sábado, 20 de setembro de 2014

LOA

Escrevo-te não só para louvar tua beleza. 
De algum modo, quero ficar em tua vida. 
Escrevendo, penso ficar. 
Se não fico, terei escrito. 
Se escrevi, louvei tua beleza. 

RECÍPROCO

Cheguei a pensar que eu era egoísta 
por te amar em virtude de saberes o que sou. 
Mas me disseste que me amas 
por eu saber o que és. 
Queres saber?: 
sei o que és, 
sabes o que sou. 
Amemo-nos. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

CIVIL

Foi-se o
súdito.
Como que
súbito,
surgiu o
cidadão. 

UMA BARATA!

Todo mundo sabe que baratas têm o dom do voo. Não sei se o passeio delas pelos ares é gracioso. Sei que sabem voar. Do que não sei também, é do motivo que as fazem voar tão pouco. Eu, por exemplo, se tivesse asas, pouco ia querer saber de chão. Quanto às baratas, talvez a autonomia de voo com que a natureza as fez permita com que elas fiquem apenas alguns segundos no ar.

Já observei que quando está fazendo calor elas aparecem em maior número e saem voando por aí. Pouco depois da meia-noite desta quinta-feira, enquanto eu assistia a um filme, uma barata entrou voando pela janela. A princípio, nem me dei conta de que fosse um dos integrantes da família dos blatídeos. Só depois de ela pousar no sofá em que eu estava deitado é que percebi ser mesmo uma barata.

Levantei-me correndo (eu estava deitado no sofá) e já fui pegando o chinelo para matá-la. Só que ela continuou passeando por onde eu estava deitado. Desse eu uma chinelada no inseto enquanto ele ainda estava no móvel, eu teria de limpar a meleca depois. O jeito foi me aproximar, na esperança de afugentar a barata para um lugar em que eu pudesse esmagá-la com o chinelo.

A danadinha, sacando minha intenção, só deu uma piscadinha e se esgueirou literalmente para dentro do sofá, usando uma fresta disponível entre o encosto e o local em que a gente se senta. Confesso que ela me deixou desconsertado, pois tão logo se escondeu, eu soube que eu não voltaria a me deitar no sofá enquanto de dentro dele ela não saísse.

Já irritado com o joguinho proposto por ela e com o “calor ensurdecedor”, conforme disse no Linha de Passe, na segunda-feira, o Mauro Cezar Pereira, citando alguém de que não me lembro, fiquei alguns segundos parado, na esperança de a barata sair do esconderijo. Isso ocorreu; contudo, mal dei alguns passos, ela voltou para dentro do sofá.

Houve um tempo em que existia inseticida aqui em casa; de olho na entrada da toca em que a barata estava, afastei-me um pouco e olhei para a direção em que antigamente ficava o frasco de inseticida. Nem sinal dele. Já um tanto conformado, comecei a recolher os itens de que eu precisaria pela manhã, quando saísse para o trabalho; resignado, já havia decidido que terminaria de assistir ao filme, que estava sendo executado por intermédio de um “notebook” conectado à TV, numa outra ocasião.

Foi quando nossa amiga deu as caras outra vez. Fiquei então imóvel, sem respirar, na esperança de que ela saísse do sofá — o que ocorreu. Tendo ela começado a percorrer a parede, agi rápido e dei uma chinelada... Não acertei em cheio; a barata caiu no chão, só que atrás do sofá, que fica encostado na parede. Fiquei com a impressão de ter atingido parcialmente o inseto voador, embora sem a certeza de que havia sido mesmo assim.

Aguardei alguns minutos; a barata não aparecia. Decidi então recolher uma camisa, que estava sobre um sofá menor, e o “notebook”. Foi quando a barata, toda buliçosa, começou a desfilar outra vez pela parede. Tinha um aspecto ótimo. Parecia não ter sido parcialmente atingida minutos atrás. Mas se não havia sido, por que caiu? Seria manha dela?

À parte cogitações inúteis, fiquei quieto, a fim de assuntar para onde ela iria. Foi até o teto, aproximou-se do canto da parede e começou a descer. Agi rápido. Antes que ela pudesse pensar em algo, apliquei impiedosa chinelada: foi tão eficaz que foi como se a barata nunca tivesse existido. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ALGUMAS RAZÕES PELAS QUAIS VOTO EM DILMA

(Os dados abaixo foram extraídos de um texto escrito por Pablo Villaça.)

