Ontem, publiquei que meu recente livro, Dislexias, lançado recentemente em Patos de Minas, está à venda pela página da Livraria Cultura. Ele pode também ser adquirido por intermédio da página da Livraria da Travessa. Caso queira adquirir o Dislexias a partir desta página, o endereço é este.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Meu livro à venda em outra livraria
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Conto 85
Ernesto amanheceu; foi informado, via celular, num treze de abril, que se comemorava nessa ocasião o dia do beijo. Amuado, pensou consigo: “Ah, mais uma data inventada pelo comércio”. Antes mesmo de sair da cama, ocorreu-lhe uma ideia. Pegou o telefone; escreveu: “Sou informado de que hoje é o dia do beijo. Eu não sabia da existência de um dia dedicado a ele. De qualquer modo, para mim, a data não faz sentido, pois teus lábios não estão por perto”. Tendo acabado de digitar, deletou a mensagem.
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terça-feira, 12 de abril de 2016
Meu livro à venda
Pessoas, confirmo: meu recente livro, Dislexias, está à venda na Livraria Cultura. Caso queiram adquirir, é só clicar aqui.
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Versos de caminhoneiro
Não importam
as estradas
por que ando.
Momento não há
em que não percorres
os caminhos
de meu coração.
as estradas
por que ando.
Momento não há
em que não percorres
os caminhos
de meu coração.
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Tempero
O amor é um.
Os amantes, muitos.
Cada um que ama
tempera o amor
com aquilo que é.
Que tal um jantar?
Os amantes, muitos.
Cada um que ama
tempera o amor
com aquilo que é.
Que tal um jantar?
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"Vou na valsa"
Ao mesmo tempo, eu estava escutando “Paciência”, do Lenine, e lendo “Fogo pálido”, do Vladimir Nabokov. Enquanto Lenine cantava “enquanto o tempo / Acelera e pede pressa / Eu me recuso, faço hora / Vou na valsa / A vida é tão rara”, passei os olhos sobre o seguinte trecho de “Fogo pálido”: “Quando a vida caminha mais lentamente, a gente repara nas coisas secundárias” (tradução de Jorio Dauster e de Sérgio Duarte).
A vida é rara. Vamos levando um arremedo de vida, cheia do que parece ser civilizado, correto; vamos nos tornando especialistas em eficácia, cumprindo prazos para um monte de besteiras travestidas de inteligência; besteiras assépticas, falsamente sagazes. Nesse cenário, vale o paradoxo de que as coisas secundárias (resgatando a expressão de Nabokov) é que nos libertam da tirania cheia de horários bobos que o cotidiano nos impõe.
Nessas digressões, acabei me lembrando de um texto do poeta Alberto da Cunha Melo. Eis um trecho: “De quando em quando faltaremos / a algum compromisso na Terra, / e atravessaremos os córregos / cheios de areia, após as chuvas. // Se alguma súbita alegria / retardar o nosso regresso, / um inesperado companheiro / marcará o nosso cartão”. Corramos menos, reparemos em coisas secundárias.
A vida é rara. Vamos levando um arremedo de vida, cheia do que parece ser civilizado, correto; vamos nos tornando especialistas em eficácia, cumprindo prazos para um monte de besteiras travestidas de inteligência; besteiras assépticas, falsamente sagazes. Nesse cenário, vale o paradoxo de que as coisas secundárias (resgatando a expressão de Nabokov) é que nos libertam da tirania cheia de horários bobos que o cotidiano nos impõe.
Nessas digressões, acabei me lembrando de um texto do poeta Alberto da Cunha Melo. Eis um trecho: “De quando em quando faltaremos / a algum compromisso na Terra, / e atravessaremos os córregos / cheios de areia, após as chuvas. // Se alguma súbita alegria / retardar o nosso regresso, / um inesperado companheiro / marcará o nosso cartão”. Corramos menos, reparemos em coisas secundárias.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Este amor
Este amor
que enche rios,
avenidas, casas.
Este amor que
preenche a noite
de estrelas.
Este amor que
é meu, é teu
e que está
no açaí
que partilhamos.
Este amor difícil
porque imenso,
porque distante,
porque não agora.
Este amor
que insiste
porque amor.
que enche rios,
avenidas, casas.
Este amor que
preenche a noite
de estrelas.
Este amor que
é meu, é teu
e que está
no açaí
que partilhamos.
Este amor difícil
porque imenso,
porque distante,
porque não agora.
Este amor
que insiste
porque amor.
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domingo, 10 de abril de 2016
A feia natureza da fotografia
Seja por motivos bons, seja por motivos ruins, sempre me lembro de um dos versos da canção “Ebony and ivory”, sucesso de Paul McCartney, com a participação de Stevie Wonder: “As pessoas são as mesmas aonde quer que você vá”. Há pouco, terminei de ler matéria intitulada “The ugly side of wildlife photography”. Por motivos ruins, eu me lembrei do trecho de “Ebony and ivory”.
Na matéria, o autor, Ananda Banerjee, relata que a popularização da fotografia digital, as facilidades proporcionadas pela tecnologia e o barateamento dos equipamentos fotográficos fizeram com que o número de fotógrafos de natureza aumentasse muito. Com isso, áreas de proteção ambiental têm sido invadidas por grupos de fotógrafos profissionais e amadores; o problema é que tanto estes quanto aqueles estão prejudicando o ambiente dos bichos.
