sábado, 14 de março de 2015

AV. JK, EM PATOS DE MINAS


Revendo arquivos, eu me deparei com esta foto, tirada em dezenove de fevereiro de 2012. Eu preferiria uma imagem, digamos, laica, em que não houvesse o dizer religioso na placa, já que minha intenção era buscar uma temática urbana, não religiosa. 

 Seria fácil apagar a placa em programa de edição. Todavia, isso não faria muito sentido, considerando-se a temática urbana com que eu estava em mente. Afinal, tendências, paradoxos, ideologias, fios e desafios estão no caldeirão urbano. 
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30 segundos 
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ASDRÚBAL, OS NÚMEROS, AS PALAVRAS

Os números vistos e entrevistos todos os dias, as palavras lidas inteiramente ou as vistas de relance. Para Asdrúbal, todos os números e todas as palavras com que nos deparamos fazem parte de uma linguagem cifrada em que o destino de cada um está escrito. Cada indivíduo, todos os dias, lê, em números e em palavras com que se depara, o destino que é seu.

Asdrúbal acreditava que se decifrasse como funciona o código que é só dele, poderia, então, compartilhar a técnica com a humanidade. Por cinquenta e três anos, dedicou-se a anotar milhões de números e palavras. Compôs em seus cadernos esquemas e diagramas em que se perdia. Sentia-se acossado pelo material com que lidava. Cismou de que a compreensão de sua vida viria a partir do número 2007 e da palavra “entusiasmo”.

Num dia de frêmito, quando estava, para si, no limiar da solução que vinha buscando há décadas, ouviu por um rádio que ficava na casa do vizinho o locutor dizendo: “São 20h07! Cheios de entusiasmo começamos mais uma noite de muita música!”. Asdrúbal interpretou a fala do locutor como um sinal de que a pesquisa estava no caminho certo. Redobrou o ânimo, acirrou os esforços. Mal dormia, mal se encontrava com pessoas. Enfurnou-se mais ainda no cômodo que escolhera para realizar com sossego seu trabalho.

Quando sua irmã estava recolhendo os cadernos com as anotações de Asdrúbal, pensou na inutilidade de tudo aquilo. Folheou de modo aleatório alguns deles. Tentou extrair sentido do que lia. Sentiu um misto de graça, de ternura e de saudade numa frase escrita por Asdrúbal: “Locutor confirma que estou certo”. A princípio, quis guardar as anotações. Depois, acabou ateando fogo em tudo. Enquanto os papéis se dobravam sobre si mesmos à medida que as chamas os consumiam, perguntou-se se o corpo de Asdrúbal teria se dobrado sobre si durante a cremação. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

NO BOTECO COM LÍVIO SOARES DE MEDEIROS — EDIÇÃO 3


Pessoas, eis mais uma edição de No Boteco com Lívio Soares de Medeiros. Desta vez, a entrevistada é a cantora Lizandra. 

MADRUGADA

A noite e a música 
precisam uma da outra. 
Eu preciso das duas. 

"PÉROLA", DE IVAN ROSA

À medida que eu ia escutando o CD “Pérola”, eu ia tendo a sensação de que a competência técnica dos músicos e o talento deles não estavam a serviço de algum exibicionismo bobo nem a serviço de algum virtuosismo vaidoso. A impressão que o trabalho deixa é a de que havia músicos se divertindo; ou de que havia músicos louvando a música ou o espírito coletivo que ela sugere.

O próprio Ivan Rosa já havia me dito que, embora ele seja baixista e embora ele tenha gravado um CD instrumental, “Pérola” não era, por assim dizer, um trabalho em que o contrabaixo tivesse de ser a única estrela. É por isso que reitero que, se por um lado o CD é o trabalho autoral de um baixista, por outro, o que logo se percebe em “Voo livre”, a faixa de abertura, é o generoso espírito gregário que a música tem.

Fiz uma referência a “Voo livre”, música que abre o CD. De cara, somos apresentados a uma faixa com pegada pop/rock. A partir daí, há um passeio por aquilo que penso terem sido as influências pelas quais passou Ivan Rosa: há o lirismo de “Brisa”, a terceira faixa, ou de “Pérola”, a quinta faixa, que dá nome ao CD. Além de ser o título do trabalho, “Pérola” é dedicada a Viviane, esposa do Ivan.

Já “Swinguera”, a sexta faixa, faz jus ao título, com uma pegada dançante e jovial. Por sua vez, “Tempestade”, a sétima faixa, tem um clima intimista, reflexivo, a despeito do título poderoso. Tomo a liberdade de comentar um pouco mais sobre essa faixa: não por questões musicais, mas, pelo clima, ela acabou me remetendo a “Respect the Wind”, um instrumental do Van Halen que é trilha sonora do filme “Twister”, em que o poder de destruição de tornados é mostrado.

