quinta-feira, 14 de maio de 2015

GENTIL MOTOR

A letra da canção diz: “Ando tão à flor da pele / Qualquer beijo de novela / Me faz chorar”. Há pouco, o trecho me veio à mente em virtude de gentileza por que passei: a via que dá acesso a meu trabalho é estreita (e sem iluminação). Devido à atuação das empresas que há na área, o trânsito de caminhões é intenso.

Vindo para o trabalho, há mais ou menos uma hora, entrei na tal via. Um pouco adiante, uma carreta. Devido à estreiteza do caminho, preferi não arriscar ultrapassagem. Percebi que o motorista me vira pelo retrovisor. Logo ele deu seta, indicando que, apesar do aperto do caminho, chegaria para a direita, o que ele fez. Logo a seguir, fez sinal com o braço, para que eu o ultrapassasse.

Estamos acostumados a passar por e a exercer a brutalidade no trânsito; a selvageria é tal que quando há um gesto civilizado a gente acaba se surpreendendo. Eu não contava mesmo com a atitude do motorista da carreta. Quando eu estava próximo à cabine, buzinei brevemente e ergui rapidamente o braço esquerdo, agradecendo-o pela gentileza. Ele também buzinou. Será que ando tão à flor da pele que qualquer gentileza me faz escrever?... 

CRUZEIRO PROSSEGUE NA LIBERTADORES

Tendo perdido o primeiro jogo, em São Paulo, na semana passada, era natural que o Cruzeiro tomasse a iniciativa de modo mais incisivo na partida de ontem, realizada no Mineirão, principalmente levando-se em conta que até então a equipe vinha jogando com apatia. Foi a primeira partida do ano em que Cruzeiro jogou de modo a deixar o torcedor mais esperançoso.

Na contenda disputada no Morumbi, o São Paulo jogou muito melhor do que o Cruzeiro, que parecia satisfeito demais em sair de lá com um empatezinho. Jogou tão acuado, tão defensivamente, que nem um empate conseguiu; ademais, não fosse a performance excelente do goleiro Fábio, o São Paulo poderia ter goleado a equipe mineira. No jogo da semana passada, o São Paulo foi muito melhor do que o Cruzeiro; no jogo de ontem, o Cruzeiro foi “apenas” melhor do que o São Paulo.

Os primeiros quinze minutos do jogo de ontem tiveram o roteiro tradicional: o Cruzeiro pressionou, pois, além de jogar em casa, era o time que precisava da vitória. Ainda num roteiro que não surpreendeu, o São Paulo, que na semana passada também saiu de sua letargia, passados os famosos quinze primeiros minutos, conseguiu fazer com que o domínio do Cruzeiro fosse menos acachapante.

Os frutos da pressão realizada pela Raposa no primeiro tempo foram colhidos no segundo. Ou na cobrança de pênaltis, dependendo de como se encare. Aos nove minutos, Damião empurrou para as redes. Não tendo o Cruzeiro conseguido marcar mais um gol, o classificado seria decretado nas penalidades.

Damião, que fizera o gol que levou o Cruzeiro à cobrança de pênaltis, foi o primeiro a cobrar pelo time de BH; não marcou. Manoel também não teve êxito na cobrança dele. Pelo São Paulo, Sousa, Luís Fabiano e Lucão não marcaram; nos pênaltis, quatro a três para o Cruzeiro. Na sequência do torneio, o time vai enfrentar ou o Boca Juniors ou o River Plate nas quartas de final. O River venceu a primeira partida por um a zero; a segunda será hoje à noite. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

UTÓPICO

Não falo de coisas do além,
mas dos que estão neste mundo.
Felizes são aqueles que partem.
Os que ficam são os malditos.
Para quem fica, a danação.
Tem paz quem vai embora.
O desterro ilumina quem vai.
O guerreiro mata quem fica. 

APONTAMENTO 248

O acúmulo de informações, por si, não torna ninguém inteligente. Fosse assim, todos aqueles que navegam na internete seriam inteligentes. A informação pode ser um dos elementos da inteligência, mas inteligência não é. Pular de galho em galho na internete não torna ninguém inteligente. Nesse sentido, aquele que pega um livro e se concentra na leitura, refletindo sobre o que lê, ruminando ideias, ganha muito mais. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

SOBRE MARCAS E MARCOS

Palmeiras e Atlético/MG fizeram o jogo de abertura do campeonato brasileiro deste ano. Faltando meia hora para o início da partida, Globo e CBF ordenaram que as placas que continham os dizeres “Allianz Parque” fossem parcialmente tapadas: esconderam o “Allianz”. A seguradora alemã pagou trezentos milhões de reais para ter o nome exibido no estádio e para nomeá-lo.

