segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

(Des)apontamento 47

Estou em débito com a humanidade: não assisti às sagas “Guerra nas estrelas”, “Game of thrones”, “O senhor dos anéis”... Nem nunca li nada de Tolkien. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O corpo do amor

Se escuto tua voz,
se degusto teu beijo,
se toco tua pele,
se cheiro teu corpo,
se olho tua beleza,
meus sentidos
dão uma festa.

Não retiremos, do amor,
as alegrias do ouvido,
os atrevimentos da boca,
as marcas da pele,
os espasmos do corpo,
o embevecimento dos olhos.

Tudo bem o amor não achar palavra,
tudo bem o amor buscar a transcendência.
Todavia, queiramos o corpo.
Amemos o corpo.
Não nos esqueçamos de que
a glória do corpo é o amor. 

Baú

Há aqui em casa 
um baú cheio de 
papéis avulsos,
pleno de coisas boas
que eu deveria 
ter dito a você, 
mas que ficaram
em silêncio.
É feio encaixotar o amor.
Nem no peito deve 
o amor ficar guardado. 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ainda sobre escrever

Escrever, para mim, é sempre um ato de esperança. Primeiro, em mim. Enquanto escrevo, sinal de que ainda nutro alguma esperança no que sou. Mas não só. Quando escrevo, há uma esperança num alguém indefinido, que está em algum lugar, e que, se chegar a me ler, poderá, quem sabe, sentir a vibração da corda da esperança. 

Apontamento 315

A dor da gente ensina melhor do que a dor do outro. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sobre escrever

Há textos que escrevo no calor da emoção; já outros são produzidos depois que determinada agitação ou evento interno já tenha se passado. Certos textos são produzidos em meio ao turbilhão; outros são feitos depois que o tornado se foi. Há textos que parecem estar mais ligados à emoção, ao passo que outros são escritos a partir de deliberados procedimentos mentais. Textos há que são premeditados, calculados, pensados, enquanto outros exigem vir à tona de jeito súbito.

Parece-me não haver uma regra ou um tempo certo para que um texto tome conta do papel ou da tela. Parece-me não ser possível ter certeza dos mecanismos de que alguém se vale quando escreve. Para mim, vale a máxima de que “sem leitura não há literatura”. Não descreio da inspiração, que, no meu caso, existe como fruto de leitura. Em contrapartida, acredito na disciplina: é possível escrever sem inspiração, a qual, muitas vezes, é vista como algo “misterioso”, certamente por influência do Romantismo.

Em meu caso, se leio, inspiro-me. O clique, o estalo, a ideia súbita... Nada disso me ocorre se não leio. Escrever é só um modo de interpretar o mundo, mas, se não leio, não sei interpretar esse mesmo mundo, não sei o que fazer com a constelação de possibilidades que há para que algo seja escrito. Em meu caso, a inspiração é mera consequência mental (por mais feio e técnico que isso possa soar) das leituras que faço. Há muito de inconsciente, de sinapses e de tantas outras coisas que não sei nomear e de que nem faço ideia. 

No mais, quem escreve sabe que não pode sempre contar com a inspiração, não importa como a pessoa a defina. No ato de escrever há muito de treino, de disciplina. “Nem um dia sem uma linha”, prescreviam os latinos. É comum negligenciarmos o poder que o hábito tem. Nem toda repetição é inócua; o processo criativo, é óbvio, não é a linha de produção de uma fábrica; nem por isso, todavia, pode ficar na dependência de eflúvios ou de abstrações. Escrever é um ato do corpo. 

Lançamento de meu livro é na semana que vem

Não gosto de autorretratos, não gosto de ser fotografado. Em redes sociais, não gosto de postar sobre minha vida; prefiro levar a público o que produzo.

Esta foto é quase um autorretrato. Esse “quase” faz com que a imagem esteja aqui. É um pretexto para que eu convide você para o lançamento de meu livro.

Será no dia 19, na sexta-feira da semana que vem, no Bar e Restaurante Armazém, que fica na Doutor Marcolino 113, Centro. A partir de 20h30.

Dislexias, título do livro, contém breves poesias. Está sendo lançado também em Portugal. A editora é a Chiado. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A prece de Maria


Minha convivência com a canção “Mary’s prayer” (que traduzo abaixo) se iniciou no fim da década de 80. A faixa é de 1987; integra o álbum “Meet Danny Wilson”, da banda... Danny Wilson. O trabalhou chegou a ser trilha sonora de uma novela da Globo, o que fez com que fizesse algum sucesso por aqui, embora tal sucesso não tenha sido estrondoso.

Há algum tempo, escrevi que não entendo a temática de algumas canções do Zé Ramalho, o que, claro, não me impede de gostar delas. O mesmo vale para “Mary’s prayer” — por mais que eu leia e releia a letra, não consigo me definir sobre a temática dela.

