático nesse ofício. Ao falar de coisas como estabelecer metas de quantas palavras escrever por dia e de disciplina, o autor dessacraliza o ato da escrita, sem deixar de mostrar o que pode haver de mágico no envolvimento com as palavras.

O autor não abre concessões: o trabalho de escrever exige conhecimento do idioma, da gramática; exige estudo, leitura. Parecem coisas óbvias, mas é preciso que sejam ditas, para que não se suponha o escritor como alguém que recebe dos céus as bênçãos das musas. Ainda que tais musas existam, não virão sem o trabalho “braçal” de quem escreve.

“Sobre a escrita” é didático, sem ser professoral nem presunçoso. É um livro sobre o que fazer para se escrever, o que não quer dizer que é só fazer essas coisas para se tornar um grande autor. Há a intenção de ensinar, não como quem passa uma receita ou redige um manual.

É um livro generoso — de modo honesto, aberto, King compartilha com os leitores as miudezas, as dores e as alegrias do ato da escrita. Muitos preferem manter uma aura de pseudomistério quando se trata de escrever. King tem o bom senso de não cair nessas balelas. O livro está longe dos discursos dos gurus da autoajuda, que prometem sucesso em caso de determinada fórmula ser seguida. O livro não dá ao leitor um falso passe de mágica de como se tornar um mago das palavras, mas compartilha não só o pensamento de que é possível que ele, leitor, torne-se um escritor, mas também a delícia que pode ser alcançada quando se escreve.

Sem pedantismo, King enfatiza o óbvio que ou não é dito ou é maquiado: não há escritor sem trabalho e sem esforço. O autor, misturando ora sua vida pessoal e ora seus textos como exemplos, achou um tom no qual o que parece obviedade não soa como desrespeito à inteligência do leitor. Vale dizer ainda que um dos pontos altos do livro é a ênfase na ideia de que escrever é um trabalho como qualquer outro. Num texto fluente, é como se King tivesse desmontado os mecanismos ou as engrenagens que podem fazer de alguém um escritor. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

(DES)APONTAMENTO 47

“Belos e malditos”, gravada pelo Capital Inicial, cuja letra é do Renato Russo, é sobre o mito da taverna. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

RENATO RUSSO: UM ATOR

Num show do Legião Urbana realizado no Rio de Janeiro no dia sete de julho de 1990, já no fim de “Andrea Doria”, andando pelo palco após ter cantado a letra da canção, Renato Russo simula que está cravando um punhal em seu próprio peito. O gesto coincide com o término da canção.

Valho-me disso a fim de ilustrar o que, antes de tudo, Renato Manfredini Júnior (nome real de Renato Russo) era: um grande ator. Valendo-se desse talento, Russo tinha uma capacidade assustadora de hipnotizar a plateia, de modo que shows do Legião Urbana eram acontecimentos. No dia vinte e nove de agosto de 1992, em Uberlândia, conferi, no UTC, uma das apresentações da banda.

Na segunda canção do espetáculo — “Metal contra as nuvens” —, Russo simula masturbação e, logo após, passa a mão na própria boca. Cantou deitado uma das músicas, executou sua dança — herdeira de Jim Morrison, de Ian Curtis —, fez discursos (era do tipo que falava muito em shows e em entrevistas), esbravejou.

Devido à persona que Renato Russo foi, o Legião Urbana era, sobretudo, teatro. Russo era um personagem criado por Renato Manfredini Júnior. Tal personagem era herdeiro do Romantismo (escola artística do século XIX). Nesse sentido, criou um ícone que seguia a cartilha romântica: o jovem talentoso e atormentado, que sofre e sente demais as agruras do vida; o “outsider” que não se encaixa no mundo tal qual ele é; o rebelde que, com seu talento e com sua tristeza, realiza seu trabalho artístico.

Esse personagem, invenção do Romantismo, seria reaproveitado pela cultura pop do século XX. Os beatniks, Jim Morrison ou Morrissey são ecos do que os românticos criaram. O rock, em especial, valer-se-ia do modo de vida celebrado em versos que seduziam a juventude intelectualizada do século XIX.

Não é novidade para ninguém que o Legião Urbana não deixou um grande legado musical. A contribuição da banda está, para muitos, nas letras; está muito mais numa atitude, numa postura, num posicionamento diante das mazelas do mundo, dos problemas e questionamentos dos jovens. Está numa rebeldia que não foi inventada pela banda, mas que tão bem cai para o espírito do rock.

