quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ENCONTRO


Fotografar é registrar o modo como você olha para um encontro. Eu e esse gavião nos encontramos no dia sete de junho de 2007, às 16h24.
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Canon EOS 20D
Lente Canon 100-400mm f4,5-5,6 L IS AF USM
1/2000
F/5.6
ISO 200 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PERGUNTAS

Sou pequeno demais 
para as perguntas 
que faço a mim mesmo.

Não me preocupo 
quando não as respondo: 
eu me preocupo 
quando não as faço.

Sigo vivendo e 
me perguntando. 
De vez em quando 
suspeito de 
uma resposta. 

A todo momento, 
esbarro numa pergunta.
A vida tem o formato
de um ponto de interrogação.

A vida tem o formato 
de um ponto de interrogação? 

OPINIÕES, OPINIÕES, OPINIÕES...

A internet dá a todos a liberdade de opinar. Isso é ótimo, pois  assim  pode--se tomar conhecimento das ideias de gente que não está em algum grande meio de comunicação. Quem trabalha para esses meios nem sempre pode dizer, quando trabalha, o que pensa, sob pena de retaliação ou até perda de emprego.

O lado ruim da liberdade que a internet concede é que gente que nada entende de determinado assunto se arvora em opinar sobre ele; não raramente, até cobram de quem não opina, não se dando conta de que nem sempre as pessoas querem opinar e se esquecendo de quem nem sempre as pessoas têm opinião.

Quem não opina, dizem, não é cidadão de verdade. É como se estivessem apontando o indicador, dizendo: “Reparem: aquele ali não se posicionou; preferiu ficar em cima do muro, preferiu não se envolver, assumindo um posicionamento confortável”.

Não estou fazendo apologia à pasmaceira nem ao não engajamento: a proliferação de opiniões é melhor do que o cerceamento das mesmas. Só que é preciso entender que o fato de alguém não opinar publicamente não significa que esse alguém não tenha opinião nem que esse mesmo alguém não atue de outros modos. 

Há muito do que chamo de engajado de rede social. Engajamento assim pode soar ora ingênuo, ora ridículo: compartilhar fotinhas de contraventores no Facebook e dizer que se é contra a corrupção não é engajamento — é truísmo e ingenuidade.

Quem opina demais acaba opinando sobre o que não entende. Além do mais os que conclamam outros cidadãos a também opinarem demais precisam entender que há diferentes formas de engajamento, que há pessoas as quais não estão a fim de opinar em público, o que não significa serem alienadas.

Há quem, sensatamente, prefira opinar sobre aquilo que conhece, em vez de ficar dando pitaco sobre aquilo de que nada entende. Não nos esqueçamos de que quanto mais se conhece, mais difícil pode ser emitir uma opinião; do outro lado da moeda, quem não sabe nada às vezes se sente à vontade para opinar sobre tudo.

Ser atuante em redes sociais ou tornar público tudo o que se pensa não significa necessariamente ser uma pessoa politizada. Não divulgar o que se pensa não implica alienação. Ser opinioso não implica conhecimento sobre o assunto de que se fala. Além do mais, a internet não é o único veículo para opiniões.

O García Márquez disse que em sua juventude achava ser obrigação de todo escritor o engajamento; com o passar do tempo veio a pensar, segundo ele, que o único dever de um escritor é escrever bem. Opinar demais não é a única forma rica de se estar no mundo.

PELO CERRADO










sábado, 11 de janeiro de 2014

A EDIFICAÇÃO DO AMOR

Primeiro, 
habitei 
teu pensamento, 
tua imaginação,
teus sonhos.

Depois, 
habitei 
teu corpo. 

Enquanto isso, 
eu ia fazendo morada 
em teu amor. 

VERDE CERRADO

ARDENTE CELEBRAÇÃO

Na canção “Mary’s prayer”, do grupo Danny Wilson, tem-se o verso “pense em mim e celebre” (“think of me and celebrate”); já na canção “The rhythm of the night”, sucesso na voz da Corona, tem-se “pense em mim você vai pegar fogo” (“think of me you'll burn”).

Que a celebração seja ardente. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A GOTA D'ÁGUA

Gota a gota 
vou tecendo 
o poema. 

Em breve 
terei um mar. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

ANÚNCIO

Trovão vigoroso anuncia 
tempestade apocalíptica — 
que acabou não vindo: 
de vez em quando,
cão que late não morde. 

"UMA LINDA MULHER" E O CRAQUE

“Uma linda mulher” [Pretty woman], do diretor Garry Marshall, estrelado por Julia Roberts e Richard Gere, é de 1990. Contudo, somente nesta semana é que o assisti. Para minha surpresa, há uma referência ao craque (a droga) durante o filme: eu pensava que o craque havia começado a ser consumido bem mais recentemente.

Se ele é mencionado num filme de 1990, isso quer dizer que é conhecido e consumido, numa estimativa comedida, há vinte e três anos nos Estados Unidos, pelo menos nos grandes centros — a história contada em “Uma linda mulher” se passa principalmente em Los Angeles. Contudo, eu não saberia dizer quando o craque começou a ser consumido no Brasil.

A nota lúdica é que à medida que eu ia assistindo ao filme foi-se confirmando em mim a impressão de que Edward Lewis, o personagem interpretado por Richard Gere, é uma espécie de Christian Grey... abrandado. Mas já que “Uma linda mulher” veio antes, talvez o mais correto seja dizer que Christian Grey é uma espécie de Edward Lewis... “recrudescido”... 

RELÓGIO 6

FOTOPOEMA 342

O Edgar, proprietário da loja de instrumentos musicais e escola de música Tom Maior, havia me pedido para tirar fotos de alguns dos instrumentos à venda na loja. Ontem à tarde, fui até lá realizar o trabalho.

