domingo, 15 de setembro de 2013

APONTAMENTO 183

O proselitismo pode ser inconveniente, desrespeitoso, inapropriado, invasivo, interesseiro, ingênuo... Ele pode afugentar em vez de seduzir. A graça pode estar no não proselitismo. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

DE MERCEDES


Sempre digo que o humor salva quase tudo, e o que o humor não salva salvação não tem. Ironia, irreverência, sarcasmo e zombaria derivam do senso de humor, mas não podem vir desacompanhados do talento, sob risco de caírem em ataques bobos. 

Três dias antes de morrer, a genial Janis Joplin gravou “Mercedes Benz”. (No álbum, lançado em 1971, não há o hífen no nome da marca de carro.) A letra da canção, de autoria dela, Michael McClure e Bob Neuwirth tem uma ironia incisiva; é de um sarcasmo descarado e ao mesmo tempo contundente.

No áudio, leio a letra. Abaixo, o texto em inglês e sua tradução.
_____

“Mercedes Benz” (Janis Joplin / Michael McClure / Bob Neuwirth)

Oh, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?

Oh, Lord, won't you buy me a color TV?
“Dialing for Dollars” is trying to find me
I wait for delivery each day until three
So, Lord, won't you buy me a color TV?

Oh, Lord, won't you buy me a night on the town?
I'm counting on you, Lord, please don't let me down
Prove that you love me and buy the next round
Oh, Lord, won't you buy me a night on the town?

Oh, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So, Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
_____

Oh, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?
Meus amigos, todos dirigem Porsches, eu devo compensar
Trabalhei duro a vida toda, sem ajuda dos meus amigos
Então, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?

Oh, Senhor, você não vai comprar para uma TV em cores?
“Dialing for Dollars” está tentando me achar
Eu espero pela entrega cada dia até as três
Então, Senhor, você não vai comprar para mim uma TV em cores?

Senhor, você não vai comprar para mim uma noite na cidade?
Eu estou contando com você, Senhor, por favor, não me desaponte
Prove que você me ama e pague a próxima rodada
Então, Senhor, você não vai comprar para mim uma noite na cidade?

Oh, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?
Meus amigos, todos dirigem Porsches, eu devo compensar
Trabalhei duro a vida toda, sem ajuda dos meus amigos
Então, Senhor, você não vai comprar para mim um Mercedes-Benz?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

NO AR

Se eu fumasse, 
daria um trago 
bem gostoso agora. 
Mas não sou fumante. 
Versos são meus 
sinais de fumaça. 
Escrevo na ilusão 
de que sejam tragados 
antes de serem dissipados.

FOTOPEMA 332

A imagem mostra o alinhamento entre a Lua e Vênus. Registro feito ontem, às 19h32.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

APONTAMENTO 182

Não tenho sonhos coletivos, mas utopias individuais me habitam.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

SOBRE A INSPIRAÇÃO

Acredito na inspiração, o que não significa dizer que descreio da disciplina, dos que elegem um horário em que escreverão. Preciso ser “chamado”, preciso que algo cause um “clique”; é a partir desse “clique” que escrevo algo, seja o que for. Há quem escreva com horário marcado, o que admiro demais; contudo, não tenho esse talento.

Escrevo quando tenho uma ideia. Se a ideia surge num momento em que não posso escrever, ou eu a anoto na hora ou a mentalizo, para que seja desenvolvida depois. O gostoso mesmo é escrever no momento em que a ideia surge, nem que seja para ela ser reescrita, ou mesmo jogada fora, depois.

Não me refiro à qualidade dos meus textos, é claro. Um crítico poderia detoná-los — e com razão (digo isso sem qualquer falsa modéstia). Refiro-me a meu “método”. Não há como decifrar todos os mecanismos que levam uma pessoa a escrever, mas preciso de uma “deixa” para que haja um novo texto. A essa “deixa”, a esse “clique”, chamo de inspiração.

domingo, 1 de setembro de 2013

HAICAI 29

TERAPÊUTICO

Qual a receita, doutor?: 
preciso me curar de mim mesmo.

BOCA

A saudade que sinto 
deveria trazer um beijo, 
não um poema. 
Mas como tua boca 
não está aqui, 
eis o poema que, 
com gosto de saudade,
dedico à tua boca. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ESTRELAS SEM BRILHO

Comparações entre o time atual do Cruzeiro e o time de 2003 não têm sido raras. No campeonato brasileiro, caso apenas os números sejam analisados, o desempenho dos dois times é bem similar. O time de 2003, contudo, era mais técnico, mais elegante, o que não significa que este time de 2013 não possa ganhar o campeonato brasileiro.

