O futebol uruguaio é mais aguerrido do que técnico; o argentino, aguerrido e técnico; o brasileiro, técnico, imbele e indisciplinado.
terça-feira, 16 de junho de 2015
APONTAMENTO 261
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APONTAMENTO 260
Nos grandes escritores, cada palavra é importante.
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É...
Vai dar pé:
ela tem fé,
ela tem sé,
ela tem Zé.
ela tem fé,
ela tem sé,
ela tem Zé.
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CONTO 77
Há algum tempo, Zenon vinha flertando com Marta, que trabalhava num restaurante que ele passara a frequentar. A aliança na mão esquerda dela o fazia desistir de abordagem contundente. Além do mais, terminado o almoço, ele nem pensava nela. Numa noite insone, contudo, pensou. Nesse exato instante, Marta, que jamais havia pensado em Zenon, nele pensou. No outro dia, quando os olhares dos dois se encontraram, houve fagulha que denunciou a latência do fogo. O tempo passou. Não deixaram brotar o incêndio.
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segunda-feira, 15 de junho de 2015
APONTAMENTO 259
Escrever letra de música é uma habilidade diferente da habilidade de escrever poesia. Uma letra de música pode ser poética, mas um conto também pode. Dito com outras palavras: nem todo letrista tem habilidade para escrever poesia; nem todo poeta tem habilidade para escrever letra de música. É claro que uma pessoa pode ter as duas habilidades.
Como a poesia ou como a prosa, a letra de música pode condensar a complexa e multifacetada existência humana. Como gênero literário (encaro a letra de música como gênero), ela pode ser tão rica quanto qualquer outro texto em prosa ou em verso. Não que a letra de música precise soar como grande literatura, mas grande literatura ela pode ser.
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FUSÃO
Em toda manhã,
que fique algo
da noite:
a lembrança
de um sonho,
a presença
de um corpo.
Em toda tarde,
que fique algo
da manhã:
a lembrança
de um café,
a presença
de uma voz.
Em toda noite,
que fique algo
da tarde:
a lembrança
de um livro,
a presença
de um flerte.
Seja
meu agora
legado
que recebo
e herança
que deixo.
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domingo, 14 de junho de 2015
"VAGÃO"
Eu me emociono quando a simplicidade se transforma em arte. Quando em arte é transformada, a simplicidade tem, paradoxalmente, o poder de mostrar o quanto a vida pode ser complicada. É um paradoxo triste e bonito. O drama da vida pode estar em qualquer um, em qualquer lugar.
De nossas vidas, até que ponto somos autores, até que ponto somos escritos? Escolhemos ou somos escolhidos? Ou há uma mistura dos dois? Qual o papel do acaso? Qual nosso papel? Somos todos os autores dessa história ou somos personagens? Se personagens, quem está nos escrevendo?
Essas ideias esparsas me ocorreram enquanto eu assistia a “The lunchbox” [“Dabba”, 2013], do diretor Ritesh Batra, também autor do roteiro. Salvo engano, o filme não tem título em português, o que é uma pena. Se tivesse, e se tivesse havido tradução literal, o filme chamar-se-ia, segundo pesquisa que fiz (não sei se correta), “Vagão” (tradução de “Dabba”); em inglês, recebeu o título de “The lunchbox (“A Marmita”).
O sistema de entregas de marmitas na gigantesca Bombaim é conhecido como sendo um dos mais eficientes do mundo. Todavia, “The lunchbox” conta a história de uma entrega incorreta. Saajan Fernandes (interpretado por Irrfan Khan), certo dia, recebe seu almoço no escritório. Mas a refeição era para ter ido para o marido de Ila (interpretada por Nimrat Kaur). Ila mesma preparara a comida, numa tentativa de reaquecer seu casamento, que ia mal.
A partir daí, Ila e Saajan começam a se corresponder; as cartas ou os bilhetes eram acondicionados nas marmitas. Sem se conhecerem pessoalmente, eles, contudo, passam a saber um do outro por intermédio das correspondências. Num toque de humor do roteiro, os dois chegam a “brigar”, como se fossem namorados. Também engraçada é a participação de Auntie — voz de Bharati Achrekar. É que de Auntie, somente temos acesso à voz. Os diálogos entre ela e Ila conferem leveza ao filme.