Um dos últimos instrumentos a ser fotografado foi este violino. Ainda no visor da câmera, gostei da foto. Às vezes, isso nos engana: uma foto de que gostamos quando a observamos no visor pode não agradar quando analisada no computador.

Não foi o caso desta imagem. Tanto gostei dela que tive logo a vontade de fazer um texto inspirado nela, nisso que chamo de fotopoema, ou seja, texto e imagem formando uma amálgama. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"EDUCAÇÃO"

Assisti na madrugada que passou ao filme “Educação” [An education], lançado em 2009. Recomendadíssimo. A direção é de Lone Scherfig; roteiro de Nick Hornby. O filme é baseado num livro de memórias escrito por Lynn Barber (o roteiro de Nick Hornby também foi lançado em formato de livro).

Há texto de Barber em que ela comenta sobre a surpresa que foi quando a procuraram para adaptarem as memórias dela para o cinema. O que ela conta em “An education” é o relacionamento que ela teve, no começo da década de 60, com Simon Goldman (não é o nome real; no filme, o nome, também fictício, é David) quando ela tinha dezesseis anos.

De acordo com Barber, Simon dissera ter vinte e sete, mas, ainda segundo ela, ele deveria estar se aproximando dos quarenta. Ela, desde que nascera, tinha um destino traçado: estudar em Oxford. Tanto que ficou muito surpresa quando obteve dos pais a autorização para que saísse à noite com um cara desconhecido e mais velho do que ela, em vez de ter de ficar em casa estudando.

Tanto gostei do filme que assim que terminei de assisti-lo fui buscar informações. Fuça daqui, fuça dali, eu me deparei com um texto de Barber, com aproximadamente nove páginas, em que ela conta ou resume a história dela com Goldman. O texto foi publicado no jornal The Guardian, e pode ser conferido aqui.

O que me chamou a atenção foi o quanto o texto dela publicado no jornal proporciona uma bela oportunidade para se refletir sobre o que a arte e suas “mentiras” podem fazer com a realidade. Na abertura do trabalho, Barber conta, de modo direto, que estava esperando ônibus, depois de sair de um ensaio, quando um estranho (Goldman), num carrão, ofereceu carona; a despeito das recomendações de que uma garota não deveria aceitar carona de estranhos, ela entrou no carro.

No roteiro de Nick Hornby, há chuva na cena inicial enquanto Barber, encharcada, espera no ponto de ônibus. Goldman encosta o carro, dizendo estar preocupado com o violoncelo dela. Embarcando na brincadeira, ela coloca o violoncelo dentro do carro, mas não entra: Goldman dissera que entenderia se ela não quisesse entrar; afinal, não se deve aceitar carona de estranhos.

Barber começa a caminhar na chuva. Goldman, bem devagar, segue com o carro ao lado dela, enquanto conversam. Manhoso, bem-humorado, ele logo a convence a entrar no carro, dando início à convivência entre os dois, na qual ela logo aprenderia sobre um mundo feito de charme, conversas inteligentes e viagens.

Essa cena ilustra muito bem o que talento, inteligência e imaginação são capazes de fazer com uma realidade que pode não ser tão interessante assim. A narrativa de Barber no jornal The Guardian é “seca”: não havia... chuva... Barber “simplesmente” entrou no carro após o convite; no roteiro de Hornby, além da chuva, houve todo um diálogo esperto entre os personagens.

A comparação entre o que houve e o que Hornby fez do que houve oferta possibilidades de reflexão sobre a realidade, substrato da arte, e o que ela, a arte, faz com esse mesmo substrato. Hornby, por assim dizer, inventa uma realidade, ele nos conta uma “mentira”, que é, convenhamos, no caso específico, mais interessante do que o retrato fiel da realidade.

O Quintana escreveu que “a imaginação é a memória que enlouqueceu”. Em sua “loucura”, Hornby se valeu da memória de Barber para criar um roteiro que, se por um lado, preserva a moldura da narrativa da escritora, por outro, cria uma outra história que é vigorosa em imaginação, sem com isso pecar pela falta de verossimilhança.

Quando a realidade vai para o papel, o que está no papel não é a realidade em si. Chamam isso de simulacro, que é, nesse sentido, uma representação da realidade. Ainda que um texto seja o mais fiel que conseguir à realidade que conta, o texto em si não é a realidade — é um simulacro dela. Nessa acepção, qualquer forma de arte é um simulacro.

Não sei se o livro de Lynn Barbar é bom; na Amazon, pode-se dar uma espiada em alguns trechos dele, o que fiz durante a madrugada. Como o roteiro de Nick Hornby também está à venda, vou comprar o livro e o roteiro. Afinal, tudo ensina, tudo serve para a educação, seja um simulacro, seja uma pessoa. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

NUM PISCAR

Num piscar de olhos, tudo muda.
Pisca os olhos agora.
Tudo o que és está nesse piscar.
Tu estás todo no gesto de agora.
Tudo o que és está pronto 
para tudo mudar — 
num piscar de olhos. 

APONTAMENTO 191

Segredos, todo mundo porta, às vezes achando que a testa é porta aberta para eles. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

OS VERSOS DE PELÉ

“Espero que o Brasil abrace a oportunidade que lhe foi dada com a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Queremos mostrar ao mundo nossos lados positivos: amor à vida, nosso espírito e um belo país. Incidentes como os que aconteceram na Copa das Confederações, quando um evento esportivo foi atrapalhado por protestos políticos, não deveriam ser permitidos de novo”.

A declaração acima é de Pelé; foi dada à revista da Fifa. Na mesma entrevista ele disse que o Chile é um dos favoritos para ser o campeão da Copa do Mundo no Brasil (sic). Sobre a brincadeira de que Pelé seria pé-frio, em 2013 uma campanha publicitária na Colômbia pedia que Pelé não mais apontasse o time colombiano como favorito; quando isso ocorreu, em 1994, a Colômbia foi eliminada na primeira fase.