 • PIB (em bilhões de reais)
2002 — 1.477
2013 — 4.837
Fonte: Ipea

• Falências requeridas
2002 — 19.891
2013 — 1.758
Fonte: Ipea

• Inflação
2002 — 12,53%
2013 — 5,91%
Fonte: Ipea

• Desemprego (percentual) no mês dezembro
2002 — 10,5
2013 — 4,3
Fonte: Ipea

• Salário mínimo (em reais)
2002 — 364,84
2014 — 724,00
Fonte: Ipea

• Taxa de pobreza (percentual)
2002 — 34%
2012 — 15%
Fonte: Ipea

• IDH
2000 — 0,669 
2005 — 0,699
2012 — 0,730
Fonte: jornal O Estado de São Paulo

• Gastos públicos com saúde (em reais)
2002 — 28 bilhões
2013 — 106 bilhões
Fonte: orçamento federal

• Gastos públicos com educação (em reais)
2002 — 17 bilhões
2013 — 94 bilhões
Fonte: orçamento federal

• Entre 1994 e 2002, houve 48 operações da Polícia Federal; entre 2003 e 2012, houve 1.273 operações.

(A seguir, mais alguns motivos pelos quais voto em Dilma; as razões abaixo não foram extraídas do texto de Pablo Villaça.)

• “O brasileiro vai melhor do que antes, há mais empregos, seu salário melhorou, as políticas sociais melhoraram. O motor da economia é, e sempre foi, o mercado interno. A novidade não está no andar de cima, com seu consumo de elite. A novidade está no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa (...), gerando emprego”.
Fonte: Silvio Caccia Bava, em editorial do Le Monde Diplomatique de julho de 2014.

• “O aumento de renda nos estratos mais pobres melhora radicalmente o progresso social em geral. Em outras palavras, o dinheiro que vai para a base da sociedade é muito mais produtivo em relação aos resultados para a sociedade, o que bate plenamente com as pesquisas do Ipea sobre a produtividade dos recursos”.
Fonte: Ladislau Dowbor, em texto no Le Monde Diplomatique de julho de 2014.

• Pela redução em 50% do número de pessoas que sofrem fome.
Fonte: UOL — 16/09/2014

• Pela continuidade do Mais Médicos.

• Pela continuidade das cotas em universidades.

• Pela continuidade do Bolsa Família.

• Pela continuidade do Ciência sem Fronteiras.

• Pelo fato de o Brasil, há doze anos, não mais pedir socorro ao FMI.

• Pelo não abandono do pré-sal.

• Pelo Marco Civil da Internet.

• Por acreditar que, com Dilma, não haverá fundamentalismo religioso no poder. 

domingo, 14 de setembro de 2014

MALOGRO

Deu com
os churros n'água. 

DICIONÁRIO (39)

quiromancia. O destino na alma da mão. 

COM SAL

Isso ainda vai dar
pane pra manga. 

AINDA SOBRE O RACISMO

Há uma crônica que li há algum tempo (acho que é do Verissimo); ela tem um diálogo mais ou menos assim:

— Ei, cara, há um tempão a gente não se vê. E a sua mãe, ainda trabalha na zona?
— Sim, ela ainda está lá, aprendendo com a sua.

Depois do breve diálogo, os dois amigos se abraçam e se despedem um do outro.

O que um amigo diz para outro ou o que um casal diz durante diálogo não é encarado seja como preconceito seja como xingamento por se levar em conta o contexto em que o “xingamento” é feito. Não faria sentido acusar a namorada de um negro de racismo se a ouvissem dizendo para ele, de modo insinuante, algo assim: “Gorila, vamos sair daqui agora?...”.

O que difere o xingamento de torcedores racistas do diálogo entre um casal ou do diálogo entre amigos é o contexto; as palavras podem até ser exatamente as mesmas. O tom, o contexto e as intenções são, todavia, diferentes. Atitudes como a dos torcedores que xingaram o goleiro Aranha, do Santos, desmascaram o mito da tão propalada democracia racial no Brasil, escancarando algo que o discurso nega: em palavras, divulga-se que o Brasil não é racista; em atos, o racismo viceja.

No imbróglio com Patrícia Moreira, a torcedora do Grêmio que xingou goleiro do Santos, quem se portou com dignidade foi ele. Não somente por ter denunciado Patrícia e outros torcedores ainda durante a partida, mas também por ter se negado a participar de circo midiático em que Aranha e Patrícia estariam juntos, numa armação hipócrita que por certo teria um discurso politicamente correto de que não há racismo no Brasil.

Em desdobramento recente, um eletricista chamado Elton Grais tentou incendiar a casa de Patrícia (não havia ninguém no local no momento da tentativa, pois a torcedora está em casa de familiares). Chamado, o corpo de bombeiros domou as chamas antes que tomassem conta do local. Grais, que declarou ter se sentido “ofendido” com o xingamento de Patrícia, caiu em desatino ao tentar justiçar o desatino da torcedora gremista. 

(DES)APONTAMENTO 11

Acho que foi o Mark Twain quem declarou que a gente pode escrever de graça por até dois anos. Terminado esse tempo, caso ninguém tenha se predisposto a pagar pelos textos, deve-se parar de escrever. 