Quando afirmo que Renato Russo era um personagem, não faço isso em sentido pejorativo nem sugiro que havia fingimento nas crenças que Russo expressava em entrevistas, em palcos ou em canções. É minha intenção ressaltar a verve teatral e lírica que Manfredini tão bem usou enquanto foi o vocalista do Legião Urbana. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

QUE CANÇÃO É ESTA?

Alguém aí sabe o nome da canção incidental que o Renato Russo canta a partir dos cinco minutos e quarenta segundos?... A mesma canção, não estando eu enganado, vai até aos seis minutos e trinta e dois segundos...

À parte isso, há citações de Madonna, Prince, Janis Joplin, Led Zeppelin. Este show, que ocorreu no Rio de Janeiro, acabou sendo um tributo ao Cazuza, que morreu na data de realização do espetáculo, no dia sete de julho de 1990.

domingo, 24 de agosto de 2014

"O NOME MAIS BONITO"

Tendo acordado há pouco, liguei o rádio. As primeiras palavras que escutei foram no exato momento em que o Renato Russo canta “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, na parte final de “Pais e filhos”. É um ótimo preceito para se começar um dia. Que tenhamos um belo domingo azul. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

SOU O QUE LEIO

Meu jeito de ser é profundamente influenciado pelas leituras começadas na adolescência. Se por um lado me dediquei a livros para os quais eu ainda não estava pronto, por outro, essas mesmas leituras deixaram marcas indeléveis. É claro que não sei como eu seria se não tivesse havido tais leituras, mas não consigo me imaginar sem elas. Não sei o que há de sorte nem o que há de mérito nas escolhas de leitura que comecei a fazer por volta dos doze, treze anos. Do que sei, é que agradeço à vida por essas leituras terem existido.

Não estou certo de onde vem meu interesse por biografias. Pode ser que ele seja consequência das leituras que comecei a fazer sobre o Renascimento. Quando dessas leituras, eu não tinha a dimensão histórica; o que me fascinava era somente o ecletismo, a diversidade de tarefas a que os gênios do período se dedicavam. Esse fascínio acabou me levando a não engavetar o conhecimento, levou-me a valorizar tanto a arte quanto a ciência, a buscar uma mescla das duas. Ainda bem jovem, adquiri o que chamo de senso de ecletismo.

Enquanto eu devorava biografias (tendo adquirido gosto pelo gênero, passei a ler não somente sobre os renascentistas), certo dia eu me deparei, no trabalho, com uma velha revista de divulgação científica. Uma das matérias que compunham a publicação se chamava “Gênios idiotas”: era sobre pessoas que têm uma enorme habilidade mental para determinada tarefa (fazer cálculos complexos de cabeça, por exemplo), mas que se embaralham diante de tarefas simples. Outra matéria discorria sobre a memória.

Eu nunca soube o nome da revista, que não tinha capa nem contracapa; as páginas internas não continham identificação. Até há bem pouco tempo essa revista estava em meio a velhos papéis; não sei onde pode estar agora. De qualquer modo, a gana por esse tipo de leitura se esbaldou quando a revista Superinteressante foi lançada. Por anos fui leitor do periódico, que eu aguardava com ânsia e devorava com fervor. Paralelamente, eu prosseguia com a leitura de biografias. Passei a ler a coleção O pensamento vivo, publicada pela Martin Claret. Meu primeiro contato com Borges foi por intermédio dessa coleção.

Meu pai tocava violão, gostava de escutar rock. Cresci ao som de Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd... Na adolescência, tendo já sedimentado o gosto pela leitura, foi natural, em função da convivência com a música, que eu acabasse tendo contato com a revista Bizz, que também li com entusiasmo por anos e anos. A leitura da Bizz e da Superinteressante acabaram fazendo com que eu me tornasse também um leitor de revistas. Atualmente, leio a Piauí. Da leitura de periódicos, de biografias, de filosofia e de literatura veio o que chamei de senso de ecletismo.