Paulo Nobre, o presidente do Palmeiras, justificou-se, dizendo que os letreiros do estádio, em virtude de acordo, não pertencem ao clube. Além do mais, a iniciativa contou com o apoio da CBF, patrocinada pela Seguros Unimed, concorrente da patrocinadora do Palmeiras. A iniciativa da Globo não se trata apenas de não fazer propaganda involuntária para a Allianz.

Isso me remete ao ano de 2001, quando o Vasco usou o logotipo do SBT na decisão de um torneio chamado Copa João Havelange. No dia trinta de dezembro de 2000, a decisão entre Vasco e São Caetano, em São Januário, foi interrompida devido à queda de alambrado. Cento e sessenta e oito pessoas ficaram feridas. Eurico Miranda, que era o presidente do Vasco na época (recentemente, ele voltou ao cargo), não gostou da cobertura que os meios de comunicação (em especial a Globo) deram para o caso.

Esperto que é, Eurico Miranda conseguiu disseminar na equipe a ideia de que o Vasco estaria sendo “perseguido” pela mídia. Mas ninguém poderia imaginar o que ele estava urdindo. Uma nova partida foi marcada para o dia dezoito de janeiro de 2001; o jogo foi disputado no Maracanã. Nessa data, com exibição da Globo, o Vasco entrou em campo com o logotipo do SBT estampado na camiseta. 

domingo, 10 de maio de 2015

DOMINGUEIRO

As coisas sabem que é domingo.
Domingando, espreguiçam.
Espreguiçando,
enchem-me de domingo. 

EM SALA DE AULA







Uma boa aula tem sobre o espírito o mesmo efeito de uma boa leitura: ambas são inspiradoras. Ontem à tarde, no Unipam, depois de três horas de aula com o professor Luís André Nepomuceno, pós-doutor em teoria literária pela Unicamp, saí inspirado.

Ele começou ontem o curso de extensão “Literatura e Psicanálise”; a continuidade será no dia vinte e três de maio. Segundo material distribuído pelo professor, os objetivos do curso são “analisar os conceitos fundamentais da psicanálise freudiana, como forma de identificá-los com uma teoria crítica da literatura” e “aplicar conceitos da psicanálise na leitura de textos literários diversos”.

Na aula deste nove de maio, Luís André fez uma introdução às ideias que precederam a psicanálise, tendo sempre em mente o ambiente histórico que produziu tais ideias. A seguir, conceitos fundamentais da psicanálise foram expostos, sempre com o viés histórico em mente. Numa terceira etapa, e à luz do que havia sido debatido durante a aula, foi lido o poema “Coleção de cacos”, de Carlos Drummond de Andrade. Para a aula de vinte e três de maio, além de produções drummondianas, estão programadas discussões de textos de Aníbal Machado, de Hans Christian Andersen, dos irmãos Grimm e de D.H. Lawrence.

Luís André Nepomuceno tem profícua trajetória acadêmica; vem se dedicando ao ensino, à pesquisa, à tradução e à escrita de ensaios. Paralelamente, é ficcionista, tendo publicado contos e romances pela 7Letras. Ele foi meu professor (de literaturas inglesa e americana) por dois anos; posteriormente, eu seria colega de trabalho dele no Unipam.

Por algumas vezes, em conversas com o Luís André, eu me vali do adjetivo “industrioso” para me referir à postura dele diante do mundo das palavras, sejam elas textos acadêmicos, sejam textos ficcionais. Ele produz muito. Como professor, o didatismo dele é do tipo que não tira nem a beleza nem a profundidade do que está sendo estudado. Consciente de seu papel de docente no ensino superior, oferta, com seu jeito diplomático de conduzir as relações em sala de aula e com sua cultura, momentos em que a beleza do conhecimento toma conta do ambiente. 

sábado, 9 de maio de 2015

LINHAS

MAQUINÉ

Na Gruta de Maquiné, 
descobri que pertenço 
ao reino da escuridão. 
A treva não é áspera, 
mas lisa como se fora
reveladora claridade. 

QUERO-QUERO

sexta-feira, 8 de maio de 2015

NO BOTECO COM LÍVIO SOARES DE MEDEIROS — EDIÇÃO 6

Eis mais uma edição de No Boteco com Lívio Soares de Medeiros. A entrevistada é a professora Ângela Oliveira.
 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

PUBLICAÇÃO NO BRASIL 29

Contente por hoje ter tido artigo meu publicado no Brasil 29, página com cuja ideologia me identifico. Hoje à tarde, entrei em contato com eles, sendo, com muita rapidez, gentilmente atendido por uma pessoa chamada Aline. Mantivemos rápida correspondência via e-mail. Enviei um texto como amostra, interessado em ter um espaço na página.

