Em tarde quente, Magali se deita na cama. Somente lingeries adornam seu corpo. A janela do quarto está aberta. É quando brisa sutil começa a brincar em Magali, dos pés à inteligência. Na perfeição das carícias, qualquer vestimenta é dispensada. Magali, por fim, entrega-se às lufadas e arremetidas do intruso.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O QUE FALARAM PARA O PATO?
Quando se trata de futebol, o que eu queria mesmo, às vezes, é estar dentro de campo para escutar as conversas. Ou então ter a oportunidade de perguntar aos jogadores ou ao árbitro o que teria sido dito em determinada situação.
Ontem, por exemplo, depois que o Pato perdeu o pênalti, quase todos os jogadores do Grêmio saíram em desabalada correria para fazer a festa com Dida, que sem dificuldade defendera a cobrança do jogador do Corinthians.
Pato e os jogadores do Grêmio se encontraram antes que Dida fosse "soterrado" sob a montanha de jogadores. Um dos gremistas (salvo engano, Alex Telles) apontou o dedo para o rosto do Pato e esbravejou algo.
O que exatamente teria dito o jogador para o Pato? O gesto do atleta do Grêmio não passou a ideia de ironia. Talvez ele tenha vociferado que não era hora de fazer gracinhas ou algo assim; ou talvez tenha mandado o Pato para algum lugar. Nas entrevistas depois do jogo, não houve quem matasse minha curiosidade...
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
MINHA CIDADE
Tu és a cidade que escolhi para morar.
És o lugar onde me sinto em casa.
Percorro tuas ruas, alamedas, curvas.
Tu és meu endereço, és a cidade em
que há sempre um quarteirão inédito.
Reparo nas esquinas, mudo o trajeto;
chegada a hora de voltar para casa,
a cidade me recebe de portas abertas.
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013
DÉBITO
Devo a tudo e a todos
qualquer verso.
Não há como saber de todas
as influências
que enviamos
e que recebemos.
Sei que devo
qualquer palavra
a tudo quanto há.
Devo a Borges este poema,
mas não o devo menos a ti
nem ao Cerrado
nem a qualquer mulher
que só vi uma vez
e de que já me esqueci.
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FOTOPOEMA 337
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
CURSO DE FOTOGRAFIA
Para mais informações ou para se inscrever, gentileza comentar esta postagem (seu comentário não será divulgado).
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
SEM CABIMENTO
É preciso que a falta que sinto de ti caiba num verso.
É preciso que a saudade que sinto de ti caiba num poema.
Pequeno é o verso.
Pequeno é o poema.
Não coube a falta, não coube a saudade.
Fica sabendo: o que sinto não tem cabimento.
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SENHOR ALCENIR
Este é o senhor Alcenir, que já foi fotografado também pelo amigo Aldo. Alcenir é conhecido como Ceni (tônica no “i”); mora na fazenda que pertence à família do Aldo.
Assim que cheguei à casa onde Ceni vive, pedi a ele autorização para fotografá-lo. De imediato, permitiu. Tirei uma foto e a mostrei para ele; rindo, queixou-se da barba, que, segundo ele, está grande.
O legal de fotografá-lo é que ele não se preocupa em fazer poses. Essa não preocupação pareceu maior ainda quando eu disse a ele que era para agir como se eu não estivesse lá. Ele, que por natureza já não é dado a poses, acabou, de modo espontâneo, ofertando-me grandes oportunidades para fotografias. A ele, muito obrigado.
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sábado, 12 de outubro de 2013
FOTOPOEMA 336
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TOM
Ele tem
fá em Deus.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
POLÍTICA 0 x 0 FUTEBOL
No geral, o brasileiro não sabe separar o torcedor de futebol do eleitor. No futebol, muitas das vezes, a pessoalidade e a paixão fazem com que qualquer vestígio de razão se evapore. O mesmo se dá na política.
O futebol tem interesses espúrios de que o torcedor nem se dá conta. A política, idem. Ingenuamente, fica-se postando em redes sociais truísmos do tipo “se você é contra a corrupção, compartilhe”.
