Quando me lembro do Fluminense campeão em 84, eu me lembro de Assis e Washington. Daqui a décadas, se eu estiver por aqui para me lembrar do Fluminense de 2010, vou me lembrar de Conca, que para mim é o craque do campeonato brasileiro.
Um combalido porém disciplinado Guarani não conseguiu segurar um nervoso e pouco inspirado Fluminense. Apesar de a partida ter sido chata, o Fluminense realizou um jogo menos ruim do que o do Guarani.
No ano passado, após uma arrancada na reta final, o Fluminense se livrou do rebaixamento; agora, consegue ser o campeão de 2010.
Li recentemente “O príncipe”, de Maquiavel (edição da Martin Claret; tradução de Pietro Nassetti). O livro foi publicado em 1532, cinco anos após a morte do autor. É um manual de como deve agir o príncipe-governante ao lidar com os governados.
Não bastasse o texto em si, a edição contém textos de Marcílio Marques Moreira e José Nivaldo Junior. Complementando o trabalho, as notas de pé de página têm comentários e apontamentos de Napoleão Bonaparte sobre (principalmente) si mesmo e sobre o livro de Maquiavel.
As notas de Napoleão acabam gerando um curioso humor involuntário, tamanhas sua empáfia e megalomania. É claro que se deve considerar a subjetividade dessa opinião, pois, obviamente, não era intenção de Bonaparte fazer rir.
Como exemplo, num trecho, Maquiavel escreveu: “Os príncipes adquirem grandeza quando conseguem superar oposição e dificuldades que enfrentam”. Para essa frase, o apontamento de Napoleão foi o seguinte: “Poderá alguém superá-las melhor do que eu?”.
Num outro trecho, Maquiavel escreve sobre o rei Ferdinando: “Se examinarmos seus atos, veremos que foram todos grandes, e alguns mesmo extraordinários. O comentário de Napoleão: “Não mais que os meus”.
Napoleão ora aprova, ora reprova Maquiavel. Contudo, o que o francês mais faz é glorificar a si mesmo.
Para que se saiba um pouco mais sobre Napoleão, pelos comentários de Marcílio Marques Moreira e José Nivaldo Junior e óbvia e logicamente pelo magistral texto de Maquivel, leitura que não pode deixar de ser feita.
Meu pai ficava vendo filmes madrugada adentro. Para descontentamento de minha mãe, ele permitia que eu também ficasse. A alegação dela era a de que eu teria aula pela manhã (no que ela estava certa). Mas meu pai falava: “Deixa o menino ver o filme, sá”.
Foi assim que tomei gosto por filmes. Foi assim que numa certa noite conferi “A onda” (The wave), dirigido por Alexander Grasshoff. Trata-se de uma produção feita para a TV americana em 1981. O filme é baseado num ensaio (The third wave – “A terceira onda”) escrito por Ron Jones, o professor retratado no filme, que se baseia em fato real.
Numa aula de história, sem conseguir explicar como podem os alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, ter alegado não saber sobre o extermínio de judeus, Rones, em vez de procurar por uma resposta “típica”, decide fazer uma experiência e cria um movimento chamado “A terceira onda”. Para começar, o professor lança ideia cujo lema inicial é “força por intermédio da disciplina”.
Em sua experiência, Jones vai implantando um movimento radical e perigoso. De modo rápido, praticamente toda a escola de ensino médio se torna adepta, sem que os alunos soubessem com clareza do que se tratava a iniciativa. Rapidamente, ideias nos moldes nazistas vão sendo implantadas.
Há um filme que é uma versão alemã do ocorrido. Na produção germânica, intitulada também “A onda” (Die Welle, 2008), e dirigida por Dennis Gansel, o fim é bastante trágico. Para quem se interessar, a história em que as produções americana e a alemã se baseiam ocorreu em 1967, na Cubberley High School, em Palo Alto, na California.
Em ambas as adaptações, a história narrada vai de segunda a sexta-feira. O que me causou estranheza foi a rapidez com que os estudantes aderiram à ideologia implantada por Jones. Se num momento se mostraram intrigados com a adesão dos alemães ao nazismo, no outro, já estavam reproduzindo condutas igualmente radicais.
As pessoas se deixam levar facilmente. São fáceis de serem enganadas. Investir na tolice e na credulidade é um negócio lucrativo. Ademais, a racionalidade nunca foi imperativo das turbas. Contudo, mesmo ciente disso, fiquei me perguntando se a história real em que os filmes se basearam ocorrera mesmo em apenas uma semana. Minha pergunta enquanto eu assistia aos filmes era: “Como esses alunos compraram essa ideia tão rápido?”.
À medida que a semana vai passando e a onda vai tomando conta da escola, clima um tanto sinistro vai tomando corpo. Segundo li, o professor Ron Jones afirma que de fato tudo ocorreu em cinco dias. À parte isso, o filme aborda a delicada questão de como as pessoas se deixam levar tão facilmente, de como são conduzidas e seduzidas sem refletirem sobre o caminho que estão tomando.
Já estou à procura do ensaio “The third wave”, bem como à procura do documentário “Lesson plan”, dirigido por Philip Neel. Ele foi um dos alunos que integraram o movimento. No documentário, Neel realiza entrevistas com colegas seus que também aderiram e com o professor Jones. Caso eu consiga os materiais, comento por aqui.
