domingo, 8 de julho de 2012

ENSAIO (7)

Desde quando fiquei sabendo dos girassóis que estão numa das margens da BR 365, aqui próximo a Patos de Minas, logo tive a vontade de ir até lá fotografá-los – o que fiz ontem. Levei um cabo, para conectar o “flash” à câmera.

Era minha intenção brincar com a luz, e o cabo seria útil por permitir ao “flash” não ficar acoplado ao corpo da câmera. Assim, quando bem próximo dos assuntos que fotografei, com uma das mãos eu segurava a câmera; com a outra, eu segurava o “flash”, posicionando-o em diferentes ângulos em relação ao assunto fotografado, ora disparando mais luz, ora menos, manejando a luminosidade a bel-prazer.

As fotos foram tiradas entre 15h28 e 16h26. Enquanto eu fotografava os girassóis, consegui dois “bônus”: um deles, um inseto; o outro, uma seriema. À medida que eu ia fotografando pude perceber que as vozes delas estavam se aproximando. Já indo embora, decidi pegar o carro e seguir em direção ao vozerio. Como já as fotografei anteriormente, sei que são ariscas.

Dirigindo por uma estrada vicinal, vislumbrei um casal delas sobre uma cerca. Diminuí a velocidade e fui me aproximando. Uma logo desceu de onde estava e sumiu em meio à vegetação. A que permaneceu já mostrava sinais de inquietação. Praticamente a 10 quilômetros por hora, fui me aproximando com o carro e consegui posicioná-lo de modo que seria possível fazer a foto do interior do veículo. Já tendo garantido pelo menos uma imagem, tentei me aproximar mais. A seriema, então, foi embora – sem nem se despedir...


















  

quarta-feira, 4 de julho de 2012

ENSAIO (6)

Segundo Jorge Luis Borges, o escritor passa a vida inteira escrevendo o mesmo livro. Revirando velhos arquivos fotográficos, percebo que o fotógrafo passa a vida toda fotografando a mesma imagem. 

No revirar velhas imagens, acabei me deparando com algumas feitas com a primeira câmera digital que comprei, em 2004. Bastou dar uma olhada em algumas fotos para que eu me desse conta de que elas têm mesmas temática e abordagem das imagens que eu produziria. 

Este pequeno ensaio é, pois, um resgate de meus primórdios, mesmo tendo eu já começado na fotografia depois de velho. 

Não sou religioso. Ainda assim, quando comecei a fotografar, eu ia muito à Igreja dos Capuchinhos, que é um belo cenário. As fotos abaixo foram tiradas lá.







FOTOPOEMA 237

segunda-feira, 2 de julho de 2012

RELATIVIDADE

Foi há muito,
mas é como se
estivesse agora.

domingo, 1 de julho de 2012

ESPANHA FATURA MAIS UM TÍTULO

A Espanha, com seus toques de bola rápidos e curtos, confirmou sua supremacia no futebol atual, tornando-se campeã da Eurocopa, torneio conquistado por ela em 2008.

O futebol praticado pela Espanha (e pelo Barcelona) de alguns anos para cá vai entrar para a história do futebol mundial, assim como entraram, por exemplo, a Laranja mecânica em 74 e o Brasil em 82. Daqui a dois anos, a Fúria, como é conhecida a equipe espanhola, estará por aqui, na Copa de 2014.

A Espanha é a primeira seleção europeia a conquistar em sequência a Eurocopa, a Copa do Mundo e a Eurocopa novamente. Não é preciso dizer que é uma das favoritas na próxima Copa.

terça-feira, 26 de junho de 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

POR GENTILEZA

Teria sido trágico se a Rio +20 tivesse tido retrocessos como consequência. Em contrapartida, não houve avanços. Pontos previamente discutidos há vinte anos, na Eco 92, foram reafirmados.

Um artigo publicado no New York Times no dia 18 de junho afirma que a ausência de governantes como Obama e Cameron ocorreu porque eles e outros líderes estão mais ocupados em tentar resolver problemas de seus próprios países. O texto finaliza dizendo que a chamada comunidade internacional precisa aprender a não realizar uma grande conferência global nos anos em que houver eleições presidenciais nos EUA.

O recado é simples, como se dissessem: “Não contem conosco, os EUA, em tempos de eleições para presidente. Para nós, nossas eleições são mais importantes do que o que possa estar sendo discutido mundo afora”.

Levando-se em conta que os EUA são um dos grandes poluidores, o texto do New York Times é cheio de empáfia. Contudo, tem uma faceta que merece ser levada em conta – a de que, antes de se começar a discutir questões globais, é preciso abordar os problemas locais.

