O Barcelona é o auge do futebol atual. Messi é o auge do Barcelona.
sábado, 28 de maio de 2011
APONTAMENTO 111
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
NOVA EDIÇÃO DO CAIU NA REDE
Pessoas, a edição 65 do Caiu na Rede está no ar. Para escutar, basta dar “play” aí no alto, à direita, onde está escrito “dê ‘play’ e escute o Caiu na Rede”.
Mesmo ciente de que todos nós temos um profundo conhecimento de polonês, no programa, leio, em inglês, texto da autora polonesa Wisława Szymborska. O poema se chama “The three oddest words”.
Abaixo, quatro versões do texto: a original, a versão em inglês, a tradução que fiz e uma versão do poema musicada por Fernando Tordo. Minha tradução é “torta”, pois se baseou na versão em inglês, de S. Baranczak e C. Cavanagh.
Szymborska foi Nobel de Literatura em 1996. Para mais informações sobre a autora, clique aqui.
_____
Trzy słowa najdziwniejsze – Wisława Szymborska
Kiedy wymawiam słowo Przyszłść,
pierwsza sylaba odchodzi już do przeszłości.
Kiedy wymawiam słowo Cisza,
niszczę ją.
Kiedy wymawiam słowo Nic,
stwarzam coś, co nie mieści się w żadnym niebycie.
_____
The Three Oddest Words
When I pronounce the word Future,
the first syllable already belongs to the past.
When I pronounce the word Silence,
I destroy it.
When I pronounce the word Nothing,
I make something no non-being can hold.
_____
As três palavras mais estranhas
Quando eu pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando eu pronuncio a palavra Silêncio,
eu o destruo.
Quando eu pronuncio a palavra Nada,
eu crio algo que nenhum não-ser consegue abarcar.
_____
Mesmo ciente de que todos nós temos um profundo conhecimento de polonês, no programa, leio, em inglês, texto da autora polonesa Wisława Szymborska. O poema se chama “The three oddest words”.
Abaixo, quatro versões do texto: a original, a versão em inglês, a tradução que fiz e uma versão do poema musicada por Fernando Tordo. Minha tradução é “torta”, pois se baseou na versão em inglês, de S. Baranczak e C. Cavanagh.
Szymborska foi Nobel de Literatura em 1996. Para mais informações sobre a autora, clique aqui.
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Trzy słowa najdziwniejsze – Wisława Szymborska
Kiedy wymawiam słowo Przyszłść,
pierwsza sylaba odchodzi już do przeszłości.
Kiedy wymawiam słowo Cisza,
niszczę ją.
Kiedy wymawiam słowo Nic,
stwarzam coś, co nie mieści się w żadnym niebycie.
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The Three Oddest Words
When I pronounce the word Future,
the first syllable already belongs to the past.
When I pronounce the word Silence,
I destroy it.
When I pronounce the word Nothing,
I make something no non-being can hold.
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As três palavras mais estranhas
Quando eu pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando eu pronuncio a palavra Silêncio,
eu o destruo.
Quando eu pronuncio a palavra Nada,
eu crio algo que nenhum não-ser consegue abarcar.
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
CAIU NA REDE (64)
Pessoas, a edição 64 do Caiu na Rede está no ar. Para escutar, basta dar "play", aí no alto, à direita, onde está escrito "dê 'play' e escute o Caiu na Rede".
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
BLEFE (6)
Juan Carlos Osori, o técnico do Once Caldas, entrega bilhetes contendo instruções para seus jogadores. Depois de encerrar a carreira de técnico, cogita se dedicar à literatura.
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terça-feira, 17 de maio de 2011
FOTOPOEMA 190
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
MARACANÃ
Não bastasse o atraso para a construção/reforma de estádios para a Copa de 2014, estão desfigurando o Maracanã. Daí, fácil concluir que para a Copa de 50, ele foi construído; para a de 2014, estão o destruindo.
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domingo, 15 de maio de 2011
CRUZEIRO É CAMPEÃO MINEIRO
Cruzeiro e Atlético realizaram um monótono jogo em Sete Lagoas. A partida somente assumiria um aspecto de decisão a partir dos 20 minutos do segundo tempo, quando o Cruzeiro, que precisava vencer, partiu para o abafa.
A partir daí, o desenho tático da partida passou a ser, de modo mais intenso ainda, de um Atlético que investia nos contra-ataques e de um Cruzeiro que, arriscando-se mais, abria espaços. Tanto que, aos 29, não fosse a intervenção de Fábio, diante de Magno Alves, depois de um contra-ataque do Galo, o placar teria sido aberto.
Logo após, aos 30, Wallyson abriria o placar na Arena do Jacaré. Gilberto ainda marcaria o segundo gol, aos 42, para o time celeste. Se até os 20 minutos do segundo tempo o jogo havia sido chato, pelos menos os últimos 25 minutos tiveram o astral de uma decisão de campeonato.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
CAIU NA REDE (63)
Pessoas, a mais recente edição do Caiu na Rede está no ar. Mais uma vez, quem participa do programa é Ismael.
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
APONTAMENTO 110
Na noite que passou, sonhei um poema. Durante o sonho, pareceu-me o mais belo texto já composto por mim. Acordei com algumas palavras ainda no pensamento. Pensei em acender a luz e rabiscar alguns apontamentos, anotar alguns termos que surgiram no sonho. Mesmo tendo eu acordado, o texto me agradava muito. Como a preguiça falou mais alto, continuei no escuro, fiando-me na certeza de que não me esqueceria das palavras. Num consciente arrependimento, digo que fiquei sem o poema.
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SEXO E MÚSICA
Escutei no Fim de Expediente, da CBN: pesquisa revelou que os fãs do Coldplay são os que mais demoram a fazer sexo com novas parceiras. Já os fãs do Nirvana, segundo a mesma pesquisa, são os que mais fazem sexo no primeiro encontro. E se o cara for fã das duas bandas?...
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APONTAMENTO 109
O citadino bitolado não percebe que o caipira pode ser cosmopolita.
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
CAIU NA REDE (62)
Pessoas, a edição 62 do Caiu na Rede está no ar. Abaixo, o texto que leio durante a atração.
_____
Liberdade - Fernando Pessoa
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
_____
Liberdade - Fernando Pessoa
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
OSAMA/OBAMA
Barack Obama e outros membros da cúpula do governo estadunidense assistiram ao vivo a execução de Osama bin Laden, num bizarro Big Brother bélico. A foto acima (clique sobre ela para vê-la ampliada) mostra Obama e outros membros da cúpula acompanhando em tempo real a operação realizada pelos EUA. A expressão de Hillary Clinton me chama a atenção. Estaria ela chocada, preocupada, terrificada, assustada? Ao fundo, há outra mulher, atrás de um funcionário de camisa azul, que posiciona o corpo, para também acompanhar o “espetáculo”.
Kathryn Bigelow, diretora de “Guerra ao Terror”, pegando uma oportunista carona no ocorrido em Abbottabad, fará um filme sobre o assassinato. A ideia inicial era uma ficção em que tentativa de matar Osama bin Laden malogra. Nos novos planos da diretora, os assassinos terão êxito. Por certo, será mais uma produção ufanista.
Robert Fisk, do jornal britânico The Independent, afirma que o Paquistão sabia que Osama bin Laden estava no país. “Pakistan knew where he was” [o Paquistão sabia onde ele estava], escreveu Fisk, que conhecia Osama bin Laden pessoalmente – como repórter, o correspondente entrevistou o mentor da Al Qaeda. Os EUA chegaram até a mansão em Abbottabad a partir de um prisioneiro em Guantánamo. Torturado, ele revelaria o nome de um mensageiro de confiança de Osama bin Laden.
Nos EUA, multidões ovacionaram. Na onda de patriotismo, a CNN mostrou, anteontem, foto-montagem em que a Estátua da Liberdade segura a cabeça de Osama bin Laden (a montagem já está em camisetas). Contudo, há gente criticando: a ESPN Brasil informou que Douglas-Roberts, jogador da NBA, foi contra o júbilo levado às ruas: “Foram necessárias 919.967 mortes para matar este cara. Foram necessários dez anos e duas guerras para matar este cara. Nos custou aproximadamente US$ 1.188.263.000.000 [1 trilhão, 188 bilhões e 263 milhões] para matar este cara”. Douglas-Roberts afirmou ser contra “uma guerra de dez anos” e, principalmente, a “morte de inocentes diariamente”.
Kathryn Bigelow, diretora de “Guerra ao Terror”, pegando uma oportunista carona no ocorrido em Abbottabad, fará um filme sobre o assassinato. A ideia inicial era uma ficção em que tentativa de matar Osama bin Laden malogra. Nos novos planos da diretora, os assassinos terão êxito. Por certo, será mais uma produção ufanista.
Robert Fisk, do jornal britânico The Independent, afirma que o Paquistão sabia que Osama bin Laden estava no país. “Pakistan knew where he was” [o Paquistão sabia onde ele estava], escreveu Fisk, que conhecia Osama bin Laden pessoalmente – como repórter, o correspondente entrevistou o mentor da Al Qaeda. Os EUA chegaram até a mansão em Abbottabad a partir de um prisioneiro em Guantánamo. Torturado, ele revelaria o nome de um mensageiro de confiança de Osama bin Laden.
