sábado, 19 de março de 2011

SUGESTÃO DE BLOGUE

Bruna Pereira Caixeta é de Patos de Minas. Atualmente, está em Campinas/SP. Desde hoje, ela tem um blogue – o Brumas.

Na página, conforme a autora, a intenção é “discutir variados temas junto com as diferentes opiniões dos leitores e, assim, ser possível edificar ou (des)edificar visões sobre qualquer assunto”.

Como estreia, Bruna escreveu sobre o filme “Cisne negro”.

Para conferir, basta acessar http://brunapcaixeta.blogspot.com.

quinta-feira, 17 de março de 2011

FOTOPOEMA 187

CAIU NA REDE (55)

Pessoas, a mais recente edição do Caiu na Rede está no ar. A novidade é que o programa, desde a edição anterior, pode também ser escutado no blogue de Pablo Marques. O endereço é o http://pmarquesp.blogspot.com.

Ao Pablo, agradeço pela gentileza de inserir o Caiu na Rede em seu blogue.

segunda-feira, 14 de março de 2011

FOTOPOEMA 186

AQUI JAZ

Fiz cama nova para nosso amor premente.
Vem agora, vem querendo, vem urgente.
Vem nascer em minha cama: quero-te somente.
Vem renascer em minha cama: quero-te semente.

A DURAS PENAS

Havia na floresta dona Centopeia, que fazia o maior sucesso entre os bichos porque sabia dançar muito bem. Todos ficavam impressionados com a habilidade que ela tinha ao conferir graciosidade às suas cem pernas quando dançava. Enquanto dona Centopeia se deixava conduzir com leveza pela música, muitos bípedes e quadrúpedes eram duros e desengonçados.

Certo dia, um dos animas (dizem por aí que, no fundo, foi para sacanear a exímia dançarina), perguntou para a dona Centopeia:

 – Como a senhora faz para dançar tão bem, mesmo tendo cem pernas para coordenar? Como a senhora consegue?  Primeiro a senhora move a septuagésima sexta e depois a trigésima oitava? Ou a senhora mexe primeiro a vigésima terceira, para, em seguida, mover a nonagésima nona? Tenho muita curiosidade... Que ordem a senhora segue?

Dona Centopeia, que também era encantadora quando falava, respondeu:

– Meu caro senhor Macaco, nunca prestei atenção... É... Nunca reparei... Mas façamos o seguinte: na próxima vez em que eu for dançar, vou prestar atenção. Depois, digo para o senhor como faço. Mas acho que não sigo uma ordem definida. De qualquer modo, a gente volta a falar sobre isso.

Chegado o dia do baile, todos estavam muito curiosos para saber como funcionavam os mecanismos da dança em meio àquela profusão de pernas. A música, então, inicia-se. Todo mundo olha para dona Centopeia, que tem o cenho concentrado.

Segundos vão se passando e ela está olhando para suas pernas. Nunca havia reparado em como os movimentos eram executados. O relógio prossegue. Ela permanece estática, enquanto o olhar de boa parte da bicharada é estarrecido. A música prossegue. Quase um minuto já se foi. O silêncio constrange, pesa. Há alguns cuja expressão parece dizer “dança, dona Centopeia, dança”. Outros parecem transmitir indiferença. No meio da plateia, um chega bem pertinho do ouvido de outro e cochicha: “Bem feito”.

Dona Centopeia tem a cabeça baixa. Não sabe o que fazer, não sabe dar o primeiro passo. Está acorrentada.

Ela jamais voltaria a dançar.
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Sempre gostei da historieta acima. Não sei mais quem ma contou. Ela tem uma relação especular com “Cisne negro” (Black swan, EUA, 2010). Nina (Natalie Portman) se preocupa demais com a técnica, a ponto de não se soltar, não se libertar. Devido ao excesso de técnica e à sua vida atribulada, ela não consegue ser em totalidade a dançarina que efetivamente é.

Temática muito instigante, bem conduzida pelo diretor Darren Aronofsky.

sábado, 12 de março de 2011

ENFIANDO O NARIZ

Considere seu nariz. Há as narinas, a ponta. Se você seguir nariz acima, vai chegar àquele ponto em que há, digamos, uma afundadinha, já perto das sobrancelhas. Esse ponto é o que importa...

Não me lembro mais da idade que eu tinha. Sei que eu era menino. Isso basta. Era um dia quente. Entrei correndo e esbaforido em casa. Tomei rapidamente uma copada de água, querendo demais já voltar para a rua.

Contudo, não saí sem antes tecer uma ode à anatomia humana. A testemunha de meu achado foi meu pai, que estava por perto. Colocando o indicador no ponto mencionado acima, eu disse algo mais ou menos assim:

 – O corpo humano é mesmo perfeito. A gente tem esse afundadinho aqui no nariz pra gente encaixar o copo na hora de beber água.

quarta-feira, 9 de março de 2011

FOTOPOEMA 185

ÁUDIOS NO WWW.LIVIOSOARES.COM

Pessoas, regravei os áudios de meu saite, o www.liviosoares.com. Caso queiram conferi-los em português, gentileza clicar aqui. Para conferi-los em inglês, gentileza clicar aqui.

terça-feira, 8 de março de 2011

TENHA O CAIU NA REDE EM SUA PÁGINA

Pessoas, caso alguém por aí queira ter o programa musical Caiu na Rede em seu blogue ou saite, basta dizer, por intermédio do formulário de comentários deste blogue (seu e-mail não será divulgado).

Sempre que eu gravar a atração, envio o código para que o Caiu na Rede seja executado em sua página.

Valeu.

CAIU NA REDE (54)

Pessoas, aproveitando o feriado, gravei mais uma edição do Caiu na Rede, que está no ar.

Valeu.

segunda-feira, 7 de março de 2011

LETRA DE MÚSICA (30)

Espalho a boa-nova.
Conto para todos as
notícias benfazejas.
Eu sou o arauto da
vida que se espalha.

Eu sou espelho que
reflete o que você é.
Traga sua luz: serei
mais amplo com ela.

Toda vida é precária,
mas uma comunhão
possível está sempre
a se insinuar enquanto
compomos o caminho.

sábado, 5 de março de 2011

LUIZ ALBERTO BAHIA LANÇA LIVRO SOBRE TRATAMENTO DE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL

Recentemente, foi lançado o livro “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, de Luiz Alberto Bahia. Segundo o próprio autor, “a principal finalidade da obra é mostrar que os métodos de recuperação de dependentes de álcool, baseados no programa Doze Passos, do A.A. – de natureza religiosa –, é extemporâneo e contraproducente, além de provocar estigma nestes doentes”. Como alternativa para os portadores da patologia da dependência, o autor apresenta o GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência do Álcool –, que é um grupo de ajuda mútua com programa assentado nos 7 Pilares da Recuperação, de embasamento estritamente científico.