O ponto em comum entre as duas faixas vai além da menção a fenômenos atmosféricos. O título da faixa do Van Halen é, numa tradução literal, “Respeite o vento”; já a composição do Ivan, conforme já anunciado, chama-se “Tempestade”. “Respeite o vento”, pelo título e pelo filme de que faz parte, e “Tempestade”, pelo título, podem sugerir, a princípio, um som mais pesado ou “agressivo”.

Entretanto, o que há nelas é um clima intimista. São quase um incitação não para que temamos uma tempestade ou um vento destruidor, mas, sim, para que olhemos para dentro de nós. A do Van Halen, com uma atmosfera soturna; a do Ivan Rosa, com um astral entre o lírico e o denso.

“Amanhecer”, a penúltima faixa, resgata a pegada pop/rock ou jazzística que o CD tem. Por fim, a música que fecha o trabalho é “Pérola”, só que num arranjo minimalista, com baixo e teclado. Vale confirmar que todas as músicas do CD são de autoria de Ivan Rosa.

Estão presentes no CD os seguintes músicos: Ivan Rosa (baixo), Leonor Júnior (bateria e percussão), Flávio Silva (guitarra), César Braga (teclado), Joe Mogharabi (guitarra), Paulinho Rocha (bateria), Rogério Delayon (guitarra), Christiano Caldas (guitarra), Moisés Martins (guitarra), Wellik Soares (saxofone), Ximba Uchyama (baixo “fretless”), Ric Arruda (guitarra), Marcelo Rocha (saxofone), Israel Dantas (violão), Maurício Caruso (guitarra e violão) e Juninho Martins (guitarra).

Palavras soam abstratas demais quando tentam descrever o que é passado pela combinação de sons. Mas espero que o que escrevi deixe vocês com vontade de escutar o presente que Ivan Rosa nos oferta. E se escutarem, que gostem tanto quanto gostei. 

terça-feira, 10 de março de 2015

TRABALHE MENOS

A menos que seu trabalho seja aquilo com que você sonhava, trabalhe menos. São poucas as pessoas que ganham dinheiro fazendo aquilo que de fato gostariam de fazer. Por isso é que digo: trabalhe menos.

Trabalhe menos e vá fazer aquilo que você gosta mesmo de fazer. Se estiver precisando trabalhar muito por estar em delicado momento financeiro de sua vida, tente resolver isso. Se conseguir, trabalhe menos.

Trabalhe menos e vá fazer as coisas que você curte, sem se importar com o dinheiro. É claro que se precisa dele, mas a quantidade de que necessitamos é bem menor do que a que dizem que precisamos. Se na dança da vida você começar a ser pago fazendo precisamente o que você gostaria de fazer, isso é a glória.

Não estou dizendo que você não deve trabalhar. Estou dizendo que você deve achar tempo para fazer o que gosta. Se quiser achar tempo para fazer o que você gosta, você terá de trabalhar menos.

O mundo corporativo mina a criatividade. Ele assumiu uma configuração tal em que o ser humano deve ser máquina a serviço de algo que o escraviza e que o esgota. Muito papel, muita lei, muitos compromissos, muitas reuniões, muitos horários, muitas tarefas...

Para o mundo corporativo, você é um número, um dado, uma peça. Corporações não querem saber se você um dia quis ser ator, se você sonha em estudar física ou se você tem talento para lidar com crianças. O mundo das corporações quer meta. Essa meta deve ser superada no mês seguinte. Você é um meio para isso. E só.

As pessoas trabalham mais do que o que gostariam, num trabalho que não curtem e fazendo algo em que não têm a chance de criarem o que são capazes de criar. Acostumam-se, acomodam-se. Chega o ponto em que passam a amar o látego.

A publicidade nos diz que seremos pessoas realizadas se comprarmos. Não seremos. Realizar-nos-emos se tivermos a oportunidade para que aprimoremos o potencial que é nosso. Não caia no engodo de comprar a felicidade que os comerciais, os anúncios e o mercado nos prometem.

Se a ida a um shopping deixa você com gostosa sensação de felicidade, feliz você não está. Vá procurar o que você é, vá estudar, vá aprender, vá gastar sua energia naquilo que levará você a uma compreensão mais ampla de você e do mundo. Para isso, se for o caso, trabalhe menos. 

QUE DELÍCIA!

Trabalho no IFTM — Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro. O IFTM, campus Patos de Minas, funciona no prédio onde era a antiga Sespa. Em função disso, almoço com frequência pelas bandas de lá.

Vou muito ao QDelícia, que fica na JK, perto do IFTM. A primeira coisa que me chamou a atenção no restaurante foi o preço: a comida é extremamente barata; hoje, por exemplo, pelo almoço e por um copo de suco de laranja, paguei sete reais e um centavo. A segunda coisa que me chamou a atenção: a comida é extremamente saborosa.

