terça-feira, 4 de maio de 2010
FOTOPOEMA 162
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
CAIU NA REDE (30)
Pessoas, mais uma edição do Caiu na Rede está no ar.
Valeu.
Valeu.
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sexta-feira, 30 de abril de 2010
AGORA
A imaginação
doura as épocas passadas.
Não se iluda –
a época de ouro é o agora.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
APONTAMENTO 90
A solidão cabe em qualquer lugar.
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terça-feira, 27 de abril de 2010
CAIU NA REDE (29)
Pessoas, a edição vinte e nove do Caiu na Rede está no ar.
Valeu.
Valeu.
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domingo, 25 de abril de 2010
LETRA DE MÚSICA (26)
Eu vi, eu olhei, eu gostei.
Eu fiz poema, buquê e convite.
Eu fiz barba, arranjos e planos.
Procurei, até achar, o melhor em mim.
É que eu queria ser
seu bem e sua alegria.
Queria que seus olhos
fizessem festa quando eu chegasse.
Queria você gostasse de mim,
não que desejasse gostar de mim.
Eu fiz poema, buquê e convite.
Eu fiz barba, arranjos e planos.
Procurei, até achar, o melhor em mim.
É que eu queria ser
seu bem e sua alegria.
Queria que seus olhos
fizessem festa quando eu chegasse.
Queria você gostasse de mim,
não que desejasse gostar de mim.
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
"PRO DIA NASCER FELIZ"
Assisti ontem ao documentário “Pro dia nascer feliz” (2007), do diretor João Jardim. O filme registra o cotidiano de escolas em Pernambuco, São Paulo e no Rio de Janeiro. A fotografia do material é um caso à parte – belíssima. A música é de Dado Villa-Lobos, que foi guitarrista do Legião Urbana.
O documentário é tão bom que evidencia duas temáticas extremamente profícuas e espinhosas: a precariedade do ensino público e o mundo dos adolescentes com seus dramas e preocupações.
Essa bifurcação temática não faz com que “Pro dia nascer feliz” padeça de unidade. Na caixa do DVD, lê-se: “Um diário de observação da vida do adolescente no Brasil em seis escolas”. Ao ler a frase, pensei que o documentário focaria a psicologia do adolescente, sem dar ênfase ao fracassado ensino público.
Mas logo no começo do trabalho as pífias condições físicas de uma escola no interior de Pernambuco são mostradas. A seguir, as pessoas vão entrando em cena.
O mundo escolar é mostrado sem maquiagem – a precariedade, a pobreza, a falta de comprometimento de alguns alunos e de alguns professores, o despreparo de alguns alunos e de alguns professores. O ambiente das escolas é mostrado como um todo. Até uma reunião do chamado conselho de classe é mostrada.
O documentário realiza a difícil “fórmula” de denunciar sem ser bobamente panfletário; é contundente e comedido.
Ao mergulhar nos ambientes juvenil e escolar, João Jardim vai revelando gradativamente alguns dos protagonistas do ensino: há entrevistas com alunos, diretores e professores. Hábil, o diretor conseguiu trazer à tona a densidade daqueles com quem conversou.
Escolas ricas e escolas pobres são visitadas. Em todas elas, a trajetória, as opiniões, os anseios, os sonhos e as ideias dos entrevistados.
Como não se comover com Valéria, 16, que mora no interior de Pernambuco? Ela tem nítido talento para lidar com as palavras – gosta de escrever, fala bem, gosta de ler. Mas é exceção num ambiente em que não são oferecidas condições para o crescimento intelectual do jovem. Como ficar indiferente quando o diretor passa a mostrar a realidade de uma escola frequentada pelos ricos de São Paulo? É muito contraste.
Não bastasse toda a densidade com que já está lidando, o documentário não se esquece de que o mundo da juventude não é só a sala de aula. E, novamente, prevalecem o bom senso e a sensibilidade do diretor, ao abordar a questão de que escola e adolescentes estão num contexto social e familiar que pode ser cruel.
Em meio a tantas dificuldades, talentos são calados, potenciais se desvanecem. Maysa, 16, resume bem: “Às vezes eu acho que é um pouco violento esse jeito como se vive: as pessoas têm que deixar de lado aquilo em que acreditam para se conservar vivas”.
O adolescente num mundo caótico e violento. Sejam ricos ou pobres, fica patente no documentário a fragilidade de jovens que são também vítimas de uma sociedade cheia de desamparo e violência.
A maneira como jovens pobres e ricos expõem seus dramas é sintomática. Com exceções, os pobres não têm a mesma capacidade de articulação verbal dos ricos. Isso acaba sendo mais uma evidência retumbante do fracasso do ensino público.
Incrível, escutar da muito pobre, inteligente e lírica Valéria, aquela de Pernambuco: “Eu deveria ter uma péssima impressão da vida se não fosse a paixão que tenho pela arte de viver”.
O documentário é tão bom que evidencia duas temáticas extremamente profícuas e espinhosas: a precariedade do ensino público e o mundo dos adolescentes com seus dramas e preocupações.
Essa bifurcação temática não faz com que “Pro dia nascer feliz” padeça de unidade. Na caixa do DVD, lê-se: “Um diário de observação da vida do adolescente no Brasil em seis escolas”. Ao ler a frase, pensei que o documentário focaria a psicologia do adolescente, sem dar ênfase ao fracassado ensino público.
Mas logo no começo do trabalho as pífias condições físicas de uma escola no interior de Pernambuco são mostradas. A seguir, as pessoas vão entrando em cena.
O mundo escolar é mostrado sem maquiagem – a precariedade, a pobreza, a falta de comprometimento de alguns alunos e de alguns professores, o despreparo de alguns alunos e de alguns professores. O ambiente das escolas é mostrado como um todo. Até uma reunião do chamado conselho de classe é mostrada.
O documentário realiza a difícil “fórmula” de denunciar sem ser bobamente panfletário; é contundente e comedido.
Ao mergulhar nos ambientes juvenil e escolar, João Jardim vai revelando gradativamente alguns dos protagonistas do ensino: há entrevistas com alunos, diretores e professores. Hábil, o diretor conseguiu trazer à tona a densidade daqueles com quem conversou.
Escolas ricas e escolas pobres são visitadas. Em todas elas, a trajetória, as opiniões, os anseios, os sonhos e as ideias dos entrevistados.
Como não se comover com Valéria, 16, que mora no interior de Pernambuco? Ela tem nítido talento para lidar com as palavras – gosta de escrever, fala bem, gosta de ler. Mas é exceção num ambiente em que não são oferecidas condições para o crescimento intelectual do jovem. Como ficar indiferente quando o diretor passa a mostrar a realidade de uma escola frequentada pelos ricos de São Paulo? É muito contraste.
Não bastasse toda a densidade com que já está lidando, o documentário não se esquece de que o mundo da juventude não é só a sala de aula. E, novamente, prevalecem o bom senso e a sensibilidade do diretor, ao abordar a questão de que escola e adolescentes estão num contexto social e familiar que pode ser cruel.
Em meio a tantas dificuldades, talentos são calados, potenciais se desvanecem. Maysa, 16, resume bem: “Às vezes eu acho que é um pouco violento esse jeito como se vive: as pessoas têm que deixar de lado aquilo em que acreditam para se conservar vivas”.
O adolescente num mundo caótico e violento. Sejam ricos ou pobres, fica patente no documentário a fragilidade de jovens que são também vítimas de uma sociedade cheia de desamparo e violência.
A maneira como jovens pobres e ricos expõem seus dramas é sintomática. Com exceções, os pobres não têm a mesma capacidade de articulação verbal dos ricos. Isso acaba sendo mais uma evidência retumbante do fracasso do ensino público.
Incrível, escutar da muito pobre, inteligente e lírica Valéria, aquela de Pernambuco: “Eu deveria ter uma péssima impressão da vida se não fosse a paixão que tenho pela arte de viver”.
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Pro dia nascer feliz
terça-feira, 20 de abril de 2010
FOTOPOEMA 161
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domingo, 18 de abril de 2010
CAIU NA REDE (28)
Pessoas, a edição vinte e oito do Caiu na Rede está no ar. Em breve, linque para que ela possa ser baixada.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
SOBRE A SAUDADE
Não desvendo os
mecanismos da saudade.