Ao mesmo tempo, um outro senso ia se formando, solidificando-se: chamo-o de senso de rebeldia. Eu o devo também às leituras: não venho de estirpe rebelde, contestadora. Não me lembro, por exemplo, de meu pai criticar a ditadura militar, embora também não me lembre de ele a elogiar. Mesmo procurando estar informado, principalmente escutando rádio, meu pai não me parecia interessado em política. Se era, esse interesse não transparecia em casa. Pelo menos por aqui, o que o absorvia era mesmo a música.

Todavia, o senso de rebeldia a que me referi não é estritamente, digamos, político. Num sentido amplo, é bem verdade que toda ação pode ser interpretada como sendo política; ainda assim, desde cedo foi se esboçando em mim uma desconfiança dos meios de comunicação (desconfiança essa que é maior do que nunca), das versões ditas oficiais e do comportamento das turbas, que não raro são produto do que a mídia determina. O que considero rebeldia está mais interessado na "sujeirinha", na imperfeição, mais ligado na “nódoa no brim”, expressão com que Bandeira definiu a poesia. Na adolescência, ler sobre e escutar o legado de gente como Renato Russo ou Ian Curtis intensificaram essa rebeldia.

Há por fim o que chamo de senso do belo. Eu o devo graças à convivência com a ciência, com a filosofia, com a ficção e com a poesia. Ensinaram-me o cosmopolitismo, deram-me a capacidade de me espantar com sutilezas, de não hierarquizar as áreas do conhecimento, de entender que em essência somos os mesmos. Desde quando eu era bem jovem, a literatura e a filosofia me incutiram uma ideia de coletividade, de pertencimento. A rigor, esse pertencimento poderia ser outro senso, mas o deixo como consequência do senso do belo. Existe beleza em constatar que “as pessoas são as mesmas aonde quer que você vá”, como na letra de “Ebony and ivory”.

Não exagero se digo que sou resultado do que tenho lido. O que sou, o que penso e o que faço são consequências de minha convivência com as palavras, que me deixam mais lúcido, que fazem com que eu fique de bem comigo mesmo, aceitando-me sem comodismo. Não deletei utopias. À medida que a gente vai envelhecendo, vai ficando cada vez mais com os pés no chão, o que é benéfico. Mas, graças à convivência com livros, não joguei fora a rebeldia que é sonhar. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

VINTE E SETE DE MARÇO


Se vivo estivesse, o senhor Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo, completaria hoje cinquenta e quatro anos. É por isso que posto uma canção do Legião Urbana. Era uma das preferidas do Renato, conforme o que ele dizia nos shows.

No dia vinte e nove de agosto de 1992 conferi um show da banda em Uberlândia, no UTC. Tendo chegado cedo à cidade, fui para um dos hotéis em que os legionários poderiam estar. Chegando lá, fiquei sabendo que estariam em outro hotel, que fica perto. Fui para lá e fiquei aguardando. Quando a banda chegou, tive a oportunidade de pegar o autógrafo do Renato Russo.

Ele era baixo, muito magro. Foi muito atencioso conosco, os que ficamos o aguardando na porta do hotel. Perguntei para ele se ele se lembrava de ter tocado em Patos de Minas. Ele me olhou com cara de espanto e me perguntou se eu estava no show; eu disse que não estava, e completei dizendo que eu tinha onze anos na época. Ele então brincou: “Poxa, estou ficando velho”. Infelizmente, não ficou. 

domingo, 12 de maio de 2013

"SOMOS TÃO JOVENS"

“Somos tão jovens” (Brasil, 2013) é uma obra de ficção inspirada na juventude de Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo. O diretor é Antonio Carlos da Fontoura. Thiago Mendonça, que interpretou o Luciano, da dupla Zezé di Camargo e Luciano, no filme “Dois filhos de Francisco”, é Renato Russo em “Somos tão jovens”.

Devido a uma birra boba, raramente assisto a cinebiografias. Por causa dessa bobeira, entrei no cinema sem botar muita fé em “Somos tão jovens”. Contudo, logo na abertura, deixei-me levar pelo belo arranjo de “Tempo perdido”, canção de que extraíram o título do filme.

Antonio Carlos da Fontoura achou o tom ao contar, na visão dele, como o jovem Renato tornar-se-ia o Renato Russo: o filme está cheio de piscadelas para os fãs mais inveterados, sem ao mesmo tempo deixar de elucidar para os não iniciados a trajetória juvenil do vocalista do Legião Urbana.