Fiquei surpreso quando Aline disse que publicaria o artigo, que está no saite do Brasil 29 (há também linque para o texto na página deles no Facebook). Escrevi a opinião há quase dois meses. O texto já foi publicado aqui no blogue e também em meu perfil no Facebook. Diante da boa vontade dela, acabei me sentindo à vontade para dizer que eu me proporia, a publicar, no futuro, mais textos na página deles.

Quase fiquei louco de tão exultante, quando ela respondeu dizendo que não prometia publicações diárias, mas que, se eu quisesse, poderia enviar dois ou três textos por semana. Como tenho a impressão de que eu não conseguiria escrever com tamanha frequência, propus escrever um texto por semana. Ela topou. Que eu consiga realizar o combinado entre mim e Aline. Para conferir o Brasil 29 no Facebook, basta clicar aqui

O PATRIOTA

Sabe que as empresas dão muito lucro. Sempre finge não ter noção exata de quanto fatura. Em solenidade para homenageá-lo, postou a mão no peito, chorou ao cantar o Hino Nacional. Horas antes, em meio a mofas, lesara a Nação mais uma vez. 

ELEGÂNCIAS

Roberta Sá e Sade: duas elegâncias esguias. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

DISCURSO

Muitos falam bem da beleza. 
Poucos sabem se fazer belos. 
Muitos falam bem da gentileza. 
Poucos sabem se fazer gentis.
Muitos falam bem da paz. 
Poucos sabem se fazer pacíficos.
Muitos falam bem da leitura. 
Poucos sabem se fazer leitores.
Muitos falam bem da disciplina. 
Poucos sabem se fazer constantes. 
Muitos falam bem de deuses. 
Poucos sabem se fazer benévolos.

Chovemos demais.
Irrigamos pouco. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

EM FIM

Coleciono poemas 
não terminados.
Mas este não vai
para a coleção. 

APONTAMENTO 247

Há muita beleza em ficar bem. Primeiro, consigo; depois, com os outros. Ficar bem dá trabalho, tanto consigo quanto com os outros. É um trabalho diário. Existe beleza nisso também. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

APONTAMENTO 246

Se a ignorância for bênção, prefiro a maldição. 

"WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS"

O time da Caldense conseguiu manter a fleuma que vinha tendo ao longo do campeonato até os vinte e cinco minutos do segundo tempo do jogo terminado há pouco. Com a ajuda da arbitragem, em gol no qual Jô estava impedido, o Atlético foi campeão. Ajuda semelhante teria havido se o rival da Caldense tivesse sido o Cruzeiro. 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

SANGUE FALSO

Umberto Scandelari é o nome do policial que passou tinta no corpo, simulando sangue, a fim de fazer com que se acreditasse que ele havia sido ferido durante a manifestação no Paraná. A própria PM assumiu a tentativa de engodo de Scandelari. O sangue dos manifestantes é de verdade. 

PARANÁ

Richa está tranquilo: tem à disposição policial que se tinge com uma substância vermelha querendo passar a mensagem de que o vermelho no corpo dele seria sangue, pit bull da Polícia Militar e pessoas no Palácio do Piratini que acharam bom enquanto os servidores eram atacados por policiais (áudio de vídeo captou vozes celebrando à medida que a polícia atacava os manifestantes). 

CEGUEIRAS

Dos olhos que tem, 
um se recusa a
enxergar o passado;
o outro, o presente.

Dos olhos que tem, 
um está cego de ranço; 
o outro, de raiva. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

PESSOA

Fernando Pessoa ilumina tudo com a razão. A poesia dele é raciocínio. Por vezes, o texto dele deixa de ser poesia (ou se mantém poesia “apenas” na forma), mas nunca deixa de ser belo. Fernando Pessoa enxerga à da razão. Lirismo racional. Racionalidade lírica. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

NO BOTECO COM LÍVIO SOARES DE MEDEIROS — EDIÇÃO 5

No ar, mais uma edição de No Boteco com Lívio Soares de Medeiros. O entrevistado é o cantor e compositor Hebreu.
 

APONTAMENTO 245

Tem insônia quem sabe o poder que podem assumir gotas de torneira a pingar em intervalos regulares madrugada adentro. 

O TAMANHO DO DOCUMENTO

Se por um lado preciso escrever, por outro, padeço de medo mórbido de cansar o leitor — esse temor não merece perdão. Suspeito de que esse receio seja reflexo do que sou como pessoa. É que se eu pudesse escolher, eu percorreria as ruas e os ambientes sem que ninguém desse conta de minha presença; pudesse eu escolher, eu seria invisível.