Ora, são raros os cidadãos que assumiriam serem a favor da corrupção, ainda que a pratiquem. Não é compartilhando obviedades no Facebook que se muda um país. Não é se comportando na política como um torcedor de futebol que se muda uma cidade.
Como um todo, o brasileiro não analisa: rosna, seja defendendo o candidato “x”, seja atacando o candidato “y”. Exemplo disso tivemos hoje aqui na Terra dos Patos de Minas, durante votação na Câmara Municipal.
O plenário estava lotado. Um extraterrestre poderia supor se tratar de melhora na participação popular dos terráqueos em questões políticas. Mas logo, logo esse extraterrestre perceberia que a lotação no plenário não era muito diferente da lotação em um estádio de futebol.
Perde, como é usual, a cidade. Não somente pelo comportamento primitivo dos eleitores, mas também pelo fato de a denúncia contra o prefeito local ter sido arquivada. Há tempos, fala-se, por aqui, em uma terceira via política que fugisse das duas que governam o município.
Eu gostaria demais de uma terceira e genuína possibilidade, mas não sou otimista. As últimas eleições para prefeito mostraram que o estádio esteve lotado de velhos e jovens torcedores dispostos a assistir ao mesmo futebol, sempre vociferando, num jogo em que qualquer coisa que se pareça com política de verdade é o que sai perdendo.
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SEM OVO
Lições para a vida podem ser extraídas de qualquer coisa. Com o futebol não seria diferente. Ele também pode ensinar.
O ditado popular diz que não se pode contar com o ovo no c... da galinha antes de ele ter dado as caras. Lição sábia e antiga. Não que ela seja sábia por ser antiga, pois nem todos os que são antigos são sábios.
Fiquei com a impressão de que o Willian, jogador do Cruzeiro, ao ver o gol escancarado diante de si, já contava com o ovo. Ou com o ouro, pois, reza a lenda, algumas galinhas o botam. O lance de Willian não teve ovo de colombo.
O jogador se justificou no intervalo: “No lance, cheguei muito rápido e tentei chutar forte. Como o campo está molhado, a bola tocou no tornozelo e foi na trave”.
É claro que pode ter sido assim. Todavia, fiquei com a impressão, talvez injusta, de que antes mesmo de a bola se encontrar com a rede, o atleta pensou que já teria... botado para quebrar.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
FOTOPOEMA 335
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013
SERRA PELADA
Revolve a terra.
Utopia, eldorado,
elísio, paraíso.
Em busca telúrica,
fere a crosta.
Os sonhos têm quilate.
A busca pelo ouro.
A busca pelo outro.
Sedento, caminha:
até remove montanhas.
Não tem mulher,
não tem cachaça.
Por ora, tudo o
que seduz é ouro.
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013
VERSÁTIL
O cientista pode habitar
o poeta.
O pintor pode habitar
o físico.
A casa da gente é cheia de
cômodos não habitados.
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013
VOCÊ
Você me acende.
Você me ascende.
Você me move.
Você me comove.
Você me leva.
Você me enleva.
Você me inspira.
Você me pira.
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013
CRUZEIRO 4 x 0 PORTUGUESA
Dizer que o Cruzeiro ainda não ganhou o campeonato não é questão de falsa modéstia. A rigor, de fato, nada foi ganho. Falsa modéstia seria dizer que a Raposa não é favorita, sendo que mesmo as plantas sabem que o time de BH tem muita chance de ser o campeão brasileiro de 2013.
Até agora, os resultados do time deixam a impressão de que a equipe não entrou no clima do já-ganhou. Há pouco, no Mineirão, as cinco estrelas brilharam e derrotaram a Portuguesa. Nada está ganho, porém muito já foi conquistado. De pouco valerá esse muito se o time arrefecer; não arrefecendo, pode confirmar o título bem antes da última rodada do torneio.
A primeira chance foi da Portuguesa — Fábio defendeu. Souza, quando a Portuguesa já estava perdendo, chutou uma bomba no travessão do goleiro cruzeirense. Fábio ainda faria uma outra defesa no primeiro tempo. O Cruzeiro, por sua vez, aproveitando-se ou de erros de saída da Portuguesa ou de rebotes não aproveitados pelo adversário, já havia resolvido a partida aos vinte e nove do primeiro tempo.
