terça-feira, 12 de agosto de 2014

PALAVRA POR PALAVRA

Ainda que não sejam sobre ti, 
minhas palavras são tuas.
Ainda que não sobre ti, 
cada palavra minha fica
a desejar tua leitura. 

"PARKOUR"

Ontem, no estacionamento do campus do IFTM — Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia —, em Patos de Minas, às 20h30, ocorreu uma apresentação da modalidade conhecida como “parkour”. Segundo verbete da Wikipédia, “‘parkour’ (por vezes abreviado como PK) ou ‘l'art du déplacement’ (arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto —, pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam ‘parkour’ são reconhecidos como ‘traceurs’, e mulheres, como ‘traceuses’”.




























WILLIAMS

Where did
Robin
fly to?...

Where is 
Robin 
singing now?... 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ALTA COSTURA

A natureza 
prepara para si 
roupa nova: 
tesourinhas 
já riscam e cortam 
o tecido azul do céu. 

domingo, 10 de agosto de 2014

DESFOLHADA

PERIGEU (2)

Segundo o Houaiss, esta é a definição de perigeu: “Ponto da órbita de um astro ou satélite em torno da Terra, no qual ele se encontra mais próximo de nosso planeta”. Hoje, a Lua estava logo ali. Eu não poderia não fotografá-la.

Eu estava às margens da BR 352; saindo de Patos de Minas, a uns cem metros depois do trevo com a BR 365, no caminho que vai para Lagoa Formosa. Dirigindo a moto, eu ia olhando para o horizonte, pois eu havia lido que a Lua, no Rio de Janeiro, nasceria às 17h40.

Tirei a foto às 18h16. Procurando pela Lua no horizonte, eu estava olhando em outra direção, mais para a minha esquerda. Quando olhei para a direita, o satélite já havia se despedido da linha do horizonte. Tivesse eu sido mais atento, pode ser que eu tivesse fotografado a Lua desde os primeiros instantes em que ela despontou.
_____

Ficha técnica

Câmera: Canon EOS 60D
Lente: Canon EF 100-400mm F/4.5-5.6L IS USM

Extensão focal: 400 milímetros
F/5.6
1/50
ISO 1000 

DIGRESSÕES DURANTE UM INTER x GRÊMIO

Internacional e Grêmio estão jogando (a partida está no intervalo). Felipão está no comando do Grêmio. Agora, não consigo evitar: sempre que vejo Felipão, eu me lembro dos sete a um. Esse estigma parece-me tão inabalável... A impressão que tenho é a de que ele é que vai ficar, ainda que o técnico volte a ser vitorioso.

Felipe, o “Grande”, acabou fazendo com que eu me lembrasse do Parreira. No meio do futebol, não consigo me lembrar de um sujeito tão sem carisma quanto ele. Tento levar em conta que ele era o técnico da seleção campeã da Copa 1994, mas essa estratégia não funciona. O que ficam são o ar “blasé”, a declaração de que a CBF é o Brasil que dá certo e a leitura que Parreira fez da carta da dona Lúcia. 

SÓ DEZ POR CENTO?!

Raul Seixas, em “Ouro de tolo”, canta que só usamos dez por cento de nossa capacidade mental. Essa ideia também está presente em “Lucy”, filme estrelado por Scarlett Johansson e por Morgan Freeman (o diretor é Luc Besson).

Lembro-me de ter lido, há muitos anos (talvez na Superinteressante), que essa história de usarmos apenas dez por centro do cérebro é um mito. Amy Reichelt, em breve artigo no IFLS (I Fucking Love Science), traça a origem desse mito e explica por que não há como afirmar que noventa por cento de nosso cérebro permanece inativo. 

sábado, 9 de agosto de 2014

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 27


Que tal um programa para este sábado à noite?... Acima, basta dar “play” e escutar o Sintonia Fina, atração musical.