Então eu deveria ter parado de escrever há vinte e três anos! 

sábado, 13 de setembro de 2014

ASSERTIVO

Fazer justiça
com os próprios nãos. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

(DES)APONTAMENTO 10

Algumas questões dispensam menores comentários.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

CALA A BOCA, PELÉ!

O que se passa na cabeça do Pelé?! Hoje, a mais recente declaração “genial” dele foi a de que o Aranha (goleiro do Santos), que sofreu ofensas racistas lá em Porto Alegre, durante uma partida contra o Grêmio, “se precipitou” ao reagir contra quem o chamou de macaco. Edson Arantes do Nascimento disse ainda que cansou de ser tratado assim e que nunca reclamou.

A burrice pode estar num jogador de futebol ou em alguém com pós-doutorado. Isso, compreendo. O que não entendo é: será que o Pelé não tem ninguém que lhe diga que ele deveria calar a boca?! Vá lá que o amigo ou o assessor de imprensa ficasse sem jeito de dizer a Pelé para calar a boca... Que se valesse então de um eufemismo, dizendo algo do tipo “Pelé, acho que você deveria guardar suas opiniões para si”. Ou então: “Pelé, vamos analisar com calma o problema?”...

Ou será que o Pelé é turrão? De repente, não escuta aqueles que querem o bem dele (suponho que muita gente queira o bem do falastrão). Se Pelé não for cabeça-dura, será ele uma daquelas pessoas que se sobressaem gigantescamente em uma atividade mas não têm o menor senso para os demais afluentes das relações humanas?... Será que a natureza “obrigou” Pelé a saber fazer somente uma coisa na vida?... Será que ele não é capaz de se calar?... 

BRONZEADO

Tapou o sol
com a peneira.

RECIPROCIDADE

Sou teu fã.
Sou teu afã. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

FIM DE SEMANA

A vida traz o encontro.
O encontro pode trazer o amor.
O amor pode trazer a união.

Vamos nos encontrar hoje à noite?... 

CASA

Em mãos,
um livro:
ler é lar. 

APERTO

O sapato é novo.
Vinda do pé castigado, 
brada a voz insistente: 
“Não me calo”. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O TUCANO É UM ANIMAL POLÍTICO

Tenho fotografado a fauna e a flora do Cerrado desde 2004. De algumas espécies, aprendi, mediante observação, alguns hábitos. O fotógrafo de natureza acaba se tornando uma espécie de etólogo amador; a etologia estuda o comportamento dos animais.

A vida dos tucanos não é fácil. Algumas pessoas matam essas aves, sob a justificativa de que elas se alimentam de ovos e de filhotes de outras espécies. Se por um lado isso é verdade, por outro, deveria haver a compreensão de que os tucanos não comem os filhotes de outras aves por maldade; eles não deveriam ser mortos por obedecerem ao ciclo da natureza.

Nesse caso, a maldade atribuída a eles é, na verdade, de quem os mata. Além do mais, conforme o que tenho observado ao longo dos anos, os tucanos sofrem perseguições severas de tesourinhas e de bem-te-vis. Repare no voo dos tucanos; você perceberá que muito frequentemente são acossados por outras aves, as quais, por certo, estão preocupadas com suas crias.

Não bastassem esses certames por que passam os tucanos, há uma espécie em Minas Gerais que padece de outros problemas. A ave não foi ainda devidamente catalogada por cientistas; sabe-se, em contrapartida, que o espécime mineiro tem por hábito censurar e atacar quem dele discorda.

Pesquisadores já entenderam que um dos estratagemas da espécie é se fazer de vítima. Diz que é atacado; a seguir, ataca. Os que estudam esse tipo de tucano afirmam que essa retórica passou a ser adotada quando a ave percebeu que nem todo mundo em Minas Gerais (e no Brasil) é lacaio de seus caprichos e pitis. 

Há uma reação que não presenciei, mas é algo que já me foi relatado por colegas fotógrafos: quando confrontado ou criticado, a ave, em vez de argumentar, eriça as penas, arvora-se, infla-se de aparente senso de justiça e processa quem dele discorda. Depois, segundo colunistas sociais cariocas, o tucano vai para o Rio de Janeiro. De acordo com biólogos, esse comportamento deve ocorrer pelo fato de o tucano não se adaptar bem com a suposta pacatez das noites mineiras.

Há estudiosos que não descartam a possibilidade de que a espécie tem agido com estardalhaço por se sentir ameaçada nos combates em que depende da aprovação de terceiros. Seria, ainda de acordo com os eruditos, uma cartada desesperada para não ser preterido de vez. Nada disso, contudo, está provado.

Enquanto isso, cientistas e fotógrafos continuam observando a criatura. Trabalhando em conjunto, vão, aos poucos, organizando os dados. Os profissionais concordam que em breve ter-se-á uma noção mais ampla da espécie. Do que foi analisado até agora, já foi deduzido que o tucano pesquisado abomina sobrevoar trechos de Serra. 