Já vasculhei na internet: há várias “teorias”. Lembro-me de que uma delas alega que a letra é sobre um assassinato. Gary Clark, o autor, já declarou, laconicamente, que “Mary’s prayer” é apenas uma canção de amor. A despeito do título e das referências à religião, ele negou o teor religioso ou místico da faixa.

Tenho fascínio por “Mary’s prayer”, que é lírica e reflexiva. Trechos como “se você quiser que a fruta caia, você tem de dar uma sacudida na árvore / Mas se você sacudir a árvore forte demais, o galho vai quebrar” têm fina ironia e possibilita profícua reflexão.

Devo dizer que há várias versões da letra da internet. Pela natureza do inglês, é fácil haver confusões quanto a que palavras estão sendo cantadas ou faladas. Tenho comigo que o próprio Jason Donovan, que regravou “Mary’s prayer”, modificou a letra, e, creio, por tê-la escutado incorretamente. Donovan canta “did I have to make mistakes when I was Mary’s prayer”; o correto é “did I have to make this mess when I was “Mary’s prayer”. Além do mais, há uma versão ao vivo no Youtube, com a banda Danny Wilson, em que a pronúncia de “this mess”, em vez de “mistakes”, é muito clara. (Eu também pensava que o correto era “mistakes”; cantei a letra errado por muito tempo.)

Sei que se canta “this mess” pelo seguinte: depois de ter me deparado com uma série de versões do que é cantado por Gary Clark (não somente nesse trecho), entrei em contato com a banda, a partir do canal deles no Youtube, pedindo que me fosse enviada a letra. Um ano depois, quando eu já não esperava mais retorno, recebo a letra, enviada pelo próprio Gary Clark! Minha tradução se baseia no que ele enviou.
______

Danny Wilson — Mary’s prayer

Everything is wonderful, being here is heavenly 
Every single day she sends, everything is free 
I used to be so careless, as if I couldn’t care less 
Did I have to make this mess when I was Mary's prayer 

Suddenly the heavens roar, suddenly the rain came down 
Suddenly was washed away, the Mary that I knew 
So when you find somebody you keep 
Think of me and celebrate 
I made such a big mistake when I was Mary’s prayer 

So if I say “save me, save me”
Be the light in my eyes
And if I say ten Hail Marys
Leave a light on in Heaven for me

Blessed is the one who shares your power and your beauty, Mary 
Blessed is the millionaire who shares your wedding day 
So when you find somebody you’ll keep 
Think of me and celebrate 
I made such a big mistake when I was Mary’s prayer  

So if I say “save me, save me” 
Be the light in my eyes 
And if I say ten Hail Marys 
Leave a light on in Heaven 
Save me, save me 
Be the light in my eyes 
And if I say ten Hail Marys 
Leave a light on in Heaven for me 

If you want the fruit to fall, you have to give the tree a shake 
And if you shake the tree too hard, the bough is gonna break 
And if I can’t reach the top of the tree, Mary 
You can hold me up there 
What I wouldn’t give to be when I was Mary's prayer 

So if I say “save me, save me” 
Be the light in my eyes 
And if I say ten Hail Marys 
Leave a light on in Heaven 
Save me, save me 
Be the light in my eyes 
And if I say ten Hail Marys 
Leave a light on in Heaven 
Save me, save me, be the light in my eyes 

What I wouldn’t give to be when I was Mary’s Prayer 
What I wouldn’t give to be when I was Mary’s Prayer 
What I wouldn’t give to be when I was Mary’s Prayer 
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Danny Wilson — A prece de Maria

Tudo é maravilhoso, estar aqui é celestial
A cada dia ela se expressa, tudo é livre
Eu era tão descuidado, como se eu não pudesse cuidar menos
Eu tinha de fazer essa bagunça quando eu era a prece de Maria?

De repente um estrondo no céu, de repente a chuva caiu
De repente foi levada embora a Maria que eu conheci
Então quando você achar alguém com quem ficar
Pense em mim e celebre
Eu cometi um erro tão grande quando eu era a prece de Maria

Se eu disser “me salve, me salve”
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso para mim

Abençoado é aquele que partilha de seu poder e de sua beleza, Maria 
Abençoado é o milionário que partilha do dia de seu casamento
Então quando você achar alguém com quem vai ficar
Pense em mim e celebre
Eu cometi um erro tão grande quando eu era a prece de Maria

Então se eu disser “me salve, me salve”
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso
Me salve, me salve
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso para mim

Se você quiser que a fruta caia, você tem de dar uma sacudida na árvore
E se você sacudir a árvore forte demais, o galho vai quebrar
E se eu não conseguir alcançar o topo da árvore, Maria
Você pode me segurar lá em cima
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria

Então se eu disser “me salve, me salve”
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias 
Deixe uma luz acesa no Paraíso
Me salve, me salve
Seja a luz em meus olhos
E se eu disser dez ave-marias
Deixe uma luz acesa no Paraíso
Me salve, me salve, seja a luz em meus olhos

O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria
O que eu não daria para ser quando eu era a prece de Maria

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Conta-gotas

A natureza
não tem pressa.
Na gruta,
clepsidra natural:
a estalactite
deixa cair
gotas do tempo. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ato e palavra

Leva-se tempo para 
que haja uma palavra. 
Leva-se tempo para 
que haja um texto.

