terça-feira, 2 de junho de 2009

A(S) HISTÓRIA(S) POR TRÁS DA(S) FOTO(S) (53)

Geralmente não gosto de fotografar animais domésticos. Contudo, quando vi o cachorro acima, logo tive vontade de registrar.

Nada entendo de cães, de modo que não sei a que raça o espécime pertence. Eu estava lá no bairro Copacabana, lugar a que frequentemente vou para fotografar. Prestando atenção no ambiente, em busca de algum animal selvagem, eu me deparei com o cachorro acima. A foto foi tirada hoje (2/6).

E já que o assunto está canino, aproveito para postar a imagem abaixo. Foi feita no dia 7 de setembro de 2006. Na ocasião, eu havia sido contratado para fotografar o primeiro Festival de Teatro Universitário de Patos de Minas.

Os organizadores fizeram pelas ruas uma caminhada performática que contou com a participação de alguns dos grupos teatrais que vieram de outras cidades. Enquanto eu fotografava o pessoal do teatro, vi o cachorro passando, lá na Getúlio Vargas. (Também não sei a que raça pertence.)


Em tempo: enquanto eu digitava o texto acima, eu me lembrei de uma outra foto que tirei de um cachorro, nessas minhas andanças. Nada me recordo dos bastidores da imagem, que vem a seguir. A única coisa que posso afirmar é que o registro foi feito no dia 20 de setembro de 2005 (a informação é registrada no arquivo digital). Quanto à raça, parece-me ser um vira-lata.

FOTOPOEMA 92

APONTAMENTO 56

A falta de tato e a truculência de alguns médicos me faz pensar que deveriam ler um pouco de Oliver Sacks. Em seus livros, ele passa a sensação de realmente se importar com os pacientes. Poderia ser argumentado que Sacks estaria, por assim dizer, fazendo um personagem em seus livros; que no dia-a-dia com os pacientes talvez ele nem se importe tanto assim. Ainda que seja o caso (não sei se é), pelo menos os livros dele exibem um personagem que de fato inspira. A profissão de médico é mesmo belíssima. Mas há profissionais que conseguem fazer dela uma das mais feias.

LETRA DE MÚSICA (9)

Filho, tivesse eu a receita
Não sei nem de mim, meu amigo
Mal chegaste e já sou outro
Sou abnegação e zelo

Torço para que sejas menos tolo do que eu
Tivesse eu feito para mim o que quero para ti
Que eu saiba te dar chão e estrelas
Sou abdicação e cuidado

Olho tua fragilidade, tua pequenez
Que mundo herdarás, serás feliz?
Que tua estrada te conduza à velhice
Sou dedicação e ternura

O mundo inventou muita bobagem
Tem cuidado e lapida o coração
Faz teu caminho, escala tuas montanhas
Sou agora amor próprio e o próprio amor

LETRA DE MÚSICA (8)

Ter de me virar com a saudade
Agir como se eu tivesse força que não tenho
Invento o que fazer, exerço talento
Por dentro, o fogo; por fora, a calma

No silêncio do quarto, no agito da madrugada
Na rua aqui perto, na cidade distante
Eu viajo, eu converso, eu desconverso
Começo, rio, passo, tropeço, vitória

Eu me guio pela fartura das estrelas
Campos de girassóis douram meu caminho
Arrebóis me acompanham em andanças
Falta tua luz para que eu brilhe como tudo

segunda-feira, 1 de junho de 2009

FOTOPOEMA 91 / HAICAI 18

(Em recente comentário neste blogue, o leitor e amigo Manoel Almeida me perguntou se para a série de fotopoemas já ocorrera de eu produzir uma foto para determinado texto. Respondi que não. Mas, pensando bem, Manoel, isso não deve ser verdade. Por certo, já produzi uma imagem para ilustrar um texto específico, embora não me lembre. Digo isso porque a imagem abaixo foi feita hoje para ilustrar o haicai, escrito no ano passado.)

domingo, 24 de maio de 2009

FOTOPOEMA 88

AMOR E DOR

Certa vez, numa entrevista, Renato Russo disse que “Eduardo e Monica” é uma canção de amor, mas não uma canção de amor que rima amor com dor e paixão com coração.