Luiz Alberto Bahia nasceu em Patos de Minas/MG. É conselheiro para assuntos envolvendo o uso de drogas, fundador do GREDA e do Grupo Fênix, que atuam na orientação, prevenção e no suporte terapêutico a dependentes e suas famílias. É também estudioso e especialista em dependência química, com alguns livros e artigos publicados na área.

Outras informações sobre o livro poderão ser obtidas no blog do autor (www.greda-luizalbertobahia.blogspot.com)  ou pelo e-mail lzbahia@gmail.com.

sexta-feira, 4 de março de 2011

CAIU NA REDE (53)

Pessoas, a edição 53 do Caiu na Rede está no ar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

APONTAMENTO 103

A melhor coisa da internet é que qualquer um pode escrever por intermédio dela. A pior coisa da internet é que qualquer um pode escrever por intermédio dela.

BOLA MURCHA

Já escutei nos meios de comunicação que a Fifa não deixa que se insira um chip na bola porque isso acabaria com o ingrediente emoção no futebol.

O chip terminaria com com aquelas discussões sobre se a bola passou totalmente ou não pela linha do gol. Não sei se o argumento da Fifa é esse mesmo, mas, se for, é um argumento bobo.

O futebol é emocionante não porque, de vez em quando, fica-se em dúvida se a bola entrou. Isso é exceção. O saber com certeza se uma bola entrou não eliminaria as defesas incríveis nem os golaços nem as bolas na trave nem os lances fabulosos nem as catimbas nem as zebras loucas.

O futebol não perderia sua dimensão humana por causa do chip. Ele eliminaria um pedaço da conversa no botequim, mas não acabaria com as demais outras e inúmeras possibilidades e metáforas que o futebol pode oferecer. Por fim, o chip traria um senso de justiça ou de mérito, ao dizimar dúvida se houve gol ou não.

terça-feira, 1 de março de 2011

APONTAMENTO 102

Às vezes, tenho medo de morrer. Deve ser porque não morri ainda...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

CAIU NA REDE (52)

A edição 52 do Caiu na Rede está no ar, pessoas.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

INDICAÇÕES

É sempre um alento saber que mesmo na chamada grande imprensa há muita gente boa escrevendo. Gente que não meramente reproduz o que dizem as grandes corporações. Refiro-me, por exemplo, a Robert Fisk, que escreve para o britânico The Independent. Fisk esteve no Brasil em 2007, participando da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Correspondente de guerra, ele escreve principalmente sobre a massacrante presença ocidental no Oriente Médio.

Não pertencendo à grande imprensa, mas também contundente, indico o site counterpunch.org. Os responsáveis pela página são Alexander Cockburn e Jeffrey St. Clair. Para que você tenha uma ideia do que é a página, hoje pode-se ler um artigo escrito por Fidel Castro (sim, aquele mesmo, lá de Cuba). O título do artigo de Fidel é “A Otan planeja ocupar a Líbia?”.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ENTREVISTA COM CRISTOVÃO TEZZA

Enviei meu primeiro e-mail para Cristovão Tezza no dia oito de fevereiro; era uma e doze da madrugada. Acostumado a não receber resposta de intelectuais, escritores e editores, tive a grata surpresa de ler a resposta de Tezza logo pela manhã, quando abri a caixa de entrada. Segundo o registro em meu programa de e-mails, a resposta dele foi enviada às nove e onze da manhã.

Solícito e extremamente gentil, o escritor se prontificou a conceder uma entrevista para meu blogue. Relutei em pedi-la, ciente de que ele, escritor de renome, tem inúmeros compromissos.

Depois do primeiro contato, enviei as perguntas, deixando-o à vontade para ignorar uma ou outra (todas as perguntas que enviei foram respondidas). Atencioso, ele confirmou o recebimento do e-mail e disse que enviaria as respostas.

Publicamente, agradeço demais a Cristovão Tezza pela gentileza e pela atenção que dele recebi.
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Cristovão Tezza é autor de peças teatrais, ensaios, livros didáticos, contos, crônicas e romances.

Homem das letras, já foi professor nas federais de Santa Catarina e do Paraná. Atualmente, não mais leciona; deixou as aulas e se dedica à literatura.

Em 2007, Tezza lançou “O filho eterno”. No livro, logo nas primeiras páginas, o narrador-pai recebe a notícia de que seu filho nascera com síndrome de Down.

O tom da narrativa é sóbrio, verdadeiro. Uma verdade que cutuca: tem-se um narrador corajoso, que confessa ora sua empáfia, ora sua inicial incapacidade de conviver com o filho (o pai-narrador chega a pensar no “alento” de que as crianças com Down podem morrer cedo).

Enquanto narra o aprendizado pelo qual vai passando ao lado do filho, paralelamente vamos recebendo notícias da juventude, das viagens, dos episódios e das tentativas de publicação do narrador. O fim do livro, sóbrio e comedido, não deixa de ser tocante.

Para conferir o site do escritor, clique aqui. Abaixo, a entrevista.
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Liviano: O que “O filho eterno” é em maior grau: ficção ou confissão?

Cristovão Tezza: Certamente ficção. A confissão, quando não mediada pela ficção, tem grande chance de se tornar má literatura. “O filho eterno” é um romance, uma ficção, que entretanto usa muitos ingredientes biográficos.

Liviano: Você está, pelo menos em parte, no narrador de “O filho eterno”. Em suas entrevistas, você se mostra bem-humorado, risonho. Já o narrador de “O filho eterno” é sério, circunspecto. Foi só a temática do livro que levou ao tom que se lê no livro?

Tezza: O narrador, para mim, é sempre uma espécie de personagem. O olhar que vê, descreve e organiza os fatos em um romance nunca pode se confundir com o olhar do autor ele-mesmo. Isto é, o narrador de “O filho eterno” não é o Cristovão. Pessoalmente, sempre fui uma pessoa bem-humorada. Acho que não há muito mérito nisso, porque já descobriram que essa qualidade (digamos assim…) é determinada em parte pela genética. Mas, ao escrever, não sou eu que importa, mas o narrador – que, como eu disse, é também um “personagem”.

Liviano: O Felipe ainda assiste aos jogos do Atlético Paranaense?