O filme teve a colaboração de Carmem Manfredini, irmã do Renato (logo no começo, depois que ele cai da bicicleta, ela aparece rapidinho,  socorrendo--o). Ainda no começo, ele, de cama, vítima de epifisiólise, mergulha em leituras, discos e devaneios. Tais mergulhos mostrar-se-iam profícuos no futuro.

Algumas pessoas me disseram que não gostaram do modo como retrataram o primeiro show da Legião, que foi realizado aqui em Patos de Minas, no dia cinco de setembro de 1982. Philippe Seabra, ex-integrante da Plebe Rude, está na pele do prefeito local, que era Dácio Pereira da Fonseca.

As cenas desse primeiro show foram rodadas em Paulínia/SP. Os que não gostaram como Patos foi retratada alegam que a cidade teria sido mostrada de modo caipira e caricato. Contudo, suponho que era essa a impressão que a cidade deveria causar naquele tempo (e talvez ainda cause). As cenas, breves e de enquadramentos fechados, não me incomodaram.

No filme, em companhia do prefeito durante o show, há uma atriz que interpreta, suponho, a Rainha do Milho (concurso de beleza realizado anualmente no mês de aniversário de Patos de Minas) da época — Denise de Oliveira Braz. Contudo, mesmo isso não tendo importância, levando-se em conta que é uma história de ficção, ainda que inspirada num personagem real, preciso confirmar se o prefeito e a Rainha do Milho estiveram presentes no show.

Marcos Bernstein é o responsável pelo roteiro, que teve a consultoria de Carlos Marcelo, autor do livro “Renato Russo — o filho da Revolução”. “Somos tão jovens” tem pitadas de humor e acerta em não endeusar a figura de Renato Russo. Quanto ao contexto, é um barato ver retratados, de um lado, a efervescência dos jovens roqueiros burgueses de Brasília naquela época, e, de outro, o tédio de que padeciam, num país assolado pela ditadura militar. “Somos tão jovens” é verossímil e tem atuação primorosa de Thiago Mendonça.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

FILME SOBRE RENATO RUSSO SERÁ LANÇADO


Uma cinebiografia de Renato Russo, ainda sem data de estrear, terminou de ser filmada. A película, intitulada “Somos tão jovens”, vai abordar a adolescência e a juventude do roqueiro, na intenção de “explicar” como Renato Manfredini Júnior (nome real do roqueiro) tornar-se-ia Renato Russo. O diretor é Antônio Carlos da Fontoura.

Um projeto com tal intenção não poderia deixar de abordar o primeiro show do Legião Urbana, que foi realizado aqui em Patos de Minas no dia cinco de setembro de 1982. A efeméride está no filme. Contudo, as cenas foram rodadas em Paulínia/SP.

O vídeo desta postagem tem cenas dos bastidores de “Somos tão jovens”. Uma delas mostra o Philippe Seabra, ex-integrante da Plebe Rude, fazendo o papel do prefeito local, que na época era Dácio Pereira da Fonseca. 

Seabra, penso, foi escolhido por também ser da turma do rock de Brasília em fins da década de 70 e começo da de 80. Mas como sou daqui, não deixei de achar um tanto engraçado o ex-integrante da Plebe Rude fazer o prefeito da época aqui em Patos. Além do mais, a Plebe Rude também esteve aqui naquele cinco de setembro. Seabra já falou disso.

Renato Russo será interpretado por Thiago Mendonça. O ator foi o Luciano, aquele que forma a dupla com o Zezé, no filme “Dois filhos de Francisco”. Dado Villa-Lobos será interpretado por Nicolau Villa-Lobos; este é filho daquele. (Penso que para um pai isso dever ser a glória, não?) Para mais informações sobre o filme, clique aqui.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

WAGNER MOURA EM TRIBUTO À LEGIÃO URBANA

Quando fiquei sabendo que o ator  Wagner Moura  participaria  de um show--tributo ao Legião Urbana, ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, logo pensei que Moura fosse também um cantor de mão cheia, além do estupendo ator que é.

Ele não é um grande cantor. Nas mais de duas horas de show, o que se vê é um emocionado Wagner Moura se comportando e cantando como um fã – não como um profissional que domina as manhas do palco e do canto.