A única certeza,
é que estás em todos.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
CONTO 39
Clarissa não sabe se chora pelas migalhas de felicidade que teve ou pela felicidade a qual pensou que teria. O choro é no presente, mas há todo um passado estilhaçado, todo um futuro desvanecido. Enquanto o choro vai sendo conjugado, suas grandes tragédias e as grandes tragédias do mundo todo, bem como todas as canções e todas as madrugadas, vão sendo destiladas. Ela chora por si e por todos. É quando percebe que lá longe, no horizonte, desponta uma luz que atende pelo nome de manhã. Clarissa quer viver de novo.
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terça-feira, 13 de abril de 2010
FOTOPOEMA 160
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SITE DO ESCRITOR MÁRIO NHARDES É INCREMENTADO
Mário Nhardes, pseudônimo de Rusimário Bernardes, lançou em 2009 o livro “Agapantos”, composto de poemas.
Agora, é possível também escutar o autor. Na página dele, há o áudio dos poemas, gravados por ele mesmo. Pode-se baixar o áudio desejado. Há também a possibilidade de se comprar o livro pela internet.
Segundo Mário Nhardes, a página terá brevemente mais atrações, como uma webradio. Nela, os áudios dos poemas serão executados; há também a intenção de se postar entrevista com o autor.
Para conferir, acesse www.nhardes.com/marionhardes.
Agora, é possível também escutar o autor. Na página dele, há o áudio dos poemas, gravados por ele mesmo. Pode-se baixar o áudio desejado. Há também a possibilidade de se comprar o livro pela internet.
Segundo Mário Nhardes, a página terá brevemente mais atrações, como uma webradio. Nela, os áudios dos poemas serão executados; há também a intenção de se postar entrevista com o autor.
Para conferir, acesse www.nhardes.com/marionhardes.
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domingo, 11 de abril de 2010
SHOW CORDAS SOLTAS
Sábado (10/4), no Teatro Municipal, conferi o show Cordas Soltas, com Ivan Rosa (baixo) e Anísio Dias (violão). A noite contou com as participações de Márcia Soares (cantora), Wellik Soares (saxofonista), César Braga (pianista), Wilmar Carvalho (cantor), Flávio Silva (guitarrista) e Castor (baterista).
É comum a gente ir a um show e dizer que ele teve um determinado ponto alto. Cordas Soltas teve vários, mesmo tendo sido um espetáculo relativamente curto, cujo repertório teve dezesseis músicas.
Além de músicas compostas por Ivan Rosa e Anísio Dias, executaram Caetano, Tom Jobim, Spyro Gyra, Arthur Maia, Villa-Lobos, Kenny G. e Frank Gambale.
“Ben”, grande sucesso na voz de Michael Jackson quando ele ainda era criança, foi um dos pontos altos do show. A balada pop foi executada somente com Ivan Rosa no palco, num arranjo surpreendente.
“Trenzinho caipira” foi executada com a participação de todos os músicos. O arranjo, contagiante, foi outro brilhante momento do show.
Segundo Ivan Rosa, que é professor e diretor do Conservatório Municipal, é intenção do Conservatório promover, a partir de agora, um show por mês no Teatro Municipal.
Assim seja.
É comum a gente ir a um show e dizer que ele teve um determinado ponto alto. Cordas Soltas teve vários, mesmo tendo sido um espetáculo relativamente curto, cujo repertório teve dezesseis músicas.
Além de músicas compostas por Ivan Rosa e Anísio Dias, executaram Caetano, Tom Jobim, Spyro Gyra, Arthur Maia, Villa-Lobos, Kenny G. e Frank Gambale.
“Ben”, grande sucesso na voz de Michael Jackson quando ele ainda era criança, foi um dos pontos altos do show. A balada pop foi executada somente com Ivan Rosa no palco, num arranjo surpreendente.
“Trenzinho caipira” foi executada com a participação de todos os músicos. O arranjo, contagiante, foi outro brilhante momento do show.
Segundo Ivan Rosa, que é professor e diretor do Conservatório Municipal, é intenção do Conservatório promover, a partir de agora, um show por mês no Teatro Municipal.
Assim seja.
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CONFORTO
O maior conforto
que meu corpo pode ter
é o conforto de teu corpo.
que meu corpo pode ter
é o conforto de teu corpo.
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QUASE
Sempre estive
prestes a
descobrir
uma grande
verdade.
Eu sou
o quase.
prestes a
descobrir
uma grande
verdade.
Eu sou
o quase.
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sábado, 10 de abril de 2010
QUE TERROR!
Não acompanhei a cerimônia do Oscar neste ano. Pensei que “Avatar” (de que não gostei) fosse levar os prêmios de melhor filme e melhor direção. Fiquei surpreso quando eu soube que “Guerra ao terror” havia faturado nessas categorias.
Somente na semana passada é que assisti ao filme de Kathryn Bigelow. Acabei não gostando também. O personagem William James (interpretado por Jeremy Renner), aquele que desativava as bombas, acabou fazendo com que eu me lembrasse de Steven Hiller, interpretado por Will Smith em “Independence Day”.
James não tem o jeitão moleque e garotão de Hiller, mas ambos encarnam o poder bélico americano num ufanismo que, por fim, acaba não surpreendendo. Eu é que comecei a assistir a “Guerra ao terror” pensando que a abordagem seria, de fato, uma outra, em função de críticas que eu havia lido anteriormente.
Somente na semana passada é que assisti ao filme de Kathryn Bigelow. Acabei não gostando também. O personagem William James (interpretado por Jeremy Renner), aquele que desativava as bombas, acabou fazendo com que eu me lembrasse de Steven Hiller, interpretado por Will Smith em “Independence Day”.
James não tem o jeitão moleque e garotão de Hiller, mas ambos encarnam o poder bélico americano num ufanismo que, por fim, acaba não surpreendendo. Eu é que comecei a assistir a “Guerra ao terror” pensando que a abordagem seria, de fato, uma outra, em função de críticas que eu havia lido anteriormente.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
CAIU NA REDE (27)
Nova edição do Caiu na Rede está no ar. Para baixá-lo, clique aqui.
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FOTOPOEMA 159
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
FOTOPOEMA 158
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LETRA DE MÚSICA (25)
Estou triste.
Triste porque
não estás comigo.
Se estivesses,
eu não estaria.
Se estivesses,
eu estaria contente.
Existe como ser
contente de novo
sem que sejas?
A alegria será
a mesma que foi?
Como serei sem ti?
Estou triste.
Estás longe.
Estivesses aqui,
eu estaria contente.
Como não estás,
não está também
a graça das coisas.
Tu és graça,
tempero
e sabor.
Estou triste.
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FOTOPOEMA 157
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
RELUZ
Tua pele bronzeada...
“Nem tudo o que reluz é ouro”.
“Nem tudo o que reluz é ouro”.
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SABOR QUENTE
Só tomo sol
quando mato a sede
em tua pele bronzeada.
quando mato a sede
em tua pele bronzeada.
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FOTOPOEMA 156
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domingo, 4 de abril de 2010
FOTOPOEMA 155
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sábado, 3 de abril de 2010
CAIU NA REDE (26)
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quinta-feira, 1 de abril de 2010
JULIETA VENEGAS
Graças a Shírley Aceval, a quem agradeço, pude assistir ao acústico da cantora mexicana Julieta Venegas. É mais uma produção da MTV.
A rigor, estou conhecendo o universo da cantora de trás para frente. Se ela gravou esse acústico, sintoma de que já tem uma carreira estabelecida e consagrada. Porém, mesmo sem conhecer mais do trabalho dela, escrevo algumas palavras sobre o acústico.
A produção tem os usuais esmero e cenário bonito. No palco, músicos competentes. Julieta, além de cantora, é compositora e instrumentista. Durante o show, toca piano, violão e acordeão (ou seria gaita ponto?).
Dois brasileiros participam do espetáculo: Jaques Morelenbaum, que é maestro e produtor musical, e Marisa Monte, que canta com Julieta a bela “Ilusión”. A composição é de Julieta Venegas; a parte em português é de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.
Além da participação de Marisa Monte, vejo também como pontos altos do show as faixas “Mírame bien” e “Lento”. Esta tem uma terna, doce e feminina letra: “Si quieres un poco de mi / Me deberias esperar / Y caminar a paso lento / Muy lento // Se delicado y espera / Dame tiempo para darte / Todo lo que tengo”.
A faixa parece ter sido um sucesso por lá. Mal Julieta começa a cantar, enquanto toca piano, o público começa a cantar junto, num bonito momento. Fiquei com a sensação de que a cantora se emocionou mesmo. Logo nas primeiras palavras, assim que percebe a partição da plateia, Julieta faz uma mínima pausa, deixando transparecer o que me pareceu uma emoção que havia aflorado.