Montillo teve um começo estrondoso pelo Cruzeiro. Contudo, de algumas rodadas para cá não tem alcançado o êxito inicial. Poder-se-ia argumentar que os três gols do Cruzeiro marcados na partida que terminou há pouco tiveram origem em escanteios batidos pelo argentino. Mas os gols se deveram muito mais a falhas da defesa vascaína do que a méritos do ataque cruzeirense.
Outro argentino que tem se destacado no campeonato é Conca, do Fluminense. No torneio desde o início (não é o caso de Montillo), Conca não somente mantém a regularidade, mas também realiza passes precisos e chutes fatais. Deve ser eleito o craque da competição.
Na partida contra o Vasco, o Cruzeiro teve um primeiro tempo avassalador – poderia ter feito pelo menos mais dois gols. No finzinho da primeira etapa, o Vasco marcou. No segundo tempo, a partida perdeu em dinamismo, embora o Vasco tenha jogado melhor do que o que fez no primeiro tempo.
Se na semana passada o Corinthians era o líder, após a rodada de hoje o Fluminense reassume a primeira colocação, com 65 pontos. O Corinthians tem 64; já o Cruzeiro, 63.
Um voluntarioso Vasco, que chegou a acertar uma bola na trave aos trinta e sete minutos do segundo tempo, não conseguiu superar o Fluminense, que fizera um gol aos quatro minutos do primeiro tempo. Com o resultado, o Fluminense segue na liderança do campeonato. Corinthians e Cruzeiro vêm a seguir. _____
Ontem, muito se falou no abraço entre Neymar e Dorival Jr., no jogo entre o Atlético/MG e o Santos, realizado em Sete Lagoas/MG. Imprensa e meios de comunicação elogiaram a atitude de Neymar e Dorival. Tomara que o ato tenha sido mesmo espontâneo e sem ressentimentos de ambas as partes, e não apenas um teatrinho para as câmeras de um deles ou dos dois. _____
Sempre que é divulgado o público lá no Engenhão, comenta-se que mais gente era esperada. Hoje, no jogo do Fluminense contra o Vasco, vinte e dois mil torcedores estiveram por lá. Novamente, foi mencionado que havia a expectativa de um público maior. Curiosamente, esses mesmos comentaristas dizem que o acesso ao estádio é complicado, por ele ficar longe (penso que ele deve ficar afastado de tudo). Já que vivem repetindo que ir até o estádio é tarefa hercúlea, deveriam aproveitar e repetir que houve superfaturamento na construção da obra. E tomara que cada vez mais e mais torcedores deixem de ir até lá.
Fica-se com a impressão de que neste ano vai ocorrer novamente com o Cruzeiro o que tem ocorrido com o time de alguns anos para cá: a equipe faz um bom campeonato e está sempre os primeiros, geralmente conseguindo vaga para a Libertadores, mas não consegue ganhar o título, perdendo fôlego nas rodadas finais.
Há pouco, em jogo realizado no Parque do Sabiá, em Uberlândia/MG, não foi diferente. A equipe mineira perdeu para o São Paulo – 2 a 0 –, num jogo em que o tricolor foi mais incisivo nos ataques desde o primeiro tempo. Rogério Ceni, numa penalidade que não ocorrera mas foi inventada pelo juiz, bateu o pênalti e fez o segundo gol (o primeiro foi de Lucas).
O Cruzeiro tem 57 pontos e está em terceiro lugar. Fluminense, com 58, é o líder. Corinthians, também com 57, está em segundo lugar. Já a outra equipe mineira, o Atlético, empatou hoje com o Gurani em 0 a 0. Com o resultado, o Galo está na décima sétima posição, na zona de rebaixamento.
Apesar dos poderosos Globo e Veja, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil. Com a eleição, Lula confirma sua força: seus índices de popularidade continuam altos e ele consegue eleger sua candidata. Como se não bastasse, é a primeira vez no Brasil que um presidente eleito pelo voto popular faz seu sucessor.
Em seu primeiro discurso após a confirmação de sua vitória, Dilma Rousseff disse que é desejo dela estender a mão para opositores políticos. Serra, em contrapartida, durante breve pronunciamento que fez após estar ciente do resultado da eleição, não abandonou o tom belicista da campanha.
O candidato do PSDB disse que não estava dando um adeus, mas um até-logo. Ainda não se sabe com certeza se com isso Serra queria dizer que é desejo seu disputar a presidência novamente. Mas ainda que seja, Aécio Neves já é apontado como forte candidato do partido nas próximas eleições para presidente.
Foto tirada às margens da Lagoa Grande, que fica em frente à rodoviária local, aqui em Patos de Minas. O lugar frequentemente aparece como cartão postal da cidade.
A imagem não tem nenhuma originalidade, mas, não importa se paradas ou correntes, águas sempre são motivos sugestivos para a fotografia.
Tirei a foto às 18h15 do dia 28 de agosto deste ano. Várias pessoas estavam no local. Umas faziam caminhada; outras, ginástica; já outras passeavam com crianças, alimentando os peixes. Nesse cenário, em busca do que fotografar, eu me deparei com o reflexo das árvores. _____
Recentemente, um comercial de cerveja “ressuscitou” Beto Barbosa, que fez sucesso nos tempos da lambada. Ele é o autor da contundente “Meu nome é liberdade”. A canção tornar-se-ia hino de revolucionários da América Latina.