Pelé foi cooptado pelos que mandam no futebol. Não sei se ele recebe por isso. Recebendo ou não, tem sido lamentável quando ele dá entrevista. O Romário, que hoje é deputado federal e já foi jogador, disse que “Pelé não tem consciência nenhuma do que está acontecendo no País”. Se não tem mesmo, isso seria mais um motivo para que ele, Pelé, ficasse calado quando o assunto fosse questões políticas e sociais.

O que levaria Pelé a ficar do lado de gente que está na Fifa e na CBF? Prefiro acreditar que ele não seja títere dos caciques que imperam no futebol; prefiro acreditar que ele não seja ingênuo a ponto de realmente acreditar que Fifa e CBF fazem bem para o País. Do que não faço ideia, é do que o levaria a dar declarações tão... sem senso de realidade. Será o dinheiro o que o leva a estar do lado das entidades que comandam o futebol? Será a vaidade?... Será que ele acha que proferir as bravatas de que é capaz significa ser patriota? Novamente, Romário: “O Pelé, calado, é um poeta”. 

RELÓGIO 5

"NOTA DE RODAPÉ"

Shlomo Bar-Aba e Lior Ashkenazi interpretam os personagens principais em “Nota de rodapé” (“Hearat Shulayim”), filme de 2011, lançado no Brasil em 2012. O diretor é Joseph Cedar, que também é o roteirista.

Bar-Aba interpreta Eliezer, que é pai de Uriel (Ashkenazi). Os dois são acadêmicos, são professores. Eliezer é um ressentido com o universo da academia por dela não receber o reconhecimento de que acha ser merecedor.

O filho, Uriel, em contrapartida, navega de êxito em êxito no mundo em que o pai é ignorado: vai se tornando claro que Eliezer se ressente também do sucesso do filho. Contudo, Eliezer é comunicado que havia sido escolhido para receber o Prêmio Israel, uma honraria na vida acadêmica do país. É quando Uriel tem de escolher entre a carreira que vinha levando e o apoio ao pai.

Se a relação entre Uriel e seu pai não vai bem, numa convivência em que os dois moldam uma civilidade que camufla ressentimentos e queixas mútuos, Uriel, por sua vez, não tem conseguido lidar bem com o filho adolescente que tem. Não bastasse esse imbróglio familiar, “Nota de rodapé” mostra o mundo de intriguinhas, egos inflados e pompa que existe também no meio acadêmico.

Não bastassem as temáticas universais com que lida, o que torna o filme saboroso é o senso de humor, a ponto de às vezes ele quase se tornar uma comédia desbragada. Mas o diretor e roteirista não errou no tom: o filme diverte, sem deixar de ser dramático; é denso, sem deixar de ser engraçado.

Cedar ironiza a família, o mundo da academia, o teatro social. Valendo-se de um núcleo judaico, o cineasta se universaliza na temática e na escolha por contar a história com uma dose bem generosa de senso de humor, sarcasmo e sátira. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

RELÓGIO 4

A COPA QUE NÃO SE VÊ

Excelente texto veiculado na edição de dezembro de 2013 do imprescindível Le Monde Diplomatique Brasil e assinado por Andressa Caldas, Eduardo Baker e Thiago Melo menciona o seguinte embate: “Enquanto o governo garante que não vai haver protestos durante a Copa, as multidões e as redes sociais ecoam o grito de ‘não vai ter Copa’”.

A não ser que haja uma convulsão social, vai haver a Copa. Ainda que haja protestos, o torneio ocorrerá. O entorno dos estádios será blindado. A despeito de as obras estarem custando mais do que o que deveriam e das expulsões de cidadãos de suas moradas nas cidades-sede, em nome de se edificar a estrutura para a Copa, vender-se-á a imagem, na grande mídia, de que a competição é asséptica — como, aliás, reza o padrão da Fifa, tão queridinho dos conglomerados de mídia.

Todavia, qualquer um, com um celular, pode transmitir do olho do furacão, caso haja de fato um confronto entre a população e o aparato do Estado. Não é o ideal, pois o poder do indivíduo, mesmo atuando em grupos, é menor do que o da grande mídia. Mesmo assim, é alentador vislumbrar a possibilidade de se ter uma “cobertura” que não sofra a interferência dos filtros dos grandes meios de comunicação. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

SINTONIA FINA AO VIVO

Pessoas, daqui a pouco, entre 16h e 18h, vou estar ao vivo com o Sintonia Fina, programa musical. Para escutar, cliquem aqui.

Conto com sua audiência. 

O SABOR DA RIMA

Uva.
Chuva.

É coisa 
gostosa demais 
em apenas uma rima. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

EM COMUM

Alguém caminha por uma rua qualquer. Está vestindo a camisa do time pelo qual torce. Ao dobrar a esquina, depara-se com um estranho que está vestindo a camisa do mesmo time. Ainda que não digam nada, haverá cumplicidade nos olhares; talvez haja discretos sorrisos.

Essa cumplicidade, ainda que não manifestada com veemência, sugere algo do tipo: “Ei, que legal, a gente torce pelo mesmo time”. Só que um desses torcedores, minutos depois, depara-se com alguém que está vestindo a camisa do time rival. Ainda que não eloquente, paira uma animosidade.

As pessoas não sabem ampliar o que têm em comum. O torcedor que veste a camisa de seu time e se depara com alguém vestido com a camisa do rival não tem o senso de pensar “ei, que legal, a gente tem algo em comum, a gente gosta de futebol”. O que era para uni-los acaba os separando.

É claro que isso não vale somente para o futebol. As pessoas se separam por motivos ingênuos e estúpidos. A rigor, não fossem tão obtusas, no encontro entre dois estranhos deveria pairar a ideia “ei, eu sou gente, você é gente; vamos trocar uma ideia?”. Whitman faz falta. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

RELÓGIO 2

"MENOS É MAIS"


Em fotografia se diz que “menos é mais”. Isso serve também para a literatura; a densidade não está em se tentar abarcar tudo, mas, sim, em saber esmiuçar uma questão e seus desdobramentos. Em fotografia, o “menos é mais” geralmente se refere à quantidade de equipamento que pode ser levada numa aventura fotográfica.

