segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

FÁBRICA

Invisto no agora.
Acabo fabricando, 
hoje, a saudade 
de amanhã. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

APONTAMENTO 193

A beleza é versátil: pode ser matemática, verbal, imagética, sonora... Feio é não se dar conta da beleza. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

TRAVESSIA

Existe a margem de lá.
Existe a margem de cá.

Vida é o que acontece
enquanto se atravessa o rio. 

DA PONTE



Fotos que fiz num fim de tarde, no dia oito de janeiro de 2007, durante uma das enchentes do Rio Paranaíba. Fácil perceber que a água estava quase chegando à ponte.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

FINEZA

CARCARÁS



SINTONIA FINA AO VIVO

Pessoas, a partir das 17h, vou estar ao vivo com o Sintonia Fina, programa musical. Caso queiram escutar, basta clicarem aqui. O programa vai até às 19h. 

À LUZ DE NICOLE


Esta é Nicole, criança que, acompanhando aluna minha no mais recente curso de fotografia que realizei, participava das aulas, com carisma e inteligência. Praticando a teoria ao ar livre, estávamos tirando algumas fotos num fim de tarde, quando me dei conta de que a luz natural que incidia sobre a Nicole estava legal. Tirei, então, a foto. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O MILÉSIMO "GOL" DE TÚLIO

Com muito atraso, somente hoje é que vi o milésimo "gol" marcado por Túlio contra o Mamoré, lá em Araxá. Ora, com um árbitro (Igor Junio Benevenuto) disposto a colaborar daquele modo, estou pensando em começar a jogar futebol e tentar marcar mil gols. O Túlio tem quarenta e quatro anos; é profissional há vinte e sete.

Ele levou vinte e sete anos para fazer mil gols. Todavia, caso eu consiga árbitros tão benevolentes quanto o que inventou aquele pênalti contra o Mamoré, penso que eu chegaria a mil na metade do tempo levado por Túlio. Tenho quarenta e três. Logo, por volta dos cinquenta e sete, eu chegaria ao milésimo gol. Amanhã mesmo vou procurar vaga na URT, time para o qual torço. 

SABIÁ-DO-CAMPO

POEMA 27


Este poema faz parte de um livro meu cuja temática é o amor. O título é Amor de palavra. Para conferi-lo na íntegra, clique aqui.
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O lugar do amor deveria ser em toda parte
Que chato o amor ter de se esconder
O lugar do amor é qualquer lugar

Amor urgente esquece tudo
Na claridade ou sobre o muro
No banco da praça ou no banco de trás
No calor do meio-dia ou no cinema

Amor não tem lugar, não tem hora
Para o amor, servem escadas, mangues, mesas
Amor não planejado não pensa em cama
Amor urgente dá um jeito, se vira
Amor urgente é no chão, no ônibus
Amor urgente se intromete em público
Amor urgente jura que está enganando os pais

Cheiros, línguas, mãos, bocas, sexos
O lugar do amor é quando o amor quer ser feito
O lugar do amor é todo mundo
O lugar do amor é o mundo todo
O lugar do amor é o corpo inteiro 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

FAZER BONITO

Nem todo sentimento é bonito.
O que sinto é bonito.
É bonito porque é também palavra.
Nem toda palavra é bonita.
Esta é bonita porque inspirada em ti.
O que sinto é bonito.
É bonito porque tu existes.
Minha palavra é tua.
A beleza é tua.
A beleza é nossa.
Nem todo sentimento é bonito.
O que sinto é bonito porque quero ficar bonito para ti.
É bonito porque te quero bonita. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FOTOPOEMA 346

APONTAMENTO 192

Prefiro os problemas de uma democracia às soluções de uma ditadura. 

NESSIE!

SERVENTIA

Dizem que, 
a rigor, 
a poesia não 
serve para nada. 
Se assim for, 
logo, a rigor,
conforme dizem,
eu me dedico a 
algo que não 
serve para nada. 