Nos extras, imagens da feitura e dos ensaios, comentados por Julieta, enquanto ela caminha no que deve ser um parque ou uma praça. De pouco adiantou eu assistir a esse material, pois meu incipiente espanhol fez com que eu quase nada entendesse dos comentários dela.
Posso estar escrevendo pelos cotovelos, mas me pareceu haver nela um quê de timidez, o que não compromete de modo algum sua atuação. É uma timidez, seja ela premeditada ou não, que acaba conferindo certo charme e delicadeza à presença de Julieta Venegas.
A rigor, estou conhecendo o universo da cantora de trás para frente. Se ela gravou esse acústico, sintoma de que já tem uma carreira estabelecida e consagrada. Porém, mesmo sem conhecer mais do trabalho dela, escrevo algumas palavras sobre o acústico.
A produção tem os usuais esmero e cenário bonito. No palco, músicos competentes. Julieta, além de cantora, é compositora e instrumentista. Durante o show, toca piano, violão e acordeão (ou seria gaita ponto?).
Dois brasileiros participam do espetáculo: Jaques Morelenbaum, que é maestro e produtor musical, e Marisa Monte, que canta com Julieta a bela “Ilusión”. A composição é de Julieta Venegas; a parte em português é de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.
Além da participação de Marisa Monte, vejo também como pontos altos do show as faixas “Mírame bien” e “Lento”. Esta tem uma terna, doce e feminina letra: “Si quieres un poco de mi / Me deberias esperar / Y caminar a paso lento / Muy lento // Se delicado y espera / Dame tiempo para darte / Todo lo que tengo”.
A faixa parece ter sido um sucesso por lá. Mal Julieta começa a cantar, enquanto toca piano, o público começa a cantar junto, num bonito momento. Fiquei com a sensação de que a cantora se emocionou mesmo. Logo nas primeiras palavras, assim que percebe a partição da plateia, Julieta faz uma mínima pausa, deixando transparecer o que me pareceu uma emoção que havia aflorado.
Nos extras, imagens da feitura e dos ensaios, comentados por Julieta, enquanto ela caminha no que deve ser um parque ou uma praça. De pouco adiantou eu assistir a esse material, pois meu incipiente espanhol fez com que eu quase nada entendesse dos comentários dela.
Posso estar escrevendo pelos cotovelos, mas me pareceu haver nela um quê de timidez, o que não compromete de modo algum sua atuação. É uma timidez, seja ela premeditada ou não, que acaba conferindo certo charme e delicadeza à presença de Julieta Venegas.
FOTOPOEMA 154 / LETRA DE MÚSICA (24)
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quarta-feira, 31 de março de 2010
LEI
Tudo bem que
dois corpos
não ocupam
um só espaço
ao mesmo tempo,
mas que
nossos corpos
ocupam
um espaço
bem pequenininho
quando a gente
faz amor, ocupam.
dois corpos
não ocupam
um só espaço
ao mesmo tempo,
mas que
nossos corpos
ocupam
um espaço
bem pequenininho
quando a gente
faz amor, ocupam.
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"INTO IT" DE EDWARD POMERANTZ
Já comentei aqui sobre “Caught”, do diretor Robert M. Young. Os leitores deste blogue e todos os meus amigos sabem que gostei demais do filme. Tanto que pedi o livro no qual o filme é baseado. A obra, cujo título é “Into it”, foi escrita por Edward Pomerantz. Ele é também o roteirista do filme. Salvo engano, não há edição em português do livro.
Embora pedido há muito tempo, faz somente alguns dias que o livro chegou. Como é curto e tem uma linguagem fácil, eu o li em dois dias. Pomerantz não inventa firulas, não se mete a manejar manjados truques literários. De tão direto que narra, é como se, por assim dizer, ele não quisesse fazer literatura. Vejo isso como mérito.
Contudo, os personagens no livro não têm a mesma densidade e complexidade que têm no filme. E isso me pareceu curioso, já que Pomerantz é o autor do livro e do roteiro do filme. Como assisti ao filme antes de ler o livro, levei para este uma série de expectativas, mesmo já tendo em mente o velho pensamento de que livros ruins geralmente dão filmes bons e vice-versa.
“Into it” não é um livro ruim. Ainda assim, senti muita falta da riqueza e das nuances que o filme apresenta. Na segunda metade do enredo, livro e filme são bastante distintos, embora o fio condutor e os personagens sejam os mesmos. Só que o filme faz com que conheçamos melhor os personagens, que sintamos melhor os dramas por que estão passando, apesar da aparência tranquila.
Embora pedido há muito tempo, faz somente alguns dias que o livro chegou. Como é curto e tem uma linguagem fácil, eu o li em dois dias. Pomerantz não inventa firulas, não se mete a manejar manjados truques literários. De tão direto que narra, é como se, por assim dizer, ele não quisesse fazer literatura. Vejo isso como mérito.
Contudo, os personagens no livro não têm a mesma densidade e complexidade que têm no filme. E isso me pareceu curioso, já que Pomerantz é o autor do livro e do roteiro do filme. Como assisti ao filme antes de ler o livro, levei para este uma série de expectativas, mesmo já tendo em mente o velho pensamento de que livros ruins geralmente dão filmes bons e vice-versa.
“Into it” não é um livro ruim. Ainda assim, senti muita falta da riqueza e das nuances que o filme apresenta. Na segunda metade do enredo, livro e filme são bastante distintos, embora o fio condutor e os personagens sejam os mesmos. Só que o filme faz com que conheçamos melhor os personagens, que sintamos melhor os dramas por que estão passando, apesar da aparência tranquila.
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terça-feira, 30 de março de 2010
O PAPEL DA LITERATURA
Falta algo
que escreva,
falta ânimo,
mas a palavra
não falta.
O garçom,
amigo,
empresta
caneta
e salva
o verso
urgente,
que vai para
o papel:
guardanapo
que limpa a boca
também lava a alma.
que escreva,
falta ânimo,
mas a palavra
não falta.
O garçom,
amigo,
empresta
caneta
e salva
o verso
urgente,
que vai para
o papel:
guardanapo
que limpa a boca
também lava a alma.
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FOTOPOEMA 153
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segunda-feira, 29 de março de 2010
CAVALGADA
A estrada são lonjuras.
O cavaleiro é estropiado.
O cavalo é rendição
O sol é inclemente.
Estrada imperturbável.
Cavalgadas vãs.
Corpos esgotados.
Sol indiferente.
A estrada bebe suor.
O sol enfurece poeiras.
O cavalo tem sede de água.
O cavaleiro tem sede de nada.
O cavaleiro é estropiado.
O cavalo é rendição
O sol é inclemente.
Estrada imperturbável.
Cavalgadas vãs.
Corpos esgotados.
Sol indiferente.
A estrada bebe suor.
O sol enfurece poeiras.
O cavalo tem sede de água.
O cavaleiro tem sede de nada.
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domingo, 28 de março de 2010
CAIU NA REDE (25)
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sábado, 27 de março de 2010
LETRA DE MÚSICA (23)
Quando penso, em ti penso.
Mas de ti não tenho a vivência que eu quis.
Teu cheiro, tua pele, tua boca, teus cabelos, teus gemidos.
Tive tudo, mas convivi pouco com tuas delícias,
pouco vivi teu riso, tua bondade e tua capacidade de amar.
Na boca, gosto de amor não saciado.
A cama anseia por triângulo de amor entre nós e ela.
A ausência de ti e o desejo de te ter:
negações me compondo em dias que não têm sim.
Um dia, quando puderes, virás.
Quando vieres, entra.
Mas de ti não tenho a vivência que eu quis.
Teu cheiro, tua pele, tua boca, teus cabelos, teus gemidos.
Tive tudo, mas convivi pouco com tuas delícias,
pouco vivi teu riso, tua bondade e tua capacidade de amar.
Na boca, gosto de amor não saciado.
A cama anseia por triângulo de amor entre nós e ela.
A ausência de ti e o desejo de te ter:
negações me compondo em dias que não têm sim.
Um dia, quando puderes, virás.
Quando vieres, entra.
Minha casa te espera.
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sexta-feira, 26 de março de 2010
APONTAMENTO 89
Eu acredito em gnomas.
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APONTAMENTO 88
Argumento onírico a favor da leitura: de acordo com texto que li, sonhamos todos os dias, ainda que a gente não se lembre dos sonhos que tivemos. Além disso, sonhamos em média duas horas por dia e temos de quatro a sete sonhos por noite. Também de acordo com o texto, não sonhar é sintoma de falta de proteína ou de distúrbio de personalidade (não há detalhes sobre as proteínas ou sobre os distúrbios).