A invisibilidade é impossível; ficar sem escrever é possível. Mas é uma possibilidade que não quero. Assim, busco um texto que seja pouco... visível, um texto que seja discreto. Numa autoanálise que pode estar incorreta, atribuo a pouca extensão de meus textos ao desconforto que sinto quando sou visto. Não que eu acredite haver trilhões de pessoas dando-se conta de quando estou nas proximidades. A questão não está na quantidade, mas no simples ato de ser visto.

Desde quando comecei a escrever, tenho tido o anseio de escrever textos que fossem mais longos do que os que escrevo, sejam eles ensaios, sejam poemas, sejam contos. Contudo, todas as minhas tentativas foram infrutíferas. Mesmo assim, continuo insistindo em textos maiores, apesar de conviver com uma voz a me sussurrar que é mais sensato polir o que sei fazer, em vez de ansiar pelo que não sei.

Quando comecei a escrever, optei por textos curtos. Penso que isso se deve às leituras de fim da infância e de começo da adolescência. Meu pai lia um jornal chamado Boletim Informativo. Era muito comum o periódico veicular frases do Millôr. Depois, passei a ler os epigramas da seção Dito e Feito, que fazia parte da Superinteressante. Por fim, a coleção O Pensamento Vivo (leitura da adolescência), publicada pela Martin Claret, realçava epigramas dos biografados.

Tudo isso é teoria. A essas cogitações, é preciso acrescentar uma vergonhosa e farta dose de indisciplina. Ao mesmo tempo em que eu realizava o tipo de leitura mencionado no parágrafo anterior, eu lia romances, ensaios e biografias. Como leitor, nunca tive problemas com escritos de maior fôlego; como quem escreve, sempre tive. Por isso mesmo, já passou da hora de eu terminar este texto. 

domingo, 26 de abril de 2015

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 33


Pessoas, no ar, mais uma edição do Sintonia Fina, programa musical que apresento.

The Cult — She sells sanctuary
Pitty — Na sua estante
John Lennon — Mother
Douglas Borsatti — Sweet child o’ mine
Kings of Leon — Manhattan
Finis Africae e Renato Rocha — Eu sei
Capital Inicial — Belos e malditos
Video Kids — Woodpeckers from space 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

SATÂNICA É A IGNORÂNCIA

Segundo o Pragmatismo Político, Lúcia Fernandes Santana, durante encontro evangélico, teve crise asmática. O redil que estava por perto supôs que ela estava “possuída”. Começaram a rezar, na intenção de livrá-la do diabo. Lúcia continuou passando mal.

Chamaram um pastor. Não sei se ele tentou fazer com que o demônio saísse do corpo de Lúcia. Ainda assim, o religioso fez o que qualquer pessoa com algum senso deveria ter feito quando Lúcia começou a passar mal: chamar uma ambulância.

A mulher morreria no Hospital de Base, em São José do Rio Preto/SP. A asma causou um AVC. Não tendo sido socorrida a tempo, Lúcia perdeu a vida.

Há uma lição gritante: se por um lado somos, em maior ou em menor grau, ignorantes, nem por isso podemos abdicar da busca pelo conhecimento (sei que ele pode ser usado malevolamente). Um pouco menos de burrice ou um pouco mais de ciência poderiam ter salvado a vida de Lúcia. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

CONTO 75

Ana Cláudia é sócia de restaurante. Recebe o pagamento dos clientes e anota o peso da comida consumida por eles. A visão de Ana Cláudia sempre foi elogiada; mesmo a balança estando a cinco metros de onde ela fica para receber o pagamento dos fregueses, ela conseguia anotar o peso com eficácia. Afirma até hoje que morrerá velha sem usar óculos. No primeiro dia em que Ana Cláudia não conseguiu enxergar o peso no visor da balança, não se rendeu. Apertou um pouco os olhos e fez a leitura. Numa ocasião, anotou o peso incorretamente. Ela soube disso depois de reclamação de cliente. Olhou ao redor; deu-se conta de que ninguém que trabalhava no restaurante percebera o erro dela. Com o passar dos dias, em dificuldade, tomou decisão: alegou que a balança do restaurante estava com defeito e comprou uma com visor maior. 

APONTAMENTO 244

CÃO

segunda-feira, 20 de abril de 2015

CERRADO AFORA

Ontem, domingo (19/04), estive novamente na fazenda que pertence à família do amigo Aldo. Sempre que vou para lá, tenho a oportunidade de vários registros, pois o lugar é pródigo em possibilidades para a fotografia. A região é conhecida como Córrego Rico. Mais uma vez, obrigado ao Aldo e à família dele pela recepção, que é sempre gentil e farta em delícias da roça, preparadas pela dona Elza, a mãe do Aldo.

