segunda-feira, 18 de maio de 2015

ENTREVISTA COM O PADRE FÁBIO DE MELO

Não é preciso ser gênio para saber que as crenças podem levar as pessoas a atos bem distantes do que poderia se supor como bem-aventurança, paz ou algo parecido. Em nome de alguma coisa que dizem ser divina, barbáries foram e são realizadas, tanto no ocidente quanto no oriente.

O elogio que farei nesta postagem não tem a intenção de fazer proselitismo. O objetivo é apenas ressaltar que a religião causa em alguns o que deveria causar em todos os que se dizem religiosos: a ponderação, o amor pelo conhecimento, a sensatez. Foi a impressão que tive quando, ontem, assisti a uma entrevista concedida pelo padre Fábio de Melo a Marília Gabriela.

Eu sabia que ele é padre e sabia que ele havia gravado uma participação no CD “Na medida do impossível”, da Fernanda Takai, cantando “Amar como Jesus amou”. Essas eram as únicas coisas que eu sabia dele. Ontem, assistindo ao Marília Gabriela Entrevista, conferi um sujeito que estava, é claro, defendendo os interesses católicos, mas fazendo isso com ponderação e com bom senso.

Quando perguntado, por exemplo, sobre a laicidade do Estado, ele disse ser a favor dela. Argumentou: ainda que o Estado venha, por exemplo, a legalizar o aborto, o papel dele como padre e o papel da instituição que ele representa é o de ser contra a prática. Num outro trecho da entrevista, fez questão de dizer que muito do que a igreja dele prega é voltado para os fiéis católicos, não para os que professam outra crença. Também não descartou a possibilidade de o catolicismo vir a tentar maior representatividade na Câmara dos Deputados.

Carismático, talentoso, relativamente jovem (quarenta e quatro anos). É cantor, escritor, compositor; está presente nas redes sociais. Em seu trabalho como cantor, interage com artistas que são conhecidos não por alguma ligação com o catolicismo — casos, por exemplo, de Elba Ramalho e de Zeca Pagodinho. A igreja católica não dá ponto sem nó.