Se leio, eu me lembro dos sonhos. Se sonho, parece não haver então falta de proteína nem distúrbio de personalidade.
É preciso continuar lendo.
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terça-feira, 23 de março de 2010
FOTOPOEMA 152
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segunda-feira, 22 de março de 2010
CAIU NA REDE (24)
Pessoas, no ar, mais uma edição do Caiu na Rede. Para baixar o programa, gentileza clicar aqui.
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sexta-feira, 19 de março de 2010
APONTAMENTO 87
“Quantas formas de surpresa tem a morte?”. A pergunta tem o tom de “O livro das perguntas”, do Neruda, mas havia sido feita antes, em “Os ensaios”, do Montaigne.
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NO GUARDANAPO
Amorzinho,
amor,
amorzão:
com carinho,
meu amor
de coração.
amor,
amorzão:
com carinho,
meu amor
de coração.
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LUCIDEZ
Quando tua luz se acende, tu acendes.
Quando acendes, me acendes.
Quando tua luz se acende, tu ascendes.
Quando ascendes, me ascendes.
Num universo de luz e ascensão,
tu, iluminada, iluminas.
Iluminado, eu me torno
lúcido da luz que tu és.
Quando acendes, me acendes.
Quando tua luz se acende, tu ascendes.
Quando ascendes, me ascendes.
Num universo de luz e ascensão,
tu, iluminada, iluminas.
Iluminado, eu me torno
lúcido da luz que tu és.
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terça-feira, 16 de março de 2010
LOUVOR
A palavra
que salva,
que redime,
que elucida.
Esta palavra é
a que escrevo agora.
Quando ela não há,
não existo quem sou,
não existo no que sou.
que salva,
que redime,
que elucida.
Esta palavra é
a que escrevo agora.
Quando ela não há,
não existo quem sou,
não existo no que sou.
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sábado, 13 de março de 2010
CAIU NA REDE (23)
Pessoas, está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. O programa pode ser baixado aqui.
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NA MADRUGADA (*)
Lá no alto do prédio,
uma única luz acesa.
O que aquela luz ilumina?
A solidão ou arfares mútuos?
Um gênio ou um imbecil?
Aquela luz é feliz?
É rebeldia num mundo de trevas
ou ignorância se pavoneando?
Será aquela luz uma piscadela da eternidade
ou tédio pedindo socorro?
O que tem aquela luz que faz
vibrar minha centelha?
uma única luz acesa.
O que aquela luz ilumina?
A solidão ou arfares mútuos?
Um gênio ou um imbecil?
Aquela luz é feliz?
É rebeldia num mundo de trevas
ou ignorância se pavoneando?
Será aquela luz uma piscadela da eternidade
ou tédio pedindo socorro?
O que tem aquela luz que faz
vibrar minha centelha?
_____
(*) Para Pablo e Fernanda.
(*) Para Pablo e Fernanda.
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quarta-feira, 10 de março de 2010
FOTOPOEMA 151
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terça-feira, 9 de março de 2010
FOTOPOEMA 150
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APONTAMENTO 86
Freud escreveu que “só o conhecimento traz o poder”. Hoje, o conhecimento faz com que eu me sinta não poderoso, mas em paz.
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domingo, 7 de março de 2010
LETRA DE MÚSICA (22)
Qualquer multidão
em qualquer lugar
é plena de gente
como eu e você.
Repare na multidão.
O lugar estará pleno
de pessoas como
você e eu.
Não passamos de milhares
de histórias únicas não contadas,
não vividas, não felizes.
Sou mais um cara na multidão.
Você é mais uma cara na multidão.
A multidão é feita de caras como eu.
A multidão é feita de caras como a sua.
O que deixamos de ser
e o que conseguimos ser.
Somos um todo,
encontro plural que
já se desfaz enquanto
a noite cai.
Daqui a pouco,
cada um em seu quarto,
remoendo histórias
que não serão contadas.
em qualquer lugar
é plena de gente
como eu e você.
Repare na multidão.
O lugar estará pleno
de pessoas como
você e eu.
Não passamos de milhares
de histórias únicas não contadas,
não vividas, não felizes.
Sou mais um cara na multidão.
Você é mais uma cara na multidão.
A multidão é feita de caras como eu.
A multidão é feita de caras como a sua.
O que deixamos de ser
e o que conseguimos ser.
Somos um todo,
encontro plural que
já se desfaz enquanto
a noite cai.
Daqui a pouco,
cada um em seu quarto,
remoendo histórias
que não serão contadas.
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sábado, 6 de março de 2010
CAIU NA REDE (22)
Pessoas, está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Caso queiram baixar o programa, gentileza clicar aqui.
Certa vez, sugeriram que eu postasse erros de gravação. Um deles está abaixo.
Certa vez, sugeriram que eu postasse erros de gravação. Um deles está abaixo.
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quarta-feira, 3 de março de 2010
PERCUSSIVO
Bate sol.
Bate lata.
Bate bem.
Bate certo.
Bate horas.
Bate-estaca.
Percussão
que bate fundo:
bateu saudade.
Bate lata.
Bate bem.
Bate certo.
Bate horas.
Bate-estaca.
Percussão
que bate fundo:
bateu saudade.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
LEITURAS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Recentemente, numa revista cultural, li um anúncio da Editora Abril sobre o site Educar para crescer. O anúncio tem por objetivo incentivar a leitura, e é bastante específico: “Biblioteca básica: o que ler dos 2 aos 18 anos para chegar com boas referências à vida adulta”.
Resolvi então conferir a página, que tem uma curiosa lista de sugestões. Indica, por exemplo, a leitura de “Esperando Godot” para os jovens de dezoito anos. Para as crianças de dois, histórias como “Chapeuzinho vermelho” e “Os três porquinhos”. Para quem tem treze anos, indicam “Frankenstein”.
Obviamente, a lista não tem de ser seguida... literalmente – o que, em última instância, estaria em desacordo com o ato de liberdade que toda leitura deveria ser. Por fim, a lista sugerida é eclética, contendo gêneros variados e autores de diversos países.
Caso queira mais informações, gentileza clicar aqui.
Resolvi então conferir a página, que tem uma curiosa lista de sugestões. Indica, por exemplo, a leitura de “Esperando Godot” para os jovens de dezoito anos. Para as crianças de dois, histórias como “Chapeuzinho vermelho” e “Os três porquinhos”. Para quem tem treze anos, indicam “Frankenstein”.
Obviamente, a lista não tem de ser seguida... literalmente – o que, em última instância, estaria em desacordo com o ato de liberdade que toda leitura deveria ser. Por fim, a lista sugerida é eclética, contendo gêneros variados e autores de diversos países.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
CAIU NA REDE (21)
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
FOTOPOEMA 149
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ALTO-MAR
Canta, sereia.
A melodia é tua.
A letra é minha.
A sede é nossa.
A melodia é tua.
A letra é minha.
A sede é nossa.
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PROPOSTA
Casa comigo.
Casa comigo num aquário.
Ou então debaixo de uma árvore – ou sobre ela.
Casa comigo: pode ser na rua,
num túnel ou num estádio.
Numa capela ou numa mansão.
Ou dentro de um carro.
Quem sabe na roça?...
Ou numa grande cidade?...
Casa comigo.
Casa comigo todos os dias.
Casa comigo agora.
Casa comigo numa praça ou num canto.
Num riacho ou num restaurante.
Casa comigo de manhã, de madrugada
ou às quinze para as quatro.
Casa comigo.
Não precisa contar para o padre – conte comigo.
Casa comigo e depois, se preciso, a gente conta.
A gente conta e casa depois.
A gente casa quantas vezes for preciso.
Casa comigo, vestida de noiva ou de vestido.
De tênis ou de salto.
No escuro ou na ribalta.
Casa comigo.
Ou então debaixo de uma árvore – ou sobre ela.
Casa comigo: pode ser na rua,
num túnel ou num estádio.
Numa capela ou numa mansão.
Ou dentro de um carro.
Quem sabe na roça?...
Ou numa grande cidade?...
Casa comigo.
Casa comigo todos os dias.
Casa comigo agora.
Casa comigo numa praça ou num canto.
Num riacho ou num restaurante.
Casa comigo de manhã, de madrugada
ou às quinze para as quatro.
Casa comigo.
Não precisa contar para o padre – conte comigo.
Casa comigo e depois, se preciso, a gente conta.