SELEÇÃO MUSICAL

The Offspring – Why don’t you get a job
Nando Reis – Frevo mulher
John Lennon – Jealous guy
Tiê – Desculpe o auê
Broken Bells – Holding on for life
Cláudio Nucci – Acontecências
Eros Ramazzotti – Cose della vitta
Kiko Zambianchi – Quadro vivo 

FUTEBOL E MÚSICA

Assistindo agora ao jogo Criciúma x Cruzeiro, foi possível escutar, há pouco, os torcedores da equipe de Santa Catarina cantando uma versão em português de “Why don’t you get a job” (que é um barato), da banda The Offspring. Fiquei curioso para saber duas coisas: como a canção se tornou cântico da torcida e o que diz a letra que bolaram para a versão — os barulhos captados pela transmissão não me permitiram filtrar as palavras do que era cantado. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

CANIBALISMO

Mordi a língua:
tive de engolir
palavra por palavra. 

FOTOPOEMA 356

LUÍS ANDRÉ NEPOMUCENO INTERPRETA TEXTO DE MINHA AUTORIA


De tempos em tempos, Luís André Nepomuceno vem aqui para casa a fim de gravar alguns textos literários. São momentos de risadas e de literatura, o que já é motivo o bastante para que as gravações ocorram.

Professor e escritor, Luís André ainda tem a verve de ator, o que, ademais, é comum na família dele. Nesta postagem, ele interpreta Proposta, texto de minha autoria. Basta dar “play” acima para que você escute o poema.
_____

PROPOSTA

Texto: Lívio Soares de Medeiros
Interpretação: Luís André Nepomuceno

Casa comigo.
Casa comigo num aquário. 
Ou então debaixo de uma árvore – ou sobre ela. 
Casa comigo: pode ser na rua, 
num túnel ou num estádio. 
Numa capela ou numa mansão. 
Ou dentro de um carro. 
Quem sabe na roça?... 
Ou numa grande cidade?... 
Casa comigo. 
Casa comigo todos os dias. 
Casa comigo agora. 
Casa comigo numa praça ou num canto. 
Num riacho ou num restaurante. 
Casa comigo de manhã, de madrugada 
ou às quinze para as quatro.
Casa comigo.
Não precisa contar para o padre – conte comigo.
Casa comigo e depois, se preciso, a gente conta.
A gente conta e casa depois.
A gente casa quantas vezes for preciso.
Casa comigo, vestida de noiva ou de vestido.
De tênis ou de salto.
No escuro ou na ribalta.
Casa comigo. 

DICIONÁRIO LIVIANO DE INGLÊS (2)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CORRE LÁ FORA!

Em “A gente precisa ver o luar”, Gilberto Gil escreveu: “O luar / Do luar não há mais nada a dizer / A não ser / Que a gente precisa ver o luar // Que a gente precisa ver para crer / Diz o dito popular / Uma vez que é feito só para ser visto / Se a gente não vê, não há”.

Os céus de agosto, aqui na região, são formidáveis. Na letra do Gil, basta trocar a expressão “o luar” pela expressão “céu azul”. Logo após, não vacila: corre lá para fora e olha para cima. Afinal, “se a gente não vê, não há”. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ESPAÇOS

O espaço virtual não tem graça sem você.
O espaço real não tem graça sem você.
Sem você, caibo, mas não me encaixo. 

DICIONÁRIO LIVIANO DE INGLÊS (1)








terça-feira, 5 de agosto de 2014

DELICADA MÚSICA

O contato inicial que tive com a cantora Lizandra ocorreu na edição do Fermap, Festival Regional de Música do Alto Paranaíba, realizado, salvo engano, em 2012, aqui em Patos de Minas. Na ocasião, Lizandra se apresentou, cantando e tocando violão, ao lado da irmã Andressa Nunes, percussionista.

Desde então, tenho visto Lizandra se apresentar nos bares locais, num repertório que contempla, em grande parte, clássicos da MPB e do pop/rock nacional. Ultimamente, eu a vi interpretando também algo do pop internacional, como a cantora Lorde e o grupo Talking Heads.