Um dos parâmetros de comparação entre o Cruzeiro de hoje e o de 2003 não mais existe: o de 2003 foi campeão da Copa do Brasil. Se for para haver algum paralelo, pode-se dizer que há uma espécie de relação especular: em 2003, o Flamengo perdeu o título para o Cruzeiro; neste 2013, o Cruzeiro foi eliminado pelo Flamengo.

O Cruzeiro ter-se-ia classificado se tivesse conseguido um empate contra o time carioca, ontem, no Maracanã. Contudo, o time de Belo Horizonte teve atuação pífia, principalmente no segundo tempo. Se falar de mérito em futebol é, por um lado, complicado, por outro, teria sido "injusto" se o time do Flamengo não tivesse se classificado.

É bem verdade que o rubro-negro não tem uma grande equipe. Em teoria, o time do Cruzeiro é superior, joga um futebol mais bonito, rápido, ofensivo e eficaz do que o Flamengo. Só que essa superioridade teórica não se fez prática. O Flamengo foi aguerrido, teve brio. Um acomodado e apático Cruzeiro está fora do torneio. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O GOL FORA DE CASA

O regulamento de alguns torneios tem o que a imprensa chama de gol qualificado, o tal do gol marcado fora de casa. Nesse esquema, a classificação para a fase seguinte de algum campeonato é decidida em duas partidas. Soma-se o total de gols marcados nas duas partidas; caso haja empate, a equipe classificada será a que tiver marcado o maior número de gol(s) na casa do adversário.

Para os não familiarizados com o esquema, é assim: Cruzeiro e Flamengo vão decidir na quarta uma vaga para a fase seguinte da Copa do Brasil. No Mineirão, o Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1. Digamos, a título de exemplo, que no Rio o Flamengo vença por 1 a 0. Se somarmos o total de gols marcados de cada equipe, teremos 2 do Cruzeiro e 2 do Flamengo. Só que nesse hipotético exemplo o Flamengo estaria classificado, por ter marcado um gol na casa do Cruzeiro.

Ainda no campo da hipótese, caso o partida no Rio termine com o placar de 3 a 2 para o Flamengo, cada equipe terá marcado 4 gols nas duas partidas; nesse caso, classificar-se-ia o Cruzeiro, por ter marcado dois gols na casa do adversário, ao passo que o Flamengo marcara um. No caso de a partida no Rio terminar com o placar de 2 a 1 para o Flamengo, a vaga é decida nos pênaltis, pois cada time terá marcado um gol na casa do adversário.

Nas duas partidas, em caso de uma vitória de cada time ou em caso de dois empates, leva-se em conta o(s) gol(s) marcado(s) fora de casa; obviamente, caso um time vença os dois jogos, será ele o classificado para a fase seguinte do torneio. No caso da Copa do Brasil, o mesmo vale para a decisão do campeonato; na Libertadores, o chamado gol qualificado não vale para a final; não sei a razão pela qual isso ocorre.

Dependendo das circunstâncias, o gol fora de casa tem um efeito psicológico poderoso, quase dando a entender que a vantagem é do time que perdeu o primeiro dos dois jogos. É o que está ocorrendo em relação a Cruzeiro e Flamengo. Tivesse o jogo da semana passada terminado com o placar de 2 a 0 para o Cruzeiro, os flamenguistas não estariam otimistas.

É que no jogo de depois de amanhã, no Rio, caso o Flamengo vença por 1 a 0, estará classificado. Contudo, apesar do efeito psicológico positivo que o gol fora de casa pode ter, é preciso não se esquecer de que a vantagem, nesse caso específico, é do Cruzeiro. Um empate, independentemente do placar, classificaria a raposa, e não o urubu. E se, por exemplo, o Cruzeiro abrisse o placar lá no Rio, a situação do Flamengo complicar-se-ia ainda mais...