Frases como “essa é, talvez, a noite mais emocionante de toda a minha vida” ou “essa banda mudou a minha vida” evidenciam a intensidade da admiração que Moura tem pelo Legião. Também por ele não ser um bom cantor, a iniciativa foi taxada de caça-níqueis. Não fiquei com a impressão de que o ator estivesse naquele palco por dinheiro.

O show contou com a participação de Andy Gill, guitarrista da banda inglesa Gang of Four, de que Renato Russo era fã. Com Gill tocando guitarra no palco (e com Moura fora dele), Dado Villa-Lobos cantou “Damaged goods”, do repertório do Gang of Four; durante a canção, citaram “Love will tear us apart”, do Joy Division. No baixo, o também convidado Bi Ribeiro, dos Paralamas.

Se por um lado Wagner Moura não convence como  cantor,  por outro  tem--se o entusiasmo de um fã que estava num palco, ao lado de Bonfá e  Villa--Lobos, apresentando-se para milhares de pessoas, as quais cantavam em uníssono as canções que mudaram a vida de Moura.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

WAGNER MOURA CANTA LEGIÃO URBANA

O ator Wagner Moura vai participar de um show cantando Legião Urbana, ao lado de Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos. Segundo divulgado, vai haver uma única apresentação do espetáculo, no dia 29 de maio, em São Paulo.

A ligação de Moura com a música não é nova: com amigos de Salvador, há vinte anos ele tem a banda Sua Mãe. Sobre o show com o baterista e o guitarrista do Legião, o ator declarou, segundo a página da MTV: “Eu me sinto exatamente como um fã que foi pinçado no meio da plateia e convidado a estar ali no palco junto com meus grandes ídolos. A Legião Urbana é a maior banda brasileira de todos os tempos, uma banda que mudou minha vida, e eu me sinto muito privilegiado de ter sido convidado para fazer isso, eu não perco essa oportunidade por nada no mundo”.

Por fim, Wagner Moura confirma não ser intenção dele “encarnar” Renato Russo, mas, sim, prestar uma homenagem à banda de que é fã.

Para quem está a fim de conferir, mais informações podem ser obtidas aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

LEILA PINHEIRO GRAVA CD COM REPERTÓRIO DO LEGIÃO URBANA

Recentemente, comentei neste blogue sobre o portal do Legião Urbana. Há pouco, terminei de escutar o CD Meu segredo mais sincero, da cantora Leila Pinheiro; o trabalho está sendo lançado pela gravadora Biscoito Fino. O CD é composto por releituras de canções do Legião Urbana. Em 1988, ela já havia regravado Tempo perdido.

A produção é caprichada, os arranjos são sofisticados. Leila Pinheiro, no jornal O Dia, relembra uma tarde em que recebeu a visita de Renato Russo: “Ele veio à minha casa e compusemos ‘Hoje’, nossa única parceria, que também gravei nesse CD. Pena que foi só uma, porque sei que teria muito mais por vir”.

O título do CD é uma alusão a um dos versos de Daniel na cova dos leões, faixa do segundo CD do Legião. As seguintes canções compõem o trabalho de Leila Pinheiro: Ainda é cedo, “Índios”, Quando você voltar, O teatro dos vampiros, Angra dos Reis, Daniel na cova dos leões, Hoje, Pais e filhos, Tempo perdido, Há tempos, Metal contra as nuvens, Eu sei, Andrea Doria, La solitudine (não faz parte do repertório do Legião, mas de um dos CDs solos de Russo) e Perfeição (essa é uma vinheta de 36 segundos em que Leila Pinheiro, sem a inserção de acompanhamento musical, canta um trechinho de Perfeição).

Para conferir o site do trabalho, clique aqui.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

LEO JAIME E RENATO RUSSO

Pessoas, ontem (24/6), no começo da noite, ao abrir a página principal de um provedor, li que um bate-papo com Leo Jaime acabara de começar.

Decidi entrar na sala, na esperança de fazer pelo menos uma pergunta para ele. Das duas que enviei, uma delas foi aprovada pelo moderador. Tanto a minha pergunta quando a resposta do Leo Jaime estão abaixo, na íntegra.

Com relação à regravação de “‘Índios’”, pretendo executá-la em breve, no Caiu na Rede.
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(06:51:07) Lívio fala para Leo Jaime: Leo, gostaria que você falasse sobre sua amizade com Renato Russo e sobre sua regravação de "'Índios'".