Lizandra cursa Engenharia eletrônica e de telecomunicação na Universidade Federal de Uberlândia, no campus de Patos de Minas. Paralelamente aos estudos e às apresentações em bares e restaurantes, ela ia aos poucos revelando a verve de compositora. Temos agora a oportunidade para conferir o que ela tem feito: no dia 15 de agosto, às 20h, no Teatro Municipal Leão de Formosa, Lizandra lança EP que leva seu nome.

Fosse eu me valer de apenas uma palavra para definir o que ela faz, tanto nas apresentações ao vivo quanto em seu trabalho de compositora, eu usaria o adjetivo “delicado”. Delicadeza na voz, delicadeza nas interpretações.

Se “Sofia”, a faixa de abertura, tem pegada pop/rock, “Samba para você voltar”, a terceira do trabalho, rende tributo ao gênero musical que está presente no título da canção. O trabalho da cantora é intimista e lírico. 

Também me chamou a atenção o tom otimista das letras de Lizandra. Ainda que falando de amor ausente, a ideia é positiva. O trecho “fazendo samba torto e direito / Pra não deixar de acreditar na vida” dá bem uma ideia do otimismo que perpassa o EP. Lizandra, ouvinte e executante de MPB, oferta--nos, com seu disco, suas cálidas composições. 

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

Mangas? Dispenso-as. Nos morangos, não vejo a sensualidade a eles atribuída. As maçãs são gostosas. De mexericas e laranjas, faço questão. Todavia, não adianta: tenho veneração por uma que é gorda, feia e ruim de carregar. O tempo passa, mas a veneração que tenho pelas melancias é a mesma de outros tempos.

Há pouco, eu estava me chafurdando numa. Foi quando tive a ideia para este texto. Só que antes da suculenta delícia, há a casca. Para mim, é uma peleja ter de descascar, seja o que for, por eu ser muito desajeitado em manejar facas. Sempre fico impressionado quando vou comprar uma melancia, e o atendente, em segundos, consegue cortar a fruta, num entalhe perfeito.

Há pouco, saboreei, de olhos fechados, cada fatia. Concentrando-me no prazer em si (no prazer em mim?), fui comendo e comendo. O estômago já estava cheio. Mesmo assim, eu não conseguia parar de fatiar mais um pedaço, mais um pedaço, mais um pedaço... Como pode algo ser tão gostoso?!

Aqui em casa, quando tenho de lidar com elas, sempre apronto uma bagunça: o corte fica torto, os pedaços saem desengonçados. Ainda assim, asseguro, o prazer de saborear melancia é para mim uma epifania, é a possibilidade de acesso a um mundo de delícias não terrenas. Não deixo de ser mortal; entretanto, torno-me um mortal conhecedor de regiões que nada lembram nossa condição passageira e limitada. Degustar melancia é um momento de elevação. 

CURSO DE FOTOGRAFIA

Pessoas, vem aí mais um curso. Caso se interessem, gentileza deixar mensagem, que não será publicada.
_____

Professor: Lívio Soares de Medeiros
Número de aulas: 5
Duração de cada aula: 1 hora e 30 minutos
Datas: 12, 13, 14, 15 e 19 de agosto
Horário das aulas: 19h30 às 21h
Equipamento necessário: qualquer um que fotografe

Tópicos abordados:
— Tipos de equipamento (câmeras e lentes)
— O treino do olhar
— O uso criativo da velocidade em fotografia
— O uso criativo da abertura em fotografia
— O uso do ISO
— Compondo a imagem fotográfica (o assunto principal na fotografia; a regra dos terços) 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MUSICALIDADE

Acorda!
Mimimi
não faz
acorde. 

PROCURA

Um dia, acharei o verso definitivo.
O verso acima prova que não foi dessa vez. 