Das histórias de amor que andam contando por aí, não consigo imaginar uma tão atípica quanto a de “Despedida em Las Vegas” (“Leaving Las Vegas”, EUA, 1995), do diretor Mike Figgis.

No filme, Ben (Nicolas Cage) e Sera (Elisabeth Shue) se encontram em Las Vegas. Ben havia sido despedido de seu emprego como roteirista de cinema devido ao alcoolismo. Decide então ir para Las Vegas e beber até morrer, promessa que cumpre a rigor. O filme é baseado no romance “Leaving Las Vegas”, do escritor John O’Brien.

Ben, alcoólatra empedernido; Sera, prostituta. Numa das noitadas dele, acabam se encontrando. O amor surge e une as duas trágicas existências. À medida que o filme prossegue, Sera relata a alguém que nunca aparece (um analista? um amigo?) a história vivida com Ben.

“Despedida em Las Vegas” é uma história com dor, paixão, amor e coração. Mas uma história de rimas preciosas. Uma história tão inusitada quanto o próprio amor pode ser.

sábado, 23 de maio de 2009

"VAMO BATÊ LATA"

Terminei de ler “Os Paralamas do Sucesso: vamo batê lata” (Editora 34), do jornalista Jamari França. O livro é a biografia dos Paralamas.

Num estilo leve e simples, França conta a trajetória de Bi, Barone e Herbert. Deste, não deixa de mencionar os amores, alegrias, aventuras, desventuras, decepções e tragédias, como o acidente de ultraleve que mataria Lucy, sua esposa, em 2001. Como sequela, o cantor ficou paraplégico.

Se você é fã da banda ou curte o pop/rock da década de 80, leia “Vamo batê lata”. Curiosas crônicas dos bastidores do então efervescente rock nacional podem ser conferidas no livro, que narra cronologicamente a história do trio.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

NASI

Cheguei há pouco. O que posso dizer é que tive o privilégio de conferir uma noite histórica: num mesmo palco, durante um mesmo show, pude curtir Nasi, George Israel, Marcelo Bonfá e Charles Gavin; este não estava previsto, mas apareceu no fim do show e deu uma canja – mais cedo, fizera show com os Titãs.

Não falarei de cada um nem do legado que têm produzido. Só digo: a sensação com que fiquei, é a de que a plateia não entendeu bem o que estava acontecendo. Parece que estavam mais a fim de curtir o bate-estaca que viria depois.

Pensei que Bonfá (que mencionou o primeiro show da Legião Urbana aqui em Patos de Minas e se embananou no meio de "Pais e filhos") “apenas” tocaria bateria; ele também cantou. Pensei que George Israel “apenas” tocaria saxofone; ele também cantou. O restante da banda é de uma competência e de uma “pegada” absolutas. Puro rock. (Infelizmente, não sei os nomes dos integrantes da banda que acompanhou Nasi.)

Ficou no ar um clima de show certo no lugar errado. Estou convencido de que se fosse num grande centro, fãs e imprensa estariam comentando o encontro que houve nesta madrugada em Patos de Minas. Achei o público frio e desinteressado. Pareciam não entender muito bem o que estava acontecendo.

Ainda assim, saí do parque de exposições de alma lavada. De Raul Seixas a Legião Urbana, passando por Ira e Cazuza, berrei e pulei. De saideira, fizeram James Brown – and I felt good.

sábado, 16 de maio de 2009

APONTAMENTO 55

A vida tal qual a conhecemos é a conjugação e a consequência de uma história inteira de fatores no Universo. Um hipotético asteroide longínquo que tenha sua trajetória desviada em função seja do que for, pode vir a se chocar contra a Terra e destruir boa parte da vida por aqui – ou toda ela; se a inclinação da Terra sofresse mínima alteração, os danos à vida no planeta poderiam ser fatais. O fato de eu estar aqui digitando estas palavras é o resultado de um sem--fim de arranjos.