Como exemplo, Banerjee menciona que ninhos são destruídos por fotógrafos. Segundo ele, há espécies de aves que, ao fazer o ninho, inserem galhos ou folhagens em torno dele, a fim de se resguardarem de predadores. Ainda de acordo com a matéria, há fotógrafos que, para conseguirem o registro, afastam a proteção em torno do ninho, fotografam à vontade e largam o ninho desguarnecido. Para piorar, ainda segundo Banerjee, há fotógrafo que destrói os ovos ou mata os filhotes que estejam no ninho, para que ninguém mais tenha a possibilidade de registrar o que ele conseguiu.
O texto de Banerjee menciona ainda que tigres têm sido acuados por fotógrafos inescrupulosos, que acabam se aproximando demais do espaço que é dos animais, causando incômodo e estresse nos felinos. Não raro, os tigres reagem; no corpo da matéria, há dois vídeos que mostram a reação de tigres diante da invasão dos humanos. Para conferir o texto (em inglês), o “link” é este.
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sábado, 9 de abril de 2016
Bilíngue
Foram duas,
as quedas.
He fell
in love.
Ela caiu
na gargalhada.
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Não agora
Tu és
safadinha,
mas imatura.
Quando a imaturidade
for embora,
que ainda
me queiras.
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Apontamento 328
Há coisas que o dinheiro não compra. Isso não quer dizer que seja ruim ter dinheiro para comprar as coisas que ele compra.
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quinta-feira, 7 de abril de 2016
(Des)apontamento 50
Em regra, os “nãos” que venho recebendo quando tento lançar meus livros são protocolares. Todavia, houve um “não” de que não me esqueci. Tendo, por e-mail, entrado em contato com uma editora, perguntei se eu poderia enviar originais meus para avaliação deles. Naturalmente, eu conhecia o perfil da casa; sabia que, além de editarem clássicos, abriam as portas para autores desconhecidos ou que estavam publicando pela vez primeira. Enviado o e-mail, fiquei aguardando. A resposta veio: “A editora [...] só publica autores consagrados”.
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quarta-feira, 6 de abril de 2016
Rios
Uns dizem que o amor habita o cérebro.
Outros garantem que o amor mora no coração.
Já outros, que faz morada no cérebro e no coração.
Por fé, dou testemunho de que meu corpo é amor.
Asseguro que veias e artérias fazem circular amor
em tudo aquilo que em mim é corpo.
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(Des)apontamento 49
É mais comum tirar uma foto muito ruim sem querer do que tirar uma foto muito boa sem querer.
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terça-feira, 5 de abril de 2016
(Des)apontamento 48
Houve um tempo em que tive muita facilidade em voltar a um lugar depois de lá ter estado pela primeira vez. Hoje, já me regozijo se consigo voltar para casa sem pestanejar.
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Intertextos
Diante do computador,
ela enumera lembranças.
Deposita na tela
substantivos
quase aleatórios.
Em cada palavra,
uma história.
As histórias
viraram substantivos.
Os substantivos
se tornaram versos.
Ele teve, assim,
momento de poesia.
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Desenredo
Comparar-te-ei
a um livro.
Tu és bela.
Tão bela quanto
um belo livro
de poesia,
tão bela quanto
um belo romance.
Tuas páginas
guardam maravilhas.
Que não tive o privilégio de ler.
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segunda-feira, 4 de abril de 2016
A temperatura do outro
“O calor, como uma roupa, dá vontade de o tirar”, escreveu Fernando Pessoa em “Livro do desassossego”, coleção de apontamentos escritos por Bernardo Soares, mais um dos heterônimos de Pessoa. Em “O planeta dos macacos”, Pierre Boulle escreve, por intermédio do narrador Ulysse Mérou, segundo tradução de André Telles: “A temperatura era elevada, mas suportável”. Até então não sabemos o que seria exatamente uma temperatura elevada. Depois, há dois-pontos esclarecedores, em trecho no qual se diz “cerca de vinte e cinco graus centígrados”.
Fernando Pessoa era português; não há como saber a que temperatura o heterônimo se referia ao se queixar do calor. O trecho não tem indicação da época do ano a que o apontamento se refere; houvesse tal indicação, seria possível um parâmetro, ainda que aproximado, da temperatura que teria levado à queixa de Bernardo Soares.
Já Pierre Boulle era francês. O narrador criado por ele define como “elevada” uma temperatura de vinte e cinco graus centígrados. Nós, brasileiros, viventes em país tropical, não adjetivaríamos, suponho, como alta uma temperatura de vinte e cinco graus. Não é descabido imaginar que o calor sentido por Bernardo Soares fosse, para nós, brasileiros, uma temperatura, quem sabe, um tanto amena.
O ponto de partida de qualquer compreensão é, antes de tudo, o que somos, aquilo que nos é inteligível, o que nos é familiar. Se um calor de vinte e cinco graus parece elevado para um, mas suave para outro, isso não deve ser encarado como falta de capacidade ou como imprecisão da palavra em alcançar nossos meandros, mas, sim, como possibilidade de exercício de compreensão do outro a partir de simples relato quanto à temperatura de um ambiente.
Divisão silábica
Semana:
sem Ana.