Um bom exercício fotográfico é um passeio em que se leva apenas uma lente e uma câmera. Pode ser que um determinado assunto fotográfico seria melhor capturado com outra lente que não a que tivermos na câmera. Mas a intenção é mesmo tentar fazer o melhor com o que se tem em mãos. Se um assunto não rende imagem com o equipamento que temos, procura-se outra coisa para fotografar. Trata-se de um exercício de criatividade.

Entretanto, o “menos é mais” é “lei” que também é útil quando se considera o assunto principal na imagem fotográfica. Assim como na literatura, na fotografia, afunilar é mais eficaz do que querer englobar demais. Se há coisas em profusão na imagem fotográfica, o olhar do espectador pode se perder. Cabe ao fotógrafo guiar quem contempla a imagem, evidenciando o assunto principal. 

É claro que esse macete não deve ser camisa de força a tolher o trabalho. Ademais, é preciso considerar o que se fotografa: qualquer rua de qualquer cidade é visualmente poluída. O “menos é mais” é exercício que apura o olhar, incrementa a técnica fotográfica, faz com que o autor da imagem tenha de procurar outra abordagem ao fotografar. A foto desta postagem tem a intenção de ilustrar isso que digo.
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F/8.0
1/2500
ISO 250
“Flash” utilizado
Registro feito hoje às 17h32 

RELÓGIO 1

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

TRÊS ACORDES

Sol
A música é a prova de que 
às vezes vale a pena 
quebrar o silêncio.

Se for para 
não haver silêncio, 
que haja música.

Preenche teus dias 
com música e 
com silêncio. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

POR INTEIRO

Sem meias palavras, 
sem abreviações, 
sem códigos que 
só os dois sabem ler.
Palavras são
desmembradas,
ficam pela metade,
são sugeridas.
Só o amor, 
robusto e 
esperançoso, 
é indivisível.

Amor não precisa 
sair da porta para fora, 
não precisa ser 
publicado em outdoor.
Amor não precisa de
rede social nem 
de rede nacional.

Ainda assim, 
a palavra amorosa 
quer chegar inteira 
ao coração do outro. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

COMO SEMPRE, "AS RELAÇÕES PERIGOSAS"


Que a vida me dê a chance de reler e reler “As relações perigosas”, de Choderlos de Laclos. É fascinante como o livro consegue ser, ao mesmo tempo, um tratado do amor e do desamor. Como numa moeda, ao esmiuçar o amor de um lado, deixa-nos deduzir o desamor do outro; ao detalhar o desamor de um lado, deixa-nos concluir o amor do outro. Amor e desamor em homens, mulheres e jovens.

“As relações perigosas” é um monumento à linguagem, à fina observação do amor e dos estratagemas que podem ser usados por homens e mulheres ao lidar com ele. Um monumento triste, denso, intenso, lancinante. Um monumento que reflete o quanto de amor e de desamor somos capazes de engendrar.

Eu já havia lido uma edição que tem a tradução de Carlos Drummond de Andrade, numa parceria Ediouro/Folha de S.Paulo. A edição que estou lendo agora é uma outra parceria, desse vez entre a Penguin/Companhia das Letras. A tradução é de Dorothée de Bruchard. O tom de Bruchard é menos solene do que o de Drummond: se ela, por exemplo, prefere o “você”, Drummond opta pelo “vós”. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

FIFTY GIRLS

Lembro-me como se tivesse ocorrido instantes atrás: a pé, estávamos passando sobre a ponte do Rio Paranaíba, aqui em Patos de Minas. Eu devia ter uns oito, nove anos. Foi quando o Edinho, colega de infância, disse que sabia falar “garota” em inglês — e falou!

Fiquei impressionado. Na época, não verbalizei o impacto que tive por causa da situação. Fosse para verbalizar, eu diria algo assim: “Cara, ele tem a minha idade e saber falar ‘menina’ em inglês! Que incrível!”.

Mais tarde, na pré-adolescência, o Edvaldo, que era meu vizinho, disse, casualmente, enquanto brincávamos com uma bola de basquete, que sabia contar até cinquenta em inglês. Novamente, fiquei admirado. Fosse para verbalizar, sairia algo assim: “Ei, como pode alguém saber contar até cinquenta em inglês?!”.

Sempre tive a propensão a encarar as realizações mentais alheias como façanhas. É assim ainda hoje. Em virtude disso, sempre tive o maior fascínio pelos meus professores. Eu ficava abobalhado diante da inteligência deles; minha vontade era a de ser tão brilhante quanto eles.

A leitura dos clássicos, iniciada na adolescência, colaborava para o aumento da minha admiração pelos feitos da inteligência; chamo isso de senso de espanto. Ainda que muita coisa tenha sido deixada para trás, tal senso continua em mim. Um pouco menos ingênuo, mas ainda intenso. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

ATLÉTICO/MG x RAJA CASABLANCA

Li à exaustão que o Bayern era favorito no jogo de ontem. O rival do time alemão era uma equipe chinesa: Guangzhou. A superioridade do Bayern realmente se fez presente em campo.

Também à exaustão li que o Atlético/MG era favorito diante do Raja Casablanca. Entretanto, na prática, o que se viu foram duas equipes parelhas. Não houve, em campo, a tão propalada superioridade atleticana.

Levando-se em conta estritamente a partida disputada há pouco, não vejo como vexame a derrota do Atlético. Nem penso que o Atlético tenha entrado de salto alto. Depois de sofrer o primeiro gol, o time concedeu diversas oportunidades para que o Raja Casablanca marcasse em contra-ataques. 