Também há pouco, o Grêmio derrotou o Atlético Paranaense, de modo que a diferença entre Cruzeiro e Grêmio continua sendo de onze pontos. Enquanto digito este texto, o Botafogo está empatando com o Fluminense em um a um. Caso o Botafogo vença, chegará, a exemplo do Grêmio, a quarenta e cinco pontos, ficando, também, a onze pontos do Cruzeiro.
APONTAMENTO 184
A leitura intimida minhas fraquezas e elucida minhas forças.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
FOTOPOEMA 334
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
COSMOPOLITISMO
Em essência, o cosmopolitismo não está ligado a viagens. Elas podem ser um dos ingredientes dele, mas não o definem. Há quem nunca tenha sequer saído de sua cidade, e é mais cosmopolita do que muita gente que esteve no mundo inteiro. Há pessoas que percorreram o mundo todo, mas o mundo não as percorreu. Uma ida à esquina mais próxima pode ser mais rica do que uma longa viagem; depende de quem vai.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
HISTÓRIA DE UM IPÊ
Nos minutos em que estive fotografando o ipê deste álbum, algumas pessoas fizeram o mesmo, ainda que de dentro de seus carros, enquanto esperavam pelo semáforo ficar verde. A árvore é a grande atração da Avenida Paracatu.
Enquanto eu fotografava, a Roberta Rosa Rocha, que foi minha aluna, gritou, em tom de brincadeira, lá da Venda do Zé Rocha, que fica praticamente em frente ao ipê, que eu teria de pagar para fotografar a atração. Pedi à Roberta que se aproximasse. Foi quando ela me disse que o ipê havia sido plantado pela mãe dela.
Imediatamente eu soube que haveria uma história para ser contada, não somente por intermédio de imagens, mas também de palavras. Perguntando à Roberta se a mãe dela estava em casa, recebi resposta afirmativa. Terminei de fazer as fotos e fui para Venda do Zé Rocha.
No bar, além de eu ser gentilmente recebido pela Elenice, a mãe da Roberta, também estava por lá o José Roberto da Rocha, pai da Roberta e marido de Elenice; ele foi meu professor durante um semestre no curso de Letras, substituindo o professor Salvador Rodrigues. Elenice e José Roberto são os donos do conhecido bar na Paracatu.
Na breve entrevista que realizei com Elenice Rosa de Santana, ela me disse que plantou o ipê em 1989, no dia cinco de junho; nessa data, comemora-se o dia do meio ambiente. Eu me esqueci de perguntar para ela se isso foi uma coincidência ou se ela escolhera exatamente essa data para plantar a árvore.
Segundo Elenice, a muda do ipê foi dada a ela por José Antônio Dias, que é engenheiro florestal. Quando o profissional disse para Elenice que levaria para ela uma muda de ipê rosa, ela não acreditou haver ipê dessa cor. José Antônio levou a muda, furou o buraco e os dois plantaram a árvore. A tarefa de aguá-la ficava por conta de Elenice.
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(DES)APONTAMENTO 4
Numa boa: se as coisas continuarem assim, daqui a pouco alguém vai reclamar por ter se deparado com Coca-Cola dentro da garrafa de Coca-Cola.
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FALTA DE GRAÇA
Há diferentes tipos de humor. O humor de TV Pirata é diferente do humor de Zorra Total. Nesse caso, poder-se-ia argumentar que são tipos de humor diferentes por pertencerem a épocas diferentes, o que não deixa de ser verdade, pois, é natural, épocas diferentes vão gerar diferentes tipos de humor.
Contudo, a mesma época pode abarcar diferentes tipos de humor. Rafinha Bastos e Luis Fernando Verissimo ilustram isso. No que não acho a menor graça, é num humor que se vale da ridicularização do outro na tentativa de ser engraçado. Se por um lado tenho asco do politicamente correto, por outro, não vejo a menor graça em palhaços que precisam achincalhar o próximo na tentativa de serem engraçados.