A gente conta e casa depois.
A gente casa quantas vezes for preciso.
Casa comigo, vestida de noiva ou de vestido.
De tênis ou de salto.
No escuro ou na ribalta.
Casa comigo.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
PROBLEMAS NA CONFIGURAÇÃO DO BLOGUE
Pessoas, este blogue não está com sua configuração usual, de modo que os elementos que fazem parte dele estão abaixo das postagens, e não ao lado, como deveriam estar.
Tudo leva a crer que isso é um problema do Blogger, que detém as ferramentas da página. Segundo li, esse tipo de problema pode ser resolvido em aproximadamente dez dias. Tomara.
Peço desculpas a Hellen Dirley e a Maria Helena, que haviam comentado a última mensagem postada antes desse mau funcionamento da página. Peço desculpas a elas porque deletei a mensagem – o problema poderia estar nela. Ao deletá-la, deletei também os comentários delas. Ainda assim, a postagem está abaixo. Hellen e Maria Helena, caso queiram postar novos comentários (ou não), sintam-se, claro, à vontade.
Tudo leva a crer que isso é um problema do Blogger, que detém as ferramentas da página. Segundo li, esse tipo de problema pode ser resolvido em aproximadamente dez dias. Tomara.
Peço desculpas a Hellen Dirley e a Maria Helena, que haviam comentado a última mensagem postada antes desse mau funcionamento da página. Peço desculpas a elas porque deletei a mensagem – o problema poderia estar nela. Ao deletá-la, deletei também os comentários delas. Ainda assim, a postagem está abaixo. Hellen e Maria Helena, caso queiram postar novos comentários (ou não), sintam-se, claro, à vontade.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
TERRA E CÉU
Sobe até o céu e faz chover.
Sobe até o céu e me abençoa.
Sobe até o céu e lava minha alma.
Sobe até o céu e lava minha lama.
Minha tristeza é terrena e atávica.
Lava meu coração, leva meu corpo.
Sobe até o céu e me eleva junto.
Sobe até o céu e volta para mim.
Sobe até o céu e me abençoa.
Sobe até o céu e lava minha alma.
Sobe até o céu e lava minha lama.
Minha tristeza é terrena e atávica.
Lava meu coração, leva meu corpo.
Sobe até o céu e me eleva junto.
Sobe até o céu e volta para mim.
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GARRINCHA
As coisas precisam ser
o que nasceram para ser.
Com Garrincha,
a bola se tornava
o que nasceu para ser.
Com a bola,
Garrincha se tornava
o que nasceu para ser.
O gol,
o goleiro,
a torcida...
Tudo circunstancial.
O espetáculo
são Garrincha e a bola.
Quando se encontram, são.
Quantos num time são?
Quantos na vida são?
Viva os sãos!
Viva a bola!
Viva Garrincha!
Garrincha em campo
é a vida sendo o que é.
o que nasceram para ser.
Com Garrincha,
a bola se tornava
o que nasceu para ser.
Com a bola,
Garrincha se tornava
o que nasceu para ser.
O gol,
o goleiro,
a torcida...
Tudo circunstancial.
O espetáculo
são Garrincha e a bola.
Quando se encontram, são.
Quantos num time são?
Quantos na vida são?
Viva os sãos!
Viva a bola!
Viva Garrincha!
Garrincha em campo
é a vida sendo o que é.
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
FOTOPOEMA 148
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
SALTO
Ela desceu do salto.
Veio caminhando até mim.
Quando meus braços perceberam,
já era amor demais.
Veio caminhando até mim.
Quando meus braços perceberam,
já era amor demais.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
FOTOPOEMA 147
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
OLÁ, PORTUGAL
Em outubro do ano passado, inscrevi este blogue no Google Analytics, por intermédio do qual tenho a oportunidade de acompanhar as estatísticas do Liviano. Desde então, venho seguindo o número de acessos na página e, principalmente, a origem das visitas.
Depois do Brasil, que, por questões óbvias, é o lugar com o maior número de acessos, o país que mais confere este blogue é Portugal. De lá, já vieram acessos de 28 cidades, num total de 67 visitas, até o dia de hoje.
Meu obrigado a você que mora em Portugal e que tem conferido este blogue.
Depois do Brasil, que, por questões óbvias, é o lugar com o maior número de acessos, o país que mais confere este blogue é Portugal. De lá, já vieram acessos de 28 cidades, num total de 67 visitas, até o dia de hoje.
Meu obrigado a você que mora em Portugal e que tem conferido este blogue.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
CAIU NA REDE (20)
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CONTO 38
Por quatro dias, Zé Flávio vinha observando que Angélica, sua colega de trabalho, ficava muito bem quando usava vestidos, o que até então jamais ocorrera. As peças tinham motivos floridos, tecidos leves, cores claras; eram longas. Zé Flávio ficava absorto, observando o deslizar de Angélica pelos corredores da empresa. Certo dia, enquanto os dois e mais alguns funcionários tomavam café, ele se aproximou e disse para ela, discretamente, que ela ficava muito bem de vestido. Ela deu um sorriso sem graça, agradeceu e disse que estava indo trabalhar de vestido por causa do calor. No dia seguinte, e em todos os outros desde então, Angélica tem ido trabalhar em senhoris calças.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
MORRE PENA BRANCA
Comentei recentemente neste blogue sobre a apresentação de Luiz Salgado em Patos de Minas. Mantivemos conversa no intervalo do show.
Um dos assuntos do bate-papo foi a dupla Pena Branca e Xavantinho. E foi por intermédio de e-mail enviado por Luiz Salgado que fiquei sabendo há pouco que Pena Branca morreu ontem à noite (Xavantinho já havia morrido em 1999).
A causa da morte foi insuficiência respiratória. Pena Branca, cujo nome real era José Ramiro Sobrinho, tinha setenta anos; estava no Hospital São Luiz Gonzaga, em São Paulo, quando morreu.
Com o irmão Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, Pena Branca compôs dupla caipira premiada no Brasil e no exterior. Em 2001, o próprio Pena Branca recebeu o Grammy Latino de melhor disco de música sertaneja.
Pena Branca nasceu em Igarapava, em 1939; Xavantinho, em Uberlândia, em 1942. Os dois eram representantes da chamada música "de raiz", que tem estética e temática diferentes da música sertaneja com influências country, que se popularizou na década de 90.
Um dos assuntos do bate-papo foi a dupla Pena Branca e Xavantinho. E foi por intermédio de e-mail enviado por Luiz Salgado que fiquei sabendo há pouco que Pena Branca morreu ontem à noite (Xavantinho já havia morrido em 1999).
A causa da morte foi insuficiência respiratória. Pena Branca, cujo nome real era José Ramiro Sobrinho, tinha setenta anos; estava no Hospital São Luiz Gonzaga, em São Paulo, quando morreu.
Com o irmão Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, Pena Branca compôs dupla caipira premiada no Brasil e no exterior. Em 2001, o próprio Pena Branca recebeu o Grammy Latino de melhor disco de música sertaneja.
Pena Branca nasceu em Igarapava, em 1939; Xavantinho, em Uberlândia, em 1942. Os dois eram representantes da chamada música "de raiz", que tem estética e temática diferentes da música sertaneja com influências country, que se popularizou na década de 90.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010
SHOW DE LUIZ SALGADO EM PATOS DE MINAS
Ontem, conferi, em restaurante local, show com Luiz Salgado. Ele é de Patos de Minas. Atualmente, mora em Araguari.
No repertório, músicas regionais e alguns clássicos da MPB. Além de Luiz Salgado (voz, violão e viola), a apresentação contou com Gringo (baixo upright), que é uruguaio, e Lilian Fulô (voz e percussão). Ela e Luiz Salgado são casados.
Luiz Salgado já lançou dois CDs: “Trem bão” (2003) e “Sina de cantadô” (2008). Neste ano, será lançado um DVD gravado ao vivo em Cruzeiro dos Peixoto, distrito de Uberlândia. A gravação foi em 2007.
Durante o intervalo do show de ontem, anotei os dados para este texto. Conversa vai, conversa vem, e descobrimos que tanto ele quanto eu temos uma grande admiração pelo carcará, típica ave do Cerrado. O CD “Sina de cantadô” tem uma faixa chamada “Carcará, guardião do Cerrado”.
Caso queira conferir o Myspace do artista, gentileza clicar aqui. Para se informar sobre a agenda de shows, o endereço é este aqui.
Abaixo, conforme combinamos na conversa que tivemos ontem, eis algumas fotos que tenho feito do majestoso carcará.