Não sugiro com isso que o Universo tenha “conspirado” para que houvesse vida na Terra ou que tenha se organizado como o conhecemos para que o ser humano existisse. Nada disso. Só quero dizer que a vida, qualquer forma de vida, seja onde for, é resultado de causas sutis e, para os parâmetros humanos, extremamente demoradas. E que uma mínima alteração no arranjo pode liquidar o que vive.

Todo equilíbrio é tênue.

FOTOPOEMA 85

sexta-feira, 15 de maio de 2009

CACHORRO PRETO E REVOLUÇÃO

O rock torna a vida menos chata. Ontem à noite, houve menos chatice: as bandas Black Dog e Revolution se apresentaram na praça em frente ao fórum. Clássicos do rock ‘n’ roll foram executados com competência pelo pessoal, que há tempos vem atuando no meio musical daqui.

Wendell (baixo), Cleanto (bateria) e Moisés (guitarra), integrantes da Black Dog, foram os primeiros a se apresentar. A banda Revolution, que veio a seguir, além dos três, contou com Edgard (teclados), Leo Martins (teclados) Adriano (guitarra e violão) e Irinho (vocais).

Foi a primeira vez que Irinho e Adriano se apresentaram com a Revolution, que fez um show menos baladeiro, um pouco mais pesado. A proposta foi bem recebida pelo público, que pulou e berrou ao som da banda.

Wendell, Cleanto e Moisés eram integrantes da banda O Gabba quando da primeira formação do grupo (Rubinho era o vocalista). Gravaram um discão, intitulado “Alerta”. Também por isso, torço para que eles e os demais, além de continuarem mandando ver em shows como os de ontem, tenham a oportunidade de voltar a produzir material próprio.

Abaixo, algumas fotos que fiz do evento.
















quarta-feira, 13 de maio de 2009

APONTAMENTO 54

Neruda, em seu “Confesso que vivi”, fala da grande emoção que é para um escritor ver pela primeira vez um livro seu impresso.

Nunca tive o privilégio de ver nada meu impresso por alguma editora, já que os dois livros que lancei foram bancados por mim mesmo. Ainda assim, próximo ao lançamento do primeiro, lembrei-me da observação do Neruda.

Contudo, o curioso foi que eu me emocionei não quando vi o livro pronto, mas, sim, quando a gráfica me mostrou o que no jargão deles chamam de “boneco” – dobram algumas folhas de papel e nos entregam, para que a revisão final seja feita. O “boneco” já tem a diagramação pronta.

Quanto o peguei, eu já me emocionei, e logo me lembrei do comentário do Neruda. Pensei comigo: “Nossa! Se pegar o ‘boneco’ já é um barato, imagine quando eu pegar o livro mesmo!”. Entretanto, quando esse momento veio, não houve graça alguma: a emoção de ter em mãos o primeiro livro impresso havia sido “gasta” com o tal do “boneco”...

terça-feira, 12 de maio de 2009

SEM PONTUAÇÃO

A vida termina,
e sempre fica algo
por fazer ou dizer.

A vida termina
sem pontuação,
suspensa, pênsil.

SHOWBIZ

Eu toco demais!
Venceria qualquer
concurso de air guitar.

Enlouqueço platéias!
Platéias me enlouquecem!
Solos que não acabam mais,
performances ensandecidas,
multidões cantando junto!...

O palco é minha casa.

CAUDALOSO

Prometi delícias as mais variadas.
Cumpri todas e desancorei outras.
Nesse ousar em ti, nesse desdobrar
prazeres que em ti eram tímidos,
acabei por descobrir outros em mim.
Encaixe feito de carinho ou de suor.
Deixo jorrar quem sou; bebo quem és.

FOTOPOEMA 84

CONSTATAÇÃO

Nunca,
nenhum texto
com mais de
uma página.

Sou um homem
de ideias curtas.

domingo, 10 de maio de 2009

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (52)

(Gabriel Ferreira, aluno e amigo, conferiu este blogue e me pediu para contar a história por trás da foto que está na postagem intitulada Fotopoema 82.)