BICHO DO MATO

Acabei indo parar no asfalto.
Minha civilidade é torta.
Tem cheiro de poeira.
Tem jeito de Cerrado.
Não me acostumo com gente.
Sempre volto para o mato.
A saudade é da mata. 

domingo, 7 de setembro de 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

"MISSISSIPPI"

A canção vem de longe, mas não de longe o bastante a ponto de ser impossível distingui-la. Depois de pular o muro e passar pela porta da sala, a melodia chega ao cômodo em que estou. Chega quase inaudível, quase como se estivesse em um sonho; chega um tanto imprecisa. Sei que há acordes, mas não presto atenção neles. De repente, minha atenção se volta para os sons que já duravam um minuto ou dois: a canção que me visitou foi “Mississippi”, com a banda holandesa Pussycat. Tendo-me entusiasmado, procurei pela faixa em meus arquivos de música; estou agora berrando para todo o planeta escutar: “Miiiiiiiiiiiiiiiiiiiissiissiiiiiiiippiiii”... 

O RACISMO E O POLITICAMENTE CORRETO

Casos como o de Patrícia Moreira trazem à tona o debate sobre o racismo no Brasil. Ela xingou o Aranha, goleiro do Santos, de “macaco”. Em depoimento à polícia, Patrícia admitiu o xingamento, mas alegou que não teve a intenção de ser racista; ontem, durante declaração para a imprensa, em “choro” sem lágrima, voltou a dizer que não era racista. Patrícia pode responder por injúria racial; além dos xingamentos dela, há fotos antigas nas quais ela aparece em atitude preconceituosa, segurando um macaco de pelúcia vestido com a camisa do Internacional, e fazendo cara de nojo, segundo o divulgado pelo UOL.

O Grêmio foi excluído da Copa do Brasil em virtude do “espetáculo” estrelado por Patrícia e por outros gremistas. Mesmo o clube tendo colaborado com a polícia, está fora do torneio (é possível haver recurso contra a decisão). O caso, melindroso por si, ganhou mais um elemento: um dos auditores do caso que excluiu o time gaúcho é investigado pelo STJD, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva, de ter sido racista no Facebook. O nome dele é Ricardo Graiche. Em 2012, Graiche teria realizado postagens em que havia preconceito contra negros. Ele deletou a conta no Facebook depois da repercussão do caso, também informa o UOL.

À parte o que fizeram Patrícia e outros gremistas no estádio, e à parte o que foi noticiado sobre Ricardo Graiche, escutei um conhecido meu dizendo, sobre o caso ocorrido lá em Porto Alegre, no jogo em que o Aranha foi xingado de “macaco”: “Essa patrulha do politicamente correto... Nem se pode mais xingar o sujeito de macaco”. De fato, existe por aí o patrulhamento do politicamente correto, e que é de fato muito chato; às vezes, é até hipócrita — a pessoa canta o hino nacional com aparente fervor (atitude politicamente correta), mas, na surdina, locupleta-se com dinheiro público.

O politicamente correto é aparência, não  é  essência.  Fantasiado  de bom--mocismo, passa ideia de correição. Ele sabe fazer pose e sabe iludir desavisados. É cheio de lugares-comuns, adora uma retórica cheia de clichês e adora poses de rapaz trabalhador e de moça casadoira. Embora eu já tenha dito, reitero: abomino o politicamente correto. Em contrapartida, xingar uma pessoa de “macaco” não é se rebelar contra o politicamente correto (rebelar-se contra ele é necessário); xingar alguém de “macaco” é atitude de quem quer ofender e é revelador do que uma pessoa pode estar pensando sobre alguém que é preto; o calor de uma partida de futebol não é pretexto capaz de dissimular a atitude de Patrícia e demais torcedores. 

OS GATOS

Quem vê a fleuma 
nem suspeita da flama. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O GRITO

A saudade falou mais alto.
Eu então falei mais alto ainda.
Desemboquei teu nome: gritei.
Aves se debandaram,
plantas foram despertas.
Por sessenta quilômetros, 
minha voz reverberou Cerrado afora. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

TAMBÉM À ESQUERDA

QUEBRANDO TUDO

Em conversa que mantive com um amigo, colega de trabalho, ele me disse que, para ele, as duas melhores canções do mundo são “Breaking all the rules”, sucesso do Peter Frampton, e “Chão de giz”, do Zé Ramalho. Terminada a conversa, fui escutar “Breaking all the rules”. Uma quarta-feira que começava com malemolência de repente pegou fogo e me encheu de entusiasmo. Rock ‘n’ roll rocks! 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

ARI PESSOA FRANCO

Cogitação “inútil”: suspeito de que, com exceção das duplicadas, a Ari Pessoa Franco seja, pelo menos em alguns trechos — se não em toda sua extensão —, a rua mais larga de Patos de Minas. 