Leva-se tempo para 
que haja uma chama. 
Leva-se tempo para 
que haja um amor.

Leva-se tempo para
que haja texto no amor. 
Leva-se tempo para
que haja amor no texto.

Somos hoje amor
exercido e escrito.
Um amor sedento
em palavra e gozo. 

(Seemingly) Nonstop A-Ha

A canção do dia foi “(Seemingly) Nonstop July”, do A-Ha. Anteriormente, já escrevi que curto a banda. Ontem, eu me lembrei de que há um tempão eu não escutava essa faixa. Comecei a escutá-la no começo da tarde. Não parei até agora. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Exortação

Não importa se
o desdém parte
da musa ou
se a indiferença 
vem do público. 
Tua obrigação 
é escrever 
com diligência.
Esquece o outro; 
é direito dele
não querer 
tua oferenda. 
Que a alegria
de escrever
seja, 
primeiro, 
tua.
Se te incomoda
dada reação 
do público
ou da musa, 
não és 
o bastante
para ti. 
Aprende 
a ser. 

A dois

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Geografia

Não raro, os lugares valem não por eles em si, mas por quem lá está. 

Os ressentidos

Aquele que realiza um trabalho tem uma concepção do que seja sucesso. Naturalmente, essa concepção varia de pessoa para pessoa. O que é feio não é essa concepção em si, seja ela qual for; o que é feio é quando o indivíduo se entrega ao ressentimento quando tal concepção não se realiza, levando a pessoa a atirar contra aqueles que chegaram ao sucesso (pelo menos ao sucesso tal qual concebido pelo ressentido).

Com as redes sociais, é comum ter-se a possibilidade de ler textos de artistas voltando-se contra seus pares, afirmando que estes não merecem o sucesso que alcançaram, sob a alegação de que o trabalho é ruim. Nesse caso, o acusador está a sugerir: “Meu trabalho é muito melhor do que o seu. Eu, sim, deveria ter o sucesso que você tem”.

Em muitos casos, falta ao ressentido a noção de que muita coisa faz sucesso exatamente por ser ruim. O critério de qualidade não deveria jamais ser quantitativo. O fato de milhões de pessoas consumirem um trabalho não é a prova cabal de que esse trabalho contenha excelência; o fato de apenas alguns consumirem um trabalho não é prova cabal de que esse trabalho seja ruim.

Outra noção que o ressentido precisa cultivar é a de que não há como precisar os mecanismos que levam alguém ao sucesso. Se há regras para isso, nós as desconhecemos em sua totalidade (já escrevi sobre isso). Sucesso ou fracasso têm elementos demais os circundando. É impossível apontar com minúcia o que levou a um ou a outro.

A questão é que o ressentido atribui seu fracasso à ignorância da turba. Nesse fio condutor, quanto maior o ressentimento, maior é a ignorância dos que não tomaram conhecimento do que o ressentido produziu. Em vez de achar força nos poucos que porventura tenham consumido seu trabalho, o ressentido volta seus ataques contra quem não quis conhecê-lo. Isso é embaraçoso, pois o ressentimento, quanto mais raivoso, mais ridículo. 

Pink folia

Ontem, no vizinho, folia de reis, manifestação popular que eu não escutava há um tempão. À medida que o som da folia ia se afastando, vindo de outro vizinho, veio surgindo “Us and them”, do Pink Floyd. A folia e o Pink Floyd: dois regozijos. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Fios brancos

Tu reclamas de que
não és mais a mesma. 
Um ou outro fio branco
tem dado o ar da graça,
flacidezes se insinuam. 
Tu te queixas de 
as rugas rirem por último 
quando sorris.

A beleza é generosa.
Não é privilégio 
de alguma idade.
Eu gostava de te olhar.
Eu gosto de te olhar. 
Quero te olhar amanhã.
Tua inteligência me anima.
Ademais, o mesmo tempo que 
te consome não se esquece de mim.

Que tal envelhecermos? 

Ululante

De repente, a gente se dá conta de algo que esteve óbvio, presente e retumbante a vida inteira, mas que, por algum estranho motivo, não estava na superfície: como eu gosto de Rita Lee! 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A história por trás da foto (89)

Esta foto foi tirada no dia primeiro de julho de 2005; eram 11h17. Eu estava no bairro Jardim Califórnia, aqui em Patos de Minas. Lembro-me muito bem do momento, por ter sido uma das primeiras vezes em que tive a oportunidade de realizar um registro decente destas adoráveis criaturas.