Tezza: Sim, continuamos dois fanáticos (no bom sentido!) torcedores do Atlético. Hoje mesmo, 13 de fevereiro, tem jogo daqui a pouco, do campeonato paranaense. Esse ano não começamos bem, mas o time está melhorando muito e acho que vamos incomodar no Brasileirão.

Liviano: Em recente entrevista para o Provocações, da TV Cultura, você disse que num mundo pós-internet a literatura funcionaria justamente como uma espécie de contraponto a esse mundo cheio de imagens, sons e... fúria. Você defende, na entrevista, uma literatura que seja “pura linguagem verbal”. Você acredita ter atingido essa “pura linguagem verbal” em “O filho eterno”?

Tezza: O que eu quis dizer é que a literatura, para sobreviver como tal nos novos tempos, não pode abdicar de seu “texto”, digamos assim. Concentrar todas as suas forças no poder da linguagem verbal, sem se entregar ao canto de sereia da fragmentação imagética, dos recursos visuais, da suposta “morte do autor”. Para mim a literatura é afirmação da voz individual, um contradiscurso do indivíduo. Por enquanto é mais uma intuição que eu tenho sobre esse tema do que uma “tese” – mas eu quero pensar ainda sistematicamente sobre isso. De qualquer modo, a expressão “pura linguagem verbal” é uma qualidade intrínseca do que imagino deva ser a literatura, não um índice de valor.

Liviano: Que escritor ou escritores você sempre tem relido desde quando passou a conviver com a literatura? E por quê?

Tezza: Há dois dias respondi a uma enquete da folha.com sobre livros que me marcaram. Para não me repetir, vai o link:
http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/. Sobre releituras: na verdade, são raras – tem tanta coisa que eu ainda não li, que prefiro avançar no que desconheço. Mas sinto que logo vou dar uma freada para reler alguns livros que me marcaram.

Liviano: Você é ex-professor de universidade federal. Que tipo de texto lhe dá mais prazer em produzir – o texto de ficção ou o texto acadêmico?

Tezza: O texto de ficção, mil vezes. Embora seja também mil vezes mais difícil. Um texto acadêmico anda meio que sozinho, se você tem uma ideia, os pressupostos e as referências. Já há uma linguagem prévia consolidada, uma “língua” acadêmica que você domina. Na ficção, você sai mais ou menos do zero, da página em branco, da viagem solitária por conta própria.

Liviano: Você está escrevendo ficção atualmente? Caso sim, conto ou romance?

Tezza: Estou quase na reta final de um livro de contos.

Liviano: É muito comum grandes escritores dizerem que seu livro mais conhecido não é o livro de que mais gostam. “O filho eterno” é seu livro mais conhecido e o que mais prêmios recebeu. É sua obra de que você mais gosta? Por quê? (Ou por que não?)

Tezza: Tenho grande dificuldade para responder a essa pergunta, sempre que me fazem. Não querendo fazer média, gosto igualmente de todos os meus livros – cada um deles correspondeu a um tempo da minha vida e deu forma ao que me inquietava. Uns fazem mais sucesso, outros menos. Lembro, por exemplo, de “Breve espaço entre cor e sombra” (Rocco, 1998), que amei escrever, que foi bem recebido pela crítica, e que quase ninguém leu. A resposta do público é imponderável. Eu jamais sonhava que “O filho eterno” teria essa repercussão, tanto de crítica quanto de público.

Liviano: Pergunta prosaica: você escreve primeiramente à mão ou já vai produzindo o texto no computador?

Tezza: Escrevi todos os meus livros à mão, até “O fotógrafo” (que saiu em 2004, pela Rocco – agora em março sai uma nova edição, revista e definitiva, pela editora Record). “O filho eterno” foi escrito no computador, mas porque eu não planejava escrever um romance, e sim um ensaio (sempre escrevi textos críticos, didáticos ou teóricos no computador). Quando me decidi pela forma do romance, já estava acostumado com a ideia de escrever no computador, mesmo sendo ficção. E não voltei mais. Agora já me adaptei.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CAIU NA REDE (51)

A edição 51 do Caiu na Rede está no ar, pessoas. Basta dar "play" e escutar.

Valeu.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

FUTEBOL (12)

A seleção brasileira perdeu para a França a Copa de 98. A seleção brasileira foi desclassificada pela França da Copa de 2006. Hoje, a seleção brasileira perdeu mais uma para a França. Da França, a seleção brasileira não ganha desde 1992. O Brasil se tornou freguês.

Mano Menezes, nos primeiros amistosos que disputou como técnico do Brasil, enfrentou times menores. Jogando contra grandes, perdeu – para a Argentina e para a... França. Vêm aí amistosos contra a Holanda e contra a Alemanha.

CONTO 41

Guilherme acreditava: se a mulher fuma, não é mais virgem, ainda que bastante jovem. Mesmo sabedor de que sua idiossincrasia carece de qualquer mínima coerência científica, é inevitável: sempre que vê uma mulher fumando, ele logo pensa que ela já vivenciou o sexo – o  que ele supôs ao ver Carol, num bar, tragando. Ela a observou; achou-a linda. Olharam-se, paqueraram-se, conversaram por horas. Já pela manhã, Guilherme levou o maior susto, ao ver a mancha vermelha no lençol.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

CAIU NA REDE (50)

Pessoas, a edição 50 do Caiu na Rede está no ar. Abaixo, o conto “A trama”, que leio na abertura do programa. O autor é Jorge Luis Borges.
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          "Para que seu horror seja perfeito, César, acossado ao pé de uma estátua pelos impacientes punhais de seus amigos, descobre entre os rostos e os aços o de Marco Júnio Bruto, seu protegido, talvez seu filho, e já não se defende, exclamando: “Até tu, meu filho!”. Shakespeare e Quevedo recolhem o patético grito.
          "Ao destino agradam as repetições, as variantes, as simetrias; dezenove séculos depois, no sul da província de Buenos Aires, um gaúcho é agredido por outros gaúchos e, ao cair, reconhece um afilhado seu e lhe diz com mansa reprovação e lenta surpresa (estas palavras devem ser ouvidas, não lidas): 'Pero, che!'. Mantam-no e ele não sabe que morre para que se repita uma cena".

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

FUTEBOL (11)

Não assisti ao primeiro jogo entre Corinthians e Tolima. Acompanhei depois os comentários dos meios de comunicação, que ressaltavam o tempo todo que o Corinthians é um time melhor do que a equipe colombiana.

Roberto Carlos, do Corinthians (que não jogou a partida disputada há pouco na Colômbia), dissera em entrevista que sentia medo por enfrentar o Tolima. O jogador disse ainda que se fosse disputar um clássico paulista, estaria tranquilo.