Nos EUA, multidões ovacionaram. Na onda de patriotismo, a CNN mostrou, anteontem, foto-montagem em que a Estátua da Liberdade segura a cabeça de Osama bin Laden (a montagem já está em camisetas). Contudo, há gente criticando: a ESPN Brasil informou que Douglas-Roberts, jogador da NBA, foi contra o júbilo levado às ruas: “Foram necessárias 919.967 mortes para matar este cara. Foram necessários dez anos e duas guerras para matar este cara. Nos custou aproximadamente US$ 1.188.263.000.000 [1 trilhão, 188 bilhões e 263 milhões] para matar este cara”. Douglas-Roberts afirmou ser contra “uma guerra de dez anos” e, principalmente, a “morte de inocentes diariamente”.
A ONU quer mais detalhes do assassinato. Pela internete, prolifera o número dos que duvidam da morte de Osama bin Laden. Segundo o que leio agora, o governo americano deve divulgar a qualquer momento foto(s) do suposto cadáver do saudita.
Se por um lado a tecnologia permitiu que Obama e asseclas acompanhassem ao vivo o assassinato, foi também a tecnologia a qual fez com que Sohaib Athar (@ReallyVirtual), que mora em Abbottabad, relatasse, sem saber do que se tratava, a presença dos estadunidenses na cidade. Involuntariamente ele se tornou, via Twitter, uma espécie de repórter que ia gradativamente postando o que podia escutar, compondo a linha do tempo da invasão.
Há muita dúvida e muita desconfiança pairando. À parte isso, mortes de inocentes, torturas, mentiras e assassinatos foram perpetrados tanto pelos EUA quanto pela Al Qaeda. A História acabou fazendo com que a semelhança entre a violência da política estadunidense e as ações da organização terrorista estivesse também refletida nos nomes Osama/Obama.
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sábado, 30 de abril de 2011
APONTAMENTO 108
Marcos Rassi é professor de história. Quando fala sobre Patos de Minas (a cidade em que vive) ou sobre os habitantes do lugar, dá às pessoas ou à cidade uma dimensão verdadeiramente histórica. Ele faz com que qualquer habitante local se torne, efetivamente, um personagem histórico – o que todos nós, a rigor, somos.
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
HORIZONTE x FLAMENGO
O técnico do Horizonte, time derrotado pelo Flamengo, há pouco, lá no Ceará, chama-se Roberto Carlos. A associação é inevitável: Horizonte... Roberto Carlos...
...O futebol imita a arte.
...O futebol imita a arte.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
FOTOPOEMA 189
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CAIU NA REDE (61)
Pessoas, a edição 61 do Caiu na Rede está no ar. Valeu.
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PARALAMAS COM NOVO CD
Os Paralamas estão com um CD novo. O álbum, gravado ao vivo, tem as participações de Zé Ramalho (na faixa “Mormaço”, composição do trio dos Paralamas) e de Pitty (na faixa “Tendo a lua”, de Tetê Tillett e Herbert Vianna). O CD tem dezesseis faixas.
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
FLUMINENSE PROSSEGUE NA LIBERTADORES
Imprensa e meios de comunicação disseram que o Fluminense desafiou a matemática ao conseguir a classificação na primeira fase da Libertadores, ao vencer o Argentinos Juniors, lá na Argentina. É que o Fluminense não dependia só de si, além de precisar vencer por pelo menos dois gols de diferença: com o empate em 0 a 0 entre Nacional, do Uruguai, e América, do México (jogo de que o time carioca dependia), o Fluminense se classificou, em virtude do saldo de gols a favor com que terminou a primeira fase do torneio.
A rigor, o que o Fluminense desafiou não foi a matemática. Ele desafiou, sim, a probabilidade da eliminação. Segundo o que foi informado pela imprensa e meios de comunicação, o Fluminense, de acordo com os matemáticos, tinha oito por cento de chances para se classificar. Ora, a classificação do time carioca não desafia a matemática. Aliás, o resultado confirma os cálculos. Afinal, oito por cento de chances não significam chance alguma. O Fluminense não desafiou nem o impossível nem a matemática – ele desafiou o improvável.
À parte isso, a classificação do Fluminense é louvável e bonita. É uma daquelas vitórias que inspiram e que nos incentivam a agarrar possíveis oito por cento de chances que possam aparecer por aí na vida da gente. Em contrapartida, a nota triste foi a vexaminosa briga que aconteceu depois que o jogo terminou.
A rigor, o que o Fluminense desafiou não foi a matemática. Ele desafiou, sim, a probabilidade da eliminação. Segundo o que foi informado pela imprensa e meios de comunicação, o Fluminense, de acordo com os matemáticos, tinha oito por cento de chances para se classificar. Ora, a classificação do time carioca não desafia a matemática. Aliás, o resultado confirma os cálculos. Afinal, oito por cento de chances não significam chance alguma. O Fluminense não desafiou nem o impossível nem a matemática – ele desafiou o improvável.
À parte isso, a classificação do Fluminense é louvável e bonita. É uma daquelas vitórias que inspiram e que nos incentivam a agarrar possíveis oito por cento de chances que possam aparecer por aí na vida da gente. Em contrapartida, a nota triste foi a vexaminosa briga que aconteceu depois que o jogo terminou.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
APONTAMENTO 107
Arriscar é preciso. É que, de vez em quando, quem realiza não é a gente – é o improvável, o imponderável ou o insondável.
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terça-feira, 19 de abril de 2011
CAIU NA REDE (60)
Pessoas, a edição 60 do Caiu na Rede está no ar. Para escutar, basta dar "play" aí à direita, no alto.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
APONTAMENTO 106
O problema não é o valor do salário mínimo – é o número de salários que se ganha...
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
CELEBRAÇÃO
Sempre fui contra boa parte do que propaganda e publicidade têm produzido. A técnica, a criatividade e a inteligência de que se valem estão a serviço, na maioria das vezes, de embustes e mentiras.
O esporte também é cheio de maracutaias em que o fã é o atingido. Se houver então propaganda e publicidade em torno de um evento esportivo, será lícito supor um duplo engodo – o da propaganda e publicidade e o do esporte.
À parte isso, o Comitê Olímpico Internacional, em 2004, lançaria marcante campanha publicitária. Produzida pela Saatchi & Saatchi, de Nova Iorque, a série de comerciais e de anúncios, veiculada em mídias eletrônicas e impressas, vale-se do amplo acervo de imagens do Comitê. Na campanha para televisão e rádio, a narração ficou por conta do ator Robin Williams.
Desde quando começaram a ser veiculados, os comerciais me chamaram a atenção pela beleza, por serem comoventes e pelo tom extremamente whitmaniano que têm: a ideia de que podemos estar em sintonia apesar de superficiais diferenças, a ideia de que podemos fazer do encontro um momento de comunhão, a ideia de expressar – sem pieguice – que a derrota pode ter a mesma beleza da vitória... Tudo isso são questões por demais expressas na poesia de Walt Whitman (1819-1892).
Abaixo, a fim de ilustrar o que digo, poema de Whitman; a seguir, tradução que fiz para o texto; por fim, vídeo em que há os comerciais veiculados mundialmente em 2004.
_____
O esporte também é cheio de maracutaias em que o fã é o atingido. Se houver então propaganda e publicidade em torno de um evento esportivo, será lícito supor um duplo engodo – o da propaganda e publicidade e o do esporte.
À parte isso, o Comitê Olímpico Internacional, em 2004, lançaria marcante campanha publicitária. Produzida pela Saatchi & Saatchi, de Nova Iorque, a série de comerciais e de anúncios, veiculada em mídias eletrônicas e impressas, vale-se do amplo acervo de imagens do Comitê. Na campanha para televisão e rádio, a narração ficou por conta do ator Robin Williams.
Desde quando começaram a ser veiculados, os comerciais me chamaram a atenção pela beleza, por serem comoventes e pelo tom extremamente whitmaniano que têm: a ideia de que podemos estar em sintonia apesar de superficiais diferenças, a ideia de que podemos fazer do encontro um momento de comunhão, a ideia de expressar – sem pieguice – que a derrota pode ter a mesma beleza da vitória... Tudo isso são questões por demais expressas na poesia de Walt Whitman (1819-1892).
Abaixo, a fim de ilustrar o que digo, poema de Whitman; a seguir, tradução que fiz para o texto; por fim, vídeo em que há os comerciais veiculados mundialmente em 2004.
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Song of myself 18 - Walt Whitman
With music strong I come, with my cornets and my drums,
I play not marches for accepted victors only, I play marches for
conquer'd and slain persons.
Have you heard that it was good to gain the day?
I also say it is good to fall, battles are lost in the same spirit
in which they are won.
I beat and pound for the dead,
I blow through my embouchures my loudest and gayest for them.
Vivas to those who have fail'd!
And to those whose war-vessels sank in the sea!
And to those themselves who sank in the sea!
And to all generals that lost engagements, and all overcome heroes!
And the numberless unknown heroes equal to the greatest heroes known!
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Canção de mim mesmo 18 - Walt Whitman
Com música forte eu venho, com minhas cornetas e meus tambores,
eu não toco marchas para os vitoriosos aceitos apenas, eu toco marchas para as pessoas dominadas e assassinadas.
Você ouviu que foi bom ganhar o dia?
Eu digo que também é bom cair, as batalhas são perdidas no mesmo espírito em que são ganhas.
Bato forte meu ritmo pelos mortos,
sopro pela embocadura o mais alto e contente por eles.
Vivas para aqueles que fracassaram!
E para aqueles cujos navios de guerra afundaram no mar!
E para aqueles mesmos que afundaram no mar!
E para todos os generais que perderam batalhas, e para todos os heróis derrotados!