Na época, eu tinha uma Canon PowerShot Pro1. Era uma câmera complicadíssima de ser manejada. Domá-la foi uma labuta. O lado bom é que depois de entender não somente para que serviam botões e nomenclaturas, mas também saber decidir quais ajustes usar, perdi o “medo” de fuçar em câmeras fotográficas. Sempre digo, por brincadeira, que aquele que tenha dominado uma Pro1 está apto a manejar qualquer equipamento fotográfico.

Na época, eu era iniciante na fotografia. Havia uns sete meses que estava me dedicando a ela de modo mais intenso. Isso foi algo que dificultou minha relação com a Pro1, mas quando nos ajustamos, quando passou a haver sintonia, eu me diverti muito com essa compacta. A lente dela era uma 28-200.

Quando passei a compreender o uso do ISO, uma das coisas que me entusiasmavam na Pro1 é que ela tinha ISO 50! Depois dela, nunca mais manejei um equipamento fotográfico que tivesse ISO mínimo tão baixo. A própria foto desta postagem foi tirada com ISO 50. Não bastasse, fotografava em RAW.

Pude ficar relativamente perto da coruja. Eu estava numa moto. Montado nela, fui me aproximando pouco a pouco da ave, não olhando para ela. Ainda sem olhar, ajeitei o monitor da câmera de modo que eu enquadrasse a coruja; a seguir, cliquei.

A pata esquerda dela parece estar quebrada ou algo assim, embora eu não esteja bem certo disso. De qualquer modo, não me parece que ela esteja numa posição que possa ser considerada natural. Tirei umas seis ou sete fotos da coruja, que depois bateu asas. Nunca mais a encontrei novamente.
_____

Canon PowerShot Pro1
ISO 50
1/800
F/3.5 

Simplesmente o melhor

Agora há pouco, via telefone, enviei para a Maíra, colega de trabalho, algumas fotos que tenho tirado; especificamente, fotos de beija-flores. Ela então me perguntou se dentre as fotos que eu enviara para ela havia alguma que fosse minha preferida. Eu simplesmente respondi: “Não”. Ela disse que achou minha resposta engraçada, mesmo não tendo essa sido minha intenção.

Mas é que de fato não tenho uma preferida. Além do mais, confesso que fico estarrecido quando alguém consegue responder com exatidão perguntas do tipo “qual sua música preferida?”, “qual seu filme preferido?”, “qual o melhor livro que você já leu?”. Espanta-me quando as pessoas respondem com tanta assertividade que um livro ou um filme ou uma canção é a melhor coisa já feita. Admiro isso. Eu não conseguiria nem escolher qual minha cor preferida. 

Encomenda

Encomendaram-me algo. 
Foi-me sugerido um poema. 
Prefiro arriscar algum quando
suspeito de alguma beleza. 
Bastou então eu te ver. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Proposta

A ideia de fugir
é bonita demais
para que fiquemos aqui. 
Esquece a bagagem. 
A gente vai só com
a pele do corpo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A história por trás da foto (88)

Poder-se-ia argumentar — com razão — que um pôr do sol como este mereceria um cenário em que não houvesse a poluição visual urbana. Por isso, justifico o registro: há algum tempo, percebi que por estes dias o Sol tem se escondido num local em que o fim da rua Duque de Caxias, onde moro, torna-se, por assim dizer, o ponto em que o Sol tem se posto.

Ciente disso, venho ensaiando uma foto de Sol se pondo, mas sempre acabava me esquecendo. Hoje, haveria o esquecimento novamente. Só que, vindo de bar e chegando aqui, reparei que haveria tempo de pegar a câmera e tirar a foto. Se eu tiver a oportunidade ou se eu me lembrar, tentarei, num próximo clique, mostrar a rua, para que fique mais claro que o Sol tem se posto no fim da Duque de Caxias. Em postagem futura, insiro foto deste pôr do sol sem o cenário urbano. O registro foi realizado há pouco. 

Fotopoema 385

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Fotopoema 384

"Os três porquinhos"

À medida que o tempo vai passando, percebo que minhas leituras vão se voltando para autores ou temáticas que já me atraíam na infância e na adolescência. A continuar assim, caso eu chegue, por exemplo, aos oitenta anos, vou estar lendo nesse tempo “Os três porquinhos”. 

Aeromoça

Queria novos ares.
Após uma noite tranquila,
acordou cheia de aeroplanos. 

Minha convivência com Rabindranath Tagore

O livro não tem mais capa. É o quarto volume (o único que tenho) de uma série intitulada “As mais belas poesias”. A organizadora é Niza Carvalho. A edição que tenho não tem as duas últimas páginas.

Foi nesse pequeno volume, o qual tenho agora em mãos, em que li, pela primeira vez, o nome Rabindranath Tagore (1861-1941), poeta indiano, prêmio Nobel em 1913. Quando passei a lidar com o “As mais belas poesias”, eu devia ter uns sete ou oito anos. A primeira coisa que me chamou a atenção não foram nem tanto os dois poemas dele que estão na coletânea, mas o nome de Tagore.