A defesa do Atlético vacilou. Num desses vacilos, o juiz marcou pênalti (em minha opinião, não houve) de Réver a favor da equipe marroquina; cobrança convertida. Num último contra-ataque, Vivien Mabide fez o terceiro gol de seu time.

O próprio Mabide dissera: “Eu já enfrentei Messi. Se já enfrentei Messi, como vou temer Ronaldinho? Ele não é mais aquele Ronaldinho que jogava no Barcelona. É só nome”. 

“O que há num nome?”. Nada. Foi Ronaldinho quem marcou o gol do Atlético. Não pelo nome que tem, mas por saber cobrar falta muito bem. Num bom jogo, a equipe mineira encerra a temporada em 2013, deixando para uma próxima o sonho do título mundial. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 23


Que tal um programa para a tarde de sábado?...

No ar, mais um edição do Sintonia Fina, programa musical.
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Jessé – Solidão de amigos
Lorde – 400 lux
Raimundos – I saw you saying that you say that you saw
Rod Stewart and Jeff Beck – People, get ready
Raul Seixas – O trem das 7
Glass Tiger – Diamond Sun
Titãs – Eu não aguento
Playing for Change – Gimme shelter 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

NÃO SE VÁÁÁÁ

Fui a uma papelaria agora há pouco. Havia um rádio ligado no ambiente. A estação de AM estava executando “Não se vá”, com Jane e Herondy. A canção fez tanto sucesso, mas tanto sucesso, que a impressão com que fiquei na época era a de que “Não se vá” nunca deixaria de fazer sucesso (somente hoje descobri que "Não se vá" é versão de "Tu T'En Vas", canção francesa). Só voltei a ter essa sensação, que até acho meio engraçada, quando o Michael Jackson lançou “Thriller”. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

FOTOPOEMA 340

AZUL

Um sol do tamanho 
do céu se abre. 
Um céu do tamanho 
do sol me agiganta. 

FALTA DE GRAÇA 2

Lembro-me de uma entrevista em que o Chico Anysio disse não haver diferentes tipos de humor; alegou ele haver apenas o humor. Isso nunca me saiu da cabeça; de tempos em tempos, a declaração dele voltava à minha lembrança. No fundo, quando vi o genial Chyco dar a declaração, eu me perguntei: “Será que não haverá mesmo diferentes tipos de humor?”.

Entendo que em essência o fio condutor é o mesmo: o humor quer levar ao sorriso ou ao riso. Se encarado assim, o humor é mesmo um só. Mesmo assim, não me parece desarrazoado falar em vertentes do humor, por assim dizer. A graça pode estar em gestos, em paródias, em palavras, em imagens, em desenhos, em pinturas...

À parte o gênero de que o humor esteja se valendo, acredito que há diferentes nuances dele. Para muita gente, a graça pode estar na desventura do outro. Sinto muito, mas não consigo enxergar graça em quem se vale do recurso para tentar produzir algo divertido. Pode-se muito bem ser engraçado sem que para isso um cego tenha de ser achincalhado pela cegueira que tem.

Tentei, tentei mesmo achar graça em gente como Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Cheguei a supor que pudesse estar havendo em mim um defeito a impedir que eu encarasse as coisas de um modo mais leve e menos turrão. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia que eu continuava rindo de mim, das bobagens das pessoas de meu convívio e das bobagens de humoristas. Era um alento perceber que eu não havia perdido a capacidade de achar graça.

Para mim, o que Rafinha Bastos e Danilo Gentili fazem quando tentam ser engraçados não é humor. Além do mais, quando não estão fazendo humor, deixam claro o tipo de gente que são. Gentili, “debatendo” com uma internauta no Twitter, escreveu: “Chupadora de rol* de genocida e corrupto detected. Quem quiser deixa-la [sic] molhadinha basta assassinar alguem” [sic]. 

A resposta de Gentili se deveu a um comentário da internauta: “O Jô Soares é de direita, mas é respeitado, pois tem conhecimento (leitura). Agora, esse Danilo Gentili cita a Forbes. Ridículo”. Gentili, por fim, “filosofa” sobre o que pode ser feito no ano que vem: “A conclusão é que o que falta mesmo é um pau bem grande no c* de todo mundo. Reflitam sobre isso. Esse é o desafio pra 2014: mais pau no c* de todo mundo”.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RETRATO FALADO: ENTREVISTA COM ONESIL FIO


No ar, mais uma edição do Retrato Falado, programa de entrevistas.

Meu convidado é Onesio Fio, que promove cavalgadas beneficentes. O Retrato Falado vai ao pelo Canal 5 da Net, operadora de TV por assinatura, aqui em Patos de Minas. 

DISLEXIA 2

Cada um se arma.
Vão para a guerra.
Começa o duelo.
A torcida fibra.
No país do futebol,
a pola agita a rede. 

KILLER JOE


Continuo mantendo a tradição pessoal de assistir a filmes muito tempo depois de terem sido lançados. Assim foi recentemente com “Killer Joe – matador de aluguel” [Killer Joe, EUA, 2011]. O filme é dirigido por William Friedkin, bastante conhecido por “O exorcista”, clássico de 1973.

O filme é baseado em peça homônima, escrita por Tracy Letts. Para o elenco, Friedkin escalou Matthew McConaughey (Killer Joe Cooper), Emile Hirsch (Chris Smith), Juno Temple (Dottie Smith), Thomas Haden Church (Ansel Smith) e Gina Gershon (Sharla Smith).

Endividado por causa de drogas, Chris vê na morte da mãe um jeito de ele descolar a grana, pois a morte dela implicaria pagamento de seguro. Joe é então contratado para matar a mãe de Chris. O assassino, contudo, ao conhecer Dottie, a irmã de Chris, exige que ela seja a garantia em caso de calote de Chris.