“The lunchbox” é poético, lírico; é um filme sobre encontros e sobre desencontros; uma história feita de coincidências e do que parece prestes a acontecer. É um daqueles raros filmes construídos a partir de uma densa simplicidade, a partir de ricos detalhes. “The lunchbox” tem o poder de tornar melhor quem o assiste. E se você gosta de cozinhar, delicie-se.
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METADE
Tito, o cachorro aqui de casa, ainda não se acostumou de todo com meu equipamento fotográfico. Ora fica à vontade, ora fica ressabiado. Num desses momentos de desconfiança, escondeu-se parcialmente por detrás da parede que separa a cozinha do quintal. Não haveria como não tirar a foto.
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SEDENTO
“Mais do mesmo”: eles visitam essa torneira com frequência. Se a câmera está por perto, faço a foto.
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PRESCRIÇÃO
Ontem, narrador do SporTV, de que não sei o nome, resumindo a trajetória do jogador Allano, do Cruzeiro, diz que o jovem já estava desistindo de ser jogador de futebol, tendo procurado emprego numa farmácia. Hoje, tem oportunidade de ser titular de um grande time. A vida tem... remédio...
sábado, 13 de junho de 2015
CASA
Haverá o dia em que
não terei mais de habitar meu corpo.
Quando esse dia chegar,
não importa o que venha depois,
se danação,
se bênção,
se escuridão silente e perene,
terá início uma era de paz.
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quinta-feira, 11 de junho de 2015
APONTAMENTO 258
Entre o rio e os afluentes não há hierarquia: tudo são águas.
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
ROXETTE E A VELHICE
Sinal inequívoco de velhice: durante aula, estava eu explicando o quanto o inglês é um idioma onomatopaico. De passagem, como exemplo, citei o duo sueco Roxette, que tem um CD intitulado “Crash! Boom! Bang!”. Uma aluna logo disse: “Ah, Lívio, minha mãe adora escutar as músicas desse povo aí”. Quando esse povo surgiu para o pop, eu já trabalhava em rádio...
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Roxette
APONTAMENTO 257
Do lirismo derramado, fujo mais do que foge — dizem — da cruz o diabo. Pareço me sair melhor na contenção do que no estilo caudaloso. Com este, eu não saberia me virar; com aquela, arrisco o que fazer.
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APONTAMENTO 256
Ronaldo Fenômeno criticando a CBF. Quando a poeira baixar, ele volta a ser amiguinho deles.
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APONTAMENTO 255
O povo brasileiro é melhor do que a chamada grande imprensa e do que os chamados grandes meios de comunicação do Brasil.
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CONTO 76
Adamastor estava se sentindo muito mal por ganhar menos do que a esposa. A princípio, fingiu ignorar. Depois, não resistindo, desquitou-se. Num rompante, decidiu que ficaria sem mulher. Isso durou dois anos e quatro meses. Hoje, é gigolô.
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terça-feira, 9 de junho de 2015
APONTAMENTO 254
Simplesmente não sei do que falam algumas letras do Zé Ramalho. “Beira--mar”, por exemplo, é sobre o quê? Não sei. Mas nem a poesia nem a música precisam ser entendidas pela lógica. Não dou a mínima se não entendo a letra de “Beira-mar”; quero mais, agora, é esgoelar “há peixes milagrosos, insetos nocivos / Paisagens abertas, desertos medonhos / Léguas cansativas, caminhos tristonhos / Que fazem o homem se desenganar”.
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HAICAI 35
Folhas, o vento leva.
Folhas em branco,
a caneta não releva.
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HAICAI 34
Em mim estão
o problema e
a solução.
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segunda-feira, 8 de junho de 2015
"RUSH"
Quando o esporte é levado para as páginas de um livro ou para o enquadramento das câmeras, não raro há criações belíssimas. Jamais assisti a uma partida de beisebol, mas “Por amor” [For love of the game] é um belo filme; nunca assisti a uma partida de futebol americano, mas “Um sonho possível” [The blind side] conta uma tocante história. Não importa se a abordagem é ficcional ou não: qualquer esporte é pleno de grandes histórias.
Por pensar assim, é que fiz questão de conferir “Rush: no limite da emoção” [Rush, 2013], do diretor Ron Howard; o roteiro é de Peter Morgan. O filme relata a temporada de 1976 da fórmula 1, quando James Hunt (interpretado por Chris Hemsworth) foi o campeão. Nesse tempo, a disputa era acirrada entre ele e Niki Lauda (vivido por Daniel Brühl), que sofreu um acidente durante uma corrida, quase tendo morrido. Na batida, Lauda teve queimaduras severas; mesmo assim, pouco mais de um mês depois, voltou às pistas.