TARDE DA NOITE

Terça-feira.
Quatro e vinte e três da madrugada.
Se eu não quisesse
pensar em você,
seria insônia. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

ATERRISSAGEM

Eu sempre me perguntava para onde iam os tucanos. Hoje, sei que pousam em Cláudio. 

CANTOR E COMPOSITOR PIÊIT LANÇA SEU TRABALHO NO DIA 15

Um dos artistas que compõem o cenário local na área da música é Piêit. Seu EP, intitulado “Demasiado”, vai ser lançado no dia quinze de agosto no Teatro Municipal Leão de Formosa (nas redes sociais, parte do trabalho já havia sido divulgada). A cantora Lizandra vai lançar o EP dela no mesmo dia, também no teatro (sobre ela, comentarei em outra resenha).

O trabalho de Piêit tem oito faixas. Duas delas constam como bônus; estas são canções gravadas pela banda Jackdown, de que Piêit era integrante. Dado a questionamentos e a letras reflexivas, não seria exagero dizer que “Demasiado” tem um viés existencialista.

O vocal de Piêit ora é suave, ora é “agressivo”. Usa a região grave ao cantar, embora não raro se valha do falsete em suas interpretações. As faixas criam um clima, uma atmosfera em que se vislumbra aqui ou ali uma pitada de rock progressivo. Ou então uma gradação que começa suave e termina intensa; a canção que dá título ao trabalho é um bom exemplo disso.

A despeito do viés existencialista a que me referi acima, o EP abre com “Acredito na vida”, que tem, como o título já deixa entrever, letra otimista; a pegada é pop-rock. Em contrapartida, “Deep up”, que vem logo a seguir e é cantada em inglês, num astral melancólico, quebra o tom otimista de abertura. “Deep up” tem temática amorosa; o mesmo vale para “I’m not crazy”, também cantada em inglês.

É inevitável a gente escutar o trabalho de alguém e tentar “rastrear” as influências recebidas pelo artista. Piêit parece ter bebido na vertente reflexiva do pop-rock. Na letra de “Maré de pé” há a pergunta: “Por que estou esmorecendo?”. A pergunta dá bem o tom intimista do EP; os arranjos das canções fazem jus a esse intimismo.

Em sua carreira musical, Piêit tem sido presença no cenário independente da música brasileira. O cantor e compositor já participou de festivais Brasil afora (em Patos de Minas, já participou do Festival Marreco). No dia quinze, Piêit vai escrever, ao vivo, mais uma página de sua música. 

O CENÁRIO DA MÚSICA LOCAL

A popularização da tecnologia influenciou também o modo de se fazer música. Há trinta ou quarenta anos, um artista que morasse em Patos de Minas teria muita dificuldade em registrar seu trabalho musical. Se quisesse uma qualidade melhor, ver-se-ia obrigado a gravar fora da cidade.

Hoje, é possível fazer o registro por aqui. Além do mais, e novamente graças à tecnologia, o intercâmbio de informações e o acesso a novidades e ao passado é bem mais fácil. O resultado desse contexto é que muita gente, em muitos lugares, tem produzido. A cena local não é diferente.

A internet é uma baita ferramenta de divulgação. Entretanto, o artista, no mais das vezes, continua atrelado a um esquema de divulgação que passa por gravadoras, rádios e TVs para que seu trabalho reverbere em escala maior. Para quem não é conhecido, a divulgação via internet, salvo exceções esporádicas, é pulverizada: um escuta daqui, outro escuta dali, mas não há, de modo efetivo, um alcance que leve a turnês lucrativas ou a execuções em rádios. Mesmo com a internet, o esquemão gravadora/rádio/TV ainda impera.

Em contrapartida, se o artista se vê contente em realizar seu trabalho de modo independente, sem intenções de arrebanhar turbas, o cenário que se tem hoje é perfeito. O acesso a tecnologias é fácil e o custo de gravação em estúdios é viável. Essa conjunção tem feito com que mais artistas gravem seus trabalhos musicais.