O tal do gol fora de casa ou gol qualificado acabou se tornando um alento maior do que verdadeiramente é. Se por um lado é óbvio que é melhor perder fazendo pelo menos um gol na casa do adversário, não se pode, por outro, esquecer-se de que a vantagem é sempre de quem vence, ainda que este não se classifique ou não seja o campeão na última partida do torneio.

sábado, 24 de agosto de 2013

CONTO 66

Lara bota a cabeça no travesseiro. Ele pensa mil coisas. Ela só quer dormir.

domingo, 18 de agosto de 2013

CRAQUE TAMBÉM FORA DE CAMPO

Não bastasse o bolão que o Alex, do Coritiba, joga, ele também se mostrou um cidadão inteligente, uma pessoa lúcida. Em recente entrevista para o Lance!Net Alex fala de sua ausência da seleção brasileira; diz ele acreditar que não há e não houve algum tipo de perseguição por parte dos técnicos que não o convocaram. Num dos pontos altos da entrevista, Alex condena a subserviência da CBF à Rede Globo.

Ponderado e, por isso mesmo, incisivo, o craque critica o modelo atual do futebol brasileiro, em que crianças, manipuladas por empresários, antes mesmo de começarem a jogar futebol, já estão vislumbrando a possibilidade de ir para o exterior, em vez de aprenderem os rudimentos da profissão. Ciente de que não há solução fácil, Alex chega a mencionar o caráter do brasileiro como um dos empecilhos para que o cenário melhore.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

NÓS

A vida é um nó górdio.
Eu e você somos nós.
Não somos solução para nada.
Mas a gente se amarra. 

FOTOPOEMA 330

LETRA DE MÚSICA E POESIA

O John Lennon disse em entrevista que tinha a intenção de escrever letras de música que pudessem também ser lidas, e não apenas cantadas. Ainda segundo ele, a inspiração para tal desejo era Bob Dylan. Com outras palavras: Lennon tinha intenção de escrever poesia.

A discussão sobre se letra de música é poesia é antiga. O Fernando Brant, exímio letrista, em entrevista para a edição de maio/junho de 2013 do Suplemento Literário de Minas Gerais, quando perguntado se letra de música é poesia, disse: “Eu acho que é”. Depois, acrescentou: “Se não querem definir como poesia tudo bem. Mas é como eu sempre digo: é primo, é da mesma família”.

Não busco aqui possíveis definições do que seja poesia ou do que seja letra de música. Ainda assim, quando escuto, por exemplo, “O quereres”, do Caetano Veloso, ou “The whole of the moon”, da banda The Waterboys, canção cuja letra é de Mike Scott, não consigo deixar de pensar que as letras são poesia pura.

Letra de música não tem o compromisso de ser poesia. Textos originalmente escritos para serem poesia podem ser musicados; a poesia tem uma cadência e um ritmo que podem funcionar bem quando cantados. Letras de música há que podem ser declamadas. Letra de música e poesia: uma invade o terreno da outra. Uma pode ser a outra. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A NOITE

À noite, 
não espero pelo Sol, 
não praguejo contra nuvens.

À noite, 
quero a noite, 
escura, 
plena, 
anoitecendo: 
a noite sendo.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ACONTECIMENTOS

A vida quer acontecer. O que está vivo quer acontecer. Quando a vida decide acontecer ela dribla adversidades, dá um jeito; ela se inventa. A vida sempre quer acontecer, mesmo quando não consegue.

O que está vivo tem... vida latente. O que está vivo merece viver. Há algo de vital, há um instinto que conclama à vida para que ela... viva. A gente, também, nasceu para isso, embora, nesse mundo doidão que criamos para nós, a gente se mate dia a dia.

A vida que a gente é, e que é biológica, quer, também biologicamente, viver, acontecer, reluzir... Em cada um há uma vida, uma pulsão que quer viver. Isso é instintivo, é biológico. E também por ser instinto e por ser biologia, é belo. A única razão para a vida acontecer é o fato de ela querer acontecer; há, nisso, beleza. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

UM LOTE DE FOTOS

Fotos tiradas num lote vago que fica no Bairro Vila Garcia, aqui em Patos de Minas.


























terça-feira, 6 de agosto de 2013

FLORES

Enquanto eu fazia as fotos abaixo, Maria José, uma senhora gentil e elegante, aproximou-se. Durante a conversa, ela me disse que havia plantado as flores. Quando perguntada, ela não se lembrou do nome delas. Em conversa agradável, Maria José confirmaria o apreço que tem por plantas e árvores, tendo plantado algumas delas, que ficam na Avenida Paranaíba, próximas da Rua Nações Unidas, aqui em Patos de Minas.