Ainda bem que há facilmente à disposição outros tipos de humor: os textos e cartuns da Piauí podem ser comprados em banca ou conferidos na internet; o mesmo vale para os textos e tirinhas do Verissimo; filmes do Woody Allen ou livros do Machado de Assis estão por aí; charges do Manoel Almeida estão no Patos Hoje; o legado do Millôr é divulgado aqui no Facebook. O humor pode ser ácido, crítico e sagaz, sem contudo diminuir quem não deu motivo para zombaria.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
O MÉDICO QUE RI
Amigo me confidencia que determinado médico, numa festa, comentou — rindo — sobre a doença de um paciente. Alguns médicos não entendem que já precisam, em essência, serem médicos antes de porem o pé numa faculdade.
Aqui mesmo, em Patos de Minas, recentemente, tivemos exemplo de não médicos, durante evento esportivo realizado na cidade. Aqueles que deveriam zelar pela vida estavam justamente aprontando contra ela, numa balbúrdia imatura e desrespeitosa: antes de serem médicos, nem se preocuparam sequer em se tornarem cidadãos.
Ainda bem que há estudantes e médicos que entendem a essência da beleza que é a medicina. Mas diante do que me disse o amigo, eu me pergunto: o que leva um médico a achar graça da doença de um paciente?...
Será que seria diferente se ele tivesse lido Oliver Sacks, para que tivesse pelo menos uma noção do que é se importar com um paciente?... Será que ele é assim por ter sido obrigado a abraçar uma profissão que não queria?... Será que nunca lhe passou pela cabeça que amanhã o paciente é ele?... Será que ele acha que está na profissão certa?...
Se bem que é difícil imaginar um indivíduo desses em qualquer profissão. Vá lá, há profissionais que não têm o menor traquejo social, mas daí a achar graça na dor alheia a distância é longa. Senso de humor é uma coisa; falta do menor senso de ética e de humanidade é outra.
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
FOTOGRAFIA E NARCISISMO
Ismael, um grande amigo, entrou em contato comigo via e-mail. Escreveu o Ismael: “Com a disseminação das máquinas digitais nos últimos anos muitos rituais bizarros surgiram, tudo precisa ser fotografado”. No fim de sua mensagem, o amigo propôs: “Gostaria que você opinasse sobre como essa compulsão pelo registro tem afetado a fotografia artística”.
Obrigado a você, Ismael, por me pedir que eu opinasse sobre essa questão. Gosto muito de pensar sobre o ato fotográfico, bem como de escrever sobre ele. Tomo a liberdade de tornar pública minha resposta para seu questionamento.
A compulsão pelo registro a que o Ismael se refere está ligada ao que alguns chamam de a banalização da fotografia. No tempo em que se fotografava com filme, este abarcava, por exemplo, trinta e seis fotos. Perder um negativo, que significava perder uma foto, era motivo de lamento. Mesmo quem não era fotógrafo, teoricamente tomava um certo cuidado antes de tirar qualquer foto. Na maioria dos casos, por questões mais financeiras do que supostamente artísticas.
O advento da fotografia digital eliminou esse cuidado. Tenha a pessoa gostado ou não do que aparece no visor, ela vai clicando, clicando... O não fotógrafo não pensa sobre o resultado do clique; não há nele a noção de que a imagem fotográfica começa antes que o dedo pressione o obturador. Ele fotografa de modo indiscriminado.
Por causa da tecnologia digital, hoje se fotografa muito mais. Uma charge veiculada na internet há algum tempo mostra alguém se afogando, debatendo-se na água e gritando por socorro. À beira do rio, algumas pessoas, todas elas ocupadas em... registrar o momento com seus celulares. A charge ilustra o que o Ismael chamou de “rituais bizarros”, em que tudo é fotografado.
Esse aumento na quantidade de fotos que são tiradas não implica necessariamente melhoria na qualidade das imagens. A maioria das pessoas que fotografam seu cotidiano, ansiosas para postarem sua intimidade no Facebook, não se preocupa com a qualidade do registro fotográfico. Nesses casos, o que vale não é a fotografia em si mesma, mas a exposição de si mesmo.