Como mais ou menos a mesma quantidade quando almoço em restaurantes; como mais ou menos as mesmas coisas. No QDelícia, sempre pago menos do que pago em outros lugares. Além disso, por duas ou três vezes, pedi à atendente que elogiasse a cozinheira, pois gosto mesmo da comida que servem.

Tudo é simples. Não há pratos requintados, mas o trivial é excelente. Outra coisa curiosa: nunca tive a sensação de que o suco de laranja preparado por eles tivesse sido feito com laranja murcha ou velha. Sempre peço por suco de laranja, e ele sempre está gostoso. Por fim, a simplicidade está também no lugar. Não há luxo, mas há gentileza no atendimento, comida gostosa e preço justo. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

NA MÉDIA

Não são liliputianos.
Não são de Brobdingnag.
São medianos.

Tão medianos quanto
o haicai acima.
Nem abaixo
nem acima.
São a média.

São bípedes,
são expansivos.
Quando argumentam,
lembram um houyhnhnm.
Ou um yahoo.

Acham-se sofisticados.
Descontentes,
querem se mudar.
Vão a Laputa!:
lá, sentem-se
pairando acima
da média. 

SINAL

Noite adentro,
ela conta
as badaladas.

Uma...
Duas...
Três...

Mas outra vem!...
Já são quatro insônias
da madrugada... 

OITO DE MARÇO

Chamar uma mulher de "vaca" diz muito sobre quem agride, não sobre quem é xingada. 

FOTOPOEMA 372

domingo, 8 de março de 2015

"TREM NOTURNO PARA LISBOA"

Reserve um tempo e assista a “Trem noturno para Lisboa”. O filme (2013) é baseado no livro homônimo de Pascal Mercier (não conheço a obra). A direção é do dinamarquês Bille August. O roteiro ficou a cargo de Greg Latter e de Ulrich Herrmann.

Raimund Gregorius (Jeremy Irons) é um professor cuja vida é metódica e monótona. Certo dia, em Berna, ele convence uma jovem a não se suicidar, quando ela estava prestes a pular de uma ponte. Quando a jovem vai embora, deixa para trás um casaco e um livro, que estava no bolso da vestimenta. Dentro do livro, uma passagem de trem para Lisboa.

Gregorius tenta devolver os pertences da jovem, não obtendo êxito. Ainda assim, embarca para Lisboa, numa incomum, para ele, atitude inconsequente, deixando para trás as aulas pelas quais era responsável. Durante a viagem de trem, começa a ler o livro esquecido pela jovem.

A partir daí, o filme assume um tom que é ao mesmo tempo lírico e político. Com uma bela fotografia e com mergulho nos personagens, Lisboa se torna o cenário do trabalho, que mergulha nas vidas daqueles que foram vítimas da ditadura de Salazar. Tendo se envolvido pelo livro (“Um ourives das palavras”), escrito por Amadeu de Almeida Prado (Jack Huston), Gregorius vai atrás dos personagens citados por Almeida Prado.

É difícil misturar lirismo e política. No mundo de hoje, se procuro, por assim dizer, no mundo real por alguém que realize essa mistura, só consigo pensar em Mujica, que foi presidente do Uruguai até recentemente. Apesar dessa dificuldade, é o que “Trem noturno para Lisboa faz”. O filme ainda tem espaço para reflexões acerca da vida e do que dela fazemos.

A ternura que perpassa a criação de Bille August não esconde as tragédias e as mazelas que uma ditadura causa a um país, as tragédias e as mazelas que uma ditadura causa em indivíduos. Ora no presente, ora no passado, o filme é dolorido. Toca feridas, sem abrir mão do bom senso e da beleza. 

CRUZEIRO EMPATA COM ATLÉTICO NO PRIMEIRO CLÁSSICO DO ANO

Os primeiros vinte minutos do jogo foram trancados. Isso já era esperado. A partir daí, os espaços começaram a surgir e a partida se tornou mais dinâmica. A princípio, com o Cruzeiro ameaçando a meta do goleiro atleticano. Ainda assim, aos vinte e oito minutos, foi o goleiro Fábio quem realizou em segundos, duas grandes defesas, após cobrança de escanteio. Se o primeiro tempo não foi um primor, também não foi uma lástima.

Aos seis do segundo tempo foi a vez de o goleiro Victor fazer uma grande defesa. O placar sem gols se devia à atuação dos goleiros. Mas, numa dessas ironias da vida, foi devido a uma falha do goleiro Fábio, que tentou sair jogando com o pé, que Rafael Carioca fez um a zero para o Atlético, aos vinte e seis minutos. Poder-se-ia argumentar que não houve recuo. O goleiro, todavia, não poderia interpretar pelo árbitro. O erro do Fábio foi técnico, por não ter tido habilidade ao sair jogando com o pé.