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Apontamento 327
Não existe escritor à frente de seu tempo: o que existe são escritores que percebem com engenho e com acuidade o tempo em que vivem.
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Apontamento 326
Ninguém tem todas as palavras de que precisa. O grande escritor nos deixa com a sensação de que as tem.
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Apontamento 325
Visitou o exterior; voltou dizendo que o Brasil e sua cultura são inferiores ao que há lá fora. Não entendeu que o rock não impede o congado, que a música caipira não impede a erudita, que Machado de Assis não impede Choderlos de Laclos.
domingo, 3 de abril de 2016
Manha
Se a palavra
não vem até mim,
vou atrás dela: leio.
Sestrosa, a palavra,
sem palavra,
não se entrega.
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Apontamento 324
Seu corpo precisa corresponder a seu talento.
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Outras saudades
Saudade de
tuas sobrancelhas,
tuas orelhas,
teu nariz,
teus ombros,
teus antebraços,
teus anelares,
teu umbigo,
teus joelhos,
teus pés.
Embora multiforme,
minha saudade
tem um só desejo.
Minha saudade
é versátil,
mas é tua.
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Apontamento 323
A maior invenção de Fernando Pessoa são os Fernandos Pessoas.
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sexta-feira, 1 de abril de 2016
Linguagens
A língua no corpo.
A língua do corpo.
A língua no papel.
O papel da língua.
Somos língua e corpo.
Somos corpo e linguagem.
A palavra é poder da língua.
A língua é poder do corpo.
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Sobre a ineficácia das palavras
Não se faz amor com palavras.
Amor é feito de atos.
Portanto, enquanto escrevo,
eu deveria, sim, estar (te) amando.
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Apontamento 322
A beleza não é coisa inventada por sonhadores. Sonhadores é que são coisas inventadas pela beleza.
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O herói de Mariana
Tiago e Mariana se sentaram. Acomodaram-se. Pouco depois, colocaram os óculos. Minutos após, a primeira intervenção dela:
— Mas ele é muito bonito.
Tiago e Mariana continuaram lado a lado. De mãos dadas. Depois de um suspiro, ela diz:
— Gente, gente, como isso é possível?! Sem brincadeira: como pode alguém ser tão bonito?
As perguntas eram retóricas; não eram necessariamente dirigidas a Tiago, não tinham a intenção de estabelecer diálogo com quem estivesse por perto. Após a segunda pergunta, Tiago remexeu-se na poltrona. Mariana volta a falar.
— Isso não é um homem. Não, não é. Isso é um deus. Um deus grego. Nórdico talvez. Não sei. Sei que não há homem mais belo em todo o planeta Terra.
O incômodo de Tiago, que até então estava pequeno, dessa vez agigantou-se. Ele se remexeu na poltrona, largou a mão de Mariana. Ela pegou a mão dele de novo, mais automática do que intencionalmente. Ficaram calados durante pouco tempo. Mariana quebrou o silêncio.
— Eu simplesmente não me canso de olhar pra esse homem. Eu ficaria olhando para esse rosto até o fim da minha vida. Ele é a prova de que a beleza existe, de que a beleza é possível, de que podemos ter acesso a ela. Ele é a prova de que a beleza é algo material. Ela não é algo vago, não é coisa inventada pelos poetas... Não... Esse homem é a materialização de que nós, mortais, podemos ter acesso à beleza. Ele prova que os mortais podem ser belos, podem ser perfeitos, podem proporcionar aos outros o contato com a beleza, com a mais pura e a mais genuína beleza. Esse homem tem uma beleza... desconcertante.
A mão de Tiago, a essa altura, já não estava mais na de Mariana. Enquanto ela falava, ele, irritado, olhava para ela, não a enxergando com muita clareza, em função do ambiente em que estavam. Ele sentia um grande desconforto. Exaltado, sentindo-se ultrajado, levantou-se da poltrona, deixando Mariana para trás, não sem antes dizer para ela:
— Acha ele lindo? Vai morar com ele! Vai! Casa com ele! Cansei disso! Fique você com esse Ben Affleck e esse morcego metido a besta!
Mariana só deixou o cinema depois de terminados os créditos. Estava inebriada.
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Ilusão e sonho
As mais profundas reflexões filosóficas podem estar presentes também na cultura popular. A agudeza de reflexão ou de questionamento filosófico não é privilégio da cultura erudita. Por isso mesmo, a erudição, pelo arcabouço teórico que tem, deveria beber com mais sede a cultura popular.
Há uma canção pop chamada “Time to pretend” (Hora de fingir), da banda MGMT. Lembro-me da primeira vez em que a escutei, quando ela já estava pela metade. Liguei o rádio bem no trecho em que se canta “I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home”. O verso captou minha atenção.
Depois, quando conferi a letra da canção, dei-me conta de que ela narra os devaneios de um eu lírico que se imagina vivenciando o mundo da fama; em especial, o universo do “showbiz”, com seus excessos, suas drogas, seu ritmo veloz, sua carga alta de adrenalina e suas mortes prematuras. “Time to pretend” tem uma temática fascinante demais: é sobre os iludidos, os quixotescos.
Boa parte da canção se refere a um futuro em que, supostamente, haverá tudo o que o dinheiro e a fama podem conseguir. Uma vida sem as chatices e as burocracias impedidoras que nós, os não famosos e os não artistas, temos de levar. É uma canção sobre um iludido, não sobre um sonhador, mesmo eu ciente de que é quase invisível a linha que separa o sonhador do iludido.