(06:54:05) Leo Jaime: Livio Renato foi um grande amigo. Convivemos muito intensamente nos últimos anos de sua vida. Tínhamos um grupo chamado ASA (Amantes da sétima arte) que via filmes e batia papos sobre. Era mais curtição que qualquer coisa. Ajudei no reencontro da Legião, em uma época em que eles andavam meio afastados, há dois anos sem fazer shows. "Cedi" dois cara [sic] da minha banda pra tocar com eles, o Trilha e o Gian. O Trilha acabou produzindo os discos solo dele. Grande amigo! Mas ele não gostava da minha gravação de Ìndios. Eu também prefiro a dele. Rs

domingo, 21 de junho de 2009

RENATO RUSSO - O FILHO DA REVOLUÇÃO

Terminei de ler hoje o excelente livro “Renato Russo – o filho da revolução” (Editora Agir), do jornalista Carlos Marcelo, nascido em 1970.

Certa vez, em entrevista, Renato Russo, nascido no dia 27 de março em 1960, disse que às vezes se sentia como uma espécie de irmão mais velho da juventude brasileira. Carlos Marcelo, nascido na Paraíba mas tendo feito carreira profissional em Brasília, é um desses “irmãos” mais jovens.

No fim do livro, o jornalista comenta que a ideia de escrever sobre Renato Russo já existia desde quando esteve no fatídico show realizado no estádio Mané Garrincha, em Brasília, no dia 18 de junho de 1988. A banda deixou o palco antes que o show completasse uma hora; houve quebradeira e gente ferida no estádio.

Um dos grandes méritos do livro é a contextualização histórico-política que o autor faz do Brasil nas décadas de 60 e 70. Enquanto a ditadura descia a lenha, jovens burgueses de famílias ricas iam construindo o rock feito na capital do País.

O show aqui em Patos de Minas, no dia 5 de setembro de 1982, por ter sido o primeiro da Legião Urbana, é mencionado no livro. Curiosamente, há duas fotos tiradas num lugar identificado como Lagoa Formosa. Segundo a publicação, uma das fotos é de 1983 (a outra parece ter sido tirada no mesmo dia – não há a data no livro; uma das fotos está na pág. 5; a outra, na 238).

Consultei no saite do IBGE. A única cidade com o nome de Lagoa Formosa é a que fica perto daqui, o que me leva a crer que Lagoa Formosa devia ser (ou ainda é) o nome de algum lugar em Brasília. (Caso alguém aí saiba, gentileza dizer.)

O livro de Carlos Marcelo é rico em material iconográfico. Há várias fotos de Renato Russo em diferentes fases da vida, bem como fac-símiles dos cadernos do artista, que continham desde rascunhos de letras de música a projetos musicais. Numa das anotações, há a referência ao show aqui em Patos de Minas.

Também é curioso acompanhar os pareceres dos censores do regime militar quando impediam a veiculação de obras musicais, não somente do Legião Urbana. Apesar da tragédia que foi a ditadura, a empáfia e o discurso empoado dos censores soam hoje engraçados e ridículos – o livro tem fac--símiles de alguns pareceres e trechos de outros.

Percebe-se que o livro é fruto do trabalho de um jornalista que é também fã. Por outro lado, os defeitos de Renato Russo não deixam de ser mencionados. A biografia tem o mérito de esmiuçar o ser humano que havia por trás do publicamente atribulado roqueiro. 

quinta-feira, 11 de junho de 2009

LIVRO SOBRE RENATO RUSSO

Pessoas, recebi ontem o livro "Renato Russo - o filho da revolução", de Carlos Marcelo. Assim que o ler, deixo comentário por aqui.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ADRIANA CALCANHOTO E RENATO RUSSO

Fui até o Youtube a fim de assistir a uma gravação feita ao vivo de "Andrea Doria", do Legião. Antes mesmo de conferir o vídeo, dei uma olhada nas demais opções. Uma delas dava conta de Adriana Calcanhoto e Renato Russo cantando “Esquadros”, canção de que sempre fui fã. Muito curioso, cliquei logo para assistir. Afinal, era a chance de conferir, juntos, dois artistas que admiro demais – o vídeo está logo abaixo.