E para os inumeráveis heróis desconhecidos, iguais aos maiores heróis conhecidos!
eu não toco marchas para os vitoriosos aceitos apenas, eu toco marchas para as pessoas dominadas e assassinadas.
Você ouviu que foi bom ganhar o dia?
Eu digo que também é bom cair, as batalhas são perdidas no mesmo espírito em que são ganhas.
Bato forte meu ritmo pelos mortos,
sopro pela embocadura o mais alto e contente por eles.
Vivas para aqueles que fracassaram!
E para aqueles cujos navios de guerra afundaram no mar!
E para aqueles mesmos que afundaram no mar!
E para todos os generais que perderam batalhas, e para todos os heróis derrotados!
E para os inumeráveis heróis desconhecidos, iguais aos maiores heróis conhecidos!
CAIU NA REDE (59)
Pessoas, a edição 59 do Caiu na Rede está no ar.
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
VOLTEIO
Vive dando voltas.
É cheio de rodeios,
afeito a circunlóquios.
Na vertical, é número.
Na horizontal, é infinito.
Precedido do “c”, é prazer.
Se interrompido, é “oi”.
Mas se deixarem,
completa o biscoito.
É cheio de rodeios,
afeito a circunlóquios.
Na vertical, é número.
Na horizontal, é infinito.
Precedido do “c”, é prazer.
Se interrompido, é “oi”.
Mas se deixarem,
completa o biscoito.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
APONTAMENTO 105
Que sempre fomos inviáveis, a literatura e a filosofia (por exemplo) têm nos mostrado há milênios. Há quem diga que hoje é pior. Mas temos sido a mesma coisa inviável desde sempre. O que faz parecer que a inviabilidade de hoje é mais intensa do que a de ontem é a quantidade. Quanto mais gente há, mais inviáveis as coisas parecem estar. Mas continuamos sendo as mesmas gentinhas que sempre fomos. É que a quantidade gera mais encontros, e os encontros multiplicam a inviabilidade do que somos.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
CAIU NA REDE (58)
Pessoas, a edição 58 do Caiu na Rede está no ar.
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domingo, 3 de abril de 2011
CONTO 42
Eduardo estava preocupado: era capaz de sentir tesão por praticamente qualquer mulher – desde que ela não tirasse a roupa. Se tirasse, que fosse no escuro. Não fazia questão de que elas usassem saias ou vestidos – fazia questão de que estivessem vestidas. Como argumento, dizia que nenhuma mulher, por mais perfeita que parecesse ser enquanto estivesse vestida, é sensual após tirar a roupa. Entretanto, no fundo, julgava haver algo errado com ele. Certo dia, conheceu Celma, que não gostava de tirar a roupa quando ia fazer amor. A relação malogrou porque Eduardo não intuiu que o maior e quase inconsciente desejo de Celma era o de que alguém, forçada e rudemente, arrancasse-lhe as roupas na hora do sexo.
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quinta-feira, 31 de março de 2011
FOTOPOEMA 188
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terça-feira, 29 de março de 2011
ENSAIO (1)
Pessoas, publico abaixo o primeiro ensaio, que pode (ou não) ser o único a ser divulgado por aqui.
A ideia para se compor o pequeno ensaio surgiu a partir de um convite de Gabriela Canale, umas das responsáveis pelo saite Multigrafias.
Gabriela, não sei como, chegou até minhas fotos. Entrou em contato e me pediu um breve ensaio. Com a ideia na cabeça, fui até o centro da cidade e fiz as fotos no sábado (27/03).
Algumas das imagens abaixo foram publicadas também no Multigrafias. Agradeço à Gabriela pela publicação, bem como por ter feito com que eu buscasse uma temática diferente da que geralmente fotografo, que é a fauna e a flora do Cerrado.
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Moro em Patos de Minas, cidade de cem mil habitantes. A intenção do breve ensaio é mostrar que o progresso criou uma linearidade feia, composta de veículos, prédios, fios e asfaltos.
Essa linearidade faz com que a peculiaridade das cidades se dilua. As fotos foram tiradas em Patos de Minas, é verdade, mas tanto faz se eu dissesse que foram tiradas, por exemplo, em Feira de Santana ou em Londrina.
As pequenas cidades (é o caso da minha) já têm, ainda que em menor proporção, os elementos urbanos que compõem a geografia das grandes metrópoles. Em meio a esse mar de concreto, em que uma cidade qualquer pode se passar por qualquer cidade, dilui-se também, em meio aos caminhantes, a individualidade dos que passam.
A ideia para se compor o pequeno ensaio surgiu a partir de um convite de Gabriela Canale, umas das responsáveis pelo saite Multigrafias.
Gabriela, não sei como, chegou até minhas fotos. Entrou em contato e me pediu um breve ensaio. Com a ideia na cabeça, fui até o centro da cidade e fiz as fotos no sábado (27/03).
Algumas das imagens abaixo foram publicadas também no Multigrafias. Agradeço à Gabriela pela publicação, bem como por ter feito com que eu buscasse uma temática diferente da que geralmente fotografo, que é a fauna e a flora do Cerrado.
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Moro em Patos de Minas, cidade de cem mil habitantes. A intenção do breve ensaio é mostrar que o progresso criou uma linearidade feia, composta de veículos, prédios, fios e asfaltos.
Essa linearidade faz com que a peculiaridade das cidades se dilua. As fotos foram tiradas em Patos de Minas, é verdade, mas tanto faz se eu dissesse que foram tiradas, por exemplo, em Feira de Santana ou em Londrina.
As pequenas cidades (é o caso da minha) já têm, ainda que em menor proporção, os elementos urbanos que compõem a geografia das grandes metrópoles. Em meio a esse mar de concreto, em que uma cidade qualquer pode se passar por qualquer cidade, dilui-se também, em meio aos caminhantes, a individualidade dos que passam.
segunda-feira, 28 de março de 2011
DIÁLOGO
– Meu bem, cadê meu eu?!
– Ora, meu bem, o meu comeu...
– Oh, meu Zeus!
– Ora, meu bem, o meu comeu...
– Oh, meu Zeus!
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sábado, 26 de março de 2011
PEDIDO
Se algum dia eu publicar,
levem meus versos.
Se algum dia eu enlouquecer,
relevem meus versos.
levem meus versos.
Se algum dia eu enlouquecer,
relevem meus versos.
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quarta-feira, 23 de março de 2011
LEITORES
O lente: livro em mãos.
O lente: câmera em mãos.
O lente é o que lê.
O ente é o que lê.
O lente: câmera em mãos.
O lente é o que lê.
O ente é o que lê.
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APONTAMENTO 104
A literatura pode ser o drama de uma classe, é verdade, mas a grande força da literatura, ainda que venhamos, por intermédio dela, a conhecer profundamente uma classe, é a possibilidade de conhecermos o indivíduo. Dom Fabrizio, criação de Lampedusa, representa uma aristocracia decadente. Contudo, em literatura, sem se incorporar numa personagem essa representação perderia em densidade.
Dom Fabrizio é uma classe – sem deixar de ser, antes, um indivíduo. A força da literatura está nesse retrato individual: Babbit representa uma classe, mas o que nos prende é saber como vive esse personagem, saber o que ele pensa, o que ele faz. Mesmo o mais declarado romance histórico precisa de individualidades para que o texto se adense.
A literatura chega perto, esmiúça o indivíduo – que por sua vez é imagem fractal. A literatura pode prescindir das grandes-angulares para compor os cenários, mas as macros são imprescindíveis.
Dom Fabrizio é uma classe – sem deixar de ser, antes, um indivíduo. A força da literatura está nesse retrato individual: Babbit representa uma classe, mas o que nos prende é saber como vive esse personagem, saber o que ele pensa, o que ele faz. Mesmo o mais declarado romance histórico precisa de individualidades para que o texto se adense.
A literatura chega perto, esmiúça o indivíduo – que por sua vez é imagem fractal. A literatura pode prescindir das grandes-angulares para compor os cenários, mas as macros são imprescindíveis.
terça-feira, 22 de março de 2011
BLEFE (5)
Montaigne escreveu “Os ensaios”. Nele, dá dicas a músicos sobre como se prepararem devidamente para shows.
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CAIU NA REDE (56)
Pessoas, mais uma edição do Caiu na Rede está no ar.
Confirmo que a partir de agora a atração pode ser também conferida no blogue Brumas, de Bruna Pereira Caixeta. (O programa musical é ainda veiculado pelo blogue de Pablo Marques.)
Agradeço demais à Bruna pela permissão em veicular o Caiu na Rede no Brumas. Para conferir o blogue dela, clique aqui.
Confirmo que a partir de agora a atração pode ser também conferida no blogue Brumas, de Bruna Pereira Caixeta. (O programa musical é ainda veiculado pelo blogue de Pablo Marques.)
Agradeço demais à Bruna pela permissão em veicular o Caiu na Rede no Brumas. Para conferir o blogue dela, clique aqui.
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segunda-feira, 21 de março de 2011
KANT
Cantas
pontualmente,
em teu canto,
teu indispensável
Kanto.
pontualmente,
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sábado, 19 de março de 2011
SUGESTÃO DE BLOGUE
Bruna Pereira Caixeta é de Patos de Minas. Atualmente, está em Campinas/SP. Desde hoje, ela tem um blogue – o Brumas.
Na página, conforme a autora, a intenção é “discutir variados temas junto com as diferentes opiniões dos leitores e, assim, ser possível edificar ou (des)edificar visões sobre qualquer assunto”.
Como estreia, Bruna escreveu sobre o filme “Cisne negro”.