Além do que oferece a natureza do lugar, tive a chance de fotografar uma galera que passou, com seus carros próprios para terrenos acidentados, dentro da fazenda; é comum passarem por lá, mas foi a primeira vez em que houve a coincidência de eu estar presente quando da passagem deles. Obviamente, eu não poderia deixar de registrar a passagem dos aventureiros.






























sexta-feira, 17 de abril de 2015

EM PÂNICO

Que tecnicamente o Emílio Surita é um baita locutor, até as tarântulas sabem. Acompanhei a carreira dele até à primeira metade da década de noventa. Depois disso, talvez por já estar ficando velho, fui perdendo o interesse em escutar a Jovem Pan FM, uma rádio voltada em essência para o público adolescente.

Ontem, após assistir a um vídeo, fiquei surpreso com a consciência político-social do Emílio Surita. Ao entrevistar a Rachel Sheherazade, que trabalha para a Jovem Pan e para o SBT, Surita revelou uma sensatez que eu desconhecia. Não que eu o julgasse destemperado: é que simplesmente eu não tinha conhecimento do que ele pensa sobre questões como, por exemplo, a redução da maioridade penal.

É sempre bom quando se tem a chance de saber o pensamento, concordando-se ou não com ele, de profissionais que estão em destaques nos grandes meios de comunicação. No caso do Emílio Surita, não deixa de surpreender a moral que ele tem, por ter dito o que disse numa rádio cujas pautas estão em sintonia com as demandas da atual direita no Brasil.


Não raro, mandachuvas são boçais; chega a ser um mérito para o Tutinha, dono da emissora, permitir na rádio dele, num dos programas de maior audiência do rádio brasileiro, um locutor transmitir ideias que não são as do veículo em que ele trabalha. Digo isso partindo do princípio de que ou o Emílio Surita tem carta branca para dizer o que pensa ou não sofrerá retaliação pelo que disse. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

FIM DA PENA DE MORTE É DEBATIDO NOS EUA

Matéria veiculada na excelente revista The New Yorker discorre sobre debate que há nos EUA: o fim da pena de morte. Os que defendem a extinção da pena capital têm vários argumentos. Um deles é racial. Diz a matéria da revista: “Muitos estudos têm mostrado que é muito mais provável que um transgressor que tenha matado uma vítima branca seja sentenciado à morte, principalmente se o transgressor for negro”. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

CONVITE

Logo mais, no Sweet Home Rock Bar, aqui em Patos de Minas, música ao vivo com a banda Blackbird, num tributo aos Beatles. Antes e depois do show, vou estar como DJ, executando pérolas do rock.

Bora curtir?... 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

ED MOTTA

Dos tempos do sacana PL 4.330: a elegância, o charme e a sofisticação de Ed Motta também são terceirizados. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

SOBRE OS REBELDES

A expressão “rebelde inteligente”, do modo como encaro a rebeldia, é redundante. O espírito rebelde, tal qual o concebo, é sagaz, não destrutivo. A rebeldia constrói ideias, instiga, inspira, entusiasma.

O verdadeiro rebelde quer o bem comum. Para quem não sabe entendê-lo, o rebelde é visto como mero arruaceiro, desses que tolamente saem por aí fazendo tolas pichações. Nada mais distante de um rebelde do que um arruaceiro.

O verdadeiro rebelde luta por conquistas coletivas. Nessa sua luta, pode se enganar, é claro, mas ele não se predispõe a enganar os demais. Pode ser visto como encrenqueiro ou como individualista. Com frequência, é banido, mas as coisas pelas quais luta são atemporais.

O verdadeiro rebelde incomoda os conservadores por quebrar a pasmaceira, por questionar, por ter noção de seus direitos e por cumprir os deveres. Por natureza ou em essência, o rebelde é um idealista, um sonhador, um utópico. Suas atitudes são consequência desse espírito.

O sonhador incomoda por mexer no estado em que as coisas se encontram. O que para ele é simples afirmação pode ser visto como balbúrdia por aqueles que têm interesse em conservar o astral como ele está. O mundo melhora graças aos rebeldes, não graças aos que estão interessados mais em si mesmos do que na evolução de uma coletividade.

O rebelde professa, quer ensinar, quer mostrar, quer contar. Ele quer dizer a todos sobre uma outra possibilidade; uma possibilidade livre, menos pesada, menos opressora. Ele se cansa, ele desiste; contudo, para apoquentação de muitos, o rebelde volta. Se não em pessoa, voltam suas ideias, as quais, a rigor, nunca vão embora.