Há pouco, o Santos ganhou do Cruzeiro por 4 a 1. Três gols do Santos foram marcados quando o time santista jogava com um a menos.
Digno de registro o terceiro gol do Santos, marcado por Alex Sandro, que após dar o drible da vaca em Edcarlos, viu que Fábio estava adiantado e chutou, encobrindo o goleiro.
O problema maior do Atlético/MG não é nem não ganhar há muito tempo um título que seja mais expressivo do que o campeonato mineiro – é passar aperto no brasileiro.
Em 2005, quando o time foi rebaixado, depois de um empate em 0 a 0 com o Vasco, no Mineirão, a torcida cantou o hino do clube.
Os torcedores do Atlético/MG não farão algo em que pensei, mas seria curioso se houvesse por parte da torcida uma espécie de boicote. Nada de protestos bobos e violentos, mas um silencioso e distante boicote. A torcida alvinegra de BH merece um time à altura dela.
Quanto ao Cruzeiro, depois da goleada que o Fluminense, segundo colocado, aplicou há pouco sobre o Galo, está na terceira colocação, com 44 pontos. O Botafogo, quarto colocado, tem 39.
Em tempo: Luxemburgo, concedendo entrevista enquanto digito estas palavras, anuncia que não é mais técnico do Atlético/MG. Foi demitido.
Estou ministrando um curso de fotografia. Ontem, como dever de casa, pedi aos alunos que tirassem fotos valendo-se do uso de diferentes tempos de exposição. O tempo de exposição é a “duração” da foto; é o tempo que a luz tem para chegar até o sensor do equipamento. Pode ser conferido nos monitores das câmeras em números como 1/30, 1/60 etc.
Gosto de exposições longas, de fotos que “duram” um pouco mais. É o caso de fotos noturnas, por exemplo. É comum apertarmos o obturador para tirar a foto e ele somente voltar à sua posição inicial 10 ou 15 segundos depois. Exposições bem mais longas podem ser usadas. Uma foto pode “durar” 4 horas – das 21h à 1h, digamos.
Nesse caso, o equipamento estaria devidamente instalado sobre tripé. O flash poderia ser disparado para iluminar uma árvore seca. Ao fundo, além do negro de céu, a foto captaria o iluminado movimento das estrelas. É que nas 4 horas em que a câmera tirava a foto, as estrelas se moveram. Esse movimento ficaria registrado na câmera como belos fachos.
Acima, foto com 1,3 segundo de “duração” (em fotografia isso é considerado muito tempo). Foi tirada no dia 29 de abril de 2006, às 14h55, no Mocambo, que é um parque local. Hoje, o lugar está sem cuidados, abandonado e um tanto perigoso, mas já foi um grande ponto para quem gosta de fotografar aves e pássaros.
Eu me vali da exposição de 1,3 segundo para conseguir o que chamam em fotografia de efeito véu de noiva, que é a “textura” da água na imagem. Para consegui-lo, coloque sua câmera num tripé, use longa exposição e capriche na foto da “noiva”.
Obviamente, não tenho acesso aos bastidores do imbróglio Dorival Jr. versus Neymar. É que a verdadeira história está nos bastidores; o conhecimento da engrenagem pode fazer com que encaremos uma questão diferentemente.
À distância, a decisão do Santos é clara, embora eu discorde dela: do ponto de vista financeiro, mercadológico ou algo que o valha, manter Neymar foi a decisão que tomaram. Isso pode ser bom para o Santos, mas, a longo prazo, não para Neymar.
Permitam-me uma utopia: num mundo ideal, Neymar anunciaria que não vai jogar o clássico contra o Corínthians, logo mais, às 22h. Mas bem sabemos que isso nem passaria pela cabeça do jogador. Ele pode até não jogar, mas não por decisão própria.
Enquanto escrevo esta nota, não sei que justificativa dará a diretoria do Santos para a demissão de Dorival, se é que dará alguma. Se a cúpula santista sabe que Dorival Jr. é um calhorda, não saberemos (não estou dizendo que o técnico seja um calhorda); se a cúpula do Santos sabe que Neymar é uma calhorda, não saberemos (não estou dizendo que o jogador seja um calhorda).
A decisão santista de demitir Dorival é compreensível, desde que nos coloquemos no lugar de burocratas bobos e interesseiros; a decisão é compreensível, embora muito lamentável. Entrementes, deixemos Neymar prosseguir. Mas permitam-me um acesso de loucura: o jogador será a decepção da copa de 2014.
Para as aulas de ontem, segunda-feira, levei a canção “The logical song”, do Supertramp. Fiquei o dia todo com o pensamento: “Como pode haver uma banda tão legal?”
(Acatando sugestão de Adamar Gomes, radialista local, volto a escrever sobre futebol.)
A imprensa e os meios de comunicação têm medo de falar mal de Neymar, com medo de ser careta. A mídia tem medo de que falar mal de Neymar é falar contra o chamado futebol-arte.
Bobagem, tudo isso. O tal do futebol-arte pode ser realizado sem empáfia, sem imaturidade e sem a atitude de querer tirar um sarro do adversário. Neymar é o lado feio do esporte. O lado não-nobre do esporte.