_____
P.S. 1: Em 2008, escrevi um texto intitulado Nós, os Iludidos. Eu o menciono por ele estar ligado à temática desta postagem. Caso queira conferir esse texto de 2008, o endereço é este.
P.S. 2: Em 2014, comparei “Time to pretend” a “Babylon”, do Zeca Baleiro. Para conferir, eis o endereço.
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terça-feira, 29 de março de 2016
Jogo dos sete erros
Nós, os errados, somos dois.
Meu erro foi acreditar em seu erro.
Antes de tudo, você se enganou.
Eu me iludi a partir de seu engano.
Você errou ao acreditar que sentia.
Eu errei ao acreditar que você sentia.
A crença pode ser um erro.
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domingo, 27 de março de 2016
Corporal
O olhar entende,
a pele sabe,
os braços compreendem.
O amor é concreto,
tem forma de corpo.
O corpo é que
sabe do amor.
De dentro
do corpo é que
a saudade
quer sair.
O invólucro
do amor
é a pele.
Amor é corpo
querendo corpo.
Do amor,
o corpo é casa.
Tu moras
em meu corpo.
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"Podemos ser heróis"
Brandon Routh é o Super-Homem em “Super-Homem: o retorno”, de 2006, dirigido por Bryan Singer. Há um momento em que ele é levado a um hospital, após cair do espaço. A sequência evidencia o lado “humano” ou “fraco” de um super-herói, que, de repente, está na dependência dos humanos para se salvar.
Seis anos depois, em 2012, veio “O espetacular Homem-Aranha”, dirigido por Marc Webb. O fazedor de teias é interpretado por Andrew Garfield. A despeito das críticas que podem ser... tecidas contra o filme, há uma sequência belíssima em que o cinema, mais uma vez, “fragiliza” ou “humaniza” a figura do super-herói.
Na parte final do filme de Webb, um baleado Homem-Aranha se vê em dificuldades para chegar a tempo a um edifício que está a muitas quadras de distância; o herói tem de impedir o gosmento Lagarto, interpretado por Rhys Ifans, de transformar os humanos em... lagartos. É quando um operador de guindastes aciona outros operadores de guindaste; operando as máquinas, criam uma disposição nelas que permite ao Homem-Aranha chegar ao prédio.
A trilha sonora, sob responsabilidade de James Horner, compõe o elevado clima da sequência, que também enfatiza a interação ou a interdependência entre os humanos e um super-herói. Momento em que homem e super-herói têm uma dependência mútua, sugerindo uma comunhão possível entre seres de diferentes naturezas ou essências. Ou ainda a ideia de que podemos ser “heróis”; ou de que heróis podem, como nós, “fraquejar”. Acabei me lembrando do Bowie: “We can be heroes just for one day”.
Seis anos depois, em 2012, veio “O espetacular Homem-Aranha”, dirigido por Marc Webb. O fazedor de teias é interpretado por Andrew Garfield. A despeito das críticas que podem ser... tecidas contra o filme, há uma sequência belíssima em que o cinema, mais uma vez, “fragiliza” ou “humaniza” a figura do super-herói.
Na parte final do filme de Webb, um baleado Homem-Aranha se vê em dificuldades para chegar a tempo a um edifício que está a muitas quadras de distância; o herói tem de impedir o gosmento Lagarto, interpretado por Rhys Ifans, de transformar os humanos em... lagartos. É quando um operador de guindastes aciona outros operadores de guindaste; operando as máquinas, criam uma disposição nelas que permite ao Homem-Aranha chegar ao prédio.
A trilha sonora, sob responsabilidade de James Horner, compõe o elevado clima da sequência, que também enfatiza a interação ou a interdependência entre os humanos e um super-herói. Momento em que homem e super-herói têm uma dependência mútua, sugerindo uma comunhão possível entre seres de diferentes naturezas ou essências. Ou ainda a ideia de que podemos ser “heróis”; ou de que heróis podem, como nós, “fraquejar”. Acabei me lembrando do Bowie: “We can be heroes just for one day”.
quarta-feira, 23 de março de 2016
"Espanglês"
Só recentemente assisti a “Espanglês” (Spanglish, 2004), do diretor James L. Brooks, que também é o roteirista do filme, o qual é leve, divertido. Todavia não deixa de ser reflexivo e de carregar uma nota de tristeza ante as decisões que a vida nos leva a tomar.
A belíssima Paz Vega interpreta Flor Moreno. Ela deixa o México e vai para os EUA com a filha Cristina, interpretada por Shelbie Bruce. Flor acaba indo trabalhar na casa de John Clasky (Adam Sandler), casado com Deborah Clasky (Téa Leoni). Com Flor, posteriormente, vai a filha dela. John e Deborah têm como filhos um casal de crianças. Também vive com eles a mãe de Deborah, Evelyn, interpretada por Cloris Leachman.
Flor não fala nada de inglês, o que acaba gerando situações divertidas, em função da convivência que ela precisa ter com a família. Antes que ela começasse a tentar aprender o idioma, era auxiliada pela filha, que era a intérprete entre Flor e a família Clasky.