Tive comigo que a partida terminaria com esse placar. Não por duvidar das improbabilidades do futebol, mas pela configuração que o jogo assumira, com o Atlético esfriando a partida. Aos trinta e sete, Leandro Damião, num gol truncado, empatou. Um minuto depois, a Raposa quase virou o jogo.

Falar em placar justo no futebol é algo melindroso, pois isso depende do critério que se adote. Ainda assim, levando-se em conta o que os times produziram, o placar não soa injusto, no sentido como o termo é usado no futebol. 

sábado, 7 de março de 2015

APONTAMENTO 239

Para que alcances o máximo do que podes ser, sê tu em cada detalhe, faz a teu modo cada movimento, cada criação, cada ousadia. Busca-te. Acha tua voz, procura pelo que és. O caminho és tu, tu és a fonte. Há um modo que é só teu. Para realizar bem, sê bem aquilo que és. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

SEDUÇÃO DE QUINTA

Esta quinta-feira 
está tão bela:
nem precisava
de agito. 
Esta quinta-feira 
está tão agitada:
nem precisava
de beleza.

Por estar
tão gostosa e tão bonita, 
esta noite de quinta-feira
nem precisaria do rock
para me seduzir. 

AINDA MUJICA

Mujica é o poder da ternura, da simplicidade, da lucidez, da inteligência, da utopia, do pragmatismo, da palavra. Há pessoas que inspiram como a arte. Mujica é uma delas. 

MUJICA FALA

Ah, esse Mujica: ele é filósofo, ele é político, ele é gênio: clique aqui

quinta-feira, 5 de março de 2015

NO BOTECO COM LÍVIO SOARES DE MEDEIROS — EDIÇÃO 2


No ar, mais uma edição de No boteco com Lívio Soares de Medeiros. O entrevistado desta segunda edição é o baixista Ivan Rosa, a quem agradeço pela oportunidade da conversa.

Na quinta-feira que vem (12/03), Ivan Rosa vai lançar CD. Neste bate-papo, ele fala do lançamento, de seu trabalho como músico e de questões pessoais. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

PREFERÊNCIAS

Prefiro maçã a pera. 
Prefiro Cynara Menezes a Rachel Sheherazade. 
Prefiro Hulk a Huck.
Prefiro vinho a uísque.
Prefiro García Márquez a Vargas Llosa.
Prefiro hábito a rotina.
Prefiro ESPN a SporTV.
Prefiro livro a tela.
Prefiro arroz a feijão.

Prefiro Beatles e Rolling Stones. 

CONTO 73

Abílio vivia dizendo que se quisessem saber, depois de ele ter morrido, quem ele fora, bastaria perguntar às mulheres que o amaram. Perguntaram. A resposta foi unânime: “Alguém que não soube amar”.

terça-feira, 3 de março de 2015

PONTOS CARDEAIS

Ao norte do Centro do Mundo, havia um livro considerado sagrado. Não passava de mais um dos tantos livros escritos pelo homem. Num dia, alguém disse que esse livro fora ditado por um deus. As pessoas acreditaram. Desde então, o livro, escrito por planejadoras mãos humanas, passou a ser reverenciado como se escrito por divindade.

Ao sul do Centro do Mundo, havia um livro considerado sagrado. Não passava de mais um dos tantos livros escritos pelo homem. Num dia, alguém disse que esse livro fora ditado por um deus. As pessoas acreditaram. Desde então, o livro, escrito por planejadoras mãos humanas, passou a ser reverenciado como se escrito por divindade.

Ao leste do Centro do Mundo, havia um livro considerado sagrado. Não passava de mais um dos tantos livros escritos pelo homem. Num dia, alguém disse que esse livro fora ditado por um deus. As pessoas acreditaram. Desde então, o livro, escrito por planejadoras mãos humanas, passou a ser reverenciado como se escrito por divindade.

Ao oeste do Centro do Mundo, havia um livro considerado sagrado. Não passava de mais um dos tantos livros escritos pelo homem. Num dia, alguém disse que esse livro fora ditado por um deus. As pessoas acreditaram. Desde então, o livro, escrito por planejadoras mãos humanas, passou a ser reverenciado como se escrito por divindade.

Veio o tempo em que as milícias do norte quiseram dominar os outros pontos cardeais. Veio o tempo em que as milícias do sul quiseram dominar os outros pontos cardeais. Veio o tempo em que as milícias do leste quiseram dominar os outros pontos cardeais. Veio o tempo em que as milícias do oeste quiseram dominar os outros pontos cardeais.

Desde o começo, num tempo em que cada milícia ainda não estava tentando se impor sobre territórios distantes, mas sobre quintais vizinhos, por já se considerarem eleitas por um deus, havia quem percebesse a insanidade das milícias. Essas pessoas continuam sendo eliminadas, tanto no norte quanto no sul, tanto no leste quanto no oeste.