A poesia me serve. 
Eu sirvo à poesia. 
Isso me basta. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CAFUNÉ...

Mais um registro antigo com que me deparei ao fazer cópia de segurança de velhos arquivos. Eu nem me lembrava mais de ter tirado esta foto.

PARA O ALTO

Certa vez um fotógrafo, de cujo nome infelizmente não me lembro, escreveu que ao fazer o registro de animais é sempre bom, quando possível, fotografá-los fazendo alguma coisa — alimentando-se, correndo atrás da presa, interagindo entre si... Ainda de acordo com o fotógrafo, no caso de aves e pássaros, é sempre gratificante fotografá-los quando estão voando; para ele, é o que fazem de melhor. Sempre que  fotografo  animais,  lembro--me de que, caso possível, é bom fotografá-los fazendo algo.

Já publiquei outras fotos de aves e pássaros durante o voo; as imagens desta postagem, embora antigas, são parte de cópias de segurança que tenho feito de meus arquivos velhos, que antes estavam somente em DVDs. Aproveito e insiro também fotos do pessoal da Esquadrilha da Fumaça. Afinal, é o animal homem fazendo alguma coisa.



















terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ALÉM DO HORIZONTE

Fotos tiradas hoje, aqui em Patos de Minas.


O QUE SE DEIXA

Se no chão, é pegada.
Se não, é legado.

Pegada é legado.
Legado é pegada.

Pegadas se apagam.
Legados se extinguem.

Nem por isso deixar de caminhar.
Nem por isso deixar de criar. 

"FAZENDO MOSQUITINHOS"


Segundo minha mãe, eles “estão fazendo mosquitinhos”. Alguém furtou (sic) esta foto quando realizei minha primeira exposição. Numa certa manhã, quando cheguei ao saguão em que a exposição estava sendo realizada, a foto não estava mais lá; na noite anterior, estava. Não sei se o que motivou o furto tenha sido alguma fantasia sexual ou algum fetiche... 

FOTOPOEMA 345

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

NAS ALTURAS


Hoje, mais cedo, eu estava ministrando aula em mais um curso de fotografia. Colocando em prática ao ar livre os conhecimentos adquiridos, a aluna tirava fotos. Foi quando me dei conta do avião. Peguei minha câmera e fiz algumas fotos.

P.S.: segundo meu amigo Cassio, não se trata de um avião, mas, sim, de  um ultraleve avançado FOX. Grato pela informação, Cassio.

ATOR

Aqui,
“sou o
que sou”.
Finjo é
quando
não estou
no palco. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

EINSTEIN E O CACHORRO

Antes de eu dizer o que vou dizer, afirmo: gosto de cachorros. Fui criado numa casa em que havia deles, por causa de meu pai, que sempre os teve. Depois que meu pai morreu a tradição foi mantida. Reitero: gosto de cachorros. 

Recentemente, no Facebook, tem sido veiculada uma foto em que há o Einstein. Junto a ela, a seguinte frase: “Não confio em pessoas que não gostam de cachorro, mas confio totalmente num cachorro quando ele não gosta de uma pessoa”.

Não entendi, para começar, o motivo de haver uma foto do Einstein “ilustrando” a frase. Quiseram com isso, buscando um suposto argumento de autoridade, dizer que o físico é o autor da frase? Isso cheira a autoria incorreta.

Contudo, o curioso é que a frase não faz o menor sentido. Não confiar em uma pessoa pelo fato de ela não gostar de cachorro?! Quer dizer então que o critério para se confiar em alguém é o fato de a pessoa gostar de cachorro? O sujeito pode ser um calhorda, mas se gosta de cachorro é, portanto, confiável? Ou calhordas não são capazes de gostar de cachorro?...

Quer dizer então que todo mundo que gosta de cachorro é confiável? Quer dizer que basta à pessoa gostar de cachorro para que se confie nela? Será que não há alguém nesse mundo de bilhões de pessoas que goste de cachorro e que seja um trapaceiro?...