“Rush” revela a relação especular que havia entre os dois pilotos. Lauda era o cerebral; Hunt, o emocional. Lauda, comedido fora das pistas; Hunt, envolvido com farras. Em comum, o talento incomum ao dirigir um carro. À medida que eu ia assistindo ao filme, eu ficava me perguntando o que nele seria biográfico e o que seria ficcional. Conferindo uma entrevista com Niki Lauda no YouTube, ele disse ter gostado muito de “Rush”, o que leva a crer que os elementos de realidade ficcionada não comprometeram a acuidade do trabalho. O próprio Lauda, no vídeo que assisti, usou o adjetivo “accurate” (acurado) para se referir ao trabalho de Ron Howard.
Gostando ou não de fórmula 1, assista a “Rush”. O filme exibe duas pessoas díspares, mas que tinham em comum o talento para dirigir e a força para causar uma grande rivalidade no automobilismo. Ainda que fosse pura ficção, “Rush” já convenceria como um excelente filme de ação com um primoroso enredo. Só que o filme não é pura ficção. Lauda e Hunt, que morreu em 1993, são a força... motriz da obra. Uma coisa é ter uma boa história para contar; outra é saber o que fazer com ela. Ron Howard e Peter Morgan souberam.
APONTAMENTO 253
A fênix mudou de nome em agosto de 1976: passou a se chamar Niki Lauda.
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domingo, 7 de junho de 2015
APONTAMENTO 252
A excelência é exceção, mas nem por isso a mediocridade deveria se tornar regra.
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ATENÇÃO
Para conseguir do Tito essa “pose”, fiz um trinado com a língua atrás dos dentes superiores. Ele achou tudo muito esquisito.
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"GRAVIDADE"
Quando “Gravidade” (Gravity, 2013), do diretor Alfonso Cuarón, foi lançado, a CNN teve a ideia de perguntar para um astronauta (não me lembro do nome dele) sobre a verossimilhança da produção. De acordo com o astronauta, o filme, no aspecto científico, não se sustenta. Ressaltou, contudo, que a produção de Cuarón é excelente entretenimento. O roteiro foi escrito por ele (Alfonso Cuarón) e por Jonás Cuarón.
Com o atraso de sempre, somente ontem é que conferi o filme, que tem no elenco Sandra Bullock (no papel de Ryan Stone) e George Clooney (no papel de Matt Kowalski). Ryan e Matt passam aperto quando a nave em que estão é atingida por estilhaços de satélites.
A partir desse momento, começam os problemas deles. São tantos que a partir de certo trecho do filme o espectador já passa a se perguntar qual encrenca virá a seguir. O próximo percalço passa a ser aguardado — e ele invariavelmente surge.
Dito assim, pode-se ter a impressão de que o enredo seria mera sucessão de tribulações vividas no espaço por astronautas. Isso não ocorre graças ao elemento humano que o filme tem. Trata-se, em última instância, de um enredo sobre a luta pela vida. Se falta ao filme verossimilhança científica, ele tem o mérito de ter verossimilhança quanto ao caráter e à dimensão humana dos personagens, mesmo às vezes sendo estranho Ryan estar em missão tão arriscada sem saber os rudimentos de como operar as engenhocas com que tem de lidar.
Os roteiristas acertaram em salpicar o filme com pitadas de humor aqui e ali, o que impediu que o drama de Ryan e de Matt se tornasse melodramático e monótono. Um dado curioso é o de que embora o filme se passe na órbita da Terra, ele é minimalista, a despeito de o cenário ser a vastidão do espaço. Na versão do título em português, mantiveram o original, o que foi decisão acertada, já que em inglês a palavra “gravidade” também tem duplo sentido.
O tempo é relativo, tanto na física quanto em nós. Com tão poucos personagens num cenário, paradoxalmente, tão limitado, terminados os noventa minutos do filme, fica-se com a impressão de que menos minutos de passaram. Sintoma de que assisti-lo não é perder tempo.