A despeito das neuroses de Deborah e da paciência de John em tentar lidar com elas, o que me chamou a atenção foi mesmo a delicada relação que vai se formando entre John e Flor. Em meio às piadas, tiradas e situações cômicas do roteiro, o que impede “Espanglês” de ser “simplesmente” uma comediazinha romântica são a atuação de Paz Vega e o desfecho do filme.
Há momentos em que Flor olha para John de um modo muito apaixonado e terno, ao mesmo tempo em que se esforça para não deixar transparecer o que sente por ele; essas cenas são o ponto alto do filme. Em determinado ponto, John a leva para o restaurante dele (ele é “chef”), quando o estabelecimento já está fechado. Numa bela metáfora que expressa o estar dividido entre o sonho e a realidade, os pés de Flor se recusam, inicialmente, a tocar o chão, enquanto ela e John estão acomodados num dos móveis do restaurante.
Quando o filme já está quase terminando, é Deborah quem diz a Flor uma frase muito forte. Algo assim: “Eu vivi inteiramente para mim mesma; você vive inteiramente para sua filha. Nós duas estamos erradas”. “Espanglês” é uma daquelas produções que misturam peso e leveza; ou um daqueles filmes em que a leveza não impede que haja reflexões acerca das decisões que somos “obrigados” a tomar.
Para terminar, permitam-me um comentário pessoal sobre Paz Vega: que mulher sensual! Ela me lembrou Nimrat Kaur, que interpreta Ila no filme “The lunchbox”, que também já comentei. Tanto Paz Vega em “Espanglês” quanto Nimrat Kaur em “The lunchbox” vestem figurinos simples mas, que, se observados, não deixam de sugerir a sensualidade das atrizes.
terça-feira, 22 de março de 2016
?
O que faremos
de nossas bocas
se a minha não beija a tua
e se a tua não percorre a minha?
O que faremos
de nossas mãos
se elas não se conduzem?
O que faremos
de nosso tesão
se o meu não causar o teu
e se o teu não provocar o meu?
O que faremos
de nossos corpos
se não estão juntos
de madrugada?
O que faremos
de nossa saudade,
de nossas risadas,
de nossos livros,
de nossos poemas?
O que faremos
do que queremos contar
um para o outro?
O que faremos
de nosso agora
sem um aqui nosso?
O que faremos
de nosso aqui
sem um agora nosso?
O que faremos
de nossos olhares
quando um procurar
pelo olhar do outro?
O que faremos
do bar se não estamos
à mesa?
O que faremos
do chão se ele não apoia
a urgência de nosso amor?
O que faremos
um do outro
se um está
longe do outro?
O que farás de ti?
O que farei de mim?
O que fazer deste texto?
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Clinton, Fidel, Márquez, Obama
García Márquez era amigo de Fidel Castro e de Bill Clinton. Era criticado tanto pela amizade com este quanto pela amizade com aquele. Dizia que muitas das desavenças entre Cuba e EUA desvaneceriam se Fidel e Clinton simplesmente se sentassem para conversar. Hoje, Obama em Havana. Suponho que o escritor teria gostado de assistir a isso.
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segunda-feira, 21 de março de 2016
Trilha sonora
— Amor, vem rápido!
— Acabei de entrar no carro.
— Óh, hoje eu tô mais pra rock do que pra árias.
— Já tô escutando Led Zeppelin.
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domingo, 20 de março de 2016
Do fundo do cérebro
Certa vez, numa aula de inglês do ensino médio, havia na apostila um texto sobre o amor. Um determinado trecho dizia sobre amar do fundo do coração. Foi quando uma aluna pediu para falar: “A gente ama é do fundo do cérebro”.
Eu soube na hora que não me esqueceria disso, por concordar demais com o que ela acabara de dizer. Perguntei à aluna se a frase era dela; ela me disse que não, contando-me de quem ouvira a pérola; não me lembro do nome da pessoa que havia dito a ideia para a aluna. De tempos em tempos, a frase volta a meu... cérebro.
Ontem, fui conferir música ao vivo com os amigos Piêit e Alexandre. Executaram uma canção que eu não conhecia. Mas foi uma daquelas canções pelas quais, de imediato, sentimo-nos atraídos. Hoje, entrei em contato com o Alexandre, que me passou o nome dela: “Love on the brain”, da Rihanna.
Naturalmente, foi só ler o título da canção para que eu me lembrasse do que minha aluna havia comentado em sala de aula. Entrei em contato com o Alexandre há pouco, às 20h43. Desde então, tenho escutado a canção sem parar. Sei que essa história vai longe hoje ainda, bem como vai continuar amanhã. É só uma canção pop. Mas, do fundo do cérebro, logo gostei dela, também pela pegada da letra.
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Bairro
Teu lugar é perto.
Esta lonjura
não combina
com nossas bocas.
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Pegada
Foi quando
ela disse:
“Você me deixa
na boca
um gosto de
quero ais”.
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sábado, 19 de março de 2016
O corpo da palavra
Quando tenho
palavras,
piso firme,
voo alto.
Entre o
chão e
o céu,
meu corpo
entre livros,
meu corpo
entre linhas,
meu corpo
entretido.
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Apontamento 321
Suponho que só uma pessoa se divertia mais do que o leitor diante dos aforismos de Oscar Wilde: Oscar Wilde.
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Gnoma
É sabido que
curvas e
bacadas
ensinam.