O rebelde incomoda quando age. Sua beleza é tal que ele continua incomodando mesmo depois de ter ido embora. Às vezes, mesmo sem intenção, o rebelde desestrutura, agita, faz vibrar.

O rebelde sabe que nunca terá a seu lado os mais poderosos. Mas ele não anseia pelas bênçãos de quem está no poder. O rebelde se sente à vontade é com aqueles que não têm oportunidade para se manifestarem. Ou que não se manifestam por temerem retaliações.

Poderosos caretas não entendem a beleza da rebeldia. No entanto, reconhecem o perigo que pode haver num grupo quando nele há um rebelde. Sempre haverá um não conformado sendo proscrito. Por um lado, isso é ruim; por outro, se sempre há um rebelde sendo exilado, sinal de que a pujança da rebeldia não nos abandona.

O rebelde não seduz os preconceituosos; é desprezado pelos que, por migalhas ou por carros, bajulam os poderosos; pode causar inveja nos que morrem de vontade de ser como ele. Ainda que sem querer, o rebelde perturba. Por isso mesmo, não raro, é espezinhado.

Os inteligentes não ressentidos, os de mente aberta, ainda que não concordem com alguma ideia dos rebeldes, nem por isso deixam de constatar: os rebeldes são mais do que necessários — eles são encantadores. 

DO TRIBUTO A PAUL WALKER

Alguém escreveu que “morrer é dobrar a esquina”. Sempre tive comigo que essa frase é do Guimarães Rosa, mas não estou certo disso. Ontem, ela me ocorreu novamente. Explico por quê.

Não assisti a nenhum dos filmes da franquia “Velozes e furiosos”. Independentemente disso, é claro, fiquei sabendo da morte do Paul Walker; ontem, fiquei sabendo do tributo que há para ele no mais recente filme da série.

Assim que conferi o tributo no Youtube, a frase entre aspas do primeiro parágrafo me veio à mente. É que a homenagem a Paul Walker acaba sendo uma materialização ou concretização do conteúdo que citei.

A sequência que homenageia Walker, a qual se valeu de computação gráfica, é bonita e eficaz. Tanto que nem é preciso ter assistido aos filmes da série para que ela seja compreendida, para que se tenha noção do que é sugerido.

O João Cabral costumava dizer que palavras concretas são mais úteis para a poesia do que as abstratas. Nesse pensamento, a palavra “cadeira”, por exemplo, seria mais eficiente para a linguagem poética do que, por exemplo, a palavra “solidão”.

Talvez por isso eu goste de “morrer é dobrar a esquina”. “Esquina” é um elemento concreto, palpável. Talvez por isso eu tenha gostado da sequência que homenageia Paul Walker. Afinal, talvez, a morte seja tomar outro caminho. Sendo ou não, tal sugestão é bonita. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

FINANÇAS

Não fazer de contas —
fazer as contas. 

NO BOTECO COM LÍVIO SOARES DE MEDEIROS — EDIÇÃO 4

No ar, mais uma edição de No Boteco com Lívio Soares de Medeiros. Desta vez, bato um papo com o músico Alexandre Rosa. Na conversa, ele fala de sua convivência com a música, bem como de sua associação com a fotografia.

domingo, 5 de abril de 2015

MANIFESTOS CONTRA A GLOBO

No começo de março, Angélica, que trabalha na Globo, não conseguiu gravar matéria na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela e a equipe que a acompanhava foram recebidas com o tradicional “abaixo a Rede Globo”. Acabaram desistindo de gravar a matéria.

Ontem (04/04), uma equipe da Globo News foi hostilizada e expulsa quando cobria manifestação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Atos recentes contra a Globo foram realizados no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília.

O Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, publicou no dia dois de abril uma frase contundente: “Um macaco teria erguido um império nas condições dadas a Roberto Marinho pela ditadura em troca de apoio político”. Não é segredo que a Globo teve convivência asquerosa com a ditadura, a despeito da retórica de bons mocinhos dos Marinho.

Manifestações não violentas contra a Globo são imprescindíveis. Ela é perigosa. A emissora tem no cerne uma ideologia malévola, travestida numa estética bonita e numa grande competência técnica. Contudo, visual bonito e recursos técnicos e humanos não conseguem esconder o quanto a Globo é daninha e perniciosa.

Mesmo assim, é preciso que os profissionais dela tenham condições de trabalhar. À parte o espectro ideológico que tenham, eles estão exercendo suas profissões. Que escutem protestos, que escutem palavras de ordem — mas que possam trabalhar.