Assisti na íntegra à partida entre Tolima e Corinthians, disputada em Ibagué. Terminado o jogo, não presenciei a divulgada superioridade do time de São Paulo. O Corinthians esteve melhor num período do segundo tempo – mas somente até o momento em que o jogador Ramírez foi expulso, após toleima dele.

Não fosse a má pontaria dos jogadores do Tolima, principalmente no primeiro tempo, o placar poderia ter sido dilatado. Um derrotado Corinthians volta para casa; disputará a Libertadores a equipe da Colômbia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

APONTAMENTO 101

A memória, quando revestida de sentimento, recebe o nome de saudade.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

APONTAMENTO 100

O problema não é a loucura. O problema é que não a exercem discretamente.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CAIU NA REDE (48)

Pessoas, a edição 48 do Caiu na Rede está no ar.

Valeu.

AGRADECIMENTO

Muito obrigado ao Rusimário e ao Ismael, que conseguiram para mim a canção que mencionei na postagem anterior.

Valeu, pessoas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PEDIDO MUSICAL

Pessoas, há tempos e anos procuro por uma canção interpretada pelo Johnny Mathis – “Ain’t no woman like the one I’ve got”.

Ela chegou a fazer parte de uma série de LPs chamada “Charme Especial”. Tenho várias canções da série, que é de fim da década de 80 e começo da de 90, mas não tenho a que o Johnny Mathis canta.

Caso alguém por aí a tenha, gentileza entrar em contato.

(Tenho a versão dela com a banda The Four Tops.)

Valeu.

APONTAMENTO 99

Swimming in your ocean” (Nadando em seu oceano), do Crash Test Dummies, não é somente uma belíssima canção. O  título é uma metáfora, imagem aberta a inúmeras paráfrases; metáfora poderosa, sugestiva, com uma letra feita de deliciosa malícia. Embarquemos.

domingo, 23 de janeiro de 2011

CONTO 40

Na opinião do extremamente tímido e retraído Tiago, a maior vantagem de morar sozinho é poder andar nu pela casa a qualquer hora. De repente, deu-se conta de que mesmo quando Naiara estava na casa dele Tiago se sentia totalmente à vontade para sair andando nu pela casa. Convidou-a então para morar com ele.

sábado, 22 de janeiro de 2011

"MÚSICA DE BRINQUEDO"

Não deixe de escutar o delicioso “Música de brinquedo”, do Pato Fu. No CD, clássicos da música pop são regravados com instrumentos de brinquedo e outras “tranqueiras” – para me valer de uma palavra que a própria banda usa para se referir aos “instrumentos” que foram descolando para a gravação.

O repertório não é de canções infantis, mas os arranjos e a participação de crianças no vocal conferem um saboroso, divertido, espontâneo e lúdico tom ao CD, que tem doze regravações. É show de bola escutar canções como “Frevo mulher” contendo instrumentos infantis no arranjo.

Sobre as participações das crianças no vocal, o “release” divulgado no site da banda diz: “Por último, o elemento surpresa: a participação das crianças cantando. Bem, nunca se sabe o que uma criança vai fazer. Às vezes ela não faz o que você quer. E às vezes o que ela faz é muito melhor do que o que você queria. Não queríamos aquela sonoridade ‘coral de crianças’, e sim pequenas participações, marcantes e carregadas da inocência e desafinação pura de espírito que só as crianças conseguem. Acho que conseguimos, e foi um aprendizado e tanto”.

Aqui e ali, nos vocais, as crianças realizam intervenções. A que há na introdução de “Sonífera ilha” é um barato. No site da banda, há vídeos mostrando a feitura do trabalho.

É curioso escutar crianças cantando letras cujas temáticas são sérias. A gente acaba achando uma saudável e terna graça de algo que, a rigor, não foi criado para divertir.

Penso ser a glória para o artista saber brincar com o dom que ele tem, divertindo-se, divertindo-nos. 

“Música de brinquedo” é um ótimo presente para as crianças. E os adultos vão adorar.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

NOVA EDIÇÃO DO CAIU NA REDE

Pessoas, a edição 47 do Caiu na Rede está no ar.

Valeu.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CAIU NA REDE (46)

Pessoas, está no ar a edição 46 do Caiu na Rede.

Espero que vocês gostem.

Valeu.

GENTE COMO A GENTE

Erich Auerbach, crítico literário, propôs em seu “Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental”, a ideia da criaturalidade corpórea para se referir a um procedimento shakespeariano. Essa ideia é simples: se por um lado Shakespeare seguia a tradição da tragédia clássica, por outro, talvez influenciado pela “farra” que era o teatro medieval, o dramaturgo fazia com que seus heróis trágicos passassem por situações vexatórias, engraçadas. Esses momentos fazem com que o herói trágico saia de seu “pedestal” e se torne um qualquer. A diferenciação entre o cômico e o sublime é banida.

Quando leio Tom Wolfe, lembro-me do conceito de Auerbach. Em tempo e local diferentes dos de Shakespeare, Wolfe humaniza ou ridiculariza a figura de quem se dá muita importância. O autor americano insere seus personagens em situações igualmente vexatórias. Em “A fogueira das vaidades”, por exemplo, o personagem ridicularizado ou humanizado é Sherman McCoy, financista da famigerada Wall Street.

McCoy se intitula “o Senhor do Universo”: não tem ainda quarenta anos, mora na cobiçada Avenida Parque, desfila de Mercedes com a amante e consegue ganhar alguns milhões de dólares com um “simples” telefonema. Mas já nas primeiras cenas em que aparece, McCoy é mostrado tão patético quanto todos nós.

APONTAMENTO 98

É preciso conhecer para amar, mesmo diante da impossibilidade de a gente conhecer totalmente uma pessoa.

Também é assim na literatura. Gosta-se de um personagem quando se conhece aquele personagem (ou pelo menos uma faceta significativa dele), quando se tem a impressão de que se convive ou de que se conviveu com ele, ainda que num texto curto. Uma das razões do sucesso de Hamlet como personagem está no fato de que o conhecemos muito bem.

Criar personagens não é fácil. É que conhecer é difícil; dar-se a conhecer é difícil. Obviamente, esse não é o único quesito para se criar uma boa história, um bom livro, mas desconheço histórias boas sem personagens bons.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

PUBLICAÇÕES NO PATOS HOJE

Pessoas, estou com uma coluna no Patos Hoje, site local. Para conferir, gentileza acessar http://www.patoshoje.com.br/blog. O nome da coluna é Secos & Molhados.