Mesmo hoje, não sei como se pronuncia corretamente esse nome. Na infância, eu o ficava lendo em voz alta, gostando da sonoridade que eu mesmo criava. À parte isso, “As mais belas poesias” foi um livro muito importante para mim, bem como os volumes de “As mais belas histórias”.

Tanto um quanto o outro eram ilustrados. Como eu me lembro de tentar desenhar essas ilustrações. Como desenhista, um fiasco, mas se eu tiver de mencionar circunstâncias que me tornaram leitor, não posso deixar de mencionar essas obras. Posteriormente, na adolescência, eu voltaria a Tagore, dessa vez lendo um livro que traz conversa entre ele e o Einstein. Recentemente, voltei ao indiano. Li “Gitanjali — Oferenda lírica” e “Meditações”.

Este foi publicado pela Ideias e Letras; a tradução é de Ivo Storniolo. “Meditações” contém ensaios em que se condensam boa parte das ideias do poeta. Nos textos do livro, Tagore reitera diversas vezes o caráter religioso que perpassa seus atos e seus pensamentos. À parte a religiosidade, é um livro com muito a dizer para o século XXI. As ideias de Tagore propõem o desapego das coisas mundanas; até aí, nada de original. Mas ao realizar sua proposta, o escritor não deixa de evidenciar o quanto a vida moderna nos esmaga, matando nossa criatividade e nosso potencial inventivo.

No primeiro ensaio, intitulado “Natureza da arte”, ele escreve: (...) “A burocracia trata de generalizações, e não de homens. E, portanto, não lhe importa incorrer em crueldades da pior espécie”. Não bastasse ter sido crítico contumaz deste mundo cheio de papéis e de regras que assassinam nosso espírito criador, Tagore, a despeito de sua religiosidade, passa longe de radicalismos desarrazoados. Ainda no “Natureza da arte”, tem-se: “Em nome da religião foram consumados crimes que esgotariam todos os castigos do inferno, porque em seus credos e dogmas a religião aplicou um enorme anestésico sobre boa parte dos sentimentos da humanidade”.

Importante reafirmar que o escritor não foi um iconoclasta. Pleno de uma conduta de espírito oriental, Tagore reitera nos ensaios a postura religiosa de que nunca abriu mão, seja discutindo sobre a arte, seja expondo ideias pedagógicas (caso, por exemplo, do ensaio “Minha escola em Bengala”). Desnecessário dizer que os adeptos da espiritualidade oriental, que Tagore contrapõe à ocidental, têm no poeta terreno fértil para suas meditações. Todavia, se devidamente lido, Tagore tem muito a ensinar para todos; principalmente para nós, tolos velocistas de um progresso ilusório e castrador de nosso potencial criativo. 

BEAUTIFUL MONDAY

O dia amanheceu muito bonito. Eu até me lembrei daquela canção, “Beautiful Sunday”, cantada pelo Daniel Boone (há uma versão em português interpretada pelo Ângelo Máximo). 

Sim, hoje não é domingo, mas a natureza não sabe que é segunda-feira. A natureza pode gerar um céu de azul bonito numa terça ou numa quinta. Cantemos com o Daniel Boone. Se for o caso, substituamos “Sunday” por “Monday”.

domingo, 31 de janeiro de 2016

CRUZEIRO 0 x 0 URT

Há pouco, no Mineirão, não se pode dizer que a URT tenha feito uma bela partida diante do favorito Cruzeiro, em partida válida pelo campeonato mineiro. O Cruzeiro também não fez um belo jogo. Deixando de lado a beleza, e falando de eficácia, a URT foi mais eficaz do que o Cruzeiro porque o time de Patos de Minas cumpriu aquilo que se propôs a fazer.

Seria suicídio da URT tentar jogar contra o Cruzeiro de modo ofensivo. Assumindo ser inferior, a equipe patense optou pela estratégia do contra-ataque, investindo pata tal numa disciplinada marcação. A tática funcionou, mesmo levando-se em conta o maior número de chances que o Cruzeiro teve. Diante das circunstâncias, o empate contra o Cruzeiro lá no Mineirão não é um resultado ruim para a URT.

A primeira meia hora de jogo foi chocha. Só no último terço do primeiro tempo é que o Cruzeiro impôs um andamento mais rápido ao jogo. No segundo tempo, com um calor menos inclemente dentro de campo, o Cruzeiro, não só sendo mais veloz, tentava pressionar a URT, mas nem as três alterações feitas de uma vez por Deivid, técnico cruzeirense, conseguiram fazer com que a Raposa marcasse. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

ENCONTRO COM LEITORES

Ontem, a leitora Vanessa Honorato entrou em contato comigo. Na ocasião, comentou que mora numa fazenda perto de Lagamar, e que estaria em Patos de Minas hoje. O motivo de ela ter entrado em contato foi este: Vanessa disse que gostaria de adquirir o Dislexias, meu mais recente livro. No contato de ontem, perguntou-me se haveria a possibilidade de nos encontrarmos hoje, para que ela pegasse o trabalho comigo.