As milícias continuam em guerra. Ora tem-se a impressão de que o norte se sobressai. Ora tem-se a impressão de que o sul se sobressai. Ora tem-se a impressão de que o leste se sobressai. Ora tem-se a impressão de que o oeste se sobressai. Hoje em dia são poucos os que não pertencem a nenhuma milícia. Essas pessoas continuam sendo caçadas. Tanto no norte quanto no sul, tanto no leste quanto no oeste.

Enquanto isso, em seu quarto, alguém produz alegoria contra as milícias, as quais não a entenderão. Assim é no norte. Assim é no sul. Assim é no leste. Assim é no oeste. 

GRAVATA

Borboleta
aterrissou em 
meu corpo. 
Foi ficando. 
Tornamo-nos
amigos. 
Hoje em dia, 
quando ela sai
a passear, 
ela me arrasta
pelo pescoço. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

JAULA

Enjaulado,
não sabe o tigre
o quanto seria feliz
lá fora.
Sabe ele
o quanto é
infeliz
ali dentro?

domingo, 1 de março de 2015

450

O Rio de Janeiro
continua 
lido. 

LUGAR

Dir-se-ia que o pavão tem um leque no rabo. Bobagem: não perceberam que é o leque que inventou um pavão para se livrar de certas mãos. 

LET'S MOVE ON, GUYS

February is over:
time to March. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

NO BOTECO COM LÍVIO SOARES DE MEDEIROS — EDIÇÃO 1


Na quinta-feira, eu me encontrei com Lucas de Paula, integrante da banda O Berço, num bar local. Tive então a ideia de gravar uma entrevista com ele, que topou imediatamente. No mesmo dia, num outro bar, eu me encontrei com o Ciro, também integrante da banda. Gravei entrevista com o Ciro também (esse áudio será veiculado em breve).

A Paula Toller disse certa vez em entrevista que as grandes verdades da vida são ditas na cama. Não que eu discorde dela, mas eu acrescentaria outro ambiente no qual verdades são ditas: um bar. Durante a entrevista com o Ciro, ele me parabenizou pelo projeto — só que não havia projeto algum.

Contudo, gostei demais da ideia. Decidi fazer dela uma verdade. O que surgiu como algo improvisado é, desde quinta-feira, um projeto ou algo assim. O nome é No Boteco com Lívio Soares de Medeiros. A intenção é que os convidados sejam entrevistados em bares, botecos, boates, restaurantes e similares. E ao Lucas de Paula, obrigado pelo bate-papo. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ROLLING

(Para o pessoal da banda Black Dog, que fez um showzão ontem.)

O rock precisava de algo:
inventou a noite. 
A noite precisava de algo:
inventou as pessoas. 
As pessoas precisavam de algo:
curtiram rock. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

APONTAMENTO 239

O senso de humor seduz. Mas quando ele vem em forma de chistes espirituosos, não raro com trocadilhos, ambiguidades ou outras sutilezas verbais, ele é atraente demais para que não queiramos estar em companhia dessas mentes criativas. Esse tipo de pessoa agrada à inteligência; agradando à inteligência, fazem-nos felizes. 

DUAS LEMBRANÇAS

Meu pai fazia certas brincadeiras em tom muito sério. A seriedade me convencia de que a brincadeira era verdade pétrea. Numa dessas pilhérias, ele disse algo assim: “Estamos em fevereiro; as mulheres conversam menos neste mês”. O impacto dessa “informação” foi imenso; fiquei intrigado. Na minha cabeça, era como se o mês de fevereiro tivesse alguma propriedade “mágica” que fizesse com que as mulheres conversassem menos.

Uma outra brincadeira foi assim: estávamos eu, ele e mais alguém de que não me lembro nas imediações da cidade, num carro. Do nada, meu pai apontou para um poste solitário num pasto e comentou algo mais ou menos assim: “Olha ali, Lívio: aquele poste ali é para marcar que aquele lugar é o meio do mundo”.

Pirei. Fiquei me perguntando: “Como assim?! O meio do mundo é em Patos de Minas e ninguém sabe disso?!”. Não bastasse meu assombro, fiquei indignado com a falta de informação no lugar. Ora, se lá era o meio do mundo, deveria haver na área placas explicando algo tão importante! Em minha concepção, o meio do mundo não poderia ficar sem indicação alguma, solitário num ermo do Cerrado. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

FOTOPOEMA 371

FONÉTICA

O seu estrelato. 
O céu estrelado.

O timbre se abre, 
a consoante
se sonoriza:
escolho as
estrelas. 

JASMIM


APONTAMENTO 238

Valorizar a si mesmo deveria ser obrigação mínima de qualquer um que queira ser uma pessoa mais plena. Contudo, o que se vê na maioria das vezes é uma deturpação ou um desvirtuamento do que é valorizar a si mesmo. O reconhecimento e o exercício das boas qualidades que se possa ter são substituídos por empáfia e individualismo. Qualidades que muitas vezes não existem são vomitadas por intermédio de um discurso arrogante.

