Ela não sabe,
mas olho minha cidade.
Coitadinha da minha cidade,
que amo/odeio
como quem
odeia/ama
aquilo que é
qualquer coisa
mas que nunca
é indiferença.
Tadinha:
tão chinfrim,
bairrista,
pequena,
pobre de livros
e farta em
donos.
É menor do
que pensa.
É maior
do que se supõe.
Ah, minha cidade,
que insiste em
não assumir
que não é conhecida
e se esquece
daquele mecânico
que sabe
de cor e salteado
os buracos
que dribla no
caminho para
o trabalho.
Minha cidade não é
o milho, não é a festa.
Minha cidade é aquele
padeiro que guardou a foto
da casa que ficava
na esquina e hoje é vitrine.
Tenho dó
da minha cidade,
que sonha em ser Paris.
Amo minha cidade,
que nem sonha ser musa.
Nossa provinciana, mas amada Patos.
ResponderExcluirSimplesmente fantástico.
Exatamente. Obrigado.
ResponderExcluirLívio,
ResponderExcluirÉ incrível como a sua relação com Patos de Minas é espelha a relação de Joyce com Dublin, ou de Drummond com Itabira: é uma conflituosa relação de amor e ódio. Nesse poema, é muito curioso como você estabelece aquilo que a cidade futilmente pensa que é, embora não seja, e aquilo que a cidade nem sonha que pode ser, mas acaba sendo - como, por exemplo, transformar-se em musa, num poema, por razões bem diversas daquelas imaginadas pelo poder local e pelos próprios bairristas de plantão. Não deixa de ser uma reflexão curiosa sobre as relações difíceis entre o indivíduo e seu meio social mais restrito.
Parabéns pelo trabalho.
Luís André
Luís André, obrigado pelo comentário sobre o texto.
ResponderExcluirHá muito eu queria ter escrito algo com esse teor, mas não achava o tom.
Grande abraço.