Gabriel, a foto foi tirada lá na Serra da Canastra, aqui em Minas Gerais, no dia 13 de agosto de 2005. O convite para que eu conhecesse o lugar me foi feito por uma bióloga (Alice) que era minha colega de trabalho na faculdade. Ela levaria alguns alunos até lá. Como havia vaga, convidou-me.

Gostei demais. Em primeiro lugar, porque a vegetação do lugar é o Cerrado, pelo qual tenho reverência. Em segundo lugar, pela fauna e a flora da região. Em terceiro lugar, pelas oportunidades que a Serra da Canastra oferece para quem gosta de fotografar a natureza.

Num dos passeios, a gente chegou a entrar nesta casa. Segundo os moradores, havia uma cobra vivendo entre o forro e o telhado. Tentei fazer cara de indiferente, sem saber se de fato eu acreditava ou não nessa história. Como não dei continuidade à conversa, fiquei sem saber se estavam brincando ou não...

Depois que deixamos a casa, continuamos a caminhada. Já tendo nos afastado um pouco, olhei para trás e vi que seria possível fazer uma foto mostrando a casa, seus arredores e o céu. Aí, foi só enquadrar e clicar.

Posteriormente, em julho de 2006, eu voltaria à Serra da Canastra, mas o guia com o qual eu havia fechado negócio me deu o bolo, de modo que fiquei somente uma tarde por lá. Minha intenção é voltar.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

LOBÃO

Um dia desses, comentei sobre o Lobão. Conferi o acústico do cantor, graças a meu amigo Ismael, que me emprestou o DVD.

De cara, o que chama a atenção é a competência musical da banda que acompanha o cantor. Como tocam! Nos extras, ele mesmo disse que ao topar gravar o acústico, fez questão de que houvesse muito som de violão. E há. Para tanto, arregimentou músicos competentíssimos.

Além de Lobão, que toca violão e craviola, a banda conta com Roberto Pollo (teclados, piano, escaleta), Daniel Martins (baixo, craviola), Edu Bologna (violão, bandolim, dobro, banjo), Luce (bandolim, violão, vocal), Stéphane San Juan (percussão) e Pedro Garcia (bateria).

Além dos feras acima, há um quinteto de cordas que participa em algumas das faixas: Glauco Fernandes (violino – apresentado por Lobão assim: “Glauco Fernandes e seus arranjos endiabrados”), Rogério Rosa (violino), Luis Audi (viola), David Chew (violoncelo) e Cláudio Alves (contrabaixo).

Lobão e banda conferiram peso e robustez ao formato acústico. Os arranjos são primorosos. Gostei muito de “El desdichado II”, “Essa noite, não”, “Décadance avec Élégance” e “Por tudo que for” – esta quase virou um chorinho! Brilhante.

Ainda que você não seja fã do Lobão, confira o acústico pelos músicos que o acompanham. Afinal, nada como ter o privilégio de conferir uma banda em que há competência, carisma, profissionalismo e energia.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (51)

A feitura desta imagem foi um tanto engraçada. Antes da foto que seria pra valer, fiz o enquadramento, “ensaiando” com uma garrafa de água. Eu já havia tomado um pouco do vinho. Combinei com a minha mãe pra ela tomar o que eu derramasse na taça depois de capturada a imagem. Minha mãe topou. Só que acabei demorando: a câmera estava sobre um tripé. Eu a programei para disparar dez segundos depois de apertado o obturador. Quando a luzinha na parte da frente do equipamento parasse de piscar, eu derramaria o vinho – e eu não estava a fim de fazer várias fotos, pois a bebida foi comprada com a intenção de ser tomada, e não fotografada. Houvesse mais gente por aqui, mais fotos poderiam ter sido tiradas, mas só estávamos eu e minha mãe. Só que depois de feita a foto, fui chamá-la para tomar e ela... já estava dormindo. Tive então de tomar mais uma dose – não que isso tenha sido um suplício...