Assim foi. Na hora do almoço, eu me encontrei com a Vanessa, o Sergio, com quem ela é casada (ele disse que é ouvinte do Conta-gotas, programa que gravo para a Clube FM), com a Rynatta e com o Gabriel (filhos do casal). Tanto Vanessa quanto Sergio leem com frequência. Que os filhos deles, que ainda são crianças, tomem gosto pela leitura à medida que forem crescendo.

Quando comentei com a Vanessa estar inseguro sobre se ela gostaria do Dislexias, ela disse para eu ficar tranquilo, afirmando que já era minha leitora e que já vinha lendo textos meus em meu blogue, o que me surpreendeu. A você, Vanessa, e a você, Sergio, obrigado pelo encontro e por se predisporem a ler o Dislexias. Abraços para todos.

E confirmando: o lançamento do livro será no dia 19 de fevereiro, no Bar e Restaurante Armazém. Fica na Doutor Marcolino 113, Centro. A partir das 20h30. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

JAY-Z EM "LOST"

O trecho que o Jay-Z fala em “Lost”, do Coldplay, vai muito além de ser uma bela reflexão sobre o lado trágico que o sucesso ou a fama pode trazer. Por conter essa reflexão, o trecho já é riquíssimo. Não bastasse, os argumentos e os questionamentos que desenvolve acabam resvalando para a filosofia, a sociologia e o comportamento pérfido da mídia. Brilhante. 

APONTAMENTO 314

Um trágico acidente numa esquina local. Um infarto definitivo. Um sono que não desperta. Um assassinato. Por muito tempo, pensei que todos os atos de um homem convergiam para sua morte. Até agora, eu concebia a morte como o auge do homem. Não. O auge de todo homem é seu agora. Um desses “agoras” é a morte. Ela é mais um dos apogeus de qualquer homem. 

APONTAMENTO 313

Não há finalidade premeditada por algum desígnio no que nos acontece. As coisas nos acontecem para que, a partir daí, criemos uma finalidade para elas. 

domingo, 24 de janeiro de 2016

PALAVRA E SILÊNCIO

Chega o momento 
em que todas as palavras foram ditas.
Chega o momento 
em que é preciso se calar.
Chega o momento 
em que é preciso aceitar 
que as palavras podem não ser o bastante.
Chega o momento 
em que é preciso se retirar.

Não para descrer do poder da palavra.
Não para investigar só o poder do silêncio.
Ele me espera ao lado.
Vou para lá feito de palavra.
Voltarei para cá feito de silêncio.

Com silêncio e com palavra,
vou me compondo.
Em breve, trarei uma canção. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PARA MARÍA E PARA JORGE

Sei de algumas palavras que Jorge
ofereceu a María.
Sei de algumas palavras que María
ofereceu a Jorge.
Leio essas palavras que 
receberam um do outro.
Quando os olhos deles as percorreram,
que esses portenhos tenham ficado
tão felizes quanto eu ao ler o que
ofertaram um para o outro.
Amor é também gratidão. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

FOTOPOEMA 382

ANTES DO CORPO

Mapear teu corpo
com minhas mãos,
com meus lábios,
com minha língua,
com meus dentes.

Teu cheiro,
tua boca,
tua língua,
teus dentes,
tua pele.

Amor,
quando vem
antes do corpo,
é amor que anseia
pelo amanhã.
Volta amanhã.

E fica. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

OUVIDO RUIM (2)

Mais uma para a lista das letras que foram escutadas incorretamente. Há pouco, eu estava curtindo “Loser”, do Beck (gosto demais dessa canção). No melodioso refrão, eu cantava: “So open the door / I’m a loser, baby / So why don’t you kill me?”. (Então abra a porta / Sou um perdedor, querida / Então por que você não me mata?)

Pois bem: como havia trechos da parte falada que eu não entendia em totalidade, fui ao Google conferir a letra. Foi quando ocorreu a revelação: o refrão tem uma estrofe em espanhol. Assim, a versão correta é: “Soy un perdedor / I'm a loser, baby, so why don't you kill me?”. (Sou um perdedor / Sou um perdedor, querida, então por que você não me mata?) 