Mesmo que os EUA não estejam dispostos a arredar o pé quanto à poluição que realizam, mesmo que sejam acusados, com razão, de hipocrisia e soberba (não somente quanto à questão ambiental), nós, brasileiros, temos problemas demais a serem resolvidos em nossa própria casa.

Cuidemos dela. No geral, não aprendemos nem a dizer “por favor”, “com licença” ou “desculpe-me”. Se por um lado temos em comum com todos os demais uma selvageria latente e possível, há, por outro, uma gentileza igualmente latente e possível que nem foi ainda exercida por nós como um todo.

Não é intenção minha dizer aquelas bobagens como a de que a civilização de verdade está lá fora ou a de que não passaríamos de imitação de civilidade. Besteira isso, pois a selvageria não é atributo de ricos ou de pobres, mas do homem. Países ditos cultos e civilizados também praticam atrocidades.

Não começamos nem o básico. A gentileza não é solução final para nada e não deixa ninguém rico financeiramente. Mas estamos tão distantes de algo que se pareça com uma Nação que nem aprendemos ainda a tratar com alguma cortesia os nossos convívios.

domingo, 24 de junho de 2012

A RAPOSA E O GALO

Um desavisado que estivesse ciente do resultado do Campeonato Brasileiro do ano passado e que viesse a se informar somente agora sobre o andamento do torneio deste ano, levaria um susto: os dois primeiros colocados são de Minas, e entre os quatro últimos há três times de São Paulo.

Claro que isso não necessariamente reflete o que será a tônica do campeonato. A Libertadores já terminou para o Santos e está prestes a terminar para o Corinthians. O mesmo vale para o Palmeiras, que logo, logo encerra participação na Copa do Brasil. Passarão brevemente a disputar com afinco o Campeonato Brasileiro, que completa hoje sua sexta rodada (são trinta e oito no total).

Curto futebol também para trocar uma ideia saudável com outras pessoas que o curtem, não para me envolver em discussões tolas ou brincadeiras sem graça. Assim, digo que é bom para Minas (e para o futebol brasileiro como um todo) que Atlético e Cruzeiro entrem na disputa pelo topo da tabela.

Por mais que seja de interesse de alguns meios de comunicação o monopólio Rio-São Paulo, para o Brasil é bom que os times mineiros se tornem competitivos, o que não tem ocorrido nos últimos anos. Num quadro ideal, os times do nordeste também entrariam na briga.

O certame é longo e está no começo. Até dezembro, muito jogador pode ir embora, equipes terão ascensão e declínio, a tabela passará por mudanças diversas. Mesmo assim, que Atlético e Cruzeiro consigam, depois de longo e tedioso hiato no futebol das Gerais, estar entre os que terão feito um belo Campeonato Brasileiro em 2012.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

APONTAMENTO 144

Prova de que estou mesmo ficando velho (ou do quanto minha mãe não aparenta ter a idade que tem): há pouco, uma senhora chamou lá fora, procurando pela minha mãe, que não mora aqui. Queriam entregar para ela um convite para um evento beneficente ou algo assim. Recebi recomendações fortes para entregar o convite para ela. Já indo embora, a senhora perguntou: “O senhor é o esposo dela?”.

WAGNER MOURA EM TRIBUTO À LEGIÃO URBANA

Quando fiquei sabendo que o ator  Wagner Moura  participaria  de um show--tributo ao Legião Urbana, ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, logo pensei que Moura fosse também um cantor de mão cheia, além do estupendo ator que é.

Ele não é um grande cantor. Nas mais de duas horas de show, o que se vê é um emocionado Wagner Moura se comportando e cantando como um fã – não como um profissional que domina as manhas do palco e do canto.

Frases como “essa é, talvez, a noite mais emocionante de toda a minha vida” ou “essa banda mudou a minha vida” evidenciam a intensidade da admiração que Moura tem pelo Legião. Também por ele não ser um bom cantor, a iniciativa foi taxada de caça-níqueis. Não fiquei com a impressão de que o ator estivesse naquele palco por dinheiro.

O show contou com a participação de Andy Gill, guitarrista da banda inglesa Gang of Four, de que Renato Russo era fã. Com Gill tocando guitarra no palco (e com Moura fora dele), Dado Villa-Lobos cantou “Damaged goods”, do repertório do Gang of Four; durante a canção, citaram “Love will tear us apart”, do Joy Division. No baixo, o também convidado Bi Ribeiro, dos Paralamas.