Para conferir, basta acessar http://brunapcaixeta.blogspot.com.
Na página, conforme a autora, a intenção é “discutir variados temas junto com as diferentes opiniões dos leitores e, assim, ser possível edificar ou (des)edificar visões sobre qualquer assunto”.
Como estreia, Bruna escreveu sobre o filme “Cisne negro”.
Para conferir, basta acessar http://brunapcaixeta.blogspot.com.
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quinta-feira, 17 de março de 2011
FOTOPOEMA 187
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CAIU NA REDE (55)
Pessoas, a mais recente edição do Caiu na Rede está no ar. A novidade é que o programa, desde a edição anterior, pode também ser escutado no blogue de Pablo Marques. O endereço é o http://pmarquesp.blogspot.com.
Ao Pablo, agradeço pela gentileza de inserir o Caiu na Rede em seu blogue.
Ao Pablo, agradeço pela gentileza de inserir o Caiu na Rede em seu blogue.
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segunda-feira, 14 de março de 2011
FOTOPOEMA 186
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AQUI JAZ
Fiz cama nova para nosso amor premente.
Vem agora, vem querendo, vem urgente.
Vem nascer em minha cama: quero-te somente.
Vem renascer em minha cama: quero-te semente.
Vem agora, vem querendo, vem urgente.
Vem nascer em minha cama: quero-te somente.
Vem renascer em minha cama: quero-te semente.
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A DURAS PENAS
Havia na floresta dona Centopeia, que fazia o maior sucesso entre os bichos porque sabia dançar muito bem. Todos ficavam impressionados com a habilidade que ela tinha ao conferir graciosidade às suas cem pernas quando dançava. Enquanto dona Centopeia se deixava conduzir com leveza pela música, muitos bípedes e quadrúpedes eram duros e desengonçados.
Certo dia, um dos animas (dizem por aí que, no fundo, foi para sacanear a exímia dançarina), perguntou para a dona Centopeia:
– Como a senhora faz para dançar tão bem, mesmo tendo cem pernas para coordenar? Como a senhora consegue? Primeiro a senhora move a septuagésima sexta e depois a trigésima oitava? Ou a senhora mexe primeiro a vigésima terceira, para, em seguida, mover a nonagésima nona? Tenho muita curiosidade... Que ordem a senhora segue?
Dona Centopeia, que também era encantadora quando falava, respondeu:
– Meu caro senhor Macaco, nunca prestei atenção... É... Nunca reparei... Mas façamos o seguinte: na próxima vez em que eu for dançar, vou prestar atenção. Depois, digo para o senhor como faço. Mas acho que não sigo uma ordem definida. De qualquer modo, a gente volta a falar sobre isso.
Chegado o dia do baile, todos estavam muito curiosos para saber como funcionavam os mecanismos da dança em meio àquela profusão de pernas. A música, então, inicia-se. Todo mundo olha para dona Centopeia, que tem o cenho concentrado.
Segundos vão se passando e ela está olhando para suas pernas. Nunca havia reparado em como os movimentos eram executados. O relógio prossegue. Ela permanece estática, enquanto o olhar de boa parte da bicharada é estarrecido. A música prossegue. Quase um minuto já se foi. O silêncio constrange, pesa. Há alguns cuja expressão parece dizer “dança, dona Centopeia, dança”. Outros parecem transmitir indiferença. No meio da plateia, um chega bem pertinho do ouvido de outro e cochicha: “Bem feito”.
Dona Centopeia tem a cabeça baixa. Não sabe o que fazer, não sabe dar o primeiro passo. Está acorrentada.
Ela jamais voltaria a dançar.
_____
Sempre gostei da historieta acima. Não sei mais quem ma contou. Ela tem uma relação especular com “Cisne negro” (Black swan, EUA, 2010). Nina (Natalie Portman) se preocupa demais com a técnica, a ponto de não se soltar, não se libertar. Devido ao excesso de técnica e à sua vida atribulada, ela não consegue ser em totalidade a dançarina que efetivamente é.
Temática muito instigante, bem conduzida pelo diretor Darren Aronofsky.
Certo dia, um dos animas (dizem por aí que, no fundo, foi para sacanear a exímia dançarina), perguntou para a dona Centopeia:
– Como a senhora faz para dançar tão bem, mesmo tendo cem pernas para coordenar? Como a senhora consegue? Primeiro a senhora move a septuagésima sexta e depois a trigésima oitava? Ou a senhora mexe primeiro a vigésima terceira, para, em seguida, mover a nonagésima nona? Tenho muita curiosidade... Que ordem a senhora segue?
Dona Centopeia, que também era encantadora quando falava, respondeu:
– Meu caro senhor Macaco, nunca prestei atenção... É... Nunca reparei... Mas façamos o seguinte: na próxima vez em que eu for dançar, vou prestar atenção. Depois, digo para o senhor como faço. Mas acho que não sigo uma ordem definida. De qualquer modo, a gente volta a falar sobre isso.
Chegado o dia do baile, todos estavam muito curiosos para saber como funcionavam os mecanismos da dança em meio àquela profusão de pernas. A música, então, inicia-se. Todo mundo olha para dona Centopeia, que tem o cenho concentrado.
Segundos vão se passando e ela está olhando para suas pernas. Nunca havia reparado em como os movimentos eram executados. O relógio prossegue. Ela permanece estática, enquanto o olhar de boa parte da bicharada é estarrecido. A música prossegue. Quase um minuto já se foi. O silêncio constrange, pesa. Há alguns cuja expressão parece dizer “dança, dona Centopeia, dança”. Outros parecem transmitir indiferença. No meio da plateia, um chega bem pertinho do ouvido de outro e cochicha: “Bem feito”.
Dona Centopeia tem a cabeça baixa. Não sabe o que fazer, não sabe dar o primeiro passo. Está acorrentada.
Ela jamais voltaria a dançar.
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Sempre gostei da historieta acima. Não sei mais quem ma contou. Ela tem uma relação especular com “Cisne negro” (Black swan, EUA, 2010). Nina (Natalie Portman) se preocupa demais com a técnica, a ponto de não se soltar, não se libertar. Devido ao excesso de técnica e à sua vida atribulada, ela não consegue ser em totalidade a dançarina que efetivamente é.
Temática muito instigante, bem conduzida pelo diretor Darren Aronofsky.
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sábado, 12 de março de 2011
ENFIANDO O NARIZ
Considere seu nariz. Há as narinas, a ponta. Se você seguir nariz acima, vai chegar àquele ponto em que há, digamos, uma afundadinha, já perto das sobrancelhas. Esse ponto é o que importa...
Não me lembro mais da idade que eu tinha. Sei que eu era menino. Isso basta. Era um dia quente. Entrei correndo e esbaforido em casa. Tomei rapidamente uma copada de água, querendo demais já voltar para a rua.
Contudo, não saí sem antes tecer uma ode à anatomia humana. A testemunha de meu achado foi meu pai, que estava por perto. Colocando o indicador no ponto mencionado acima, eu disse algo mais ou menos assim:
– O corpo humano é mesmo perfeito. A gente tem esse afundadinho aqui no nariz pra gente encaixar o copo na hora de beber água.
Não me lembro mais da idade que eu tinha. Sei que eu era menino. Isso basta. Era um dia quente. Entrei correndo e esbaforido em casa. Tomei rapidamente uma copada de água, querendo demais já voltar para a rua.
Contudo, não saí sem antes tecer uma ode à anatomia humana. A testemunha de meu achado foi meu pai, que estava por perto. Colocando o indicador no ponto mencionado acima, eu disse algo mais ou menos assim:
– O corpo humano é mesmo perfeito. A gente tem esse afundadinho aqui no nariz pra gente encaixar o copo na hora de beber água.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
FOTOPOEMA 185
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ÁUDIOS NO WWW.LIVIOSOARES.COM
Pessoas, regravei os áudios de meu saite, o www.liviosoares.com. Caso queiram conferi-los em português, gentileza clicar aqui. Para conferi-los em inglês, gentileza clicar aqui.
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terça-feira, 8 de março de 2011
TENHA O CAIU NA REDE EM SUA PÁGINA
Pessoas, caso alguém por aí queira ter o programa musical Caiu na Rede em seu blogue ou saite, basta dizer, por intermédio do formulário de comentários deste blogue (seu e-mail não será divulgado).
Sempre que eu gravar a atração, envio o código para que o Caiu na Rede seja executado em sua página.
Sempre que eu gravar a atração, envio o código para que o Caiu na Rede seja executado em sua página.
Valeu.
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CAIU NA REDE (54)
Pessoas, aproveitando o feriado, gravei mais uma edição do Caiu na Rede, que está no ar.
Valeu.
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segunda-feira, 7 de março de 2011
LETRA DE MÚSICA (30)
Espalho a boa-nova.
Conto para todos as
notícias benfazejas.
Eu sou o arauto da
vida que se espalha.
Eu sou espelho que
reflete o que você é.
Traga sua luz: serei
mais amplo com ela.
Toda vida é precária,
mas uma comunhão
possível está sempre
a se insinuar enquanto
compomos o caminho.
Conto para todos as
notícias benfazejas.
Eu sou o arauto da
vida que se espalha.
Eu sou espelho que
reflete o que você é.
Traga sua luz: serei
mais amplo com ela.
Toda vida é precária,
mas uma comunhão
possível está sempre
a se insinuar enquanto
compomos o caminho.