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sábado, 6 de junho de 2015
ATLÉTICO/MG 1 x 3 CRUZEIRO
Numa boa partida, o Cruzeiro derrotou o Atlético no Independência. Levando-se em conta as circunstâncias, a vitória cruzeirense é um feito. O Atlético está em melhor fase, vinha jogando melhor do que o Cruzeiro, que tem padecido depois do desmanche por que passou, terminada a temporada passada.
O Atlético era o favorito. Quando joga no Independência, é forte. Além do mais, não havia torcedor do Cruzeiro nem do Atlético que não tivesse em mente o dado de que o dono da casa estava a onze jogos sem perder para o Cruzeiro. Começada a partida, ainda que se argumente que Leonardo Silva estava impedido (estava mesmo) no lance que originaria o gol do Atlético, marcado por Luan, aos treze minutos do primeiro tempo, isso não anula o melhor momento vivido pelo Galo.
Com um a zero para o Atlético, pensei que o recente tabu seria mantido: a configuração conduzia a mais uma vitória atleticana, embora o Cruzeiro estivesse mais aguerrido do que esteve em partidas que disputou recentemente. O time do Atlético, veloz e melhor taticamente, foi melhor no primeiro tempo, o que não impediu o Cruzeiro de empatar, aos quarenta e seis, com gol contra de Gemerson.
No intervalo, Wallison é substituído por Gabriel Xavier. Com trinta e um segundos de bola rolando no segundo tempo, Xavier desempata. Depois, deixaria o jogo, com dores na coxa; foi substituído por Alano. Aos vinte e seis, depois de cruzamento de Damião, Marquinhos pegou de primeira, marcando o terceiro gol do Cruzeiro. (Assistindo ao jogo, quando me dei conta de que ele chutaria de primeira, cheguei a dizer “não” em voz alta, considerando que ele erraria; com a bola na rede, meu não se transformou em “sim”.) No segundo tempo, melhor foi a Raposa, mesmo considerando-se as excelentes defesas do Fábio.
Fui contra a demissão de Marcelo Oliveira. Não sou a favor de Luxemburgo no Cruzeiro. É claro que me lembro daquele formidável time de 2003, que era treinado por ele, Luxemburgo; eu estava lá no Mineirão quando da partida contra o Paysandu (jogo que decretou o título do Cruzeiro). Sei reconhecer a importância que o técnico teve para o Cruzeiro, mas não o vejo como sendo ideal para o time neste momento.
Os defensores de Luxemburgo têm dados convincentes para me refutar: no meio de semana, o Cruzeiro derrotou o Flamengo; hoje, no Independência, a Raposa quebrou escrita recente, em que o elenco atleticano vinha saindo vitorioso. Obviamente, estou satisfeito com a vitória cruzeirense, conseguida há pouco. Ainda assim, não sinto firmeza no que Luxemburgo possa vir a fazer no Cruzeiro neste 2015. Que eu esteja errado.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (84)
Devo esta foto a meus alunos do IFTM: hoje à tarde, com paciência, predispuseram-se a chutar esta bola diversas vezes, para que eu a fotografasse enquanto ela estivesse viajando. Quando tive tal ideia, pensei que a execução seria fácil, por eu estar acostumado a fotografar aves durante o voo.
Todavia, na prática, logo percebi que seria difícil capturar a bola depois de ela ter sido chutada, pois o tempo que ela permanecia no ar era breve, de modo que estava difícil achá-la durante o trajeto; depois de achá-la, a dificuldade seguinte era conseguir uma imagem focada. Após algumas tentativas — e contando com os chutes dos alunos —, pude conseguir um registro satisfatório.
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(DES)APONTAMENTO 30
Decidiu comprar perfume no concorrente da loja que frequentava. Nem se deu conta de que o cheiro do preconceito não sai.
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APONTAMENTO 251
Dá-me algumas horas de leitura e dir-te-ei quem sou.
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terça-feira, 2 de junho de 2015
ROUPAGEM
Para oferecer, tenho versos.
São eles o que eu consigo.
A poesia não está na moda.
Isso não tem importância.
Tentar a melhor roupa tem.
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CAMPANHA DE O BOTICÁRIO É ATACADA
Preconceituosos se insurgiram contra a campanha de O Boticário para o dia dos namorados. A música de fundo é um trecho, em versão instrumental, de “Toda forma de amor”, do Lulu Santos. Vão atacá-lo também?