A sensatez ficou por conta de Renê Simões, o qual disse que Neymar é um projeto de craque e de homem. E depois que Renê disse isso, a mesma mídia que compunha loas para o jogador já está dizendo que os comentários de Renê são... sensatos. _____
Fiquei numa grande expectativa para acompanhar Fluminense e Corínthians, os dois primeiros colocados do campeonato. Contudo, Cruzeiro e Guarani fizeram um jogo melhor, não somente pelo maior número de gols – 4 a 2 para o Cruzeiro.
Recentemente, a NTV, emissora de televisão local, veiculou duas entrevistas comigo. A primeira delas, no dia 21 de julho, era sobre o desempenho ruim dos alunos na prova de português do Enem. A segunda é sobre meu trabalho com fotografia (relevem a voz anasalada nesta matéria, pois eu estava muito gripado). Ambas as entrevistas estão abaixo.
Antes de tudo, penso que a leitura deve ser um ato generoso, fraterno. A leitura conclama a uma irmandade atemporal. Eu leio, tu lês, aquele outro leu há milênios. Somos uma comunidade de leitores.
Ler de modo generoso não significa ler sem espírito crítico. Significa ler sem soberba.
Os primeiros textos que publiquei em livro saíram numa coletânea intitulada “Cem anos de literatura e um século de poesia”, lançada em 1992. Na obra, textos de escritores locais. Dois textos meus estão presentes.
Contudo, não saíram como os escrevi. Assim que tive o livro em mãos e me deparei com as modificações, fiquei decepcionado, e achei uma falta de respeito eu não ter sido consultado quanto às mudanças.
No lançamento da obra, não investiguei quem havia realizado as modificações em meus textos; acabei esquecendo o assunto. Até o dia em que, tempos depois, numa de tantas madrugadas antigas, num dos bares da cidade, o “crítico” comentou comigo que havia sido ele o responsável pelas alterações.
Perguntei a ele o motivo das mudanças; a resposta me pareceu nada convincente: “Achei que ficaria melhor”. Mas antes mesmo que eu tentasse entender melhor o pensamento dele, veio isto: “Leio Borges e logo penso em modificações que melhorariam o texto”.
Depois disso, vi que era bobagem argumentar. Não que Borges não possa ter momentos ruins; não que eu não tenha momentos ruins (dois desses momentos podem estar no “Cem anos de literatura e um século de poesia”).
Está muito longe do espírito fraterno da leitura alguém que modifica um texto literário sem antes dialogar com o autor, alguém que fica “melhorando” textos alheios. Alguém assim está perto da cabotinice.
Posteriormente, por conta própria, eu lançaria dois livros; eu quis publicar novamente os textos modificados tais como haviam sido escritos por mim. Entretanto, eu me esqueci. Assim, abaixo, as duas versões dos dois textos. Primeiro, o texto na visão do “crítico”; depois, o texto como havia sido escrito por mim. _____
Brancas sensações
brancas sensações me invadem. sem a paixão que corrói, sem a depressão que destrói, me invadem brancas sensações.
sou todo otimismo, planos e namoro. o otimismo e suas implicações, os planos e suas implicações, o namoro e suas implicações, o saber viver e suas implicações.
o tempo é de sorriso, tranqüilidade no coração, progressos oceânicos, ampla evolução.
se meu país se tornar mais feliz, sei que me tornarei mais feliz então. um contentamento vasto preenche minha vida, enche meu peito.
respiro bem fundo, aspirando energia. tenho prazer em aspirar, expirar, ousar. imenso prazer em aprender, imenso prazer em viver.
afinal, brancas sensações me invadem.
quero a sua amizade, o meu sorriso, a alegria daquele outro.
quero minha juventude; que venha minha velhice. quero brancas sensações a me consumir. _____
São 23h30. Brancas sensações me invadem. Sem a paixão que corrói, sem a depressão que destrói, me invadem brancas sensações.
Sou todo otimismo, planos e namoro. O otimismo e suas implicações, os planos e suas implicações, o namoro e suas implicações, o saber viver e suas implicações.
O tempo é de sorriso, tranqüilidade no coração, progressos oceânicos, ampla evolução.
Se meu país se tornar mais feliz, sei que me tornarei mais feliz então. Um contentamento vasto preenche minha vida, enche meu peito.
Respiro bem fundo, aspirando energia. Tenho prazer em aspirar, expirar, ousar. Imenso prazer em aprender, imenso prazer em viver.
Afinal, brancas sensações me invadem.
Quero a sua amizade, o meu sorriso, a alegria daquele outro.
Quero minha juventude; que venha minha velhice. Quero brancas sensações a me consumir. _____
Elucubrações osculares
sobre o beijo, uma pequena divagação: concreto é o ato em si, abstratas as sensações que provoca. _____
Sobre o beijo, uma pequena divagação: concreto é o ato em si, abstratas as sensações que provoca.
Pessoas, vou ministrar um curso de fotografia. Início em 14 de setembro; término em 19 de outubro. As aulas serão semanais, no horário de 19h30 às 20h30, na escola ¡Hablar +!, que fica no Edifício Imperial Center, sala 605, aqui em Patos de Minas.
Para mais informações, sintam-se à vontade para entrar em contato comigo.
Pessoas, está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Ismael, meu convidado, foi o responsável pela escolha das canções. Além de trazer o repertório, tive o privilégio de um agradável bate-papo com ele, que é também entusiasta da música e da cultura como um todo.
