sexta-feira, 1 de maio de 2020

... Focinho do outro

É fácil saber que Bolsonaro nunca deu a mínima, dentre outras coisas, quando o assunto é corrupção. Ele mesmo, muito antes de ser candidato a presidente, já bradava que sonegava impostos. Não é só. No site Sportlight, em matéria publicada no dia 7 de abril de 2020, o imprescindível Lúcio de Castro informa que houve superfaturamentos do então deputado Jair Bolsonaro em reembolsos da verba de combustível.

Não bastasse, nesse caso trazido à tona por Lúcio de Castro, há outros delitos, como o de que datas de abastecimento no Rio de Janeiro coincidem com a presença de Bolsonaro no Congresso, em Brasília. A cota de combustível a parlamentares impossibilita o abastecimento em cidade na qual o político não esteja. Bolsonaro ter feito isso não surpreende. Um pouquinho só de observação já seria o bastante para que se percebesse que a nova política de que se vangloriava o presidente já ronda o Brasil desde 1500.

Também não surpreende Moro ter dito para a Veja que vai apresentar ao STF provas contra Bolsonaro e ter dito que o governo do capitão nunca priorizou o combate à corrupção. Que a prioridade de Bolsonaro nunca foi combater corrupção, até o Tito, meu cachorro, que diz ter interesse mínimo em política, já sabia. O que chama a atenção é que a Veja, caso não surja outro queridinho da revista, já envia sinais de que Moro pode ser o candidato dela em 2022, mesmo com ele tendo dito para o periódico que não quer pensar em política “neste momento”.

Não há como saber se Moro de fato vai apresentar provas contra Bolsonaro, mesmo tendo aquele sido chamado de mentiroso por este. Não temos acesso aos bastidores, aos acordos, aos assessores, aos contatos tanto de um quanto de outro. Mesmo nesse ambiente nebuloso, o que é nítido é que Moro não é o ser mais preocupado com lisura que há no planeta. As arbitrariedades e ilegalidades que ele tomou como juiz são apenas algumas das evidências de que ele, Moro, é tão indigno de crédito e de confiança quanto Bolsonaro. No tempo em que foi ministro da justiça, Moro fingia não ver os delitos do chefe; agora, vem dizer que apresentará provas contra o presidente. Nem um nem outro pagarão pelos danos ao país.