segunda-feira, 24 de junho de 2013

PERIGEU

Ontem, houve o perigeu, dia em que a Lua está mais próxima da Terra. Quando isso se dá durante a lua cheia, o espetáculo é brilhante e vistoso.

Com o objetivo de fotografar a Lua despontando no horizonte, eu e o Nivaldo, meu irmão, que muito me ajuda nos momentos em que tenho de sair da cidade para fotografar, fomos até os arredores de Patos de Minas.

O céu estava nublado próximo ao horizonte, de modo que não houve como eu fazer as imagens conforme o que eu tinha em mente. Ora, na fotografia, como na vida, o lance é a gente tentar fazer o melhor com o que nós temos à disposição...

A despeito do céu nublado, fotografei. Tive de usar ISO alto, a fim de aumentar a sensibilidade do sensor à luz; isso faz com que a imagem fique com textura “granulada”, como se houvesse areia sobre a imagem.

O ISO teve de ser alto para que as imagens não ficassem tremidas, uma vez que não levei tripé para os registros; logo, não havia como apoiar a câmera. No mais, apesar do céu nublado e do ISO alto, eis as fotos.








sábado, 22 de junho de 2013

CONTO 65

Amâncio deixara a Praça Bandeirantes; entrou na Marechal Floriano. À direita, perto do meio-fio, uma moça pelejava com uma moto, que não pegava. Ele passou, olhou... Seguiu o percurso, mesmo com algo na cabeça sussurrando que ele deveria voltar e ajudar a moça. Os segundos se passavam. Pelo retrovisor, observou que ela continuava parada, tentando fazer a moto pegar. Ele cruza a Barão do Rio Branco, indeciso: volta ou não? Sabe que se não voltar, vai se arrepender depois. Ao mesmo tempo, não age. Uma multidão de pensamentos se manifestam. Não pode continuar se afastando, na certeza de que se a próxima esquina vier, não voltará. Diminui drasticamente a velocidade, sem, contudo, dar meia-volta. Pensa em acelerar; não o faz. Pensa em voltar; não volta. Dá uma última olhada no retrovisor. Já não consegue divisar nem a moça nem a moto. Num gesto definitivo, volta.

LUAU

Ontem à noite, mal tendo a Lua surgido, tive vontade de fotografá-la. A intenção não era “simplesmente” fotografar o satélite: eu queria que algo mais compusesse o quadro — mas que fosse algo que não denotasse urbanidade, mesmo a foto sendo tirada nas ruas.

A pouco mais de uma esquina de distância daqui de casa vislumbrei a possibilidade de uma composição. Parei a moto, desci e comecei a fotografar, usando uma lente 100-400 e um “flash”.

A “névoa” que compõe as duas primeiras imagens é “desvendada” na terceira. Para realizar as fotos, usei o foco manual. Ao focar a Lua, a “névoa” era produzida. Na última foto, em vez de focar a Lua, foquei o que é de fato essa “névoa”.

Para conseguir o “efeito” verde sobre a Lua, a lente estava com o zum máximo. Além disso, usei também a máxima abertura, precisamente para conseguir o máximo desfoque possibilitado pela lente. O “flash” foi disparado.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

CONTO 64

Teodoro tinha consigo que não tinha mulher alguma porque não tinha dinheiro algum. Num dia belo, ganhou muito dinheiro. Muito tempo depois, ainda continuava sem ninguém. Refugiou-se por fim na convicção de que o problema era com as mulheres.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MANIFESTAÇÕES DE 17/06/2013

É cedo para saber se as manifestações que estão ocorrendo em algumas capitais brasileiras vão ter como consequência a radical mudança no modo de se fazer política no Brasil. É ingenuidade, pelo menos por enquanto, dizer que os políticos estariam, supostamente, com medo das manifestações. Por outro lado, os protestos são imprescindíveis — não em função de algum medo, seja de quem for, mas em função da conquista de direitos.