Embora haja toda uma questão antropológica, sociológica, filosófica e psíquica a ser analisada nesse excesso de exposição da intimidade, não é disso de que trata este texto. A questão aqui é sobre um suposto impacto desse excesso de cliques na fotografia que se quer artística.
O fato de mais e mais pessoas estarem fotografando tem o lado bom: isso pode fazer com que, em tese, mais pessoas queiram aprender sobre fotografia. O sujeito pode comprar uma câmera compacta qualquer e começar a atirar para todo lado. Num belo dia, num disparo, descobre-se querendo aprender, querendo se tornar fotógrafo.
Entretanto, não é o que a maioria quer. O interesse maior é, reitero, divulgar-se. Mas esse excesso de imagens que assola o mundo não significa a derrocada do ato de fotografar, não importa se a fotografia esteja sendo considerada arte ou não esteja.
Não sei dizer se a fotografia é arte. Ela pode ser bela, é verdade, mas não sei se isso faz dela um trabalho de arte. Mesmo assim, digo: aquele que em essência é um fotógrafo sempre vai ter a preocupação de fazer a melhor foto do mundo. Para quem tem em si o germe da fotografia, nenhuma foto é um mero clique, não importa o que esteja sendo fotografado.
Mesmo em tempos de redes sociais a detonar exibicionismos, vaidades e narcisismos, a essência da fotografia não foi banida, ainda que não tenha presença maciça, ainda que não seja nem cogitada pela maioria. Mesmo nos tempos da fotografia com filmes, isso a que chamo de a essência da fotografia estava ausente da maioria das pessoas.
Já escrevi noutro texto: quem tem em si a essência da fotografia sabe que uma imagem gravada num dispositivo qualquer começa muito antes que um mecanismo qualquer seja acionado. O registro é a consequência de pensamentos, teorias, referências, estudos, treino, leituras... Há uma sensibilidade fotográfica, bem como uma técnica fotográfica. A fotografia digital não baniu isso.
Se você considera a fotografia como sendo arte, digo: há artistas na fotografia. Insisto na ideia de que, em essência, o ato de fotografar não mudou, mesmo hoje isso sendo feito com equipamento digital. As técnicas da fotografia continuam valendo para hoje, ainda que vivamos em tempos de equipamentos digitais e de Photoshop.
Retoques e tratamentos em imagens não surgiram com o advento do digital, mas quem tem em si o germe da fotografia sabe (e sempre soube) que a excelência de uma fotografia é a consequência ou o ponto alto de tudo o que a pessoa é. Ainda que num autorretrato, o fotógrafo que tem em si a essência da fotografia leva em mente o desejo de fazer um registro que contenha excelência (ideia sobre a qual também já escrevi).
Há algum tempo, assisti a uma matéria em que a Annie Leibovitz elogiava a qualidade das imagens produzidas a partir de um celular. A fim de ilustrar a opinião dela, Leibovitz tirou com um desses celulares uma foto do entrevistador. Na edição que fizeram, a foto dele foi mostrada durante a conversa dos dois. A composição da imagem, como era de se esperar, foi primorosa. Ou seja: mesmo fotografando com um celular, ela teve o capricho e a competência de compor o quadro.
Se por um lado a tecnologia das redes sociais e a praticidade da fotografia digital trivializaram os cliques, por outro lado isso não baniu a possibilidade de se criar a beleza por intermédio da fotografia. O que o Ismael chama de “fotografia artística” permanece, lidando com ideais diferentes de desejos estritamente narcísicos.
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terça-feira, 17 de setembro de 2013
FOTOPOEMA 333
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domingo, 15 de setembro de 2013
APONTAMENTO 183
O proselitismo pode ser inconveniente, desrespeitoso, inapropriado, invasivo, interesseiro, ingênuo... Ele pode afugentar em vez de seduzir. A graça pode estar no não proselitismo.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
ODE A CESÁRIO VERDE
Cesário Verde:
o nome dele já é um verso.