Caminhos
retilíneos
e uniformes
também.
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Exortação
Escrevo de chofre uma exortação
para que haja mais uma poeta no mundo.
Não sei se terá muitos leitores.
Asseguro: terá um.
Se há uma poeta
e há um leitor,
há literatura.
Se a literatura vive,
vive quem escreve,
vive quem lê.
Palavra de leitor.
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quinta-feira, 17 de março de 2016
Dois fios
Se cada um deles
sair de sua ponta e
seguir rumo ao meio,
não se acharão:
o fio que os ligava
se rompeu.
Nas mãos de cada,
a metade do fio,
que é a metade de
uma história que
aconteceu pela metade.
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quarta-feira, 16 de março de 2016
Toda
Tuas palavras são uma extensão do que és.
Não me deixes sem elas.
Teu beijo é uma extensão do que és.
Não me deixes sem ele.
Teu gozo é uma extensão do que és.
Não me deixes sem ele.
Tua inteligência é uma extensão do que és.
Não me deixes sem ela.
Tua voz,
teu sorriso,
tuas mãos,
teus cabelos,
teu gosto,
tua vontade de ficar.
Não me deixes tu sem nada de ti.
Tu és uma extensão do amor.
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Apontamento 320
Certa vez, tive de participar, em Belo Horizonte, de um evento promovido pela escola em que eu então trabalhava; uma escola aqui de Patos de Minas. Da programação, constava uma palestra sobre ética. Logo, logo, torci o nariz, supondo de antemão ser mais uma daquelas palestras a que tantas e tantas vezes eu havia assistido: carregada de chavões, de humor duvidoso e forçado e temperada por constrangedoras obviedades.
Com exceção das primeiras palavras do palestrante, de cujo nome não me lembro, não me recordo de mais nada do que ele disse. Todavia, essas primeiras palavras sempre me acompanham desde então. Ao iniciar a fala dele, o conferencista disse que se estávamos lá reunidos para discutir ética, isso seria sintoma de que ela estava faltando. A seguir, sim, afirmou o que foi marcante para mim: “Além do mais, a gente percebe se o sujeito tem ética pelo modo como ele abre uma porta”.
Somos metonímias, metáforas, indícios, índices, signos. Dizemos o que somos em corpo, em palavras e em silêncios. Somos o que dizemos e aquilo que queremos dizer. Nós nos “denunciamos” o tempo todo; em cada gesto nosso dizemos ao outro o que somos; mesmo no silêncio (ou, talvez, principalmente nele), contamos para o outro o que somos. Em contrapartida, no todo, somos maus leitores do que o outro nos envia.
_________
Estou com forte impressão de que já contei sobre o palestrante mencionado acima e de que já escrevi as digressões contidas neste texto.
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Fotopoema 387
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terça-feira, 15 de março de 2016
Concreto e abstrato
Esse
teu corpo...
Essa
tua inteligência...
Quero-te
dos pés
à mente.
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segunda-feira, 14 de março de 2016
Entrevista para o Conexão Unipam
Entrevista que concedi para o programa Conexão Unipam. O bate-papo foi ao ar no dia 11/03. Durante a conversa, falei de meu mais recente livro, Dislexias, lançado aqui em Patos de Minas recentemente.
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Tessitura
Para ti,
uma palavra.
Depois,
outra e outra.
Assim
vou tecendo
a manta que te oferto.
Conforto e aconchego
para aquecer
de dentro
para fora.
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Apontamento 319
Só aparentemente está a árvore desguarnecida: ela tem raízes.
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Haicai 47
Somos nós, é mito.
Podemos até perder o fio da meada,
mas seremos nós, akai ito.
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domingo, 13 de março de 2016
Apontamento 318
Palavras me servem para que eu adentre cada vez mais no reino da beleza e da lucidez.
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Noite nossa
O brilho das estrelas
nos olhos das pessoas.
As cores da noite
no rosto das pessoas.
O cheiro da noite
na pele das pessoas.
As roupas da noite
envolvendo as pessoas.
Um gemido de prazer,
mais um gole,
a mensagem inesperada.
Desejos edificam a noite.
O Sol que nasce nos acolhe.
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quinta-feira, 10 de março de 2016
Apontamento 317
A ignorância truculenta da turba não deve ser motivo para desânimo, mas um dos combustíveis para que não estejamos em meio a ela.
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"Zen Socialismo", de Cynara Menezes
Terminei de ler “Zen Socialismo”, da blogueira Cynara Menezes. O livro, publicado pela imprescindível Geração Editorial, é uma coletânea de postagens da jornalista no blogue mantido por ela, o Socialista Morena.
De viés esquerdista, mas tendo a necessária lucidez de assumir os erros da mesma esquerda que defende, Cynara discute, com coragem, os temas que andam agitando debates ou arremedos de debate no Brasil de hoje. Os títulos das seções do livro já deixam entrever os tópicos abordados pela escritora: #Socialismo #Comunismo, #Brasil, #Literatura, #Camaradas, #Mundo, #Maconha, #Jornalismo, #Vida, #Sexualidade, #Entrevistas.