Não é somente a temática que lembra a de “Fargo”, filme dirigido pelos Coen em 1996. Tanto um quanto o outro têm em comum um jeito de narrar, que é o dizer as coisas mais escabrosas, sórdidas ou surreais como se algo trivial estivesse sendo enunciado. O truque não é novo nem em narrativas cinematográficas nem literárias, mas sempre funciona. Junte-se a isso um belo toque de humor macabro.

Não há inocentes em “Killer Joe”; nem mesmo Dottie. Ao mesmo tempo, todos são vítimas. Num enredo que não julga nem analisa o comportamento dos personagens, eles mesmos não estão preocupados, seja em se entenderem, seja em entenderem o contexto em que estão.

A direção de Friedkin é impecável. Parte do sucesso está em algo que soa óbvio mas que nem sempre é fácil: extrair o melhor dos atores. Pelo menos é essa a sensação com que se fica. A sequência em que Joe pede a Dottie (a qual tem, ao mesmo tempo, um ar pueril e sensual) que ponha o vestido é uma aula de cinema, em que paixões e pulsões vêm à tona. 

domingo, 8 de dezembro de 2013

FORA DE CAMPO, FUTEBOLZINHO

Os estádios para a Copa do Mundo em 2014 estão custando mais do que o programado; eu e você estamos pagando a conta. No Itaquerão, no dia 27 de novembro, Fabio Luiz Pereira, 42 anos, e Ronaldo Oliveira Santos, 44 anos, morreram, depois de um acidente em que uma peça se soltou de um guindaste.

Eu já disse anteriormente que sou contra a realização da Copa do Mundo aqui. Quanto mais a data do início do torneio se aproxima, mais contra vou me tornando. No fim das contas, sei que a Copa será realizada. Isso, contudo, não anula a questão de que não estamos prontos para grandes eventos, pois não sabemos lidar nem com nossos pequenos problemas.

Hoje, em Joinville/SC, houve briga entre os torcedores do Atlético e do Vasco, quando o time carioca já estava sendo derrotado pelo Atlético/PR por um a zero. Torcedores foram levados para um hospital da cidade (não correm risco de morte). Depois, integrantes da torcida do Atlético/PR brigaram entre si.

A briga em Joinville de um toque melancólico ao fim do torneio. Para o futebol carioca, a temporada foi terrível: Fluminense e Vasco foram rebaixados. Já o futebol mineiro teve seu melhor ano na história, com o Atlético campeão da Libertadores e o Cruzeiro campeão brasileiro. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

APONTAMENTO 190

A fome se regozija com o que a abastança dispensa. 

"COMPRE! COMPRE! COMPRE!"

Há muitos anos li uma frase que dizia algo mais ou menos assim: “Algumas roupas nos dão uma sensação de paz tão grande que nenhuma religião consegue nos proporcionar”. Não me lembro de quem é a frase, as palavras podem não ser exatamente essas, mas a essência dela está no que cito de memória.

Deixo de lado a questão específica da sensação de paz, referindo-me agora ao que um determinado produto pode causar: a ideia de que basta tê-lo para se tornar uma pessoa descolada. A publicidade e a propaganda são eficazes, pois cai-se na armadilha, compra-se a ilusão, seja ela materializada num telefone, seja num televisor.

Um produto dá a ilusão de que se é descolado. Ilusão que passa rápido. Daí a ânsia de se adquirir um outro, pois não se quer ficar fora da comunidade dita globalizada e descolada. Compra-se e fica-se com a sensação de que estamos em sintonia com os demais, frequentando uma comunidade de gente sedutora e inteligente. 

Não comprar é estar fora do jogo, é anular a sensação de pertencimento a uma coletividade contemporânea, feliz e cosmopolita. Nessa “lógica”, o modelo de produto lançado ontem é obsoleto hoje; o que importa é ser descolado agora. Miragem e ilusão a nos prometer um oásis criativo e maduro, num mundo em que atraímos os outros porque compramos. O celular faz o monge. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

SINTONIA FINA — EDIÇÃO 22


Seleção musical

Moby – The perfect life
Bruno Fontoura – Despertar
Fun – Carry on
A Cor do Som – Abri a porta
Kings of Leon – Beautiful war
Zeca Baleiro – Babylon
Abba – I do, I do, I do, I do, I do
Zé Ramalho – Garoto de aluguel 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

APONTAMENTO 189

O mundo é histriônico, não tem sensibilidade para sintonizar quem não é. Num insano afã por barulho, nessa busca inescrupulosa por uns trocadinhos e alguns minutos de fama, muitos discretos formidáveis, em meio ao vozerio, nem são notados. Os sutis, captados por poucos, são negligenciados pela maioria. O mundo, ansioso por gritaria, quer pessoas espetaculosas, mas não tem a inteligência para perceber espetaculares silêncios e sutilezas. 

domingo, 1 de dezembro de 2013

VASCO OU FLUMINENSE

O Cruzeiro foi uma mãe para o Bahia, que, após a vitória de hoje no Mineirão, livrou-se do rebaixamento, o que acho ótimo. O próprio Cruzeiro já havia sido uma mãe para o Vasco, perdendo para a equipe carioca. O problema é que o Vasco parece estar sem pai nem mãe; a equipe segue na zona de rebaixamento, mesmo tendo vencido o rebaixado Náutico.

O Fluminense também está na zona de rebaixamento. Na última rodada, joga contra o Bahia. Não tivesse o time do nordeste vencido o Cruzeiro no Mineirão, o jogo do fim de semana que vem poderia ser ainda mais dificultoso para o Fluminense. Já o Vasco, na última rodada, enfrenta o Atlético/PR, que ainda disputa vaga na Libertadores.

Já é certo que Fluminense ou Vasco cairá. Pode acontecer ainda de os dois caírem, o que configuraria um ano deplorável para o futebol carioca, mesmo com o Flamengo tendo vencido a Copa do Brasil. Alguns dos que desejam a queda do Fluminense usam o argumento de que o tricolor já foi favorecido em duas viradas de mesa. Para esses torcedores, estaria na hora de o Flu sentir o gosto da segunda divisão.