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sábado, 5 de março de 2011
LUIZ ALBERTO BAHIA LANÇA LIVRO SOBRE TRATAMENTO DE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL
Recentemente, foi lançado o livro “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, de Luiz Alberto Bahia. Segundo o próprio autor, “a principal finalidade da obra é mostrar que os métodos de recuperação de dependentes de álcool, baseados no programa Doze Passos, do A.A. – de natureza religiosa –, é extemporâneo e contraproducente, além de provocar estigma nestes doentes”. Como alternativa para os portadores da patologia da dependência, o autor apresenta o GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência do Álcool –, que é um grupo de ajuda mútua com programa assentado nos 7 Pilares da Recuperação, de embasamento estritamente científico.
Luiz Alberto Bahia nasceu em Patos de Minas/MG. É conselheiro para assuntos envolvendo o uso de drogas, fundador do GREDA e do Grupo Fênix, que atuam na orientação, prevenção e no suporte terapêutico a dependentes e suas famílias. É também estudioso e especialista em dependência química, com alguns livros e artigos publicados na área.
Outras informações sobre o livro poderão ser obtidas no blog do autor (www.greda-luizalbertobahia.blogspot.com) ou pelo e-mail lzbahia@gmail.com.
Luiz Alberto Bahia nasceu em Patos de Minas/MG. É conselheiro para assuntos envolvendo o uso de drogas, fundador do GREDA e do Grupo Fênix, que atuam na orientação, prevenção e no suporte terapêutico a dependentes e suas famílias. É também estudioso e especialista em dependência química, com alguns livros e artigos publicados na área.
Outras informações sobre o livro poderão ser obtidas no blog do autor (www.greda-luizalbertobahia.blogspot.com) ou pelo e-mail lzbahia@gmail.com.
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sexta-feira, 4 de março de 2011
CAIU NA REDE (53)
Pessoas, a edição 53 do Caiu na Rede está no ar.
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quinta-feira, 3 de março de 2011
APONTAMENTO 103
A melhor coisa da internet é que qualquer um pode escrever por intermédio dela. A pior coisa da internet é que qualquer um pode escrever por intermédio dela.
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BOLA MURCHA
Já escutei nos meios de comunicação que a Fifa não deixa que se insira um chip na bola porque isso acabaria com o ingrediente emoção no futebol.
O chip terminaria com com aquelas discussões sobre se a bola passou totalmente ou não pela linha do gol. Não sei se o argumento da Fifa é esse mesmo, mas, se for, é um argumento bobo.
O futebol é emocionante não porque, de vez em quando, fica-se em dúvida se a bola entrou. Isso é exceção. O saber com certeza se uma bola entrou não eliminaria as defesas incríveis nem os golaços nem as bolas na trave nem os lances fabulosos nem as catimbas nem as zebras loucas.
O futebol não perderia sua dimensão humana por causa do chip. Ele eliminaria um pedaço da conversa no botequim, mas não acabaria com as demais outras e inúmeras possibilidades e metáforas que o futebol pode oferecer. Por fim, o chip traria um senso de justiça ou de mérito, ao dizimar dúvida se houve gol ou não.
O chip terminaria com com aquelas discussões sobre se a bola passou totalmente ou não pela linha do gol. Não sei se o argumento da Fifa é esse mesmo, mas, se for, é um argumento bobo.
O futebol é emocionante não porque, de vez em quando, fica-se em dúvida se a bola entrou. Isso é exceção. O saber com certeza se uma bola entrou não eliminaria as defesas incríveis nem os golaços nem as bolas na trave nem os lances fabulosos nem as catimbas nem as zebras loucas.
O futebol não perderia sua dimensão humana por causa do chip. Ele eliminaria um pedaço da conversa no botequim, mas não acabaria com as demais outras e inúmeras possibilidades e metáforas que o futebol pode oferecer. Por fim, o chip traria um senso de justiça ou de mérito, ao dizimar dúvida se houve gol ou não.
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terça-feira, 1 de março de 2011
APONTAMENTO 102
Às vezes, tenho medo de morrer. Deve ser porque não morri ainda...
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
CAIU NA REDE (52)
A edição 52 do Caiu na Rede está no ar, pessoas.
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
INDICAÇÕES
É sempre um alento saber que mesmo na chamada grande imprensa há muita gente boa escrevendo. Gente que não meramente reproduz o que dizem as grandes corporações. Refiro-me, por exemplo, a Robert Fisk, que escreve para o britânico The Independent. Fisk esteve no Brasil em 2007, participando da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Correspondente de guerra, ele escreve principalmente sobre a massacrante presença ocidental no Oriente Médio.
Não pertencendo à grande imprensa, mas também contundente, indico o site counterpunch.org. Os responsáveis pela página são Alexander Cockburn e Jeffrey St. Clair. Para que você tenha uma ideia do que é a página, hoje pode-se ler um artigo escrito por Fidel Castro (sim, aquele mesmo, lá de Cuba). O título do artigo de Fidel é “A Otan planeja ocupar a Líbia?”.
Não pertencendo à grande imprensa, mas também contundente, indico o site counterpunch.org. Os responsáveis pela página são Alexander Cockburn e Jeffrey St. Clair. Para que você tenha uma ideia do que é a página, hoje pode-se ler um artigo escrito por Fidel Castro (sim, aquele mesmo, lá de Cuba). O título do artigo de Fidel é “A Otan planeja ocupar a Líbia?”.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
FOTOPOEMA 184
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
ENTREVISTA COM CRISTOVÃO TEZZA
Enviei meu primeiro e-mail para Cristovão Tezza no dia oito de fevereiro; era uma e doze da madrugada. Acostumado a não receber resposta de intelectuais, escritores e editores, tive a grata surpresa de ler a resposta de Tezza logo pela manhã, quando abri a caixa de entrada. Segundo o registro em meu programa de e-mails, a resposta dele foi enviada às nove e onze da manhã.
Solícito e extremamente gentil, o escritor se prontificou a conceder uma entrevista para meu blogue. Relutei em pedi-la, ciente de que ele, escritor de renome, tem inúmeros compromissos.
Depois do primeiro contato, enviei as perguntas, deixando-o à vontade para ignorar uma ou outra (todas as perguntas que enviei foram respondidas). Atencioso, ele confirmou o recebimento do e-mail e disse que enviaria as respostas.
Publicamente, agradeço demais a Cristovão Tezza pela gentileza e pela atenção que dele recebi.
_____
Cristovão Tezza é autor de peças teatrais, ensaios, livros didáticos, contos, crônicas e romances.
Homem das letras, já foi professor nas federais de Santa Catarina e do Paraná. Atualmente, não mais leciona; deixou as aulas e se dedica à literatura.
Em 2007, Tezza lançou “O filho eterno”. No livro, logo nas primeiras páginas, o narrador-pai recebe a notícia de que seu filho nascera com síndrome de Down.
O tom da narrativa é sóbrio, verdadeiro. Uma verdade que cutuca: tem-se um narrador corajoso, que confessa ora sua empáfia, ora sua inicial incapacidade de conviver com o filho (o pai-narrador chega a pensar no “alento” de que as crianças com Down podem morrer cedo).
Enquanto narra o aprendizado pelo qual vai passando ao lado do filho, paralelamente vamos recebendo notícias da juventude, das viagens, dos episódios e das tentativas de publicação do narrador. O fim do livro, sóbrio e comedido, não deixa de ser tocante.
Para conferir o site do escritor, clique aqui. Abaixo, a entrevista.
_____
Liviano: O que “O filho eterno” é em maior grau: ficção ou confissão?
Cristovão Tezza: Certamente ficção. A confissão, quando não mediada pela ficção, tem grande chance de se tornar má literatura. “O filho eterno” é um romance, uma ficção, que entretanto usa muitos ingredientes biográficos.
Liviano: Você está, pelo menos em parte, no narrador de “O filho eterno”. Em suas entrevistas, você se mostra bem-humorado, risonho. Já o narrador de “O filho eterno” é sério, circunspecto. Foi só a temática do livro que levou ao tom que se lê no livro?
Tezza: O narrador, para mim, é sempre uma espécie de personagem. O olhar que vê, descreve e organiza os fatos em um romance nunca pode se confundir com o olhar do autor ele-mesmo. Isto é, o narrador de “O filho eterno” não é o Cristovão. Pessoalmente, sempre fui uma pessoa bem-humorada. Acho que não há muito mérito nisso, porque já descobriram que essa qualidade (digamos assim…) é determinada em parte pela genética. Mas, ao escrever, não sou eu que importa, mas o narrador – que, como eu disse, é também um “personagem”.
Liviano: O Felipe ainda assiste aos jogos do Atlético Paranaense?
Solícito e extremamente gentil, o escritor se prontificou a conceder uma entrevista para meu blogue. Relutei em pedi-la, ciente de que ele, escritor de renome, tem inúmeros compromissos.
Depois do primeiro contato, enviei as perguntas, deixando-o à vontade para ignorar uma ou outra (todas as perguntas que enviei foram respondidas). Atencioso, ele confirmou o recebimento do e-mail e disse que enviaria as respostas.
Publicamente, agradeço demais a Cristovão Tezza pela gentileza e pela atenção que dele recebi.
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Cristovão Tezza é autor de peças teatrais, ensaios, livros didáticos, contos, crônicas e romances.
Homem das letras, já foi professor nas federais de Santa Catarina e do Paraná. Atualmente, não mais leciona; deixou as aulas e se dedica à literatura.
Em 2007, Tezza lançou “O filho eterno”. No livro, logo nas primeiras páginas, o narrador-pai recebe a notícia de que seu filho nascera com síndrome de Down.