Valeu.

domingo, 9 de janeiro de 2011

CAIU NA REDE (45)

Pessoas, a edição 45 do Caiu na Rede está no ar.

Valeu.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

SOBRE O TEMPO

Entre beijos cálidos
e afagos promissores,
tu me dizes que posso ir embora,
pois tenho de acordar cedo.
Mas sabes que não vou,
pois a pele eriçada mede
mais sabiamente o tempo
do que o lisinho relógio.

domingo, 19 de dezembro de 2010

NASI EM PATOS DE MINAS

Ontem (18/12), conferi mais um show de Nasi aqui em Patos de Minas. Em maio do ano passado ele veio trazendo convidados – Marcelo Bonfá e George Israel. Ontem, ele se apresentou com sua banda.

O som estava meio embolado, de modo que em canções inéditas e desconhecidas não era possível escutar com precisão a letra. Mas quando se tratava de algum clássico do pop/rock nacional, esse contratempo sumia.

Além do mais, Nasi é roqueiro. Com isso, quero dizer que o show tem muita “pegada”, tanto de Nasi quanto do restante da banda. O rock é também energia e atitude, e isso não falta para Nasi e banda, que fizeram uma hora e meia de um show pleno de vigor e recheado de clássicos do rock brasileiro, além de composições próprias do ex-vocalista do Ira!.

Em maio do ano passado, escrevi que a plateia foi fria. No show de ontem, nem tanto, talvez pelo fato de que o espaço era menor, mais aconchegante. A impressão foi a de que havia mais fãs do Ira!, de Nasi e do rock nacional como um todo do que na apresentação do ano passado.

Uma banda competente, um artista que tem o rock na veia. No repertório, Legião, Cazuza, Raul Seixas, Ira!... e composições da carreira solo de Nasi, que tem um site. Para acessá-lo, clique aqui.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

FUTEBOL (10)

Eu deveria ter comentado na postagem anterior, mas acabei me esquecendo: os times africanos (incluo as seleções) jogam futebol como se estivessem se divertindo, como se o jogo não valesse grande coisa, como se tradição e milhões assistindo e outros milhões em patrocínio e maracutaias não fossem tão grandes coisas assim (e, de fato, não são). Parecem não dar a menor bola para todo o teatro que é armado. Jogam como se estivessem disputando uma partida entre amigos num surrado campo de uma desconhecida cidade qualquer.

Esse espírito com que os africanos disputam um torneio é sensacional. Há uma certa irresponsabilidade, por assim dizer; há uma certa inconsequência. Parecem jogar com alegria. É divertido vê-los jogar. Há neles um espírito moleque que deveria haver no futebol. Se o continente africano passar a conquistar títulos mundiais, os negócios vão destruir o bonito espírito que o futebol deles ainda tem. Enquanto isso não ocorre, vamos curtir.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

FUTEBOL (9)


Não sei nada sobre o regulamento do mundial de clubes, que está sendo realizado nos Emirados Árabes. Contudo, há meses, tenho escutado notícias e debates sobre uma final entre o Inter do Brasil e o Inter da Itália.

Eu não sabia da existência do Mazembe, que é um tipo do Congo, na África. Acompanhei o jogo pela TV, cujos comentaristas usaram a palavra “vexame” para se referir à atuação do Inter. Agora, num portal de internet, há a manchete: “Inter dá vexame, perde para Mazembe e vê ruir o sonho do bi”. Um outro comentarista, mais hiperbólico, asseverou, na TV, que a derrota do Inter é uma das maiores zebras do futebol mundial.

É verdade que o Inter não jogou tudo o que sabe. Contudo, o time africano não jogou mal. Sei que os comentaristas alegam tradição, peso da camisa e afins, mas em campo não houve diferença gritante entre os times. Levando-se em conta o que imprensa e meios de comunicação disseram, fica-se com a impressão de que o Mazembe poderia ser derrotado por qualquer time de qualquer empresa numa pelada de confraternização de fim de ano.

Teriam os jogadores do Inter, no fundo, entrado em campo pensando que a partida já estava ganha?... Enquanto eu digitava este texto, uma repórter entrevistava um jogador do Inter. No fim, ela usou a palavra “surpresa”, referindo-se ao resultado do jogo. Contudo, se considerarmos apenas o jogo de hoje, não houve vexame do Inter, mas, sim, competência do Mazembe.

A lição é velha, mas não é aprendida: a tradição e o peso da camisa não ganham uma partida. Às vezes, nem a superioridade dos jogadores de um time garante a eles a vitória. Análises técnicas e táticas podem dar conta de uma parte da resposta, mas não explicam tudo.

O Inter do Brasil volta a jogar no sábado. O Inter da Itália joga amanhã. Se perder, disputa contra o Inter do Brasil o terceiro lugar do torneio. Caso isso ocorra, terá a imprensa, de certo modo, “previsto” um confronto entre os dois times.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

WIKILEAKS

De um jeito ou de outro, querem pegar Julian Assange, que vem publicando no site WikiLeaks documentos que desnudam os bastidores da diplomacia americana. O governo dos EUA ainda não chegou a quem forneceu os documentos para Assange.

Por ora, ele está preso não pelo que tem divulgado, mas por um suposto caso de estupro, que teria ocorrido na Suécia.

Ataques e retaliações cibernéticas têm ocorrido. Um grupo de internautas apoiador de Assange e que se intitula Anônimo tem sobrecarregado as páginas do MasterCard e do Visa, que estão impedindo  transações financeiras do criador do WikiLeaks.

Os gigantes Amazon e PayPal também foram atacados. Em contrapartida, Twitter e Facebook deletaram as contas do Operation Payback, outro grupo de ativistas apoiador do WikiLeaks, cujo porta-voz nega ter conexão com os chamados “hacktivists” [amálgama de hackers e ativistas], embora ressalte que tais ataques são reflexo da opinião pública.

Imagine se o que você realmente pensa sobre as pessoas com as quais convive viesse à tona. Isso poderia causar, por exemplo, sua demissão ou um desentendimento grave com sua esposa... Assange mostrou que no macrouniverso da diplomacia valem as mesmas leis que regem o microuniverso das relações interpessoais: é preciso muito cuidado com o que se fala e para quem se fala; é preciso muito cuidado com o que se escreve e para quem se escreve.

Lula criticou a prisão de Assange; o presidente ainda afirmou: "A [presidente eleita] Dilma [Rousseff] tem que saber e falar para os seus ministros que, se não tiver o que escrever, não escreva bobagem, passe em branco a mensagem", disse o presidente. Munida agora de malícia, por um bom tempo a diplomacia mundial vai preferir silenciar a continuar exercendo a confiança no sigilo alheio.