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
(DES)APONTAMENTO 29
Cláusula de contrato se eu fosse dirigente: goleiro que leva cartão por cera recebe metade do salário no mês.
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domingo, 31 de maio de 2015
MAIS DO TITO
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"FALTANDO UM PEDAÇO"
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sábado, 30 de maio de 2015
BAND É PUNIDA APÓS COMENTÁRIO DE DATENA
Recentemente, a Band foi obrigada pelo Ministério Público a veicular chamada em que se evidencia a laicidade do Estado brasileiro. À parte, por ora, o questionamento se tal laicidade se faz na prática, o Ministério Público tomou a decisão por causa de comentário feito por Datena, que atacou os ateus. Segundo ele, os que não temem Deus ou que nele não acreditam perpetuam as desgraças do mundo. Tivesse Datena um pouquinho de senso histórico, antes de falar a bobagem que falou, consideraria as atrocidades que são feitas em nome de Deus.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
(DES)APONTAMENTO 28
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POSTERGAÇÃO
Há o momento certo
para começar.
Chama-se agora.
Damos a ele a
propriedade de
tornar-se depois.
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SERVENTIA
Serve para a poesia
um amor que deu certo.
Ou um que malogrou.
A amizade serve,
bem como o ódio.
Servem a culinária
ou a política.
Servem os nobres,
servem os tolos,
servem os cães,
servem os risos.
O que para mim existe
existe para servir à poesia.
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AUTORIA
Minhas palavras são
tão claudicantes quanto eu.
Claudicam,
vacilam,
temem,
tremem.
Mas são minhas.
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(DES)APONTAMENTO 27
CBF tirou da fachada de sua sede o nome de Marín: alegaram que só um amador se deixa pegar do modo como ele se deixou.
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(DES)APONTAMENTO 26
Enquanto trabalhava, Urnaldo leu que alguns deputados assistiam a pornografia durante votação da reforma política. Considerou isso um desaforo. A seguir, foi passear pelo sítio da Hustler.
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(DES)APONTAMENTO 25
Deputados assistindo a pornografia durante votação da reforma política. Certo eleitor achou um desaforo: não compartilharam o vídeo com ele.
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POR MÚSICA
— Você não teria por aí algo para comer? Mas algo que não valha nada.
— Ué, tenho aqui uma vasilhinha. Dentro, mamão e banana.
— Hum, tá muito saudável.
— Você gosta é do que não presta.
— Sim, é como na letra do Skank: “Acredito em tanta coisa que não vale nada”.
— Eu também sou assim.
— É?... Já que é assim, para continuar com música, “somos iguais em desgraça”.
— Ué, essa é de quem?
— É do Cazuza.
— Cazuza?!
— Sim.
— Qual música?
— Não me lembro. Vou conferir aqui.
— Beleza.
— “Blues da piedade”.
— “Somos iguais em desgraça”. Pior é que é.
— Já que o papo tá musical, vamos de Metallica: “Sad but true”...
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(DES)APONTAMENTO 24
Sujeito, de carro, jogando casca de mexerica pela janela. Um dos pedaços da casca foi parar dentro de outro carro. E o indivíduo nem pra jogar um gomo!
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FIFA, CBF, GLOBO...
Depois da prisão de Marín, está sendo cogitada a possibilidade de as investigações revelarem suposta participação da Globo no esquema de corrupção dos dirigentes do futebol mundial. Não sei se sou pessimista ou se sou realista, mas bato o martelo: a gosma não vai nem respingar na Globo.
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quarta-feira, 27 de maio de 2015
"LET THE RIVER RUN"
Mais uma vez, o Cruzeiro deu provas de que não é confiável quando tem diante de si, no Mineirão, jogos decisivos contra equipes estrangeiras. No jogo que terminou há pouco, o River Plate, com mérito e com louvor, tirou a Raposa da Libertadores.
A partida desnudou o que vinha sendo camuflado pelo fato de o Cruzeiro ter seguido na competição, após eliminar o São Paulo: o time está mau. A sensação — ilusória — de que o Cruzeiro tinha fôlego para seguir na Libertadores aumentou depois de a equipe de BH ter vencido o River Plate, lá na Argentina, por um a zero, na semana passada.
Num jogo dinâmico, os jogadores do Cruzeiro pareciam estar a quilômetros de distância uns dos outros. O River Plate se esbaldou no desajeitamento cruzeirense, dando uma aula de técnica, de empenho, de futebol. O Cruzeiro fez um papelão; à parte isso, digam o que disserem, argentino sabe jogar futebol.