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terça-feira, 10 de setembro de 2013
DE MERCEDES
Sempre digo que o humor salva quase tudo, e o que o humor não salva salvação não tem. Ironia, irreverência, sarcasmo e zombaria derivam do senso de humor, mas não podem vir desacompanhados do talento, sob risco de caírem em ataques bobos.
Três dias antes de morrer, a genial Janis Joplin gravou “Mercedes Benz”. (No álbum, lançado em 1971, não há o hífen no nome da marca de carro.) A letra da canção, de autoria dela, Michael McClure e Bob Neuwirth tem uma ironia incisiva; é de um sarcasmo descarado e ao mesmo tempo contundente.
No áudio, leio a letra. Abaixo, o texto em inglês e sua tradução.
_____
“Mercedes Benz” (Janis Joplin / Michael McClure / Bob Neuwirth)
Oh, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
Oh, Lord, won't you buy me a color TV?
“Dialing for Dollars” is trying to find me
I wait for delivery each day until three
So, Lord, won't you buy me a color TV?
Oh, Lord, won't you buy me a night on the town?
I'm counting on you, Lord, please don't let me down
Prove that you love me and buy the next round
Oh, Lord, won't you buy me a night on the town?
Oh, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
_____
Oh, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?
Meus amigos, todos dirigem Porsches, eu devo compensar
Trabalhei duro a vida toda, sem ajuda dos meus amigos
Então, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?
Oh, Senhor, você não vai comprar para uma TV em cores?
“Dialing for Dollars” está tentando me achar
Eu espero pela entrega cada dia até as três
Então, Senhor, você não vai comprar para mim uma TV em cores?
Senhor, você não vai comprar para mim uma noite na cidade?
Eu estou contando com você, Senhor, por favor, não me desaponte
Prove que você me ama e pague a próxima rodada
Então, Senhor, você não vai comprar para mim uma noite na cidade?
Oh, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?
Meus amigos, todos dirigem Porsches, eu devo compensar
Trabalhei duro a vida toda, sem ajuda dos meus amigos
Então, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
NO AR
Se eu fumasse,
daria um trago
bem gostoso agora.
Mas não sou fumante.
Versos são meus
sinais de fumaça.
Escrevo na ilusão
de que sejam tragados
antes de serem dissipados.
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FOTOPEMA 332
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013
HAICAI 30
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
APONTAMENTO 182
Não tenho sonhos coletivos, mas utopias individuais me habitam.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013
SOBRE A INSPIRAÇÃO
Acredito na inspiração, o que não significa dizer que descreio da disciplina, dos que elegem um horário em que escreverão. Preciso ser “chamado”, preciso que algo cause um “clique”; é a partir desse “clique” que escrevo algo, seja o que for. Há quem escreva com horário marcado, o que admiro demais; contudo, não tenho esse talento.
Escrevo quando tenho uma ideia. Se a ideia surge num momento em que não posso escrever, ou eu a anoto na hora ou a mentalizo, para que seja desenvolvida depois. O gostoso mesmo é escrever no momento em que a ideia surge, nem que seja para ela ser reescrita, ou mesmo jogada fora, depois.
Não me refiro à qualidade dos meus textos, é claro. Um crítico poderia detoná-los — e com razão (digo isso sem qualquer falsa modéstia). Refiro-me a meu “método”. Não há como decifrar todos os mecanismos que levam uma pessoa a escrever, mas preciso de uma “deixa” para que haja um novo texto. A essa “deixa”, a esse “clique”, chamo de inspiração.
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domingo, 1 de setembro de 2013
HAICAI 29
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TERAPÊUTICO
Qual a receita, doutor?:
preciso me curar de mim mesmo.
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BOCA
A saudade que sinto
deveria trazer um beijo,
não um poema.
Mas como tua boca
não está aqui,
eis o poema que,
com gosto de saudade,
dedico à tua boca.
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
ESTRELAS SEM BRILHO
Comparações entre o time atual do Cruzeiro e o time de 2003 não têm sido raras. No campeonato brasileiro, caso apenas os números sejam analisados, o desempenho dos dois times é bem similar. O time de 2003, contudo, era mais técnico, mais elegante, o que não significa que este time de 2013 não possa ganhar o campeonato brasileiro.