Se por um lado Wagner Moura não convence como  cantor,  por outro  tem--se o entusiasmo de um fã que estava num palco, ao lado de Bonfá e  Villa--Lobos, apresentando-se para milhares de pessoas, as quais cantavam em uníssono as canções que mudaram a vida de Moura.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CAIU NA REDE (97)

Pessoas, está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Valeu.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CAIU NA REDE (96)

Pessoas, finalmente está no ar mais uma edição do Caiu na Rede. Durante o programa, explico por que tenho demorado a postar a atração. Espero que gostem.

domingo, 10 de junho de 2012

A REDENÇÃO E O EXORCISMO DO CAPITAL

Dinho Ouro-Preto, o vocalista do Capital Inicial, disse ontem (09/06), em show realizado em Patos de Minas, que não é supersticioso, mas que sua esposa é. Depois que Dinho havia caído do palco, no dia 31 de outubro de 2009, num show aqui mesmo, a esposa dele procurou uma cartomante, que alertou: não era para Dinho voltar mais a Patos de Minas.

Ele desobedeceu à “ordem”, voltou e fez o melhor show a que já assisti do Capital Inicial. Dinho estava visivelmente emocionado e agradecido. Conversou com o público, aplaudiu a plateia e não se cansou de agradecer. Logo na abertura, fez referência à queda que quase o matou, num show realizado no Paiolão do Parque de Exposições.

Foi tocante ver o vocalista, a todo momento, não se cansando de agradecer. Ele aplaudia reiteradamente o público e deixava a nítida sensação de que queria ofertar mais para aqueles que cantavam com ele os sucessos da banda. Já sem camisa sobre o palco, agradeceu mais, não se esquecendo de fazer menção ao médico que o atendeu em caráter de emergência quando da queda do palco aqui na cidade. Segundo o vocalista, ele foi salvo por esse médico.

Foi um show bonito. Sem cair em pieguice, Dinho se entregou, esticou o show, agitou, interagiu e colocou a multidão para pular, cantar e extravasar. Que beleza!... Já nos últimos instantes do espetáculo, depois de ter cantado “Por enquanto”, do Legião, Dinho ainda citou “Smoke on the water”, clássico do Deep Purple, já devidamente exorcizado e de alma lavada, numa redenção que foi um tributo à vida.

Abaixo, algumas fotos que fiz durante o show.










sábado, 9 de junho de 2012

AOS PÉS DO GÊNIO

Não bastasse o bolão que o Messi joga, é incrível o quanto ele não é afetado. Não há gracinhas, dancinhas, gracejos, maneirismos. Ele pega a bola, avança em direção ao gol e pronto. Passa a ideia de concentração, de seriedade, de profissionalismo. Que beleza!... A beleza e alegria dele está nos lances, nos gols, não em sambinhas e climas de descontração tão decantados no futebol daqui. 

Messi desestabiliza o esquema Globo de puxa-saquismo e interesses espúrios, que muitos desavisados chamam de patriotismo. O Sportv, emissora por intermédio da qual acompanhei o jogo entre Argentina e Brasil, logo encerrou a transmissão. É que se fosse para continuar com ela, o assunto teria de, obrigatoriamente, ser o Messi, e a Globo (dona do Sportv) não faria isso. Ela preferiria ressaltar as dancinhas e os cortes de cabelos dos jogadores da seleção brasileira.

Messi é genial não porque é objetivo, mas também por isso. Pode ser que seja insuportável como pessoa (não estou dizendo que seja), mas em campo é exemplo de profissionalismo, discrição e competência. Em sua eficiência assustadora, estraga, sem querer, “simplesmente” fazendo o que sabe fazer, a estratégia da Confederação Globo de Futebol. Na partida encerrada há pouco, fez três gols, dos quais um foi, para variar, uma obra-prima.

PAULINHO PEDRA AZUL EM PATOS DE MINAS

Já devo ter escrito neste blogue que é difícil imaginar um privilégio maior do que ver alguém, na maturidade artística e profissional, exercer seu talento. Nesse sentido, foi um privilégio e uma honra conferir o show de Paulinho Pedra Azul, ontem (08/06), no Balaio de Cultura, no Parque de Exposições, em Patos de Minas.

Paulinho está na estrada há 30 anos, conforme ele mesmo ressaltou durante o espetáculo. Ao som da MPB, com suas serestas, xotes e lirismo, o cantor deu ao show um tom intimista e caseiro, lembrando-se das vezes nas quais esteve em Patos de Minas anteriormente. Falou de almoços em casa de amigos, dos encontros, do pessoal da cidade que confere seus shows quando ele se apresenta em Brasília...

Relembrou também causos de trinta anos de carreira, contou piadas e conduziu com experiência e sabedoria o espetáculo. O público se deliciou, cantando juntos os clássicos do cantor (que também tem livros publicados) e de outros mestres da MPB.

Infelizmente, fico devendo os nomes dos dois músicos que acompanharam o cantor durante o show: um pianista e um percussionista. À parte isso, Paulinho Pedra Azul está cantando como nunca; o timbre está mais grave, mais encorpado, a voz me pareceu mais potente.