No intervalo, bem que o jogador Willian, em entrevista, disse que seria preciso conversar, pois se corria o risco de um vexame, que ocorreu. O baile que o River Plate deu evidenciou a fragilidade do Cruzeiro, que não decolou no campeonato brasileiro, sob a alegação de que o objetivo era a Libertadores. Se jogar a bolinha que jogou há pouco, pode ser que não decole nem no torneio nacional.
GÊNERO
As autoridades chegaram à CBF. O globo gira; a Globo, poderosa, não roda, não dança.
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SIMETRIAS
Neste momento, no Beira-rio, o que é vermelho em um é branco no outro. E vice-versa.
O PLACAR DO JOGO
Hoje, o gerenciamento do futebol mundial levou um gol, marcado pela justiça. Isso prova o tipo de profissional que é responsável por esse esporte mundo afora. O jogo ainda não acabou.
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PRISÃO DE MARÍN
O FBI e a polícia suíça prenderam José Maria Marín. Eu nem sabia que eles entendiam de futebol.
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terça-feira, 26 de maio de 2015
LAIA
Antes de ser padre, ele é gente.
Antes de ser cientista, ele é gente.
Antes de ser ator, ele é gente.
Antes de ser professor, ele é gente.
Antes de ser padeiro, ele é gente.
Antes de ser preto, ele é gente.
Antes de ser branco, ele é gente.
Antes de ser leitor, ele é gente.
Antes de ser gari, ele é gente.
Antes de ser jogador, ele é gente.
Antes de ser marceneiro, ele é gente.
Antes de ser gente, ele é Hitler.
Antes de ser único, é mais um.
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APONTAMENTO 250
La Rochefoucauld faria sucesso no Twitter. Oscar Wilde também.
A FÁBULA DA RAPOSA QUE GOSTAVA DE CHOCOLATE
Era uma vez, num reino muito distante, há muito tempo, uma Raposa que era famosa por sua magnanimidade. Certo dia, ela fez uma proposta para seus discípulos, dizendo o seguinte: “Meus caros, nosso reino ainda é pequeno. Somos apenas cento e um habitantes. Proponho o seguinte: deixarei esta caixa atrás daquela árvore ali adiante. Peço que cada um traga um docinho de chocolate para mim. Escolham um pedaço pequeno, que caiba no bolso, de modo que não seja possível saber se vocês estão trazendo ou não o docinho. Os que trouxerem, que façam a gentileza de deixar o agrado dentro da caixa. Faço isso para que eu tenha uma ideia sobre o quanto sou querida por vocês”.
Fizeram a contagem dos docinhos. Haviam sido depositados quarenta e nove. A Raposa convocou o Reino do Cerrado (era esse o nome do lugar) para um colóquio. Disse que esperava cem docinhos. Terminou o discurso destacando seu espírito libertário e anunciando que haveria mudanças em como o reino seria governado. Estando a sós em sua toca, chamou um dos vassalos e pediu a ele que descobrisse quem não havia deixado docinhos na caixa. Cinquenta e um animais foram saboreados pela Raposa, que no banquete se valeu também de batata frita. De sobremesa, comeu docinhos de chocolate.
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A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (83)
Se por um lado cenário está longe de ser o ideal, por outro, eu não poderia deixar de fazer o registro. Há pouco, estava em meu quarto. De lá, eu podia escutar as vozes dos anus-brancos. Só que houve um momento em que o vozerio soou próximo demais; olhei pela janela. Havia dois deles pousados nesta antena, que fica na casa do vizinho.
Imediatamente, saí do quarto e fui pegar a câmera. Como a antena não fica muito no alto, nem troquei a lente, ciente de que uma 18-200, a lente que estava no equipamento, seria o bastante para a realização da foto. De dentro do quarto, quando apontei para a antena, um dos anus-brancos já havia partido. Do que está nesta imagem, pude tirar duas fotos.
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segunda-feira, 25 de maio de 2015
SHOW DE PIÊIT
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APONTAMENTO 249
Com escritores ruins, aprende-se o que não dever ser feito. Mas isso não garante que se conseguirá realizar o que se tem em mente escrever.
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sábado, 23 de maio de 2015
O BERÇO NA PRAÇA
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