Valorizar a si mesmo não é berrar para o Universo qualidades materiais ou imateriais que podem só existir na cabeça de quem as propaga. Valorizar a si mesmo é, antes de tudo, ter um vasto conhecimento das qualidades e dos defeitos que se tem. Mas a preocupação maior é em camuflar os defeitos e em inventar qualidades, o que comumente acaba levando à prepotência.

APONTAMENTO 237

Há que se achar o tom adequado, seja para a crítica mais incisiva, seja para o elogio mais retumbante.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

FOTOPOEMA 370

FEARLESS

Algumas regravações são tão boas que nos deixam com a impressão de que certas canções foram feitas para serem regravadas. "Fearless", do Pink Floyd, cantada pelo Fish, que foi vocalista do Marillion, é um desses casos.


sábado, 21 de fevereiro de 2015

ESTRATÉGIA

No altar, 
o belo padre. 
A fiel está 
encantada
com os
dons de
seu deus. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

SINGULAR

Ela quer
no plural.

Novos ares, 
novos bares, 
novas gares, 
novos mares, 
novos pares.

Menos que dois, 
só quer um lar. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CHUVA

Chove tão sutilmente, 
que é como se não chovesse —
mas chove.

Quase não há 
barulho de chuva —
mas há.

A chuva brinca 
de ser quase e
goteja em meu verso. 

FOTOPOEMA 369

OLIVER SACKS SE DESPEDE

O neurologista Oliver Sacks, em texto publicado hoje no jornal The New York Times, anuncia que tem meses de vida, devido a câncer. Publicamente, Sacks se despede com altivez — o que não surpreende.

Nos livros dele, Sacks deixa transparecer algo que se tornou raro: ele trata os pacientes como... gente... Ele realmente parece se importar com os pacientes. Isso, que parece ser condição inicial para qualquer médico, tornou-se exceção. 

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 31

Pessoas, está no ar mais uma edição do Sintonia Fina, programa musical editado e apresentado por mim. Para escutar, basta dar “play”.


Paul McCartney — Freedom
Caetano Veloso — Quando o galo cantou
Trio Rio — New York, Rio, Tokyo
Beto Guedes — Vevecos, panelas e canelas
U2 — So cruel
Tianastácia — Itacaré
Tony Anderson — Breakthrough
Milton Nascimento — Calix bento

FONOAUDIOLOGIA EM CAMPO?

Desde quando o PVC foi para o Fox Sports, eu ainda não tinha conferido a atuação dele pelo canal. Ontem, tendo assistido a Corinthians e São Paulo pela emissora, pude escutar novamente o comentarista de farta memória e de excelente e sutil senso de humor.

Conheci o trabalho dele na ESPN. De inteligência privilegiada, PVC, contudo, tinha ligeiro problema de dicção. Ontem, entretanto, tive forte impressão de que a fala do comentarista está mais clara. Não estando eu enganado, isso se deve, assim me pareceu, a trabalho eficaz de algum fonoaudiólogo.

Independentemente de eu estar certo quanto à melhora da dicção do PVC, sempre fui entusiasta da fonoaudiologia, não só quando há alguma falha na dicção ou algum outro problema na fala. Fundamental para profissionais cujas profissões dependem em primazia da voz, a fonoaudiologia é bonita também por tornar possível a qualquer um a melhoria no discurso. A ciência é uma das grandes aliadas da retórica. Em amplo sentido, é mais um modo de irmos mais longe em nós mesmos. 

VOOS


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ARCO

“Porei meu arco na nuvem e ele se tornará um sinal da aliança entre mim e a terra” (Gênesis 9, 13).

“Astúcia  que tive uma sonhice: Diadorim passando  debaixo de  um  arco--íris” (João Guimarães Rosa).




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

QUARTETO EM SI

A CAVERNA

Tudo bem que graças à civilização podemos escutar a “Ode à alegria” ou saborear um pato com laranja, mas, ainda assim, não nos iludamos: o homem das cavernas está aqui, e ele gosta de vir à tona. De um modo ou de outro, consegue. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O LUGAR DA BELEZA

Tua beleza está 
na cabeça — 
pelo que ela
tem por fora
e pelo que 
tem por dentro.

Tu és irresistível 
em qualquer lugar de ti. 
Começa na cabeça 
e vai parar
lá nos pés.

De alto a baixo,
reparo. 
Não há 
lugar em que
eu não queria
estar presente. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

ANTENADO

POR QUE A TATURANA ATRAVESSOU A ESTRADA?

Atravessando a BR-365, próxima ao trevo de Patos de Minas, em horário bem movimentado, vi uma taturana. Das dezenas de carros que passaram por ela, cinco ou seis estiveram muito perto de esmagá-la. Mesmo assim, ela chegou ao outro lado, ignorante do risco que correu. Mas, a rigor, quem está ciente dos perigos à espreita? Atravessemos a estrada. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

LETRA DE MÚSICA 38

Glória, se eu soubesse
que trarias a degradação 
para dentro de minha sala, 
eu não te teria aberto a casa.