De algum tempo para cá, notícias de quedas de audiência da Globo têm sido veiculadas. Todavia, o poder deles é ainda incontestável. Tenho a impressão de que assim vai continuar por muito tempo. A maior retaliação contra a Globo é não sintonizá-la. 

URT SE MANTÉM NA PRIMEIRA DIVISÃO; MAMORÉ CAI

Do mesmo modo que Atlético e Cruzeiro já se ressentiram do poder político exercido na CBF por times do Rio e de São Paulo, times do interior de Minas Gerais já se ressentiram do poder exercido pelo Galo e pela Raposa na Federação Mineira. Também por isso, achei bom que dois times do interior tenham se classificado para as semifinais do campeonato mineiro.

Na sequência do torneio, Cruzeiro e Atlético vão se enfrentar, bem como Tombense e Caldense. Isso significa que já há uma equipe do interior garantida na decisão do campeonato. Também como consequência da rodada deste domingo, ou Cruzeiro ou Atlético não estará na final.

No futebol patense, a URT se mantém na primeira divisão do futebol de Minas Gerais; o Mamoré caiu para a segunda. Desse modo, Patos de Minas não terá seus dois times na primeira divisão do campeonato mineiro no ano que vem.

Os campeonatos estaduais, no todo, têm como característica a monotonia. Contudo, não foi o que ocorreu nesta última rodada do campeonato mineiro. Tanto foi assim que, só mencionando os times locais, antes do início dos jogos de hoje tanto URT quanto Mamoré tinham chances de permanecer na primeira divisão, bem como poderiam cair os dois. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

APONTAMENTO 243

Nem todo silêncio é de sabedoria, mas toda sabedoria aprende a fazer silêncio. 

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (82)


Há um tempão tenho “paquerado” os pardais que vêm bebericar dos pingos que saem da torneira do tanque, aqui em casa. Eu ficava adiando a foto. Hoje, finalmente, eu a fiz. Nem precisei esperar muito para que um deles viesse se refrescar.
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F/5.6
1/250
ISO 800
Sem "flash"
Lente Canon EF 100-400mm f/4.5-5.6L IS USM
Câmera Canos EOS 60D 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

(DES)APONTAMENTO 23

O que o cantor Beck poderia dizer quando voltasse a fazer show onde já havia estado: “Hello, I'm Beck once more”. 

O GESTO DE HUDEA


A foto que retrata a menina Hudea, de quatro anos, correu o mundo. O autor é Osman Sağırlı; o registro é de dezembro do ano passado, embora só tenha se tornado conhecido mundialmente de uma semana para cá. Sağırlı tirou a foto na Síria; Hudea é uma das vítimas da guerra civil no País.

O fotógrafo explicou que ao apontar a câmera para a menina, ela levantou os braços, supondo que câmera e lente fossem alguma arma. A imagem é impressionante. Tudo nela assusta. A espontaneidade infantil de Hudea, no caso da foto, depõe contra nós e mostra a feiura do que somos capazes.

Se estamos aptos a causar uma reação dessas numa criança, de quantas provas ainda precisaremos para assumirmos que não demos certo? A foto de Sağırlı revela um momento que deveria servir para que parássemos o mundo.

O que torna a imagem mais impressionante é que não há sangue nela, não há vísceras, não há sinais aparentes nem visíveis de destruição, de violência. Já conspurcada por nós, adultos, a garota imita um gesto que é nosso. Esse não é o tipo de coisa que Hudea deveria ter aprendido conosco.

Sem querer, a menina de quatro anos esfrega na nossa cara o fiasco do mundo que fizemos para nós. Ela encara a lente, que na cabeça dela é algo que pode tirar a vida, mesmo sem ela ter ainda uma dimensão maior do que é a vida. Hudea olha a lente, Hudea nos olha. Parece estar a um átimo do choro.

Em 1972, Huynh Cong “Nick” Ut tirou a foto de Kim Phuc, que, aos nove anos, fugia de um vilarejo no Vietnã, após sofrer ferimentos causados por explosivos. A imagem de Kim Phuc e de outras crianças fugindo das consequências de uma guerra não foram o bastante para que tentássemos um novo caminho. Não satisfeitos, produzimos o gesto e a expressão de Hudea.

Vergonhoso já é nós, adultos, destruirmo-nos dia a dia, às vezes de modo sutil, às vezes com violência de feras. Não temos nem a “honradez” de fazer com que sejamos as únicas vítimas de nosso ridículo e pífio torvelinho. Incapazes de nos entendermos, temos de fazer com que crianças paguem pela nossa indecência. 

Brás Cubas tentou se esquivar: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Pelo menos na frase seguinte, não vou me eximir. Hudea, Kim Phuc ou João Hélio Fernandes são o legado da minha miséria, da sua miséria, da miséria de quem é gente. Todavia, amanhã é um novo dia. Tenho a convicção de que acordarei pronto para nada mudar. 