O que Patos de Minas tem de melhor não são seus políticos provincianos, os dois grupos que há décadas se revezam no poder. O que a cidade tem de melhor são seu povo e seus artistas. Musicalmente, a cidade tem vivido um belo momento.

Há uma leva de gente jovem e criativa que tem se valido das facilidades proporcionadas pela tecnologia para criarem trabalhos autorais, criativos, contemporâneos e cosmopolitas. Sintonizados e talentosos, esse pessoal tem sido os protagonistas de uma bela página da música que tem sido feita na cidade.

Aqui e ali, é possível detectar as influências de que alguns deles se valem. Contudo, essas influências são diluídas, mesclam-se e formam trabalhos que têm identidade e brilho próprios. Não bastasse isso, os artistas não estão preocupados em soar, por assim, patenses, o que faz com que acabem fugindo de um bairrismo pueril. Não se trata, contudo, de negar quem se é; trata-se, sim, de ser artista, de procurar uma linguagem que seja pessoal e musical. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

PROFECIA

Minhas palavras chegam até ti.
Tuas palavras chegam até mim.
Nossas bocas ainda estarão 
juntas numa só ideia. 

CAMINHOS

A gente vai caminhando.
A gente vai fazendo o caminho.

Além de passear 
pela minha cabeça, 
por onde você anda? 

terça-feira, 29 de julho de 2014

(DES)APONTAMENTO 8

Se eu me tornasse um disc jockey, meu nome artístico seria DJ Salinger. 

NO CAMPO DE CENTEIO

Holden Caulfield é um peregrino. Sente ascos passageiros por aqueles com quem encontra em sua jornada. Sua misantropia é aparente. Ao mesmo tempo em que reprova aqueles com quem vai interagindo, ele não consegue ficar sem gente. Está sempre ligando para alguém, sempre pensando em procurar alguém. Está perdido. Na tentativa de manter de pé o confuso edifício de si mesmo, não consegue manejar a solidão. Holden Caulfield é dependente dos outros. É sensível, tem pendores artísticos. Fica-se com a impressão de que será um grande homem. 

É engraçado. A gente nunca deveria ler nada. Mal acaba de ler, a gente começa a sentir saudade de todo mundo. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

PAPILA

O paladar 
exige muito: 
por isso, 
a boca te percorre. 

PERNAS ESCRITAS

Não faltam pernas. Em “O apanhador no campo de centeio” (The catcher in the rye), segundo a tradução de Álvaro Alencar, Antônio Rocha e Jório Dauster, lê-se: “Garotas de pernas cruzadas, garotas de pernas descruzadas, garotas com pernas fabulosas, garotas com pernas pavorosas” (...). Drummond, em seu “Poema de sete faces”, escreveu: “O bonde passa cheio de pernas: / pernas brancas pretas amarelas. / Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração”. Assim caminha a literatura. 

domingo, 27 de julho de 2014

OFÍCIO

Alguns caçam votos.
Eu escrevo poemas.

Alguns fazem pão.
Eu escrevo poemas.

Alguns ensinam física.
Eu escrevo poemas.

Alguns escrevem poemas.
Eu leio poemas. 

sábado, 26 de julho de 2014

PINKY E CÉREBRO


(Consegui a ilustração via Google; não achei o nome do autor, a fim de dar os créditos.)

Estava me lembrando hoje do barato que era assistir ao desenho animado Pinky e Cérebro (Pinky and the Brain), sucesso na década de 90. Há um quê do Quixote em Cérebro. As causas do cavaleiro eram nobres; as do camundongo, mundanas. Ainda assim, são dois iludidos. Mas sejamos justos: quixotescos somos todos nós. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

NO ESCURO

Ver, 
no mais das vezes, 
é distrair-se. 

Fecho os olhos, 
produzo escuro. 

Não olhar é outro modo 
de se maravilhar. 

A DOIS

É preciso maravilhar-se. 
Por isso, quero-te aqui. 
Maravilhados e tarados, 
faremos maravilhas.