Entraste pela porta, 
chegaste perto, 
fizeste porto.

Confiei em ti. 
Glória, não és mais
a irmã que tive. 
Eu te expulsei de casa, 
eu te apaguei da vida.
Meu sangue não é o teu. 
Recebe meu anátema, 
não voltes à minha casa.

Procuraste abrigo. 
Eu te abriguei, 
alimentei teu corpo. 
Entregando-o, 
tu me feriste.

Glória, aprendi que
és ilusão e armadilha. 
Infelizes aqueles que 
de ti correm atrás. 
Flertas, conquistas. 
Mas quando estiveres desnudada, 
verão tua máscara no piso. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

PARA BORGES

A Borges coube a
escuridão em vida. 
Coube a ele 
a memória.
Ou a ficção. 
Feliz na manhã dourada, 
soube ser feliz na tarde escura. 
Soube me fazer feliz
na madrugada chuvosa.
Graças a Borges, 
daqui a pouco, 
vou sonhar. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

JOÃO 8, 6

Ele escreveu sua história. 
Escreveu a minha.
Escreveu a carne entre os dentes
e as guerras e os corredores. 
Escreveu amores, ódios e tigres. 
Escreveu grãos de areia, vulcões, 
poemas, tratados e derrotas. 
Escreveu tucanos, estrelas e ratos. 
Escreveu ermos. 
Escreveu cidades. 
Escreveu silêncios, sexos.
Escreveu o Universo. 
Escreveu pais, mães e blusas de frio. 
Escreveu a neve, a chuva e os cabelos. 
Escreveu a rebeldia, as tempestades, as paredes, 
as árvores, as estradas e a noite.
Escreveu o sono, as canções. 
Escreveu unhas, sóis e judeus.
Escreveu o câncer, a chibatada, a fé, 
os alimentos e a fome.
Escreveu a chuva, o desejo, as camisas. 
Escreveu impérios, xingamentos, devoções, 
olhares, escadas, cavalos, 
poeira, formigas, mesas, pães, 
terremotos, dons, cadeados, cismas, 
vozes, números, receitas, sonos. 
Escreveu mares, pulgas, desertos. 
Escreveu trevas, dúvidas e vozes. 
Escreveu crianças, flertes e coceiras. 
Escreveu brisas, pestes, livros,
perfumes, esperanças, manhãs,
crucificações, aves, bebidas,
conceitos, alianças, circos,
pedras, Pedros, Borges, solidões,
travessias, congados, tamanduás,
alfabetos, torres, manás, dissabores.
Escreveu o que ninguém logrou escrever.

De repente, parou.
Releu o que escrevera. 
Revisou, considerou, ponderou. 
Arrematando o texto, 
reordenou os grãos. 
Onde antes havia palavras, 
há agora um novo código. 
Não foi ainda decifrado. 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

AINDA SOBRE A SENSUALIDADE

Em texto publicado anteriormente, escrevi sobre a sensualidade. A temática continua me atraindo. Volto ao assunto, desta vez para dizer que pessoas que têm sensualidade a exalam em tempo integral. Há nelas um jeito de caminhar, um modo nos gestos, um quê na cadência com que executam as tarefas no dia a dia que as tornam sensuais.

Não são estabanadas; tampouco são monótonas nos movimentos. Acham um equilíbrio que faz com que se movam com graciosidade. Não passam a ideia de indolência nem transparecem a sensação de que estão apressadas. Esse equilíbrio, aliás, está também na voz, que não é sussurro nem grito. As pessoas sensuais são um meio-termo mais “fatal” do que qualquer excesso. 

LUGAR

Inserimos números nas casas, 
damos nomes às ruas, 
riscamos constelações no céu, 
inventamos dispositivos de localização. 
Há todo um sistema para que
saibamos onde estamos. 
Os nomes, os números, os endereços...
Nada disso elimina o nome do
caminho que é nosso: labirinto. 

TRIO

sábado, 7 de fevereiro de 2015

THE DIRTY WOLVES BLUES BAND

Diversas frases me ocorreram enquanto eu assistia, na madrugada que passou, ao show de The Dirty Wolves Blues Band. Eu deveria tê-las anotado, para que compusessem este comentário sobre a apresentação. Confiei na memória. As frases se perderam. Restou só esta: um show tão dançante que me fez chacoalhar até as bochechas.

Cheguei ao bar no exato momento em que a apresentação estava prestes a começar. Bastaram alguns segundos para que meu corpo já estivesse louco para sair dançando mundo afora. Os Lobos fizeram um show da mais genuína alegria. Não somente pela razão de que pareciam se divertir, mas também pela competência técnica. Há um tempão eu não dançava tanto durante um show.