Foi uma noite emocionante, regada a boa música, com a plateia diante de um artista maduro, bem-humorado, acessível. Ao término, ele não somente agradeceu por estar aqui bem como disse estar sempre à disposição para voltar sempre que houver convite.

Que haja. Que ele volte. Que eu esteja lá. E que bom que o Sindicato Rural tenha investido na ideia de construir no Parque de Exposições um espaço como o Balaio. Com exceção de Paulinho Pedra Azul, que disse se considerar como se fosse daqui, em virtude das amizades que fez e das vezes em que esteve em Patos de Minas, o Balaio é feito por artistas locais. Em contrapartida, não tem havido o tom ingenuamente bairrista que poderia ocorrer. Que o Balaio se faça presente no futuro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

BATALHA

Este vídeo já havia sido publicado neste blogue. Contudo, não sei por que foi retirado pelos administradores. Assim, eu o publico novamente, na esperança de que, desta vez, ele permaneça.

terça-feira, 5 de junho de 2012

A ÁRVORE DA VIDA


De acordo com a biologia, seria preciso que alguma molécula se replicasse para que a vida, com seu processo evolucionário, tivesse início. A água é a catalisadora dessa replicação. Em outras palavras: sem a água, não haveria a vida tal qual a concebemos. Esse consenso existe nas diversas teorias biológicas que dizem respeito à origem da vida.

Ela, a água, permeia “A árvore da vida” (The tree of life), produção de 2011 dirigida por Terrence Malick. Tem-se água no começo, no meio e no fim da película. Numa paráfrase, o filme poderia ser assim resumido: Pois tu és água e à água tornarás.

O filme não retrata apenas a trajetória de uma família americana de meados do século XX. Ao mesmo tempo em que a saga familiar vai se desdobrando, acompanhamos, paralelamente, o desdobramento do Universo. Sim: paralelamente. É como se houvesse uma espécie de documentário que ocorre em paralelo à história da família, cujo pai tirânico e intransigente é interpretado por Brad Pitt.

O senhor O’Brien, interpretado por Pitt, esmaga, com sua autoridade, a vida dos filhos, que buscam conforto na doçura da mãe, a senhora O’Brien, interpretada por Jessica Chastain. A convivência em família tem uma atmosfera falsamente branda. À medida que o filme vai avançando a gente vai descobrindo a tensão a que os filhos dos O’Brien são submetidos por causa da rigidez contraprodutiva do pai.

Quase não há diálogos. As vozes sussurradas que escutamos deixam escapar dúvidas, revoltas, súplicas, orações, desejos reprimidos: são solilóquios. Há uma cena em que um dos filhos de O’Brien observa o pai, que está debaixo de um carro, consertando alguma falha mecânica. O carro está apoiado sobre o macaco. Jack, um dos filhos, roga a Deus para que o pai seja morto.

O espectador pode até se envolver com a tensão reinante na família O’Brien. Mas o contar da história do Universo que, repito, ocorre ao mesmo tempo em que ocorre o drama dos O’Brien, é o outro lado da moeda no enredo. Os medos, incongruências e fraquezas da família não a impede de ser integrante da úmida trama que engendrara a vida e todas as suas manifestações.

Um "close" ali e outro aqui sugerem que essas manifestações podem estar numa família à beira da derrocada, numa borboleta ou num filete de capim que roçamos enquanto caminhamos. A água envolve a vida, seja ela uma árvore que lança seus galhos em direção ao céu ou um dinossauro diante de fragilizada presa (ainda que no filme o dinossauro apresente traços muito... compassivos).

Não espere da película uma ordem cronológica ou algo como o passado, o presente e o futuro. Há o agora, o “tudo ao mesmo tempo agora”. O mesmíssimo chão que pisamos pode ter sido percorrido há milênios por outra criatura. No cinema, basta um simples corte para que se sugira um breve lapso de tempo entre a pegada de um dinossauro e nossas pegadas. 

Ademais, para a natureza, o que são milhares de anos?... Mil anos são um longo tempo numa escala humana. Na escala da natureza ou do Universo, são, se tanto, alguns milésimos...

Do organismo mais primitivo à forma de vida mais complexa, somos todos feitos de uma só coisa, compartilhamos da mesma origem e iremos por fim partilhar de um mesmo redentor e aquoso destino. Já escrevera o Melville: “A meditação e a água estão ligadas para sempre”.

Foi um trabalho que não me arrebatou – seduziu a razão, mas não a emoção. O apelo foi mais racional do que emotivo. Não que haja frieza em “A árvore da vida” – houve em mim. É como se o “documentário” sobre o Universo tivesse me seduzido mais do que o drama dos personagens, ainda que o filme tenha mostrado que esse Universo está também em nós – e nós, nele.

sábado, 2 de junho de 2012

APONTAMENTO 142

Escutar a guitarra de Stanley Jordan é fenomenal. Mas a gente leva o maior susto quando descobre que ele só tem dois braços.