APONTAMENTO 242

Desinteligências barulhentas atraem mais gente do que inteligências sutis. Aprendamos com os discretos e os silenciosos. 

terça-feira, 31 de março de 2015

EM CORES

Bruna é branca.
Barry White é preto. 
O senhor Brown é amarelo. 
Clara é morena.

Na pele, 
o que conta
não é a cor, 
mas o arrepio. 

segunda-feira, 30 de março de 2015

BREVE NOTA SOBRE "VIDA DE JESUS"

Ernest Renan, em seu “Vida de Jesus”, defende um Jesus histórico, mas não menos admirável. O autor ousa não somente ao negar os dogmas, mas também por interpretar à luz da história e do rigor científico o que teria ocorrido com Jesus. Se lido com espírito aberto, espírito que deve ser, a rigor, o de toda leitura, Renan tem muito a ensinar sobre a arte de ler e sobre a arte de interpretar. Lidando com um grande personagem, o historiador compôs um livro formidável. Negando o pilares de uma tradição edificada depois da morte de Cristo, Renan postula que não houve os milagres nem houve a ressurreição atribuídos a Cristo, mas não deixa de tornar clara a complexidade de seu personagem, evidenciando, ao mesmo, seu caráter humano. 

O REENCONTRO

Recentemente, perdi parte de meus livros, por eles terem mofado. Quando me dei conta de que o mofo danificara parte do acervo, retirei todas as obras da estante e comecei a escarafunchar livro por livro, separando os que teriam de ser jogados fora.

Desde então, tenho adiado o retorno deles para a estante. Uma infiltração na parede causou o mofo. O problema da infiltração já foi resolvido. Anteontem, deixei de lado a preguiça e comecei a voltar os livros para os lugares em que estavam.

O lado bom é que estou lidando com obras com as quais eu não tinha contato há um tempão. Revirar papéis antigos é um modo de visitar nosso passado. Os livros ou os papéis são também nossas circunstâncias. Assim, o retorno dos livros para a estante tem sido moroso nem tanto pelo tamanho do acervo, mas pelas lembranças que vão trazendo.

A despeito da perda de dezenas de livros, o contratempo teve algo de bom: há tempos eu dava como perdido o livro “The encyclopedia of things that never were” [A enciclopédia das coisas que nunca existiram], de Michael Page e Robert Ingpen. Para ser honesto, havia uma ambivalência em mim, pois, se por um lado eu dava como certo o sumiço da obra, por outro, a esperança de tê-la outra vez em mãos nunca me deixou.

Eu já poderia ter encomendado outro exemplar, mas ficava adiando. E não é que me reencontrei com o livro? Ele não foi nem um pouquinho afetado pelo mofo. Voltando, um por um, os livros para a estante, tive a felicidade de voltar a ter em mãos um dos mais inspirados trabalhos a que já tive acesso. Minha imaginação pega fogo, enche-se de entusiasmo quando o leio. O ludismo que tem faz bem para o espírito, levando-nos a criaturas, lugares e pessoas que existem graças a um dos maiores bens que temos — a imaginação. 

SUCESSO PARA DUNGA

Dunga não faz o perfil técnico de butique que fica pedindo as bênçãos da Globo. Pelo menos é o que deixa transparecer. Torci por ele quando da primeira passagem dele pela seleção como técnico; torço por ele agora. 

É claro que vibrei em 1994, quando Parreira era o técnico, bem como vibrei em 2002, quando o técnico era Filipão. Mas esses dois seguem os ditames da Globo, ainda que Filipão tentasse passar uma imagem de rebeldezinho. 

Dunga parece ser um rebelde. Ele foi escorraçado pela mídia quando de sua primeira passagem no comando da seleção. Mesmo isso tendo ficado no passado, ele está longe de ser o queridinho dos meios de comunicação. Erros que em outros seriam camuflados, nele serão ampliados. Pequenos acertos de outros seriam tratados como coisas de gênio; grandes acertos de Dunga, se vierem a existir, serão tratados como movimento corriqueiro.

Estando de volta, Dunga tem sido bem-sucedido até agora. Ainda não houve competição oficial depois do fiasco da seleção na Copa. Seria inútil arriscar como será o desempenho dele no porvir. Mas para os que dizem que ele não entende de futebol, vale lembrar que aqueles que se jactavam como especialistas do esporte tomaram goleada de sete a um. Dunga ainda não levou uma dessas. Se um dia ele vier a disputar uma Copa como técnico, que dela saia como saiu na de 1994.