UM PEDACINHO DO PARAÍSO

Recentemente, Manoel Almeida lançou o blogue Epitaphius. Em conversa que mantive com Manoel há tempos, ele me perguntou qual seria meu epitáfio. Eu disse na ocasião que seria uma frase do Leonardo da Vinci: “Quanto mais se conhece, mais se aprecia”. Contudo, uma inteligente e espirituosa aluna que tive há muito tempo me disse que o dela seria: “Dei sossego”. Gostei tanto que pedi a ela a autorização para que eu usasse essa frase no meu. A autorização foi concedida.

Mas toda essa história é para falar da frase do Leonardo da Vinci e de uma canção. Se a máxima do renascentista será ou não meu epitáfio, ainda não sei. O que sei, é que sempre que começo a me dedicar a seja o que for, a frase me ocorre. Neste momento, escuto por intermédio de fone de ouvido a canção “One inch of heaven”, do grupo The Silencers. A epígrafe de meu livro Algo de sempre é extraída de um dos versos da letra: “There’s a rock in my heart that can’t be broken”.

A canção é sobre um sujeito que na maturidade se flagra amando. É madrugada e ele caminha por uma rua deserta, a Rua Jamaica. Chove. Por perto, há um rio. De repente, ele se vê um novo homem, ele se pega amando. O amanhecer não vai demorar. Ele caminha e reflete sobre o quanto as coisas podem vir inesperadamente. Ele vai caminhando, o rio por perto flui, fluem os pensamentos, fluem as reflexões...

Enquanto digito estas palavras, presto atenção no arranjo da canção. Meu ouvido para a música sempre foi uma lástima. Tanto que somente agora, por intermédio do fone, percebo no arranjo sutilezas até então desconhecidas por mim. Se tiver a chance de escutar, preste atenção num teclado que faz a marcação junto com a caixa da bateria. Há também um teclado que somente agora consegui escutar e que faz a base enquanto o vocalista canta. Esse teclado pode ser escutado bem ao fundo, sutil, discreto, bonito. (Preste bastante atenção quando o vocalista começar a cantar.)

A música é longa, não tem pressa (dura mais de sete minutos). O andamento não é rápido. Tudo isso combina com o sentimento do eu lírico, sujeito velhaco e cínico (“eu era o rei do verso cínico”), mas que numa madrugada, enquanto caminha sob a chuva perto de um rio, pega-se, ainda na escuridão da madrugada, amando.

Quer saber? “Quanto mais se conhece, mais se aprecia”.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DEVER DE CASA

No banco da praça,
todos os dias,
depois da aula,
namora o
casal
de estudantes.

FOTOPOEMA 82

HAICAI 17

Exata fenda.
A gala, o charme e o vestido
que a mão desvenda.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

APONTAMENTO 53

Na vida, todos somos grandes atores; no palco, nem todos.

FOTOPOEMA 81

FOTOPOEMA 80

ONÍRICO

A poética loucura,
as estrelas,
a mulher que
dança na sala,
a noite gigante,
este sonho,
o dia de minha morte.

Como qualquer homem
ou qualquer outra coisa,
sustento o universo.
É preciso que eu morra
para que o universo
continue existindo.

domingo, 3 de maio de 2009

APONTAMENTO 52

Infelicidade é quando o lugar em que queremos estar não está perto da gente.

sábado, 2 de maio de 2009

FOTOPOEMA 79

O GRANDE LOBO

Futura compra: o acústico MTV do Lobão.

Lobão desce a lenha em todo mundo; todo mundo desce a lenha no Lobão. Eu o considero figura imprescindível. Sua verborragia muito revela do esquemão hipócrita do mercado fonográfico. É preciso que alguém diga isso; ele é esse alguém.

Quando o acústico foi ao ar, acompanhei por um site. Gostei muito, porém não mais o escutei posteriormente. Há pouco, escuto por uma rádio a releitura acústica de “Décadance avec Élégance”, com um Lobão cantando escrachado. Escute e me conte se seu corpo não ficou doidão, pulando até o teto.