Um dos parâmetros de comparação entre o Cruzeiro de hoje e o de 2003 não mais existe: o de 2003 foi campeão da Copa do Brasil. Se for para haver algum paralelo, pode-se dizer que há uma espécie de relação especular: em 2003, o Flamengo perdeu o título para o Cruzeiro; neste 2013, o Cruzeiro foi eliminado pelo Flamengo.
O Cruzeiro ter-se-ia classificado se tivesse conseguido um empate contra o time carioca, ontem, no Maracanã. Contudo, o time de Belo Horizonte teve atuação pífia, principalmente no segundo tempo. Se falar de mérito em futebol é, por um lado, complicado, por outro, teria sido "injusto" se o time do Flamengo não tivesse se classificado.
É bem verdade que o rubro-negro não tem uma grande equipe. Em teoria, o time do Cruzeiro é superior, joga um futebol mais bonito, rápido, ofensivo e eficaz do que o Flamengo. Só que essa superioridade teórica não se fez prática. O Flamengo foi aguerrido, teve brio. Um acomodado e apático Cruzeiro está fora do torneio.
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
O GOL FORA DE CASA
O regulamento de alguns torneios tem o que a imprensa chama de gol qualificado, o tal do gol marcado fora de casa. Nesse esquema, a classificação para a fase seguinte de algum campeonato é decidida em duas partidas. Soma-se o total de gols marcados nas duas partidas; caso haja empate, a equipe classificada será a que tiver marcado o maior número de gol(s) na casa do adversário.
Para os não familiarizados com o esquema, é assim: Cruzeiro e Flamengo vão decidir na quarta uma vaga para a fase seguinte da Copa do Brasil. No Mineirão, o Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1. Digamos, a título de exemplo, que no Rio o Flamengo vença por 1 a 0. Se somarmos o total de gols marcados de cada equipe, teremos 2 do Cruzeiro e 2 do Flamengo. Só que nesse hipotético exemplo o Flamengo estaria classificado, por ter marcado um gol na casa do Cruzeiro.
Ainda no campo da hipótese, caso o partida no Rio termine com o placar de 3 a 2 para o Flamengo, cada equipe terá marcado 4 gols nas duas partidas; nesse caso, classificar-se-ia o Cruzeiro, por ter marcado dois gols na casa do adversário, ao passo que o Flamengo marcara um. No caso de a partida no Rio terminar com o placar de 2 a 1 para o Flamengo, a vaga é decida nos pênaltis, pois cada time terá marcado um gol na casa do adversário.
Nas duas partidas, em caso de uma vitória de cada time ou em caso de dois empates, leva-se em conta o(s) gol(s) marcado(s) fora de casa; obviamente, caso um time vença os dois jogos, será ele o classificado para a fase seguinte do torneio. No caso da Copa do Brasil, o mesmo vale para a decisão do campeonato; na Libertadores, o chamado gol qualificado não vale para a final; não sei a razão pela qual isso ocorre.
Dependendo das circunstâncias, o gol fora de casa tem um efeito psicológico poderoso, quase dando a entender que a vantagem é do time que perdeu o primeiro dos dois jogos. É o que está ocorrendo em relação a Cruzeiro e Flamengo. Tivesse o jogo da semana passada terminado com o placar de 2 a 0 para o Cruzeiro, os flamenguistas não estariam otimistas.
É que no jogo de depois de amanhã, no Rio, caso o Flamengo vença por 1 a 0, estará classificado. Contudo, apesar do efeito psicológico positivo que o gol fora de casa pode ter, é preciso não se esquecer de que a vantagem, nesse caso específico, é do Cruzeiro. Um empate, independentemente do placar, classificaria a raposa, e não o urubu. E se, por exemplo, o Cruzeiro abrisse o placar lá no Rio, a situação do Flamengo complicar-se-ia ainda mais...