(As histórias de viradas de mesa refletem os esquemas condenáveis do futebol brasileiro. Caso queira se informar sobre algumas delas, confira este “link”: http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2008/03/28/os-times-beneficiados-pelas-viradas-de-mesa/) 

(DES)APONTAMENTO 5

Estou acompanhando o jogo do Cruzeiro pela TV. Parece haver um helicóptero sobrevoando o Mineirão. Acho que não é o da família Perrella, a qual deve estar passando o domingo em branco. 

sábado, 30 de novembro de 2013

MANHÃ

A gente não sabe do que um dia é capaz.
Acorda cedo.
O dia rende, a gente tece um dedo de prosa.
Os galos não pegam o canto de outros galos?
A gente tece essa manhã também.
Senta aí, a água tá no fogo.
Daqui a pouco tem café.
Tem biscoito.
Aceita mais? 

APONTAMENTO 188

Diante de algumas obras de arte a impressão com que se fica é a de que é óbvio que deveriam existir. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

APONTAMENTO 187

A arte existe para elevar a alma, para nos tirar de nossa existência precária, difícil e limitada. É arte é um vislumbre de paraíso, uma possibilidade de ascese, um modo de nos tornarmos menos contingentes, mais duradouros, mais sonhadores, mais humanos, mais inteligentes, mais próximos de nosso semelhante, menos normaizinhos. A arte é para unir, é para nos fazer acreditar, mesmo se não houver solução. A arte é um jeito de a gente ficar bonito, um jeito de enxergar a beleza e a viabilidade deste mundo tão desconsertado, um jeito de a gente inventar uma comunhão e sair por aí... 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

OS AZARÕES

A noite de ontem foi de três azarões: do Flamengo, do Atlético/PR e da Ponte Preta. A classificação da Macaca, na partida dessa quarta, para a final da Sul-Americana não surpreendeu, pois ela havia vencido o São Paulo por 3 a 1 no Morumbi. O título do Flamengo também não surpreendeu, pois o Urubu podia até empatar por 0 a 0. Mesmo derrotado, o Furacão nem esperava chegar aonde já chegou, sendo que pode ainda conseguir vaga na Libertadores via Campeonato Brasileiro.

Os três times são azarões, pois não se apostava neles quando o ano começou. No Flamengo, depois que Mano Menezes pulou fora, as perspectivas ficaram ainda piores. Jayme de Almeida, funcionário do clube, assumiu e ajudou o rubro-negro carioca na conquista de ontem. Por um salário bem menor do que o do Mano, suponho.

Pelos padrões insanos do futebol, a Ponte Preta não é um time caro. Ainda levando-se em conta esses padrões, o Cruzeiro também não é. Pode ser que a Ponte não vença a Sul-Americana, mas o time nunca havia disputado um torneio internacional; no primeiro que disputa, vai à decisão. O Cruzeiro já é o campeão brasileiro.

É tentador dizer que exemplos como o da Ponte Preta e do Cruzeiro provam não ser preciso um elenco caríssimo para se ter êxito no futebol. É evidente que essas equipes estão provando ser possível ir longe sem orçamentos doidões. Todavia, não se pode afirmar que orçamentos comedidos sejam a causa do sucesso da Ponte Preta e do Cruzeiro. Ademais, no Campeonato Brasileiro, a Ponte está prestes a ser rebaixada.

Se por um lado, é coerente afirmar que, no futebol deste 2013, o segredo do êxito não esteve em orçamentos estratosféricos, por outro, não há como garantir que times caros não voltarão a ter êxito. A ideia de um time que tenha folha de pagamento sensata (sempre levando-se em conta os padrões do futebol) e que mordisque conquistas é bonita. Eu acharia muito bom se assim prosseguisse. Mas não se pode a partir daí afirmar que a causa do sucesso seja o orçamento menor em relação às equipes caras. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

DISLEXIA

A face da Lua 
de que mais gosto 
é a rua cheia.

É quando saio 
a caminhar. 
Paço a paço, 
sigo sem prece 
o meu trajeto.

Que eu compartilhe a luz, 
mesmo saber quem eu sol. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

INSÔNIA

Estava sem um pingo de sono.
Aproveitou para colocar os pingos nos ii.
Dormiu sem executar a tarefa. 

JÚLIO BAPTISTA SOBRE O IMBRÓGLIO VASCO x CRUZEIRO

Divulguei aqui minha desconfiança quanto à lisura do placar do jogo entre Vasco e Cruzeiro, no sábado. Hoje, Júlio Baptista deu sua versão dos fatos. É quase minha obrigação divulgá-la — o que faço abaixo.

Pode-se argumentar que o jogador mente em sua declaração. Sei que isso é possível, mas prefiro acreditar que ele tenha escrito a verdade. Assim sendo, estive errado em minha impressão sobre possível maracutaia para que o Vasco vencesse a partida.

Abaixo, o comunicado do jogador, tal qual divulgado por ele.
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“Olá Pessoal,

“Estou muito triste com o fato divulgado pela imprensa no dia ontem. Pegaram um trecho de uma conversa minha durante o jogo contra o Vasco dando a entender que estávamos entregando o jogo... Incrível!!! É um absurdo!!!! Por isso, gostaria de pedir um momento de vocês para poder explicar os fatos da maneira e forma como realmente aconteceram. Assistam o vídeo da partida e vão entender que se divulga não é legal comigo e muito menos com o Cruzeiro, Tri-Campeão Brasileiro!

“Saí muito cedo do Brasil para jogar na Europa e sou muito agradecido a Deus por desde sempre ter conseguido estar nos melhores times do planeta como: São Paulo, Arsenal, Roma, Real Madrid, Sevilha, Málaga e agora no Cruzeiro o melhor time do campeonato Brasileiro e do Brasil na atualidade.