No repertório, músicas regionais e alguns clássicos da MPB. Além de Luiz Salgado (voz, violão e viola), a apresentação contou com Gringo (baixo upright), que é uruguaio, e Lilian Fulô (voz e percussão). Ela e Luiz Salgado são casados.
Luiz Salgado já lançou dois CDs: “Trem bão” (2003) e “Sina de cantadô” (2008). Neste ano, será lançado um DVD gravado ao vivo em Cruzeiro dos Peixoto, distrito de Uberlândia. A gravação foi em 2007.
Durante o intervalo do show de ontem, anotei os dados para este texto. Conversa vai, conversa vem, e descobrimos que tanto ele quanto eu temos uma grande admiração pelo carcará, típica ave do Cerrado. O CD “Sina de cantadô” tem uma faixa chamada “Carcará, guardião do Cerrado”.
Caso queira conferir o Myspace do artista, gentileza clicar aqui. Para se informar sobre a agenda de shows, o endereço é este aqui.
Abaixo, conforme combinamos na conversa que tivemos ontem, eis algumas fotos que tenho feito do majestoso carcará.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
CAIU NA REDE (19)
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
BASTIDORES
Sempre tive muita vontade de acompanhar a feitura de um filme. Creio que eu vivenciaria, de modo ainda mais intensificado, a curiosa sensação de que o que a gente vê na feitura não corresponderá ao que será exibido nas telas. É muito interessante ver a imagem “crua”, sem tratamento, sem acabamento.
É muito curioso acompanhar, por exemplo, que numa cena intimista havia gente, câmeras, cabos, microfones e equipamentos diversos por toda parte.
É que há pouco conferi os extras de “Um beijo roubado” (My blueberry nights), sobre o qual já escrevi neste blogue. É um barato acompanhar uma cena qualquer a partir de uma câmera que estava no ambiente registrando as filmagens. É como se a produção se tornasse caseira, como se perdesse a dimensão artística. Chego até a ter a sensação de que é fácil fazer aquilo, mesmo sabendo que não é.
É muito curioso acompanhar, por exemplo, que numa cena intimista havia gente, câmeras, cabos, microfones e equipamentos diversos por toda parte.
É que há pouco conferi os extras de “Um beijo roubado” (My blueberry nights), sobre o qual já escrevi neste blogue. É um barato acompanhar uma cena qualquer a partir de uma câmera que estava no ambiente registrando as filmagens. É como se a produção se tornasse caseira, como se perdesse a dimensão artística. Chego até a ter a sensação de que é fácil fazer aquilo, mesmo sabendo que não é.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A QUEDA
O mundo caiu.
Escombros são
o que se vê.
Mas há algo
invisível e latente
em meio aos restos.
Em detalhes ainda
imprecisos, vibra
algo que um dia
será esperança.
Escombros são
o que se vê.
Mas há algo
invisível e latente
em meio aos restos.
Em detalhes ainda
imprecisos, vibra
algo que um dia
será esperança.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
LADY GAGA
Há pouco, conferi reprise de uma entrevista com Lady Gaga. Gostei. Além das músicas, que estão em qualquer rádio a todo momento, e do visual espalhafatoso, eu nada sabia dela.
Nasceu em família rica, teve acesso às melhores escolas (foi colega de sala da Paris Hilton) e foi criada em rígida educação católica. Começou a estudar piano, que toca nos shows, aos quatro anos. Antes do sucesso, apresentava-se em clubes noturnos de Nova York. O nome Lady Gaga se deve ao sucesso “Radio Gaga”, do Queen (all we hear is... Lady Gaga...).
Em determinado momento da entrevista, concedida a Oprah Winfrey, o Haiti foi mencionado. Gaga (como ela gosta de ser chamada) disse que estava em Nova York no 11 de Setembro. Segundo ela, muitos poderiam não entender o que as pessoas de lá pudessem estar passar passando naquele momento. Em seguida, disse que o ocorrido no Haiti foi pior do que o 11 de Setembro, e que por isso mesmo os haitianos precisam da ajuda de todos.
Jovem, rica, bonita e, agora, cantora de sucesso do show business. A despeito de todo o auê em torno dela, transmitiu uma imagem de lucidez e simplicidade. Se há algo de empáfia ou soberba, não senti isso durante a entrevista.
Nasceu em família rica, teve acesso às melhores escolas (foi colega de sala da Paris Hilton) e foi criada em rígida educação católica. Começou a estudar piano, que toca nos shows, aos quatro anos. Antes do sucesso, apresentava-se em clubes noturnos de Nova York. O nome Lady Gaga se deve ao sucesso “Radio Gaga”, do Queen (all we hear is... Lady Gaga...).
Em determinado momento da entrevista, concedida a Oprah Winfrey, o Haiti foi mencionado. Gaga (como ela gosta de ser chamada) disse que estava em Nova York no 11 de Setembro. Segundo ela, muitos poderiam não entender o que as pessoas de lá pudessem estar passar passando naquele momento. Em seguida, disse que o ocorrido no Haiti foi pior do que o 11 de Setembro, e que por isso mesmo os haitianos precisam da ajuda de todos.
Jovem, rica, bonita e, agora, cantora de sucesso do show business. A despeito de todo o auê em torno dela, transmitiu uma imagem de lucidez e simplicidade. Se há algo de empáfia ou soberba, não senti isso durante a entrevista.
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LUZ, CÂMERA, PALAVRA
Já comentei neste blogue sobre “Moulin rouge”. Ontem, revi algumas cenas do filme. Há um momento em que Christian, interpretado por Ewan McGregor, começa a cantar para Satine, interpretada por Nicole Kidman, o sucesso “Your song”, do Elton John. Assim que Christian começa a cantar, as luzes da cidade, literalmente, se acendem. Há a sugestão de que o amor ilumina, é luz...
Numa outra cena, Satine canta diante do personagem Duque, interpretado por Richard Roxburgh, trechos da mesma canção do Elton John. Não era para o Duque que ela cantava, mas, sim, para tentar livrar Christian de uma enrascada – o Duque estava interessado nos serviços de Satine, cortesã de luxo do Moulin Rouge, a casa em que ela trabalhava.
Quando Satine termina de cantar, os olhos do Duque, literalmente, se acendem, se iluminam. Novamente, e com um toque de humor, a sugestão de que o amor ilumina, é luz...
Essas cenas me fizeram pensar sobre o modo de dizer as coisas. Seria comum num pedaço de papel algo como “o amor ilumina o mundo” ou “o amor me ilumina”. São imagens já usadas por demais (é claro que não sugiro que imagens assim tenham se tornado impossíveis de serem usadas com criatividade em literatura). Contudo, olhar as coisas sendo iluminadas pelo amor é diferente do que ler “o amor ilumina”.
Obviamente, levo em conta que cinema e literatura são meios de expressão diferentes e que cada um tem seus recursos, peculiaridades e limites. Mas é que revendo as duas cenas, foi curioso observar que aquilo que pode não soar poético num texto, poético pode se tornar se encenado ou representado.
Numa outra cena, Satine canta diante do personagem Duque, interpretado por Richard Roxburgh, trechos da mesma canção do Elton John. Não era para o Duque que ela cantava, mas, sim, para tentar livrar Christian de uma enrascada – o Duque estava interessado nos serviços de Satine, cortesã de luxo do Moulin Rouge, a casa em que ela trabalhava.
Quando Satine termina de cantar, os olhos do Duque, literalmente, se acendem, se iluminam. Novamente, e com um toque de humor, a sugestão de que o amor ilumina, é luz...
Essas cenas me fizeram pensar sobre o modo de dizer as coisas. Seria comum num pedaço de papel algo como “o amor ilumina o mundo” ou “o amor me ilumina”. São imagens já usadas por demais (é claro que não sugiro que imagens assim tenham se tornado impossíveis de serem usadas com criatividade em literatura). Contudo, olhar as coisas sendo iluminadas pelo amor é diferente do que ler “o amor ilumina”.
Obviamente, levo em conta que cinema e literatura são meios de expressão diferentes e que cada um tem seus recursos, peculiaridades e limites. Mas é que revendo as duas cenas, foi curioso observar que aquilo que pode não soar poético num texto, poético pode se tornar se encenado ou representado.
domingo, 31 de janeiro de 2010
QUEM ÉS
Eu te amo porque
és quem tu és.
Houvesse a mais
um encanto ou
um defeito,
não serias quem és.
Serias diferente,
mas quem amo é
igualzinha a ti.