O tom da narrativa é sóbrio, verdadeiro. Uma verdade que cutuca: tem-se um narrador corajoso, que confessa ora sua empáfia, ora sua inicial incapacidade de conviver com o filho (o pai-narrador chega a pensar no “alento” de que as crianças com Down podem morrer cedo).
Enquanto narra o aprendizado pelo qual vai passando ao lado do filho, paralelamente vamos recebendo notícias da juventude, das viagens, dos episódios e das tentativas de publicação do narrador. O fim do livro, sóbrio e comedido, não deixa de ser tocante.
Para conferir o site do escritor, clique aqui. Abaixo, a entrevista.
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Liviano: O que “O filho eterno” é em maior grau: ficção ou confissão?
Cristovão Tezza: Certamente ficção. A confissão, quando não mediada pela ficção, tem grande chance de se tornar má literatura. “O filho eterno” é um romance, uma ficção, que entretanto usa muitos ingredientes biográficos.
Liviano: Você está, pelo menos em parte, no narrador de “O filho eterno”. Em suas entrevistas, você se mostra bem-humorado, risonho. Já o narrador de “O filho eterno” é sério, circunspecto. Foi só a temática do livro que levou ao tom que se lê no livro?
Tezza: O narrador, para mim, é sempre uma espécie de personagem. O olhar que vê, descreve e organiza os fatos em um romance nunca pode se confundir com o olhar do autor ele-mesmo. Isto é, o narrador de “O filho eterno” não é o Cristovão. Pessoalmente, sempre fui uma pessoa bem-humorada. Acho que não há muito mérito nisso, porque já descobriram que essa qualidade (digamos assim…) é determinada em parte pela genética. Mas, ao escrever, não sou eu que importa, mas o narrador – que, como eu disse, é também um “personagem”.
Liviano: O Felipe ainda assiste aos jogos do Atlético Paranaense?
Tezza: Sim, continuamos dois fanáticos (no bom sentido!) torcedores do Atlético. Hoje mesmo, 13 de fevereiro, tem jogo daqui a pouco, do campeonato paranaense. Esse ano não começamos bem, mas o time está melhorando muito e acho que vamos incomodar no Brasileirão.
Liviano: Em recente entrevista para o Provocações, da TV Cultura, você disse que num mundo pós-internet a literatura funcionaria justamente como uma espécie de contraponto a esse mundo cheio de imagens, sons e... fúria. Você defende, na entrevista, uma literatura que seja “pura linguagem verbal”. Você acredita ter atingido essa “pura linguagem verbal” em “O filho eterno”?
Tezza: O que eu quis dizer é que a literatura, para sobreviver como tal nos novos tempos, não pode abdicar de seu “texto”, digamos assim. Concentrar todas as suas forças no poder da linguagem verbal, sem se entregar ao canto de sereia da fragmentação imagética, dos recursos visuais, da suposta “morte do autor”. Para mim a literatura é afirmação da voz individual, um contradiscurso do indivíduo. Por enquanto é mais uma intuição que eu tenho sobre esse tema do que uma “tese” – mas eu quero pensar ainda sistematicamente sobre isso. De qualquer modo, a expressão “pura linguagem verbal” é uma qualidade intrínseca do que imagino deva ser a literatura, não um índice de valor.
Liviano: Que escritor ou escritores você sempre tem relido desde quando passou a conviver com a literatura? E por quê?
Tezza: Há dois dias respondi a uma enquete da folha.com sobre livros que me marcaram. Para não me repetir, vai o link:
http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/. Sobre releituras: na verdade, são raras – tem tanta coisa que eu ainda não li, que prefiro avançar no que desconheço. Mas sinto que logo vou dar uma freada para reler alguns livros que me marcaram.
Liviano: Você é ex-professor de universidade federal. Que tipo de texto lhe dá mais prazer em produzir – o texto de ficção ou o texto acadêmico?
Tezza: O texto de ficção, mil vezes. Embora seja também mil vezes mais difícil. Um texto acadêmico anda meio que sozinho, se você tem uma ideia, os pressupostos e as referências. Já há uma linguagem prévia consolidada, uma “língua” acadêmica que você domina. Na ficção, você sai mais ou menos do zero, da página em branco, da viagem solitária por conta própria.
Liviano: Você está escrevendo ficção atualmente? Caso sim, conto ou romance?
Tezza: Estou quase na reta final de um livro de contos.
Liviano: É muito comum grandes escritores dizerem que seu livro mais conhecido não é o livro de que mais gostam. “O filho eterno” é seu livro mais conhecido e o que mais prêmios recebeu. É sua obra de que você mais gosta? Por quê? (Ou por que não?)
Tezza: Tenho grande dificuldade para responder a essa pergunta, sempre que me fazem. Não querendo fazer média, gosto igualmente de todos os meus livros – cada um deles correspondeu a um tempo da minha vida e deu forma ao que me inquietava. Uns fazem mais sucesso, outros menos. Lembro, por exemplo, de “Breve espaço entre cor e sombra” (Rocco, 1998), que amei escrever, que foi bem recebido pela crítica, e que quase ninguém leu. A resposta do público é imponderável. Eu jamais sonhava que “O filho eterno” teria essa repercussão, tanto de crítica quanto de público.
Liviano: Pergunta prosaica: você escreve primeiramente à mão ou já vai produzindo o texto no computador?
Tezza: Escrevi todos os meus livros à mão, até “O fotógrafo” (que saiu em 2004, pela Rocco – agora em março sai uma nova edição, revista e definitiva, pela editora Record). “O filho eterno” foi escrito no computador, mas porque eu não planejava escrever um romance, e sim um ensaio (sempre escrevi textos críticos, didáticos ou teóricos no computador). Quando me decidi pela forma do romance, já estava acostumado com a ideia de escrever no computador, mesmo sendo ficção. E não voltei mais. Agora já me adaptei.
Liviano: Em recente entrevista para o Provocações, da TV Cultura, você disse que num mundo pós-internet a literatura funcionaria justamente como uma espécie de contraponto a esse mundo cheio de imagens, sons e... fúria. Você defende, na entrevista, uma literatura que seja “pura linguagem verbal”. Você acredita ter atingido essa “pura linguagem verbal” em “O filho eterno”?
Tezza: O que eu quis dizer é que a literatura, para sobreviver como tal nos novos tempos, não pode abdicar de seu “texto”, digamos assim. Concentrar todas as suas forças no poder da linguagem verbal, sem se entregar ao canto de sereia da fragmentação imagética, dos recursos visuais, da suposta “morte do autor”. Para mim a literatura é afirmação da voz individual, um contradiscurso do indivíduo. Por enquanto é mais uma intuição que eu tenho sobre esse tema do que uma “tese” – mas eu quero pensar ainda sistematicamente sobre isso. De qualquer modo, a expressão “pura linguagem verbal” é uma qualidade intrínseca do que imagino deva ser a literatura, não um índice de valor.
Liviano: Que escritor ou escritores você sempre tem relido desde quando passou a conviver com a literatura? E por quê?
Tezza: Há dois dias respondi a uma enquete da folha.com sobre livros que me marcaram. Para não me repetir, vai o link:
http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/. Sobre releituras: na verdade, são raras – tem tanta coisa que eu ainda não li, que prefiro avançar no que desconheço. Mas sinto que logo vou dar uma freada para reler alguns livros que me marcaram.
Liviano: Você é ex-professor de universidade federal. Que tipo de texto lhe dá mais prazer em produzir – o texto de ficção ou o texto acadêmico?
Tezza: O texto de ficção, mil vezes. Embora seja também mil vezes mais difícil. Um texto acadêmico anda meio que sozinho, se você tem uma ideia, os pressupostos e as referências. Já há uma linguagem prévia consolidada, uma “língua” acadêmica que você domina. Na ficção, você sai mais ou menos do zero, da página em branco, da viagem solitária por conta própria.
Liviano: Você está escrevendo ficção atualmente? Caso sim, conto ou romance?
Tezza: Estou quase na reta final de um livro de contos.
Liviano: É muito comum grandes escritores dizerem que seu livro mais conhecido não é o livro de que mais gostam. “O filho eterno” é seu livro mais conhecido e o que mais prêmios recebeu. É sua obra de que você mais gosta? Por quê? (Ou por que não?)
Tezza: Tenho grande dificuldade para responder a essa pergunta, sempre que me fazem. Não querendo fazer média, gosto igualmente de todos os meus livros – cada um deles correspondeu a um tempo da minha vida e deu forma ao que me inquietava. Uns fazem mais sucesso, outros menos. Lembro, por exemplo, de “Breve espaço entre cor e sombra” (Rocco, 1998), que amei escrever, que foi bem recebido pela crítica, e que quase ninguém leu. A resposta do público é imponderável. Eu jamais sonhava que “O filho eterno” teria essa repercussão, tanto de crítica quanto de público.
Liviano: Pergunta prosaica: você escreve primeiramente à mão ou já vai produzindo o texto no computador?
Tezza: Escrevi todos os meus livros à mão, até “O fotógrafo” (que saiu em 2004, pela Rocco – agora em março sai uma nova edição, revista e definitiva, pela editora Record). “O filho eterno” foi escrito no computador, mas porque eu não planejava escrever um romance, e sim um ensaio (sempre escrevi textos críticos, didáticos ou teóricos no computador). Quando me decidi pela forma do romance, já estava acostumado com a ideia de escrever no computador, mesmo sendo ficção. E não voltei mais. Agora já me adaptei.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
CAIU NA REDE (51)
A edição 51 do Caiu na Rede está no ar, pessoas. Basta dar "play" e escutar.