O texto de Cynara Menezes é simples, direto; tem um coloquialismo que, todavia, não impede a autora de debater em tom adequado os temas polêmicos a que se dedica, seja, por exemplo, a descriminalização do aborto, seja o preconceito contra mulheres, homossexuais, negros e pobres. Por vezes, vale-se do humor para ser didática; o texto “Teorias estapafúrdias da direita comunistofóbica” ilustra tanto o humor quando o didatismo a que me referi.
O estilo simples e os ocasionais toques de humor no texto não retiram a contundência da abordagem de Cynara (ademais, não raro, o humor torna ainda mais contundente um determinado assunto). Não bastasse isso, há espaço para o lirismo ou para a poesia. O texto “Elogio ao loser” é um belo exemplo disso.
Hoje, Cynara trabalha de modo independente. Ela se mantém graças às contribuições financeiras de seus leitores. A jornalista já esteve na Veja e na Folha de S.Paulo, que hoje, como nunca, têm linhas editoriais diferentes dos interesses e dos ideais da Socialista Morena. Para os interessados em conhecer o trabalho dela, ou em com ele contribuir financeiramente, basta clicar aqui. Há também a página no Facebook.
quarta-feira, 9 de março de 2016
(Não) Dito
Eu não deveria dizer,
mas sinto tua falta.
Nem deveria dizer
que penso em ti
o tempo todo.
Muito menos
que acordo
pensando
em ti,
que adormeço
pensando em ti,
que habitas
meus sonhos.
Claro que eu
não deveria dizer
que comprei
“aquele” vinho,
que aparei a barba,
que escrevi
um texto
para ti,
que estou
te imaginando
de vestido.
Eu não
deveria dizer
que vejo
teu rosto
na multidão,
que quero
te contar
o que acontece
comigo.
(Por exemplo:
voltei, de novo,
para a academia.)
Não deveria
eu te dizer
que é em ti
que penso quando
vou escolher
uma camisa
ou quando
tomo café.
Sei que eu
não deveria dizer
o que digo agora.
Nem deveria
dizer da
vontade
de dizer
o que nunca
foi dito.
Mas agora
é tarde.
Algo foi dito.
Que fique,
do dito e
do não dito,
este poema,
que é um
modo de dizer.
Por um lado,
muito calei;
por outro,
algo eu disse.
Depois de tudo,
silêncio.
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terça-feira, 8 de março de 2016
Chama
Eu aqui.
Você aí.
Nesta
história
feita de
distâncias,
estou mesmo
é pensando
em colocar
lenha na
fogueira.
O que
achas?
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Rito
Primeiro,
tirar,
do corpo,
o peso.
Retirar
do corpo
essas coisas
que cheiram
a civilidade.
Deixar o corpo
exalar um pouco
do que ele é.
Feito isso,
resgatar,
da alma,
a leveza.
Vale
humor,
música,
livro,
silêncio,
dança.
O que vier é festa.
Isto é um convite.
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segunda-feira, 7 de março de 2016
Fotopoema 386
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Aos poucos
Pela manhã,
disse que começaria à tarde.
Quando veio a tarde,
deixou para a noite.
Quando veio a noite,
deixou para o outro dia.
Quando veio o outro dia,
deixou para semana seguinte.
Quando veio a semana seguinte,
deixou para o mês seguinte.
Quando veio o mês seguinte,
deixou para o semestre seguinte.
Quando veio o semestre seguinte,
deixou para o ano seguinte.
Quando veio o ano seguinte,
deixou para a década seguinte.
Quando veio a década seguinte,
a vida não resistiu.
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Apontamento 316
A literatura não rejeita nem a transcendência nem a vileza. A literatura comporta o que o ser humano é; nada do que somos deve ser estranho para ela. Servem para o texto literário o momento de ascese ou o desejo de pacto com o demônio, uma cena terna entre amantes ou a maldade absoluta levada a cabo numa viela de uma cidadezinha. A literatura é o que o homem é; é tudo aquilo que ele é capaz de realizar, seja nobre, seja torpe; seja ridículo, seja sagaz; seja engraçado, seja monótono.
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domingo, 6 de março de 2016
Como? Onde? Quando?
Anteriormente, já escrevi sobre o que talvez tenha me tornado um leitor. Já falei de livros e de revistas que me influenciaram. Hoje pela manhã, lembrei-me de duas leituras que, suponho, também fizeram com que eu adquirisse o gosto pelo ato de ler.
Penso haver muito de imprecisão nesses “diagnósticos”. Parece-me impossível rastrear todas as causas que nos fazem sermos o que somos. Suspeitamos de algumas, que podem nem ser causas daquilo que supomos que são. Mesmo assim, arriscamo-nos, e isso é bom, pois é uma tentativa de desvelar um fio que, talvez, leve-nos a nosso passado; quem sabe, leve-nos ao que somos.
Quando estudei no Polivalente, aqui em Patos de Minas, onde acabaria por fazer um curso técnico — edificações —, eu ia com frequência à biblioteca. Lembro-me de, por lá, ter tido contato com a literatura (Fernando Pessoa, por exemplo). Mas havia uma coleção que muito me atraía. Eram, não me lembro ao certo, quatro ou cinco volumes. Os títulos, eram algo assim: “O livro do como”, “O livro do onde”, “O livro do quando”...