“Minha vida, assim como a vida de todos vocês não é fácil. Tive e tenho de lutar muito de onde eu saí para atingir a excelência em minha profissão e com muita humildade conseguir um lugar de destaque. Abdiquei de muitas coisas em minha vida e sempre soube que para dar uma vida melhor à minha família e atingir os objetivos não teria outra forma; não existe mágica! Pesquisem o meu passado... Nunca fui envolvido em nenhuma polemica que pudesse ferir o meu caráter, honra e ética. O único caminho utilizado sempre foi trabalhar, trabalhar e trabalhar muito, respeitar a torcida, clube e saber esperar com muita fé e determinação o meu momento.

“Vivo hoje um momento que qualquer jogador do mundo gostaria de viver. Voltar ao Brasil, ser recebido com o carinho que a torcida do Cruzeiro me recebeu e abraçou! Com toda sinceridade não esperava tamanha sintonia com o torcedor do Cruzeiro que é incrível!! Uma torcida que joga junto com a gente e sempre incentiva nos dando muita força.

“Já tive momentos difíceis em minha vida que tive de superar com muita força de vontade. Mas nenhum foi triste como este, pois acima de tudo envolve uma exposição de valores pessoais, filosofia de vida, que sempre vou Lutar para que sejam preservados com Ética, Respeito ao trabalho, Respeito à Minha Família, Seriedade, Foco, Caráter, Lealdade e Justiça! Pensem, como eu poderia chegar em casa olhar minha esposa e filha se isso que falam fosse verdade???

“Peço que assistam o vídeo novamente e o que vão ver é que, infelizmente, o Cruzeiro já vinha perdendo o jogo de 2 a 0 e aos4:38 minutos do segundo tempo em um escanteio onde talvez eu ou um companheiro poderíamos fazer um gol no Vasco e o Cris, utiliza de sua experiência de anos a frente de grandes clubes para fazer comigo, uma espécie de guerra psicológica (muito comum no futebol) dizendo para eu "Amaciar". Como estava muito focado falei duro com ele para ir lá e "Fazer um Gol, P...." (desculpem o palavrão, mas dentro de campo não tem como). Tenho um grande clube a defender que é Tri-Campeão Brasileiro, uma história de vida a honrar, uma linda família para criar e passar adiante valores de caráter e ordem moral (minha verdadeira base do que realmente considero como legado). Disse que estava muito triste, por isso. Pois estou trabalhando e isso pra mim é sagrado!!

“O Cruzeiro, não levou nenhum gol no segundo tempo e após este fato. Na verdade fizemos dois gols, sendo um anulado. Por isso, não faz sentido nada do está que sendo, infelizmente, divulgado! Como pode??

“Estou triste... Tal sentimento, infeliz, vem acompanhado de uma forte impotência, pois estão falando muito principalmente na internet sobre o fato; e não posso ir a cada um e explicar olho no olho. Por isso, gostaria solicitar a cumplicidade de vcs para divulgar a verdade.

“Leio aqui na rede várias frases de incentivo e quero contar com o Apoio de Vocês para superar com a devida honra uma tamanha injustiça!” 

domingo, 24 de novembro de 2013

ATÉ VOCÊ

“Com globo.com, até você fica diferente”. Sem o “até” a frase seria: “Com globo.com, você fica diferente”. Ficaria mais simpático. O “até” deixa margem para coisas do tipo “com globo.com, até você, que é tão igual a todo o resto e desinteressante, fica diferente”.

A ideia sendo vendida é essa mesma, ou seja, a ideia de que bastaria ter globo.com para que a pessoa se destacasse das demais do rebanho. Contudo, parece-me, não era intenção dos criadores da campanha serem tão explícitos, a ponto de dizerem que somos de fato um bando de desinteressantes num rebanho sem graça. Ou era? 

DESAFINADO

Quando 
há sol aqui,
canto lá. 

ARMAÇÃO ENTRE CRUZEIRO E VASCO?

Júlio Baptista, do Cruzeiro, e Cris, do Vasco, deram versões parecidas para a cena em que Baptista diz para Cris: “Faz logo outro gol, p...; faz logo outro”, quando o Vasco já estava vencendo a partida por dois a zero. Segundo os dois, Baptista disse o que disse pelo fato de eles estarem discutindo: depois de Cris, supostamente, ter pedido ao Cruzeiro para amaciar, Baptista retrucou (também supostamente), desafiando o Vasco a fazer mais um.

Quando li que os dois haviam dado versão parecida para a história, eu me dei por satisfeito. Todavia, ao ver o lance, fiquei em dúvida: Baptista fala duas vezes “faz logo outro”. Minha desconfiança é gerada não pela repetição das frases: enquanto as diz, ele olha, furtivo, para os lados, como se estivesse certificando-se de que sua fala não seria percebida por ninguém.

É claro que não tenho como provar que Baptista tenha tido a intenção de ser literal no que disse, bem como não tenho como saber se ele disse o que disse em tom de desafio, de provocação. Contudo, a impressão com que fiquei, e posso estar errado nisso, é que ele não estava, por assim dizer, desafiando o Vasco.

Sempre duvidei de teorias das conspirações, sejam elas quais forem. Isso, contudo, não me impede de saber que o futebol está cheio de armações. Essa pode ter sido mais uma. Nós, torcedores, não temos acesso a bastidores e a possíveis negociatas. Para mim, ficou a dúvida, ficou a nódoa na campanha do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. 

Do modo como as coisas são, não torcer demais é salutar. Tudo isso me faz lembrar do Eurico Miranda, que foi presidente do Vasco; ele disse que pretende voltar ao cargo. Recentemente, em entrevista, Miranda declarou que o Vasco está ameaçado de rebaixamento devido ao profissionalismo do clube. Teriam Cruzeiro e Vasco seguido o “conselho” de Miranda no partida de ontem?