OS CROODS

Tenho certa ojeriza a atrações em que inserem rótulos como “diversão para toda a família”, “indicado para toda a família” ou “infantil e família”. Com muita frequência não passam de filmes, desenhos ou animações com excesso do que é politicamente correto, chegando a ter um pé na hipocrisia. Não é o caso de “Os Croods”, criação de 2013 da DreamWorks.

A animação é dirigida por Kirk De Micco e Chris Sanders, que também escreveram o roteiro, o qual conta ainda com a autoria de John Cleese. Os Croods são uma família; vivem sob a proteção do pai numa caverna. Ficam encrencados quando um terremoto destrói o lar que têm.

Grug, o patriarca, delega a si a missão única de manter vivos seus protegidos. Em nome disso, exerce vigília pesada, não permitindo que os integrantes da família se extraviem em caminhos desconhecidos, alegando que o mundo lá fora é farto em perigos. Por outro lado, Eep, sua filha, tem um aflorado instinto de curiosidade; está louca para pisar terras inéditas.

As crianças que conferirem a animação podem se divertir com as trapalhadas que os Croods aprontam (exatamente por isso eu me diverti muito). Já as metáforas, alusões e alegorias da animação convidam os adultos a reflexões que vão da filosofia à antropologia. É difícil achar essa mistura que diverte e que faz refletir; os diretores conseguiram isso.

Devido ao sucesso da animação, li que uma sequência está a caminho. As vozes originais também estariam confirmadas: Nicolas Cage é Grug; Emma Stone, Eep; e Ryan Reynolds, Guy. Enquanto a anunciada sequência não vem, divirta-se e visite-se assistindo aos Croods. É diversão para toda a família.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

DOIS PESOS

Tu te queixas do 
peso de andar. 
Esquece-o. 
Voar é peso maior. 
Voa. 

domingo, 31 de agosto de 2014

A ORDEM

O “pastor” Malafaia manda. A “ovelhinha” Marina obedece. “Tende piedade de nós”. 

AQUÁTICO

Eu sou 
à prova d’água.
Eu sou 
a prova d’água. 

sábado, 30 de agosto de 2014

SOLAR

Foi meio que inevitável eu me lembrar de “O Sol”, do Tianastácia, embora eu tenha me lembrado também de “Sol vermelho”, sucesso na voz do Amado Batista. Um trechinho de “Sol vermelho” diz: “Eu sei que o sol vermelho vem trazer pra mim algum / Recado das coisas que eu deixei ficar adormecidas no passado”. Já “O Sol”, do Tianastácia, tem este trecho: “E se quiser saber pra onde eu vou / Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou”. Vamos?...









sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A BOCA DE PATRÍCIA MOREIRA

Patrícia Moreira, a torcedora do Grêmio que, ontem, xingou o Aranha, goleiro do Santos, de macaco, foi afastada de suas atividades no Centro Médico Odontológico da Brigada Militar. Patrícia é auxiliar de saúde bucal. O episódio pode resultar em punição para o Grêmio; a fim de evitá-la, o time já identificou dez torcedores que também foram racistas durante o jogo. Dois dos torcedores eram sócios do clube; foram excluídos, segundo o Grêmio. Os outros oito não poderão mais assistir a jogos do time quando ele jogar em casa. Segundo Aranha, ele também foi chamado de “preto fedido”. 

Sempre que fico sabendo desse tipo de xingamento, eu me lembro de uma frase que diz: “Um gambá cheira o outro e acha que é perfume”. Patrícia, bem como quem xingou o goleiro de “preto fedido” e aqueles que ficaram imitando macacos no jogo de ontem, acham-se, suponho, cheirosos — ou pelo menos acham que o Aranha fede. A Patrícia, o Aranha, você e eu podemos feder ou cheirar bem. Essas questões biológicas e simples parecem não fazer parte do pensamento de Patrícia e afins.

A torcedora do Grêmio e os similares dela que estavam ontem no estádio não devem ter lido “Viagens de Gulliver”, do Jonathan Swift. Se leram, podem ter passado pelo livro como quem está diante de um manual de instalação de suporte de televisor. No livro, Swift relativiza culturas, relativiza nossos cheiros, para afinal fazer concluir que somos feitos de uma mesma matéria — que pode não cheirar tão bem como gostaríamos que cheirasse. Por fim, é irônico: ao ser filmada pela ESPN, Patrícia, auxiliar de saúde bucal, mostrou que o que sai da boca dela não é nada limpo. 