CASAS PARA O AMOR

Melindroso, sutil, onipotente.
Circulando por entre as criaturas,
o amor quer morar em corações.
A porta pode estar fechada.
O amor entra mesmo assim.
A porta pode estar calada.
Não quer dizer ausência de amor.
Habitante voraz, toma conta
de cada cômodo da casa.
O amor é que escolhe.
Desdenha dos personagens.
Mofa das circunstâncias.
O amor quer saber de si.
O amor quer acontecer. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

QUANDO TIVE MEU PRIMEIRO LIVRO EM MÃOS

O Neruda, no “Confesso que vivi”, escreve que não há emoção que se compare à que acontece quando um autor tem em mãos, pela primeira vez, o primeiro livro que escreveu. Isso não me saiu da cabeça, pois, quando li o “Confesso que vivi”, eu já tinha a intenção de em algum dia publicar um livro.

Não me emocionei quando tive em mãos um exemplar do Leve poesia, meu primeiro livro. Na época em que o livro foi editado, as gráficas enviavam para o autor o que chamavam de boneco: em folhas de sulfite devidamente dobradas e grampeadas, havia a diagramação do livro, o aspecto de como ele ficaria quando pronto. Esse boneco servia para que uma última revisão no escrito fosse feita.

Quem me entregou o boneco do Leve poesia foi o Lazinho, um vizinho de infância que tive. No tempo em que o livro estava sendo feito (a obra foi lançada no fim de 2000), o Lazinho trabalhava na gráfica onde o Leve poesia foi impresso. Como ele me conhecia, trouxe até mim as folhas de sulfite dobradas e grampeadas. Eu me emocionei com o boneco! A simples “cara” de livro que ele tinha foi o bastante para me comover. Fiquei muito feliz. Depois, quando tive, de fato, o livro em mãos, não senti nada. “Gastei” a emoção com o boneco. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

CONTO 84

César acha que o mais belo dom que há é o dom de cantar; ele sabe escrever. Tatiane acha que o mais belo dom que há é o dom de escrever; ela sabe cantar. Ambos se arriscam como compositores. Certo dia, conheceram-se. Começaram namoro. Um admirava o dom do outro. Por brincadeira, decidiram compor uma canção. César cantaria; Tatiane faria a letra. Ficou horrível. Deram-se por vencidos. Voltou cada um para seu dom; compuseram outra canção. César escreveu a letra; Tatiane cantou. Ficou horroroso. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

MEU LIVRO JÁ À VENDA

Como dito, em breve, lançarei Dislexias, meu mais recente livro. O evento será depois do carnaval. Ainda não defini nem data nem local.

Contudo, caso você queira, já é possível adquirir o livro pela página eletrônica da Chiado, editora portuguesa por intermédio da qual o livro saiu. Basta clicar aqui. Há a versão em papel e a versão em “e-book”.

Em breve, o livro estará à venda nas livrarias do Brasil também. Quando estiver, confirmo. 

APONTAMENTO 311

Amor é gostoso em qualquer idade. Insípido é não amar. 

APONTAMENTO 310

Minha razão me diz que não há hierarquia dos dons. Não há um dom mais belo do que outro. Todo dom é belo. É o que me diz a razão. Meu coração me diz que não há dom mais belo do que o de cantar. 

GOTAS

Manhã de chuva mansa
é para ser compartilhada. 
Gota a gota. 
Até o ponto em que
os corpos, molhados, 
queiram descanso. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ENTREGA DE MEU LIVRO É REALIZADA

Hoje, no fim da manhã, recebi os exemplares de Dislexias, meu próximo livro a ser lançado. O envio foi feito pela Chiado, editora portuguesa pela qual estou publicando. Ainda não defini nem data nem local do lançamento. Do que sei, é que será depois do carnaval. 







domingo, 10 de janeiro de 2016

APONTAMENTO 309

A diferença entre literatura e jornalismo é que a literatura se propõe a buscar a verdade. 

"QUE HORAS ELA VOLTA?"

Assisti ontem ao poderoso “Que horas ela volta?” (2015), da diretora Anna Muylaert, que é também a roteirista. Que filme bonito, que filme necessário. É uma obra cheia de implicações e de possibilidades, mostrando, por intermédio de história ocorrida em casa de família classe média de São Paulo/SP, um microcosmo do que é a mentalidade de parte da população brasileira, a partir da relação entre patrões e empregados.

Val, interpretada por Regina Casé, é uma empregada doméstica que há tempos trabalha para a família de Bárbara (Camila Teles). Bárbara é casada com Carlos (Lourenço Mutarelli); eles têm um filho adolescente, Fabinho, interpretado por Michel Joelsas. Tudo parece ir bem até o dia em que Jéssica (Camila Márdila), filha de Val, liga para a mãe, dizendo que irá para São Paulo (Jéssica mora no nordeste), a fim de prestar vestibular.

Bastam algumas horas de Jéssica na casa dos patrões de Val para que uma série de preconceitos e de estereótipos venham à tona. O mundo de Bárbara e Carlos parece ser sofisticado, civilizado; na casa deles, não se eleva a voz, mas paira uma civilidade que é de plástico e que se sustenta somente em torno do dinheiro e de um mundo de aparências. Fabinho, por exemplo, se precisa de consolo e de carinho, não o procura nos braços da mãe nem nos do pai, mas vai até o cubículo de calor escaldante a que Val é relegada.