Nem preciso dizer que sou contra a depredação de patrimônios, sejam públicos, sejam privados. Contudo, a retórica midiática de que os manifestantes seriam um bando de moleques que não têm mais o que fazer da vida não convence mais. O próprio Arnaldo Jabor, na rádio CBN, admitiu que errou, ao sugerir que as manifestações eram coisa de gente sem causa.

Enquanto escrevo, acompanho notícia de que a Alerj, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi depredada; também no Rio, um carro foi incendiado — não se sabe ainda por quem. A multidão não é homogênea, mas a violência não deveria partir dela. Gente imbecil e desordeira não deveria macular o dia. E não estou dizendo que sou contra manifestantes: sou a favor das manifestações. Sou, sim, contra a violência.

Precisamos ser espertos: não podemos dar aos políticos e à mídia a munição pela qual anseiam, para que depois não digam que tudo não passou de uma baderna coletiva e sem sentido. Ainda acredito na inteligência das pessoas. O dia de hoje foi, até agora, no todo, positivo. 

No dia nove de maio, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que o “povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele”. Ainda segundo ele, se o povo soubesse, “ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro”.

Ora, a declaração, vinda de um político, é motivo o bastante para que protestemos, seja nas ruas, seja nas urnas, seja nos textos... Que haja clareza ao se definir os motivos dos protestos, não importa se contra a Copa, se contra o aumento de tarifas ou se contra impostos. O País não é de alguns. E depois de esvaziadas as ruas, que o amanhã não deixe esvaziar as atitudes por mudança.

(Em tempo: em Brasília, até agora, a polícia legislativa “apenas” observa a ação dos manifestantes no Congresso Nacional. Que não haja destempero por parte de alguns cidadãos que lá protestam. Ou onde quer que estejam.)

domingo, 16 de junho de 2013

OS OUTROS LADOS DA MOEDA

Escrever bobagens não é característica somente dos grandes meios de comunicação. Ademais, quando escrevem disparates, estão interessados em seu próprio benefício. O mesmo fato é noticiado diferentemente por diferentes meios, cada um voltado para seu próprio interesse.

Nesse sentido, é difícil haver algo que se pareça com jornalismo. Entretanto, a tecnologia possibilitou a desconhecidos divulgarem seu ponto de vista (escrevendo, filmando, fotografando...) sobre os mesmos fatos analisados pelos grandes conglomerados midiáticos; devido à tecnologia, o mesmo fato é fotografado e filmado não somente pelas grandes corporações.

Esses desconhecidos, sejam eles blogueiros, sejam atuantes em redes sociais, também podem escrever bobagens. Seus disparates podem ser fruto de seus preconceitos ou de sua falta de conhecimento ao julgar determinado fato. Ainda assim, é alentador perceber que, a despeito da poderosa influência dos conglomerados, há pessoas nos mostrando outras possíveis interpretações.

Seria ingenuidade supor que blogueiros e frequentadores de redes sociais sejam capazes de influenciar tanto quanto poderosos meios de comunicação. Ainda que a maioria de tais blogueiros e frequentadores detivessem as mesmas técnicas de persuasão da grande mídia (alguns detêm), a atuação deles é pulverizada.

Mesmo assim, os relatos deles são mais ricos, necessários e úteis exatamente porque não são maquiados, não atendem a interesses econômicos de megacorporações nem a pressões de patrocinadores. Esse é um dos lados benéficos da tecnologia. É um alento saber que há pessoas antenadas e oferecendo uma visão não atrelada a questões empresariais.

Os grandes e poderosos meios de comunicação devem ser acompanhados. Não devemos ignorá-los, mas devemos, sim, desconfiar da visão que divulgam. Se por um lado há indivíduos disseminando ódio, preconceito e ignorância, por outro, existe hoje a possibilidade de se ter acesso a pensamentos individuais ricos e inteligentemente rebeldes.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

ESTELAR


Esta é a primeira foto de longa exposição que faço na tentativa de retratar o facho das estrelas. O tempo de exposição desta foto foi de uma hora, trinta e quatro minutos e quinze segundos. O tempo de exposição é a “duração” da foto; é o tempo em que a câmera ficou fotografando.