AS APARÊNCIAS CEDEM

Marina Silva havia declarado que não aceitaria grana de “companhias da indústria bélica, do tabaco, de bebidas alcoólicas e de agrotóxicos nessas eleições”, de acordo com o Pragmatismo Político. Já Márcio França, coordenador financeiro da campanha de Marina, foi prático: “Não tem problema algum se a doação for legal. Pode vir dinheiro da indústria de armas, de bebidas, do que for”. A Ambev, por exemplo, ajuda a financiar tanto a campanha de Dilma quanto a de Aécio. Não será surpresa se, depois da declaração de França, a empresa ajudar a financiar também a de Marina.

Os que se dizem cansados da “velha política” e certa parcela da juventude têm visto em Marina uma espécie de terceira via, que, em tese, pavimentaria uma nova política. Contudo, a declaração do coordenador financeiro da candidata deixa claro que, para governar, Marina tem de, assim como qualquer outro candidato, ceder a muita coisa às quais disse que não cederia. Ela parece ser diferente da “velha política”. Só parece. 

LUGAR

A poesia
não precisa
sair do papel. 

NOTICIÁRIO

Esse mundo tão cheio de notícia...
Neste momento, eu trocaria todas 
por uma que fosse tua... 

LOGRADOURO

Dobro esquinas,
faço curvas,
aguardo,
avanço,
sigo reto...

Teu corpo, 
logradouro íntimo. 

VAI UMA CERVEJINHA AÍ?

Caros apreciadores de cerveja, a Wäls  Cervejas Especiais, de Belo Horizonte, conseguiu fazer com que um de seus produtos faturasse o título de melhor cerveja do mundo na World Beer Cup, concurso cervejeiro realizado recentemente. O pessoal faturou na categoria Belgian-Style Dubbel, tendo concorrido com outras 34 cervejas. A vencedora foi a Dubbel. Neste link, do sítio do fabricante, informações sobre a cerveja. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

VIVA O RABANETE!

Depois de ter vivido quarenta e três anos, descobri que a natureza produz algo chamado rabanete. A revelação se deu no domingo passado (24/08), durante um formidável almoço lá em Patrocínio, na casa de um amigo, que é colega de trabalho.

Estávamos celebrando o aniversário do amigo; embalado por uma trilha sonora que me encheu de entusiasmo, olhei para a salada. Decidi “conversar” com ela, que estava sobre a mesa. Quando dei a primeira mordida numa fatia de rabanete, eu já soube que era relação que tinha vindo para ficar.

Quanto contei para o aniversariante sobre o deslumbramento que tive pela guloseima, o amigo me disse que rabanete é um excelente tira-gosto para se consumir com cerveja. Há pouco, tendo ido almoçar num restaurante, nem preciso dizer que “roubei” todo o rabanete da salada. Quanto à cerveja... Bom, o fim de semana já está batendo à porta...

#semrabanetenuncamais #rabanetejá #rabaneteéoquehá

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

(DES)APONTAMENTO 9

É melhor reiterar, caso se esteja bêbado, o que foi dito quando se estava sóbrio do que ter de, sóbrio, pedir desculpas pelo que foi dito quando se estava bêbado. 

CHAMADO

Hoje, comecei o dia 
com tuas palavras na tela.
Que vontade de terminá-lo 
com teu corpo ao lado. 

HIPOCRISIA VENCE — DE NOVO — AS ELEIÇÕES

O Vladimir Safatle, da Folha de S.Paulo, publicou ontem um texto em que mencionou o conservadorismo das campanhas de Aécio, Dilma e Marina no que diz respeito a costumes. Safatle se referia a assuntos como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em sua coluna, o autor ainda faz referência a Gregorio Duvivier, que, em texto publicado anteontem, disse que nestas eleições há “pastor demais e maconha de menos”, referindo-se à falta de debate em torno de tópicos considerados polêmicos por conservadores. Duvivier, em seu artigo, sugere que “ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis” se unam, alegando que o lado de lá, o lado dos conservadores, está “bem juntinho”.

Tanto o texto de Safatle quanto o de Duvivier quase que inevitavelmente nos levam a refletir sobre a hipocrisia. O dicionário Aulete, em sua versão digital, tem a seguinte definição para “hipócrita”: “Que simula ter uma qualidade ou sentimento que não tem, ou finge ser verdadeira alguma coisa (sabendo que não o é)”. Safatle ilustra bem a questão: “Se a filha adolescente do deputado conservador engravidar sem querer ele será o primeiro a aparecer por lá [clínica de aborto]. O que é proibido no Brasil é reconhecer tal prática”.

Nem toda conservadora já abortou, nem todo conservador se enriquece às custas do dinheiro de ingênuos fiéis. Mas nem Aécio nem Dilma nem Marina conseguiriam se eleger sem o voto dos conservadores, o que mostra a obsolescência de nossa sociedade; não conseguiriam governar sem o voto de milhões de supostos paladinos dos bons costumes, o que mostra o tamanho da hipocrisia de nossa sociedade. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

EM CORES

Dependo de silêncio.
Dependo de som.
Dependo de corpo.