OUTROS BRILHOS

Nem tudo
o que seduz
é ouro.

ASTROLOGIA

Nem tudo
o que reluz
é touro.

terça-feira, 29 de maio de 2012

SOBRE WISŁAWA SZYMBORSKA

Abaixo, vídeo que gravei para um programa de TV local. É sobre a escritora polonesa Wisława Szymborska, que morreu no dia primeiro de fevereiro deste ano.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

SHOW DA BANDA VANDALUZ

O show da banda Vandaluz, segundo disseram no palco ontem, aqui em Patos de Minas, ainda está sendo formatado. Contudo, o formato já alcançado deixa uma clara ideia do quanto o espetáculo pode ser ainda melhor.

O show é contestador, mas não há a ingênua contestação juvenil, que muitas vezes não passa de rebeldia imatura. Há uma consciência aguda de que este mundo é um “sistema de erros”, há uma vontade de mudar a burrice que reina, mas conseguiram transmitir essa ideia de um modo musical, teatral e maduro.

Velhos problemas como fome e guerra eram projetados no telão enquanto a banda ia mostrando seu repertório, incluindo canções ainda não oficialmente lançadas; entre algumas canções, breves poemas eram declamados. Muito bem-vinda, a ironia contra falsos religiosos que se locupletam aproveitando-se da credulidade simplória de muitos fiéis.

Meu ouvido é muito ruim. Apesar disso, tive a impressão de que o som poderia estar melhor: talvez, um pouco mais alto e com um pouco mais de peso. Ainda assim, um show imprescindível, que mostra o bom momento vivido pela banda e pela música local. Para mais informações sobre o Vandaluz, clique aqui.

terça-feira, 22 de maio de 2012

APONTAMENTO 143

Hoje pela manhã, enquanto eu lecionava, li em um texto a palavra “view”. Prontamente, eu me lembrei da banda View from the Hill. De imediato, peguei uma caneta emprestada com um aluno e escrevi View from the Hill na apostila, para não me esquecer de procurar pela banda.

A rigor, conheço apenas duas canções do grupo – “I’m no rebel” e “No conversation”. Nem preciso dizer que já estão no tocador de MP3 e que já as escutei repetidas vezes, aqui em casa e no carro. (Enquanto digito estas palavras, escuto o refrão “I’m no rebel / I’m no rebel”...)

As canções são de um tempo em que existia o vinil. Executei fartamente ambas no tempo em que trabalhei em rádio. Como se tratava, no início de minha trajetória, do bolachão, alcunha pela qual o vinil tornara-se conhecido, era possível, por assim dizer, presenciar a canção acontecendo, à medida que o toca-discos ia fazendo o vinil girar. Música que se olhava, que se escutava, que se tocava.

domingo, 20 de maio de 2012

APONTAMENTO 142

A fase do futebol brasileiro é ruim. Tem faltado talento, têm faltado bons técnicos. Jogadores que não são capazes de cobrar um escanteio, atletas que não conseguem dar um passe de dois metros, mesmo em condições ideais. Até o decantado Neymar, até agora, quando joga no exterior, parece se vestir de uma espécie de complexo de inferioridade e tem desempenho fraco. Enquanto isso, jornalistas andam dizendo que o malcriado e tosco Muricy Ramalho (é deprimente assistir às coletivas dele) vai assumir a seleção brasileira – outros apostam em Felipão ou Luxemburgo. Em meio a isso, começou ontem o campeonato brasileiro, que, a julgar pelo que tenho visto, pode ser tão pachorrento quanto os monótonos jogos a que tenho assistido.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

APONTAMENTO 140

Ler é minha blindagem e minha ousadia.

APONTAMENTO 139

Ler me traz sorte.

HAICAI 27

Um, dois, três...
Agora, quero mais...
Aqui, sede não tem vez...

APONTAMENTO 138

Num mundo de feras, a contundência da sutileza não é percebida.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

WAGNER MOURA CANTA LEGIÃO URBANA

O ator Wagner Moura vai participar de um show cantando Legião Urbana, ao lado de Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos. Segundo divulgado, vai haver uma única apresentação do espetáculo, no dia 29 de maio, em São Paulo.

A ligação de Moura com a música não é nova: com amigos de Salvador, há vinte anos ele tem a banda Sua Mãe. Sobre o show com o baterista e o guitarrista do Legião, o ator declarou, segundo a página da MTV: “Eu me sinto exatamente como um fã que foi pinçado no meio da plateia e convidado a estar ali no palco junto com meus grandes ídolos. A Legião Urbana é a maior banda brasileira de todos os tempos, uma banda que mudou minha vida, e eu me sinto muito privilegiado de ter sido convidado para fazer isso, eu não perco essa oportunidade por nada no mundo”.