Amo aquela que és.
Nem menos.
Nem mais.
Nem mais ninguém.
és quem tu és.
Houvesse a mais
um encanto ou
um defeito,
não serias quem és.
Serias diferente,
mas quem amo é
igualzinha a ti.
Amo aquela que és.
Nem menos.
Nem mais.
Nem mais ninguém.
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sábado, 30 de janeiro de 2010
CAIU NA REDE (18)
Pessoas, a edição 18 do Caiu na Rede está no ar. Para baixar o programa, gentileza clicar aqui.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
SUJEITO A GUINCHO BLUES BAND
Ontem, conferi show com a Sujeito a Guincho Blues Band, formada por Júnior Martins (voz, guitarra), Moisés Martins (voz, guitarra) Wendell (baixo) e Cleanto (bateria). A banda não se apresentava desde 2006; foi um prazer revê-los num mesmo palco.
Paralelamente, todos estão sempre envolvidos com a música. A rigor, a Sujeito a Guincho é o projeto paralelo deles: Júnior é um dos integrantes da dupla sertaneja Os Lascadões; Moisés, além de tocar com duplas sertanejas, é integrante da Black Dog, banda de rock; Wendell e Cleanto também tocam com duplas sertanejas e também são integrantes da Black Dog.
No show de ontem, além dos clássicos do blues, pérolas nacionais, como “Sempre brilhará”, do Celso Blues Boy, foram executadas. Os dois ambientes da casa (havia um DJ se apresentando) estavam lotados.
Que a Sujeito a Guincho não demore mais tanto tempo para voltar aos palcos. São garantia de diversão e de qualidade musical. Depois da apresentação, enquanto um show do Led Zeppelin era exibido na TV, ficamos trocando figurinhas sobre o mundo da música. O pessoal da Sujeito a Guincho não somente tem competência – gosta de tocar, gosta de falar de música e é legal.
Paralelamente, todos estão sempre envolvidos com a música. A rigor, a Sujeito a Guincho é o projeto paralelo deles: Júnior é um dos integrantes da dupla sertaneja Os Lascadões; Moisés, além de tocar com duplas sertanejas, é integrante da Black Dog, banda de rock; Wendell e Cleanto também tocam com duplas sertanejas e também são integrantes da Black Dog.
No show de ontem, além dos clássicos do blues, pérolas nacionais, como “Sempre brilhará”, do Celso Blues Boy, foram executadas. Os dois ambientes da casa (havia um DJ se apresentando) estavam lotados.
Que a Sujeito a Guincho não demore mais tanto tempo para voltar aos palcos. São garantia de diversão e de qualidade musical. Depois da apresentação, enquanto um show do Led Zeppelin era exibido na TV, ficamos trocando figurinhas sobre o mundo da música. O pessoal da Sujeito a Guincho não somente tem competência – gosta de tocar, gosta de falar de música e é legal.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
MEU LUGAR
Aonde queres
que eu vá?
Ao altar?
Ao motel?
À tua casa?
Ao circo?
A Joinville?
Catar coquinho?
Basta que digas
e irei – contigo.
Se estou
onde estás,
bem estou.
Se contigo
me quiseres,
bem estarei.
És o lugar
de minha vida.
que eu vá?
Ao altar?
Ao motel?
À tua casa?
Ao circo?
A Joinville?
Catar coquinho?
Basta que digas
e irei – contigo.
Se estou
onde estás,
bem estou.
Se contigo
me quiseres,
bem estarei.
És o lugar
de minha vida.
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SOBRE AVES, PÁSSAROS E DEVANEIOS
O bacana de um devaneio é que a gente não sabe bem como começa nem como vai acabar. Em meio a um, pensava eu na diferença entre ave e pássaro.
Numa explicaçãozinha: todo pássaro é ave, mas nem toda ave é pássaro. Pássaros são criaturas que pertencem à ordem dos passeriformes; é tudo aquilo que tem forma de... passarinho.
Simples: é tudo aquilo que lembra, na forma, um pardal ou um bem-te-vi, por exemplo. Um canário é um pássaro; já um gavião, não. Um gavião é ave falconiforme.
Devaneio vai, devaneio vem, eu me lembrei de um antigo desenho animado que se chama Homem-Pássaro. Lembro-me com nitidez da bela e poderosa voz de Márcio Seixas, o dublador, entoando: “Hoooooooomem-Pássarooo”.
Contudo, a forma do herói não me parece a de um pássaro, mas, sim, de uma ave. Só que pássaro é uma palavra que funciona melhor do que ave. Imagine só o Márcio Seixas durante o mantra: “Hoooooooomem-Aveee”. Convenhamos: perderia o impacto, a força.
Talvez, Homem-Falcão, já que ele lembra um falconiforme. Mas Vingador, o companheiro dele, já lembra um falcão ou algo que o valha – no episódio abaixo, é identificado como águia.
Homem-Gavião?... Mas gavião era gíria usada para se referir aos mulherengos. Homem-Abutre?... Além de ele não se parecer com um, o Homem-Aranha já tem o Abutre como inimigo.
Homem-Coruja... Homem-Tucano... Homem-Cormorão... Homem-Pombo... Homem-Anu-Branco... Homem-Bico-de-Pimenta...
Lidando com nomes mais específicos, não consegui um em nossa fauna que me soasse legal. Falta de hábito, talvez.
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Márcio Seixas,
Vingador
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
LETRA DE MÚSICA (21)
Eu te amo com tudo o que sou.
É imperioso e inevitável
que eu diga que te amo
com tudo de que sou feito.
Eu te amo com minha voz
e com meus sonhos.
Eu te amo com meu silêncio
e na multidão.
Eu te amo em meu quarto
e na música.
Eu te amo em sexo
e em pensamento.
Eu te amo no alívio.
Eu te amo na insônia.
Eu te amo perdidamente.
Eu te amo em paz.
Eu te amo no calor e na tristeza.
Minha pele te ama,
meu coração te ama,
minhas sobrancelhas te amam.
Sou feito do amor
que tenho por ti.
Em meu amor pelo que és,
eu me amo.
Em me amando,
eu te amo mais.
É imperioso e inevitável
que eu diga que te amo
com tudo de que sou feito.
Eu te amo com minha voz
e com meus sonhos.
Eu te amo com meu silêncio
e na multidão.
Eu te amo em meu quarto
e na música.
Eu te amo em sexo
e em pensamento.
Eu te amo no alívio.
Eu te amo na insônia.
Eu te amo perdidamente.
Eu te amo em paz.
Eu te amo no calor e na tristeza.
Minha pele te ama,
meu coração te ama,
minhas sobrancelhas te amam.
Sou feito do amor
que tenho por ti.
Em meu amor pelo que és,
eu me amo.
Em me amando,
eu te amo mais.
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Letras de música
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
"SIDEWAYS"
Com muito atraso (o que é comum), assisti a “Sideways – entre umas e outras” (Sideways, EUA, 2004), do diretor Alexander Payne. Payne é também o responsável pelo roteiro, que por sua vez é baseado em romance de Rex Pickett.
Algumas pessoas que gostam de vinho já haviam me indicado esse filme. Fiquei enrolando e somente anteontem é que conferi. Não me arrependi.
Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church) são grandes amigos. Jack está a uma semana do casamento. Os dois saem em viagem pela Califórnia, percorrendo as regiões produtoras de vinho.
Miles é professor colegial deprimido pelo fim do casamento; Jack é um ator de TV relativamente conhecido. Miles está interessado em vinhos e em golfe; Jack quer transar o mais que puder na semana que falta para o casamento.
Na viagem, os dois se encontram com Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh). Jack logo se entende com Stephanie. Miles, em contrapartida, está indeciso e reticente quanto a Maya – ele não consegue mesmo esquecer a ex-esposa. Há ainda a expectativa dele em ter seu livro aceito por uma editora.
“Sideways” tem aquele astral de filme despretensioso que acaba dizendo muito em sua “simplicidade”. Vale pelo que mostra do mundo dos vinhos e pela riqueza dos personagens – mesmo Jack, o garotão imaturo, acaba sendo um ótimo contraponto ao casmurro Miles.
Senso de humor na medida certa; drama na medida certa. E algumas taças de vinho – que podem passar da medida “certa”; esse é “Sideways”. Se você gosta de vinho, compre algumas garrafas e chame seus amigos. Ou chame namorado, namorada, marido, esposa ou vizinho. Ponham o filme para rodar. Celebrem.
Um brinde.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
É TEMPO
Passei muito tempo
me despedindo.