Valeu.
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Caiu na rede
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
FOTOPOEMA 183
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
FUTEBOL (12)
A seleção brasileira perdeu para a França a Copa de 98. A seleção brasileira foi desclassificada pela França da Copa de 2006. Hoje, a seleção brasileira perdeu mais uma para a França. Da França, a seleção brasileira não ganha desde 1992. O Brasil se tornou freguês.
Mano Menezes, nos primeiros amistosos que disputou como técnico do Brasil, enfrentou times menores. Jogando contra grandes, perdeu – para a Argentina e para a... França. Vêm aí amistosos contra a Holanda e contra a Alemanha.
Mano Menezes, nos primeiros amistosos que disputou como técnico do Brasil, enfrentou times menores. Jogando contra grandes, perdeu – para a Argentina e para a... França. Vêm aí amistosos contra a Holanda e contra a Alemanha.
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CONTO 41
Guilherme acreditava: se a mulher fuma, não é mais virgem, ainda que bastante jovem. Mesmo sabedor de que sua idiossincrasia carece de qualquer mínima coerência científica, é inevitável: sempre que vê uma mulher fumando, ele logo pensa que ela já vivenciou o sexo – o que ele supôs ao ver Carol, num bar, tragando. Ela a observou; achou-a linda. Olharam-se, paqueraram-se, conversaram por horas. Já pela manhã, Guilherme levou o maior susto, ao ver a mancha vermelha no lençol.
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
CAIU NA REDE (50)
Pessoas, a edição 50 do Caiu na Rede está no ar. Abaixo, o conto “A trama”, que leio na abertura do programa. O autor é Jorge Luis Borges.
_____
"Para que seu horror seja perfeito, César, acossado ao pé de uma estátua pelos impacientes punhais de seus amigos, descobre entre os rostos e os aços o de Marco Júnio Bruto, seu protegido, talvez seu filho, e já não se defende, exclamando: “Até tu, meu filho!”. Shakespeare e Quevedo recolhem o patético grito.
"Ao destino agradam as repetições, as variantes, as simetrias; dezenove séculos depois, no sul da província de Buenos Aires, um gaúcho é agredido por outros gaúchos e, ao cair, reconhece um afilhado seu e lhe diz com mansa reprovação e lenta surpresa (estas palavras devem ser ouvidas, não lidas): 'Pero, che!'. Mantam-no e ele não sabe que morre para que se repita uma cena".
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
FUTEBOL (11)
Não assisti ao primeiro jogo entre Corinthians e Tolima. Acompanhei depois os comentários dos meios de comunicação, que ressaltavam o tempo todo que o Corinthians é um time melhor do que a equipe colombiana.
Roberto Carlos, do Corinthians (que não jogou a partida disputada há pouco na Colômbia), dissera em entrevista que sentia medo por enfrentar o Tolima. O jogador disse ainda que se fosse disputar um clássico paulista, estaria tranquilo.
Assisti na íntegra à partida entre Tolima e Corinthians, disputada em Ibagué. Terminado o jogo, não presenciei a divulgada superioridade do time de São Paulo. O Corinthians esteve melhor num período do segundo tempo – mas somente até o momento em que o jogador Ramírez foi expulso, após toleima dele.
Não fosse a má pontaria dos jogadores do Tolima, principalmente no primeiro tempo, o placar poderia ter sido dilatado. Um derrotado Corinthians volta para casa; disputará a Libertadores a equipe da Colômbia.
Roberto Carlos, do Corinthians (que não jogou a partida disputada há pouco na Colômbia), dissera em entrevista que sentia medo por enfrentar o Tolima. O jogador disse ainda que se fosse disputar um clássico paulista, estaria tranquilo.
Assisti na íntegra à partida entre Tolima e Corinthians, disputada em Ibagué. Terminado o jogo, não presenciei a divulgada superioridade do time de São Paulo. O Corinthians esteve melhor num período do segundo tempo – mas somente até o momento em que o jogador Ramírez foi expulso, após toleima dele.
Não fosse a má pontaria dos jogadores do Tolima, principalmente no primeiro tempo, o placar poderia ter sido dilatado. Um derrotado Corinthians volta para casa; disputará a Libertadores a equipe da Colômbia.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
APONTAMENTO 101
A memória, quando revestida de sentimento, recebe o nome de saudade.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
CAIU NA REDE (49)
Pessoas, a edição 49 do Caiu na Rede está no ar. Basta dar "play" e escutar.
Valeu.
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FOTOPOEMA 182
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sábado, 29 de janeiro de 2011
APONTAMENTO 100
O problema não é a loucura. O problema é que não a exercem discretamente.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
CAIU NA REDE (48)
Pessoas, a edição 48 do Caiu na Rede está no ar.
Valeu.
Valeu.
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AGRADECIMENTO
Muito obrigado ao Rusimário e ao Ismael, que conseguiram para mim a canção que mencionei na postagem anterior.
Valeu, pessoas.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
PEDIDO MUSICAL
Pessoas, há tempos e anos procuro por uma canção interpretada pelo Johnny Mathis – “Ain’t no woman like the one I’ve got”.
Ela chegou a fazer parte de uma série de LPs chamada “Charme Especial”. Tenho várias canções da série, que é de fim da década de 80 e começo da de 90, mas não tenho a que o Johnny Mathis canta.
Ela chegou a fazer parte de uma série de LPs chamada “Charme Especial”. Tenho várias canções da série, que é de fim da década de 80 e começo da de 90, mas não tenho a que o Johnny Mathis canta.
Caso alguém por aí a tenha, gentileza entrar em contato.
(Tenho a versão dela com a banda The Four Tops.)
Valeu.
APONTAMENTO 99
“Swimming in your ocean” (Nadando em seu oceano), do Crash Test Dummies, não é somente uma belíssima canção. O título é uma metáfora, imagem aberta a inúmeras paráfrases; metáfora poderosa, sugestiva, com uma letra feita de deliciosa malícia. Embarquemos.
domingo, 23 de janeiro de 2011
CONTO 40
Na opinião do extremamente tímido e retraído Tiago, a maior vantagem de morar sozinho é poder andar nu pela casa a qualquer hora. De repente, deu-se conta de que mesmo quando Naiara estava na casa dele Tiago se sentia totalmente à vontade para sair andando nu pela casa. Convidou-a então para morar com ele.
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sábado, 22 de janeiro de 2011
"MÚSICA DE BRINQUEDO"
Não deixe de escutar o delicioso “Música de brinquedo”, do Pato Fu. No CD, clássicos da música pop são regravados com instrumentos de brinquedo e outras “tranqueiras” – para me valer de uma palavra que a própria banda usa para se referir aos “instrumentos” que foram descolando para a gravação.
O repertório não é de canções infantis, mas os arranjos e a participação de crianças no vocal conferem um saboroso, divertido, espontâneo e lúdico tom ao CD, que tem doze regravações. É show de bola escutar canções como “Frevo mulher” contendo instrumentos infantis no arranjo.
Sobre as participações das crianças no vocal, o “release” divulgado no site da banda diz: “Por último, o elemento surpresa: a participação das crianças cantando. Bem, nunca se sabe o que uma criança vai fazer. Às vezes ela não faz o que você quer. E às vezes o que ela faz é muito melhor do que o que você queria. Não queríamos aquela sonoridade ‘coral de crianças’, e sim pequenas participações, marcantes e carregadas da inocência e desafinação pura de espírito que só as crianças conseguem. Acho que conseguimos, e foi um aprendizado e tanto”.
Penso ser a glória para o artista saber brincar com o dom que ele tem, divertindo-se, divertindo-nos.
“Música de brinquedo” é um ótimo presente para as crianças. E os adultos vão adorar.
O repertório não é de canções infantis, mas os arranjos e a participação de crianças no vocal conferem um saboroso, divertido, espontâneo e lúdico tom ao CD, que tem doze regravações. É show de bola escutar canções como “Frevo mulher” contendo instrumentos infantis no arranjo.
Sobre as participações das crianças no vocal, o “release” divulgado no site da banda diz: “Por último, o elemento surpresa: a participação das crianças cantando. Bem, nunca se sabe o que uma criança vai fazer. Às vezes ela não faz o que você quer. E às vezes o que ela faz é muito melhor do que o que você queria. Não queríamos aquela sonoridade ‘coral de crianças’, e sim pequenas participações, marcantes e carregadas da inocência e desafinação pura de espírito que só as crianças conseguem. Acho que conseguimos, e foi um aprendizado e tanto”.
Aqui e ali, nos vocais, as crianças realizam intervenções. A que há na introdução de “Sonífera ilha” é um barato. No site da banda, há vídeos mostrando a feitura do trabalho.
É curioso escutar crianças cantando letras cujas temáticas são sérias. A gente acaba achando uma saudável e terna graça de algo que, a rigor, não foi criado para divertir.
“Música de brinquedo” é um ótimo presente para as crianças. E os adultos vão adorar.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
NOVA EDIÇÃO DO CAIU NA REDE
Pessoas, a edição 47 do Caiu na Rede está no ar.
Valeu.
Valeu.
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
CAIU NA REDE (46)
Pessoas, está no ar a edição 46 do Caiu na Rede.
Espero que vocês gostem.
Valeu.