Recentemente, comentei neste blogue sobre o portal do Legião Urbana. Há pouco, terminei de escutar o CD Meu segredo mais sincero, da cantora Leila Pinheiro; o trabalho está sendo lançado pela gravadora Biscoito Fino. O CD é composto por releituras de canções do Legião Urbana. Em 1988, ela já havia regravado Tempo perdido.
A produção é caprichada, os arranjos são sofisticados. Leila Pinheiro, no jornal O Dia, relembra uma tarde em que recebeu a visita de Renato Russo: “Ele veio à minha casa e compusemos ‘Hoje’, nossa única parceria, que também gravei nesse CD. Pena que foi só uma, porque sei que teria muito mais por vir”.
O título do CD é uma alusão a um dos versos de Daniel na cova dos leões, faixa do segundo CD do Legião. As seguintes canções compõem o trabalho de Leila Pinheiro: Ainda é cedo, “Índios”, Quando você voltar, O teatro dos vampiros, Angra dos Reis, Daniel na cova dos leões, Hoje, Pais e filhos, Tempo perdido, Há tempos, Metal contra as nuvens, Eu sei, Andrea Doria, La solitudine (não faz parte do repertório do Legião, mas de um dos CDs solos de Russo) e Perfeição (essa é uma vinheta de 36 segundos em que Leila Pinheiro, sem a inserção de acompanhamento musical, canta um trechinho de Perfeição).
Na página, vídeos, áudios, fotos, história da banda, curiosidades. E caso o fã tenha material sobre o Legião, há a possibilidade de esse material ser enviado para o site.
Se tradição ganhasse jogo de futebol, a partida final da Copa 2010 entre Espanha e Holanda nem precisaria ser realizada, pois a Holanda tem mais história no torneio mundial.
Como a tradição não ganha nada, a Espanha, que jogou melhor e apresentou um futebol mais bonito do que o da Holanda na final, é a campeã da Copa do Mundo 2010.
Mais de uma semana depois da eliminação do time de Gana pelo Uruguai, o técnico da seleção ganesa, o sérvio Milovan Rajevac, continua revoltado contra o jogador Luis Suárez, que, usando a mão, impediu, em cima da linha, que o time de Gana fizesse o gol que poderia levar o time africano às semifinais.
Disse o técnico húngaro: “Alguns dizem que Suárez é um herói e agora ele caminha orgulhosamente. Tenham bom senso. Ele não é um herói, ele é um simples trapaceiro. Que mão de Deus! Foi a mão do diabo”.
Assim como a de Maradona naquele jogo contra a Inglaterra, foi a mão de um homem. Suarez trocou a expulsão por uma pálida chance de classificação. Como o time de Gana não fez o gol na cobrança de pênalti, o erro deu sobrevida ao Uruguai, que acabaria seguindo adiante na Copa.
Num exercício que talvez seja inútil, eu já tentei me colocar no lugar de Suárez. Será que eu resistiria? Será que eu não colocaria a mão na bola? Não consigo ver o gesto de Suárez como "simplesmente" desleal.
Não vejo a atitude dele como sendo de alguém que quis ser maldoso contra o oponente, mas como o reflexo de um sujeito que quis impedir o gol, valendo-se do último recurso que lhe restava, numa conduta que é antiesportiva, levando-se em conta as regras do jogo. Suárez foi desleal caso isso signifique ir contra tais regras; mas não foi desleal caso isso signifique o desejo de ser malévolo.
Há um tempão o Uruguai andava apagado do cenário futebolístico mundial. Aquele gol por parte de Gana significaria o adeus para o time sul-americano. Em contrapartida, tivesse o gol sido feito, Gana seria o primeiro time africano a estar numa semifinal de Copa do Mundo.
Estou aqui, tentando conseguir uma justificativa convincente para o gesto de Suárez, embora eu compreenda a revolta de Rajevac. E a única justificativa que arrumei é a de que estivesse eu no lugar do jogador uruguaio, eu faria o mesmo; se Suárez foi desleal, eu também seria. Não como um deus, não como um diabo, mas como um homem: um pouco Deus e um pouco diabo.
A Copa do Mundo começou a ser disputada em 1930. O primeiro país a faturar o título foi o Uruguai, jogando em casa. A Celeste voltaria a ser campeã em 1950, no Brasil.
Além do Uruguai, a Itália (4 títulos), a Alemanha Ocidental (3 títulos), o Brasil (5 títulos), a Inglaterra (1 título), a Argentina (2 títulos) e a França (1 título) foram campeões.
No domingo, haverá um campeão inédito, pois a Copa 2010 será decidida no jogo entre Holanda e Espanha.
Em partida terminada há pouco, a Espanha eliminou a Alemanha. O time ibérico foi superior à equipe germânica. Não fosse uma bobagem feita pelo atacante Pedro, que, num contra-ataque, não marcou nem tocou para Torres, que estava livre, a Espanha poderia ter feito pelo menos mais um gol.