Meus adeuses
eram medo.
Renovados
e em paz,
o corpo anseia,
a alma deseja,
a boca pede:
“Fica”.
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Literatura,
Poesia
domingo, 24 de janeiro de 2010
A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (63)
A postagem de hoje é literalmente caseira – a senhora acima é minha mãe; a foto foi tirada aqui em casa.
Ela não gosta de tirar fotos, mas de vez em quando a convenço.
A foto foi tirada ontem. Ainda no visor da câmera, já gostei da imagem. Quando a mostrei para minha mãe, ela também gostou.
Ela iria a um evento social. Momentos antes de eu tirar a foto, ela veio até mim e me perguntou se estava bonita, fazendo com que eu olhasse dos pés à cabeça.
Eu disse, em tom de brincadeira, que ela deveria perguntar isso para o Antônio, meu padrasto, que ainda não havia chegado. Ela achou graça, mas ainda assim quis saber de mim se estava bonita.
_____
FICHA TÉCNICA
Câmera: Canon EOS 40D
Lente: Canon EF 28-135mm f/3.5-5.6 IS USM
Comprimento focal: 135mm
Exposição: manual
F/5.6
1/125
ISO: 1000
Flash: não
Flash: não
Hora: 17h08
Labels:
A história por trás da foto,
Fotografia,
Fotos
sábado, 23 de janeiro de 2010
CAIU NA REDE (17)
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Áudios,
Caiu na rede
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
CONDUTA
A palavra certa.
O texto da carta.
A declaração marota.
Saudade aperta.
Porta aberta.
Sentimento grita.
O mundo entorta.
A vontade aumenta.
O amor ata.
O texto da carta.
A declaração marota.
Saudade aperta.
Porta aberta.
Sentimento grita.
O mundo entorta.
A vontade aumenta.
O amor ata.
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Literatura,
Poesia
HAITI
Há pouco, conferi o vídeo abaixo pela página da CNN. As imagens são do resgate de um garoto que estava em meio aos escombros, sete dias depois da hecatombe no Haiti.
O vídeo é em inglês, mas a não-compreensão do idioma não impede que se verifique a beleza do momento.
O vídeo é em inglês, mas a não-compreensão do idioma não impede que se verifique a beleza do momento.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O ELEITO / FOTOPOEMA 146
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Poesia
domingo, 17 de janeiro de 2010
BELEZA DEMAIS
Deveriam proibir beleza demais. É. É isso mesmo. É que não sei o que fazer quando há beleza demais. Tenho vontade de uivar, mesmo quando não é Lua cheia. Quando é, quase uivo; basta que haja beleza demais. Se não uivo, é por falta de coragem.
Não é preciso viajar para que a beleza demais seja vista. Não é preciso ser rico, não é preciso ser pobre, não é preciso ficar plantado num só lugar, não é preciso cultura. Não precisa ser gênio – mas não se deve ser tolo.
A beleza demais está longe, bem longe, mas também está aqui, bem aqui. Se você esticar o braço, vai desalcançá-la. A beleza demais está num ser humano, num marsupial, naquele breve instante que você dançou e naquele réptil que vi mais cedo.
Mas, reparo, beleza demais dói. Sou fraco. Quanta beleza você é capaz de suportar? Beleza demais aperta o coração, ao mesmo tempo em que o agiganta. Beleza demais corta, fere; ao mesmo tempo, edifica, engrandece.
A beleza demais está além do homem, embora, reparo, possa ser por ele produzida. Então a beleza demais pode ser coisa do homem, pode estar fora do homem e dentro dele. Esta é a questão: a beleza demais está em todo lugar.
Ah, este meu coração fraco que parece não estar sendo capaz de suportar tanta beleza. Nem sei mais o que fazer. Devo ir para a África? Mudar-me para Goiás? Conhecer o Japão? Curtir mais meu quarto? Escutar mais música? Ler mais? Mas isso vai é causar mais beleza...
Bah. Bobagem. Bobagem querer que proíbam beleza demais. É que a beleza demais existe apesar de mim, apesar de você e apesar daquele sem educação que ofendeu a irmã de seu amigo na fila do banco.
É que agora, somente agora, enquanto escrevo este texto, é que me dei conta de que beleza demais é para os fortes de coração, e que meu coração é fraco para essa quantidade esmagadora de beleza que existe no micro e no macro.
A beleza demais não sabe que existo. Eu é que, numa esquina escura e desabitada fui informado de que a beleza demais está à espreita e aberta para os fortes de coração. Eu é que soube num momento fatal que existe neste mundo beleza demais.
Sim, existe neste mundo beleza demais. Da eloquente feiúra, não falarei por enquanto. O que me contagia agora é a beleza demais. Há beleza demais neste mundo. Prometem-me beleza demais em mundos alheios, em mundos outros, em mundos além.
Não conheço nenhuma dessas belezas. Se conheci, delas já me esqueci. A beleza do beijo do namorado no rosto da namorada enquanto ele fazia café, a beleza daquele solo de guitarra, a beleza daquela alma-de-gato em sua discreta existência...
Do que me lembro, é da beleza do aqui, do agora. Há beleza demais alhures, em outro nível? Casa haja, estarei pronto para ela? Mas não estou nem pronto para a beleza daqui... A beleza que eu sinto é limitada; é a beleza que tenho sido capaz de sentir.
Não, não proíbam beleza demais. Problema meu se não sei o que fazer dela. Ou aprendo ou me consumo, por ter sido incapaz de suportá-la. Existe gente forte no mundo. Gente que engendra beleza demais, que é capaz de sentir beleza demais. Se não sou, melhor uivar.
Não é preciso viajar para que a beleza demais seja vista. Não é preciso ser rico, não é preciso ser pobre, não é preciso ficar plantado num só lugar, não é preciso cultura. Não precisa ser gênio – mas não se deve ser tolo.
A beleza demais está longe, bem longe, mas também está aqui, bem aqui. Se você esticar o braço, vai desalcançá-la. A beleza demais está num ser humano, num marsupial, naquele breve instante que você dançou e naquele réptil que vi mais cedo.
Mas, reparo, beleza demais dói. Sou fraco. Quanta beleza você é capaz de suportar? Beleza demais aperta o coração, ao mesmo tempo em que o agiganta. Beleza demais corta, fere; ao mesmo tempo, edifica, engrandece.
A beleza demais está além do homem, embora, reparo, possa ser por ele produzida. Então a beleza demais pode ser coisa do homem, pode estar fora do homem e dentro dele. Esta é a questão: a beleza demais está em todo lugar.
Ah, este meu coração fraco que parece não estar sendo capaz de suportar tanta beleza. Nem sei mais o que fazer. Devo ir para a África? Mudar-me para Goiás? Conhecer o Japão? Curtir mais meu quarto? Escutar mais música? Ler mais? Mas isso vai é causar mais beleza...
Bah. Bobagem. Bobagem querer que proíbam beleza demais. É que a beleza demais existe apesar de mim, apesar de você e apesar daquele sem educação que ofendeu a irmã de seu amigo na fila do banco.
É que agora, somente agora, enquanto escrevo este texto, é que me dei conta de que beleza demais é para os fortes de coração, e que meu coração é fraco para essa quantidade esmagadora de beleza que existe no micro e no macro.
A beleza demais não sabe que existo. Eu é que, numa esquina escura e desabitada fui informado de que a beleza demais está à espreita e aberta para os fortes de coração. Eu é que soube num momento fatal que existe neste mundo beleza demais.
Sim, existe neste mundo beleza demais. Da eloquente feiúra, não falarei por enquanto. O que me contagia agora é a beleza demais. Há beleza demais neste mundo. Prometem-me beleza demais em mundos alheios, em mundos outros, em mundos além.
Não conheço nenhuma dessas belezas. Se conheci, delas já me esqueci. A beleza do beijo do namorado no rosto da namorada enquanto ele fazia café, a beleza daquele solo de guitarra, a beleza daquela alma-de-gato em sua discreta existência...
Do que me lembro, é da beleza do aqui, do agora. Há beleza demais alhures, em outro nível? Casa haja, estarei pronto para ela? Mas não estou nem pronto para a beleza daqui... A beleza que eu sinto é limitada; é a beleza que tenho sido capaz de sentir.
Não, não proíbam beleza demais. Problema meu se não sei o que fazer dela. Ou aprendo ou me consumo, por ter sido incapaz de suportá-la. Existe gente forte no mundo. Gente que engendra beleza demais, que é capaz de sentir beleza demais. Se não sou, melhor uivar.
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