sábado, 23 de agosto de 2014

EM BERÇO ESPLÊNDIDO

A banda O Berço realizou ontem no Teatro Municipal Leão de Formosa um show poético e terno. Executaram na íntegra as faixas do CD “Alto do Vale”, que está sendo lançado. Hoje, haverá o segundo dia de show.

Houve momentos em que a comoção tomou conta do palco; todavia, não houve pieguice. Além do mais, os integrantes souberam transformar o compreensível nervosismo da estreia e a emoção da conquista que é lançar um CD num show bonito e cheio de energia.



























sexta-feira, 22 de agosto de 2014

EM PALAVRAS

Não existe dia 
em que não aguardo 
palavra tua.
Basta uma.
Quando não há, 
releio-te.
Quando há, 
releio-te.

Dá-me
palavra,
renova
meu idioma. 

À ESQUERDA

ARVORANDO-SE


SINTONIA

São farinha
do mesmo asco.

São farrinha
do mesmo saco. 

MATERIAL

Há uma constelação de livros latentes.
Não gosto de livros não escritos.
Gosto de concretudes: eu me livro. 

QORPO LINGUÍSTICO

Á qem qeira um novo acordo ortográfico, propondo modificasões na última flor do Lásio. A intensão é simplificar a grafia. Asim, por ezemplo, a palavra “exemplo” tornar-se-ia “ezemplo”. Qorpo-Santo estaria ezultante. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VEJA SÓ, CONSTANTINO

Nem a Veja deu conta do Rodrigo Constantino, depois de ele publicar que Miriam Leitão deve desculpas ao país; ela disse recentemente que foi torturada pelo regime militar. O paladino vejiano justificou-se, dizendo concordar em parte com o ter sido obrigado a retirar seu texto do “site” da revista.

Constantino alegou: “Poderia causar impressão em alguns de que eram coisas equivalentes a tortura que ela sofreu e o comunismo que ela pregava”. De qualquer modo, o blogueiro da revista escreveu que abordará o assunto “em outra ocasião”. 

Que ironia: logo ele, adepto da cantilena de uma suposta falta de liberdade, de uma ditadura velada, blablablá, foi censurado por seus chefes. Até agora, alegando censura contra ele, Constantino não se insurgiu contra a revista dos Civita. 

SOBRE ASTROS E SONHOS

Hoje, chego à sala dos professores, e a Flaviana, colega de trabalho, conta--me que sonhou que eu estava me casando. A Maíra, outra colega, havia lido, ontem, meu horóscopo. Embarcando no astral, pedi à Maíra que lesse o que os astros estariam decidindo sobre meu destino para hoje. Os corpos celestes, com suas inventivas conjunções, foram inexoráveis: “Mesmo que você queira, não conseguirá ficar sozinho”. Quero me casar na esquina da Doutor Marcolino com a José de Santana. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

APONTAMENTO 215

Pessoas sensatas e inteligentes não raro deletam a sensatez e a inteligência quando escrevem ou falam sobre política, não importa qual candidato ou qual ideologia estejam defendendo. Isso é ruim, não somente por nada acrescentar a um debate, mas também por depor contra quem profere o destempero.

Escrever coisas como “o candidato Fulano deveria estar no inferno” ou “a candidata Beltrana é mais falsa do que nota de três reais” é infantil e contraproducente. A pessoa fica parecendo aquelas crianças que, ao brigar na escola, lascam um “aposto que sua mãe tem piolho” ou um “seu pai é careca, e o meu não é”.

Embora o descontrole quando a política vem à baila não seja novo, as redes sociais desnudam em profusão esses contrassensos e essas ignorâncias. Todos nós temos impulsos animalescos e imbecis. Parece não haver como impedi-los de virem à tona; o problema é não saber lidar com eles quando vêm. Não é num debate sobre política que deveríamos dar vazão a eles. 

BANDA O BERÇO VAI LANÇAR CD

(Foto: Peruzzo)

O CD “Alto do Vale”, da banda O Berço, abre com uma citação de “Saudades de Matão”, clássico da música caipira. O universo sertanejo também é uma influência no trabalho deles, que integram o rol de artistas que estão fazendo o rico momento da música local atualmente.

Não digo com isso que se trate de um CD de canções caipiras. O Berço é uma daquelas bandas em que as fontes nas quais beberam são facilmente percebidas (pelo menos assim me parece). Se o CD abre com uma citação do cancioneiro caipira, à medida que se escuta o trabalho, influências country, pop, rock ou folk podem ser percebidas.