(Com muito atraso, publico algumas notas sobre a Copa do Mundo.) _____
Digo com frequência que não gosto de jogadores nos quais não se pode confiar, ainda que sejam craques. Felipe Melo não é craque. Não se pode confiar em Felipe Melo. E é preciso esperar o apito final do árbitro: tivesse a partida contra a Holanda acabado minutos depois do lançamento que o jogador fez para o gol de Robinho, Melo teria saído de campo consagrado. Mas depois, enrolou-se com Júlio César, fez uma falta tola (mas nada que surpreende, vindo do meio-campista) em jogador holandês e foi expulso. _____
Futebol é bom quando tem emoção. Os momentos finais da partida entre Uruguai e Gana são louváveis e inesquecíveis. Nos últimos instantes da prorrogação, Suarez, atacante uruguaio, dá uma de goleiro e defende com a mão, em cima da linha do gol, para impedir que a bola entrasse, pois isso significaria a desclassificação de seu time. É expulso, deixa o campo chorando, mas quando percebe que Asamoah não convertera o pênalti, Suarez já era a alegria e a esperança. O time sul-americano acabaria eliminando o time africano nos pênaltis. _____
O segundo tempo de Paraguai e Espanha foi também memorável. Não foi uma partida farta em emoções como o jogo entre Uruguai e Gana, mas nem por isso deixou de ter emoções para quem curte futebol. No fim, a Espanha, favorita na partida, prevaleceu, embora o time paraguaio tenha tido um gol anulado incorretamente. Além disso, nos instantes finais, jogador paraguaio, diante do gol, chutou, mas o goleiro espanhol defendeu com o pé. _____
Torço muito pela Argentina e pelo Maradona – digo isso sem a menor ironia. Por isso, achei ruim o time argentino ter sido eliminado pela Alemanha, que goleou e venceu com méritos a equipe de Maradona. _____
Foi a primeira Copa em que quatro times da América do Sul conseguiram estar nas quartas-de-final. Contudo, terminadas as partidas, só resta o Uruguai, que não é considerado favorito diante da Holanda. Uma primazia sul-americana se insinuava, mas os times europeus confirmaram supremacia europeia nas semifinais.
Aqui, pouco concedem. Tenho tempo, canetas. Trazem folhas brancas que repleto arrependido. Neste lugar, tudo seria menos terrível se daqui eu não escutasse toda a vida que se move lá fora: motores, andares, asas... Sigo aqui, pensando nos vinte anos que me restam antes de eu escrever livre.
Há pouco mais de meia hora, em jogo válido pela Copa do Mundo 2010, o México foi eliminado pela Argentina. Messi, embora quase tenha feito um golaço no fim da partida, teve uma atuação ruim. Fez algumas firulas, mas nada eficaz. Talvez ele decole contra a Alemanha, no sábado. Mais cedo, jogando contra a Inglaterra, o time alemão goleou por 4 a 1.
A nota ruim do dia foram os erros dos árbitros. No jogo da Inglaterra contra a Alemanha, Lampard chutou a bola, que bateu no travessão e quicou na grama, atrás da linha do gol. Contudo, o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não confirmou que a bola havia entrado. O assistente 1 foi Pablo Fandino; o assistente 2, Mauricio Espinosa (ambos uruguaios). Não sei qual dos bandeirinhas não percebeu que a bola entrara.
Já no jogo da Argentina contra o México, Tevez marcou o primeiro gol da equipe Argentina estando impedido. Para piorar as coisas, o telão no estádio mostrou a irregularidade quando a jogada foi repetida. O trio de arbitragem era italiano – Roberto Rosetti (árbitro), Paolo Calcagno (assistente 1) e Stefano Ayroldi (assistente 2). Também não sei qual dos assistentes deixou de marcar o impedimento.
Sempre que lances como o da partida entre Alemanha e Inglaterra ocorrem, volta à baila a discussão sobre o uso da tecnologia no futebol. A Fifa declara que aparatos eletrônicos não serão usados na linha do gol. O site da ESPN publicou hoje: “A Fifa não vai fazer nenhum comentário sobre as decisões do árbitro no campo de jogo. Sobre tecnologia na linha do gol, a posição da Fifa está em acordo com as decisões da International Football Association Board – Ifab, órgão responsável pelas regras do futebol – tomadas no último encontro, em março.” Segundo a Ifab, a tecnologia não será usada.
Pela Copa do Mundo 2010, terminou há pouco, na África do Sul, o jogo entre Portugal e Brasil. Ninguém fez gol. Os dois times falaram um só idioma: péssimo futebol.
Numa partida em que o torcedor no estádio ficou sem ter o que fazer, quanto pior o jogo ficava, mais barulhentas as vuvuzelas bradavam.
Pessoas, ontem (24/6), no começo da noite, ao abrir a página principal de um provedor, li que um bate-papo com Leo Jaime acabara de começar.
Decidi entrar na sala, na esperança de fazer pelo menos uma pergunta para ele. Das duas que enviei, uma delas foi aprovada pelo moderador. Tanto a minha pergunta quando a resposta do Leo Jaime estão abaixo, na íntegra.
Com relação à regravação de “‘Índios’”, pretendo executá-la em breve, no Caiu na Rede. _____
(06:51:07) Lívio fala para Leo Jaime: Leo, gostaria que você falasse sobre sua amizade com Renato Russo e sobre sua regravação de "'Índios'".