Por fim, Wagner Moura confirma não ser intenção dele “encarnar” Renato Russo, mas, sim, prestar uma homenagem à banda de que é fã.

Para quem está a fim de conferir, mais informações podem ser obtidas aqui.

terça-feira, 8 de maio de 2012

COMENTÁRIO SOBRE "SECRETARIAT"

Abaixo, comentário que fiz sobre o filme "Secretariat". O vídeo foi ao ar no dia nove de março deste ano, em programa realizado pelo Unipam, o Centro Universitário de Patos de Minas.

sábado, 5 de maio de 2012

FOTOPOEMA 234

SHOW DO ROUPA NOVA

Ontem (04/05), conferi show com a banda Roupa Nova aqui em Patos de Minas. Mal chegando, a noite não prometia: a cerveja estava quente. Além do mais, como foram compradas logo na entrada, os tíquetes para que outras cervejas fossem buscadas não valiam no setor para o qual eu comprara ingresso. Em nome dessa burocracia boba, eu tinha de deixar a mesa em que estava para buscar cerveja quente.

Eu já havia conferido diversos shows do Roupa Nova, de modo que eu não esperava novidades, mesmo ciente de que celebrariam no espetáculo os trinta anos de carreira. Juntando-se a isso, a cerveja quente, o estacionamento caro... Um leve mau humor se insinuou.

Mal começado o show, esse esboço de mau humor foi embora. Tive a honra de conferir uma das melhores apresentações musicais a que já tive acesso. Obviamente, eu esperava a riqueza técnica de sempre, por se tratar de um show de caras que cantam demais, são excelentes músicos e têm décadas de estrada.

O que houve no palco foi muito além de técnica e profissionalismo. Foi emocionante acompanhar a trajetória musical da banda. Não somente por serem canções por demais conhecidas, mas também pela beleza de ver gente talentosa e carismática fazendo o que gosta de fazer.

Em meios às canções, os integrantes foram pontuando o espetáculo com declarações sobre os caminhos do Roupa Nova e, de quebra, sobre os caminhos da música de algumas décadas para cá. Deixaram no ar um quê de insatisfação com os rumos tomados pelo mercado fonográfico, rádios e afins, mas sem ranço e com sutileza.

Também sutil, uma leve e gostosa malícia. No diálogo com o público (que achei um tanto frio), além das brincadeiras, iam dando testemunhos da longa trajetória musical que têm. No telão, eram exibidas imagens do espetáculo. Também via telão, as “participações” de Milton Nascimento e da cantora Sandy, em imagens de apresentação dos dois em show do Roupa Nova. Para encerrar, a banda fez trechos de clássicos do rock de bandas como Guns ‘n’ Roses, The Police e Pink Floyd.

O espetáculo foi uma catarse. Foi uma noite surpreendente. Como foi bom vê-los “ensinar” e mostrar como se faz um espetáculo de verdade, com técnica, competência, profissionalismo, emoção e respeito para com o público. A noite foi uma celebração à musica, uma celebração à vida. Penso no privilégio que deve haver em dividir, de um modo tão bonito, o legado que se criou. Sim, que bonito, o legado deixado pelo Roupa Nova.

sábado, 28 de abril de 2012

CONTO 50

Às duas da manhã, depois de sonhos agitados, Sofia acordou. Os sonhos haviam sido causados por uma grande vontade de ir ao banheiro fazer xixi. Rapidamente, acendeu a luz. Foi quando viu o monstro na parede do outro lado do quarto: uma barata. Sofia se transformou em cataclismo; puxou fortemente para si as cobertas. Sozinha, a vontade era de gritar. Conteve-se. Ligar para alguém, impossível, pois o telefone ficava em outro cômodo – Sofia não sairia da cama enquanto o inseto não fosse embora. Também não animaria atirar nada contra a criatura, pois tinha medo de que a barata a atacasse. Num relance, pensou em apagar a luz, mas logo soube que não ficaria no escuro com o bicho. Nesse torpor, já eram sete da manhã quando Sofia adormeceu. Quinze minutos depois, acordou aterrorizada, enquanto a cama ia se tornando úmida.

terça-feira, 24 de abril de 2012

APONTAMENTO 137

O Barcelona é a paciência. Quando se pensa que finalmente vai haver o chute, há mais um passe. Isso nem sempre é eficaz. Como a paciência.