Ou de teu silêncio branco.
Ou de tua voz azul.
Ou de teu corpo dourado. 

DE OLHOS BEM ABERTOS...

INFORMÁTICA

Ela deletou a pasta do HD.
Depois, esvaziou a lixeira.
Em último ato, ela ordenou
plena formatação da máquina.

Do coração, nada se desgarrou. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (78)

Na sexta-feira passada (22/08), terminado o show da banda O Berço no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, fui a um restaurante, conferir música ao vivo com a Lizandra, que recentemente também lançou seu trabalho no teatro. Já saindo do restaurante, reparei na árvore que está na foto. Peguei a câmera e fiz o registro.
_____

Dados técnicos
1/13
F/4.5
ISO 2000
(Foto tirada às 22h58.) 

CONTO 69

Calisto estava pensando em buscar Deus. Decidiu que não O buscaria fora de si, após considerar que lá fora há lugares demais. Também pensou que se Deus estivesse lá fora, poderia estar num lugar a que o Universo ainda não chegou. Numa espécie de otimismo, concebeu um Deus que poderia estar mais perto dele — na pessoa ao lado, por exemplo. Obviamente, concluiu que se Deus pode estar lá fora, mas dentro de uma pessoa, então pode estar dentro dele, Calisto. E assim iniciou a busca. 

AGRADECIMENTO

No sábado à tarde, fui ao shopping. Já de saída, no estacionamento, procurei pela chave da moto. Ela não estava no bolso em que era para estar. Vasculhei os demais bolsos. Nada. Já acreditando em tê-la perdido, cogitei pegar o elevador e voltar aos lugares onde havia estado, reparando no trajeto percorrido e nutrindo a esperança de achá-la.

Foi quando me deparei com um papel enrolado no suporte do retrovisor direito. Nele, um bilhete. O papel era do tíquete do estacionamento; no verso do comprovante, havia mensagem de que eu esquecera a chave na moto. Para reavê-la, bastaria procurar os seguranças do shopping. Pude mesmo recuperar a chave quando os procurei.

Desde então, tenho pensado na honestidade e na bondade da moça que entregou a chave para o segurança (foi ele quem me disse que era uma moça). Dentro da moto estava meu capacete. A pessoa poderia ter destravado o banco e levado o capacete, ainda que deixasse um bilhete dando notícia sobre a chave. Ou poderia até mesmo ter levado a moto. Afinal, quando a cancela é aberta, há tempo para que duas motos passem. Ela poderia ter saído em minha moto; depois, voltaria e buscaria a dela.

Como isso não ocorreu, este texto é um agradecimento ao bonito gesto da moça. É pouco provável que ela me leia; mesmo assim, fica o registro do quanto sou grato a ela, que escreveu no bilhete: “Vc esqueceu sua chave na moto. Sua chave está com os seguranças do shopping”. 

PASSO A PASSO

Segue a melodia.
A música te convida.
Segue o ritmo do
que bate no peito.
Uma canção é
sintonia para
meu passo e
o teu passo.
A estrada é
feita de sons,
é feita de
mim e de ti.
Depois de
um horizonte
um outro
se descortina,
não há
caminho
que se fecha,
não há voz
que não cante
outra vez.
A gente chega
é caminhando.
Caminhando,
a gente parte. 

domingo, 24 de agosto de 2014

"O NOME MAIS BONITO"

Tendo acordado há pouco, liguei o rádio. As primeiras palavras que escutei foram no exato momento em que o Renato Russo canta “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, na parte final de “Pais e filhos”. É um ótimo preceito para se começar um dia. Que tenhamos um belo domingo azul. 

sábado, 23 de agosto de 2014

EM BERÇO ESPLÊNDIDO

A banda O Berço realizou ontem no Teatro Municipal Leão de Formosa um show poético e terno. Executaram na íntegra as faixas do CD “Alto do Vale”, que está sendo lançado. Hoje, haverá o segundo dia de show.

Houve momentos em que a comoção tomou conta do palco; todavia, não houve pieguice. Além do mais, os integrantes souberam transformar o compreensível nervosismo da estreia e a emoção da conquista que é lançar um CD num show bonito e cheio de energia.



























sexta-feira, 22 de agosto de 2014

EM PALAVRAS

Não existe dia 
em que não aguardo 
palavra tua.
Basta uma.
Quando não há, 
releio-te.
Quando há, 
releio-te.

Dá-me
palavra,
renova
meu idioma. 

À ESQUERDA

ARVORANDO-SE


SINTONIA

São farinha
do mesmo asco.

São farrinha
do mesmo saco. 

MATERIAL

Há uma constelação de livros latentes.
Não gosto de livros não escritos.
Gosto de concretudes: eu me livro. 