(06:54:05) Leo Jaime: Livio Renato foi um grande amigo. Convivemos muito intensamente nos últimos anos de sua vida. Tínhamos um grupo chamado ASA (Amantes da sétima arte) que via filmes e batia papos sobre. Era mais curtição que qualquer coisa. Ajudei no reencontro da Legião, em uma época em que eles andavam meio afastados, há dois anos sem fazer shows. "Cedi" dois cara [sic] da minha banda pra tocar com eles, o Trilha e o Gian. O Trilha acabou produzindo os discos solo dele. Grande amigo! Mas ele não gostava da minha gravação de Ìndios. Eu também prefiro a dele. Rs
Dunga tem ressentimentos contra a imprensa e os meios de comunicação brasileiros. Às vezes, com razão, pois há uma parte da imprensa e dos meios de comunicação que de fato é tacanha.
Talvez eu esteja exigindo muito, mas o técnico deveria ser mais esperto, mais sutil ou mais irônico ao exercer seu ranço contra jornalistas. Como não consegue, acaba se tornando muito chato.
Essa chatice é farto material para que a imprensa e os meios de comunicação continuem o espezinhando. A imprensa e os meios de comunicação criticam, Dunga rebate, a imprensa e os meios de comunicação criticam...
Enquanto isso, Luís Fabiano, que nada tem a ver com isso, usa o braço, faz gol ilegal e depois bate um papinho com Stephane Lannoy, árbitro que pisou a bola.
Saulo Alves, fotógrafo local, morreu ontem (18/5), por volta de 21h45, em acidente de carro numa rodovia. O acidente foi no município de Presidente Olegário/MG.
Mais ou menos um mês atrás ele me enviou mensagem dizendo que há um tempão eu não ia até seu estúdio. Mencionei isso para uma sobrinha dele; ela é minha aluna. Desde então, invariavelmente, ela vinha me perguntando: “Foi lá visitar o tio Saulo?”.
Certa vez, William Brito (fotógrafo), Gabriel CZ (fotógrafo), Saulo e eu cogitamos realizar uma exposição em conjunto. O projeto não se realizou.
Hoje pela manhã, quando o advogado e publicitário Manoel Almeida me ligou para contar sobre a morte do Saulo, logo me lembrei do último convite que o fotógrafo havia me feito para que eu fosse até o estúdio dele. Quando eu o visitava, conversávamos sobre fotografia, escutávamos música e tomávamos café. Ele dizia que eu deveria ir até lá para que pudéssemos tomar uns “cafeses”.
Hoje à tarde, no velório, conversei com o Gabriel CZ. Ele me contou que certa vez estava no estúdio do Saulo e queriam tomar café. Só que não sabiam como preparar a bebida. Também não havia pó; foram até uma mercearia e compraram. Mas havia ainda o preparo. Como a vontade era muita, acessaram a internete e digitaram “como preparar café” ou algo parecido.
Saulo era fã do U2 e conferiu um dos shows que a banda fez no Brasil. Conseguiu ficar pertinho do palco. Numa das visitas, ele me mostrou as fotos que havia tirado – não era permitido fotografar o espetáculo, mas ele conseguira entrar com uma simples câmera compacta.
O atropelo bobo em que vivo fez com que eu não fosse tomar um cafezinho com o Saulo, quando ele me convidou, há mais ou menos um mês. Histórias esparsas me ocorreram durante o dia. A gente fica mais reflexivo nessas situações. Do que resta, fica a certeza: é preciso visitar as pessoas.
Quando eu estiver iluminado, vou desvanecer como neblina. Amanheço para mergulhar no cálido aconchego da manhã. Há canções que me embalam, oferto a mão aos que acordam e compõem comigo o caminho. Somos feitos de tempo e luz. Chama teu amigo, vem comigo. Eu insisto: o agora é nosso e o amanhã pode estar sem neblina. Logo ali, há uma curva, mas não há caminho algum já construído.
Eu vi, eu olhei, eu gostei. Eu fiz poema, buquê e convite. Eu fiz barba, arranjos e planos. Procurei, até achar, o melhor em mim.
É que eu queria ser seu bem e sua alegria. Queria que seus olhos fizessem festa quando eu chegasse. Queria você gostasse de mim, não que desejasse gostar de mim.
Assisti ontem ao documentário “Pro dia nascer feliz” (2007), do diretor João Jardim. O filme registra o cotidiano de escolas em Pernambuco, São Paulo e no Rio de Janeiro. A fotografia do material é um caso à parte – belíssima. A música é de Dado Villa-Lobos, que foi guitarrista do Legião Urbana.
O documentário é tão bom que evidencia duas temáticas extremamente profícuas e espinhosas: a precariedade do ensino público e o mundo dos adolescentes com seus dramas e preocupações.
Essa bifurcação temática não faz com que “Pro dia nascer feliz” padeça de unidade. Na caixa do DVD, lê-se: “Um diário de observação da vida do adolescente no Brasil em seis escolas”. Ao ler a frase, pensei que o documentário focaria a psicologia do adolescente, sem dar ênfase ao fracassado ensino público.
Mas logo no começo do trabalho as pífias condições físicas de uma escola no interior de Pernambuco são mostradas. A seguir, as pessoas vão entrando em cena.
O mundo escolar é mostrado sem maquiagem – a precariedade, a pobreza, a falta de comprometimento de alguns alunos e de alguns professores, o despreparo de alguns alunos e de alguns professores. O ambiente das escolas é mostrado como um todo. Até uma reunião do chamado conselho de classe é mostrada.