FOTOPOEMA 233

quinta-feira, 19 de abril de 2012

NA PELE

Sou o tatuador.
O peso de minhas mãos
se compraz em tua pele.
Sem ela, as mãos descaminham.
Caminhas melhor se vais pelo mundo
ostentando a tatuagem que lhe imprimo.
Quando a renovo,
as mãos se acham, 
renovam-se – 
assim renovando-te...

terça-feira, 17 de abril de 2012

APONTAMENTO 136

“Quase famosos” não é somente um tributo ao rock: é um tributo à música, um tributo à vida.

sábado, 7 de abril de 2012

CAIU NA REDE (95)

Pesssoas, no ar, ainda com dificuldades técnicas para a gravação, a edição 95 do Caiu na Rede.

Valeu.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O PAVÃO

Não se pavoneia arrogante.
Pavoneia-se pelo que tem,
conquista pelo que é.
À disposição, tem um leque.
Ao abri-lo, seduz.
Ao seduzir, embeleza(-se).
A quem não o conhece,
parece ostentar aristocracia.
Contudo, é povão.

DICIONÁRIO (30)

desconversar. Não é antônimo de conversar.

APONTAMENTO 135

Fiz alguma coisa da minha vida. Só não sei se isso serve para alguma coisa.

APONTAMENTO 134

Politicamente correto, mas desonestamente político.

sexta-feira, 30 de março de 2012

CAIU NA REDE (94)

Fiquei um tempão sem postar o Caiu na Rede. Não se trata de falta de entusiasmo: o equipamento que uso para gravar está com problemas, de modo que a gravação tem se tornado praticamente inviável. Já tentei resolver, sem sucesso, a peleja; ainda não consegui achar o que está impedindo a gravação de ser feita adequadamente. Mas não desisti. Caso eu consiga resolver, volto a postar com mais frequência a atração.

Para escutar, basta clicar aí no alto, à direita.

quarta-feira, 21 de março de 2012

CONTO 49

Poucas situações deixam tímida a expansiva Amanda. Uma delas, é quando ela está em casa de amigos e precisa fazer xixi. Quando as pessoas estão próximas ao banheiro, mal o líquido chega à água do vaso, Amanda dá descarga logo, abafando assim o ruído. Mas vergonha mesmo ela sente quando, terminado o barulho da descarga, o xixi ainda continua jorrando...

quarta-feira, 14 de março de 2012

PATOTA

Ela não sabe,
mas olho minha cidade.

Coitadinha da minha cidade,
que amo/odeio
como quem
odeia/ama
aquilo que é
qualquer coisa
mas que nunca
é indiferença.

Tadinha:
tão chinfrim,
bairrista,
pequena,
pobre de livros
e farta em
donos.

É menor do
que pensa.
É maior
do que se supõe.

Ah, minha cidade,
que insiste em
não assumir
que não é conhecida
e se esquece
daquele mecânico
que sabe
de cor e salteado
os buracos
que dribla no
caminho para
o trabalho.

Minha cidade não é
o milho, não é a festa.
Minha cidade é aquele
padeiro que guardou a foto
da casa que ficava
na esquina e hoje é vitrine.

Tenho dó
da minha cidade,
que sonha em ser Paris.
Amo minha cidade,
que nem sonha ser musa.

sábado, 10 de março de 2012

MISANTROPIA

Parcamente, tenho resistido
ao peso dos dias e às
agruras da idade.

Lá fora,
em vez da
metamorfose ambulante,
a burrice ululante.

Farto do
alarido oco,
tenho asco
silencioso.

Amuado num canto
sem humor,
tento dormir
meu cansaço.

terça-feira, 6 de março de 2012

O FUMANTE

Cada cigarro que acaba
é uma jornada que finda.

domingo, 4 de março de 2012

APONTAMENTO 133

Apesar dos líderes que tem fora de campo, chega a ser incrível o que o futebol é capaz de produzir em campo.

sábado, 3 de março de 2012

CAIU NA REDE (93)

Pessoas, no ar, a edição 93 do Caiu na Rede.

CONTO 48

É a timidez que impede Jaime de, por exemplo, usar o banheiro da casa de alguém. Se é impossível segurar, vai, não sem rubor. Tanta é a timidez que, ao fazer xixi, segura com esmero (e pontaria praticada desde a infância) o pênis, para que o jato não caia diretamente sobre a água do vaso, pois o barulho gerado faz com que Jaime fique mais envergonhado ainda. Quando conheceu Cícero, Jaime sentiu uma espécie de alívio por ter, finalmente, conhecido, numa reunião de amigos, alguém mais tímido do que ele. Num exato momento em que Cícero estava no banheiro, uma das faixas do CD acabou, de modo que sons vindos de um pouco mais longe poderiam ser ouvidos. Passou pela cabeça de Jaime: “Curioso: ele é mais tímido do que eu, mas não tem vergonha de mijar direto na água do vaso”.