Val, simplória nordestina, assimilou o papel que a ela entregaram. Ao chegar, Jéssica, mesmo sem querer, mesmo sem histéricos rompantes juvenis, desestabiliza o ambiente. Não que houvesse estabilidade no lugar; o que Jéssica desestabiliza é o fingimento e o desejo de sofisticação que reinam na casa. O lar de Bárbara e Carlos é falso. O tratamento que oferecem a Val, o qual é travestido de gentileza e de generosidade, na verdade reproduz um velho “apartheid” à brasileira que há séculos considera os pobres como vassalos dos ricos.

Nesse sentido, há uma fala da brilhante Jéssica que considero ponto nevrálgico do filme. Numa cena em que Val está repreendendo a filha, argumentando que ela está tomando liberdades demais na casa de Bárbara, Val sugere à filha que ela está se achando melhor do que os demais. É quando então Jéssica responde que não é que ela esteja se achando melhor, mas que não se acha inferior. A cena diz muito sobre o Brasil, em que há ainda uma parcela da população que se sente desconfortável quando a filha de uma empregada doméstica decide que vai prestar vestibular para uma universidade em São Paulo.

“Que horas ela volta?” não apela para o tom estridente. Não há gritos revoltados por parte de Bárbara, mas a afetada sofisticação dela não é capaz de esconder o ranço e o preconceito que tem contra pobres. Além do mais, Bárbara e Carlos vivem num lar que é esfacelado, doentio. O tom de voz deles, sempre comedido, está a esconder duas almas que navegam num mar de ilusão e de improdutividade.

“Que horas ela volta?” é tão brasileiro, que passa a limpo uma parte do Brasil que é arcaica há séculos no modo como trata os pobres. Uma parte do Brasil que se encanta com as belezas do mundo lá fora, mas que não é capaz de reconhecer as belezas que há aqui. O chique é sempre ir para o exterior. Há uma cena, também genial, em que Fabinho está mostrando fotos de uma praia da Austrália para Val, dizendo a ela que fará intercâmbio lá. Val diz: “Parece o Recife”.

Por fim, a atuação de Regina Casé foi tão, tão genial, que é difícil imaginar outra pessoa no papel. É uma atriz cuja carreira não acompanho: nunca havia assistido a um filme com ela nem nunca havia conferido algum programa que ela fez ou faz na Globo depois do TV Pirata. À parte isso, a atuação dela em “Que horas ela volta?” dá ao filme de Anna Muylaert uma dimensão bela e gigantesca. Val é um Brasil belo e gigantesco. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

UNO

Há uma sintonia possível.
Uma sinfonia versátil.
Uma interação entre
as criaturas da terra
e as criaturas do (m)ar.
Há de chegar o tempo em que
seremos ondas de alegria. 

HAICAI 46

Há dias em que sou desistência. 
Envolvo-me, então, com algum livro. 
Páginas depois, já sou resistência. 

A PALAVRA DO CORPO

Tu me causas vontades:
desejos de tato,
anseios de poesia.

Tu excitas minha pele,
provocas meu verbo.

Ser teu
em verso
e em corpo.

Sê minha
em palavra
e em gesto.

Ofertemos,
nós dois,
para a luz,
páginas 
e beijos. 

TARDE

Ontem, fui feliz à tarde.
Veio a madrugada.
Eu ainda estava feliz.
Depois, eu fui dormir.
Quando acordei,
já era tarde. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

BOCA DO CORPO

Quero tua boca.
Quando falas,
quero tua boca;
quando falo,
quero tua boca.

Eu sei, 
minha boca sabe, 
meu corpo sabe.

Quando eu te beijar, 
minha boca não 
vai se contentar
com a tua.

Quando eu te beijar, 
beijarei tudo o que
teu corpo todo é. 

O AMOR DE CADA UM

Poemas de amor
são inesgotáveis. 
Não que o amor 
seja inesgotável. 
Esgotável, o amor 
é um só apenas. 
O que dá ao amor
feição de infinitude
são os próprios amantes. 
Cada um dá ao amor
a cara que tem, 
por destrambelhada 
ou sóbria que seja. 
Quando é amor, 
o amor é o mesmo. 
Diversos são os amantes. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

MEU LIVRO A CAMINHO DO BRASIL; EM BREVE, DIVULGO LANÇAMENTO

Agora é tarde: recebi confirmação da editora de que meu livro está a caminho do Brasil. Chiado, a editora, é portuguesa; o livro vem de Portugal. Brevemente, confirmo data e local de lançamento.

Dislexias, título da obra, é meu terceiro livro a ser publicado; o primeiro a sair por uma editora. Os outros dois, Leve poesia (2000) e Algo de sempre (2003), foram publicados por conta própria.