sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Em palavras

O poema:
minha arma, 
minha catarse, 
mão estendida.

O poema:
meu gostar de mim, 
minha cantada, 
gesto de amor.

O poema:
minha solução, 
meu presente, 
espelho público.

O poema:
meu refúgio,
meu grito, 
solução verbal.

Senha, 
maçã, 
você:
o poema. 

Para Emily Dickinson

Emily Dickinson
guardou abelhas, 
guardou o Brasil.
Foi juntando travessões, 
colecionando Deus 
e a dúvida.
Coube tanta coisa
na casa dela. 
A janela do quarto
dava para o mundo. 
Pela janela do quarto
entravam as estrelas. 
As coisas levaram 
o maior susto
quando foram
encontradas
no quarto de 
Emily Dickinson. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Cheiro de velho

Li há pouco uma brilhante matéria na edição eletrônica da revista The New Yorker. No texto, David Denby escreve sobre o envolvimento cada vez maior dos adolescentes com os telefones e a descrença cada vez maior deles quanto à leitura. Em trecho do artigo, Denby comenta que escutou uma estudante americana dizer de modo pejorativo: “Livros cheiram a velhos”.

Denby argumenta que não há como nem provar nem mensurar os benefícios da leitura. Mesmo assim, vale-se de um argumento prático para advogar a favor do ato de ler: “Um país que tivesse amplamente lido ‘Huckleberry Finn’ teria levado Donald J. Trump a sério por um segundo?”. Para conferir o texto, é só clicar aqui

Eloquentes

Tu falas com os olhos.
Aposto que a (tua) luz também 
está envolvida nessa história. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Luzeiros

Que esta Lua que tudo ilumina 
clareie minhas ideias. 
Sem lado escuro, 
que eu divulgue luz, 
como a Lua que lá fora
deixa cair luz sobre nós.
Que seja eu como ela, 
que não toma para si
a luz que recebe do Sol. 

Dança urbana

Mariana era só conduta protocolar. 
Carimbos, papéis, atas.
Em tédio citadino,
seguia a pé rumo
ao ponto de ônibus.

De repente,
Mariana se permite parar.
De um bar,
vem a canção.
Mariana para.
Primeiro, escuta;
depois, move,
de modo milimétrico,
o tronco.

Milímetros querem
se tornar centímetros.
Mariana teima, reluta.
Vêm os centímetros.
Ela sente que o corpo
não quer ônibus,
mas dança.

Foi quando se rendeu.
Papéis inúteis saíram
dos braços de Mariana,
tomaram conta do espaço.
Até hoje, estão dançando. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Fotos do lançamento de meu livro

Nesta postagem, as fotos do lançamento de meu recente livro — Dislexias. O evento foi realizado na sexta-feira (19/02), no Bar e Restaurante Armazém, em Patos de Minas.

A todos os que foram e a todos os que ajudaram a divulgar, seja em redes sociais, seja convidando amigos, muito obrigado.