Como o que eu queria era precisamente captar o facho que as estrelas deixam, eu já sabia, de antemão, que precisaria de uma longa exposição. Para realizá-la, eu me vali de um cabo disparador acoplado à câmera.

A princípio, supus que um pouco mais de uma hora e meia de exposição não seria o bastante para produzir fachos com a extensão dos que estão na imagem. Quando vi a foto ainda no monitor da câmera, eu me surpreendi, pois eu havia suposto que noventa minutos de exposição produziriam “apenas” pequenos riscos no céu.

A foto foi tirada na fazenda da família do amigo Aldo Fernandes. Mais uma vez, obrigado a ele pela presteza em me levar até lá. Obrigado também à família do Aldo, sempre gentil ao me receber. Finalmente, obrigado ao Gabriel CZ, que me emprestou o tripé para que a imagem fosse realizada.

domingo, 2 de junho de 2013

INCURSÃO

“Fui para a floresta porque eu desejava viver deliberadamente, para me defrontar apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se eu não poderia aprender o que ela tinha para ensinar, e não, quando eu morresse, descobrir que eu não tinha vivido”. O trecho é do imprescindível Thoreau. Tornou-se conhecido depois de uma paráfrase dele aparecer no filme “Sociedade dos poetas mortos”.

Vou para o Cerrado. Não há um lugar melhor do que o outro: há o lugar onde queremos estar. O Cerrado é onde quero estar para exercer a fotografia e para melhorar minha vida. À medida que vou deixando para trás a cidade, o Cerrado vai cada vez mais se insinuando, ofertando suas detalhadas belezas. Respiro, inspiro-me, fotografo.















APONTAMENTO 181

Essencialmente, é curiosidade, fascínio, espanto, vontade de entender. É desejo de interpretar, de iluminar. É senso de beleza... 

É minha definição para ciência. Mas poderia ser minha definição para arte.

sábado, 1 de junho de 2013

ENTREVISTA COM FÊ LEMOS, BATERISTA DO CAPITAL INICIAL

Ontem (31/05), na Livraria Nobel, aqui em Patos de Minas, Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, esteve presente em seção de autógrafo de seu livro “Levadas e quebradas” (2012), lançado pelo selo Pedra na Mão.

Extremamente gentil e solícito, Fê Lemos me concedeu esta entrevista enquanto autografava seu livro para os fãs que estiveram presentes na livraria. Ele falou de “Levadas e quebradas”, de seu trabalho como letrista e de seu projeto solo, chamado Hotel Básico.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

ASSOVIANDO

Da série cultura inútil (algo em que sou especialista). Algumas músicas com assovio no arranjo:

• Angus Stone — Wooden chair

• The Silencers — Bulletproof heart (pelo menos acho que é um assovio mesmo, mas não me espantaria caso seja um teclado)

• John Lennon — Jealous guy

• Scorpions  Wind of change

• Guns and Roses — Patience

• Maroon 5 — Moves like Jagger

• Bob Sinclair — Love generation

• The Bangles — Walk like an Egyptian

• Bruno Marz — The lazy song

• Mike + the Mechanics - Over my shoulder (contribuição da leitora Chris)

terça-feira, 21 de maio de 2013

JOHN LENNON, YOKO ONO, MARK CHAPMAN

O John Lennon disse que conheceu a Yoko Ono numa exposição que ela e outras figuras descoladas da época estavam realizando em Londres. De acordo com ele, na exposição dela, havia uma escada que dava acesso a uma pintura pendurada no teto. Segundo John, parecia uma tela preta com uma corrente e um binóculo pendurado na ponta. Ele subiu a escada, olhou pelo binóculo e leu a inscrição “Yes” em letras miúdas. Ele disse que gostou disso, a ponto de sentir um grande alívio ao olhar pelo binóculo e não ver escrito “não”, “f...” ou algo assim.