Eram escritos em forma de perguntas. Assim, em “O livro do como”, poderia haver uma pergunta do tipo “como se fabrica um livro?”; em “O livro do onde”, poderia haver uma pergunta do tipo “onde ocorreu o Maio de 68?”; em “O livro do quando”, uma do tipo “quando o rádio foi inventado?”. Eu gostava muito de ler os volumes da coleção, que era, em essência, se não me engano, de divulgação científica. Já devo ter dito anteriormente que sempre gostei de ler textos de divulgação científica. É o tipo de leitura que faço até hoje.
Já em outra biblioteca, acho que na do Cesu, tive contato com um livro que deixou marcas em mim. Não me lembro do título, não me lembro do nome do organizador, mas era um livro extenso; continha máximas de cunho edificante. Lembro-me da primeira: “Um caminho de mil léguas começa com o primeiro passo”. Devo ter lido todo o livro durante as frequentes idas ao Cesu. Lá, eu também gostava de ler enciclopédias.
Curiosamente, esse livro de máximas, assim suponho, acabaria influenciando meu jeito de escrever, em que tento dizer as coisas com o mínimo de palavras (já tentei me livrar disso, mas não consigo). Não é o caso de afirmar com veemência que assim escrevo só por causa desse livro, mas parece-me que ele, com os epigramas que continha, teve influência definitiva no meu modo um tanto epigramático de escrever em verso.
Penso haver muito de imprecisão nesses “diagnósticos”. Parece-me impossível rastrear todas as causas que nos fazem sermos o que somos. Suspeitamos de algumas, que podem nem ser causas daquilo que supomos que são. Mesmo assim, arriscamo-nos, e isso é bom, pois é uma tentativa de desvelar um fio que, talvez, leve-nos a nosso passado; quem sabe, leve-nos ao que somos.
Quando estudei no Polivalente, aqui em Patos de Minas, onde acabaria por fazer um curso técnico — edificações —, eu ia com frequência à biblioteca. Lembro-me de, por lá, ter tido contato com a literatura (Fernando Pessoa, por exemplo). Mas havia uma coleção que muito me atraía. Eram, não me lembro ao certo, quatro ou cinco volumes. Os títulos, eram algo assim: “O livro do como”, “O livro do onde”, “O livro do quando”...
Eram escritos em forma de perguntas. Assim, em “O livro do como”, poderia haver uma pergunta do tipo “como se fabrica um livro?”; em “O livro do onde”, poderia haver uma pergunta do tipo “onde ocorreu o Maio de 68?”; em “O livro do quando”, uma do tipo “quando o rádio foi inventado?”. Eu gostava muito de ler os volumes da coleção, que era, em essência, se não me engano, de divulgação científica. Já devo ter dito anteriormente que sempre gostei de ler textos de divulgação científica. É o tipo de leitura que faço até hoje.
Já em outra biblioteca, acho que na do Cesu, tive contato com um livro que deixou marcas em mim. Não me lembro do título, não me lembro do nome do organizador, mas era um livro extenso; continha máximas de cunho edificante. Lembro-me da primeira: “Um caminho de mil léguas começa com o primeiro passo”. Devo ter lido todo o livro durante as frequentes idas ao Cesu. Lá, eu também gostava de ler enciclopédias.
Curiosamente, esse livro de máximas, assim suponho, acabaria influenciando meu jeito de escrever, em que tento dizer as coisas com o mínimo de palavras (já tentei me livrar disso, mas não consigo). Não é o caso de afirmar com veemência que assim escrevo só por causa desse livro, mas parece-me que ele, com os epigramas que continha, teve influência definitiva no meu modo um tanto epigramático de escrever em verso.
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sábado, 5 de março de 2016
O que é trazido
Quando é dia,
meus pensamentos te trazem.
Quando é noite,
meus sonhos te trazem.
A vida não te trouxe.
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sexta-feira, 4 de março de 2016
... E de repente...
Querem nosso fim, sem saberem que sabemos renascer. Na década de 80 (talvez na de 90), vi pichado num muro, na Rua Dona Luíza, aqui em Patos de Minas: “Eles destruíram nossas vidas, mas não as nossas ondas. Assinado: Os Surfistas”. O espírito da fênix habita também as águas, habita a Ilha de Vera Cruz.
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Convite de festa
Hoje a festa é aqui em casa.
Mirando um oceano marinho,
viramos as costas para a terra.
Toda esta festa é em minha casa;
toda a minha casa é para ti.
Meu quintal é o Brasil.
Em uníssono, cantaremos:
hoje a festa é nua,
nossa é a festa hoje,
é daqueles que vierem.
Brindaremos felizes,
enquanto a onda desfere
na areia da praia mais um golpe.
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À porta
Quando a saudade bate,
não há como a gente fingir
que não está em casa.
Ela bate é de dentro para fora.
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Enquanto isso
Procuro um silêncio que não seja bobo.
Silêncio de quem deixa as palavras maturarem,
de quem rumina ideias, desejos, contextos.
Pondero, moldando em quietude aparente
as palavras que serão meu legado.
Estou juntando a multidão de peças.
Em breve, digitarei organização e lucidez.
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quinta-feira, 3 de março de 2016
Hoje de manhã
De uns dias para cá, indo para o trabalho, eu vinha reparando que havia algumas possibilidades fotográficas ali nas imediações do estádio do Mamoré, aqui em Patos de Minas. Hoje pela manhã, parei de adiar, levei a câmera. Nesta postagem, três das fotos que tirei.
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