O documentário realiza a difícil “fórmula” de denunciar sem ser bobamente panfletário; é contundente e comedido.
Ao mergulhar nos ambientes juvenil e escolar, João Jardim vai revelando gradativamente alguns dos protagonistas do ensino: há entrevistas com alunos, diretores e professores. Hábil, o diretor conseguiu trazer à tona a densidade daqueles com quem conversou.
Escolas ricas e escolas pobres são visitadas. Em todas elas, a trajetória, as opiniões, os anseios, os sonhos e as ideias dos entrevistados.
Como não se comover com Valéria, 16, que mora no interior de Pernambuco? Ela tem nítido talento para lidar com as palavras – gosta de escrever, fala bem, gosta de ler. Mas é exceção num ambiente em que não são oferecidas condições para o crescimento intelectual do jovem. Como ficar indiferente quando o diretor passa a mostrar a realidade de uma escola frequentada pelos ricos de São Paulo? É muito contraste.
Não bastasse toda a densidade com que já está lidando, o documentário não se esquece de que o mundo da juventude não é só a sala de aula. E, novamente, prevalecem o bom senso e a sensibilidade do diretor, ao abordar a questão de que escola e adolescentes estão num contexto social e familiar que pode ser cruel.
Em meio a tantas dificuldades, talentos são calados, potenciais se desvanecem. Maysa, 16, resume bem: “Às vezes eu acho que é um pouco violento esse jeito como se vive: as pessoas têm que deixar de lado aquilo em que acreditam para se conservar vivas”.
O adolescente num mundo caótico e violento. Sejam ricos ou pobres, fica patente no documentário a fragilidade de jovens que são também vítimas de uma sociedade cheia de desamparo e violência.
A maneira como jovens pobres e ricos expõem seus dramas é sintomática. Com exceções, os pobres não têm a mesma capacidade de articulação verbal dos ricos. Isso acaba sendo mais uma evidência retumbante do fracasso do ensino público.
Incrível, escutar da muito pobre, inteligente e lírica Valéria, aquela de Pernambuco: “Eu deveria ter uma péssima impressão da vida se não fosse a paixão que tenho pela arte de viver”.
Clarissa não sabe se chora pelas migalhas de felicidade que teve ou pela felicidade a qual pensou que teria. O choro é no presente, mas há todo um passado estilhaçado, todo um futuro desvanecido. Enquanto o choro vai sendo conjugado, suas grandes tragédias e as grandes tragédias do mundo todo, bem como todas as canções e todas as madrugadas, vão sendo destiladas. Ela chora por si e por todos. É quando percebe que lá longe, no horizonte, desponta uma luz que atende pelo nome de manhã. Clarissa quer viver de novo.
Mário Nhardes, pseudônimo de Rusimário Bernardes, lançou em 2009 o livro “Agapantos”, composto de poemas.
Agora, é possível também escutar o autor. Na página dele, há o áudio dos poemas, gravados por ele mesmo. Pode-se baixar o áudio desejado. Há também a possibilidade de se comprar o livro pela internet.
Segundo Mário Nhardes, a página terá brevemente mais atrações, como uma webradio. Nela, os áudios dos poemas serão executados; há também a intenção de se postar entrevista com o autor.
Sábado (10/4), no Teatro Municipal, conferi o show Cordas Soltas, com Ivan Rosa (baixo) e Anísio Dias (violão). A noite contou com as participações de Márcia Soares (cantora), Wellik Soares (saxofonista), César Braga (pianista), Wilmar Carvalho (cantor), Flávio Silva (guitarrista) e Castor (baterista).
É comum a gente ir a um show e dizer que ele teve um determinado ponto alto. Cordas Soltas teve vários, mesmo tendo sido um espetáculo relativamente curto, cujo repertório teve dezesseis músicas.
Além de músicas compostas por Ivan Rosa e Anísio Dias, executaram Caetano, Tom Jobim, Spyro Gyra, Arthur Maia, Villa-Lobos, Kenny G. e Frank Gambale.
“Ben”, grande sucesso na voz de Michael Jackson quando ele ainda era criança, foi um dos pontos altos do show. A balada pop foi executada somente com Ivan Rosa no palco, num arranjo surpreendente.
“Trenzinho caipira” foi executada com a participação de todos os músicos. O arranjo, contagiante, foi outro brilhante momento do show.
Segundo Ivan Rosa, que é professor e diretor do Conservatório Municipal, é intenção do Conservatório promover, a partir de agora, um show por mês no Teatro Municipal.
Não acompanhei a cerimônia do Oscar neste ano. Pensei que “Avatar” (de que não gostei) fosse levar os prêmios de melhor filme e melhor direção. Fiquei surpreso quando eu soube que “Guerra ao terror” havia faturado nessas categorias.
Somente na semana passada é que assisti ao filme deKathryn Bigelow. Acabei não gostando também. O personagem William James (interpretado por Jeremy Renner), aquele que desativava as bombas, acabou fazendo com que eu me lembrasse de Steven Hiller, interpretado por Will Smith em “Independence Day”.
James não tem o jeitão moleque e garotão de Hiller, mas ambos encarnam o poder bélico americano num ufanismo que, por fim, acaba não surpreendendo. Eu é que comecei a assistir a “Guerra ao terror” pensando que a abordagem seria, de fato, uma outra, em função de críticas que eu havia lido anteriormente.