A história deles começou com um “sim”. O “não” ficaria por conta de Mark Chapman.

DIA

Como está o dia em ti?
Jubiloso como lá fora?
Se não estiver, que o dia lá fora
amanheça também em ti.
Ou que tu busques o dia lá fora.
Que teu dia reflita o dia lá fora.
Ou que aches em ti o teu dia.
Que o dia lá fora e o dia em ti
vibrem em mesma frequência.
Ou que o dia lá fora e o dia em ti
dialoguem em diário recíproco.
Amanhece o dia: amanhece!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (73)


Esta foto foi tirada hoje à tarde, às 15h19. Quando saí de casa, a intenção inicial não era fotografar maritacas: um dia desses, indo fotografar o jardim da casa de uma colega de trabalho, passei perto de uma toca de corujas. A intenção era fotografá-las. Mas não deram as caras. 

Como eu tinha algum tempo livre, resolvi dar uma volta pela área, lá no bairro Copacabana. Foi quando escutei as maritacas. A princípio, estavam distantes uma da outra, mas logo se entenderam. Uma das fotos do entendimento é esta.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

(DES)APONTAMENTO 3

O medonho pensamento a seguir me ocorreu há pouco, enquanto eu tomava leite: se o Mário Henrique, o “Caixa” da Itatiaia, trabalhasse em FM, em vez de falar “caixa!”, ele falaria “Ke$ha!”.

(Isso foi atroz. Será que leite causa essas coisas na gente?)

FAZER BEM

Um dia desses escutei uma entrevista que Paul McCartney concedeu, via telefone, para uma rádio de Belo Horizonte. O início do diálogo foi mais ou menos assim:

— Hello, Paul; how are you?
— Hi, I’m terrific.
— I’m terrific too, specially talking to you.

A conversa prosseguiu; Paul falou sobre a turnê que está realizando e sobre sua carreira. De cara, o que me chamou a atenção foi o impecável inglês do locutor.

Essa história é pretexto para que eu fale do privilégio que é presenciar algo benfeito. Assim que o locutor emitiu as primeiras palavras, logo me ocorreu o longo caminho percorrido por ele para que ele chegasse a tamanha excelência ao lidar com uma língua estrangeira, tenha o profissional morado no exterior, estudado no Brasil ou as duas coisas.

Fazer bem demanda esforço, leva tempo, dá trabalho. O regozijo de valorizar detalhes é compensador porque, assim, temos a experiência de saber valorizar e reconhecer a excelência alheia: ter a oportunidade de apreciar a maestria do outro engrandece a alma; estar diante de seu talento enobrece; presenciá-lo, escutá-lo ou decodificá-lo edifica. Quando o talento alheio incomoda, isso pode ser indício de ressentimento ou de inveja. 

A importância dada aos detalhes pode ser encarada como preciosismo por muitos. Esses desavisados às vezes se expressam com mais vigor do que aqueles que percebem as mais de dez mil sutilezas que compõem um trabalho refinado. Mas isso não significa que não haja gente escutando; não quer dizer que não haja gente prestando atenção; não significa que você não tenha, sem saber, feito alguém ascender.

De resto, ainda que você nunca tenha recebido notícia de que seu trabalho tenha feito alguém melhor, isso não é motivo para que você deixe de fazer o que faz; não é razão para que você abandone a busca pelo esmero. Primeiro, porque você pode, por diversas vezes, ter deixado de manifestar o quanto o trabalho de alguém enlevou você; segundo, porque não há como sabermos de que modo nem quando nosso trabalho chega ao outro. Esse outro pode estar a seu lado ou distante, seja no tempo, seja no espaço.