Ora, isso é limitar a confiança a um critério sem sentido. Hitler gostava de cachorro. Ele gostava de crianças também, e, dizem os biógrafos, não havia nisso traço do que poderíamos chamar de populismo. Pergunte a um judeu se ele confiaria em Hitler após saber que ele gostava de cachorro...

A frase, que já havia começado ruim, terminar pior do que começara: “Confio totalmente num cachorro quando ele não gosta de uma pessoa”. Nesse caso, o critério para se confiar numa pessoa é decidido por um... cachorro. 

E se um cachorro não gostar de sua mãe?... (Será que todos os cachorros do planeta gostam de sua mãe?...) E se um cachorro não gostar de seu melhor amigo?... (Será que todos os cachorros da Terra hão de gostar de seu melhor amigo?...) E se um cachorro não gostar de você?... E se um cachorro vier a não gostar de sua esposa ou de seu marido?...

Um cachorro não vale nem mais nem menos do que um tatu, por exemplo. A diferença é que o cachorro foi domesticado. Séculos e séculos de convivência criaram uma dependência mútua entre cachorro e gente.

Ainda assim, a psique humana é mais melindrosa e multifacetada do que é capaz de deduzir a sagacidade de um cão, por mais sofisticada que ela seja. Não sei se um cachorro se deixa levar pela imaginação, mas o ser humano se deixa, a ponto de dizer que o “parecer” de um cão é critério para se confiar numa pessoa. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

VOCÊ NÃO PASSA DE UMA VACA!


Desde 2004 tenho fotografado a natureza. Há alguns imprevistos, geralmente envolvendo a moto: já caí dela em estrada empoeirada, ela já furou o pneu estando eu longe da cidade, já derrapei em estrada ruim... Nada disso, entretanto, chega perto do aperto por que passei hoje.

Prestando atenção no ambiente, reparei que havia um casal de seriemas na beira da estrada. Como são ariscas, parei a moto lentamente. A seguir, tirei o capacete e segurei a câmera, que vai sempre pendurada no pescoço.

Às vezes, nem desço da moto para fotografar. Não foi o caso de há pouco: desci. Só que as seriemas, desconfiadas, já começaram a se afastar. Pensei comigo: “Vou perder a foto”. Para piorar, havia entre mim e elas uma vaca.

Agachei, na tentativa de fotografar pelo menos uma das seriemas por debaixo da vaca, por assim dizer. Só que o ângulo não permitia, devido ao mato, que tapava as seriemas. Fiz então um gesto com o braço, como se estivesse jogando algo na vaca. Ela não se moveu.

Peguei então uma pedra de tamanho razoável e fiz menção de jogá-la no animal, que dessa vez se moveu — em minha direção. Não foi um movimento brusco, mas ela deu um ou dois passos para onde eu estava e me encarou.

Comecei a não gostar da situação. Indo um pouco para a direita, consegui fotografar uma das seriemas. A vaca, encarando-me, moveu-se outra vez em minha direção, sempre sutil, sempre me encarando. Também a encarei.

Como esse impasse já estava durando o bastante para me incomodar, movendo-me com lentidão máxima, fui me aproximando da moto, que estava no meio da estrada. A vaca, mais uma vez, ameaçou se aproximar de mim. Estávamos a uns cinco metros um do outro.

A partir daí, qualquer movimento mínimo que eu fizesse era razão para que ela esboçasse partir de vez para me atacar. Tentando fingir uma calma que estava longe de ser verdadeira, continuei, imóvel, encarando o bicho, que me encarava de volta.

Assim ficamos por uns cinquenta segundos, suponho. Foi quando escutei barulho de motor. Olhando de canto de olho para a esquerda, vi que um outro motociclista de aproximava. Tentando não assustar a vaca, fiz gesto com o braço esquerdo para que ele parasse.