Aliás, desde quando acompanhei pelo site a exibição do acústico, gostei demais do quanto Lobão estava cantando escrachadamente (o que é ótimo) como nunca e do quanto os arranjos eram dançantes. Embora os andamentos das canções não sejam velozes e o formato seja acústico, o suingue é irresistível.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

AINDA SOBRE "JUNO"

Já escrevi neste mesmo blogue sobre o filme “Juno” (EUA, 2007), do diretor Jason Reitman. Recentemente, eu o assisti novamente.

Há uma cena em que a personagem Juno, interpretada pela bela atriz Ellen Page, entope a caixa de correio de Paulie Bleeker, interpretado por Michael Cera, com uns chicletes que ele adora. Quando ele vai conferir se havia correspondência, é brindado com centenas de gomas de mascar.

Ao agradecer a Juno, em mais um engraçado diálogo criado pela roteirista Diablo Cody, Bleeker, sempre com sua cara de bobalhão, diz que tem chicletes para mascar até o fim da faculdade.

Por intermédio principalmente da personagem interpretada por Ellen Page, vejo “Juno” como um engraçado e sensível retrato do amor na adolescência. Juno ainda não sabe, mas é feita para o amor. O que ela não sabe direito ainda é o que fazer com o talento que tem para amar.

A impressão que fica é a de que quando estiver madura, será uma grande mulher, uma grande amante. Sentimos que saberá dar ao amor um toque de humor. Fica-se com a impressão de que saberá temperar o amor com “bobagens” que tão bem fazem para uma relação.

Ela gosta de agradar, sabe das manias de Bleeker. Sestrosa, chega a fingir para uma amiga que não tem ciúme dele quando fica sabendo que ele vai a uma festa com uma outra garota. Juno é o amor bonito e engraçado, atencioso e detalhista, criativo e gostoso, feminino e imprescindível.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

HAICAI 16

Penetrante atuar.
Um, dois, três.
Ménage à trois.

A DAMA E O VAGABUNDO

Só a dama viu que dentro do
vagabundo havia o cavalheiro.
Quis fazer dele seu príncipe.
Mas o cavalheiro, coitado,
não conseguiu ver a mulher
apaixonada dentro da dama –
só conseguiu ver nela a rainha.
Assim foi que dama e vagabundo
continuaram dama e vagabundo.
Ficou ela sem um príncipe.
Ficou ele sem um reino.

JOHNNY O. AND JIMMY Y.

Ontem, quarta-feira, tive o privilégio de conferir apresentação com Johnny O. num dos bares da cidade. Ele é vocalista, guitarrista e fundador do grupo Johnny O. Band. Na apresentação de ontem, Johnny O. foi acompanhado pelo baterista Jimmy Y., que já esteve em Patos de Minas anteriormente em três ocasiões.

Executaram principalmente clássicos do blues, bem como algumas canções compostas por Johnny O. Ambos músicos tarimbados, fizeram um show envolvente, técnico e bonito. Na ocasião, comprei um dos CDs da banda. Ainda não o escutei.

Do show, houve um instrumental que de cara me chamou atenção. Belíssimo. Assim que a música acabou, perguntei ao cantor o título: “Springtime”. Segundo Johnny O., vai estar no próximo CD da banda, que será lançado em breve. Caso queira mais informações sobre o grupo, você pode acessar o link para o site ou conferir o Myspace do pessoal.

domingo, 26 de abril de 2009

HAICAI 15

Busca sem fim.
Pelejo busco e acho
um brilhante sim.

CONTO 34

Quando o assunto é Deus, há em Daniel um lado racional que O concebe como matéria, podendo ser Ele explicado pela ciência. Mas há também em Daniel muito da educação católica que recebeu da mãe. Hoje, ele não mais se considera católico; largou igreja, ritos, mas a herança da mãe o faz pensar, entre outras coisas, em um Deus a escutar orações. Embora o lado racional de Daniel considere sem sentido tal concepção, há dois momentos em que ele não resiste e agradece a Deus – quando toma um banho bem quente e gostoso no inverno e, não importa a época do ano, quando vai se deitar e sente cheiro de roupa de cama limpa.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

FOTOPOEMA 76

AINDA BORGES

Há um pequeno poema de Borges que bem poderia ter sido usado como epígrafe do filme “Um sonho de liberdade” (“The Shawshank Redemption” – EUA, 1994), baseado numa história do Stephen King cujo título é “Rita Hayworth and The Shawshank Redemption”.