Não há como sabermos nem quando nem como nosso trabalho vai reverberar no outro. Tanto é assim que o locutor lá de Belo Horizonte nem suspeita de que o inglês dele foi uma das inspirações para que eu escrevesse este texto. O que importa é a busca pela excelência, não a preocupação com as consequências disso. Se por um lado o reconhecimento é sempre bom, por outro, não deve ser o motivo condutor das realizações. 

domingo, 12 de maio de 2013

"SOMOS TÃO JOVENS"

“Somos tão jovens” (Brasil, 2013) é uma obra de ficção inspirada na juventude de Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo. O diretor é Antonio Carlos da Fontoura. Thiago Mendonça, que interpretou o Luciano, da dupla Zezé di Camargo e Luciano, no filme “Dois filhos de Francisco”, é Renato Russo em “Somos tão jovens”.

Devido a uma birra boba, raramente assisto a cinebiografias. Por causa dessa bobeira, entrei no cinema sem botar muita fé em “Somos tão jovens”. Contudo, logo na abertura, deixei-me levar pelo belo arranjo de “Tempo perdido”, canção de que extraíram o título do filme.

Antonio Carlos da Fontoura achou o tom ao contar, na visão dele, como o jovem Renato tornar-se-ia o Renato Russo: o filme está cheio de piscadelas para os fãs mais inveterados, sem ao mesmo tempo deixar de elucidar para os não iniciados a trajetória juvenil do vocalista do Legião Urbana.

O filme teve a colaboração de Carmem Manfredini, irmã do Renato (logo no começo, depois que ele cai da bicicleta, ela aparece rapidinho,  socorrendo--o). Ainda no começo, ele, de cama, vítima de epifisiólise, mergulha em leituras, discos e devaneios. Tais mergulhos mostrar-se-iam profícuos no futuro.

Algumas pessoas me disseram que não gostaram do modo como retrataram o primeiro show da Legião, que foi realizado aqui em Patos de Minas, no dia cinco de setembro de 1982. Philippe Seabra, ex-integrante da Plebe Rude, está na pele do prefeito local, que era Dácio Pereira da Fonseca.

As cenas desse primeiro show foram rodadas em Paulínia/SP. Os que não gostaram como Patos foi retratada alegam que a cidade teria sido mostrada de modo caipira e caricato. Contudo, suponho que era essa a impressão que a cidade deveria causar naquele tempo (e talvez ainda cause). As cenas, breves e de enquadramentos fechados, não me incomodaram.

No filme, em companhia do prefeito durante o show, há uma atriz que interpreta, suponho, a Rainha do Milho (concurso de beleza realizado anualmente no mês de aniversário de Patos de Minas) da época — Denise de Oliveira Braz. Contudo, mesmo isso não tendo importância, levando-se em conta que é uma história de ficção, ainda que inspirada num personagem real, preciso confirmar se o prefeito e a Rainha do Milho estiveram presentes no show.

Marcos Bernstein é o responsável pelo roteiro, que teve a consultoria de Carlos Marcelo, autor do livro “Renato Russo — o filho da Revolução”. “Somos tão jovens” tem pitadas de humor e acerta em não endeusar a figura de Renato Russo. Quanto ao contexto, é um barato ver retratados, de um lado, a efervescência dos jovens roqueiros burgueses de Brasília naquela época, e, de outro, o tédio de que padeciam, num país assolado pela ditadura militar. “Somos tão jovens” é verossímil e tem atuação primorosa de Thiago Mendonça.

sábado, 11 de maio de 2013

CONTO 63

Maísa, no fundo, nutria uma dor que ela fingia querer esquecer. Não era uma dor lancinante; Maísa mal se apercebia dela. Por isso mesmo, era suportada e candidamente mantida. Uma dor presente como canção que fica de leve na cabeça enquanto se executa uma tarefa qualquer. Num vinte de julho, sem que Maísa se desse conta, a dor, por fim, foi embora. Não por decisão de Maísa, mas, sim, porque, ela, a dor, quis partir. 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

CONTO 62

Diante do palco em que Paul McCartney estaria em instantes, João Paulo acabou se lembrando do Bruno Gouveia, do Biquíni Cavadão: certa vez Bruno disse em entrevista que ele e a esposa, antes de se conhecerem, estiveram no primeiro show que Paul fez no Brasil. Num devaneio, João Paulo imaginou se sua futura esposa estaria em meio às cinquenta e três mil pessoas que assistiriam ao show, prestes a começar. João Paulo casar-se-ia com Naiara, que curte MPB. E não estava no show do Paul.