Devido ao lugar em que ele parou, fiquei entre ele e a vaca. Eu disse a ele que me esperasse até eu tentar montar na moto, dar a partida e arrancar. Pedi a ele que não desligasse a moto dele e que estivesse pronto para arrancar súbito se preciso.

Ele, um senhor, que parecia ter as manhas com essas ocasiões, disse que as vacas podem ser perigosas, principalmente se estiveram com bezerro. Só então é que me dei conta de que havia um bezerro por perto. Focado nas seriemas, eu não o tinha visto.

Pé por pé, fui me aproximando da moto, sem tirar o olho da mãe vaca. Montei. Não sei se é delírio, mas tive a impressão de que o bovino ameaçou outra vez me atacar. Com o coração acelerado, dei a partida. 

Segundos depois, diminuí a velocidade. Eu e o senhor gesticulamos um para o outro; ele seguiu viagem. No afã de me ver livre da situação, eu nem colocara o capacete. Parei a moto, coloquei o capacete e segui pela estrada. A foto desta postagem foi uma das que consegui. 

DE OLHO

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

"HISTÓRIAS CRUZADAS"

Preste atenção: pare de ler este texto a-go-ra e vá assistir a “Histórias cruzadas” [The help, 2011], do diretor Tate Taylor, que também é o autor do roteiro. O filme é baseado no livro “The help”, de Kathryn Stockett.

Emma Stone é Skeeter Phelan, uma jovem de vinte e poucos anos que sonha em ser escritora. Voltando da faculdade, a princípio descola emprego para redigir uma seção sobre dicas culinárias num pequeno jornal na pequena Jackson, Mississippi, no começo da década de 60.

É quando decide contar em livro a história dos negros, em especial das empregadas domésticas negras, da cidade em que vivia. Para sua história, Skeeter quer saber o que elas têm a dizer sobre o contexto de racismo insano e desumano com que conviviam no dia a dia.

A princípio, convence Aibileen Clark (Viola Davis) a contar sua história. Depois, Minny Jackson (Octavia Spencer) também decide relatar sua experiência a Skeeter. Mas a editora em potencial do livro quer mais depoimentos...

Tate Taylor fez um trabalho primoroso na direção e no roteiro. Além disso, os estupendos talentos de Viola Davis e de Octavia Spencer conferem ao filme interpretações que acertam no tom: elas não pecam pelo excesso (que poderia levar à pieguice) nem pela frieza (que poderia não dar a dimensão do quanto suas personagens sofrem).

Sem cair em maniqueísmos bobos, “Histórias cruzadas” aborda a nevrálgica questão do preconceito racial, com suas contradições e abusos. Ainda assim, a despeito da realidade barra-pesada que retrata, há espaço para a poesia e para o humor.

A gente fica melhor depois de assistir a algo como “Histórias cruzadas”. Reitero: se eu fosse você, abandonava de uma vez por todas e para sempre este texto e saía agora em disparada, triunfante, libertadora e catártica carreira em busca do filme. Enquanto isso, deixem-me correr atrás do livro de Kathryn Stockett. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

DA NATUREZA

Não sei até quando a natureza, tal como é, vai resistir a nós. Mas ela ainda é pródiga. Há tamanhos e cores em abundância. Generosa em qualquer época do ano, parto rumo à natureza quando saio para fotografar. 

Não bastasse sua magnanimidade, o que, por si, já justifica minhas incursões, estar em meio à natureza é estar mais próximo do que sou: mesmo sem saber com exatidão o que sou, sou também natureza. Visitá-la é me visitar.










domingo, 26 de janeiro de 2014

DA INSPIRAÇÃO

Acredito na inspiração, mas não na inspiração no sentido romântico ou na inspiração como uma espécie de visita que recebemos de alguma “entidade”. Acredito na inspiração como um processo mental, feito de sinapses e outros processos cerebrais. Não concebo a inspiração num cérebro que não se exercita. 

BELADONA