O filme é dirigido por Frank Darabont. Nos papéis principais, Tim Robbins e Morgan Freeman. E, pensando bem, a epígrafe poderia estar também na história criada por Stephen King. Diz o texto de Borges, intitulado “O prisioneiro”:

Uma lima.
A primeira das pesadas portas de ferro.
Um dia serei livre.

BORGES

Tertúlias literárias são um dos temperos mais bacanas que uma amizade pode ter. Num desses bate-papos literários, comentei recentemente com um amigo minha profunda admiração por Jorge Luis Borges. Depois da conversa, voltei, mais uma vez, a folhear os textos do argentino.

Borges é o escritor que mais me compele a escrever, quem mais acende minha imaginação. Não bastasse o texto dele em si, que acho admirável, bastam algumas páginas de Borges para que eu sinta uma imensa vontade de escrever meus textos. Não sei o motivo pelo qual isso ocorre. O que sei, é que Borges faz bem para a felicidade.

terça-feira, 21 de abril de 2009

A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO (50)

Hoje pela manhã, eu e meu amigo Diego Bueno Guimarães, competente enfermeiro e acupunturista, saímos para tirar algumas fotos, aproveitando o feriado e o dia bonito. No giro pelos arredores da cidade, fomos até o campo de futebol da AABB, onde há corujas. A da imagem acima estava do lado de dentro do alambrado do campo. Não estava sendo possível fotografá-la. Foi quando então Diego disse que se podia subir na mureta e colocar os braços por cima do alambrado, o que foi feito. Devo a ele esta foto. Não fosse a sugestão dele, não me teria ocorrido a ideia de que eu poderia sair do chão para tirar a foto. Além do mais, a atenção da coruja é dirigida a ele, que ficou chamando a atenção da ave para que os olhos aparecessem claramente na imagem.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

LUZIA

Luzia é procurada indiscriminadamente por todo tipo de homens. Há rico que chega em portentosos carros importados. Há pobre que longe caminha para ir ter com ela. Há casados que já largaram as esposas, foram à bancarrota. Há solteiros que vivem pedindo Luzia em casamento. Há gênios, há tolos...

Todos. Todos saem transidos de prazer e de loucura quando sentem na retesada e arrepiada pele o que Luzia sabe fazer. Saem sentindo no corpo a leveza do amor perfeitamente consumado e a certeza de que nunca mais poderão viver em paz se não tiverem novamente o dom com que Luzia os ensandece.

Luzia tem dinheiro. Cobra caro de quem pode pagar muito; cobra quase nada de quem não pode. Vive sem ostentação. Quando sai, não é daquelas que chamam a atenção. Não tem filhos, nunca foi casada. Com naturalidade, passa a ser a dona daqueles que recebem o que ela perfeitamente executa.

Não é a beleza de Luzia que deixa insanos aqueles que a procuram. Onde terá Luzia aprendido a arte que tem? O que a faz ser o que ela é? Será que alguém ensinou para ela a percorrer com assombrosa perfeição o corpo de quantos a procurarem?

Os dentes, a língua, os lábios, a saliva... Luzia faz com que todos os homens dela se tornem escravos sem que para eles entregue seu sexo – ela lhes entrega sua boca. Depois disso, nenhum homem jamais é o mesmo. Tornam-se servos, escravos, súditos, dependentes. Os que voltam para as parceiras depois de terem passado por Luzia passam a conviver com o fardo que é estar com uma mulher querendo outra.