terça-feira, 7 de maio de 2013

FOTOPOEMA 313

CENI

Somente ontem vi o quanto Rogério Ceni se adiantara na cobrança de pênalti do Pato: Rogério Cênico. Isso até faz com que eu me lembre daquela canção do Sempre Livre: 

“Mas quando você chega cínico
“Sorrindo e cheio de jogo cênico
“Eu erro o passo
“Perco o compasso”...

CAMPUS DA UFU EM PATOS DE MINAS

A localização definitiva da UFU em Patos de Minas ainda não foi definida. Em novo capítulo da história, foi sugerida a instalação do campus local da universidade num terreno que fica próximo à Escola Agrícola. Minha sugestão é que tal campus seja instalado em Paris. Afinal, por aqui, é comum dizerem: “É Patos ou Paris”...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

POR QUE ME TORNEI UM IMBECIL

Tornei-me um imbecil porque tenho perdido a capacidade de me emocionar. O ápice disso foi no sábado, quatro de maio. Eu estava a poucos passos de um artista que faz parte de minha vida desde a infância. Quando Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles, em março de 1970, eu não havia nascido ainda (eu nasceria em outubro daquele ano). Mas ele faz parte do lado musical da minha vida.

Ainda é nítido na lembrança eu pedir para meu pai colocar uma das músicas da carreira solo de McCartney. Como eu não sabia falar o nome dela, eu falava mais ou menos assim: “Pai, coloca aquela do ‘rô’, ‘rê’, ‘rô’”. Sim, eu me referia a “Mrs. Vanderbilt”. Ela foi uma das faixas executadas no show realizado por McCartney no Mineirão, em Belo Horizonte.

Também me lembro de um baile a que fui no Ponte de Terra, em Carmo do Paranaíba, na segunda metade da década de 80. O Evandro Fontes, que na época era locutor de rádio por lá, foi quem me convidara para a festa, que contaria com show da banda de baile Phendas. Ao fazer a abertura do evento, o Evandro disse que tocaria uma música; achei estranho, pois não havia nenhum instrumento com ele. Foi quando então retirou uma gaita do paletó e tocou “Let it be”, que, claro, também fez parte do repertório do show em BH.

Lembro-me também de ter escrito à mão, ainda adolescente, várias letras dos Beatles em folhas de caderno. Dentre elas, “Get back”, que McCartney também cantou no Mineirão... Quando ele cantou “Your mother should know”, lembrei-me do Pedro Paulo Niffinegger Silva, um amigo que certa vez me disse que gosta dessa canção.

Lembro-me de meu pai comentar comigo, enquanto ele me levava de bicicleta a algum lugar, quantas vezes o “na na na... Hey, Jude” é repetido na gravação original (ele disse que contara). Obviamente, a canção foi executada durante o show.

Eu poderia escrever todo um texto sobre minhas várias lembranças com o universo dos Beatles. Mas esta crônica é sobre minha incapacidade de ter me emocionado durante o show de McCartney em BH. Eu deveria ter pulado, gritado e chorado, exatamente tal qual fez a adolescente que estava a meu lado, que cantou to-das as letras.

Para não dizer que passei incólume pelo show, fiquei emocionado não devido a uma canção, mas quando ele disse pela primeira vez “trem bão, sô” (ele voltaria a repetir a expressão posteriormente).  Além da emoção que senti, foi engraçado olhar para a cara que ele fez ao dizer a expressão, bem como escutá-la cheia de sotaque.

É estranho: essa minha tola apatia esteve comigo mesmo antes de eu entrar no Mineirão: não houve expectativa, eu não estava vibrante como deveria estar. Terminado o espetáculo, saí sem compartilhar do óbvio entusiasmo no ambiente. Se o show tivesse sido um fiasco, eu teria razão para a indiferença.

