Quando o escritor é grande, a releitura é parcial. Relembramos personagens, enredo, versos, trechos: isso, claro, é sintoma de releitura. Contudo, a releitura pode ser também leitura, por trazer ineditismos, nuances não percorridas previamente. É como se voltássemos ao rio de Heráclito. O grande livro é um rio estático. Mas é rio. Quando voltamos a nos banhar, já não somos mais os mesmos. As palavras estão imóveis, não foram reconfiguradas, não mudaram de lugar. Nós é que mudamos. Nessa mudança, quanto mais crescemos, maior é o livro-rio.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Apontamento 349
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sexta-feira, 15 de julho de 2016
Fotopoema 394
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sábado, 19 de dezembro de 2015
HERÁCLITO
No limiar, esquecido de todo mistério,
refugiou-se em silêncio líquido e espesso,
mergulhando hábil nas águas do rio.
Do outro lado, acolhido pela margem,
voltou, mergulhado em todo mistério.
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