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GENTE COMO A GENTE
Erich Auerbach, crítico literário, propôs em seu “Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental”, a ideia da criaturalidade corpórea para se referir a um procedimento shakespeariano. Essa ideia é simples: se por um lado Shakespeare seguia a tradição da tragédia clássica, por outro, talvez influenciado pela “farra” que era o teatro medieval, o dramaturgo fazia com que seus heróis trágicos passassem por situações vexatórias, engraçadas. Esses momentos fazem com que o herói trágico saia de seu “pedestal” e se torne um qualquer. A diferenciação entre o cômico e o sublime é banida.
Quando leio Tom Wolfe, lembro-me do conceito de Auerbach. Em tempo e local diferentes dos de Shakespeare, Wolfe humaniza ou ridiculariza a figura de quem se dá muita importância. O autor americano insere seus personagens em situações igualmente vexatórias. Em “A fogueira das vaidades”, por exemplo, o personagem ridicularizado ou humanizado é Sherman McCoy, financista da famigerada Wall Street.
McCoy se intitula “o Senhor do Universo”: não tem ainda quarenta anos, mora na cobiçada Avenida Parque, desfila de Mercedes com a amante e consegue ganhar alguns milhões de dólares com um “simples” telefonema. Mas já nas primeiras cenas em que aparece, McCoy é mostrado tão patético quanto todos nós.
Quando leio Tom Wolfe, lembro-me do conceito de Auerbach. Em tempo e local diferentes dos de Shakespeare, Wolfe humaniza ou ridiculariza a figura de quem se dá muita importância. O autor americano insere seus personagens em situações igualmente vexatórias. Em “A fogueira das vaidades”, por exemplo, o personagem ridicularizado ou humanizado é Sherman McCoy, financista da famigerada Wall Street.
McCoy se intitula “o Senhor do Universo”: não tem ainda quarenta anos, mora na cobiçada Avenida Parque, desfila de Mercedes com a amante e consegue ganhar alguns milhões de dólares com um “simples” telefonema. Mas já nas primeiras cenas em que aparece, McCoy é mostrado tão patético quanto todos nós.
APONTAMENTO 98
É preciso conhecer para amar, mesmo diante da impossibilidade de a gente conhecer totalmente uma pessoa.
Também é assim na literatura. Gosta-se de um personagem quando se conhece aquele personagem (ou pelo menos uma faceta significativa dele), quando se tem a impressão de que se convive ou de que se conviveu com ele, ainda que num texto curto. Uma das razões do sucesso de Hamlet como personagem está no fato de que o conhecemos muito bem.
Criar personagens não é fácil. É que conhecer é difícil; dar-se a conhecer é difícil. Obviamente, esse não é o único quesito para se criar uma boa história, um bom livro, mas desconheço histórias boas sem personagens bons.
Também é assim na literatura. Gosta-se de um personagem quando se conhece aquele personagem (ou pelo menos uma faceta significativa dele), quando se tem a impressão de que se convive ou de que se conviveu com ele, ainda que num texto curto. Uma das razões do sucesso de Hamlet como personagem está no fato de que o conhecemos muito bem.
Criar personagens não é fácil. É que conhecer é difícil; dar-se a conhecer é difícil. Obviamente, esse não é o único quesito para se criar uma boa história, um bom livro, mas desconheço histórias boas sem personagens bons.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
PUBLICAÇÕES NO PATOS HOJE
Pessoas, estou com uma coluna no Patos Hoje, site local. Para conferir, gentileza acessar http://www.patoshoje.com.br/blog. O nome da coluna é Secos & Molhados.
Valeu.
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domingo, 9 de janeiro de 2011
CAIU NA REDE (45)
Pessoas, a edição 45 do Caiu na Rede está no ar.
Valeu.
Valeu.
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
SOBRE O TEMPO
Entre beijos cálidos
e afagos promissores,
tu me dizes que posso ir embora,
pois tenho de acordar cedo.
Mas sabes que não vou,
pois a pele eriçada mede
mais sabiamente o tempo
do que o lisinho relógio.
e afagos promissores,
tu me dizes que posso ir embora,
pois tenho de acordar cedo.
Mas sabes que não vou,
pois a pele eriçada mede
mais sabiamente o tempo
do que o lisinho relógio.
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domingo, 19 de dezembro de 2010
NASI EM PATOS DE MINAS
Ontem (18/12), conferi mais um show de Nasi aqui em Patos de Minas. Em maio do ano passado ele veio trazendo convidados – Marcelo Bonfá e George Israel. Ontem, ele se apresentou com sua banda.
O som estava meio embolado, de modo que em canções inéditas e desconhecidas não era possível escutar com precisão a letra. Mas quando se tratava de algum clássico do pop/rock nacional, esse contratempo sumia.
Além do mais, Nasi é roqueiro. Com isso, quero dizer que o show tem muita “pegada”, tanto de Nasi quanto do restante da banda. O rock é também energia e atitude, e isso não falta para Nasi e banda, que fizeram uma hora e meia de um show pleno de vigor e recheado de clássicos do rock brasileiro, além de composições próprias do ex-vocalista do Ira!.
Em maio do ano passado, escrevi que a plateia foi fria. No show de ontem, nem tanto, talvez pelo fato de que o espaço era menor, mais aconchegante. A impressão foi a de que havia mais fãs do Ira!, de Nasi e do rock nacional como um todo do que na apresentação do ano passado.
Uma banda competente, um artista que tem o rock na veia. No repertório, Legião, Cazuza, Raul Seixas, Ira!... e composições da carreira solo de Nasi, que tem um site. Para acessá-lo, clique aqui.
O som estava meio embolado, de modo que em canções inéditas e desconhecidas não era possível escutar com precisão a letra. Mas quando se tratava de algum clássico do pop/rock nacional, esse contratempo sumia.
Além do mais, Nasi é roqueiro. Com isso, quero dizer que o show tem muita “pegada”, tanto de Nasi quanto do restante da banda. O rock é também energia e atitude, e isso não falta para Nasi e banda, que fizeram uma hora e meia de um show pleno de vigor e recheado de clássicos do rock brasileiro, além de composições próprias do ex-vocalista do Ira!.
Em maio do ano passado, escrevi que a plateia foi fria. No show de ontem, nem tanto, talvez pelo fato de que o espaço era menor, mais aconchegante. A impressão foi a de que havia mais fãs do Ira!, de Nasi e do rock nacional como um todo do que na apresentação do ano passado.
Uma banda competente, um artista que tem o rock na veia. No repertório, Legião, Cazuza, Raul Seixas, Ira!... e composições da carreira solo de Nasi, que tem um site. Para acessá-lo, clique aqui.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
FOTOPOEMA 181
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
FUTEBOL (10)
Eu deveria ter comentado na postagem anterior, mas acabei me esquecendo: os times africanos (incluo as seleções) jogam futebol como se estivessem se divertindo, como se o jogo não valesse grande coisa, como se tradição e milhões assistindo e outros milhões em patrocínio e maracutaias não fossem tão grandes coisas assim (e, de fato, não são). Parecem não dar a menor bola para todo o teatro que é armado. Jogam como se estivessem disputando uma partida entre amigos num surrado campo de uma desconhecida cidade qualquer.
Esse espírito com que os africanos disputam um torneio é sensacional. Há uma certa irresponsabilidade, por assim dizer; há uma certa inconsequência. Parecem jogar com alegria. É divertido vê-los jogar. Há neles um espírito moleque que deveria haver no futebol. Se o continente africano passar a conquistar títulos mundiais, os negócios vão destruir o bonito espírito que o futebol deles ainda tem. Enquanto isso não ocorre, vamos curtir.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
FUTEBOL (9)
Não sei nada sobre o regulamento do mundial de clubes, que está sendo realizado nos Emirados Árabes. Contudo, há meses, tenho escutado notícias e debates sobre uma final entre o Inter do Brasil e o Inter da Itália.
Eu não sabia da existência do Mazembe, que é um tipo do Congo, na África. Acompanhei o jogo pela TV, cujos comentaristas usaram a palavra “vexame” para se referir à atuação do Inter. Agora, num portal de internet, há a manchete: “Inter dá vexame, perde para Mazembe e vê ruir o sonho do bi”. Um outro comentarista, mais hiperbólico, asseverou, na TV, que a derrota do Inter é uma das maiores zebras do futebol mundial.
É verdade que o Inter não jogou tudo o que sabe. Contudo, o time africano não jogou mal. Sei que os comentaristas alegam tradição, peso da camisa e afins, mas em campo não houve diferença gritante entre os times. Levando-se em conta o que imprensa e meios de comunicação disseram, fica-se com a impressão de que o Mazembe poderia ser derrotado por qualquer time de qualquer empresa numa pelada de confraternização de fim de ano.
Teriam os jogadores do Inter, no fundo, entrado em campo pensando que a partida já estava ganha?... Enquanto eu digitava este texto, uma repórter entrevistava um jogador do Inter. No fim, ela usou a palavra “surpresa”, referindo-se ao resultado do jogo. Contudo, se considerarmos apenas o jogo de hoje, não houve vexame do Inter, mas, sim, competência do Mazembe.
A lição é velha, mas não é aprendida: a tradição e o peso da camisa não ganham uma partida. Às vezes, nem a superioridade dos jogadores de um time garante a eles a vitória. Análises técnicas e táticas podem dar conta de uma parte da resposta, mas não explicam tudo.
O Inter do Brasil volta a jogar no sábado. O Inter da Itália joga amanhã. Se perder, disputa contra o Inter do Brasil o terceiro lugar do torneio. Caso isso ocorra, terá a imprensa, de certo modo, “previsto” um confronto entre os dois times.
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