Em meio a ataques e retaliações, nem sempre consigo acessar a página do WikiLeaks (mais cedo, consegui; agora, não). Ainda que a página não volte a estar livre para acesso, penso que Assange deve ter cópia de segurança dos arquivos que colocou à disposição. Tomara.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CAIU NA REDE (44)

Pessoas, a edição 44 do Caiu na Rede está no ar.

Espero que gostem.

domingo, 5 de dezembro de 2010

FUTEBOL (8)

Quando me lembro do Fluminense campeão em 84, eu me lembro de Assis e Washington. Daqui a décadas, se eu estiver por aqui para me lembrar do Fluminense de 2010, vou me lembrar de Conca, que para mim é o craque do campeonato brasileiro.

Um combalido porém disciplinado Guarani não conseguiu segurar um nervoso e pouco inspirado Fluminense. Apesar de a partida ter sido chata, o Fluminense realizou um jogo menos ruim do que o do Guarani.

No ano passado, após uma arrancada na reta final, o Fluminense se livrou do rebaixamento; agora, consegue ser o campeão de 2010.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"O PRÍNCIPE"


Li recentemente “O príncipe”, de Maquiavel (edição da Martin Claret; tradução de Pietro Nassetti). O livro foi publicado em 1532, cinco anos após a morte do autor. É um manual de como deve agir o príncipe-governante ao lidar com os governados.

Não bastasse o texto em si, a edição contém textos de Marcílio Marques Moreira e José Nivaldo Junior. Complementando o trabalho, as notas de pé de página têm comentários e apontamentos de Napoleão Bonaparte sobre (principalmente) si mesmo e sobre o livro de Maquiavel.

As notas de Napoleão acabam gerando um curioso humor involuntário, tamanhas sua empáfia e megalomania. É claro que se deve considerar a subjetividade dessa opinião, pois, obviamente, não era intenção de Bonaparte fazer rir.

Como exemplo, num trecho, Maquiavel escreveu: “Os príncipes adquirem grandeza quando conseguem superar oposição e dificuldades que enfrentam”. Para essa frase, o apontamento de Napoleão foi o seguinte: “Poderá alguém superá-las melhor do que eu?”.

Num outro trecho, Maquiavel escreve sobre o rei Ferdinando: “Se examinarmos seus atos, veremos que foram todos grandes, e alguns mesmo extraordinários. O comentário de Napoleão: “Não mais que os meus”.

Napoleão ora aprova, ora reprova Maquiavel. Contudo, o que o francês mais faz é glorificar a si mesmo.

Para que se saiba um pouco mais sobre Napoleão, pelos comentários de Marcílio Marques Moreira e José Nivaldo Junior e óbvia e logicamente pelo magistral texto de Maquivel, leitura que não pode deixar de ser feita.

FOTOPOEMA 180

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A ONDA

Meu pai ficava vendo filmes madrugada adentro. Para descontentamento de minha mãe, ele permitia que eu também ficasse. A alegação dela era a de que eu teria aula pela manhã (no que ela estava certa). Mas meu pai falava: “Deixa o menino ver o filme, sá”.

Foi assim que tomei gosto por filmes. Foi assim que numa certa noite conferi “A onda” (The wave), dirigido por Alexander Grasshoff. Trata-se de uma produção feita para a TV americana em 1981. O filme é baseado num ensaio (The third wave – “A terceira onda”) escrito por Ron Jones, o professor retratado no filme, que se baseia em fato real.

Numa aula de história, sem conseguir explicar como podem os alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, ter alegado não saber sobre o extermínio de judeus, Rones, em vez de procurar por uma resposta “típica”, decide fazer uma experiência e cria um movimento chamado “A terceira onda”. Para começar, o professor lança ideia cujo lema inicial é “força por intermédio da disciplina”.

Em sua experiência, Jones vai implantando um movimento radical e perigoso. De modo rápido, praticamente toda a escola de ensino médio se torna adepta, sem que os alunos soubessem com clareza do que se tratava a iniciativa. Rapidamente, ideias nos moldes nazistas vão sendo implantadas.

Há um filme que é uma versão alemã do ocorrido. Na produção germânica, intitulada também “A onda” (Die Welle, 2008), e dirigida por Dennis Gansel, o fim é bastante trágico. Para quem se interessar, a história em que as produções americana e a alemã se baseiam ocorreu em 1967, na Cubberley High School, em Palo Alto, na California.

Em ambas as adaptações, a história narrada vai de segunda a sexta-feira. O que me causou estranheza foi a rapidez com que os estudantes aderiram à ideologia implantada por Jones. Se num momento se mostraram intrigados com a adesão dos alemães ao nazismo, no outro, já estavam reproduzindo condutas igualmente radicais.

As pessoas se deixam levar facilmente. São fáceis de serem enganadas. Investir na tolice e na credulidade é um negócio lucrativo. Ademais, a racionalidade nunca foi imperativo das turbas. Contudo, mesmo ciente disso, fiquei me perguntando se a história real em que os filmes se basearam ocorrera mesmo em apenas uma semana. Minha pergunta enquanto eu assistia aos filmes era: “Como esses alunos compraram essa ideia tão rápido?”.

À medida que a semana vai passando e a onda vai tomando conta da escola, clima um tanto sinistro vai tomando corpo. Segundo li, o professor Ron Jones afirma que de fato tudo ocorreu em cinco dias. À parte isso, o filme aborda a delicada questão de como as pessoas se deixam levar tão facilmente, de como são conduzidas e seduzidas sem refletirem sobre o caminho que estão tomando.

Já estou à procura do ensaio “The third wave”, bem como à procura do documentário “Lesson plan”, dirigido por Philip Neel. Ele foi um dos alunos que integraram o movimento. No documentário, Neel realiza entrevistas com colegas seus que também aderiram e com o professor Jones. Caso eu consiga os materiais, comento por aqui.

domingo, 21 de novembro de 2010

FUTEBOL (7)

Montillo teve um começo estrondoso pelo Cruzeiro. Contudo, de algumas rodadas para cá não tem alcançado o êxito inicial. Poder-se-ia argumentar que os três gols do Cruzeiro marcados na partida que terminou há pouco tiveram origem em escanteios batidos pelo argentino. Mas os gols se deveram muito mais a falhas da defesa vascaína do que a méritos do ataque cruzeirense.