A banda é formada por Mauro Fontoura (guitarra/vocal), Samuel Fontoura (bateria), Alliss Big Bull (baixo acústico) e Vinícius Lustosa (trompete). Investindo na raiz do blues, The Dirty Wolves Blues Band entrega um espetáculo em que ficar parado seria muita provação para um só corpo. 

QUERO-QUERO



NEBLINA

PAR

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PONTO DE VISTA

Com força e talento,
o cinzel atua.
O mármore se rende,
sabendo que ao fim
vai se tornar o que é.

Pietro se concentra.
Observa o mármore,
observa o pó que
vai caindo no chão
durante o trabalho.

Do mármore 
para o pó,
do mármore
para o pó...

A escultura receberá
a vida em instantes.
É quando Pietro comenta:
“Esse Michelangelo só faz sujeira!” 

DA IRONIA

A ironia é 
lâmina:
fulgura, 
corta.

É lâmina fina, 
fina como papel.
A ironia é fina.

Contenta-se 
em existir
sem ser
percebida. 
Mas se alcançada, 
o sorriso é fino. 

A TEMPO

Não se preocupe,
dá tempo. 
Ainda estamos
em fevereiro:
depois eu
março.

(DES)APONTAMENTO 20

Os presos se rebelaram: reação em cadeia. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

FIO

DISPARADO

Perder o equilíbrio 
faz disparar o coração?
Ou é o coração disparado
que faz perder o equilíbrio?

Se estás, sou agito. 
Perto de ti, 
nunca sou monotonia:
sou desequilíbrio que pulsa. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O RIO CRIATIVO

A mente precisa achar um rio em que consiga navegar com criatividade. Quando acha, é como se não houvesse margens, é como se ela navegasse sem limites. O que advém desse estado mental é a criação, é o novo, é o espírito humano realizando o que tem de mais nobre e poderoso, que é a capacidade de criar mundos. Só a mente atenta percorre um rio assim; só a mente atenta cria quando devaneia. Quando acha esse rio, a mente torna-se manancial que faz jorrar o poder criativo que se tem, que deixa jorrar o que se é. 

SOBRE O PASSADO

Aprender o gosto por coisas velhas. Não simplesmente por serem velhas: há coisas velhas que devem ser jogadas fora, há gente velha que é estúpida. O que é velho está na juventude, está no carrão que acabou de ser tirado da concessionária. Seus antepassados correm em suas veias; enquanto você caminha, seus pés pisam também os séculos anteriores.

O passado já muito valeria se fosse "somente" história, mas ele é mais. Ele compõe o presente das coisas e das pessoas. O passado ensina. As tramas do passado se repetem. Não há enredo novo, e os personagens e as coisas estão todos impregnados de coisas velhas. O passado é um espelho à disposição do presente. 

FESTA NO MILHO


REVOADA

VOEMOS



Aprendi demais sobre fotografia no Treknature, página dedicada a fotos de natureza. Há a preferência por registros em que os animais não estejam em cativeiro. Inicialmente, fiquei espantado com as imagens; a seguir, mesmo nada sabendo de fotografia, comecei a postar minhas fotos.

Há na página um espaço dedicado a dúvidas que os membros possam ter sobre fotografia. Além disso, como minhas fotos eram muito ruins, os demais integrantes sempre me davam dicas, seja com relação ao ato de fotografar em si, seja quanto à edição das imagens. Não raro, nas fotos dos demais integrantes, eu perguntava como haviam conseguido um registro ou outro.

Sempre que postei alguma dúvida, nunca fiquei sem resposta. Sempre foram gentis, solícitos. Não havia a ideia pequena de não partilhar o que se sabe, como se o conhecimento que se tem não pudesse ser dividido. Devo muito ao Treknature. Tive na página uma presteza e uma vontade de ajudar que infelizmente não foram comuns quando tentei aprender com fotógrafos do Brasil que moram nos grandes centros.

Lembro-me de alguém por lá ter comentado que em fotografia de animais é bom fotografá-los quando estão fazendo alguma coisa. Se um animal está perseguindo a presa ou se está fugindo do predador, existe ação, algo está acontecendo. Se estão se reproduzindo ou se alimentando, a vida está acontecendo.

No sentido de se registrar os animais enquanto fazem algo, sou da ideia de que quando se trata de aves ou de pássaros, fotografá-los durante o voo é registrá-los num grande momento — pelo menos sob nossa ótica, que é humana. Para eles, suponho, é um ato como outro. 

sábado, 31 de janeiro de 2015

MAMIHLAPINATAPEI

Ele quer.
Ela quer.

Ele sabe que ela quer.
Ela sabe que ele quer.

A noite avança.
Os dois se olham.

As horas passam.
Os dois se paqueram.

É quando vem a manhã.
Os dois voltam sós para casa.