QORPO LINGUÍSTICO

Á qem qeira um novo acordo ortográfico, propondo modificasões na última flor do Lásio. A intensão é simplificar a grafia. Asim, por ezemplo, a palavra “exemplo” tornar-se-ia “ezemplo”. Qorpo-Santo estaria ezultante. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VEJA SÓ, CONSTANTINO

Nem a Veja deu conta do Rodrigo Constantino, depois de ele publicar que Miriam Leitão deve desculpas ao país; ela disse recentemente que foi torturada pelo regime militar. O paladino vejiano justificou-se, dizendo concordar em parte com o ter sido obrigado a retirar seu texto do “site” da revista.

Constantino alegou: “Poderia causar impressão em alguns de que eram coisas equivalentes a tortura que ela sofreu e o comunismo que ela pregava”. De qualquer modo, o blogueiro da revista escreveu que abordará o assunto “em outra ocasião”. 

Que ironia: logo ele, adepto da cantilena de uma suposta falta de liberdade, de uma ditadura velada, blablablá, foi censurado por seus chefes. Até agora, alegando censura contra ele, Constantino não se insurgiu contra a revista dos Civita. 

SOBRE ASTROS E SONHOS

Hoje, chego à sala dos professores, e a Flaviana, colega de trabalho, conta--me que sonhou que eu estava me casando. A Maíra, outra colega, havia lido, ontem, meu horóscopo. Embarcando no astral, pedi à Maíra que lesse o que os astros estariam decidindo sobre meu destino para hoje. Os corpos celestes, com suas inventivas conjunções, foram inexoráveis: “Mesmo que você queira, não conseguirá ficar sozinho”. Quero me casar na esquina da Doutor Marcolino com a José de Santana. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

APONTAMENTO 215

Pessoas sensatas e inteligentes não raro deletam a sensatez e a inteligência quando escrevem ou falam sobre política, não importa qual candidato ou qual ideologia estejam defendendo. Isso é ruim, não somente por nada acrescentar a um debate, mas também por depor contra quem profere o destempero.

Escrever coisas como “o candidato Fulano deveria estar no inferno” ou “a candidata Beltrana é mais falsa do que nota de três reais” é infantil e contraproducente. A pessoa fica parecendo aquelas crianças que, ao brigar na escola, lascam um “aposto que sua mãe tem piolho” ou um “seu pai é careca, e o meu não é”.

Embora o descontrole quando a política vem à baila não seja novo, as redes sociais desnudam em profusão esses contrassensos e essas ignorâncias. Todos nós temos impulsos animalescos e imbecis. Parece não haver como impedi-los de virem à tona; o problema é não saber lidar com eles quando vêm. Não é num debate sobre política que deveríamos dar vazão a eles. 

BANDA O BERÇO VAI LANÇAR CD

(Foto: Peruzzo)

O CD “Alto do Vale”, da banda O Berço, abre com uma citação de “Saudades de Matão”, clássico da música caipira. O universo sertanejo também é uma influência no trabalho deles, que integram o rol de artistas que estão fazendo o rico momento da música local atualmente.

Não digo com isso que se trate de um CD de canções caipiras. O Berço é uma daquelas bandas em que as fontes nas quais beberam são facilmente percebidas (pelo menos assim me parece). Se o CD abre com uma citação do cancioneiro caipira, à medida que se escuta o trabalho, influências country, pop, rock ou folk podem ser percebidas.

As participações especiais dão o tom do ecletismo de que O Berço é capaz: Luiz Salgado (que faz o que a crítica chama de música regional), Leoni (ex-integrante do Kid Abelha e do Heróis da Resistência — hoje segue carreira solo) e Raphael Evangelista, um dos integrantes do duo Finlândia (além de Raphael, Mauricio Candussi, que é argentino, faz parte da dupla), também embalam O Berço.

Há algo de irônico, de quase histriônico no trabalho da banda, como se não levassem a música muito a sério; deixam a impressão de que estão brincando, divertindo-se — o que é ótimo! É sempre bom quando as pessoas decidem brincar com o talento que têm. Essa atitude “descompromissada” é permeada por canções melodiosas e por belos vocais, numa sonoridade que não deixa, por vezes, de remeter à década de 70.

“Alto do Vale” convence pelo senso de humor e por, aparentemente, não estar preocupado com uma grande mensagem, com grandes pretensões, por assim dizer. Há a música, há a diversão. É como se O Berço não estivesse preocupado em deixar um legado — ao mesmo tempo em que, inevitavelmente, deixa-o.

Reserve para si cinquenta e dois minutos e trinta e três segundos, que é o tempo de duração do CD. Reserve também a sexta ou o sábado (ou a sexta e o sábado), dias 22 e 23/08, quando O Berço vai lançar o CD no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, às 20h30, tanto na sexta quanto no sábado. No alto do vale a gente vai curtir música e se divertir.