Outro argentino que tem se destacado no campeonato é Conca, do Fluminense. No torneio desde o início (não é o caso de Montillo), Conca não somente mantém a regularidade, mas também realiza passes precisos e chutes fatais. Deve ser eleito o craque da competição.

Na partida contra o Vasco, o Cruzeiro teve um primeiro tempo avassalador – poderia ter feito pelo menos mais dois gols. No finzinho da primeira etapa, o Vasco marcou. No segundo tempo, a partida perdeu em dinamismo, embora o Vasco tenha jogado melhor do que o que fez no primeiro tempo.

Se na semana passada o Corinthians era o líder, após a rodada de hoje o Fluminense reassume a primeira colocação, com 65 pontos. O Corinthians tem 64; já o Cruzeiro, 63.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MOTIVOS FLORIDOS

O Secos & Molhados pergunta: “Que fim levaram todas as flores”?

O Inner Circle pergunta: “What have happened to my garden of black roses”?

O Titãs afirma: “As flores de plástico não morrem”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

APONTAMENTO 97

Algumas pessoas morrem antes de suas ilusões.

domingo, 7 de novembro de 2010

FUTEBOL (6)

Um voluntarioso Vasco, que chegou a acertar uma bola na trave aos trinta e sete minutos do segundo tempo, não conseguiu superar o Fluminense, que fizera um gol aos quatro minutos do primeiro tempo. Com o resultado, o Fluminense segue na liderança do campeonato. Corinthians e Cruzeiro vêm a seguir.
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Ontem, muito se falou no abraço entre Neymar e Dorival Jr., no jogo entre o Atlético/MG e o Santos, realizado em Sete Lagoas/MG. Imprensa e meios de comunicação elogiaram a atitude de Neymar e Dorival. Tomara que o ato tenha sido mesmo espontâneo e sem ressentimentos de ambas as partes, e não apenas um teatrinho para as câmeras de um deles ou dos dois.
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Sempre que é divulgado o público lá no Engenhão, comenta-se que mais gente era esperada. Hoje, no jogo do Fluminense contra o Vasco, vinte e dois mil torcedores estiveram por lá. Novamente, foi mencionado que havia a expectativa de um público maior. Curiosamente, esses mesmos comentaristas dizem que o acesso ao estádio é complicado, por ele ficar longe (penso que ele deve ficar afastado de tudo). Já que vivem repetindo que ir até o estádio é tarefa hercúlea, deveriam aproveitar e repetir que houve superfaturamento na construção da obra. E tomara que cada vez mais e mais torcedores deixem de ir até lá.

sábado, 6 de novembro de 2010

APONTAMENTO 96

Quando a fé se volta contra o próximo, pode produzir catástrofes. Quando se volta para a arte, pode produzir obras-primas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

FUTEBOL (5)

Fica-se com a impressão de que neste ano vai ocorrer novamente com o Cruzeiro o que tem ocorrido com o time de alguns anos para cá: a equipe faz um bom campeonato e está sempre os primeiros, geralmente conseguindo vaga para a Libertadores, mas não consegue ganhar o título, perdendo fôlego nas rodadas finais.

Há pouco, em jogo realizado no Parque do Sabiá, em Uberlândia/MG, não foi diferente. A equipe mineira perdeu para o São Paulo – 2 a 0 –, num jogo em que o tricolor foi mais incisivo nos ataques desde o primeiro tempo. Rogério Ceni, numa penalidade que não ocorrera mas foi inventada pelo juiz, bateu o pênalti e fez o segundo gol (o primeiro foi de Lucas).

O Cruzeiro tem 57 pontos e está em terceiro lugar. Fluminense, com 58, é o líder. Corinthians, também com 57, está em segundo lugar. Já a outra equipe mineira, o Atlético, empatou hoje com o Gurani em 0 a 0. Com o resultado, o Galo está na décima sétima posição, na zona de rebaixamento.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ELEIÇÕES 2010

Apesar dos poderosos Globo e Veja, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil. Com a eleição, Lula confirma sua força: seus índices de popularidade continuam altos e ele consegue eleger sua candidata. Como se não bastasse, é a primeira vez no Brasil que um presidente eleito pelo voto popular faz seu sucessor.

Em seu primeiro discurso após a confirmação de sua vitória, Dilma Rousseff disse que é desejo dela estender a mão para opositores políticos. Serra, em contrapartida, durante breve pronunciamento que fez após estar ciente do resultado da eleição, não abandonou o tom belicista da campanha.

O candidato do PSDB disse que não estava dando um adeus, mas um até-logo. Ainda não se sabe com certeza se com isso Serra queria dizer que é desejo seu disputar a presidência novamente. Mas ainda que seja, Aécio Neves já é apontado como forte candidato do partido nas próximas eleições para presidente.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (65)

Foto tirada às margens da Lagoa Grande, que fica em frente à rodoviária local, aqui em Patos de Minas. O lugar frequentemente aparece como cartão postal da cidade.

A imagem não tem nenhuma originalidade, mas, não importa se paradas ou correntes, águas sempre são motivos sugestivos para a fotografia.

Tirei a foto às 18h15 do dia 28 de agosto deste ano. Várias pessoas estavam no local. Umas faziam caminhada; outras, ginástica; já outras passeavam com crianças, alimentando os peixes. Nesse cenário, em busca do que fotografar, eu me deparei com o reflexo das árvores.
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Ficha técnica

1/250
F/5
ISO 80
Câmera: Canon Powershot SX10 IS

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

APONTAMENTO 95

Não há respostas definitivas, mas há uma série de perguntas permanentes.

BLEFE (4)

Olfadonho: aquilo que é cansativo para o olfato.

domingo, 3 de outubro de 2010

SOM NA CAIXA


Foto tirada na noite que passou em bar local. Da esquerda para a direita, Moisés Carvalho, eu e Eduardo Ribeiro.

Os dois estavam se apresentando. Num determinado momento do show, dei uma canja, acompanhando-os ao cajón. Ao Moisés e ao Eduardo, meu obrigado.

sábado, 2 de outubro de 2010

CAIU NA REDE (43)

Pessoas, a edição 43 do Caiu na Rede está no ar.

Durante a canção “Listen to the music”, toco bongô.

Valeu.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DAS ESCOLHAS

Ulisses, não pedi
que me amarrassem...
Mas ainda nem sei
se quero voltar
para Ítaca...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

BLEFE (3)

O sentido mais apurado de Proust era o olfato.

domingo, 26 de setembro de 2010

BLEFE (2)

Recentemente, um comercial de cerveja “ressuscitou” Beto Barbosa, que fez sucesso nos tempos da lambada. Ele é o autor da contundente “Meu nome é liberdade”. A canção tornar-se-ia hino de revolucionários da América Latina.

sábado, 25 de setembro de 2010

FUTEBOL (4)

Há pouco, o Santos ganhou do Cruzeiro por 4 a 1. Três gols do Santos foram marcados quando o time santista jogava com um a menos.