As participações especiais dão o tom do ecletismo de que O Berço é capaz: Luiz Salgado (que faz o que a crítica chama de música regional), Leoni (ex-integrante do Kid Abelha e do Heróis da Resistência — hoje segue carreira solo) e Raphael Evangelista, um dos integrantes do duo Finlândia (além de Raphael, Mauricio Candussi, que é argentino, faz parte da dupla), também embalam O Berço.

Há algo de irônico, de quase histriônico no trabalho da banda, como se não levassem a música muito a sério; deixam a impressão de que estão brincando, divertindo-se — o que é ótimo! É sempre bom quando as pessoas decidem brincar com o talento que têm. Essa atitude “descompromissada” é permeada por canções melodiosas e por belos vocais, numa sonoridade que não deixa, por vezes, de remeter à década de 70.

“Alto do Vale” convence pelo senso de humor e por, aparentemente, não estar preocupado com uma grande mensagem, com grandes pretensões, por assim dizer. Há a música, há a diversão. É como se O Berço não estivesse preocupado em deixar um legado — ao mesmo tempo em que, inevitavelmente, deixa-o.

Reserve para si cinquenta e dois minutos e trinta e três segundos, que é o tempo de duração do CD. Reserve também a sexta ou o sábado (ou a sexta e o sábado), dias 22 e 23/08, quando O Berço vai lançar o CD no Teatro Municipal Leão de Formosa, aqui em Patos de Minas, às 20h30, tanto na sexta quanto no sábado. No alto do vale a gente vai curtir música e se divertir. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

APONTAMENTO 214

No mundo, tal como ele é, inteligência e gentileza são ousadias. A gentileza é uma arma poderosa; a inteligência é uma arma poderosa. Nem todo mundo percebe essas coisas. Mas isso não é pretexto para que abdiquemos, seja da inteligência, seja da gentileza. 

APONTAMENTO 213

Pode-se amar o trabalho de uma pessoa sem que a pessoa em si seja amada. Por outro lado, amar o trabalho de uma pessoa pode fazer com que passemos a amar a pessoa que o produziu. Por fim, amar uma pessoa é por extensão amar o trabalho dela. 

APONTAMENTO 212

Não se ama a pessoa pelo fato de ela ser bonita (ainda que ela seja). Mesmo assim, o que amamos se torna bonito. É uma beleza diferente da que vemos naquilo que não amamos. A beleza amorosa não é estética. Ao mesmo tempo, atribui àquilo que amamos uma beleza que só a arte sabe traduzir. 

DE OLHO

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CAMPOS "ELÍSIOS"

“O Brasil é o país da piada pronta”. Falta de compaixão torna-se sinônimo de piada. Estupidez torna-se sinônimo de piada. Maldade torna-se sinônimo de piada. 

ROGER, O "INTELIGENTE" (2)

A mais recente “pérola” do Roger, do Ultraje a Rigor, foi escrever, no Twitter: “Minha família não foi perseguida pela ditadura. Porque não estava fazendo merda”. A postagem era endereçada a Marcelo Rubens Paiva, que participara da Flip e lamentara o fato de pessoas como o Roger terem se convertido ao conservadorismo.

escrevi sobre a fama de inteligente que Roger tinha. Num tempo em que não havia redes sociais, essa fama era mantida porque não se tinha acesso ao que o roqueiro pensa nem ao modo como ele se expressa. Hoje, sabe-se que a inteligência dele é um mito.

Fosse ele comedido, a suposta inteligência a ele atribuída até poderia se manter. No mais, essa história me faz lembrar de um conselho atribuído ao Mark Twain: “É melhor ficar de boca calada e deixar as pessoas pensarem que você é bobo do que abri-la e acabar com toda a dúvida”. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

PALAVRA POR PALAVRA

Ainda que não sejam sobre ti, 
minhas palavras são tuas.
Ainda que não sobre ti, 
cada palavra minha fica
a desejar tua leitura. 

"PARKOUR"

Ontem, no estacionamento do campus do IFTM — Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia —, em Patos de Minas, às 20h30, ocorreu uma apresentação da modalidade conhecida como “parkour”. Segundo verbete da Wikipédia, “‘parkour’ (por vezes abreviado como PK) ou ‘l'art du déplacement’ (arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto —, pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam ‘parkour’ são reconhecidos como ‘traceurs’, e mulheres, como ‘traceuses’”.