O tal do gol fora de casa ou gol qualificado acabou se tornando um alento maior do que verdadeiramente é. Se por um lado é óbvio que é melhor perder fazendo pelo menos um gol na casa do adversário, não se pode, por outro, esquecer-se de que a vantagem é sempre de quem vence, ainda que este não se classifique ou não seja o campeão na última partida do torneio.
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sábado, 24 de agosto de 2013
CONTO 66
Lara bota a cabeça no travesseiro. Ele pensa mil coisas. Ela só quer dormir.
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domingo, 18 de agosto de 2013
CRAQUE TAMBÉM FORA DE CAMPO
Não bastasse o bolão que o Alex, do Coritiba, joga, ele também se mostrou um cidadão inteligente, uma pessoa lúcida. Em recente entrevista para o Lance!Net Alex fala de sua ausência da seleção brasileira; diz ele acreditar que não há e não houve algum tipo de perseguição por parte dos técnicos que não o convocaram. Num dos pontos altos da entrevista, Alex condena a subserviência da CBF à Rede Globo.
Ponderado e, por isso mesmo, incisivo, o craque critica o modelo atual do futebol brasileiro, em que crianças, manipuladas por empresários, antes mesmo de começarem a jogar futebol, já estão vislumbrando a possibilidade de ir para o exterior, em vez de aprenderem os rudimentos da profissão. Ciente de que não há solução fácil, Alex chega a mencionar o caráter do brasileiro como um dos empecilhos para que o cenário melhore.
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sábado, 17 de agosto de 2013
FOTOPOEMA 331
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013
NÓS
A vida é um nó górdio.
Eu e você somos nós.
Não somos solução para nada.
Mas a gente se amarra.
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FOTOPOEMA 330
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LETRA DE MÚSICA E POESIA
O John Lennon disse em entrevista que tinha a intenção de escrever letras de música que pudessem também ser lidas, e não apenas cantadas. Ainda segundo ele, a inspiração para tal desejo era Bob Dylan. Com outras palavras: Lennon tinha intenção de escrever poesia.
A discussão sobre se letra de música é poesia é antiga. O Fernando Brant, exímio letrista, em entrevista para a edição de maio/junho de 2013 do Suplemento Literário de Minas Gerais, quando perguntado se letra de música é poesia, disse: “Eu acho que é”. Depois, acrescentou: “Se não querem definir como poesia tudo bem. Mas é como eu sempre digo: é primo, é da mesma família”.
Não busco aqui possíveis definições do que seja poesia ou do que seja letra de música. Ainda assim, quando escuto, por exemplo, “O quereres”, do Caetano Veloso, ou “The whole of the moon”, da banda The Waterboys, canção cuja letra é de Mike Scott, não consigo deixar de pensar que as letras são poesia pura.
Letra de música não tem o compromisso de ser poesia. Textos originalmente escritos para serem poesia podem ser musicados; a poesia tem uma cadência e um ritmo que podem funcionar bem quando cantados. Letras de música há que podem ser declamadas. Letra de música e poesia: uma invade o terreno da outra. Uma pode ser a outra.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
A NOITE
À noite,
não espero pelo Sol,
não praguejo contra nuvens.
À noite,
quero a noite,
escura,
plena,
anoitecendo:
a noite sendo.
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domingo, 11 de agosto de 2013
FOTOPOEMA 329
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
ACONTECIMENTOS
A vida quer acontecer. O que está vivo quer acontecer. Quando a vida decide acontecer ela dribla adversidades, dá um jeito; ela se inventa. A vida sempre quer acontecer, mesmo quando não consegue.
O que está vivo tem... vida latente. O que está vivo merece viver. Há algo de vital, há um instinto que conclama à vida para que ela... viva. A gente, também, nasceu para isso, embora, nesse mundo doidão que criamos para nós, a gente se mate dia a dia.
A vida que a gente é, e que é biológica, quer, também biologicamente, viver, acontecer, reluzir... Em cada um há uma vida, uma pulsão que quer viver. Isso é instintivo, é biológico. E também por ser instinto e por ser biologia, é belo. A única razão para a vida acontecer é o fato de ela querer acontecer; há, nisso, beleza.
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013
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