BISSEXTO

Um dia a mais ou a menos
faz diferença, pois é
depois de amanhã,
primeiro de março, 
que chegas...

CANSAÇO

... Era para ter sido
um poema sobre o cansaço.
Mas ele cala qualquer verso...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MAS QUE BÓSNIA!

A maior prova de que torço pelo Brasil é que achei muito bom o time brasileiro jogar hoje (28/2) uma partidinha medíocre contra a Bósnia. Há muito que a seleção é o esquemão da CBF, que por sua vez é o esquemão de Ricardo Teixeira. Como sou contra Teixeira e sou a favor do Brasil, torço para que o esquemão do cartola se dê mal. Pode parecer um paradoxo, mas, como cidadão, torcer para o Brasil implica torcer para que a chamada seleção brasileira (que na verdade é a seleção da CBF) se dê mal.

O Brasil já perdeu uma Copa no Maracanã. Que perca outra. Com gol de Messi. Sim, de Messi. Isso seria o fim perfeito para as ingerências, desmandos e maracutaias de Teixeira. Seria a consequência merecida e radical de décadas de irresponsabilidade e jogos de interesse de Teixeira e asseclas. O improviso não resolve situações em que devem estar em campo o planejamento e a paixão. Aquilo que jogou hoje lá na Suíça não tem uma coisa nem outra.

Gosto muito de futebol. Mas, antes disso, gosto de meu País, sem bairrismos tolos. Por querer o bem de meu País, o que é a rigor querer o bem para a gente do País, é que sou contra a realização da Copa aqui. Que o esquema bolado por Teixeira seja um fiasco no torneio. Ainda que ele não esteja mais na CBF quando da realização do Mundial, estarão por lá seus vassalos. Se Teixeira e quadrilha saírem vitoriosos em 2014, os derrotados, mais uma vez, seremos nós.

FOTOPOEMA 230

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SECRETARIAT

Logo na abertura do filme Secretariat (EUA, 2010), do diretor Randall Wallace, torci o nariz, quando vi que era uma produção da Disney: pensei que assistiria a algo piegas e politicamente correto demais, mesmo ciente de que o filme se baseia numa história real.

Se por um lado o filme tem o bom-mocismo da Disney, por outro, havia uma grande história para ser contada, e o filme não fez feio ao contá-la. Além do mais, a produção confirma que os americanos têm, há muito, o domínio de como contar as belas histórias que o esporte pode gerar.

Secretariat foi um cavalo que nasceu no dia trinta de março de 1970. Morreu no dia 4 de outubro de 1989. Deram-lhe uma injeção letal para livrá-lo de uma doença que lhe causava dores no casco.

Na era da televisão, Secretariat foi o primeiro cavalo a ganhar a chamada tríplice coroa no turfe americano. Tornou-se tão popular nos EUA que foi capa das revistas Time, Newsweek e Sports Illustrated. Seu recorde de dois minutos e vinte e quatro segundos para correr uma milha e meia ainda não foi superado (uma milha equivale a 1,61 quilômetro) no tipo de pista em que ele então competiu. A corrida foi em 1973.

O elenco de Secretariat é de primeira: Diane Lane faz Penny Chenery, a dona do cavalo, um dos bens herdados após a morte do pai; John Malkovich faz Lucien Laurin, o treinador; e Otto Thorwarth, Ronnie Turcotte, o jóquei.

No dia 13 de julho de 1978 a carreira de Turcotte terminaria, depois que ele se acidentou numa corrida (ele não montava Secretariat na ocasião). Devido à queda, ficou paraplégico. Vive com as quatro filhas e a esposa. Laurin morreu em 2000; Chenery é viva. 

Para mais informações, há o sítio secretariat.com. No Youtube, há entrevistas  e o vídeo da lendária corrida de 1973. Ron Flatter, da ESPN, num belo texto, foi preciso ao relatar o poder de Secretariat e a distância que o separava do oponente: “Era tão grande, que até a mais extensa grande-angular da CBS (...) mal podia mostrar Secretariat e o segundo colocado, Twice A Prince, num mesmo quadro”.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

LUIZ SALGADO GRAVANDO SEU TERCEIRO CD

Luiz Salgado, já entrevistado no Caiu na Rede, está gravando seu terceiro CD, “Navegantes”, em parceria com a Escola Navegantes, de Uberlândia. No repertório, músicas infantis.

A seguir, uma mostra do que será o CD, a faixa “Mundaréu no papel”. A ficha técnica é:

Luiz Salgado: violão e voz
Carlin de Almeida:voz
Lilian Fulô: percussão
Piano e bateria: Lucas Roza
Baixo: Xande Tannús
Sanfona: Christiano Rodrigues

APONTAMENTO 130