Deixei o local preocupado com meu crescente embotamento, por ser algo que vem se insinuando cada vez mais. Para os amigos que perguntaram, acabei dizendo que gostei, para não cortar o barato nem ter de explicar por que não gostei. Se eu tiver a oportunidade de conferir um show dos Rolling Stones, coisa que eu sempre quis, que eu seja ou esteja menos tolo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

AO TELEFONE (peça teatral em um ato)

Ela — Que saudade...

Ele — Eu só queria te dizer que eu te...

(A ligação cai neste momento: toda história de amor tem começo, meio e Tim.)

TRAJETÓRIA

Ah, aqueles dois.
Vivem mais uma história.
E toda história de amor
tem
começo,
veio
sim. 

FOTOPOEMA 312

IRMÃS GALVÃO

Certa vez, as Irmãs Galvão concederam entrevista para o Jô Soares, quando ele ainda estava no SBT. Conversa vai, conversa vem... Num determinado momento ele pergunta:

— Vocês são casadas?

Uma delas responde prontamente:

— Não: irmãs... 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

SÃO PAULO 1 x 2 ATLÉTICO

O que é o futebol: o São Paulo, jogando principalmente pela direita, mandava na partida que terminou há instantes, no Morumbi: um acuado e tímido Atlético era bombardeado pelo time paulistano, que perdeu várias oportunidades de gol no primeiro tempo; marcou um.

Aos trinta e quatro minutos, o zagueiro Lúcio, do São Paulo, foi expulso, após falta sobre Bernard. A partir daí, o concentrado e aguerrido São Paulo foi se desfazendo. Aproveitando o momento, o próprio Bernard bateu escanteio e Ronaldinho escorou de cabeça, assinando o empate da equipe mineira.

No começo do segundo tempo, conseguindo ficar com a bola nos pés, talvez por finalmente ter achado alguma calma, o Atlético cadenciou a partida, que no primeiro tempo teve um veloz São Paulo. A tática funcionou: a virada viria aos treze.

Foi um belo jogo. No primeiro tempo, domínio do São Paulo; no segundo, do Atlético, que ainda não perdeu jogando no reformado Independência. Isso enche de otimismo o torcedor preto-e-branco.

UMA PONTE


Ponte sobre o Rio Paranaíba, em Patos de Minas/MG. 

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (72)

A intenção era tirar uma soneca durante o fim da tarde. Quanto me deitei, percebi que o sol, passando pela janela, projetava sombras na parede. Mas antes de passar pela janela, ele passava pelos galhos de algumas árvores que ficam num lote próximo daqui. Achei curioso, o “desenho” que sol, galhos e folhas lançavam sobre a parede. Cancelei a soneca e fiz a foto.

domingo, 28 de abril de 2013

URT 2 x 1 PATROCINENSE


















Num jogo dramático, a URT venceu, de virada, a Patrocinense, em jogo no estádio Zama Maciel, aqui em Patos de Minas. Com o resultado, o time patense está na liderança do módulo dois do campeonato mineiro.

Ainda no primeiro tempo o Patrocinense teve um jogador expulso. Contudo, eficaz, acertara um belo chute aos dez do primeiro tempo; bomba de Paulinho Belém (ele é o jogador que seria expulso). A partir daí, a URT, em insistentes e ineficazes chuveirinhos, era sempre barrada pelas mãos do goleiro do Patrocinense — ele sai muito bem do gol.

Ainda assim, a reação da URT se concretizou no segundo tempo. Leandro Bocão empatou aos vinte e três. A virada viria por intermédio de Martinês, aos trinta. O goleiro da Patrocinense, que tão bem vinha saindo da meta, falhou nesse lance.

Contudo, a partida reservaria lances de emoção, pois embora com um jogador a menos, a equipe de Patrocínio criou oportunidades de gol. Com o resultado, no próximo fim de semana, caso a URT consiga vencer a Patrocinense, lá em Patrocínio (tarefa árdua), a equipe patense estará classificada para a primeira divisão do campeonato mineiro.