Luzia, com seu feitiço oral e seus truques úmidos. As cavernas, os mundos antigos e animalescos em que os homens mergulham quando ávida e sofregamente procuram por ela. Eles a procuram em busca de possível felicidade terrena, ainda que fugaz, ainda que utópica, ainda que cara, ainda que louca. Eles a procuram porque são bichos, mas também porque sentem na carne o que é uma alma feliz e toda plena de prazer e gozo. Luzia, com suas idas e vindas, com sua gula, sua lascívia e seu profissionalismo. Luzia, que revigora os homens. Luzia, onde os homens querem ficar até que a vida os deixe, num epífano grito de prazer.

sábado, 18 de abril de 2009

FOTOPOEMA 75

(Para quem é daqui de Patos de Minas se localizar: o verde ao fundo é o campo de futebol da AABB. Para todos: a coruja não está em cativeiro.)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

CONTO 33

Sofia ficou realmente surpresa quando Marcos disse que o corte de cabelo dela havia ficado muito bom. Ela gostou demais do elogio. Marcos era louco para fazer amor com ela; por isso frequentava o restaurante há um ano e meio. Mesmo assim, não achava um jeito de se aproximar da mulher; mal trocava palavras com Sofia, que ficava no caixa. Ela se assustou com o comentário porque ele era um cliente lacônico, embora cortês. O que Marcos não soube é que seu elogio foi mais eficaz do que ele suspeitara: Sofia passaria o resto do dia concebendo em devaneios um atencioso Marcos, ao mesmo tempo em que os pensamentos dela repreendiam o marido, por ele nem ter reparado que ela tinha um novo corte de cabelo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

QUE TAL UMA RAPIDINHA?...

Há pouco, li curiosa matéria sobre um norueguês que foi preso porque estava transando com a namorada – enquanto ele dirigia o carro a 133 quilômetros por hora numa rodovia da Noruega (o limite de velocidade na rodovia é de 100 quilômetros).

Os nomes do casal não foram relevados. Ele tem 28 e ela tem 22. Segundo relatos das autoridades, a polícia logo percebeu que o motorista estava fazendo algo mais do que quebrando o limite de velocidade, pois o carro estava balançando de um lado para outro.

De acordo com a polícia, a mulher estava sentada sobre o homem, de costas para ele. Em função disso, a visão do motorista era debilitada. O casal foi seguido pela polícia por quase um quilômetro.

Para mais informações confira este link (em inglês).

terça-feira, 14 de abril de 2009

FOTOPOEMA 73

COMBINAÇÃO

Uma palavra sozinha não faz literatura.
Uma nota sozinha não faz música.
Uma cor sozinha não faz pintura.
Uma pessoa sozinha dá uma mão para o amor.

domingo, 12 de abril de 2009

FOTOPOEMA 72 / PAPARAZZO

FOTOPOEMA 71

EPITÁFIO

A vida é um sopro.
Hoje, o soprado fui eu.
_____

(Este texto me ocorreu enquanto eu pensava no mais recente blogue – Epitaphius – criado por Manoel Almeida, rara inteligência. A ideia do Epitaphius é publicar citações que possam funcionar como... epitáfios – mas sem que necessariamente tenham sido escritas com essa finalidade. Essa recontextualização das citações gera um efeito no mínimo curioso. Vale a pena conferir.)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

PRÁTICA DE AMOR

De que te amo não há dúvida.
Claro e vigoroso é meu amor.

Nada quero no ar, não quero dar a entender.
De meu amor, tenha tudo, menos dúvida.

Meu amor acontece no peito, bem sei.
Meu amor acontece em gestos, bem sabes.

Eu quero o concreto e o palpável.
Tenha em tuas mãos meu amor que é teu.

Menor eu seria se não soubesses de meu amor.
Gigante sou quando ação é meu amor.

Amo de um jeito prático e efetivo.
Não deixo de lado a poesia dos atos.

Meu amor, eu o penso e sinto.
Em gestos, eu o tenho e vivo.

LETRA DE MÚSICA (7)

Esperei por você o dia inteiro.
O dia se cansou; veio a noite.
Continuei esperando.
A noite se cansou; veio outro dia.
Continuei esperando.
Este dia se cansou; veio outra noite.
Continuei esperando.
Esta também se cansou.
Continuei esperando.
Eu te esperei.
Eu te esperei sem me cansar
até o dia em que dias e noites
se cansaram e me deixaram.