Em 1992, tive o privilégio de assistir a um show do Legião em Uberlândia. Cheguei à cidade ainda de manhã, para comprar o ingresso. Garantida a entrada, fui até um dos grandes hoteis da cidade para perguntar se a banda ficaria hospedada lá. Ficariam num outro. Fui até esse outro e perguntei a que horas chegariam.

Como o pessoal da recepção disse que não sabia, fiquei aguardando. Fui até uma papelaria em frente ao hotel e comprei papel e caneta, com a intenção de conseguir um autógrafo. O Legião chegaria umas quatro horas depois.

Assim que entraram, um segurança barrou o acesso dos fãs. Ficamos esperando, enquanto Renato assinava papeis na recepção. Um garoto de uns 12 anos passou por baixo do segurança. Se fosse trazer o garoto de volta, os demais fãs entraríamos...

Da entrada, pude ver Russo autografando os discos do garoto. Depois que terminou de autografá-los, o cantor veio até nós, que ficamos abobalhados de verdade, sem saber o que dizer. Ele então tomou a iniciativa:

– Oi, gente.

Aí, foi aquela loucura: todos queriam autógrafo.

Chegada minha vez, perguntei para ele:

– Renato, você se lembra de ter tocado em Patos de Minas?

Ele, frágil e baixo, olhou para cima, fazendo cara de surpreso, e me perguntou:

– Lembro. Cê tava no show?!

– Não. Na época eu tinha onze anos.

– Pô... Tô ficando velho...

Saí feliz do hotel por ter conseguido pegar um autógrafo. Sobre o show, escrevi na época. Caso queira, confira no site liviosoares.com.


domingo, 24 de maio de 2009

AMOR E DOR

Certa vez, numa entrevista, Renato Russo disse que “Eduardo e Monica” é uma canção de amor, mas não uma canção de amor que rima amor com dor e paixão com coração.

Das histórias de amor que andam contando por aí, não consigo imaginar uma tão atípica quanto a de “Despedida em Las Vegas” (“Leaving Las Vegas”, EUA, 1995), do diretor Mike Figgis.

No filme, Ben (Nicolas Cage) e Sera (Elisabeth Shue) se encontram em Las Vegas. Ben havia sido despedido de seu emprego como roteirista de cinema devido ao alcoolismo. Decide então ir para Las Vegas e beber até morrer, promessa que cumpre a rigor. O filme é baseado no romance “Leaving Las Vegas”, do escritor John O’Brien.

Ben, alcoólatra empedernido; Sera, prostituta. Numa das noitadas dele, acabam se encontrando. O amor surge e une as duas trágicas existências. À medida que o filme prossegue, Sera relata a alguém que nunca aparece (um analista? um amigo?) a história vivida com Ben.

“Despedida em Las Vegas” é uma história com dor, paixão, amor e coração. Mas uma história de rimas preciosas. Uma história tão inusitada quanto o próprio amor pode ser.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

NASI

Cheguei há pouco. O que posso dizer é que tive o privilégio de conferir uma noite histórica: num mesmo palco, durante um mesmo show, pude curtir Nasi, George Israel, Marcelo Bonfá e Charles Gavin; este não estava previsto, mas apareceu no fim do show e deu uma canja – mais cedo, fizera show com os Titãs.

Não falarei de cada um nem do legado que têm produzido. Só digo: a sensação com que fiquei, é a de que a plateia não entendeu bem o que estava acontecendo. Parece que estavam mais a fim de curtir o bate-estaca que viria depois.

Pensei que Bonfá (que mencionou o primeiro show da Legião Urbana aqui em Patos de Minas e se embananou no meio de "Pais e filhos") “apenas” tocaria bateria; ele também cantou. Pensei que George Israel “apenas” tocaria saxofone; ele também cantou. O restante da banda é de uma competência e de uma “pegada” absolutas. Puro rock. (Infelizmente, não sei os nomes dos integrantes da banda que acompanhou Nasi.)

Ficou no ar um clima de show certo no lugar errado. Estou convencido de que se fosse num grande centro, fãs e imprensa estariam comentando o encontro que houve nesta madrugada em Patos de Minas. Achei o público frio e desinteressado. Pareciam não entender muito bem o que estava acontecendo.

Ainda assim, saí do parque de exposições de alma lavada. De Raul Seixas a Legião Urbana, passando por Ira e Cazuza, berrei e pulei. De saideira, fizeram James Brown – and I felt good.