Digno de registro o terceiro gol do Santos, marcado por Alex Sandro, que após dar o drible da vaca em Edcarlos, viu que Fábio estava adiantado e chutou, encobrindo o goleiro.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

FUTEBOL (3)

O problema maior do Atlético/MG não é nem não ganhar há muito tempo um título que seja mais expressivo do que o campeonato mineiro – é passar aperto no brasileiro.

Em 2005, quando o time foi rebaixado, depois de um empate em 0 a 0 com o Vasco, no Mineirão, a torcida cantou o hino do clube.

Os torcedores do Atlético/MG não farão algo em que pensei, mas seria curioso se houvesse por parte da torcida uma espécie de boicote. Nada de protestos bobos e violentos, mas um silencioso e distante boicote. A torcida alvinegra de BH merece um time à altura dela.

Quanto ao Cruzeiro, depois da goleada que o Fluminense, segundo colocado, aplicou há pouco sobre o Galo, está na terceira colocação, com 44 pontos. O Botafogo, quarto colocado, tem 39.

Em tempo: Luxemburgo, concedendo entrevista enquanto digito estas palavras, anuncia que não é mais técnico do Atlético/MG. Foi demitido.

REGINA

Ela cantava
sem medo de
ser Elis.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

BLEFE (1)

Maquiavel é o autor do clássico “O pequeno príncipe”. É dessa obra a famosa máxima “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que ativas”.

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (64)


Estou ministrando um curso de fotografia. Ontem, como dever de casa, pedi aos alunos que tirassem fotos valendo-se do uso de diferentes tempos de exposição. O tempo de exposição é a “duração” da foto; é o tempo que a luz tem para chegar até o sensor do equipamento. Pode ser conferido nos monitores das câmeras em números como 1/30, 1/60 etc.

Gosto de exposições longas, de fotos que “duram” um pouco mais. É o caso de fotos noturnas, por exemplo. É comum apertarmos o obturador para tirar a foto e ele somente voltar à sua posição inicial 10 ou 15 segundos depois. Exposições bem mais longas podem ser usadas. Uma foto pode “durar” 4 horas – das 21h à 1h, digamos.

Nesse caso, o equipamento estaria devidamente instalado sobre tripé. O flash poderia ser disparado para iluminar uma árvore seca. Ao fundo, além do negro de céu, a foto captaria o iluminado movimento das estrelas. É que nas 4 horas em que a câmera tirava a foto, as estrelas se moveram. Esse movimento ficaria registrado na câmera como belos fachos.

Acima, foto com 1,3 segundo de “duração” (em fotografia isso é considerado muito tempo). Foi tirada no dia 29 de abril de 2006, às 14h55, no Mocambo, que é um parque local. Hoje, o lugar está sem cuidados, abandonado e um tanto perigoso, mas já foi um grande ponto para quem gosta de fotografar aves e pássaros.

Eu me vali da exposição de 1,3 segundo para conseguir o que chamam em fotografia de efeito véu de noiva, que é a “textura” da água na imagem. Para consegui-lo, coloque sua câmera num tripé, use longa exposição e capriche na foto da “noiva”.

FUTEBOL (2)

Obviamente, não tenho acesso aos bastidores do imbróglio Dorival Jr. versus Neymar. É que a verdadeira história está nos bastidores; o conhecimento da engrenagem pode fazer com que encaremos uma questão diferentemente.

À distância, a decisão do Santos é clara, embora eu discorde dela: do ponto de vista financeiro, mercadológico ou algo que o valha, manter Neymar foi a decisão que tomaram. Isso pode ser bom para o Santos, mas, a longo prazo, não para Neymar.

Permitam-me uma utopia: num mundo ideal, Neymar anunciaria que não vai jogar o clássico contra o Corínthians, logo mais, às 22h. Mas bem sabemos que isso nem passaria pela cabeça do jogador. Ele pode até não jogar, mas não por decisão própria.

Enquanto escrevo esta nota, não sei que justificativa dará a diretoria do Santos para a demissão de Dorival, se é que dará alguma. Se a cúpula santista sabe que Dorival Jr. é um calhorda, não saberemos (não estou dizendo que o técnico seja um calhorda); se a cúpula do Santos sabe que Neymar é uma calhorda, não saberemos (não estou dizendo que o jogador seja um calhorda).

A decisão santista de demitir Dorival é compreensível, desde que nos coloquemos no lugar de burocratas bobos e interesseiros; a decisão é compreensível, embora muito lamentável. Entrementes, deixemos Neymar prosseguir. Mas permitam-me um acesso de loucura: o jogador será a decepção da copa de 2014.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

APONTAMENTO 95

Para as aulas de ontem, segunda-feira, levei a canção “The logical song”, do Supertramp. Fiquei o dia todo com o pensamento: “Como pode haver uma banda tão legal?”

domingo, 19 de setembro de 2010

CAIU NA REDE (42)

Pessoas, mais uma edição do Caiu na Rede está no ar.

APONTAMENTO 94

Em Adélia Prado, a poesia nasce no nome dela e desemboca no poema. Adélia Prado é campo minado em que ruge com delicadeza a voz da poesia.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

APONTAMENTO 93

Livros de cabeceira não são para fazer dormir, mas para fazer sonhar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

FUTEBOL (1)

(Acatando sugestão de Adamar Gomes, radialista local, volto a escrever sobre futebol.)

A imprensa e os meios de comunicação têm medo de falar mal de Neymar, com medo de ser careta. A mídia tem medo de que falar mal de Neymar é falar contra o chamado futebol-arte.

Bobagem, tudo isso. O tal do futebol-arte pode ser realizado sem empáfia, sem imaturidade e sem a atitude de querer tirar um sarro do adversário. Neymar é o lado feio do esporte. O lado não-nobre do esporte.

A sensatez ficou por conta de Renê Simões, o qual disse que Neymar é um projeto de craque e de homem. E depois que Renê disse isso, a mesma mídia que compunha loas para o jogador já está dizendo que os comentários de Renê são... sensatos.
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Fiquei numa grande expectativa para acompanhar Fluminense e Corínthians, os dois primeiros colocados do campeonato. Contudo, Cruzeiro e Guarani fizeram um jogo melhor, não somente pelo maior número de gols – 4 a 2 para o Cruzeiro.